segunda-feira, 31 de outubro de 2011
O Irã de Bahman Jalali e Amirali Ghasemi
Eu havia programado visitar a badalada exposição sobre a Índia no CCBB, mas começou a chover e acabei no Oi Futuro do Flamengo, que é ao lado da minha casa.
Fiz bem, a troca valeu a pena, já que está sendo exibida uma exposição imensa e nada divulgada sobre o Irã. O país está representado em dezenas de artistas e mídias, incluindo músicas, poesias, documentários e noticiários.
O artista que mais chamou minha atenção foi o fotógrafo Bahman Jalali, lamentavelmente reconhecido apenas após seu falecimento no ano passado.
Bahman Jalali foi um dos maiores fotógrafos do mundo e certamente está no mesmo nível de Robert Kapa e Henri Cartier Bresson, considerados os 2 maiores fotojornalistas já existentes.
A página do Wikipedia em inglês de Bahman Jalali é mais completa do que a brasileira e as 3 primeiras fotos dessa postagem podem dar uma idéia da qualidade do trabalho dele.
Em geral associamos o Irã à pobreza, ignorância, fundamentalismo religioso, desrespeito às liberdades civis e uma cultura milenar, que foi deturpada pela perigosa combinação de Religião e Estado - no fundo, uma versão um pouco melhorada do Afeganistão.
Na verdade existe uma vida social e cultural intensa no Irã, com juventude, cultura pop e underground.
A exposição mostra fotos de festas em casas iranianas, que não saberíamos reconhecer onde estão aqueles jovens rindo e dançando. A série "Party" de outro fotógrafo iraniano, Amirali Ghasemi, retrata moças bonitas, magras, de barriga de fora e cabelo solto, sorrindo abraçadas entre si, como em qualquer lugar do mundo. Os rostos estão apagados nas fotos abaixo para que as pessoas não sejam reconhecidas.
O carioca adora gastar uma grana "preta" em lugares da moda ou shoppings e academias, quando as melhores coisas dessa cidade são de graça. Uma leitora muito querida daqui e compradora do "Festa Vegetariana", Malu Allen, havia me dado convites para a Sinfônica da Petrobrás no Municipal. Antes da exposição, havia assistido ao concerto com peças de Rachmaninoff e Ravel, maravilhoso e graças à Malu.
Para quem gosta de música clássica e não pode arcar com os ingressos da temporada tradicional, visite os sites Viva Música e Música no Museu, ambos na barra lateral do blog, na categoria "Valem a visita".
Mais informação:
O pudim de coco de D.Cora Coralina
10 razões para abolir a pena de morte
A Anistia Internacional e a Sustentabilidade
Acordei 1hr mais cedo e subi a Pedra Bonita
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sábado, 29 de outubro de 2011
Consumo de água x aumento da população urbana
Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), diariamente são desperdiçados cerca de 2,5 milhões de litros de água tratada e potável. As residências são as maiores resposáveis, já que o consumo doméstico no Brasil é de 140 litros de água/pessoa/dia.
Um único morador de favela só conta com 20lts diários de água para consumo próprio.
Estatística: 40% da população mundial vive sem saneamento básico e 1 pessoa em 8 sem acesso à água potável, em consequência 4.000 crianças morrem diariamente por falta de saneamento básico.
Saneamento básico é o primeiro passo na direção contrária à miséria.
Como colocar em prática no dia a dia:
1. Não compre água mineral, não estimule esse comércio criminoso que secou fontes nativas e desertificou áreas florestais. O melhor filtro de água do mundo é brasileiro e de barro. Pior, uma única garrafinha plástica de água mineral, além de tóxica por conter Bisfenol-A, para ser produzida consome 8 vezes o seu peso em petróleo.
2. Procure não consumir bebidas prontas. Toda bebida pronta, mesmo orgânica, é crime de hidropirataria, já que cada lt de bebida industrializada (sucos, achocolatados, cervejas, refrigerantes, chás gelados, etc) consome ao longo do processo industrial de produção, higienização, envase e até resfriamentos de caldeiras, pelo menos outros 5lts de água pura retirada impunemente dos lençõis freáticos do entorno. Onde hoje há uma fábrica de bebidas, amanhã haverá um areal.
3. Opte por vassoura quando for limpar o quintal. Lavar a calçada com mangueira desperdiça a cada vez 280 litros de água potável.
4. Escove os dentes, faça a barba e lave o rosto com a torneira fechada, a economia média é de 20lts.
5. Durante o banho, se ensaboe com o chuveiro fechado. Se tiver cabelos longos, priorize condicionadores sem enxágue. Alem de mais eficazes, pois tratam o cabelo o dia todo, não necessitam de mais água durante o banho.
6. Reúse as águas cinzas da máquina de lavar, abaixo em "Mais informação", você encontra links ensinando como economizo até 360lts semanais de água em minha própria casa.
7. Priorize produtos biodegradáveis tanto na lavanderia, quanto no banho. Ganhamos em saúde e sustentabilidade. Abaixo, em "Mais informação", você encontra 2 postagens exclusivas com praticamente tudo sobre produtos de limpeza e de higiene pessoal biodegradáveis e até orgânicos.
9. Sobre madeira, móveis e celulose: o modelo de reflorestamento atual, em eucalipto, é um crime ambiental. Cada pé de eucalipto consome 30lts diários de água, a árvore era tradicionalmente usada justamente para secar regiões alagadiças. Aqui no Brasil, nós desmatamos a Mata Atlântica remanescente para plantar uma espécie que é sequer nativa da nossa flora, que expulsou a fauna local e desertifica os lençóis freáticos para que possamos ter móveis e papel em abundância. Compre móveis de segunda mão em antiquariato e feiras, melhores por serem em madeira de lei, e recuse imprimir tanta papelada.
10. Se mantém horta e pomar, adote a irrigação por gotejamento. O método tradicional de irrigação, por aspersão, cria perdas de até 50% por evaporação no trajeto ar-solo.
11. Um projeto de captação de águas pluviais não é caro, os water wall tanks são inclusive usados como muros de arrimo, barateando o custo final da construção. A simples instalação de uma calha no telhado acoplada a uma caixa de água, já é uma boa iniciativa.
12. E conserte sempre vazamento, infiltrações e afins. Uma única torneira pingando perde até 45lts diários de água.
13. Promessa é dívida: estou para escrever 2 postagens específicas sobre outras questões de reúso de água - métodos domésticos e baratos de potalização e mais uma postagem da casa sustentável exclusiva para o banheiro.
Uso de água cresce mais que o dobro da população
Como o petróleo o foi no século 20, a água poderá a commodity essencial para o século 21. Seres humanos dependeram do acesso à água desde os primórdios da civilização, e muito mais agora - 7 bilhões de pessoas no planeta, o crescimento exponencial da urbanização e o desenvolvimento estão forçando a demanda como nunca antes.
O uso da água vem crescendo mais que o dobro da taxa populacional no último século, disse à Reuters Kirsty Jenkinson, do Instituto de Recursos Mundiais, em Washington. A previsão é que o uso da água cresça 50% entre 2007 e 2025 nos países em desenvolvimento, e 18% nos desenvolvidos – grande parte do aumento virá dos países mais pobres, com o número crescente de pessoas migrando do campo para as cidades.
Somando a isso os esperados impactos da mudança do clima neste século, que deverão afetar os mais pobres mais cedo e de maneira mais severa, “e temos um desafio significativo pela frente”, afirmou Jenkinson.
Vai haver água suficiente para todos, quando a população chegar a 9 bilhões em meados do século? “Há muita água na Terra, e provavelmente ela não vai acabar”, disse Rob Renner, diretor executivo da Water Research Foundation, no Colorado, EUA. “O problema é que 97.5% dela é salgada. E dos 2.5% de água doce, dois terços são congelados. Assim, em termos de água doce, não há muito no mundo”.
Mais de um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso a água limpa, e mais de 2 bilhões vivem em condições sanitárias inadequadas, o que leva a 5 milhões de mortes por ano, a maior parte delas de crianças com doenças que poderiam ser evitadas, segundo Renner.
Apenas 8% da água doce do planeta é de uso doméstico – cerca de 70% vai para irrigação, e 22 por cento para a indústria. Secas e chuvas insuficientes contribuem com o chamado risco água, junto com enchentes e contaminação. Jenkins menciona alguns pontos vulneráveis (os hot spots). Entre eles estão a bacia de Murray-Daarling, na Austrália; a bacia do rio Colorado no sudoeste americano; a bacia do Orange-Denqu, que cobre partes da África, Botsuana e Namíbia e todo o Lesoto, e as bacias do Yangtze e Amarelo na China.
Jenkison disse ser necessário um gerenciamento integrado de recursos de água, que leve em conta quem precisa de que tipo de água, assim como seu uso de forma mais eficiente, “A água vai se tornar rapidamente um fator limitador de nossas vidas”, disse Ralph Eberts, vice-presidente executivo da Black & Veatch, uma empresa de engenharia de U$ 2.3 bilhões de faturamento que constrói e opera sistemas de água em mais de 100 países. Ele pede uma “repriorização” dos recursos.
A empresa de Eberts não está sozinha. A falta de água e o estresse do líquido – que ocorre quando a demanda excede a oferta, ou quando a oferta é restrita por má qualidade – já atingiu empresas que fazem uso intensivo da água e suas cadeias de fornecimento na Rússia, China e no sul dos Estados Unidos.
A nossa água corre pelo duto errado!
A (com razão) festejada Lei que instituiu a Política Nacional do Saneamento Básico (Lei nº11445/07) criou a expectativa para todos nós da universalização do acesso à água e esgoto, através de um adequado planejamento das ações e políticas públicas, revertendo dados amplamente desfavoráveis nos aspectos de qualidade ambiental (sobretudo dos rios) e saúde pública (decorrente das condições ambientais que não atendem ao mínimo essencial para uma vida digna, sobretudo às populações mais expostas).
Trouxe ela, também, a polêmica possibilidade da delegação dos serviços de saneamento básico, inclusive à iniciativa privada. Alegam os defensores da privatização que a prestação do serviço por particular não prejudicará o direito de acesso ao bem fundamental água, pois a Administração Pública continuará a regular o serviço e a garantir a não exclusão. Neste grupo encontram-se, em regra, grupos econômicos formados por capital internacional ou administradores públicos que – justiça seja feita – administram escassos cofres públicos incapazes de realizar os investimentos necessários para atender à meta “um”: universalização.
