segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Irã de Bahman Jalali e Amirali Ghasemi


Eu havia programado visitar a badalada exposição sobre a Índia no CCBB, mas começou a chover e acabei no Oi Futuro do Flamengo, que é ao lado da minha casa.
Fiz bem, a troca valeu a pena, já que está sendo exibida uma exposição imensa e nada divulgada sobre o Irã. O país está representado em dezenas de artistas e mídias, incluindo músicas, poesias, documentários e noticiários.


O artista que mais chamou minha atenção foi o fotógrafo Bahman Jalali, lamentavelmente reconhecido apenas após seu falecimento no ano passado.
Bahman Jalali foi um dos maiores fotógrafos do mundo e certamente está no mesmo nível de Robert Kapa e Henri Cartier Bresson, considerados os 2 maiores fotojornalistas já existentes.
A página do Wikipedia em inglês de Bahman Jalali é mais completa do que a brasileira e as 3 primeiras fotos dessa postagem podem dar uma pálida ideia da qualidade do trabalho dele.



Em geral associamos o Irã à pobreza, ignorância, fundamentalismo religioso, desrespeito às liberdades civis e uma cultura milenar, que foi deturpada pela perigosa combinação de Religião e Estado - no fundo, uma versão um pouco melhorada do Afeganistão.
Na verdade existe uma vida social e cultural intensa no Irã, com juventude, cultura pop e underground.
A exposição mostra fotos de festas em casas iranianas, que não saberíamos reconhecer onde estão aqueles jovens rindo e dançando. A série "Party" de outro fotógrafo iraniano, Amirali Ghasemi, retrata moças bonitas, magras, de barriga de fora e cabelo solto, sorrindo abraçadas entre si, como em qualquer lugar do mundo. Os rostos estão apagados nas fotos abaixo para que as pessoas não sejam reconhecidas.




O carioca adora gastar uma grana "preta" em lugares da moda ou shoppings e academias, quando as melhores coisas dessa cidade são de graça. Uma leitora muito querida daqui e compradora do "Festa Vegetariana", Malu Allen, havia me dado convites para a Sinfônica da Petrobrás no Municipal. Antes da exposição, havia assistido ao concerto com peças de Rachmaninoff e Ravel, maravilhoso e graças à Malu.
Para quem gosta de música clássica e não pode arcar com os ingressos da temporada tradicional, visite os sites Viva Música e Música no Museu, ambos na barra lateral do blog, na categoria "Valem a visita".



Mais informação:
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A Anistia Internacional e a Sustentabilidade
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O melhor guia comentado do Carnaval de rua carioca

sábado, 29 de outubro de 2011

Consumo de água x aumento da população urbana



Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), diariamente são desperdiçados cerca de 2,5 milhões de litros de água tratada e potável. As residências são as maiores resposáveis, já que o consumo doméstico no Brasil é de 140 litros de água/pessoa/dia.

Um único morador de favela só conta com 20lts diários de água para consumo próprio.

Estatística: 40% da população mundial vive sem saneamento básico e 1 pessoa em 8 sem acesso à água potável, em consequência 4.000 crianças morrem diariamente por falta de saneamento básico.

Saneamento básico é o primeiro passo na direção contrária à miséria.



Como colocar em prática no dia a dia:

1. Não compre água mineral, não estimule esse comércio criminoso que secou fontes nativas e desertificou áreas florestais. O melhor filtro de água do mundo é brasileiro e de barro. Pior, uma única garrafinha plástica de água mineral, além de tóxica por conter Bisfenol-A, para ser produzida consome 8 vezes o seu peso em petróleo.

2. Procure não consumir bebidas prontas. Toda bebida pronta, mesmo orgânica, é crime de hidropirataria, já que cada lt de bebida industrializada (sucos, achocolatados, cervejas, refrigerantes, chás gelados, etc) consome ao longo do processo industrial de produção, higienização, envase e até resfriamentos de caldeiras, pelo menos outros 5lts de água pura retirada impunemente dos lençõis freáticos do entorno. Onde hoje há uma fábrica de bebidas, amanhã haverá um areal.

3. Opte por vassoura quando for limpar o quintal. Lavar a calçada com mangueira desperdiça a cada vez 280 litros de água potável.

4. Escove os dentes, faça a barba e lave o rosto com a torneira fechada, a economia média é de 20lts.

5. Durante o banho, se ensaboe com o chuveiro fechado. Se tiver cabelos longos, priorize condicionadores sem enxágue. Alem de mais eficazes, pois tratam o cabelo o dia todo, não necessitam de mais água durante o banho.

6. Reúse as águas cinzas da máquina de lavar, abaixo em "Mais informação", você encontra links ensinando como economizo até 360lts semanais de água em minha própria casa.

7. Priorize produtos biodegradáveis tanto na lavanderia, quanto no banho. Ganhamos em saúde e sustentabilidade. Abaixo, em "Mais informação", você encontra 2 postagens exclusivas com praticamente tudo sobre produtos de limpeza e de higiene pessoal biodegradáveis e até orgânicos.

9. Sobre madeira, móveis e celulose: o modelo de reflorestamento atual, em eucalipto, é um crime ambiental. Cada pé de eucalipto consome 30lts diários de água, a árvore era tradicionalmente usada justamente para secar regiões alagadiças. Aqui no Brasil, nós desmatamos a Mata Atlântica remanescente para plantar uma espécie que é sequer nativa da nossa flora, que expulsou a fauna local e desertifica os lençóis freáticos para que possamos ter móveis e papel em abundância. Compre móveis de segunda mão em antiquariato e feiras, melhores por serem em madeira de lei, e recuse imprimir tanta papelada.

10. Se mantém horta e pomar, adote a irrigação por gotejamento. O método tradicional de irrigação, por aspersão, cria perdas de até 50% por evaporação no trajeto ar-solo.

11. Um projeto de captação de águas pluviais não é caro, os water wall tanks são inclusive usados como muros de arrimo, barateando o custo final da construção. A simples instalação de uma calha no telhado acoplada a uma caixa de água, já é uma boa iniciativa.

12. E conserte sempre vazamento, infiltrações e afins. Uma única torneira pingando perde até 45lts diários de água.

13. Promessa é dívida: estou para escrever 2 postagens específicas sobre outras questões de reúso de água - métodos domésticos e baratos de potalização e mais uma  postagem da casa sustentável exclusiva para o banheiro.


Uso de água cresce mais que o dobro da população

Como o petróleo o foi no século 20, a água poderá a commodity essencial para o século 21. Seres humanos dependeram do acesso à água desde os primórdios da civilização, e muito mais agora - 7 bilhões de pessoas no planeta, o crescimento exponencial da urbanização e o desenvolvimento estão forçando a demanda como nunca antes.

O uso da água vem crescendo mais que o dobro da taxa populacional no último século, disse à Reuters Kirsty Jenkinson, do Instituto de Recursos Mundiais, em Washington. A previsão é que o uso da água cresça 50% entre 2007 e 2025 nos países em desenvolvimento, e 18% nos desenvolvidos – grande parte do aumento virá dos países mais pobres, com o número crescente de pessoas migrando do campo para as cidades.

Somando a isso os esperados impactos da mudança do clima neste século, que deverão afetar os mais pobres mais cedo e de maneira mais severa, “e temos um desafio significativo pela frente”, afirmou Jenkinson.

Vai haver água suficiente para todos, quando a população chegar a 9 bilhões em meados do século? “Há muita água na Terra, e provavelmente ela não vai acabar”, disse Rob Renner, diretor executivo da Water Research Foundation, no Colorado, EUA. “O problema é que 97.5% dela é salgada. E dos 2.5% de água doce, dois terços são congelados. Assim, em termos de água doce, não há muito no mundo”.

Mais de um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso a água limpa, e mais de 2 bilhões vivem em condições sanitárias inadequadas, o que leva a 5 milhões de mortes por ano, a maior parte delas de crianças com doenças que poderiam ser evitadas, segundo Renner.

