sábado, 30 de julho de 2011
O lado B da energia eólica em larga escala
A energia nuclear é considerada limpa e, a julgar pela emissão de CO2, hidrelétricas também.
Agora, estão sendo levantadas questões acerca do impacto ambiental das fazendas de vento, essas questões remetem a uma única pergunta: "Existe alguma forma realmente limpa de energia?"
Na verdade, não existe desenvolvimento sustentável, 100% de sustentabilidade é um mito, já que todo desenvolvimento impacta e interfere no meio ambiente, ainda que minimamente.
Estive na Ecovila de Goura Vrindrávana há alguns anos e vi uma hidrelétrica de pequeno porte que não derrubou nenhuma árvore para ser construída e, dentro de suas limitações, iluminava um vale inteiro e ainda fornececia energia para a fábrica de banana passa orgânica, a subsistência da comunidade. Entretanto aquelas pessoas não viviam com milhares de eletrodomésticos nem tinham escadas rolantes ou letreiros acesos 24hrs por dia.
A hidrelétrica pequena atende, porque se consome pouca energia, aliás se consome pouco de tudo, mas vive-se melhor.
Hoje, vemos as obras de grande porte do PAC, como Belo Monte, Urucu, Mutu, Jirau e Moju serem consideradas crimes ambientais em todos os aspectos, mas principalmente humanos. Para se informar melhor sobre o assunto, leia a postagem O PAC não se paga.
As obras de grande porte são uma tradição nacional e o orgulho da engenharia brasileira, mas será que a solução para a sustentabilidade não passa exatamente pelo polo oposto, obras menores com aplicações em micro escala?
Além de demandar menos matéria-prima, empregar a mão de obra local, ser gerida pela própria comunidade, a engenharia de pequeno porte permite que o entorno seja menos afetado e os custos dessa obras possam ser inteiramente dimensionados e controlados ao longo da construção, que vai durar pouco.
Lembremos sempre que muitos agrônomos e biólogos respeitados já foram completamente a favor do reflorestamento de eucalipto em larga escala.
Em tempo, sempre houve reaproveitamento de energia eólica, os moinhos de vento são a maior evidência disso, o problema até então tem sido a larga escala.
Leia melhor abaixo sobre os já registrados impactos ambientais da energia eólica em larga escala:
Danos socioambientais originados pelas usinas eólicas nos campos de dunas do Nordeste brasileiro e critérios para definição de alternativas locacionais
As usinas eólicas estão promovendo profundos impactos ambientais negativos ao longo do litoral nordestino
1. As que estão operando e as em fase de instalação nos campos de dunas revelaram que a área ocupada pelos aerogeradores é gravemente degradada - terraplenada, fixada, fragmentada, desmatada, compactada, alteradas a morfologia, topografia e fisionomia do campo de dunas -, pois se faz necessário a manutenção de uma rede de vias de acesso para cada um dos aerogeradores e resguardar a base dessas estruturas da erosão eólica. Com isso iniciou-se um generalizado e aleatório processo de fixação artificial das areias, danos aos sítios arqueológicos e privatização destes sistemas ambientais de relevante interesse socioambiental.
2. A produção de energia eólica é necessária, desde que preserve as funções e os serviços desses complexos sistemas naturais que combatem as consequências previstas pelo aquecimento global (IPCC, 2007). As dunas representam reservas estratégicas de sedimentos, água, paisagens e ecossistemas que desempenham relações sócio-econômicas vinculadas ao uso ancestral e sustentável das comunidades litorâneas e étnicas (MEIRELES, et al., 2006, SCHLACHER et al., 2008).
3. A nível regional, as pressões causadas pelos efeitos combinados da expansão dos núcleos urbanos, indústrias do turismo, concentração e crescimento populacional e, a médio prazo, acumuladas com as alterações climáticas globais, estão submetendo os campos de dunas e demais sistemas litorâneos associados, a ameaças sem precedentes. Aspectos econômicos vinculados à industria do turismo estão ameaçados pela artificialização da paisagem litorânea, possivelmente interferindo no fluxo turístico através do processo acelerado de artificialização das dunas. Com os parques eólicos constatou-se o incremento dos conflitos com as comunidades tradicionais e indígenas, quando seus territórios ancestrais foram privatizados e alteradas as relações de subsistência com o mar.
4. Com o objetivo de realizar o diagnóstico integrado da dinâmica ambiental dos campos de dunas, efetivado inicialmente pela caracterização dos fluxos de matéria e energia, foi possível evidenciar a interdependência dos ecossistemas e as consequências dos impactos nas áreas de influência direta dos empreendimentos. Cada componente morfológico foi determinado e analisado os impactos ambientais.
5. Foi possível evidenciar que as usinas eólicas estão se avolumando de forma descontrolada, sem monitoramento integrado e definição dos impactos cumulativos. As intervenções foram realizadas em área de preservação permanente, abrangendo campo de dunas fixas e móveis, lagoas interdunares (sazonais), planície de aspersão eólica, manguezais e faixa de praia. Foram impactados ecossistemas associados às matas de duna e tabuleiro e possivelmente a dinâmica do lençol freático.
6. Este artigo trata também da demarcação de alternativas locacionais - os tabuleiros pré-litorâneos -, minimamente utilizados e que deverão ser evidenciados como morfologias capazes de proporcionar áreas para a geração de energia elétrica. A elaboração de um plano regional com as áreas adequadas para esta importante e necessária fonte de energia limpa e renovável representa um dos fundamentos para orientar políticas de utilização adequada do litoral.
Descrição local dos impactos ambientais
37. As atividades de campo para a identificação e descrição dos impactos ambientais foram realizadas durante as fases de implantação e operação das usinas eólicas. Foi possível registrar terraplenagem, aterros e cortes nas dunas, abertura de vias de acesso para cada um dos aerogeradores, desmatamento de duna fixa, movimentação de grandes volumes de areia por tratores de esteira e pás mecânicas e o soterramento de lagoas interdunares.
38. Os componentes morfológicos impactados pela implantação dos aerogeradores - dunas móveis, dunas fixas, terraços marinhos, faixa de praia e lagoas interdunares -, foram identificados e relacionados com interferências nos fluxos de matéria e energia. À continuação será descrito os impactos e as consequências ambientais relacionadas com interferências na dinâmica costeira:
39. Desmatamento das dunas fixas – estes impactos foram relacionados com atividades de retirada da cobertura vegetal para a abertura de vias de acesso, área de manobra para caminhões, pás mecânicas e tratores de esteira, e preparação do terreno para a instalação do canteiro de obras. Estas intervenções provocaram a extinção de setores das dunas fixas, pois a retirada da vegetação foi seguida por terraplenagem, abertura de cortes transversais e longitudinais (seccionando dunas fixas) e aterros sobre a base das dunas fixas. O desmatamento promoveu a supressão de ambiente com fauna e flora específicas dos sistemas dunar e tabuleiros pré-litorâneos e a fragmentação local dos ecossistemas relacionados
40. Soterramento das dunas fixas pelas atividades de terraplenagem – vinculado a cortes e aterros para a implantação das vias de acesso e canteiro de obras. Promoveu a remobilização de areia e redirecionamento do transporte através das alterações morfológicas provocadas nas dunas móveis e fixas. Parte do material arenoso remobilizado foi lançada sobre dunas fixas, acarretando o soterramento da vegetação e alterações topográficas e morfológicas. Estas atividades foram realizadas em um sistema ambiental de preservação permanente e com a extinção de setores de dunas fixados pela vegetação, bem como a supressão de ecossistemas antes ocupados por fauna e flora específicas.
41. Soterramento de lagoas interdunares – foi efetivado com a abertura das vias de acesso para cada um dos pontos destinados à implantação dos aerogeradores projetados e distribuídos sobre o campo de dunas móveis. Desta forma, será efetivada uma rede de vias de acesso que impactará diretamente sobre ecossistemas locais. Na fase de implantação foi possível identificar (mesmo sem a conclusão da rede de vias de acesso) que já foram soterradas e seccionadas lagoas interdunares. Trata-se de impacto ambiental em ecossistema de preservação permanente. O soterramento foi realizado através do material arenoso proveniente dos cortes realizados nas dunas fixas e móveis, através da utilização dos tratores de esteiras e das pás mecânicas.
57. Com a necessidade da manutenção dos aspectos ambientais demonstrados acima - dinâmica morfológica das dunas móveis, cobertura vegetal das dunas fixas e seus potenciais de amortecimento das consequências previstas pelo aquecimento global -, a utilização generalizada das dunas a médio e longo prazos (BRASIL, 2009)4, deverá ser precedida da realização de estudos integrados para a definição dos impactos cumulativos. Verificou-se também que os estudos realizados para a implantação das usinas eólicas levaram em conta somente os indicadores de “potencial eólico” (em escala regional) sem a realização de estudos para a determinação das interferências relacionadas com a projeção de um elevado número de usinas eólicas para o litoral cearense (BRASIL, op cit.).