Penso que este processo não pode ser realizado sem atender aos princípios democráticos e republicanos, sobretudo a prévia oitiva da população diretamente interessada, bem como sem atentar para a experiência internacional, já que não vivemos isolados do mundo, ao contrário, a economia globalizada implica consequências muito semelhantes de uma determinada decisão em qualquer parte do mundo.
Recentemente foi realizado um referendo abrogativo na Itália (12 e 13 de junho) por iniciativa popular (1,4 milhões de assinaturas), em que 96% dos eleitores votaram pela abrogação do Decreto Ronchi, que privatizava a água naquele País. Isto porque pesquisadores da Universidade de Greenwich constataram que, a partir da privatização, na Inglaterra e Gales, modelos de privatização para a Itália, as tarifas subiram, os investimentos caíram, a qualidade da água piorou, enfim, a experiência não foi boa.
Todos os argumentos neoliberais a favor da privatização foram derrubados por números neste estudo. A Authority – agência reguladora local (no caso da Inglaterra, Ofwat) – mostrou-se incapaz de regular qualquer coisa, por uma lógica simples: ocorreu o fenômeno da “assimetria informativa”, ou seja, na medida em que o Estado transferiu o saber e o fazer (know how) ao privado, este passou a deter o domínio da informação e o Estado passou a ser somente um mero ente limitado a interpretar os dados oferecidos pelo prestador privado, sem conhecer tecnologias e custos do prestador do serviço. Resultado disto: formação de oligopólios, manipulação de dados e aumento de tarifa (245%, 39% além da inflação no período de privatização).
Outro argumento – usado em terras brasileiras – que caiu por terra foi a garantia do melhor negócio através do processo licitatório. Na Inglaterra, a Dama de Ferro chegou a poupar os ingleses da “ridícula pantomina” da licitação, para este que foi, segundo o jornal conservador Daily Mail, “o maior roubo legalizado da história”, a privatização. Isto porque, à base do poder econômico, todos os elementos economicamente determinantes no momento da licitação foram renegociados muitas vezes ao longo dos contratos, sempre sob a base de dados fornecidos pelos próprios prestadores, sem que a Ofwat pudesse discuti-los, por ter transferido também o conhecimento ao setor privado.
Há outros argumentos expostos no estudo, bastante interessantes, como a constatação de que os poucos investimentos realizados durante a privatização foram, de algum modo, suportados pelo erário (dinheiro público). Os poucos investimentos privados, cujo mecanismo de mercado aplicado foi o full cost recovery, foram inteiramente repassados às tarifas, sem qualquer critério de justiça ou solidariedade social (como os subsídios cruzados). E delas aos dividendos dos acionistas das companhias prestadoras.
Entretanto, argumentos podem ser derrubados com argumentos. A melhor retórica vence. Todavia, neste caso os resultados da privatização da água na Inglaterra e em Gales puderam ser medidos: nos primeiros 10 anos de privatização, as companhias inglesas cresceram à razão de 147%; 30% do valor total dos boletos bancários foram pagos aos acionistas mediante dividendos; as tarifas subiram 245%; diminuíram em 21% os postos de trabalho; aumentaram os acidentes ambientais; aumentaram as perdas de rede (chegaram a 40% em Londres); a qualidade da água, não raras vezes, atingia níveis inferiores aos standards exigidos pela União Européia, inclusive foram encontradas na água substâncias danosas à saúde. Enfim, as tarifas transformaram-se em preço, os cidadãos em consumidores, e a água, um bem vital, em mercadoria.
Com isto, fácil entender o resultado do referendum italiano, bem como a decisão da maioria das cidades dos países onde a água já foi privatizada: a republicização.
Falta de água é o maior entrave à expansão da produção de alimentos
O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água. Graziano assume o posto no primeiro semestre de 2012.
“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção, especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano, que atualmente é diretor da FAO para a América Latina e foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela implementação do Programa Fome Zero.
Segundo Graziano, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.
“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos”, disse o futuro diretor-geral da FAO. “Desperdiçamos muita comida hoje não só na produção, mas também no transporte e no consumo”. Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes.
“Precisamos assegurar que esse 1 bilhão de pessoas sejam alimentadas, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles.”
Graziano ressaltou ainda que o estímulo à produção de alimentos tradicionais ajuda a diversificar a fonte de alimentos. “Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade.”
Segundo ele, a prioridade dada a alimentos cotados em mercados internacionais tem feito com que a América Latina, por exemplo, venha perdendo a capacidade de produzir feijão – um alimento tradicional altamente nutritivo, produzido a um custo baixo.
A água do mundo, Leo Jaime.
Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.
A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.
Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.
Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.
Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia, não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.
Assista à entrevista de Antonio Donato Nobre explicando porque sem árvore não há água na postagem "Existe um rio acima de nós.", o melhor momento na minha opinião é quando Antonio Donato Nobre diz que levou anos de pesquisa para entender a relação floresta x desertificação e um dia, perguntou a um índio como o mesmo sabia tanto sobre o assunto, o índio respondeu então na maior naturalidade "o espírito da floresta me contou".
Alguns filmes sobre o assunto:
Flow, por amor à água
Cruzando o deserto verde
A história da água engarrafada
Ouro Azul, a guerra mundial pela água
Mais informação:
Reúso de águas cinzas na lavanderia
Arquitetura inteligente para sanitários
Beber água pura não deveria ser caro
O mito do reflorestamento de eucalipto
Vassoura e baldes x mangueiras de água
A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas do tempo da vovó
Nestlé mata fontes de água mineral em São Lourenço - a "Pure Life" é uma água química
Um único morador de favela só conta com 20lts diários de água para consumo próprio.
Estatística: 40% da população mundial vive sem saneamento básico e 1 pessoa em 8 sem acesso à água potável, em consequência 4.000 crianças morrem diariamente por falta de saneamento básico.
Saneamento básico é o primeiro passo na direção contrária à miséria.
Como colocar em prática no dia a dia:
1. Não compre água mineral, não estimule esse comércio criminoso que secou fontes nativas e desertificou áreas florestais. O melhor filtro de água do mundo é brasileiro e de barro. Pior, uma única garrafinha plástica de água mineral, além de tóxica por conter Bisfenol-A, para ser produzida consome 8 vezes o seu peso em petróleo.
2. Procure não consumir bebidas prontas. Toda bebida pronta, mesmo orgânica, é crime de hidropirataria, já que cada lt de bebida industrializada (sucos, achocolatados, cervejas, refrigerantes, chás gelados, etc) consome ao longo do processo industrial de produção, higienização, envase e até resfriamentos de caldeiras, pelo menos outros 5lts de água pura retirada impunemente dos lençõis freáticos do entorno. Onde hoje há uma fábrica de bebidas, amanhã haverá um areal.
3. Opte por vassoura quando for limpar o quintal. Lavar a calçada com mangueira desperdiça a cada vez 280 litros de água potável.
4. Escove os dentes, faça a barba e lave o rosto com a torneira fechada, a economia média é de 20lts.
5. Durante o banho, se ensaboe com o chuveiro fechado. Se tiver cabelos longos, priorize condicionadores sem enxágue. Alem de mais eficazes, pois tratam o cabelo o dia todo, não necessitam de mais água durante o banho.
6. Reúse as águas cinzas da máquina de lavar, abaixo em "Mais informação", você encontra links ensinando como economizo até 360lts semanais de água em minha própria casa.
7. Priorize produtos biodegradáveis tanto na lavanderia, quanto no banho. Ganhamos em saúde e sustentabilidade. Abaixo, em "Mais informação", você encontra 2 postagens exclusivas com praticamente tudo sobre produtos de limpeza e de higiene pessoal biodegradáveis e até orgânicos.
9. Sobre madeira, móveis e celulose: o modelo de reflorestamento atual, em eucalipto, é um crime ambiental. Cada pé de eucalipto consome 30lts diários de água, a árvore era tradicionalmente usada justamente para secar regiões alagadiças. Aqui no Brasil, nós desmatamos a Mata Atlântica remanescente para plantar uma espécie que é sequer nativa da nossa flora, que expulsou a fauna local e desertifica os lençóis freáticos para que possamos ter móveis e papel em abundância. Compre móveis de segunda mão em antiquariato e feiras, melhores por serem em madeira de lei, e recuse imprimir tanta papelada.
10. Se mantém horta e pomar, adote a irrigação por gotejamento. O método tradicional de irrigação, por aspersão, cria perdas de até 50% por evaporação no trajeto ar-solo.
11. Um projeto de captação de águas pluviais não é caro, os water wall tanks são inclusive usados como muros de arrimo, barateando o custo final da construção. A simples instalação de uma calha no telhado acoplada a uma caixa de água, já é uma boa iniciativa.
12. E conserte sempre vazamento, infiltrações e afins. Uma única torneira pingando perde até 45lts diários de água.
13. Promessa é dívida: estou para escrever 2 postagens específicas sobre outras questões de reúso de água - métodos domésticos e baratos de potalização e mais uma postagem da casa sustentável exclusiva para o banheiro.
Uso de água cresce mais que o dobro da população
Como o petróleo o foi no século 20, a água poderá a commodity essencial para o século 21. Seres humanos dependeram do acesso à água desde os primórdios da civilização, e muito mais agora - 7 bilhões de pessoas no planeta, o crescimento exponencial da urbanização e o desenvolvimento estão forçando a demanda como nunca antes.
O uso da água vem crescendo mais que o dobro da taxa populacional no último século, disse à Reuters Kirsty Jenkinson, do Instituto de Recursos Mundiais, em Washington. A previsão é que o uso da água cresça 50% entre 2007 e 2025 nos países em desenvolvimento, e 18% nos desenvolvidos – grande parte do aumento virá dos países mais pobres, com o número crescente de pessoas migrando do campo para as cidades.
Somando a isso os esperados impactos da mudança do clima neste século, que deverão afetar os mais pobres mais cedo e de maneira mais severa, “e temos um desafio significativo pela frente”, afirmou Jenkinson.
Vai haver água suficiente para todos, quando a população chegar a 9 bilhões em meados do século? “Há muita água na Terra, e provavelmente ela não vai acabar”, disse Rob Renner, diretor executivo da Water Research Foundation, no Colorado, EUA. “O problema é que 97.5% dela é salgada. E dos 2.5% de água doce, dois terços são congelados. Assim, em termos de água doce, não há muito no mundo”.