Apenas 8% da água doce do planeta é de uso doméstico – cerca de 70% vai para irrigação, e 22 por cento para a indústria. Secas e chuvas insuficientes contribuem com o chamado risco água, junto com enchentes e contaminação. Jenkins menciona alguns pontos vulneráveis (os hot spots). Entre eles estão a bacia de Murray-Daarling, na Austrália; a bacia do rio Colorado no sudoeste americano; a bacia do Orange-Denqu, que cobre partes da África, Botsuana e Namíbia e todo o Lesoto, e as bacias do Yangtze e Amarelo na China.

Jenkison disse ser necessário um gerenciamento integrado de recursos de água, que leve em conta quem precisa de que tipo de água, assim como seu uso de forma mais eficiente, “A água vai se tornar rapidamente um fator limitador de nossas vidas”, disse Ralph Eberts, vice-presidente executivo da Black & Veatch, uma empresa de engenharia de U$ 2.3 bilhões de faturamento que constrói e opera sistemas de água em mais de 100 países. Ele pede uma “repriorização” dos recursos.

A empresa de Eberts não está sozinha. A falta de água e o estresse do líquido – que ocorre quando a demanda excede a oferta, ou quando a oferta é restrita por má qualidade – já atingiu empresas que fazem uso intensivo da água e suas cadeias de fornecimento na Rússia, China e no sul dos Estados Unidos.


A nossa água corre pelo duto errado!

A (com razão) festejada Lei que instituiu a Política Nacional do Saneamento Básico (Lei nº11445/07) criou a expectativa para todos nós da universalização do acesso à água e esgoto, através de um adequado planejamento das ações e políticas públicas, revertendo dados amplamente desfavoráveis nos aspectos de qualidade ambiental (sobretudo dos rios) e saúde pública (decorrente das condições ambientais que não atendem ao mínimo essencial para uma vida digna, sobretudo às populações mais expostas).

Trouxe ela, também, a polêmica possibilidade da delegação dos serviços de saneamento básico, inclusive à iniciativa privada. Alegam os defensores da privatização que a prestação do serviço por particular não prejudicará o direito de acesso ao bem fundamental água, pois a Administração Pública continuará a regular o serviço e a garantir a não exclusão. Neste grupo encontram-se, em regra, grupos econômicos formados por capital internacional ou administradores públicos que – justiça seja feita – administram escassos cofres públicos incapazes de realizar os investimentos necessários para atender à meta “um”: universalização.

Penso que este processo não pode ser realizado sem atender aos princípios democráticos e republicanos, sobretudo a prévia oitiva da população diretamente interessada, bem como sem atentar para a experiência internacional, já que não vivemos isolados do mundo, ao contrário, a economia globalizada implica consequências muito semelhantes de uma determinada decisão em qualquer parte do mundo.

Recentemente foi realizado um referendo abrogativo na Itália (12 e 13 de junho) por iniciativa popular (1,4 milhões de assinaturas), em que 96% dos eleitores votaram pela abrogação do Decreto Ronchi, que privatizava a água naquele País. Isto porque pesquisadores da Universidade de Greenwich constataram que, a partir da privatização, na Inglaterra e Gales, modelos de privatização para a Itália, as tarifas subiram, os investimentos caíram, a qualidade da água piorou, enfim, a experiência não foi boa.

Todos os argumentos neoliberais a favor da privatização foram derrubados por números neste estudo. A Authority – agência reguladora local (no caso da Inglaterra, Ofwat) – mostrou-se incapaz de regular qualquer coisa, por uma lógica simples: ocorreu o fenômeno da “assimetria informativa”, ou seja, na medida em que o Estado transferiu o saber e o fazer (know how) ao privado, este passou a deter o domínio da informação e o Estado passou a ser somente um mero ente limitado a interpretar os dados oferecidos pelo prestador privado, sem conhecer tecnologias e custos do prestador do serviço. Resultado disto: formação de oligopólios, manipulação de dados e aumento de tarifa (245%, 39% além da inflação no período de privatização).

Outro argumento – usado em terras brasileiras – que caiu por terra foi a garantia do melhor negócio através do processo licitatório. Na Inglaterra, a Dama de Ferro chegou a poupar os ingleses da “ridícula pantomina” da licitação, para este que foi, segundo o jornal conservador Daily Mail, “o maior roubo legalizado da história”, a privatização. Isto porque, à base do poder econômico, todos os elementos economicamente determinantes no momento da licitação foram renegociados muitas vezes ao longo dos contratos, sempre sob a base de dados fornecidos pelos próprios prestadores, sem que a Ofwat pudesse discuti-los, por ter transferido também o conhecimento ao setor privado.

Há outros argumentos expostos no estudo, bastante interessantes, como a constatação de que os poucos investimentos realizados durante a privatização foram, de algum modo, suportados pelo erário (dinheiro público). Os poucos investimentos privados, cujo mecanismo de mercado aplicado foi o full cost recovery, foram inteiramente repassados às tarifas, sem qualquer critério de justiça ou solidariedade social (como os subsídios cruzados). E delas aos dividendos dos acionistas das companhias prestadoras.

Entretanto, argumentos podem ser derrubados com argumentos. A melhor retórica vence. Todavia, neste caso os resultados da privatização da água na Inglaterra e em Gales puderam ser medidos: nos primeiros 10 anos de privatização, as companhias inglesas cresceram à razão de 147%; 30% do valor total dos boletos bancários foram pagos aos acionistas mediante dividendos; as tarifas subiram 245%; diminuíram em 21% os postos de trabalho; aumentaram os acidentes ambientais; aumentaram as perdas de rede (chegaram a 40% em Londres); a qualidade da água, não raras vezes, atingia níveis inferiores aos standards exigidos pela União Européia, inclusive foram encontradas na água substâncias danosas à saúde. Enfim, as tarifas transformaram-se em preço, os cidadãos em consumidores, e a água, um bem vital, em mercadoria.

Com isto, fácil entender o resultado do referendum italiano, bem como a decisão da maioria das cidades dos países onde a água já foi privatizada: a republicização.



Falta de água é o maior entrave à expansão da produção de alimentos

O futuro diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, disse que a necessidade de aumentar a produção agrícola para alimentar a crescente população mundial pressionará a busca por recursos naturais, principalmente pela água. Graziano assume o posto no primeiro semestre de 2012.

“A água se tornou o maior entrave à expansão da produção, especialmente em algumas áreas como a região andina, na América do Sul, e os países da África Subsaariana”, disse Graziano, que atualmente é diretor da FAO para a América Latina e foi ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela implementação do Programa Fome Zero.

Segundo Graziano, apesar da pressão sobre os recursos naturais, é possível pôr fim à fome no mundo por meio de quatro ações principais: a aplicação de tecnologias modernas na lavoura (muitas já disponíveis), a criação de uma rede de proteção social para populações mais vulneráveis, a recuperação de produtos locais e mudanças nos padrões de consumo em países ricos.

“Se pudéssemos mudar o padrão de consumo em países desenvolvidos, haveria comida para todos”, disse o futuro diretor-geral da FAO. “Desperdiçamos muita comida hoje não só na produção, mas também no transporte e no consumo”. Segundo Graziano, enquanto a comida é mal aproveitada em nações ricas, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome em países emergentes.

“Precisamos assegurar que esse 1 bilhão de pessoas sejam alimentadas, que tenham bons empregos, bons salários e, se não pudermos dar-lhes empregos, encontrar uma forma de proteção social para eles.”

Graziano ressaltou ainda que o estímulo à produção de alimentos tradicionais ajuda a diversificar a fonte de alimentos. “Hoje caminhamos para ter poucos produtos responsáveis pela alimentação de quase 7 bilhões de pessoas. Precisamos diversificar essa fonte, criar maior variabilidade.”