Conclusões
58. Verificou-se que os impactos ambientais das atividades de implantação e operação das usinas eólicas sobre os campos de dunas foram relacionados com a necessidade de construção e manutenção de uma rede de vias de acesso para interligar cada um dos aerogeradores. As intervenções provocaram o desmatamento e soterramento de setores das dunas fixas, extinção e fragmentação de lagoas interdunares, movimentação mecânica de grandes volumes de areia (terraplenagem da duna), alterações na morfologia dunar (e dos demais sistemas ambientais definidos na área de influencia direta), da topografia e fixação artificial das dunas móveis. Alteraram o transporte de areia pela ação dos ventos e dinâmica de migração dos campos de dunas. Conjunto de impactos que também provocou mudanças do sistema ecológico.
59. Com o diagnóstico da dinâmica ambiental dos campos de dunas, efetivado pela definição dos fluxos de matéria e energia, foi possível evidenciar a interdependência com os demais componentes morfológicos e ecossistemas costeiros. Foi possível também definir a consequências dos impactos nas fases de implantação e operação das usinas eólicas, envolvendo as áreas de influência direta dos empreendimentos. Cada componente morfológico foi definido para proporcionar a análise conjunta dos impactos cumulativos. Com isso constatou-se que interferências nos campos de dunas comprometem o sistema costeiro, produzindo riscos ambientais e sociais que poderão levar a índices elevados de perda de capacidade de retomada da dinâmica litorânea, como, por exemplo, colapso de sedimentos na faixa praial e erosão progressiva. Ações que estão degradando componentes da paisagem costeira que amortecem as consequências previstas pelo aquecimento global.
60. Evidenciou-se que os licenciamentos não contemplaram a análise de alternativas locacionais e tecnológicas. Em alguns casos, os impactos sociais já estão relacionados com a privatização de extensos trechos do litoral, entre as comunidades litorâneas e a faixa de praia, dificultando ou até mesmo impedindo o livre acesso aos sistemas ambientais de usufruto ancestral.
61. Os tabuleiros pré-litorâneos mostraram-se como alternativa para a implantação e operação dos aerogeradores, desde que submetidos a um rigoroso estudo de impactos ambientais.
Observação minha (Carol): os "tabuleiros" são a única área de Mata Atlântica na região de restinga num bioma que oscila de costeiro à caatinga. Desmatar um tabuleiro para levantar uma fazenda de vento é tão grave quanto inundar a Floresta Amazônica para a construção de uma hidrelétrica, como está sendo feito em Belo Monte.
Ainda em outras fontes:
Como as áreas favoráveis para a energia eólica terrestre são escassas, afinal é necessário uma quantidade e intensidade de ventos muito específica, que não existe em todas as partes do planeta, uma alternativa é instalar a planta eólica no mar, exposta a ventos mais constantes. Entretanto, essas usinas marinhas são mais caras que as de terra, em média 60%, porque precisam ser resistentes a ondas altas, tempestades e gelo. O som produzido por elas também é capaz de afastar pássaros, peixes e animais marinhos.
Fonte: Globo Rural
Em Portugal tem sido detectada mortalidade (de morcegos) em muitos dos parques eólicos, sobretudo no final do Verão e início do Outono. "Há evidências de que as populações de morcegos estão em declínio, sendo que a sua área de distribuição está também a diminuir", afirma Francisco Amorim, ambientalista e académico que está a analisar o efeito dos aerogeradores na população destes mamíferos.
A energia eólica apresenta um "lado menos bom que merece ser olhada com precaução". Desde 2006 a desenvolver tese de mestrado sobre o impacto ambiental das eólicas nos morcegos nas serras da Arada e de S. Macário (distritos de Aveiro e Viseu), Francisco Amorim afirma que " tem sido detectada mortalidade em muitos dos parques eólicos monitorizados, com um pico no final do Verão e início do Outono".
As causas ainda são desconhecidas, mas o ambientalista aponta algumas hipóteses: "Os sons produzidos por turbinas podem atrair ou desorientar os morcegos" e a dificuldade destes mamíferos em "detectar pás em movimento". Embora a lei exija avaliação de impacto ambiental, as suas conclusões só são obrigatórias quando está em causa "a instalação de aerogeradores em áreas protegidas ou de mais de dez torres", esclarece.
Fonte Diário de Notícias
Como exemplo de impacto por ruído, tem-se uma fazenda eólica na Carolina do Norte, onde as máquinas das turbinas emitiam vibrações que adoeciam pessoas, balançavam janelas, e fizeram com que as vacas parassem de dar leite (Ottinger, 1991).
Outro aspecto da geração de energia eólica é o seu impacto sobre a fauna, visto a colisão de pássaros com as estruturas.
Entretanto, estudos comprovam que a mortalidade de pássaros em função de turbinas eólicas é pequena e isolada, como na Espanha, onde de as turbinas foram instaladas numa rota de migração de pássaros. Entretanto distúrbios na proliferação e descanso de pássaros podem ser um problema em regiões costeiras (EUREC Agency, 2002).
Fonte: Espaço Sustentável
A imagem acima foi retirada do site da Aneel
Abaixo, veja as fotos da pá eólica que desabou em Água Doce, SC e questione se vale a pena construir alguma edificação num raio de 1km.
Mais informação:
O lado B do aquecimento global
A viabilidade da energia eólica no Brasil
O mito das emissões de carbono neutralizadas
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Antropoceno: a era geológica em que o homem desregulou a Terra
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Quem lê tanta notícia?
Há 40 (ou 50) anos, o Caetano já cantava que, quando o sol batia nas bancas de revista, sua mente divagava acerca de quem lê tanta notícia.
Eu mantenho um blog, tenho (ou tinha) um perfil no orkut, facebook e twitter. Ainda me convidam para participar de outras redes como: badoo, scribb, google friend conect, linkedin, unik e o flickr. Isso porque o multiply acabou, ou está em vias de.
Há 1 mês, saí do twitter, a qual sempre detestei, há alguns dias do orkut - adorava há uns 6 anos, mas não me fala mais à alma. Hoje, após curtir um comentário mordaz de uma adolescente criticando redes sociais, eu saí do facebook:
"Bienvenidos a la falsedad, bienvenidos a Facebook. Donde los amores son perfectos! Donde todos presumen vivir bien y estar enamorados! Donde tus enemigos son los que mas visitan tu perfil. Donde tus ex-amigos te bloquean. Donde tus ex-amores te eliminan. Y donde los que te agregan se hacen los simpáticos y en la calle no te saludan!"
Ninguém lê tanta notícia. Na verdade, as pessoas estão cada vez mais sozinhas e com mais dificuldades de relacionamento em convívios reais, como trabalho, vizinhança e família.
A Internet aproxima, informa e foi um divisor de águas na história da civilização, mas internet demais vicia, sobrecarrega de informação inútil e isola.
Eu vejo blogueiros postarem o dia inteiro no twitter, fazerem da vida pessoal uma extensão do blog, atrelarem uma coisa à outra e isso sempre me incomodou.
Li um blog alimentado por blogroll com twitter em tempo real, onde a blogueira postou da maternidade que seu filho já havia nascido e estava tudo bem com ela e o bebê, a fim de os seguidores poderem participar (comentar) em tempo real. Numa boa, isso não é amizade e tem alguma coisa fora da nova ordem mundial - parafraseando o Caetano de novo.
Eu não tenho celular com conexão, nunca senti necessidade. Cresci numa época em que se marcava de encontrar alguém no cinema ou na praia e as pessoas se encontravam no lugar e hr marcada. Se houvesse um atraso por chuva, engarrafamento ou pneu furado, a parte interessada sentava e esperava, ou ia embora cuidar da vida e se falavam depois por um único telefone, o de casa, à noite.
Lembro da minha adolescência em que pouquíssimas vezes precisei usar um orelhão para ligar para a casa de alguém e perguntar se a pessoa estava mesmo à caminho, porque eu já estava no local marcado esperando. Nunca me deram um bolo e hoje, com celular, a vida é ainda mais fácil.
Lembro também dos meus pais mandando minha irmã e eu sairmos do telefone, já que alguém poderia "passar mal e precisar ligar", a gente ocupava a única linha da casa por hrs a fio...