Mais de um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso a água limpa, e mais de 2 bilhões vivem em condições sanitárias inadequadas, o que leva a 5 milhões de mortes por ano, a maior parte delas de crianças com doenças que poderiam ser evitadas, segundo Renner.
Apenas 8% da água doce do planeta é de uso doméstico – cerca de 70% vai para irrigação, e 22 por cento para a indústria. Secas e chuvas insuficientes contribuem com o chamado risco água, junto com enchentes e contaminação. Jenkins menciona alguns pontos vulneráveis (os hot spots). Entre eles estão a bacia de Murray-Daarling, na Austrália; a bacia do rio Colorado no sudoeste americano; a bacia do Orange-Denqu, que cobre partes da África, Botsuana e Namíbia e todo o Lesoto, e as bacias do Yangtze e Amarelo na China.
Jenkison disse ser necessário um gerenciamento integrado de recursos de água, que leve em conta quem precisa de que tipo de água, assim como seu uso de forma mais eficiente, “A água vai se tornar rapidamente um fator limitador de nossas vidas”, disse Ralph Eberts, vice-presidente executivo da Black & Veatch, uma empresa de engenharia de U$ 2.3 bilhões de faturamento que constrói e opera sistemas de água em mais de 100 países. Ele pede uma “repriorização” dos recursos.
A empresa de Eberts não está sozinha. A falta de água e o estresse do líquido – que ocorre quando a demanda excede a oferta, ou quando a oferta é restrita por má qualidade – já atingiu empresas que fazem uso intensivo da água e suas cadeias de fornecimento na Rússia, China e no sul dos Estados Unidos.
A nossa água corre pelo duto errado!
A (com razão) festejada Lei que instituiu a Política Nacional do Saneamento Básico (Lei nº11445/07) criou a expectativa para todos nós da universalização do acesso à água e esgoto, através de um adequado planejamento das ações e políticas públicas, revertendo dados amplamente desfavoráveis nos aspectos de qualidade ambiental (sobretudo dos rios) e saúde pública (decorrente das condições ambientais que não atendem ao mínimo essencial para uma vida digna, sobretudo às populações mais expostas).
Trouxe ela, também, a polêmica possibilidade da delegação dos serviços de saneamento básico, inclusive à iniciativa privada. Alegam os defensores da privatização que a prestação do serviço por particular não prejudicará o direito de acesso ao bem fundamental água, pois a Administração Pública continuará a regular o serviço e a garantir a não exclusão. Neste grupo encontram-se, em regra, grupos econômicos formados por capital internacional ou administradores públicos que – justiça seja feita – administram escassos cofres públicos incapazes de realizar os investimentos necessários para atender à meta “um”: universalização.
Penso que este processo não pode ser realizado sem atender aos princípios democráticos e republicanos, sobretudo a prévia oitiva da população diretamente interessada, bem como sem atentar para a experiência internacional, já que não vivemos isolados do mundo, ao contrário, a economia globalizada implica consequências muito semelhantes de uma determinada decisão em qualquer parte do mundo.
Recentemente foi realizado um referendo abrogativo na Itália (12 e 13 de junho) por iniciativa popular (1,4 milhões de assinaturas), em que 96% dos eleitores votaram pela abrogação do Decreto Ronchi, que privatizava a água naquele País. Isto porque pesquisadores da Universidade de Greenwich constataram que, a partir da privatização, na Inglaterra e Gales, modelos de privatização para a Itália, as tarifas subiram, os investimentos caíram, a qualidade da água piorou, enfim, a experiência não foi boa.
Todos os argumentos neoliberais a favor da privatização foram derrubados por números neste estudo. A Authority – agência reguladora local (no caso da Inglaterra, Ofwat) – mostrou-se incapaz de regular qualquer coisa, por uma lógica simples: ocorreu o fenômeno da “assimetria informativa”, ou seja, na medida em que o Estado transferiu o saber e o fazer (know how) ao privado, este passou a deter o domínio da informação e o Estado passou a ser somente um mero ente limitado a interpretar os dados oferecidos pelo prestador privado, sem conhecer tecnologias e custos do prestador do serviço. Resultado disto: formação de oligopólios, manipulação de dados e aumento de tarifa (245%, 39% além da inflação no período de privatização).
Outro argumento – usado em terras brasileiras – que caiu por terra foi a garantia do melhor negócio através do processo licitatório. Na Inglaterra, a Dama de Ferro chegou a poupar os ingleses da “ridícula pantomina” da licitação, para este que foi, segundo o jornal conservador Daily Mail, “o maior roubo legalizado da história”, a privatização. Isto porque, à base do poder econômico, todos os elementos economicamente determinantes no momento da licitação foram renegociados muitas vezes ao longo dos contratos, sempre sob a base de dados fornecidos pelos próprios prestadores, sem que a Ofwat pudesse discuti-los, por ter transferido também o conhecimento ao setor privado.
Há outros argumentos expostos no estudo, bastante interessantes, como a constatação de que os poucos investimentos realizados durante a privatização foram, de algum modo, suportados pelo erário (dinheiro público). Os poucos investimentos privados, cujo mecanismo de mercado aplicado foi o full cost recovery, foram inteiramente repassados às tarifas, sem qualquer critério de justiça ou solidariedade social (como os subsídios cruzados). E delas aos dividendos dos acionistas das companhias prestadoras.
Entretanto, argumentos podem ser derrubados com argumentos. A melhor retórica vence. Todavia, neste caso os resultados da privatização da água na Inglaterra e em Gales puderam ser medidos: nos primeiros 10 anos de privatização, as companhias inglesas cresceram à razão de 147%; 30% do valor total dos boletos bancários foram pagos aos acionistas mediante dividendos; as tarifas subiram 245%; diminuíram em 21% os postos de trabalho; aumentaram os acidentes ambientais; aumentaram as perdas de rede (chegaram a 40% em Londres); a qualidade da água, não raras vezes, atingia níveis inferiores aos standards exigidos pela União Européia, inclusive foram encontradas na água substâncias danosas à saúde. Enfim, as tarifas transformaram-se em preço, os cidadãos em consumidores, e a água, um bem vital, em mercadoria.
Com isto, fácil entender o resultado do referendum italiano, bem como a decisão da maioria das cidades dos países onde a água já foi privatizada: a republicização.
Falta de água é o maior entrave à expansão da produção de alimentos
O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água. Graziano assume o posto no primeiro semestre de 2012.
“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção, especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano, que atualmente é diretor da FAO para a América Latina e foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela implementação do Programa Fome Zero.
Segundo Graziano, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.
“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos”, disse o futuro diretor-geral da FAO. “Desperdiçamos muita comida hoje não só na produção, mas também no transporte e no consumo”. Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes.
“Precisamos assegurar que esse 1 bilhão de pessoas sejam alimentadas, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles.”
Graziano ressaltou ainda que o estímulo à produção de alimentos tradicionais ajuda a diversificar a fonte de alimentos. “Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade.”
Segundo ele, a prioridade dada a alimentos cotados em mercados internacionais tem feito com que a América Latina, por exemplo, venha perdendo a capacidade de produzir feijão – um alimento tradicional altamente nutritivo, produzido a um custo baixo.
A água do mundo, Leo Jaime.
Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.
A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.
Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.
Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.
Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia, não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.
Assista à entrevista de Antonio Donato Nobre explicando porque sem árvore não há água na postagem "Existe um rio acima de nós.", o melhor momento na minha opinião é quando Antonio Donato Nobre diz que levou anos de pesquisa para entender a relação floresta x desertificação e um dia, perguntou a um índio como o mesmo sabia tanto sobre o assunto, o índio respondeu então na maior naturalidade "o espírito da floresta me contou".
Alguns filmes sobre o assunto:
Flow, por amor à água
Cruzando o deserto verde
A história da água engarrafada
Ouro Azul, a guerra mundial pela água
Mais informação:
Reúso de águas cinzas na lavanderia
Arquitetura inteligente para sanitários
Beber água pura não deveria ser caro
O mito do reflorestamento de eucalipto
Vassoura e baldes x mangueiras de água
A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
A polêmica dos cosméticos "verdes" e um par de dicas do tempo da vovó
Nestlé mata fontes de água mineral em São Lourenço - a "Pure Life" é uma água química
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Quiroga e a prosperidade no dia do meu aniversário de 36 anos
A existência da miséria no mundo humano é prova de nossa ignorância, na melhor das hipóteses, mas também de intenções perversas, pior hipótese de todas. De todas as formas que se tente compreender a existência de miséria neste planeta não há como aceitar que se continue promovendo e sustentando esse erro ignorante ou perverso; aqui na Terra só há miséria porque nossa humanidade quer e não por qualquer outro motivo. Somos por isso todos culpados, seja por omissão ou comissão somos todos culpados, a miséria não tem razão de ser, é um invento nosso, não é natural nem tampouco digna de nossa capacidade criativa. Nós inventamos a miséria e temos de desinventá-la com urgência, é a vergonha nossa de cada dia, de todas as horas.
Fonte: Oscar Quiroga, 28 de outubro (meu aniversário)
Mais Quiroga:
Sustentabilidade e energia limpa
Disciplina e trabalho
A miséria não é um estado natural, mas uma invenção humana, leia mais:
A sustentabilidade não tem glamour algum
"Quem trouxe a fome, foi a geladeira"
Quem lê tanta notícia?
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Uma jornada criminosa no McDonald´s: a jornada móvel e variável de trabalho onde se paga menos de R$50,00 mensais a menores e ainda aumenta o rombo da nossa previdência
Uma Jornada Criminosa
A sociedade brasileira precisa tomar conhecimento do escândalo que é a cruel exploração do trabalho de nossos jovens por grupos empresariais que visam assegurar lucros a qualquer custo.
Com esta vídeo-reportagem a opinião pública e as autoridades serão levadas à indignação diante desta grave denúncia, ao mesmo tempo que serão estimuladas a refletir as razões pelas quais ainda convivemos com um quadro repugnante passados dez anos de pleno século vinte e um.
Teria razão a ministra ao questionar a ética na magistratura?
Como se permite criar representações irregulares de trabalhadores com o único intuito de justificar a exploração de jovens em seu primeiro emprego?
Cuidado! Cedo ou tarde, você ou alguém próximo a você também será atingido.