Segundo ele, a prioridade dada a alimentos cotados em mercados internacionais tem feito com que a América Latina, por exemplo, venha perdendo a capacidade de produzir feijão – um alimento tradicional altamente nutritivo, produzido a um custo baixo.


A água do mundo, Leo Jaime.

Vou correndo, como se isso me fizesse escapar dos pingos da chuva que se inicia. Menos tempo na chuva, pode ser ilusório, mas tenho a impressão de que ficarei menos molhado, de que chegarei menos ensopado. Com o canto do olho observo o senhor que com a mangueira termina de limpar a calçada, mesmo sabendo que a chuva há de modificar todo o cenário nos próximos instantes. Ou vai trazer de volta toda a sujeira que ele está tirando ou vai lavar outra vez o que ele acabou de lavar.

A água que cai do céu cai purinha, purinha, é o que penso enquanto corro dela. A água que cai do céu. Lembro-me do livro da Camille Paglia em que ela afirmava, ou pelo menos foi o que me recordo de ter dali subtraído, que o homem havia optado por viver em grupo por temor aos fenômenos naturais: chuvas, clima, terremotos etc. Foi preciso se unir contra as forças da natureza. As forças amorais na natureza. Quando passa um furacão levando tudo, bons ou os maus, estão todos ameaçados. Quando chove muito e tudo começa a inundar, anjos e demônios poderão estar, em breve, igualmente submersos. Quando a água falta, senhores e escravos morrem da mesma sede. Há forças mais poderosas que a maldade humana.

Os destinos turísticos são, em sua maioria, lugares interessantes por causa da água. Praias, lagos, rios, cachoeiras: somos naturalmente atraídos pela água. A simples vista para o mar ou rio já torna um ambiente mais interessante. Parece óbvio o que digo mas se levarmos em conta que grande parte do planeta é tomado por água isso passa a ser, sim, digno de nota: vivemos em meio a tanta água e ainda somos tão fascinados por ela! Nosso organismo é também, em sua maior porção, água. Somos água, viemos da água, para a água voltaremos e, enquanto tivermos como aproveitar a vida, queremos fazê-lo perto de alguma fonte de água límpida, na beira de um rio ou mar. Navegando, que seja. Queremos água.

Vivemos, porém, sob o alerta de que a água pode acabar. É preciso economizar. Parece absurdo pois a água é absolutamente indestrutível! Se você toca fogo ela vira fumaça e depois volta a ser água, se congela ela derrete e volta a ser água, seja lá o que se faça com ela, a água volta a ser água depois de um tempo, pura e cristalina. E na mesma quantidade! Pois é. Mas pode voltar salgada. Sabe lá o que é morrer de sede em frente ao mar? O prejuízo maior que a água pode sofrer é a poluição. Uma vez poluída a água pode demorar muitos anos para voltar ao seu estado natural, potável, como os pingos da chuva lá do início.

Volto ao início e ao senhor que tentava varrer uma folha de árvore, pequenina, da porta de seu prédio, segundos antes da chuva começar. Quantos litros de água pura ele desperdiçava naquela tarefa imbecil? Não seria mais fácil varrer a folhinha ou pegá-la com a mão? Aquela água correria para o bueiro e se juntaria ao esgoto cheio de substâncias químicas e de lá iria parar sabe-se lá onde, mas, poluída, demoraria um tempo enorme para voltar para o reservatório d'água da cidade. Este tempo é que pode ser o suficiente para uma cidade entrar em caos por não ter o que beber. A água não vai "acabar" nunca, mas talvez, um dia, não possamos usufruir dela onde e como gostaríamos. Talvez as grandes desgraças naturais não nos metam tanto medo porque o que nos vai derrotar mesmo sejam as folhinhas nas calçadas. Aguadas de estupidez.




 

Assista à entrevista de Antonio Donato Nobre explicando porque sem árvore não há chuva na postagem "Existe um rio acima de nós.", o melhor momento na minha opinião é quando Antonio Donato Nobre diz que levou anos de pesquisa para entender a relação floresta x desertificação e um dia, perguntou a um índio como o mesmo sabia tanto sobre o assunto, o índio respondeu então na maior naturalidade "o espírito da floresta me contou".



Alguns filmes sobre o assunto:
Flow, por amor à água
Cruzando o deserto verde
A história da água engarrafada
Ouro Azul, a guerra mundial pela água

 
Mais informação:
Reuso de águas cinzas na lavanderia
O mito do reflorestamento de eucalipto
Pia cheia de louça suja não é problema, é solução
A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
A casa sustentável é mais barata - parte 06 (captação de águas pluviais)
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Nestlé mata fontes de água mineral em São Lourenço - a "Pure Life" é uma água química

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma jornada criminosa no McDonald´s: a jornada móvel e variável de trabalho onde se paga menos de R$50,00 mensais a menores e ainda aumenta o rombo da nossa previdência


Uma Jornada Criminosa

A sociedade brasileira precisa tomar conhecimento do escândalo que é a cruel exploração do trabalho de nossos jovens por grupos empresariais que visam assegurar lucros a qualquer custo.

Com esta vídeo-reportagem a opinião pública e as autoridades serão levadas à indignação diante desta grave denúncia, ao mesmo tempo que serão estimuladas a refletir as razões pelas quais ainda convivemos com um quadro repugnante passados dez anos de pleno século vinte e um.

Teria razão a ministra ao questionar a ética na magistratura?

Como se permite criar representações irregulares de trabalhadores com o único intuito de justificar a exploração de jovens em seu primeiro emprego?

Cuidado! Cedo ou tarde, você ou alguém próximo a você também será atingido.

A imagem acima foi retirada do site do Sinthoresp, onde se pode acompanhar em tempo real todas as instâncias do processo contra o McDonald´s - Como o McDonald´s aprisiona mais de 40 mil jovens trabalhadores, em um esquema de trabalho ilegal e exploratório.





McDonald's é convidado a explicar denúncia de trabalho escravo

O McDonald's foi convidado pela Câmara dos Deputados a dar explicações, em audiência pública, sobre a sua política salarial e a jornada de trabalho dos seus funcionários.

O requerimento para a apresentação dos representantes da lanchonete na Câmara foi aprovado na quarta-feira (19), pela CTASP (Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público). A audiência ainda não tem data marcada.

A assessoria do deputado Sabino Castelo Branco (PTB-AM), autor da proposição e membro da comissão, informou que o requerimento foi motivado pelo vídeo Uma jornada criminosa, que circula na internet e em redes sociais - em que o McDonald's é acusado de ter política salarial "análoga à escravidão".

De acordo com o vídeo, a lanchonete pagaria aos seus funcionários R$ 2,52 por hora trabalhada, totalizando salário de cerca de R$ 380 por mês - valor inferior a um salário mínimo [R$ 545], por jornada de 44 horas de trabalho, em que horas de intervalo seriam descontadas à revelia dos funcionários.

O cálculo feito pelo McDonald's é chamado de "jornada móvel e variável" e foi denunciado pelo Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores no Comércio e Serviços em Geral de Hospedagem, Gastronomia, Alimentação Preparada e Bebida a Varejo de São Paulo e Região) ao TST (Tribunal Superior do Trabalho). A ministra Dora Maria da Costa, relatora do caso, condenou as práticas da lanchonete.

O desembargador Henrique Nelson Calandra, presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), afirma que "é uma vergonha ter no Brasil focos de trabalho escravo", pois há violação de direitos e garantias básicas dos trabalhadores, segundo registro feito no vídeo.

OUTRO LADO
O McDonald's informou que "realiza o pagamento de todas as horas em que os funcionários estão no restaurante"; que paga o piso salarial determinado por sindicatos, quando cumprida a jornada de 44 horas semanais; e que a jornada de trabalho flexível visa beneficiar funcionários que conciliam o trabalho com horários de estudo.