Um dos meus primeiros namorados era 6 anos mais velho do que eu. Hoje, isso não é nada, mas com 18 era uma diferença grande. Ele era formado, trabalhava e eu não. Marcamos dele me pegar na faculdade quando minha aula terminasse. Ele sabia o horário e ficou tudo combinado. A aula acabou e fui para a porta da Univesidade, mocinha, de tênis, minisaia e rabo de cavalo. Ele não apareceu. Esperei por meia hr e nada, não fiquei furibunda, liguei para a casa dele e a mãe, que me conhecia há anos, comentou que ele havia saído de casa cedo, mas que ainda não havia voltado.
Entrei no ônibus de sempre e voltei para minha casa. Os ônibus demoram, param em tudo quanto é ponto, vão pela pista mais lenta, etc.
Cheguei em casa e ele estava na porta do prédio. Sentado no capô do carro com cara de engarrafamento.
Passou na faculdade, eu não estava mais, imaginou que eu havia ido para casa depois da aula ou que pelo menos chegaria em algumas hrs. Acertou. Ninguém brigou, achamos romântico inclusive, ele ficou bobo de eu esperar meia hr e ainda ligar para a "sogra". Eu também fiquei dele se antecipar e me esperar na porta do prédio.
É meu amigo até hoje, casou-se (com outra) e eu fui na cermônia, fiquei de papo com a mãe dele durante a festa.
Atualmente, vejo as relações humanas se desgastarem mais por causa do "liguei para o teu celular e você não atendeu" ou "você viu o que falaram dela no twitter?" do que por desencontros ocasionais.
Viajei recentemente à trabalho e o colega que embarcou comigo, passou a tarde pendurado ao celular com conexão, ocupadíssimo respondendo mensagens enquanto esperávamos nosso vôo. Tivemos que sentar na área do aeroporto com wifi, para o caso da conexão dele cair. Eu dei uma volta, fui na livraria do aeroporto, ao banheiro, conversei com uma balconista da bomboniere e não me senti isolada da civilização em nenhum momento. Muito pelo contrário, a vida real estava naquelas pessoas.
Quando voltei, ele continuava atracado ao celular e notebook, me olhou como quem encara um marciano e perguntou se eu não queria colocar internet no meu celular. Anda atolado, em paralelo ao emprego convencional, está lançando um blog sobre sustentabilidade para uma grande empresa que vai patrocinar o mesmo. Quer contratar um estagiário só pra divulgar em redes sociais o blog patrocinado.
Semanas antes, havia assistido a uma palestra prometida como a grande revelação em mídias virtuais. Um rapaz recém saído do estágio representando uma empresa de consultoria a qual nunca ouvi falar, mostrava dados estatísticos sobre produtos-empresas que divulgam no twitter e facebook, setenciou categoricamente que o orkut vai acabar e informou orgulhosamente que o perfil da Nike no facebook foi curtido por mais de 40.000 pessoas. Enquanto isso, sonolenta pensava com meus botões "Será que venderam 1 único par de tênis a mais por causa disso?". Duvido muito, até porque a venda dos artigos falsificados está cada vez maior, justamente para economizar um dinheiro que será gasto em mais parafernália eletrônica.
Outro dia, tomando café com um amigo declaradamente gay e inteligentíssimo, ouvi a frase que precisava para definir o twitter "a gente vê muito, mas é pouco visto, uma gritaria...". Ao que concluímos "a internet deixa as pessoas muito over".
A internet realmente expõe o lado over da natureza humana, recentemente o programa CQC da tv aberta, entrevistou vários artistas, jornalistas e humoristas perguntando justamente o que Caetano Veloso perguntava há décadas atrás: Quem lê tanta notícia?
O mote era justamente esse, as manchetes absurdas vinculadas pelas redes de relacionamento como "Grazi vai ao cabeleireiro", "Luana Piovani faz compras em shopping". E a melhor resposta foi do sempre citado nessas "reportagens investigativas", Bruno Mazzeo: "Cara, outro dia li algo que mudou minha vida: Luigi Barricelli deixa carro no mecânico - fui dormir outra pessoa".
Sem querer desprezar o poder da publicidade e como o boca a boca virtual pode alavancar uma marca, especialmente entre os pequenos que brigam por nichos menores de mercado, mas está havendo um certo exagero e, como tenho email desde 1995 e entrei a convite para o orkut em 2004, quando os convites eram leiloados no Ebay por até US$100,00, posso arriscar umas tacadas.
No auge das pontocom, em 1997 e 1998, quando publicações como a Exame e a Gazeta Mercantil não falavam de outra coisa, eu trabalhava na maior empresa de internet do país, prêmio IBEST por 3 anos seguidos.
Os criadores a venderam por US$10 milhões a outro site estrangeiro, que tampouco veio a ser líder. Hoje, a empresa nem existe mais, a tão falada geração Y sequer desconfia que essa empresa um dia existiu e se bobear, não acessam o grande portal estrangeiro que a comprou por tanto dinheiro.
Há alguns anos, encontrei uma antiga colega dessa empresa estudando para concurso como qualquer um, saído ou não das pontocom da década de 90.
O sapateiro da minha rua está na mesma esquina há 50 anos e nunca deve ter tido um email, mas tem casa própria e mandou os filhos para a faculdade trocando saltinho e remendando nossos tênis, da Nike e de todas as marcas. Mas como nem todos são simplórios como o sapateiro do meu bairro, trago outro exemplo virtual. Um dos meus sites favoritos é o Banheiro Feminino, vendido por US$500.000,00 há uns 10 anos. Lembrem que é a mesma quantia do prêmio do Big Brother na época. O site existe há 15, apenas um bando de mulheres que fala o que quer, localizado incialmente no Geocities, passou pelo Terra e até foi gestor de conteúdo feminino do Portal Globo.com. Hoje, a marca que sempre foi delas, continua no ar, independente e livre para postar as nossas barbaridades. O boca a boca sobreviveu mais do que o espaço no Portal, para desespero dos diretores do Portal e alegria das autoras, que compraram casa própria na época, mas continuam vivendo do próprio trabalho.
Esse blog amador, que mantenho como hobby, cresceu mais do que muitos blog profissionais e se mantém há mais de 2 anos sem redes de relacionamento ou conexões extraordinárias. Já aconteceu de eu ficar uma semana sem postar, mas também já ocorreu de serem feitas 3 postagens num único dia. Já dei resposta atravessada, soltei palavrão bem e mal colocado, fiz amigos, uns poucos desafetos e a vida seguiu normalmente.
Eu nunca postei uma foto minha ou de qualquer amigo-parente, não exponho meu currículo no perfil, não vendo nada e sobre minha vida, falou-se menos ainda. Meus cachorros estão mais expostos do que eu, já que deles se abre mais a intimidade e postam-se fotos, exclusivamente pela delícia de revelar a alegria de ter vira-latas adotados, que estariam debaixo de uma marquise não fosse a adoção.
As pessoas não deixaram de seguir e vir aqui comentar, elogiar, criticar e, vez ou outra, me entupir inutilmente de spam. Algumas até devem desconfiar onde moro, ou no que trabalho, mas nunca perguntaram. Talvez não me achem interessante ou tenham realmente se interessado pelo que estava escrito sobre sustentabilidade e me esquecido enquanto suposto personagem virtual.
A propósito, a idéia sempre foi essa.
As imagens foram todas retiradas do site Malvados, que também mantém um blog que sigo e está listado em blogs amigos na barra lateral.
Um vídeo curtinho e muito bem humorado sobre o ridículo das amizades virtuais: Posso ser seu amigo?
Mais informação:
"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"
Sarcasmo pouco é bobagem
"E o Bradesco é que se foda!"
Criança, a alma do negócio
Turista Espacial
Das Rad
terça-feira, 26 de julho de 2011
Adotei mais um cãozinho: a Pipa
Mas a presença de um bebê em casa muda tudo, é mais chamego, bagunça, xixis fora do lugar, panos comidos, rodapés roídos e parece que, dentro desse caos, tudo volta a fazer sentido e se rearrumar.
Há mais ou menos 1 mês, eu vinha da Feira de Orgânicos do Flamengo carregando 3 kgs de fruta na ecobag, passei por um menino de rua com um filhotinho lindo no colo, brinquei e ele não perdeu tempo "Moça, leva que eu não tenho como criar".
Era a frase que eu precisava ouvir para parar e olhar com mais atenção.
"Leva, é fêmea, é boazinha."
Na hr, pensei "Não! Você já tem 2 cães!"
Mas a verdade é que eu sempre quis 3, gosto mais do número e acho que uma terceira figura em cena desempata relações simbióticas e co-dependentes. A Olimpia está comigo há 3 anos, a Margarida há 1. Ambas vieram para minha casa com 6 meses, já eram maiores e a relação foi mais de pega daqui e leva para lá, ensina a não fazer cocô no tapete, a não sair correndo pela porta, etc.