A imagem acima foi retirada do site do Sinthoresp, onde se pode acompanhar em tempo real todas as instâncias do processo contra o McDonald´s - Como o McDonald´s aprisiona mais de 40 mil jovens trabalhadores, em um esquema de trabalho ilegal e exploratório.
McDonald's é convidado a explicar denúncia de trabalho escravo
O McDonald's foi convidado pela Câmara dos Deputados a dar explicações, em audiência pública, sobre a sua política salarial e a jornada de trabalho dos seus funcionários.
O requerimento para a apresentação dos representantes da lanchonete na Câmara foi aprovado na quarta-feira (19), pela CTASP (Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público). A audiência ainda não tem data marcada.
A assessoria do deputado Sabino Castelo Branco (PTB-AM), autor da proposição e membro da comissão, informou que o requerimento foi motivado pelo vídeo Uma jornada criminosa, que circula na internet e em redes sociais - em que o McDonald's é acusado de ter política salarial "análoga à escravidão".
De acordo com o vídeo, a lanchonete pagaria aos seus funcionários R$ 2,52 por hora trabalhada, totalizando salário de cerca de R$ 380 por mês - valor inferior a um salário mínimo [R$ 545], por jornada de 44 horas de trabalho, em que horas de intervalo seriam descontadas à revelia dos funcionários.
O cálculo feito pelo McDonald's é chamado de "jornada móvel e variável" e foi denunciado pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação Preparada e Bebida a Varejo de São Paulo e Região) ao TST (Tribunal Superior do Trabalho). A ministra Dora Maria da Costa, relatora do caso, condenou as práticas da lanchonete.
O desembargador Henrique Nelson Calandra, presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), afirma que "é uma vergonha ter no Brasil focos de trabalho escravo", pois há violação de direitos e garantias básicas dos trabalhadores, segundo registro feito no vídeo.
OUTRO LADO
O McDonald's informou que "realiza o pagamento de todas as horas em que os funcionários estão no restaurante"; que paga o piso salarial determinado por sindicatos, quando cumprida a jornada de 44 horas semanais; e que a jornada de trabalho flexível visa beneficiar funcionários que conciliam o trabalho com horários de estudo.
A empresa ainda declarou que irá apurar casos que fujam a sua política trabalhista --que devem ser considerados exceções.
Por meio de assessoria, o McDonald's afirmou que tem "compromisso em cumprir rigorosamente a legislação trabalhista e segue o que é previsto e reconhecido pela lei".
Mais uma resposta para o rombo da Previdência: o trabalhador recebe menos, a empresa colabora menos e assim, a Previdência recebe menos, mas é obrigada a cobrir a aposentadoria de todos nós.
Para ler sobre as questões previdenciarias em outras postagens, leia "Carne & Osso" e "Odeio Rodeio: fonte de muito sofrimento e prejuízo aos cofres públicos":
Quando acreditamos que a Reforma da Previdência deve ser feita sacrificando aposentadorias e pensões, não sabemos que as indústrias, que contam com isenção fiscal por serem cogeradoras de empregos, são na verdade as maiores responsáveis pelo rombo do INSS, já que contribuem financeiramente com uma parte muito menor do que seus efeitos colaterais: as aposentadorias por invalidez e lesões degenerativas que nós, os contribuintes e respectivamente futuros aposentados e pensionistas, temos que arcar.
Nós pagamos 2 vezes por esse flagelo social, no curto prazo, quando arcamos com o prejuízo direto e a longo prazo, quando temos nossos benefícios reduzidos para manter esse sistema destruidor e que se retroalimenta com nossos 5 meses anuais de salário pago em tributos.
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A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo
Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
New Scientist
Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:
The Network of Global Corporate Control - S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011
Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico.
Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org
Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).
(*) O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.
A rede capitalista que domina o mundo
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça
Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."
Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.
Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.
Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
Barclays plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company
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Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
New Scientist
Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:
The Network of Global Corporate Control - S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011
Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico.
Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org
Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).
(*) O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.
A rede capitalista que domina o mundo
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça
Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."
Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.
Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.
Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.
Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.
Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.
Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.
As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
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Wellington Management Co LLP
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Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
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Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
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BNP Paribas
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
A criação dos Estados de Carajás e Tapajós
TAPAJÓS E CARAJÁS: FURTO, FURTEI, FURTAREI
Essa foi a vaia mais estrondosa e demorada de toda a história da Amazônia. Começou no dia 4 de abril de 1654, em São Luís do Maranhão, com a conjugação do verbo furtar, e continuou ressoando em Belém, num auditório da Universidade Federal do Pará, na última quinta-feira, 6 de outubro, quando estudantes hostilizaram dois deputados federais que defendiam a criação dos Estados de Tapajós e Carajás.
A vaia, que atravessou os séculos, só será interrompida no dia 11 de dezembro próximo, quando quase 5 milhões de eleitores paraenses irão às urnas para votar, num plebiscito, se querem ou não a criação dos dois Estados desmembrados do Pará, que ficará reduzido a apenas 17% de seu atual território caso a resposta dos eleitores seja afirmativa.
A proposta de divisão territorial não é nova. Embora o fato não seja ensinado nas escolas, o certo é que Portugal manteve dois estados na América: o Estado do Brasil e o Estado do Maranhão e Grão-Pará, cada um com governador próprio, leis próprias e seu corpo de funcionários.
Somente um ano depois da Independência do Brasil, em agosto de 1823, é que o Grão-Pará aderiu ao tratado independente, com ele se unificando.
Pois bem, no século XVII, a proposta era criar mais estados. Os colonos começaram a pressionar o rei de Portugal, D. João IV, para que as capitanias da região norte fossem transformadas em entidades autônomas. O padre Antônio Vieira, conselheiro do rei de Portugal, D. João IV, convenceu o monarca a fazer exatamente o contrário, criando um governo único do Estado do Maranhão e Grão-Pará sediado inicialmente em São Luís e depois em Belém.
Para isso, o missionário jesuíta usou um argumento singular. Ele alegava que se o rei criasse outros estados na Amazônia, teria que nomear mais governadores, o que dificultaria o controle sobre eles. É mais fácil vigiar um ladrão do que dois, escreveu Vieira em carta ao rei, de 4 de abril de 1654: “Digo, senhor, que menos mal será um ladrão que dois, e que mais dificultoso será de achar dois homens de bem que um só”.
Num sermão que pregou na sexta-feira santa, já em Lisboa, perante um auditório onde estavam membros da corte, juízes, ministros e conselheiros da Coroa, o padre Vieira, recém-chegado do Maranhão, acusou os governadores, nomeados por três anos, de enriquecerem durante o triênio, juntamente com seus amigos e apaniguados, dizendo que eles conjugavam o verbo furtar em todos os tempos, modos e pessoas. Vale a pena transcrever um trecho do seu sermão:
- “Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Esses mesmos modos conjugam por todas as pessoas: porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantos para isso têm indústria e consciência”.
Segundo Vieira, os governadores ”furtam juntamente por todos os tempos”. Roubam no tempo presente, que é o seu tempo” durante o triênio em que governam, e roubam ainda ”no pretérito e no futuro”.
Roubam no passado perdoando dívidas antigas com o Estado em troca de propinas, “ vendendo perdões” e roubam no futuro quando “empenham as rendas e antecipam os contrato, com que tudo, o caído e não caído, lhe vem a cair nas mãos”.
O missionário jesuíta, conselheiro e confessor do rei, prosseguiu:
“Finalmente, nos mesmos tempos não lhe escapam os imperfeitos, perfeitos, mais-que-perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar, para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles como se tiveram feito grandes serviços tornam carregados de despojos e ricos; e elas ficam roubadas e consumidas”.
Numa atitude audaciosa, padre Vieira chama o próprio rei às suas responsabilidades, concluindo:
“Em qualquer parte do mundo se pode verificar o que Isaías diz dos príncipes de Jerusalém: os teus príncipes são companheiros dos ladrões. E por que? São companheiros dos ladrões, porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões, porque os consentem; são companheiros dos ladrões, porque lhes dão os postos e os poderes; são companheiros dos ladrões, porque talvez os defendem; e são finalmente, seus companheiros, porque os acompanham e hão de acompanhar ao inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo”.
Os dois novos Estados – Carajás e Tapajós – se criados, significam mais governadores, mais deputados, mais juizes, mais tribunais de contas, mais mordomias, mais assaltos aos cofres públicos. Por isso, o Conselho Indígena dos rios Tapajós e Arapiuns, sediado em Santarém, representando 13 povos de 52 aldeias, se pronunciou criticamente em relação à proposta. Em nota oficial, esclarece:
“Os indígenas, os quilombolas e os trabalhadores da região nunca estiveram na frente do movimento pela criação do Estado do Tapajós, porque essa não era sua reivindicação e também porque não eram convidados. Esse movimento foi iniciado e liderado nos últimos anos por políticos. E nós temos aprendido que o que é bom para essa gente dificilmente é bom para nós”.
Para entender algumas questões sobre a posse da terra na região, leia melhor sobre um dos maiores massacres da história do nosso país: Eldorado dos Carajás, cujas fotos ilustram a postagem.
Outro blog, Xingu Vivo, noticia como foi a Assembléia em Altamira justamente contra a construção de Belo Monte.
Mais informação:
Ativistas assassinados
Hidrelétrica de Belo Monte
Farra do Boi na Floresta Amazônica
O PAC não se paga: Jirau, Belo Monte e Mauá
A sombra de um delírio verde: a luta da maior etnia indígena do Brasil para não perder sua terra para o etanol
Mais hidrelétricas mal explicadas nesse país solar: Fumaça, Tapajós, Jamanxim, Teles Pires e claro, Belo Monte
domingo, 23 de outubro de 2011
10 razões para a abolição total da Pena de Morte
A pena de morte está a ser abolida em quase todo o mundo. A pena capital é considerada desnecessária, ineficaz ou injusta por uma grande maioria de Países do Mundo. Mais de dois terços dos Países do Mundo – 139 – aboliram a pena de morte na lei ou na prática. Enquanto, em 2009, 58 países mantinham esta pena nos respectivos ordenamentos jurídicos, apenas 18 levaram a cabo execuções.
A pena de morte é discriminatória em termos raciais. Vários estudos têm demonstrado consistentemente que a raça, em particular a raça da vítima de homicídio, desempenha um papel fundamental na definição de quem é condenado à morte nos Estados Unidos da América (EUA). Desde 1977, a enorme maioria das execuções (77%) foi de indivíduos condenados por terem assassinado vítimas de raça branca, apesar de os Afro-americanos serem cerca de metade das vítimas de homicídio neste país. Além do mais, os condenados que têm posses têm maior probabilidade de ver os seus processos revistos e identificados eventuais erros de condenação.