A empresa ainda declarou que irá apurar casos que fujam a sua política trabalhista --que devem ser considerados exceções.

Por meio de assessoria, o McDonald's afirmou que tem "compromisso em cumprir rigorosamente a legislação trabalhista e segue o que é previsto e reconhecido pela lei".




Dos 10 piores "alimentos" para a saúde, os lanches servidos em redes de fast food constam em quase todos os itens: sorvete industrializado, salgadinho de milho industrializado, pizza pronta, batata frita, batata chips, salsichas, bacon, donuts, refrigerante convencional e dietético.




Mais uma resposta para o rombo da Previdência: o trabalhador recebe menos, a empresa colabora menos e assim, a Previdência recebe menos, mas é obrigada a cobrir a aposentadoria de todos nós.

Quando acreditamos que a Reforma da Previdência deve ser feita sacrificando aposentadorias e pensões, não sabemos que as indústrias, que contam com isenção fiscal por serem cogeradoras de empregos, são na verdade as maiores responsáveis pelo rombo do INSS, já que contribuem financeiramente com uma parte muito menor do que seus efeitos colaterais: as aposentadorias por invalidez e lesões degenerativas que nós, os contribuintes e respectivamente futuros aposentados e pensionistas, temos que arcar.

Nós pagamos 2 vezes por esse flagelo social, no curto prazo, quando arcamos com o prejuízo direto e a longo prazo, quando temos nossos benefícios reduzidos para manter esse sistema destruidor e que se retroalimenta com nossos 5 meses anuais de salário pago em tributos.






 
Mais informação:
Super Size Me: a dieta do palhaço
Farra do Boi na Floresta Amazônica
Carnes Orgânicas, o quê e como comer
Quantos escravos trabalham para você?
Fast Food Nation: uma rede de corrução
A realidade do trabalho escravo no Brasil
Carne certificada pelo Rainforest Alliance não é orgânica
"Carne & Osso" e "Moendo Gente": como a carne chega na bandeja de isopor do mercado
Portal Carne Legal do MP lista frigoríficos irregulares, desmatamento ilegal e trabalho escravo


A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo

Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

New Scientist

Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:

The Network of Global Corporate Control - S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011
Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico.

Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org

Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).

(*) O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma.




A rede capitalista que domina o mundo
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.
A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça

Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.
E isso não é tudo.

Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.
E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.
A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
Barclays plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company







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Quando a Islândia reinventou a democracia
"10 empresas controlam 85% dos alimentos”
A história das soluções, da falência e da mudança
Greenwashing, a mentira verde da publicidade sustentável
Como funciona uma corporação e o que você consome, implica nisso
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)
A crise climática do século 21 foi causada por apenas 90 empresas (incluindo a Petrobrás)?

domingo, 23 de outubro de 2011

10 razões para a abolição total da Pena de Morte


A pena de morte está a ser abolida em quase todo o mundo. A pena capital é considerada desnecessária, ineficaz ou injusta por uma grande maioria de Países do Mundo. Mais de dois terços dos Países do Mundo – 139 – aboliram a pena de morte na lei ou na prática. Enquanto, em 2009, 58 países mantinham esta pena nos respectivos ordenamentos jurídicos, apenas 18 levaram a cabo execuções.

A pena de morte é discriminatória em termos raciais. Vários estudos têm demonstrado consistentemente que a raça, em particular a raça da vítima de homicídio, desempenha um papel fundamental na definição de quem é condenado à morte nos Estados Unidos da América (EUA). Desde 1977, a enorme maioria das execuções (77%) foi de indivíduos condenados por terem assassinado vítimas de raça branca, apesar de os Afro-americanos serem cerca de metade das vítimas de homicídio neste país. Além do mais, os condenados que têm posses têm maior probabilidade de ver os seus processos revistos e identificados eventuais erros de condenação.




A pena de morte assume riscos de irreversibilidade no erro. Desde 1973, 138 pessoas foram libertadas dos corredores da morte nos EUA devido a prova produzida sobre o erro que esteve na base da sua condenação. Muitos outros foram executados apesar das sérias dúvidas relativamente à sua culpa.

A pena de morte não tem efeito dissuasivo como medida de prevenção do crime. Informação do Federal Bureau of Investigation (FBI) demonstra que os 14 Estados abolicionistas, em 2008, mantêm um índice de homicídios idêntico ou abaixo da média nacional dos EUA. O próprio Supremo Tribunal dos EUA afirmou, em 2008, que “Apesar de 30 anos de investigação empírica sobre a área, prevalece a certeza de que não existem estatísticas credíveis que demonstrem que a pena capital de facto impede os potenciais criminosos de o serem”.

A pena de morte é muito dispendiosa. As condenações à pena de morte envolvem custos elevadíssimos, muito mais elevados que os custos dos processos criminais comuns. Os custos mais elevados associados com a pena de morte ocorrem antes e durante o julgamento e não apenas nos procedimentos posteriores à condenação. Tais recursos podem ser usados constritivamente no combate ao crime violento e na assistência às vítimas deste tipo de criminalidade.


A pena de morte é utilizada contra pessoas com sérias doenças mentais. Não obstante a pena de morte ser, nos EUA, supostamente reservado para os “piores” crimes e criminosos, dezenas de prisioneiros foram executados apesar de padecerem comprovadamente de sérias doenças mentais, quer no momento da prática do crime, quer no momento da sua execução.

A pena de morte é arbitrária e injusta. Políticas locais e estaduais, discricionariedade persecutória, a entidade da vítima de homicídio, a situação económica e social do arguido, são tudo factores que contribuem para a decisão de quem vive e de quem morre. Quase todos os prisioneiros do corredor da morte não puderam pagar por um advogado para assegurar a sua defesa durante o julgamento. Não raras vezes, os jurados, devido a defesa e representação inadequadas, ficaram sem conhecer o passado e contexto económico-social da pessoa sobre a qual decidirão se vive ou morre.


A pena de morte é discriminatória em termos geográficos. O local onde o crime é praticado desempenha um papel determinante na definição se dele resultará ou não uma condenação à morte do responsável. Desde 1977, por exemplo, 80% das execuções que tiveram lugar nos ocorreram nos Estados do Sul (37% apenas no Texas). O fato de o Estado dispor ou não de fundos para levar a cabo execuções é também frequentemente condição para optar ou não pela pena capital.

A pena de morte desvirtua o processo dos jurados. As pessoas que são contra a pena de morte podem ser (e são-no frequentemente) removidas pela acusação no processo de seleção dos jurados, privando assim o arguido de um julgamento composto por um leque representativo de pessoas da comunidade. Investigações têm demonstrado que os jurados que são a favor da pena de morte são mais favoráveis à partida a condenações a penas elevadas do que os jurados que não defendem a pena capital.

A pena de morte é incompatível com a Dignidade Humana. Independentemente do método escolhido para matar um prisioneiro, a utilização da pena de morte nega a possibilidade de reabilitação e reconciliação, rejeita a humanidade do criminoso, é inegavelmente cruel e vingativa, ameaça embrutecer os envolvidos no castigo e acrescenta sofrimento da família e amigos do executado ao sofrimento da família e amigos da vítima de homicídio.


Fonte: Anistia Internacional Portugal



As imagens são oficiais da campanha da Anistia para a China, quando dos Jogos Olímpicos no país. Lamentavelmente, a China é a campeã mundial em ações urgentes por prisioneiros de consciência dissidentes do regime.
Oportuno usar as fotos justamente dessa antiga campanha, já que também estamos organizando uma Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, momentos em que a insatisfação popular aparece na frente das lentes do mundo todo e certos abusos de autoridade acabam sendo justificados em nome da "Ordem e Progresso."
Não custa lembrar que temos uma tradição policialesca, os arquivos dos 21 anos de Ditadura Militar nunca foram abertos e até hoje, existem mais de 100 famílias brasileiras que não conseguem enterrar seus parentes, então desaparecidos políticos.
Esses mesmos eventos esportivos supracitados, já estão levando à possível troca de ministro dos esportes e as famosas obras superfaturadas do nosso Pan, nunca foram sequer auditadas. Aquela Vila do Pan, que teria tantos usos futuros, vêm sendo usada para quê exatamente?