A Marga já chegou até castrada, era maior do que a Olimpia inclusive.
Desci a rua com o guri, que não me chamou de "tia", não me secou de cima a baixo, não cheirava à cola, nem se ofereceu para segurar minha bolsa (e sair correndo) e tampouco falava errado. Educado, com a cadelinha no colo o tempo todo, fazia carinho.
Puxei assunto, perguntei quem deu, como ela (e ele) haviam acabado naquela situação.
A história de sempre: "Uma moça deixou aqui, a dela teve muitos e ela não tinha mais para quem dar. Disse que é labrador."
Os donos têm pena de castrar, mas não têm de abandonar os filhotes, o que é crime previsto em lei. Sem comentários.
"E você, na rua, você tem família?"
"Tenho, mas me batiam e eu vim para a rua, eles moram na Nova Holanda (favela). Minha mãe me batia, meu pai foi embora... Meu irmão também me batia"
Merda... o que se diz nessas hrs?
"Você está na rua há muito tempo?"
"Tô, há muito tempo", o olhar completamente perdido sem esperança nenhuma.
Falei para irmos a um parque em frente a minha casa onde todos os moradores do bairro levam seus cães para passear, alguém que quisesse um vira-latinha poderia estar por ali dando sopa e quem sabe aquela coisinha teria uma sorte melhor.
Cheguei no Parque com o menino e, de filhote no colo, comecei a oferecer "É dele, não tem como criar, você não quer pegar? Eu já tenho duas..."
Ninguém quis, ainda olharam para o garoto com desdém.
O engraçado nessas hrs é que ninguém responde "Eu também já tenho 1... 2... 3 cães". As pessoas não têm cães, têm poodles, boxers, filas, bassets, etc. A raça prevalece.
Eu sempre tenho vontade de perguntar "Mas qual é a sua raça mesmo? A minha é humana, olha que coisa!"
Comecei a conversar com o menino, o filhote no meu colo, comendo meu cabelo e fazendo festinha.
E ele: "Leva, ela gosta de você, eu não tenho como criar".
"Você precisa de alguma coisa?"
"Se tiver um dinheiro, é bom"
"Faz uma coisa, por quanto você me vende esse cachorro?
"R$30,00, tá bom?"
"Só tenho R$50,00, pode ficar, compra alguma coisa para comer, uma sandália. Está frio, você está descalço..."
"Vou comprar um chinelo"
"Compra um pouco de comida, tenta voltar para casa. Se te baterem, pede ajuda para os vizinhos, chama a polícia. Ninguém dura muito na rua".
O olhar perdido de novo, cheio de lágrimas para acabar de vez comigo.
Merda... onde está o dinheiro dos 5 meses anuais de trabalho que eu sou obrigada a pagar de imposto ao Governo? Cadê o pessoal concursado do Conselho Tutelar e da Defensoria Pública?
Fui embora com o cachorro, precisava ainda ir ao banco, fazer um monte de coisas... O coração apertado por não poder salvar outro filhote, o da minha espécie.
Existem pessoas e olhares que a gente nunca esquece, o desse menino, Felipe, é um deles.
As duas primeiras fotos são da Felipa (ou Pipa) na mesa do veterinário, menorzinha do que a ecobag que eu venho usando para carregá-la de um lado para o outro. Antes da série de vacinas terminar, nada de coleira e contato, só colinho e ecobag.
Pela milésima vez: cada animal comprado é um animal a menos sendo adotado e morrendo de solidão, fome e doença na rua ou num abrigo superlotado. Se já tem algum animal, cão ou gato, castre.
Mais informação:
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Castre seu cão: 1 casal pode gerar 80.000.000 descendentes em 10 anos
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domingo, 24 de julho de 2011
O mito das emissões de carbono neutralizadas
Carbono Zero e outras Balelas
No rastro dos debates das grandes questões ambientais, como sempre acontece, logo surgem os oportunistas surfando a onda com criativos produtos e belas campanhas de marketing. Como a bola da vez é o Aquecimento Global e as Mudanças Climáticas, a onda agora é prometer compensar (ou neutralizar) as emissões de carbono e gases do efeito estufa com o "mágico" plantio de árvores.
Como Slogan, é muito bonito e reconfortante dizer que o plantio de árvores neutralizará totalmente as emissões de carbono de um evento ao público ou as emissões dos gases de efeito estufa do carro ou do avião que o transporta. Mas será que é verdade? Ainda que essas promessas possam ter-lhe convencido, e trazido algum alívio para a consciência pesada, pare por alguns instantes e pense. Resgate seu bom-senso.
Em primeiro lugar, tenha a exata noção da seguinte premissa: se todos nós quisermos seguir esse mesmo caminho "preservacionista", não haverá área suficiente para plantar todas as árvores necessárias. O que significa dizer que essa não é uma solução viável para o Planeta. Mas tudo bem, vamos admitir que somente um parte seguirá esse caminho. Nesse caso, qual é a garantia que você tem de que a empresa responsável irá plantar as mudas das árvores? Quais espécies serão plantadas e em que áreas? Quem delas irá cuidar durante os longos 20 ou 30 anos que levarão para tornar-se adultas? Ou você não sabia que no cálculo que aponta o número de árvores necessárias para neutralizar suas emissões gasosas, ou seja, para concretizar a prometida compensação, utiliza-se o coeficiente de captura de CO2 da árvore adulta?
E mais; dependendo da espécie, esse coeficiente será bem diverso. Quem lhe garante também que suas árvores chegarão à vida adulta? Aliás, quem lhe garante que a empresa responsável (contratada) pelo plantio estará viva e cuidando das suas árvores daqui há 20 ou 30 anos? Infelizmente, você não obterá respostas satisfatórias a todas essas dúvidas. Não está-se falando aqui, e é bom que fique bem claro, de empresas e projetos sérios nessa área e dos programas de recomposição da mata nativa e de reflorestamento.
A recuperação das áreas degradadas, especialmente nas encostas dos morros e entornos de rios e mananciais, e o replantio feito pela indústria de papel e celulose são ações que devem sempre ser incentivadas e apoiadas.
Entretanto, se até o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) critica o forte apelo de marketing das campanhas de Carbono Zero, o caminho não pode ser o insidioso discurso: "continue consumindo e gerando emissões de carbono sem preocupações; nós limparemos sua barra plantando árvores". Seria ótimo para todos nós se pudesse ser assim. Mas não é. Não há outro caminho sustentável de longo prazo senão o consumo consciente, a preservação dos recursos naturais e a reciclagem dos materiais e resíduos. Pense nisso! Não se deixe levar por soluções oportunistas e milagrosas.
Associe-se, contribua e participe de ações, entidades e projetos atuantes e respeitados por seu longo e verdadeiro trabalho em favor da Natureza.
Por Marcelo Szpillman, Instituto Aqualung
"Alguns ambientalistas duvidam da validade e eficácia do mercado de compensação e, por ser um mercado crescente, é difícil julgar a qualidade dos fornecedores e projetos. As árvores nem sempre vivem uma vida inteira, projetos de compensação (para a contenção a longo prazo de emissões) às vezes falham e empresas de consultoria, às vezes, enganam seus clientes. Além disso, atividades voluntárias podem facilmente se tornar uma desculpa para se comportar mal sem se sentir culpado por isso."
Fonte: How stuff works
"Mas atenção: sempre existiu gás carbônico na atmosfera. O problema é o excesso, que começou a aparecer com a revolução industrial e só tem piorado à medida que o mundo se moderniza."
Fonte: Planeta Sustentável
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
6 parques públicos construídos com material reciclado
Na postagem Reciclagem de Edifícios, é divulgado um centro de lazer público construído aproveitando antigas torres de água. Esse local de convívio humano e gratuito é acessível por ciclovias e o que era para ser um obstáculo, a arquitetura peculiar, acabou se transformando na possibilidade de paredes para escalada indoor.
A postagem Reciclagem de Edifícios abriu uma discussão sadia aqui no blog, que rendeu a série de postagens A casa sustentável é mais barata, que já está na parte número 14 e deve continuar por muitas ainda.
Quando se fala em sustentabilidade, imaginam-se técnicas caras, produtos artesanais produzidos para uma minoria e um comportamento social que nos isola. Muito pelo contrário, a sustentabilidade vem para resgatar antigas formas de produção, incluir socialmente os marginalizados e garantir qualidade de vida para um número cada vez maior de pessoas.
O espaço público tem que ser melhor aproveitado, as construções existentes servem perfeitamente para integração urbana e as pessoas, através dessas inciativas, saiam de suas casas e voltem às formas tradicionais de convívio humano e urbanismo.
"A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia."