A pena de morte assume riscos de irreversibilidade no erro. Desde 1973, 138 pessoas foram libertadas dos corredores da morte nos EUA devido a prova produzida sobre o erro que esteve na base da sua condenação. Muitos outros foram executados apesar das sérias dúvidas relativamente à sua culpa.
A pena de morte não tem efeito dissuasivo como medida de prevenção do crime. Informação do Federal Bureau of Investigation (FBI) demonstra que os 14 Estados abolicionistas, em 2008, mantêm um índice de homicídios idêntico ou abaixo da média nacional dos EUA. O próprio Supremo Tribunal dos EUA afirmou, em 2008, que “Apesar de 30 anos de investigação empírica sobre a área, prevalece a certeza de que não existem estatísticas credíveis que demonstrem que a pena capital de facto impede os potenciais criminosos de o serem”.
A pena de morte é muito dispendiosa. As condenações à pena de morte envolvem custos elevadíssimos, muito mais elevados que os custos dos processos criminais comuns. Os custos mais elevados associados com a pena de morte ocorrem antes e durante o julgamento e não apenas nos procedimentos posteriores à condenação. Tais recursos podem ser usados constritivamente no combate ao crime violento e na assistência às vítimas deste tipo de criminalidade.
A pena de morte é utilizada contra pessoas com sérias doenças mentais. Não obstante a pena de morte ser, nos EUA, supostamente reservado para os “piores” crimes e criminosos, dezenas de prisioneiros foram executados apesar de padecerem comprovadamente de sérias doenças mentais, quer no momento da prática do crime, quer no momento da sua execução.
A pena de morte é arbitrária e injusta. Políticas locais e estaduais, discricionariedade persecutória, a entidade da vítima de homicídio, a situação económica e social do arguido, são tudo factores que contribuem para a decisão de quem vive e de quem morre. Quase todos os prisioneiros do corredor da morte não puderam pagar por um advogado para assegurar a sua defesa durante o julgamento. Não raras vezes, os jurados, devido a defesa e representação inadequadas, ficaram sem conhecer o passado e contexto económico-social da pessoa sobre a qual decidirão se vive ou morre.
A pena de morte é discriminatória em termos geográficos. O local onde o crime é praticado desempenha um papel determinante na definição se dele resultará ou não uma condenação à morte do responsável. Desde 1977, por exemplo, 80% das execuções que tiveram lugar nos ocorreram nos Estados do Sul (37% apenas no Texas). O fato de o Estado dispor ou não de fundos para levar a cabo execuções é também frequentemente condição para optar ou não pela pena capital.
A pena de morte desvirtua o processo dos jurados. As pessoas que são contra a pena de morte podem ser (e são-no frequentemente) removidas pela acusação no processo de seleção dos jurados, privando assim o arguido de um julgamento composto por um leque representativo de pessoas da comunidade. Investigações têm demonstrado que os jurados que são a favor da pena de morte são mais favoráveis à partida a condenações a penas elevadas do que os jurados que não defendem a pena capital.
A pena de morte é incompatível com a Dignidade Humana. Independentemente do método escolhido para matar um prisioneiro, a utilização da pena de morte nega a possibilidade de reabilitação e reconciliação, rejeita a humanidade do criminoso, é inegavelmente cruel e vingativa, ameaça embrutecer os envolvidos no castigo e acrescenta sofrimento da família e amigos do executado ao sofrimento da família e amigos da vítima de homicídio.
Fonte: Anistia Internacional Portugal
As imagens são oficiais da campanha da Anistia para a China, quando dos Jogos Olímpicos no país. Lamentavelmente, a China é a campeã mundial em ações urgentes por prisioneiros de consciência dissidentes do regime.
Oportuno usar as fotos justamente dessa antiga campanha, já que também estamos organizando uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, momentos em que a insatisfação popular aparece na frente das lentes do mundo todo e certos abusos de autoridade acabam sendo justificados em nome da "Ordem e Progresso."
Não custa lembrar que temos uma tradição policialesca, os arquivos dos 21 anos de Ditadura Militar nunca foram abertos e até hoje, existem mais de 100 famílias brasileiras que não conseguem enterrar seus parentes, então desaparecidos políticos.
Esses mesmos eventos esportivos supracitados, já estão levando à possível troca de ministro dos esportes e as famosas obras superfaturadas do nosso Pan, nunca foram sequer auditadas. Aquela Vila do Pan, que teria tantos usos futuros, vêm sendo usada para quê exatamente?
Mais informação:
Redução da maioridade penal
A Anistia Internacional e a Sustentabilidade
Cartões de Natal pela liberdade de expressão
sábado, 22 de outubro de 2011
Odeio Rodeio: fonte de muito sofrimento e prejuízo aos cofres públicos
Odeio Rodeio
Por Rita Lee, 2002
Não sou uma ET, mas fico indignada sempre que os terráqueos desrespeitam os outros três reinos do planeta: o mineral, o vegetal e o animal. A tal da imagem e semelhança de Deus conferida à raça humana é uma piada.
Hoje vou falar sobre rodeios. Rodeio é um vergonhoso lixo cultural norte americano onde os animais são submetidos às mais cruéis torturas. Não me refiro aqui a cavalos e bois de raça. Falo dos pobres pangarés vira-latas. E não me venham os defensores dessa indústria, tão milionária quanto imbecil, afirmar que pulam daquela maneira porque são bravos e selvagens. Aqueles pobres animais pulam de dor! Nosso romântico Jeca Tatu hoje se chama John Wayne, um peão cowboy, um atleta profissional da crueldade. O povo brasileiro é festeiro por natureza e os rodeios seriam abençoados não fossem as barbaridades já fartamente comprovadas, mas todas feitas às escondidas do público.
Uma arena como esta poderia apresentar atrações esportivas de verdade, vários grandes atletas do Brasil estão sem patrocínio ou incentivo algum. A festa não perderia seu brilho, não deixaria de gerar empregos e as crianças presentes aprenderiam algo mais dignificante. No entanto este espaço é preenchido por uma corja de sanguinários cujo “esporte” (!?!) é laçar bezerrinhos indefesos, instalar sedém nos machos, enfiar cacos de vidro e cigarros acesos nas fêmeas, e outras práticas nazistas... para que ao abrirem os portões da liberdade esses animais escravos ainda se submetam a mais humilhações diante de um coliseu ignorante. Abaixo a ditadura do sofrimento animal! Abaixo a tortura! Eu odeio rodeio!
Rodeios somam R$ 6,8 milhões no rombo do Turismo
Por Congresso em Foco, outubro de 2011
Tradição no interior do Brasil, os rodeios, acompanhados das festas agropecuárias, reúnem multidões todos os anos. Mas eles também formam um ralo por onde escoaram R$ 6,8 milhões de recursos públicos vindos do Ministério do Turismo. Do total de R$ 80 milhões devidos aos cofres públicos, é esse o montante referente aos rodeios e similares. Quarenta e cinco convênios para eventos desse tipo, firmados entre 2003 e 2009, estão na lista de inadimplentes, cujas verbas repassadas o ministério busca recuperar. Esses recursos foram repassados a prefeituras, órgãos estaduais e, neste caso, principalmente a sindicatos e associações que não conseguiram comprovar o serviço conveniado ou prestar contas como deveriam. Em razão da gravidade das irregularidades constatadas, a pasta quer receber de volta o dinheiro repassado.
A Federação Matogrossense de Rodeio lidera a lista dos devedores, responsável por 26,3% do total devido. O convênio, firmado em julho de 2006, para a realização do 2º Circuito Matogrossense de Rodeio, tradicional na região, destinou R$ 1,5 milhão para o evento. Cinco anos depois, a federação ainda não deu respostas convincentes das irregularidades encontradas na execução financeira do contrato. Em seu site oficial, a Federação afirma que o circuito conta com o apoio do Ministério do Turismo e de grandes empresas, e que é considerado um “exemplo” na organização de rodeios.
Desde que o Circuito de Rodeios foi criado, a Federação recorreu quatro vezes ao Ministério do Turismo. O primeiro convênio firmado com a pasta, em 2005, no valor de R$ 1,2 milhão já está concluído, ou seja, todas as prestações de contas foram feitas no prazo correto. No entanto, outros dois convênios ainda permanecem em período de prestação de contas. No total, a Federação já recebeu do Ministério do Turismo R$ 4,4 milhões. Caso, porém, a entidade não regularize a sua situação, ficará impedida de receber novos recursos. O Congresso em Foco tentou contato com a federação, mas até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Barretos
O maior rodeio do país também está em débito com o governo. A 53ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos recebeu do Ministério do Turismo R$ 1,02 milhão em agosto de 2008, por meio do Clube Os Independentes, organizador do evento. De acordo com o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), há irregularidades na execução física e financeira, ou seja, o grupo não conseguiu esclarecer se o dinheiro enviado pelo ministério foi de fato utilizado para os fins destinados.
Desde 2006, o Clube Os Independentes realizou 13 convênios com o Ministério do Turismo, dos quais, cinco foram excluídos, dois foram concluídos, cinco ainda aguardam explicações e o convênio firmado em 2008 está inadimplente. Neste período, foram conveniados R$ 6,8 milhões no total.
Procurada no final da semana passada, a assessoria de imprensa do clube não respondeu às solicitações de informação feitas pelo Congresso em Foco.
Agropecuárias
No rol das festas agropecuárias, os sindicatos se destacam na lista dos inadimplentes. Do total de 26 convênios ligados ao tema, 18 são de sindicatos rurais que devem juntos R$ 1,2 milhão aos cofres públicos. Em geral, o motivo da inadimplência é a falta de apresentação dos documentos requeridos que comprovem a realização dos eventos.
Quem lidera a lista é a prefeitura municipal de Mineiros, em Goiás, que em 2008 estabeleceu um convênio para a realização da XXIX Exposição Agropecuária do município, totalizando R$ 300 mil. A prefeitura também está inadimplente junto ao Ministério das Cidades, devido a um convênio firmado, em 2003, que destinava R$ 500 mil para programas sociais.