Mais informação:
#LegalizarAborto
RIO+20: as primeiras mortes
Redução da maioridade penal
A Anistia Internacional e a Sustentabilidade
Cartões de Natal pela liberdade de expressão
Há 50 anos, o dia que durou 21 anos (e mais 50 filmes)
Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)
Presos pedalam e geram energia para postes em MG em troca de redução da pena




sábado, 22 de outubro de 2011

Odeio Rodeio: fonte de muito sofrimento e prejuízo aos cofres públicos



Por Rita Lee, 2002

Não sou uma ET, mas fico indignada sempre que os terráqueos desrespeitam os outros três reinos do planeta: o mineral, o vegetal e o animal. A tal da imagem e semelhança de Deus conferida à raça humana é uma piada.

Hoje vou falar sobre rodeios. Rodeio é um vergonhoso lixo cultural norte americano onde os animais são submetidos às mais cruéis torturas. Não me refiro aqui a cavalos e bois de raça. Falo dos pobres pangarés vira-latas. E não me venham os defensores dessa indústria, tão milionária quanto imbecil, afirmar que pulam daquela maneira porque são bravos e selvagens. Aqueles pobres animais pulam de dor! Nosso romântico Jeca Tatu hoje se chama John Wayne, um peão cowboy, um atleta profissional da crueldade. O povo brasileiro é festeiro por natureza e os rodeios seriam abençoados não fossem as barbaridades já fartamente comprovadas, mas todas feitas às escondidas do público.

Uma arena como esta poderia apresentar atrações esportivas de verdade, vários grandes atletas do Brasil estão sem patrocínio ou incentivo algum. A festa não perderia seu brilho, não deixaria de gerar empregos e as crianças presentes aprenderiam algo mais dignificante. No entanto este espaço é preenchido por uma corja de sanguinários cujo “esporte” (!?!) é laçar bezerrinhos indefesos, instalar sedém nos machos, enfiar cacos de vidro e cigarros acesos nas fêmeas, e outras práticas nazistas... para que ao abrirem os portões da liberdade esses animais escravos ainda se submetam a mais humilhações diante de um coliseu ignorante. Abaixo a ditadura do sofrimento animal! Abaixo a tortura! Eu odeio rodeio!














Rodeios somam R$ 6,8 milhões no rombo do Turismo
Por Congresso em Foco, outubro de 2011

Tradição no interior do Brasil, os rodeios, acompanhados das festas agropecuárias, reúnem multidões todos os anos. Mas eles também formam um ralo por onde escoaram R$ 6,8 milhões de recursos públicos vindos do Ministério do Turismo. Do total de R$ 80 milhões devidos aos cofres públicos, é esse o montante referente aos rodeios e similares. Quarenta e cinco convênios para eventos desse tipo, firmados entre 2003 e 2009, estão na lista de inadimplentes, cujas verbas repassadas o ministério busca recuperar. Esses recursos foram repassados a prefeituras, órgãos estaduais e, neste caso, principalmente a sindicatos e associações que não conseguiram comprovar o serviço conveniado ou prestar contas como deveriam. Em razão da gravidade das irregularidades constatadas, a pasta quer receber de volta o dinheiro repassado.

A Federação Matogrossense de Rodeio lidera a lista dos devedores, responsável por 26,3% do total devido. O convênio, firmado em julho de 2006, para a realização do 2º Circuito Matogrossense de Rodeio, tradicional na região, destinou R$ 1,5 milhão para o evento. Cinco anos depois, a federação ainda não deu respostas convincentes das irregularidades encontradas na execução financeira do contrato. Em seu site oficial, a Federação afirma que o circuito conta com o apoio do Ministério do Turismo e de grandes empresas, e que é considerado um “exemplo” na organização de rodeios.

Desde que o Circuito de Rodeios foi criado, a Federação recorreu quatro vezes ao Ministério do Turismo. O primeiro convênio firmado com a pasta, em 2005, no valor de R$ 1,2 milhão já está concluído, ou seja, todas as prestações de contas foram feitas no prazo correto. No entanto, outros dois convênios ainda permanecem em período de prestação de contas. No total, a Federação já recebeu do Ministério do Turismo R$ 4,4 milhões. Caso, porém, a entidade não regularize a sua situação, ficará impedida de receber novos recursos. O Congresso em Foco tentou contato com a federação, mas até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Barretos
O maior rodeio do país também está em débito com o governo. A 53ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos recebeu do Ministério do Turismo R$ 1,02 milhão em agosto de 2008, por meio do Clube Os Independentes, organizador do evento. De acordo com o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), há irregularidades na execução física e financeira, ou seja, o grupo não conseguiu esclarecer se o dinheiro enviado pelo ministério foi de fato utilizado para os fins destinados.

Desde 2006, o Clube Os Independentes realizou 13 convênios com o Ministério do Turismo, dos quais, cinco foram excluídos, dois foram concluídos, cinco ainda aguardam explicações e o convênio firmado em 2008 está inadimplente. Neste período, foram conveniados R$ 6,8 milhões no total.

Procurada no final da semana passada, a assessoria de imprensa do clube não respondeu às solicitações de informação feitas pelo Congresso em Foco.

Agropecuárias
No rol das festas agropecuárias, os sindicatos se destacam na lista dos inadimplentes. Do total de 26 convênios ligados ao tema, 18 são de sindicatos rurais que devem juntos R$ 1,2 milhão aos cofres públicos. Em geral, o motivo da inadimplência é a falta de apresentação dos documentos requeridos que comprovem a realização dos eventos.

Quem lidera a lista é a prefeitura municipal de Mineiros, em Goiás, que em 2008 estabeleceu um convênio para a realização da XXIX Exposição Agropecuária do município, totalizando R$ 300 mil. A prefeitura também está inadimplente junto ao Ministério das Cidades, devido a um convênio firmado, em 2003, que destinava R$ 500 mil para programas sociais.

Irregularidades frequentes
Ao todo, nove motivos levaram as instituições a serem incluídas na “lista de devedores” do ministério. Entre as causas mais comuns, estão a falta de prestações de contas ou de comprovação de que o evento foi realizado e o descumprimento da Lei de Licitações. Os convênios foram fechados nas gestões dos ministros Walfrido dos Mares Guia (PTB), Marta Suplicy (PT) e Luiz Barretto, também indicado pelo PT.

Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco a partir do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). O elevado número de irregularidades nos convênios firmados pelo governo federal com entidades não governamentais fez a presidenta Dilma Rousseff assinar na semana passada um decreto restringindo a celebração desse tipo de acordo.

O menor valor, de cerca de R$ 30 mil, foi pleiteado para o 1º Encontro de Intérpretes das Agremiações Carnavalescas Capixaba, realizado em 2007. De acordo com o Portal da Transparência do governo federal, o Grêmio da Escola de Samba Independentes de São Torquato recebeu o valor referido, mas até agora não apresentou documentação que comprovasse a realização do evento.

Prestando contas
Para realizar uma festa, as ONGs e prefeituras assinam um convênio (espécie de contrato) com o Ministério do Turismo, estabelecendo direitos e deveres. Depois que as entidades e municípios recebem o dinheiro e fazem o evento, têm 30 dias para prestar contas. Ou seja, comprovar que realmente fizeram a festa conforme o combinado, incluindo os gastos previstos.

Se alguma parte do evento não foi realizada ou houve outro tipo de falha, o beneficiário recebe uma guia bancária para pagar à União a diferença devida. Se o pagamento não for feito, a ONG ou prefeitura vai parar no cadastro de inadimplentes.