Leia melhor na postagem A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolos)
Hoje, trago mais centros urbanos de convívio totalmente construídos reciclando construções e materiais já existentes:
Este rio costumava ficar escondido debaixo da cidade de Seul, até que foi descoberto e transformado em um parque verde e luxuriante como parte do Projeto de Restauração Cheonggyecheon. Desde 2003, o novo parque tem sido uma grande força atrativa para o centro da cidade, ajudando a reduzir a temperatura e fazendo a ponte entre o norte e o sul da metrópole. O parque de 5,6 km está incentivando novas atividades e recreação e ainda serve como lar de uma variedade de novos insetos, peixes e outros animais selvagens.
A ruína abandonada do que seria a linha de um trem elétrico em Lima se tornou o cenário perfeito para crianças e adultos graças ao trabalho do grupo espanhol Basurama. O Parque Ghost Train faz uso de materiais reciclados para criar com pneus cavalos de pau, estruturas de escalada e balanços. O que antes era uma praga sobre a cidade, é agora um lugar alegre e brilhante, cheio de crianças fazendo uso do que seriam inúteis colunas de concreto.
Parque High Line em Manhattan, onde uma abandonada linha de trem elevada foi transformar em um bonito parque no coração da cidade. Agora que a segunda fase do High Line está completa, há ainda mais espaço para passear. A madeira usada na reforma é certificada e veio do Brasil.
Kalkar Wunderland na Alemanha - uma usina nuclear abandonada que foi transformada em um parque de diversões. A fábrica nunca enttrou realmente em operação, por isso não tenho medo de radiação - mas, em vez de colocar a edificação abaixo, como fazemos com tudo por aqui (derrubamos o que já existe e gastamos mais material para levantar outra coisa), a estrutura foi reaproveitada para um parque que atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos.
Sydney também tem um projeto de reutilização adaptativa impressionante na criação de um espaço urbano verde, bonito e funcional. As ruínas do aqueoduto do reservatório de água da rede pública foram magicamente transformadas nos Jardins Paddington com história suficiente para lhe dar a sensação de que você está andando ao redor da Acrópole. E uma vez que costumava ser uma rede de distribuição, a eficiência da água ainda é uma alta prioridade. Na verdade, a água da chuva é coletada no local para a irrigação da paisagem.
E o já citado aqui: Abandoned Silo Climbing Gym in Amsterdam
Fonte: InHabitat
No Brasil, a Iniciativa Parque para brincar e pensar revitaliza áreas abandonadas, permitindo que crianças de todas as idades tenham uma área de convívio social e gratuita ao ar livre.
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Novo museu da zona portuária será autossuficiente e construído com material reciclado
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A postagem Reciclagem de Edifícios abriu uma discussão sadia aqui no blog, que rendeu a série de postagens A casa sustentável é mais barata, que já está na parte número 14 e deve continuar por muitas ainda.
Quando se fala em sustentabilidade, imaginam-se técnicas caras, produtos artesanais produzidos para uma minoria e um comportamento social que nos isola. Muito pelo contrário, a sustentabilidade vem para resgatar antigas formas de produção, incluir socialmente os marginalizados e garantir qualidade de vida para um número cada vez maior de pessoas.
O espaço público tem que ser melhor aproveitado, as construções existentes servem perfeitamente para integração urbana e as pessoas, através dessas inciativas, saiam de suas casas e voltem às formas tradicionais de convívio humano e urbanismo.
"A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia."
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Hoje, trago mais centros urbanos de convívio totalmente construídos reciclando construções e materiais já existentes:
Este rio costumava ficar escondido debaixo da cidade de Seul, até que foi descoberto e transformado em um parque verde e luxuriante como parte do Projeto de Restauração Cheonggyecheon. Desde 2003, o novo parque tem sido uma grande força atrativa para o centro da cidade, ajudando a reduzir a temperatura e fazendo a ponte entre o norte e o sul da metrópole. O parque de 5,6 km está incentivando novas atividades e recreação e ainda serve como lar de uma variedade de novos insetos, peixes e outros animais selvagens.
A ruína abandonada do que seria a linha de um trem elétrico em Lima se tornou o cenário perfeito para crianças e adultos graças ao trabalho do grupo espanhol Basurama. O Parque Ghost Train faz uso de materiais reciclados para criar com pneus cavalos de pau, estruturas de escalada e balanços. O que antes era uma praga sobre a cidade, é agora um lugar alegre e brilhante, cheio de crianças fazendo uso do que seriam inúteis colunas de concreto.
Parque High Line em Manhattan, onde uma abandonada linha de trem elevada foi transformar em um bonito parque no coração da cidade. Agora que a segunda fase do High Line está completa, há ainda mais espaço para passear. A madeira usada na reforma é certificada e veio do Brasil.
Kalkar Wunderland na Alemanha - uma usina nuclear abandonada que foi transformada em um parque de diversões. A fábrica nunca enttrou realmente em operação, por isso não tenho medo de radiação - mas, em vez de colocar a edificação abaixo, como fazemos com tudo por aqui (derrubamos o que já existe e gastamos mais material para levantar outra coisa), a estrutura foi reaproveitada para um parque que atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos.
Sydney também tem um projeto de reutilização adaptativa impressionante na criação de um espaço urbano verde, bonito e funcional. As ruínas do aqueoduto do reservatório de água da rede pública foram magicamente transformadas nos Jardins Paddington com história suficiente para lhe dar a sensação de que você está andando ao redor da Acrópole. E uma vez que costumava ser uma rede de distribuição, a eficiência da água ainda é uma alta prioridade. Na verdade, a água da chuva é coletada no local para a irrigação da paisagem.
E o já citado aqui: Abandoned Silo Climbing Gym in Amsterdam
Fonte: InHabitat
No Brasil, a Iniciativa Parque para brincar e pensar revitaliza áreas abandonadas, permitindo que crianças de todas as idades tenham uma área de convívio social e gratuita ao ar livre.
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Lei a favor da Mãe Terra: Bolívia mais uma vez dá exemplo ao resto do mundo
A Bolívia está em vias da aprovar a primeira legislação mundial dando à natureza direitos iguais aos dos humanos. A Lei da Mãe Terra, que conta com apoio de políticos e grupos sociais, é uma enorme redefinição de direitos. Ela qualifica os ricos depósitos minerais do país como "bençãos", e se espera que promova uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria, em um país que tem sido há anos destruído por conta de seus recursos.
A Lei da Mãe Terra vai estabelecer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente.
Ela também vai assegurar o direito de o país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais".
Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena, andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos
e de todas as outras entidades. A Bolivia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.
Em uma entrevista, o ministro das Relações Exteriores da Bolívia e especialista em cosmovisão andina, David Choquehuanca, explica os principais detalhes desta proposta que situa a vida e a natureza como eixos centrais.
"Queremos voltar a Viver Bem, o que significa que agora começamos a valorizar a nossa história, a nossa música, a nossa vestimenta, a nossa cultura, o nosso idioma, os nossos recursos naturais, e, depois de valorizar, decidimos recuperar tudo o que é nosso, voltar a ser o que éramos”.
O artigo 8 da CPE estabelece que: “O Estado assume e promove como princípios ético-morais da sociedade plural: ama qhilla, ama llulla, ama suwa (não sejas preguiçoso, não sejas mentiroso nem ladrão), suma qamaña (viver bem), ñandereko (vida harmoniosa), teko kavi (vida boa), ivi maraei (terra sem males) y qhapaj ñan (caminho ou vida nobre).
O Chanceler marcou distância com o socialismo e mais ainda com o capitalismo. O primeiro busca satisfazer as necessidades humanas e para o capitalismo o mais importante é o dinheiro e a mais-valia.
De acordo com David Choquehuanca, o Viver Bem é um processo que está apenas começando e que pouco a pouco irá se massificando.
“Para os que pertencem à cultura da vida, o mais importante não é o dinheiro nem o ouro, nem o ser humano, porque ele está em último lugar. O mais importante são os rios, o ar, as montanhas, as estrelas, as formigas, as borboletas (...) O ser humano está em último lugar, para nós o mais importante é a vida”.
Estas são as características que pouco a pouco serão implementadas no novo Estado Plurinacional da Bolívia:
Priorizar a vida
Viver Bem é buscar a vivência em comunidade, onde todos os integrantes se preocupam com todos.
O mais importante não é o ser humano (como afirma o socialismo) nem o dinheiro (como postula o capitalismo), mas a vida. Pretende-se buscar uma vida mais simples. Que seja o caminho da harmonia com a natureza e a vida, com o objetivo de salvar o planeta e dar a prioridade à humanidade.
Respeitar a mulher
Viver Bem é respeitar a mulher, porque ela representa a Pachamama, que é a Mãe Terra que tem a capacidade de dar vida e de cuidar de todos os seus frutos.