Irregularidades frequentes
Ao todo, nove motivos levaram as instituições a serem incluídas na “lista de devedores” do ministério. Entre as causas mais comuns, estão a falta de prestações de contas ou de comprovação de que o evento foi realizado e o descumprimento da Lei de Licitações. Os convênios foram fechados nas gestões dos ministros Walfrido dos Mares Guia (PTB), Marta Suplicy (PT) e Luiz Barretto, também indicado pelo PT.
Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco a partir do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). O elevado número de irregularidades nos convênios firmados pelo governo federal com entidades não governamentais fez a presidenta Dilma Rousseff assinar na semana passada um decreto restringindo a celebração desse tipo de acordo.
O menor valor, de cerca de R$ 30 mil, foi pleiteado para o 1º Encontro de Intérpretes das Agremiações Carnavalescas Capixaba, realizado em 2007. De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, o Grêmio da Escola de Samba Independentes de São Torquato recebeu o valor referido, mas até agora não apresentou documentação que comprovasse a realização do evento.
Prestando contas
Para realizar uma festa, as ONGs e prefeituras assinam um convênio (espécie de contrato) com o Ministério do Turismo, estabelecendo direitos e deveres. Depois que as entidades e municípios recebem o dinheiro e fazem o evento, têm 30 dias para prestar contas. Ou seja, comprovar que realmente fizeram a festa conforme o combinado, incluindo os gastos previstos.
Se alguma parte do evento não foi realizada ou houve outro tipo de falha, o beneficiário recebe uma guia bancária para pagar à União a diferença devida. Se o pagamento não for feito, a ONG ou prefeitura vai parar no cadastro de inadimplentes.
Quinze dias depois, se não pagar o devido ou não comprovar que realmente realizou o evento conforme o combinado, o ministério abre uma tomada de contas especial (processo para recuperar dinheiro público) contra o município ou entidade. O processo é enviado à CGU e, de lá, ao TCU. É o tribunal quem julga a tomada de contas especial da ONG ou prefeitura.
As prestações de contas servem para, por exemplo, comprovar que os recursos foram usados corretamente e que não houve fraude ou desvio de dinheiro público. É um dos meios para se evitar e punir casos de corrupção. Constatado algum problema na prestação de contas, a regra determina a paralisação de novos repasses. No papel, as prefeituras, estados e ONGs que ficam inadimplentes não podem receber mais dinheiro da União. Mas nem sempre isso ocorre na prática.
A fiscalização do Ministério do Turismo é feita à distância. Só uma minoria dos casos é analisada presencialmente. No caso dos eventos, por exemplo, os técnicos verificam fotos do palco, das arquibancadas e os cartazes de divulgação, as notas fiscais e os papéis do processo de licitação. Até o primeiro semestre do ano passado, o ministério só tinha conseguido verificar “in loco” 15% dos eventos feitos com recursos que repassara. Com a contratação de novos servidores, esse índice passou para 35%, percentual que o governo considera “válido”.

Outras questões que passam ao largo da visão idílica que temos do mundo agropastoril, no filme Carne e Osso:
Um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média de toda a população economicamente ativa do Brasil.
Observação minha (Carol), que fui à premiére do documentário e ouvi pessoalmente o depoimento do médico do INSS, que orientou os jovens diretores do filme:
Quando acreditamos que a Reforma da Previdência deve ser feita sacrificando aposentadorias e pensões, não sabemos que as indústrias, que contam com isenção fiscal por serem cogeradoras de empregos, são na verdade as maiores responsáveis pelo rombo do INSS, já que contribuem financeiramente com uma parte muito menor do que seus efeitos colaterais: as aposentadorias por invalidez e lesões degenerativas que nós, os contribuintes e respectivamente futuros aposentados e pensionistas, temos que arcar.
Nós pagamos 2 vezes por esse flagelo social, no curto prazo, quando arcamos com o prejuízo direto e a longo prazo, quando temos nossos benefícios reduzidos para manter esse sistema destruidor e que se retroalimenta com nossos 5 meses anuais de salário pago em tributos.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011
O melhor vídeo sobre energia de pedaladas
O melhor vídeo sobre energia de pedalas em ambiente urbano, com direito ao strip masculino mais familiar que eu já vi.
Assista a esse vídeo sobre energia piezoelétrica por acionamento de pedais, é rápido e muito inteligente.
Mais informação:
Energia Piezoelétrica
Para abolir a escada rolante
A Ecopista cogeradora de energia piezoelétrica do Rock´n Rio
Gerador de hotel dinamarquês alimentado por pedaladas: desconto na estadia
Calculadora de pedaladas ou Simulador de vantagens da mobilidade ativa urbana
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Favas olho de cabra
São provavelmente os feijões mais bonitos que já vi, rajados em 3 cores distintas: telha, café e creme.
Esses foram comprados a granel e são orgânicos. Um luxo acessível e incrivelmente barato nesses tempos de feijão transgênico.
Deixei de molho por 24hrs em água com um pouco de kefir concentrado. No dia seguinte, lavei e escorri. Então, foi só cozinhar como feijão na panela de barro.
Desprezei a água da primeira fervura e juntei 2 folhas de alga kombu (ou nori), 1 folha de louro e 1 pedaço de gengibre fresco na água do cozimento seguinte, a definitiva.
Depois do feijão cozido, retirei o gengibre e a folha de louro (a alga já havia dissolvido) e refoguei então em azeite, 1 cabeça de alho picado com a linguiça orgânica de frango da Korin, deixei apurar e caprichei no tempero: sal grosso, pimenta de cheiro, 3 cravos da Índia picados em 3 sem as coroas, cominho e gengibre em pó.
Antes de esfriar, mas com o fogo já apagado, juntei meio maço de cenouras orgânicas em rodelas com parte das ramas da cenoura fatiadas e tampei a panela até atingir a temperatura que eu queria, o sufiente para não queimar meu céu da boca.
Para comer puro, como em Portugal, de colher, no prato de sopa e com um pedaço de pão.
Sempre que como feijão, pingo um limãozinho por cima, fortalece o fígado e a vitamina C aumenta a absorção de ferro.
Quem não come carne, substitui por cogumelo Paris fresco
Custo total do panelão de 4 litros: R$20,00
Mais informação:
Kefir
Baião de Dois
Compras a granel
Panela velha é que faz comida boa
Couve chinesa sautée com ramas de cenoura
Cuzcus marroquino e chili de feijão manteiga
Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Outras frutas que ninguém come mais
Jenipapo chocolate e graviola, ao fundo umas carambolas já conhecidas por aqui:
Comprei umas jabuticabas e ganhei graviolas, Seu Roberto é uma gentileza.
Para ver onde fica essa barraca e a simpatia do Seu Roberto, leia a postagem abaixo:
As frutas que ninguém come mais
Mais informação:
Orgânicos podem ser mais baratos
O que vamos comer em 2011 na opinião de 10 chefs
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Farm City: fazendas urbanas para comprar orgânico, local e justo
Mais frutas:
Cupuaçu
Abacate
Limão galego
Banana de macaco
Os melhores smoothies
As melhores mousses de frutas sem açúcar
As principais receitas com morango orgânico
Comprei umas jabuticabas e ganhei graviolas, Seu Roberto é uma gentileza.
Para ver onde fica essa barraca e a simpatia do Seu Roberto, leia a postagem abaixo:
As frutas que ninguém come mais
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trabalho,
transgênico
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Onde foi parar o dinheiro destinado à reconstrução da Região Serrana?
Eu tenho 2 amigas de Nova Friburgo, pessoas que perderam tudo nas enchentes e desabamentos do início do ano. Uma dessas moças precisou dormir no centro de desabrigados improvisado na quadra da escola pública local.
Há alguns meses, conversando com ambas, perguntei como estavam as obras de reconstrução, se as famílias já conseguiam ocupar suas casas novamente e, para meu espanto, soube que nada havia sido feito.
A princípio, não acreditei muito, achei que exageravam e pedi fotos, artigos, algo que realmente evidenciasse o problema.
Por coincidência, sou petropolitana e minha família quase toda tem casas de veraneio em Teresópolis, felizmente em áreas não atingidas. Descrevo melhor a experiência de ter sido voluntária da Cruz Vermelha em 2 tragédias ambientais (Região Serrana e Morro do Bumba), na postagem "O Rio de Janeiro das águas de março", onde poderá ser encontrado até um contato da Prefeitura de Teresópolis aos que quiserem adotar os órfãos das enchentes.
Na mesma época, houve o tsunami decorrente de terremoto no Japão e o assunto está bem detalhado em 2 postagens: "Como sobreviver a um tsunami" e "Por que Tóquio não alaga?"
Hoje, as fotos chegaram, justamente comparando a situação da Região Serrana Carioca com o Japão, veja por si mesmo a vergonha que nossos governantes cometem impunemente debaixo dos nosso narizes:
Mais informação:
Ajude os animais afetados pela chuva
Tragédia, Sustentabilidade e Voluntariado
A Anistia Internacional e a sustentabilidade
Não ligue para o BBB: ligue para a Cruz Vermelha
Justiça de Teresópolis cadastra casais interessados em adotar órfãos das chuvas
Há alguns meses, conversando com ambas, perguntei como estavam as obras de reconstrução, se as famílias já conseguiam ocupar suas casas novamente e, para meu espanto, soube que nada havia sido feito.
A princípio, não acreditei muito, achei que exageravam e pedi fotos, artigos, algo que realmente evidenciasse o problema.
Por coincidência, sou petropolitana e minha família quase toda tem casas de veraneio em Teresópolis, felizmente em áreas não atingidas. Descrevo melhor a experiência de ter sido voluntária da Cruz Vermelha em 2 tragédias ambientais (Região Serrana e Morro do Bumba), na postagem "O Rio de Janeiro das águas de março", onde poderá ser encontrado até um contato da Prefeitura de Teresópolis aos que quiserem adotar os órfãos das enchentes.
Na mesma época, houve o tsunami decorrente de terremoto no Japão e o assunto está bem detalhado em 2 postagens: "Como sobreviver a um tsunami" e "Por que Tóquio não alaga?"