Quinze dias depois, se não pagar o devido ou não comprovar que realmente realizou o evento conforme o combinado, o ministério abre uma tomada de contas especial (processo para recuperar dinheiro público) contra o município ou entidade. O processo é enviado à CGU e, de lá, ao TCU. É o tribunal quem julga a tomada de contas especial da ONG ou prefeitura.

As prestações de contas servem para, por exemplo, comprovar que os recursos foram usados corretamente e que não houve fraude ou desvio de dinheiro público. É um dos meios para se evitar e punir casos de corrupção. Constatado algum problema na prestação de contas, a regra determina a paralisação de novos repasses. No papel, as prefeituras, estados e ONGs que ficam inadimplentes não podem receber mais dinheiro da União. Mas nem sempre isso ocorre na prática.

A fiscalização do Ministério do Turismo é feita à distância. Só uma minoria dos casos é analisada presencialmente. No caso dos eventos, por exemplo, os técnicos verificam fotos do palco, das arquibancadas e os cartazes de divulgação, as notas fiscais e os papéis do processo de licitação. Até o primeiro semestre do ano passado, o ministério só tinha conseguido verificar “in loco” 15% dos eventos feitos com recursos que repassara. Com a contratação de novos servidores, esse índice passou para 35%, percentual que o governo considera “válido”.





Outras questões que passam ao largo da visão idílica que temos do mundo agropastoril, no filme Carne e Osso:
Um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média de toda a população economicamente ativa do Brasil.

Observação minha (Carol), que fui à premiére do documentário e ouvi pessoalmente o depoimento do médico do INSS, que orientou os jovens diretores do filme:
Quando acreditamos que a Reforma da Previdência deve ser feita sacrificando aposentadorias e pensões, não sabemos que as indústrias, que contam com isenção fiscal por serem cogeradoras de empregos, são na verdade as maiores responsáveis pelo rombo do INSS, já que contribuem financeiramente com uma parte muito menor do que seus efeitos colaterais: as aposentadorias por invalidez e lesões degenerativas que nós, os contribuintes e respectivamente futuros aposentados e pensionistas, temos que arcar.

Nós pagamos 2 vezes por esse flagelo social, no curto prazo, quando arcamos com o prejuízo direto e a longo prazo, quando temos nossos benefícios reduzidos para manter esse sistema destruidor e que se retroalimenta com nossos 5 meses anuais de salário pago em tributos.

Por que não fazer do rodeio uma grande festa agrícola-campestre com expositores de culturas vegetais, comidas típicas, roupas artesanais e sim, música regional, festas que varam a noite e até pegação, mas sem as provas de laço-tambor, esporas e afins? As pessoas iam curtir do mesmo jeito e ainda atrairia os defensores de direitos animais. Enfim, seria uma festa boa para todos, incluindo os touros e cavalos.

Atualização de 2014: Para frear queda de público, rodeios buscam diversificar festas





Imagens: Movimento Crueldade Nunca MaisOdeio Rodeio e Onca Defesa Animal 



Mais informação:
Terráqueos
Gaiolas vazias
Caça não é esporte
Zoológicos x Reservas
Circo legal não tem animal
Bike Pólo, para deixar os cavalos em paz
Hipismo, equitação e charretes são insustentáveis e cruéis
Corrida de touros? Não, obrigada, a gente tem bola gigante!
Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo consciência em animais

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Favas olho de cabra orgânicas compradas a granel


São provavelmente os feijões mais bonitos que já vi, rajados em 3 cores distintas: telha, café e creme.
Esses foram comprados a granel e são orgânicos. Um luxo acessível e incrivelmente barato nesses tempos de feijão transgênico.


Deixei de molho por 24hrs em água com um pouco de kefir concentrado. No dia seguinte, lavei e escorri. Então, foi só cozinhar como feijão na panela de barro.
Desprezei a água da primeira fervura e juntei 2 folhas de alga kombu (ou nori), 1 folha de louro e 1 pedaço de gengibre fresco na água do cozimento seguinte, a definitiva.


Depois do feijão cozido, retirei o gengibre e a folha de louro (a alga já havia dissolvido) e refoguei então em azeite, 1 cabeça de alho picado com a linguiça orgânica de frango da Korin, deixei apurar e caprichei no tempero: sal grosso, pimenta de cheiro, 3 cravos da Índia picados em 3 sem as coroas, cominho e gengibre em pó.
Antes de esfriar, mas com o fogo já apagado, juntei meio maço de cenouras orgânicas em rodelas com parte das ramas da cenoura fatiadas e tampei a panela até atingir a temperatura que eu queria, o sufiente para não queimar meu céu da boca.
Para comer puro, como em Portugal, de colher, no prato de sopa e com um pedaço de pão.
Sempre que como feijão, pingo um limãozinho por cima, fortalece o fígado e a vitamina C aumenta a absorção de ferro.

Quem não come carne, substitui por cogumelo Paris fresco



Custo total do panelão de 4 litros: R$20,00











As favas olho de cabra do caldo à moda portuguesa, não foram apenas comprados à granel, mas também são orgânicas. Foram compradas na Grão Integral e as fotos desses grãos orgânicos e a peso seguem ao lado e abaixo.























Mais informação:
Kefir
Baião de Dois
Compras a granel
Panela velha é que faz comida boa
Azeites orgânicos e aromatizados em casa 
Couve chinesa sautée com ramas de cenoura
Sopas que amamos, para passar longe da "comida de doente"
Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso

Outras frutas que ninguém come mais

Jenipapo chocolate e graviola, ao fundo umas carambolas já conhecidas por aqui:


Comprei umas jabuticabas e ganhei graviolas, Seu Roberto é uma gentileza.





Custo de cada pratinho de seriguela e jabuticaba: R$5,00
O saco de cana: R$3,00

Se nunca chupou cana caiana, não sabe o que está perdendo. Mais molinha do que a cana convencional (a que se faz caldo), até meus cães ficaram loucos só de cheirar. Era eu morder esses bambus e as 3 sentarem no meu pé esperando uma rebarba, roeram o bagaço residual até dissolver.





Para ver onde fica essa barraca e a simpatia do Seu Roberto, leia a postagem abaixo:
As frutas que ninguém come mais
Seu Roberto continua vendendo frutas que ninguém come mais em Laranjeiras


Mais informação:
Come-se pelas ruas da Tijuca
Orgânicos podem ser mais baratos
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Farm City: fazendas urbanas para comprar orgânico, local e justo


Mais frutas:
Cupuaçu
Abacate
Limão galego
Banana de macaco
Os melhores smoothies
As melhores mousses de frutas sem açúcar
As principais receitas com morango orgânico

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Onde foi parar o dinheiro destinado à reconstrução da Região Serrana?

Eu tenho 2 amigas de Nova Friburgo, pessoas que perderam tudo nas enchentes e desabamentos do início do ano. Uma dessas moças precisou dormir no centro de desabrigados improvisado na quadra da escola pública local.

Há alguns meses, conversando com ambas, perguntei como estavam as obras de reconstrução, se as famílias já conseguiam ocupar suas casas novamente e, para meu espanto, soube que nada havia sido feito.
A princípio, não acreditei muito, achei que exageravam e pedi fotos, artigos, algo que realmente evidenciasse o problema.

Por coincidência, sou petropolitana e minha família quase toda tem casas de veraneio em Teresópolis, felizmente em áreas não atingidas. Descrevo melhor a experiência de ter sido voluntária da Cruz Vermelha em 2 tragédias ambientais (Região Serrana e Morro do Bumba), na postagem "O Rio de Janeiro das águas de março", onde poderá ser encontrado até um contato da Prefeitura de Teresópolis aos que quiserem adotar os órfãos das enchentes.

Na mesma época, houve o tsunami decorrente de terremoto no Japão e o assunto está bem detalhado em 2 postagens: "Como sobreviver a um tsunami" e "Por que Tóquio não alaga?"