Por estas razões, dentro das comunidades, a mulher é valorizada e está presente em todas as atividades orientadas à vida, à criação, à educação e à revitalização da cultura. Os moradores das comunidades indígenas valorizam a mulher como base da organização social, porque transmitem aos seus filhos os saberes de sua cultura.
Viver Bem e NÃO melhor
Viver Bem é diferente de viver melhor, o que se relaciona com o capitalismo.
Para a nova doutrina do Estado Plurinacional, viver melhor se traduz em egoísmo, desinteresse pelos outros, individualismo e pensar somente no lucro. Considera que a doutrina capitalista impulsiona a exploração das pessoas para a concentração de riquezas em poucas mãos, ao passo que o Viver Bem aponta para uma vida simples, que mantém uma produção equilibrada.
Respeitar as diferenças
Viver Bem é respeitar o outro, saber escutar todo aquele que deseja falar, sem discriminação ou qualquer tipo de submissão.
Não se postula a tolerância, mas o respeito, já que, mesmo que cada cultura ou região tenha uma forma diferente de pensar, para viver bem e em harmonia é necessário respeitar essas diferenças. Esta doutrina inclui todos os seres que habitam o planeta, como os animais e as plantas.
Escutar os anciãos
Viver Bem é ler as rugas dos avós para poder retomar o caminho.
O Chanceler destaca que uma das principais fontes de aprendizagem são os anciãos das comunidades, que guardam histórias e costumes que com o passar dos anos vão se perdendo. “Nossos avós são bibliotecas ambulantes, assim que devemos aprender com eles”, menciona. Portanto, os anciãos são respeitados e consultados nas comunidades indígenas do país.
Viver em complementaridade
Viver Bem é priorizar a complementaridade, que postula que todos os seres que vivem no planeta se complementam uns com os outros.
Nas comunidades, a criança se complementa com o avô, o homem com a mulher, etc. Um exemplo colocado pelo Chancelerespecifica que o homem não deve matar as plantas, porque elas complementam a sua existência e ajudam para que sobreviva.
Aproveitar a água
Viver Bem é distribuir racionalmente a água e aproveitá-la de maneira correta.
O Ministro das Relações Exteriores comenta que a água é o leite dos seres que habitam o planeta. “Temos muitas coisas, recursos
naturais, água e, por exemplo, a França não tem a quantidade de água nem a quantidade de terra que há em nosso país, mas vemos que não há nenhum Movimento Sem Terra, assim que devemos valorizar o que temos e preservá-lo o melhor possível, isso é Viver Bem”.
Equilíbrio com a natureza
Viver Bem é levar uma vida equilibrada com todos os seres dentro de uma comunidade.
Assim como a democracia, a justiça também é considerada excludente, de acordo com o chanceler David Choquehuanca, porque só leva em conta as pessoas dentro de uma comunidade e não o que é mais importante: a vida e a harmonia do ser humano com a natureza. É por isso que Viver Bem aspira a ter uma sociedade com equidade e sem exclusão.
Priorizar direitos cósmicos
Viver Bem é dar prioridade aos direitos cósmicos antes que aos Direitos Humanos.
Quando o Governo fala de mudança climática, também se refere aos direitos cósmicos, garante o Ministro das Relações Exteriores. “Por isso, o Presidente (Evo Morales) diz que vai ser mais importante falar sobre os direitos da Mãe Terra do que falar sobre os direitos humanos”.
Saber comer
Viver Bem é saber alimentar-se, saber combinar os alimentos adequados a partir das estações do ano (alimentos de acordo com a época).
O ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, explica que esta consigna deve se reger com base na prática dos ancestrais que se alimentam com um determinado produto durante toda a estação. Comenta que alimentar-se bem garante boa saúde.
Saber beber
Viver Bem é saber beber álcool com moderação.
Nas comunidades indígenas cada festa tem um significado e o álcool está presente na celebração, mas é consumido sem exageros ou ofender alguém. “Temos que saber beber; em nossas comunidades tínhamos verdadeiras festas que estavam relacionadas com as estações do ano. Não é ir a uma cantina e se envenenar com cerveja e matar os neurônios”.
Saber dançar
Viver Bem é saber dançar, não simplesmente saber bailar.
A dança se relaciona com alguns fatos concretos, como a colheita ou o plantio. As comunidades continuam honrando com dança e música a Pachamama, principalmente em épocas agrícolas; entretanto, nas cidades as danças originárias são consideradas expressões folclóricas. Na nova doutrina se renovará o verdadeiro significado do dançar.
Saber trabalhar
Viver Bem é considerar o trabalho como festa.
“O trabalho para nós é felicidade”, disse o chanceler David Choquehuanca, que recalca que ao contrário do capitalismo onde se paga para trabalhar, no novo modelo do Estado Plurinacional, se retoma o pensamento ancestral de considerar o trabalho como festa. É uma arma de crescimento, é por isso que nas culturas indígenas se trabalha desde pequeno.
Retomar o Abya Yala
Viver bem é promover a união de todos os povos em uma grande família.
Para o Chanceler, isto implica em que todas as regiões do país se reconstituam no que ancestralmente se considerou como uma grande comunidade. “Isto tem que se estender a todos os países. É por isso que vemos bons sinais de presidentes que estão na tarefa de unir todos os povos e voltar a ser o Abya Yala que fomos”.
Reincorporar a agricultura
Viver Bem é reincorporar a agricultura às comunidades.
Parte desta doutrina do novo Estado Plurinacional é recuperar as formas de vivência em comunidade, como o trabalho na terra, cultivando produtos para cobrir as necessidades básicas para a subsistência. Neste ponto se fará a devolução de terras às comunidades, de maneira que se produzam as economias locais.
Saber se comunicar
Viver Bem é saber se comunicar.
No novo Estado Pluninacional se pretende retomar a comunicação que existia nas comunidades ancestrais.
O diálogo é o resultado desta boa comunicação mencionada pelo Chanceler. “Temos que nos comunicar como antes os nossos pais o faziam, e resolviam os problemas sem que se apresentassem conflitos, não temos que perder isso”.
O Viver Bem não é “viver melhor”, como propõe o capitalismo
Entre os preceitos estabelecidos pelo novo modelo do Estado Plurinacional, figuram o controle social, a reciprocidade e o respeito à mulher e ao idoso.
Controle social
Viver Bem é realizar um controle obrigatório entre os habitantes de uma comunidade.
“Este controle é diferente do proposto pela Participação Popular, que foi rechaçado (por algumas comunidades) porque reduz a verdadeira participação das pessoas”, disse o chanceler Choquehuanca. Nos tempos ancestrais, “todos se encarregavam de controlar as funções que suas principais autoridades realizavam”.
Trabalhar em reciprocidade
Viver Bem é retomar a reciprocidade do trabalho nas comunidades.
Nos povos indígenas esta prática se denomina ayni, que não é mais do que devolver em trabalho a ajuda prestada por uma família em uma atividade agrícola, como o plantio ou a colheita. “É mais um dos princípios ou códigos que garantirão o equilíbrio nas grandes secas”, explica o Ministro das Relações Exteriores.
Não roubar e não mentir
Viver Bem é basear-se no ama suwa e ama qhilla (não roubar e não mentir, em quéchua).
É um dos preceitos que também estão incluídos na nova Constituição Política do Estado e que o Presidente prometeu respeitar. Do mesmo modo, para o Chanceler é fundamental que dentro das comunidades se respeitem estes princípios para conseguir o bem-estar e confiança em seus habitantes. “Todos são códigos que devem ser seguidos para que consigamos viver bem no futuro”.
Proteger as sementes
Viver Bem é proteger e guardar as sementes para que no futuro se evite o uso de produtos transgênicos.
O livro Viver Bem, como resposta à crise global, da Chancelaria da Bolívia, especifica que uma das características deste novo modelo é preservar a riqueza agrícola ancestral com a criação de bancos de sementes que evitem a utilização de transgênicos para incrementar a produtividade, porque se diz que esta mistura com químicos prejudica e acaba com as sementes milenares.
Recuperar recursos
Viver Bem é recuperar a riqueza natural do país e permitir que todos se beneficiem desta de maneira equilibrada e equitativa.
A finalidade da doutrina do Viver Bem também é a de nacionalizar e recuperar as empresas estratégicas do país no marco do equilíbrio e da convivência entre o ser humano e a natureza em contraposição à exploração irracional dos recursos naturais. “Deve-se, sobretudo, priorizar a natureza”, acrescentou o Chanceler.
Exercer a soberania
Viver Bem é construir, a partir das comunidades, o exercício da soberania no país.