Hoje, as fotos chegaram, justamente comparando a situação da Região Serrana Carioca com o Japão, veja por si mesmo a vergonha que nossos governantes cometem impunemente debaixo dos nosso narizes:
Mais informação:
Ajude os animais afetados pela chuva
Tragédia, Sustentabilidade e Voluntariado
A Anistia Internacional e a sustentabilidade
Não ligue para o BBB: ligue para a Cruz Vermelha
Justiça de Teresópolis cadastra casais interessados em adotar órfãos das chuvas
domingo, 16 de outubro de 2011
Domingos com orgânicos, feira de trocas e muito mais no SESC Tijuca
A maioria das pessoas reclama que apenas nos bairros nobres são encontradas feiras orgânicas. O competente pessoal do SESC procura sanar esse problema fornecendo sua estrutura para venda de orgânicos todo terceiro domingo de cada mês na Barão de Mesquita, Tijuca.
Lembro também que abaixo em "Mais informação", você poderá encontrar um guia com todas as feiras de orgânicos da cidade, algumas em bairros periféricos e as próprias Igrejas Messiânicas (Johrei Centers) em todo país funcionam igualmente como entrepostos da Korin Orgânicos, ambos administrados pela Fundação Mokiti Okada, fundador da religião e grande difusor da agricultura natural.
O folder abaixo é obviamente digital, mas os que forem poderão pegar a versão impressa em papel semente, um papel reciclado com sementes para que você enterre e regue depois de ler, brotando a sementinha.
Eu recebi alguns quando do curso da placa solar de R$35,00, descrito na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)".
Eram sementes de boca de leão e, como o pessoal do sítio São Francisco gosta de flores para auxiliar na polinização dos cultivos orgânicos, dei todos os folders à Cristina, responsável plo sítio e citada na postagem "Você já foi ao Brejal? Então vá!".
Sobre o SESC Tijuca e o pátio da Tamarineira majestosa, onde ocorre o evento, é um lugar muito bonito, uma construção que ganhou prêmios de arquitetura por ser completamente moderna, mas ter preservado um antigo sobrado colonial em seu interior, cuja fachada rosa aparece na primeira foto do folder.
Mais informação:
Feiras de orgânicos do RJ
Orgânicos podem ser mais baratos
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Feiras de sábado: móveis de segunda mão e antiquariato
Lembro também que abaixo em "Mais informação", você poderá encontrar um guia com todas as feiras de orgânicos da cidade, algumas em bairros periféricos e as próprias Igrejas Messiânicas (Johrei Centers) em todo país funcionam igualmente como entrepostos da Korin Orgânicos, ambos administrados pela Fundação Mokiti Okada, fundador da religião e grande difusor da agricultura natural.
O folder abaixo é obviamente digital, mas os que forem poderão pegar a versão impressa em papel semente, um papel reciclado com sementes para que você enterre e regue depois de ler, brotando a sementinha.
Eu recebi alguns quando do curso da placa solar de R$35,00, descrito na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (aquecedor solar de baixo custo a R$35,00)".
Eram sementes de boca de leão e, como o pessoal do sítio São Francisco gosta de flores para auxiliar na polinização dos cultivos orgânicos, dei todos os folders à Cristina, responsável plo sítio e citada na postagem "Você já foi ao Brejal? Então vá!".
Sobre o SESC Tijuca e o pátio da Tamarineira majestosa, onde ocorre o evento, é um lugar muito bonito, uma construção que ganhou prêmios de arquitetura por ser completamente moderna, mas ter preservado um antigo sobrado colonial em seu interior, cuja fachada rosa aparece na primeira foto do folder.
Mais informação:
Feiras de orgânicos do RJ
Orgânicos podem ser mais baratos
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
Feiras de sábado: móveis de segunda mão e antiquariato
sábado, 15 de outubro de 2011
O preço do crescimento chinês: vilas de câncer
Ideal de crescimento do séc XIX gera "vilas de câncer" na China
Nenhuma nação na história levou sua economia ao topo sem custos ao meio ambiente. A China se transformou na "fábrica mundial" ao garantir ao mercado global acesso à mão de obra abundante e recursos naturais sem compromisso com a natureza ou populações locais. No início dos anos 2000, estudos revelaram a existência de 459 "vilas de câncer" - pequenos vilarejos sempre próximos a zonas de desenvolvimento, onde a terra é a hospedeira e os alimentos e a água, o veneno.
As "vilas de câncer" existem oficialmente em 29 das 31 províncias mandarins (Tibet e Qinhai não apresentam casos, devido à pequena população e aos baixos níveis de poluição). Elas são consequências da reforma da China continental (que, em 1979, abriu o país ao mercado internacional) - vilarejos onde o número de pacientes com câncer é extremamente alto, em geral causado por consumo de água contaminada por químicos.
A China padece ao respirar sua revolução industrial. Nos últimos 30 anos, registros de mortes causadas por câncer de pulmão subiram 465%, tornando-se a doença que mais mata no país. Vinte e cinco por cento das mortes na China estão relacionadas ao câncer. Na zona rural, é a segunda maior causa de morte, depois de acidentes cardiovasculares, responsável por 21% das fatalidades. Nos campos, câncer de estômago, fígado, esôfago e cervical têm mais incidência do que nas cidades.
"O problema está no sistema de desenvolvimento - criado pela Inglaterra há 300 anos - que protege o ataque ao meio ambiente pelas indústrias", avalia Jonathan Watts, jornalista inglês e autor do livro Quando um Bilhão de Chineses Pulam (tradução livre).
Estatísticas lançadas pelo governo mostram que o número de mortes causadas por câncer na China subiu rapidamente a partir das reformas econômicas lançadas em 1979. Em 1997, 18 anos depois, a economia chinesa atingia a maioridade e o câncer se tornava a maior causa de morte pela primeira vez na história do país. Em 2007, uma em cada cinco pessoas falecia devido à doença - sendo o pulmão o órgão mais afetado.
Nas zonas rurais, onde estão cerca de 700 milhões de chineses, a falta de acesso à água tratada e à rede de esgoto faz do câncer de estômago, esôfago e fígado os maiores vilões. Os camponeses mandarins são quatro vezes mais propensos a morrer de câncer de fígado e duas vezes mais de padecer de câncer de estômago do que os demais camponeses mundiais, de acordo com estudo do Banco Mundial em 2007. "Os maiores problemas ambientais e de saúde ainda estão divididos pela disparidade entre a população urbana, mais rica, e a rural, muito pobre", explica o geólogo Liu Lee.
Conforme a Organização Mundial da Saúde, entre 2008 e 2010, mortes causadas por câncer subiram 5,6% na China, e a doença mata anualmente 2,1 milhões de chineses.
"Vilas de câncer"
O fenômeno das "vilas de câncer" é diretamente relacionado ao desenvolvimento do país, puxado pela indústria. Guangdong e Jiangsu, as províncias mais ricas do país, têm o maior número de condados registrados com "vilas de câncer". Conforme estudo feito por Lee em 2010, o "cinturão do câncer", que vai de Hebei, ao norte, até Hainan, ao sul, contém 396 vilas de câncer - (86,3% do total nacional), sendo 203 vilas oficialmente reportadas como tal (84% dos totais oficiais). O cinturão compreende mais de 55% da população e quase 60% do PIB.
O surgimento de "vilas de câncer" está ligado à existência de rios, as artérias da economia nacional. Zona ribeirinhas atraem indústrias devido à alta concentração humana, o que garante oferta de mão de obra, transporte e acesso à água. Com o aumento de fábricas e pouco controle governamental sobre as políticas de proteção ambiental e vigilância sobre infrações, a malha fluvial é em geral o destino do lixo produzido pela produção. Os rios Amarelo, Changjiang e Pérola, que cortam as zonas mais ricas do país, concentram a maioria das "vilas de câncer".
Os problemas evidenciados por políticas desiguais revelam maior incidência de vilas câncer nas áreas mais pobres. Isso porque as políticas ambientais tendem a defender zonas urbanas e mais desenvolvidas em detrimento da qualidade do acesso a recursos naturais pelos moradores de zonas rurais. Esses vilarejos são a morada de trabalhadores pobres, que ou vivem da terra e da colheita que abastece as zonas urbanas próximas, ou que viajam até a cidade para trabalhar nas indústrias.
Guangdong é a região mais rica da China, com um PIB de US$ 690 bilhões. Todas as quatro zonas econômicas localizadas na região (Delta do Rio da Pérola, e Norte, Leste e Oeste das Montanhas) têm "vilas de câncer". A zona de Wenyuan, no norte, tem os casos mais sérios, devido à atividade de mineração de ferro e cobre. Esse processo elimina nas águas dos rios sulfeto de cobre, chumbo e cádmio, um metal branco-azulado e altamente cancerígeno. O vilarejo de Liangqiao, mais próximo das minas, é considerado o mais poluído. Shangba, porém, tem o maior registro de mortes. Entre 1978 e 2005, 250 moradores de Shangba morreram de câncer - todos em torno dos 50 anos.
"Crescer primeiro, limpar depois"
A China tem mais "vilas de câncer" que outros países devido às metas de desenvolvimento, que seguem o modelo inglês do "crescer primeiro, limpar depois", e à fraca legislação de proteção do meio ambiente. Ainda incipientes, leis preveem a segurança do crescimento e da limpeza do ambiente em zonas urbanas e que usam as zonas rurais para desenvolvimento industrial sem aplicação ou manutenção das políticas ambientais. "A situação melhorou um pouco após 2004, mas ainda não é ideal. As políticas são fracamente reforçadas ao comprometer o desenvolvimento e o crescimento econômico do PIB", reflete o especialista em meio ambiente na China, Jonathan Watts.
Para Watts, "sendo o sistema político chinês nem democrático nem ditatorial, as investidas mandarins em legislação ambiental não são nem verdes, nem vermelhas". No começo do mês, foi anunciada a mudança do controle de partículas suspensas no ar, que agora serão calculadas também por PM 2,5 (partículas com menos de 2,5 micros de espessura), além da já existente medição de partículas de até 10 micros de dióxido de enxofre, dióxido de notrogênio, monóxido de carbono e ozônio. "Existe um esforço, mas ainda falta pensar no controle de metais pesados", acrescenta.
Diferença social entre moradores urbanos e rurais advém das mesmas políticas. Ao contrário de países ocidentais, onde os mais pobres não estão necessariamente na zona rural. A "democracia chinesa" exclui os moradores rurais do debate sobre a instalação de uma fábrica poluidora. "A China depende mais de instâncias administrativas do que meios legais para lidar com violações ambientais", ressalta Lee. Indústrias pagam multas pela poluição que causam, sem compromisso de diminuir emissões ou de lidar com seu lixo. "Como não há jurisprudência em casos de vítimas de câncer em tais vilas, dificilmente um moção civil contra a indústria gera resultados", explica.