Hoje, as fotos chegaram, justamente comparando a situação da Região Serrana Carioca com o Japão, veja por si mesmo a vergonha que nossos governantes cometem impunemente debaixo dos nosso narizes:














Mais informação:
Por que Tóquio não alaga?
Como sobreviver a um tsunami
O Rio de Janeiro das águas de março 
A Anistia Internacional e a sustentabilidade
Carta aberta dos bombeiros do Rio de Janeiro à população

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O mar não está para peixe: Slow Fish ou "O fim da linha"


O mar não está para peixe

Todos os anos, 78 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar são capturados nos mares do mundo – quantidade insustentável que ameaça a vida marinha. Para ajudar a evitar o colapso, varie o cardápio: além de diminuir a pressão sobre as espécies, você ainda descobrirá novos sabores.

Você sabia que há peixes proibidos para consumo e que ainda são vendidos? Outros, ainda, podem ser comidos, mas com moderação. Mas claro que também há espécies em abundância no Brasil! Está tudo super bem explicado no infográfico O mar não está para peixe que destaca os peixes mais consumidos nas regiões sul e sudeste. Consulte!

Eis algumas outras dicas bacanas para você comer com consciência:

- Certificações para produtos marinhos, como o Dolphin Safe e o Friends of the Sea, ajudam a comprar com critério. Eles atestam que a pesca é feita de forma sustentável, que não há captura de espécies ameaçadas durante a atividade e que a empresa tem projetos de responsabilidade social.

- Comprar carne com origem certificada ou perguntar no açougue quem são os fornecedores evita o consumo de produtos que venham de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. O frigorífico JBS-Friboi e a marca Taeq, por exemplo, fornecem código de rastreamento que mostra, pela internet, informações e fotos da origem do alimento. Dá até para consultar na hora da compra, pelo celular.

- Prefira frutas, legumes e verduras locais, pois eles emitem menos gases de efeito estufa no transporte. E opte por produtos da época, que consomem menos água.

- Evite o desperdício. Congele a sobra de vinho em formas de gelo e use-a para cozinhar. O Sesc São Paulo tem receitas para aproveitar bem os alimentos.

- Produtos embalados em papel e vidro tem menos impacto no ambiente do que aqueles em plástico e isopor. Prefira embalar alimentos com papel manteiga, no lugar do filme plástico.

- Na hora de comprar orgânicos, oriente-se pelos selos de certificação. Em janeiro de 2011 entrou em vigor uma lei que permite ao Ministério da Agricultura certificar os produtores com o selo do Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica.





No mundo 70% das espécies comerciais pesqueiras estão com estoques baixos; no Brasil, índice chega a 80% no Sudeste

A redução drástica da população de algumas espécies de peixes e crustáceos e o desaparecimento de outras foram tema de debate na Conferência da Biodiversidade, em Nagoya, Japão, que acaba na sexta-feira. Especialistas repisaram o alerta: por milênios o ser humano encarou o mar como fonte inesgotável de alimento, mas isso não vale mais, não no planeta de 6,6 bilhões de habitantes. O grande vilão do fenômeno é a pesca desordenada, que no Brasil já ameaça mais de 80% dos estoques do Sul e Sudeste e 50% no Norte e Nordeste.

Governo limita pesca de sardinha e lagosta
O relatório Global Ocean Protection, recém-lançado em Nagoya, é claro. “Alguns estoques estão próximos do colapso e não deveriam mais ser pescados. E todos deveriam ser alvo de planos de uso sustentável de longo prazo”, afirma Caitlyn Toropova, uma das autoras do estudo.

Relatório divulgado este mês pela ONG World Wildlife Foundation indica que 70% das espécies comerciais do mundo, como o bacalhau do Atlântico Norte e o atum do Mediterrâneo, estão com estoques baixos.

No Brasil, o Censo da Vida Marinha divulgado este mês pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) indica que, das 1.209 espécies de peixes catalogadas na costa e nos estuários, 32 são sobre-exploradas. O caso dos crustáceos é ainda pior: a sobrepesca afeta 10 de 27 espécies.

A situação é agravada pela falta de políticas de ordenamento da atividade pesqueira. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) calcula em 350 mil o número de pescadores profissionais do País, que respondem por 70% da captura de espécies marinhas na costa. De acordo com o MPA, existem 60 mil embarcações artesanais e cerca de 10 mil industriais nos 3,5 milhões de quilômetros de quadrados de mar sob jurisdição brasileira.

Pelos números oficiais, foram tiradas dos mares brasileiros 585.671,5 toneladas de pescado em 2009. Mas o sistema de licenciamento, a permissão para a pesca de uma determinada espécie, foi criado nos anos 70 e 80, quando os estoques eram outros.

“É comum, na ausência de um recurso para o qual tem permissão de pesca, que o pescador se volte para outro. A verdade é que não se sabe quem está pescando o quê e com qual licença”, diz o professor Jose Angel Alvarez Perez, integrante do Grupo de Estudos Pesqueiros da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Segundo Perez, existem espécies em que há sobrepesca há décadas, para as quais não se deveria mais conceder licenças de captura, como a corvina. “E há outras, como os linguados, para as quais não há nenhuma instrução normativa para a captura.”

“Na Europa, diferentes países dividem os recursos e isso favoreceu a normatização e a geração de informações. Os primeiros relatos de sobrepesca na Europa datam do século 19”, afirma Antonio Olinto Ávila da Silva, pesquisador do Instituto de Pesca (IP) de São Paulo.

No entender de Perez, da Univali, o problema não é tanto de falta de informação, mas de adoção de políticas efetivas. "Em 2004 o MMA lançou uma lista das espécies ameaçadas de extinção e pela sobrepesca. A ideia era que, a partir da lista, o sistema de licenciamento para embarcações pesqueiras fosse revisto.”

A presidente da Associação Litorânea Extrativista do Estado de São Paulo Isaura Martins dos Santos, de 54 anos, confirma a informação sobre o déficit de monitoramento. "A gente pesca tudo quanto é tipo de peixe, carapeva, parati, peixe-espada, corvina. Não fazemos uma pescaria específica, isso só de camarão, mas o que acontece é que a escassez é para tudo. O que diminuiu foi a quantidade, não o tamanho”, argumenta Isaura, que, além de pescar há 24 anos, é casada com um pescador.

Um dos problemas apontados por especialistas é a falta de entrosamento entre as instituições responsáveis pelo licenciamento e pela fiscalização da pesca. “Imaginávamos que a criação do Ministério da Pesca fosse melhorar o problema da governança, mas isso não aconteceu, porque o MPA e o MMA não trabalham integrados. O MPA existe para fomentar a produtividade e tem mais força política do que o MMA”, diz Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

Passivo. “A nova Lei de Pesca foi sancionada no ano passado, mas há três anos estamos criando um novo sistema de permissões. Só que o passivo é muito grande”, diz Cleberson Carneiro Zavaski, secretário-executivo do MPA. “No passado foi incentivado um crescimento desordenado que potencializou a sobrepesca de algumas espécies.”

Para Ávila, do IP, é preciso diferenciar sobrepesca de colapso. Segundo ele, se bem administrada a sobrepesca é uma ferramenta importante para o manejo dos estoques. “Quando você pesca mais do que deveria, significa que o estoque que ficou na água vai ter mais condições de se reproduzir: mais espaço, mais alimento etc. Só quando há sobrepesca por anos seguidos é que os estoques começam a cair.”

“A pesca tem uma importância muito mais social do que econômica e as políticas públicas deveriam levar isso em conta. No Estado que mais pesca no País, Santa Catarina, a participação da pesca no PIB é risível”, diz Ávila. “O processo de gestão pesqueira tem de ser participativo. Não adianta criar uma boa lei se não houver um trabalho intenso com uma população pouco alfabetizada, para a qual a pesca artesanal é a principal fonte de renda.”