Isto significa, segundo o livro Viver Bem, como resposta à crise global, que se chegará a uma soberania por meio do consenso comunal que defina e construa a unidade e a responsabilidade a favor do bem comum, sem que nada falte. Nesse marco, se reconstruirão as comunidades e nações para construir uma sociedade soberana que será administrada em harmonia com o indivíduo, a natureza e o cosmos.
As imagens são algumas das muitas versões da Pachamana encontradas pela internet.
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segunda-feira, 18 de julho de 2011
Arte na carroça do catador de lixo
O grafiteiro Mundano teve uma idéia ímpar: levar a arte às carroças dos catadores de lixo. Sua iniciativa está em quinto lugar no tradicional ranking da Revista Época como uma das 50 razões para amar a Cidade de São Paulo.
Nunca é demais lembrar: catador de lixo no Brasil não é profissão, é biscate de morador de rua ou desempregado subqualificado.
Quando o governo anuncia orgulhosamente que reciclamos 98% das latinhas de alumínio não está divulgando um indicador de desenvolvimento, mas de miséria social.
Um agente de limpeza e reciclagem seria um profissional qualificado e treinado, que trabalha uniformizado, com carteira assinada e equipamento de proteção.
O Brasil não tem reciclagem oficial, só a ação desses anônimos que fazem o "trabalho sujo" nos lixões a céu aberto sem qualquer segurança e higiene.
Quando o Mundano escreve que um catador faz mais do que o Ministro do Meio Ambiente, não está exagerando ou caluniando. Não acredita? Então leia a entrevista do Presidente do IBAMA, onde afirma que seu trabalho não é cuidar do ambiente, e sim minimizar impactos ambientais. Depois, sem saber que estava sendo filmado, sugeriu que o Brasil faria com os índios a mesma coisa que a Austrália fez com os aborígenes, população nativa do país da Oceania.
Mais informação:
Jane Perkins e Vik Muniz
"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"
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Estamira, filme premiado sobre a vida da catadora de lixo de Jardim Gramacho
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível", a tese de mestrado de psicólogo da USP
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sábado, 16 de julho de 2011
Carregador público e gratuito para celulares alimentado por energia solar
Tanque (ou Caixa) Slim: a versão brasileira para o water wall tank
Water Wall Tank é a minha boa prática ambiental favorita em ecobuilding, felizmente já estamos encontrando o melhor método de captação de águas pluviais aqui no Brasil. Nas principais lojas de material de construção, pode ser encontrado pelo nome tanque slim ou caixa d´água slim.
Quem estiver construindo ou reformando, não pode deixar de estudar a possibilidade. Comparado aos demais métodos de captação da chuva, a caixa slim é disparado o melhor, por ser adaptável à qualquer ambiente, não demandar obra e principalmente, armazenar um volume muito maior de água do que as cisternas tradicionais.
A única diferença que vejo nos tanques brasileiros comparados aos australianos, é que o modelo nacional é vazado nas divisões do sistema de vasos comunicantes. Melhor, mais inteligente, usa menos matéria-prima e distribui melhor o peso, além de facilitar a manutenção em caso de rompimento e até favorecer o crescimento de cercas vivas em hera, buganvilias e outras trepadeiras típicas.
Principais empresas fornecedoras:
Harvesting Brasil
Fortlev
Tindiba Telhas
Mais informação sobre water wall tanks: A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
domingo, 10 de julho de 2011
Me convidaram para a Festa!
A Raquel Ribeiro coordenou a segunda edição do livro Festa Vegetariana, que inclui algumas receitas minhas!
Para quem não se lembra, o “Festa” já havia sido divulgado aqui na relação dos melhores livros de culinária para os que estão começando a cozinhar (ou querem novas idéias).
Pela milésima vez: o blog não é vegetariano e inclui receitas com carnes em pouca quantidade e sempre aproveitando os restos e partes não nobres. Eu prefiro não comer carne e conto em algumas postagens como conhecer os vegetais mudou a minha vida, mas também critico a indústria do veganismo atual, que faz da soja transgênica e do açúcar em todas as suas formas a base da alimentação de tanta gente bem intencionada, até pelas formas de cultivo que matam mais animais do que a pesca artesanal e um galinheiro de fundo de quintal. Na dúvida, o slow food e a tradição gastronômica são sempre a melhor opção.
Quem já viu a realidade de um matadouro, normalmente também prefere se abster de carne. Mas é tudo uma questão de opinião e valores muito pessoais. Ser vegetariano pode ser ótimo, como pode não ser e o mais importante, tornar-se vegetariano não transforma ninguém em um ser humano melhor.
Mas as questões alimentares humanas estão tão equivocadas, que é preciso tornar-se vegetariano, frequentar ecovilas, feiras e mercados específicos para saber de onde vem a comida, como ela é feita e quais os impactos da produção em larga escala nos 2 ecossistemas de um ser humano: o interno e o externo, o corpo e o entorno. Só um macrobiótico escreveria um livro desancando o açúcar, como foi o Sugar Blues na década de 60, e um grupo de veganos para levantar a lebre do microondas na década de 80.
E apenas Sonia Hirsch avisaria aos ambientalistas brasileiros que bebida industrializada é crime de hidropirataria, já que cada litro consome outros 5lts de água das nascentes do entorno das fábricas.
Vamos comprar o livro para presentear no final do ano, o mesmo é impresso em papel reciclado e vendido em cooperativa autogerida visando cobrir apenas os gastos. As colaboradoras, como eu, só ganham a alegria de ver os leitores comendo felizes suas receitas. Aos que tentarem minhas receitas, escrevam para dizer se deu certo, se gostaram e como foi a festa. A idéia é essa.
Quem quiser fazer um lote de 50 comigo e ir comprando, basta deixar uma mensagem abaixo. Juntos chegamos mais rápido às 50 unidades e assim, podemos levar o livro pelos R$10,00 do atacado.
Segue a carta-divulgação da Raquel para a compra e lançamento do livro:
Amigos e parceiros,
A segunda edição, revista e ampliada, do livro Festa Vegetariana está pronta para ir ao forno. E precisamos do apoio de todos vocês para a impressão dos exemplares, pois queremos lançar o livro durante a bem sucedida VII NaturalTech - Feira Internacional de Alimentação Saudável, Produtos Naturais e Saúde, em São Paulo, entre os dias 21 e 24 de julho. No ano passado, a feira recebeu a visita de mais de 20 mil pessoas e, assim como nas ultimas edições, conta com o 4º Festival de Cozinha Vegetariana. Trata-se de uma ótima oportunidade para apresentar nosso livro de receitas veganas, saudáveis e saborosas.
Compre já por um preço especial seu lote e ajude a viabilizar esse trabalho que torna mais festivo o vegetarianismo!
Valor do exemplar impresso: 20 reais
Compra antecipada com desconto de 50% para lotes de, no mínimo, cinqüenta exemplares: 10 reais a unidade
A SVB agradece!
Contato para compra de lotes antecipados: loja@svb.org.br
Mais informação: Estou na Revista dos Vegetarianos de Julho e Agosto
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sábado, 9 de julho de 2011
10 passos para tornar seu animal de estimação mais sustentável
Nós todos amamos nossos animais de estimação. Eles são lindos, divertidos, engraçados e no decorrer do tempo, acabam se tornando uma parte de nossa família. Tornar seu animal mais "verde" não é difícil ou caro, existem formas inteligentes para facilitar a vida de todos os interessados.
1. Adotar seu animal de estimação de uma organização de abrigo ou de resgate: Há todo tipo de criadores de animais. Dos mais bem intencionados aos que agem movidos pela pura má fé. E todos sabemos o que a maioria tem em sua mente - o lucro. Criar animais é um negócio como outro qualquer, mesmo os mais bem intencionados não podem ter prejuízos. Criadores mantêm fêmeas prenhes por períodos seguidos, a fim de garantir muitas linhagens e filhotes, as fêmeas morrem de doenças e exaustão, além de serem forçadas a manter relações com machos determinados pelos criadores, sem qualquer preocupação com endogamia na maioria dos casos. Os animais são sempre confinados em canis superlotados e a alimentação é de má qualidade. Lembre-se sempre que para cada animal comprado, menos um animal de rua é adotado. Você não tem nada a ganhar em aspectos morais, participando de um sistema que explora animais inocentes.
2. Comprar brinquedos eco-friendly: Se compramos brinquedos eco-friendly para nossos filhos, por que fazer qualquer exceção para animais de estimação quando as mesmas regras deveriam ser aplicadas? Você pode comprar os brinquedos feitos com algodão orgânico, evitando plásticos e outros produtos químicos prejudiciais, além de optar por brinquedos de materiais reciclados, como madeira. Animais normalmente não precisam de roupinhas coloridas, seus donos inclusive parecem gostar mais. Fique atento ao consumismo desnecessário.