A falta de mobilidade social é também contribui para "vilas de câncer". Como a terra é dividida coletivamente, moradores podem perder suas casas se saírem do local, permanecendo imóveis devido à falta de recursos para pagar um aluguel em outras áreas. Na costa, onde a poluição ocorre no oceano. Lá, a população é mais móvel e, ao migrar para outras regiões, dispersa o registro de casos de câncer, deixando então impossível verificar se existem ou não "vilas de câncer".
Em Shangba, no norte de Guangdong (Cantão), a poluição do rio que abastecia a cidade deixou 270 vítimas de câncer. Desde 2002, a água foi registrada imprópria para o consumo, e, hoje, os moradores da vila usam água de dentro da montanha. "A gente duvida ainda da qualidade da água, mas o que vão fazer? Tirar todos daqui?", questiona Zhang Lihua, 33 anos e natural de Shangba.
"Vilas de Câncer" são assunto sensível
Casos das "vilas de câncer" já foram reportados pela mídia chinesa, principalmente até a virada do século. A CCTV, televisão central e órgão de mídia oficial do Partido Comunista, foi a primeira a falar sobre o assunto. Em 1998, a emissora revelou o caso de contaminação do rio Hai, que nasce na província de Hebei (ao noroeste de Pequim) e corta Tianjin, uma das maiores cidades chinesas e que fica a 112 km da capital.
A água do rio, ao ser analisada, apresentava concentração de demanda química de oxigênio (DQO, que mede a quantidade de matéria orgânica que pode ser oxidada dentro de um líquido) era superior a 1.300 mg - na China, o DQO de 25mg já coloca a água analisada na categoria 5, o pior nível de classificação da qualidade de água no país. Trezentas pessoas morreram de câncer em Hebei entre 1993 e 1998. Em Xiaojizhuang, vila próxima ao rio Hai, uma em cada dez pessoas tinha câncer na época em que a reportagem foi feita.
Não há proibição oficial para a reportagem de "vilas de câncer", mas o assunto apareceu raramente nos jornais e programas de televisão depois de 2009, diz Lee. "No caso mais recente de reportagem sobre "vilas de câncer", em Zhejiang, um morador postou na internet que 31 pessoas morreram de câncer em sua vila acabou na prisão acusado de calúnia", aponta Lee. "Conforme o relato oficial, tinham sido apenas 27 mortes." Por medo de retaliação ou mesmo vergonha, o tema "vilas de câncer" (aizhengcun) é tabu no país. "Afasta investimento, turismo e até casamento", explica o geólogo Lee, referindo-se à prática de mulheres casadas mudarem-se para a terra natal dos maridos.
Futuro?
O futuro das "vilas de câncer" não é consensualmente otimista. Desde que o fenômeno "esfriou" na mídia nacional, casos de "vilas de lixo atômico" e "vilas de aids" começaram a surgir. "Eu, infelizmente, mantenho uma visão pessimista. Mas não perdi as esperanças", conta Watts. "A China precisa lidar com seus problemas com segurança alimentar e energética, e esse é um problema que o país não pode empurrar para os outros. Isso me dá esperanças."
Lee é ainda mais duvidoso em relação ao futuro: "Eu não só acho as "vilas de câncer" vão sumir, como acredito que aumentarão em número". O geólogo, que estuda o fenômeno das "vilas de câncer" há uma década, atenta para o fato de que metais pesados encontram-se no solo dos locais afetados e têm efeitos de longa duração. "É preciso mais controle na aplicação das regulamentações ambientais, um novo modelo de crescimento, menor diferença social entre ricos e pobres e o seguimento da política de desenvolvimento que dá preferência a zonas urbanas", cita o especialista.
China: "vila de câncer" tem rio em que pato morre em 3 horas
Shangba é uma vila pobre que, além de ser arrasada pela falta de infraestrutura básica, é dependente da plantação de cana e arroz. O rio que corta o vilarejo de leste a oeste atravessa a província de Guangdong, no sudeste do país, carregando lembranças do desenvolvimento - produtos químicos como cobalto, mercúrio e cádmio. Misturados à água, o coquetel fez 270 vítimas de câncer de estômago e das vias aéreas entre 1976 e 2005. É a única vila do país onde a taxa de natalidade já foi mais baixa que a de mortalidade.
Zhang Lihua perdeu o avô paterno e a avó materna para o rio do câncer. Aos 33 anos e mãe de um bebê de 8 meses, ela diz temer pela própria vida e de seus familiares que, até 2002, bebiam do rio. Em Shangba, o mesmo homem não atravessa o mesmo rio mais por medo da morte do que da filosofia.
Uma estrada de chão liga os últimos dos 190 km de separam Shangba de Guangzhou, a capital provincial. O esgoto que corre ao lado de carros, motos e pedestres na estrada mostra que a vila parece não pertencer a Guangdong, a província mais rica da China. Tão rica que, se fosse um país, Guangdong estaria no G-20. Em 1980, o PIB local era de 24,5 bilhões de yuans (US$ 385 milhões). Em 2008, chegou a 3,5 trilhões de yuans (US$ 548 bilhões), maior que a Turquia, o Vietnã e a Indonésia - os grandes concorrentes da China na produção manufatureira.
Em Shangba, os 600 moradores da vila dividem-se na produção de cana-de-açúcar e conversas sobre o que se passa na televisão. Com o rio seco e degradado pela poluição de cádmio e mercúrio, nem mesmo a pesca resistiu ao avanço de Guangdong na economia mundial. "Quando eu era criança, nadávamos no rio, brincávamos nas suas encostas depois da escola. Depois, começaram a aparecer peixes mortos boiando, e a gente parou de brincar com a água", lembra Zhang, 57 anos, dono de um armazém e pai de Lihua.
Dessa água não beberei
As águas do rio Hengshui, que corta a vila, deixaram de ser consumidas em 2002. Ela está tão contaminada que nem mesmo peixes conseguem sobreviver, ainda que seja diluída 10 mil vezes. "Se um pato entrar na água, ele morre entre duas e três horas depois", conta Zhang. Entre o registro do primeiro caso de câncer na cidade, em 1976, e o anúncio de impropriedade do rio, 250 pessoas morreram da doença. Em 2010, foram registradas seis vítimas do "rio da morte", como Hengshui ficou conhecido na região - duas delas com menos de 20 anos.
"Antigamente, as pessoas iam para o hospital doentes e demoravam para morrer. Na década de 1980, elas duravam apenas meses depois de serem diagnosticadas, porque levava muito tempo até descobrirem que estavam doentes", diz Zhang Lihua. Ela perdeu os avós para o câncer de estômago em seis meses. Ela hesita para falar sobre as mortes causadas pela água do rio. Ao sair da cozinha, com seu bebê de 8 meses no colo, a imagem do medo toma a sua face. "Eu tomei essa água até uns quatro anos atrás. É claro que tenho medo."
Com o aumento de casos registrados de câncer dentre a população de Shangba, o secretário do partido Comunista da China na vila, He Laifu, conseguiu a intervenção do governo provincial depois de procurar a mídia local. Ele é hoje também responsável por um dos três centros médicos da vila. O consultório de He fica no primeiro piso de sua casa. Três salas dividem o espaço: uma saleta de entrada, logo atrás um depósito cheio de medicamentos, e, no espaço ao lado, uma mesa de madeira com medicamentos, seringas e agulhas. Nas paredes, cartazes alertam para o perigo de ingerir a carne de galinhas mortas.
He é igualmente reticente em falar de seus dois pacientes com câncer. Ele conta que, neste ano, outras duas pessoas que vinha tratando morreram. "A situação está melhor agora. Até dois anos atrás, morriam mais de dez pessoas ao ano em Shangba", avalia o médico. Até a virada do século, 20 em cada 100 habitantes da vila tinham câncer.
Cobre e ferro
Foi na década de 1970 que a mineradora Dabaoshan surgiu como a causa das "vilas de câncer" na região. A empresa, instalada no distrito de Qujiang, aos pés das regiões montanhosas ao norte de Guangdong, fez sua fortuna na exploração do zinco, tornando-se uma das maiores extratoras do mineral na China. Foi criada em 1958 e, com a política do Salto para Frente (plano de industrialização rápida aplicado entre 1958 a 1961 e que matou de fome cerca de 30 milhões de chineses), ficou fechada até 1963.
Em 1995, a Dabaoshan virou uma empresa estatal de segundo porte. Ela cobre 9,4 milhões de m², emprega 2.900 pessoas e produz cerca de 700 milhões de yuans anualmente (US$ 110 milhões). Ao ano são produzidos 800 mil toneladas de minério de ferro, 2 mil toneladas de minério de cobre e 80 mil toneladas de ácido sulfúrico. Nos planos da empresa estão a expansão da mina em 37,5 milhões de m² para "garantir o desenvolvimento da empresa", diz a nota no website da Dabaoshan. Lá também é possível saber sobre os prêmios recebidos pela companhia. Entre eles, o título de "empresa nacional avançada em trabalho político e ideológico" e "pagadora de classe de impostos".
O lixo nem sempre foi só um problema para a província de Guangdong. No início da reforma e abertura da China, em 1979, Guangdong se tornou o grande depósito de dejetos mundial. Lixo era exportado de lugares como Londres, Roterdã e da vizinha Hong Kong para destruição e reciclagem. Com o comércio aberto e manufaturados com preços baixos disponíveis ao Ocidente, era mais barato enviar o lixo produzido dentro dos containers vazios em navios rumavam a Guangzhou - o maior porto chinês à época - do que transportar o lixo em caminhões pelos países.
Em 2008, Zhang Yin, da cidade de Dongguan, a uma hora de Guangzhou, tornou-se a mulher mais rica do mundo, deixando para trás Oprah Winfrey e J. K. Rowling. Zhang Yin construiu seu império do alto da reciclagem de lixo seco - em especial, papel.
O futuro incerto
Desde que a luta entre moradores e governo provincial garantiu a abertura de uma fonte de água potável vinda de dentro da montanha que circunda Shangba, a epidemia da esperança tomou o lugar do câncer no local. As taxas de pacientes com câncer decresceram, mas os fantasmas dos que já se foram ainda assombra os que ficaram no vilarejo. "A água foi tratada, mas não sei qual é a situação do solo. Não confio no que produzimos aqui, mas fazer o quê?", admite Zhang.
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