3. Evitar produtos químicos a qualquer custo: Não é uma boa idéia ter produtos químicos como pesticidas ou fertilizantes em qualquer lugar a distância de poucos passos de sua casa. Seu animal pode acidentalmente pisar e aproveitar para lamber as patas, correndo o risco de envenenamento. Priorize produtos puramente orgânicos. Não use produtos de beleza que incluam produtos químicos e sintéticos. Limpe a sujeira produzida pelo seu animal com vinagre e bicarbonato de sódio e faça a faxina geral com sabão de coco e água. Animais não precisam nem devem usar perfumes sintéticos, especialmente os que foram produzidos para seres humanos.
4. Comprar produtos alimentares orgânicos: Ração animal industrializada normalmente é produzida a partir de animais que devem estar para ser transportados para o cemitério ou até mesmo já estarem por lá, animais que também foram criados com hormônios e antibióticos, além de todos os conservantes presentes em produto industrializados. Priorize alimentos caseiros a partir de fontes orgânicas, evitando trigo, milho e subprodutos animais. Eles vão resultar no bem-estar de seus animais de estimação. A maioria dos animais gosta de legumes, verduras e frutas cruas in natura, são saudáveis e fazem bem à animais de todas as idades.
5. Compostar os excrementos: Animais de estimação são responsáveis por uma grande quantidade de resíduos. Compostar os resíduos é gratuito e sustentável, principalmente quando existem tantas pessoas que descartam os mesmos em sacos plásticos e jogam em rios e praias. Você não precisa fazer isso. Você pode transformar excremento em adubo de forma rápida, higiênica e segura. Use uma lata de lixo como um compostor para resíduos de animais e nunca use o produto dessa compostagem para a horta caseira, já que o composto não é capaz de destruir patógenos tóxicos e prejudiciais à saúde humana.
Outra opção: dependendo do tamanho e quantidade de animais, as fezes podem ser descartadas no mesmo lugar que as nossas, o sanitário.
6. Mantenha seus animais de estimação seguros: Se você ama seus animais, é lógico que você tem que cuidar bem deles e não permitir nada que possa ser prejudicial à segurança e bem-estar dos mesmos. Levá-los para passear presos à coleiras e guias é necessário para os animais, pedestres e motoristas, além de obrigatório por lei. É melhor não deixá-los sair, a correr o risco de serem atropelados por veículos.
7. Cozinhe para seus animais de estimação como quem cozinha para si mesmo: Eu sei que isso soa estranho, mas seria ótimo se você pudesse cozinhar para os seus animais. A ração sintética é feita com restos de carnes produzidas com hormônios e antibióticos e vegetais cultivados com agrotóxicos, além de uma série de conservantes para que a ração não deteriore por tanto tempo. A comida caseira pode salvar seu animal, evitando problemas alérgicos.
8. Castre seus animais de estimação: Você pode manter seus animais saudáveis, castrando ou esterilizando. A castração é recomendada por 100% dos veterinários, pois diminui a população de cães e gatos de rua. Outra vantagem da esterilização é que ela previne doenças de próstata nos machos e desenvolvimento de câncer de mama e ovário nas fêmeas, além de tornar o animal mais dócil e facilmente adestrável.
9. Evite alimentos com hormônios e antibióticos: Alguns dos alimentos que você compra no supermercado podem ser carnes de animais criados com hormônios e antibióticos. As rações sintéticas também são produzidas contendo esses subprodutos.
10. Use produtos de limpeza inofensivos: Não dê banho em seus animais com um cocktail de produtos químicos. Use vinagre e bicarbonato de sódio para limpar a sujeira que seu animal faz no chão e dê banhos nos animais com sabão neutro e biodegradável.
De acordo com a Lei 14483-SP, animais devem estar CASTRADOS antes de doação ou venda. "A castração previne tumores e evita doenças e comportamentos inadequados ao convívio com pessoas e outros animais."
Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita.
A foto é dos filhotes daqui de casa: Olimpia e Margarida (adotadas e castradas) se divertindo no Parque Carmem Miranda, cercado e próprio para o passeio de animais domésticos
Para quem não acredita que castração é um problema de saúde pública:
Não existe animal feio, existe animal mal tratado: o antes e depois de cães adotados e resgatados
Castre seu cão: 1 casal gera mais de 80.000.000 filhotes em 1 década!
Castre seu gato: 1 casal gera mais de 60.000 filhotes em 6 anos!
Onde castrar seu animal gratuitamente
Mais informação:
Dica sustentável e veterinária do dia: canela e joelho de boi
Mais uma dica sustentável e veterinária: pescoço de galinha
Cachorro verde: outra veterinária e alimentação natural para cães e gatos
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas biológico)
Carnaval sustentável: deixe seu animal em casa - ele não é palhaço para sair fantasiado num bloco
Observação de setembro de 2011: Adotei mais um cãozinho, a Pipa
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sexta-feira, 8 de julho de 2011
A casa sustentável é mais barata - parte 14 (dormitórios tubulares)
Um tubo de concreto usado para a canalização de esgoto não é exatamente a concepção ideal para um dormitório. Mas em Linz, na Austria, e em Tepoztlan, no México, o Tubohotel surgiu como uma iniciativa informal e sustentável de alojamento para pernoite.
Concreto não é o material mais indicado para uma construção sustentável, mas o que vale ressaltar aqui é o reúso do material que seria descartado.
O Tubohotel pode ser interessante para construções temporárias, como alojamentos para eventos de música, obras de edificação em lugares remotos ou mesmo um substituto ao camping em reservas onde o clima é instável e sujeito à granizo, vendavais ou chuvas fortes.
Mais informação: A casa sustentável é mais barata
quinta-feira, 7 de julho de 2011
A casa sustentável é mais barata - parte 13 (recycled boat house)
Tradicionalmente adotada em várias ilhas e comunidades costeiras.
A idéia é muito simples, reaproveitar barcos de pesca antigos, cuja madeira resistente apodreceria no descarte ao ar livre, para a construção de galpões, canis, bicicletários, silos, armazens de embarcações menores, ateliers de ofício, casas de bonecas infantis e até em moradias populares para sem-teto.
A infraestrutura elétrica e hidráulica vai exigir mão de obra e em muitos casos, a luz é de lamparina a querosene por mera falta de recurso, o que não inviabiliza uma placa de energia solar. Para armazenamento de água, uma calha acoplada à caixa de água tradicional pode ser uma boa opção de captação de água pluvial.
A casa-barco não permite tantas variações quanto a container house, mas é uma opção simples e de aplicabilidade rápida e barata para situações que a demandem.
Exceto pelas dobradiças das portas e possíveis janelas, a casa-barco é biodegradável.
Mais informação: A casa sustentável é mais barata
A idéia é muito simples, reaproveitar barcos de pesca antigos, cuja madeira resistente apodreceria no descarte ao ar livre, para a construção de galpões, canis, bicicletários, silos, armazens de embarcações menores, ateliers de ofício, casas de bonecas infantis e até em moradias populares para sem-teto.
A infraestrutura elétrica e hidráulica vai exigir mão de obra e em muitos casos, a luz é de lamparina a querosene por mera falta de recurso, o que não inviabiliza uma placa de energia solar. Para armazenamento de água, uma calha acoplada à caixa de água tradicional pode ser uma boa opção de captação de água pluvial.
A casa-barco não permite tantas variações quanto a container house, mas é uma opção simples e de aplicabilidade rápida e barata para situações que a demandem.
Exceto pelas dobradiças das portas e possíveis janelas, a casa-barco é biodegradável.
Mais informação: A casa sustentável é mais barata
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quarta-feira, 6 de julho de 2011
Das Rad rocks!
Na próxima encarnação, eu quero vir uma pedrona no alto de um morro inacessível.
10.000 anos de civilização e 200 de revolução industrial não são nada comparados aos rochedos.
Assista ao vídeo abaixo, o mais legal de todos, só dura 8min e 19seg.
Animação de Chris Stenner, Arvid Uibel e Heidi Wittlinger
Site oficial: Das Rad (A Roda)
Outros filmes imperdíveis (a maioria é curta):
Home
Turista Espacial
Respiração da Terra
Processos geológicos
Posso ser seu amigo?
10.000 anos de civilização e 200 de revolução industrial não são nada comparados aos rochedos.
Assista ao vídeo abaixo, o mais legal de todos, só dura 8min e 19seg.
Animação de Chris Stenner, Arvid Uibel e Heidi Wittlinger
Site oficial: Das Rad (A Roda)
Outros filmes imperdíveis (a maioria é curta):
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Turista Espacial
Respiração da Terra
Processos geológicos
Posso ser seu amigo?
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