TUBARÃO
Barbatanas, carne, óleo de fígado, cartilagens e peles: tudo se aproveita do tubarão. Por isso ele é cobiçado. O preço do quilo da barbatana do tubarão-martelo-recortado chega a US$100.

BACALHAU
O maior estoque do mundo de Bacalhau do Atlântico Norte (Gadus morhua) está no Mar de Barents, ao norte da Noruega e da Rússia. Ele está na lista de espécies vulneráveis da IUCN

ATUM AZUL
Usado nos sushis, o bluefin" está tão ameaçado que tem cotas de captura na Europa. Em junho, a temporada de pesca foi abreviada, porque a cota foi superada. Os estoques caíram 80% em 40 anos

CORVINA
Espécie mais pescada no Sudeste depois da sardinha, está sobre-explorada há três décadas. É capturada com outras espécies por pescadores que têm licença para "peixes diversos"

LAGOSTA
Em 1995, o Brasil pescou 10.338 toneladas de lagosta, o maior volume dos últimos 15 anos. Depois, a produção caiu. Hoje está na casa das 7 mil toneladas. O Nordeste é o maior produtor do País

CAMARÃO-ROSA
Está na lista de espécies sobre-exploradas do MMA. O volume pescado oscila bastante historicamente. Em 2006, foi registrada a maior captura dos últimos anos: 12.382 toneladas


Todas as 61 espécies conhecidas de atum entraram para a lista de animais ameaçados de extinção

Pela primeira vez na história, todas as espécies de peixes da família dos escombrídeos - como atuns, cavalas e bonitos, bastante utilizados na alimentação humana - e os bicudos, como peixes-espada e merlins, entraram para a lista de animais ameaçados de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

Os resultados do estudo, que será publicado hoje na revista científica Science, mostram que a situação é pior para as espécies de atum. Cinco das oito espécies de atum foram enquadradas na categoria de ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção. Entre eles, o atum-azul (Thunnus thynnus), comumente utilizado na culinária, que está sob risco de desaparecer dos oceanos.

"É a primeira vez que pesquisadores, ictiologistas (especialistas em peixes) e conservacionistas se unem para produzir uma análise da situação das espécies de peixes mais utilizadas comercialmente", afirma Bruce B. Collette, pesquisador da IUCN e principal autor do estudo.

Segundo ele, os resultados da pesquisa serão de inestimável valor para ajudar os governantes a criar políticas públicas de conservação das espécies. A principal ameaça às espécies é a sobrepesca e a falta de engajamento de governos na proteção dos animais. Muitas das espécies de atum, por exemplo, são exploradas por companhias multinacionais cuja regulação é difícil. As populações de atum-azul estão caindo desde a década de 1970.


IBAMA apreende oitenta quilos de lagosta ilegal

Oitenta quilos de lagosta foram apreendidos nesta manhã de sábado (04 de junho) em Beberibe, a 120 km de Fortaleza, por agentes de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Os quatro pescadores detidos não tinham autorização para pescar na área e estavam utilizando compressores, o que é proibido por lei.

O Ibama tem realizado fiscalizações constantes na cidade desde a última sexta-feira (03 de junho) após receber várias denúncias anônimas. A embarcação foi encontrada por volta das 6 horas, na reserva extrativista da Prainha do Canto Verde e, segundo o chefe da unidade de conservação, Alexandre Caminha de Brito, não apresentava registro. “A lancha se chama Navegantes, nem ela nem os quatro tripulantes detidos apresentavam registro ou qualquer autorização”, afirma Brito.

A pesca na área é permitida apenas para consumo dos moradores ou para pescadores com autorização especial, de acordo com Brito. Reservas extrativistas têm proteção federal. Os tripulantes serão encaminhados à delegacia. “Agora temos de achar o dono da embarcação”, diz o chefe da unidade. Os 80kg de lagosta apreendidos serão doados a uma instituição de caridade.




Governo espanhol ocultou durante sete anos estudo sobre arsênico e metais pesados em peixes

Que peixes como o espada, o cação ou a tintureira tinham altos níveis de mercúrio não é surpresa. Um relatório oficial de dezembro de 2003, elaborado pelo Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), encontrou uma concentração muito superior à permitida em amostras das três espécies recolhidas no Atlântico e no Índico. No entanto, o relatório foi qualificado como confidencial e todos os governos espanhóis desde então se negaram a divulgá-lo. A organização ecologista Oceana, depois de um litígio de mais de três anos, conseguiu que a Audiência Nacional (Ministério Público) lhe desse acesso ao texto. O Ministério do Meio Ambiente afirma que o relatório era considerado interno. Reportagem de Rafael Méndez, El País.

Em 5 de dezembro de 2003, o IEO deu por concluído seu grande estudo de arsênico e metais pesados em peixes e mariscos de interesse comercial. O relatório consta de três volumes nos quais analisa a contaminação em 90 espécies. Os observadores do IEO colheram centenas de amostras em alto-mar e nas peixarias, de tudo o que se come na Espanha. Suas 321 páginas analisam a contaminação de todas as espécies possíveis, desde o salmão à rosada, do mexilhão à sépia.

No entanto, ficou fora um anexo rotulado de confidencial, no qual se observavam níveis alarmantes de mercúrio, muito acima do máximo de 1 mg de mercúrio por quilo de peso úmido de pescado. Trata-se das análises de “marrajo” (que se vende como cação), peixe-espada (imperador) e tintureira (espécie de tubarão). Às vezes, e de forma fraudulenta, podem-se vender uns por outros nas peixarias.

O resultado não deixou dúvidas: 62,5% das 128 amostras de marrajo superavam o nível máximo permitido de mercúrio; 54,2% das amostras de peixe-espada estavam acima do limite legal de mercúrio e 79% superavam o limite de cádmio. Na tintureira, o número de amostras com concentração superior à permitida é de 50%.

Os níveis de metais no atum vermelho, por sua vez, são muito menores, já que somente quatro amostras superaram o limite.

Em 2006 a Oceana teve conhecimento da existência da decisão e o pediu ao Meio Ambiente, segundo lembra Xavier Pastor, diretor da organização ecológica. “Não quiseram nos dar porque era alarmante, como se viu. A contaminação por metais pesados em grandes pelágios é um tema sério, mas temiam o impacto que poderia ter sobre o setor pesqueiro se fosse divulgado”, explica Pastor.

A Lei de Acesso à Informação Ambiental, de 2006, obriga a que todos os documentos do Meio Ambiente sejam públicos, como estabeleceu o Convênio Internacional de Aarhus. No entanto, o ministério se negou e a Oceana recorreu à Audiência Nacional. Em dezembro de 2009 obteve uma decisão favorável, mas mesmo assim o departamento decidiu enviar um ano depois um relatório mutilado. Em março passado, depois da queixa pública da Oceana, o ministério lhe enviou o relatório.

Em 14 de abril, com o relatório nas mãos da ONG, a Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição, do Ministério da Saúde, redigiu a recomendação de que as crianças menores de 3 anos e as grávidas não comessem atum vermelho nem peixe-espada, tubarão ou lúcio.

Um porta-voz do departamento dirigido por Rosa Aguilar explicou ontem que durante todos esses anos o ministério considerou que se tratava “de um ditame interno para ser enviado à Comissão Europeia” para que decidisse.

Em organizações ambientalistas como Ecologistas em Ação, estão há anos alertando para o problema do mercúrio. Pastor pede que o Meio Ambiente proíba o uso de células de mercúrio nas usinas químicas que produzem cloro, uma das formas como o metal chega à cadeia alimentar dos grandes peixes, e critica que o governo pactuasse com os fabricantes para prolongar a vida dessas instalações. Além disso, Pastor explica que nos EUA grandes redes de supermercados como Wal-Mart fizeram acordos com a Oceana para que em suas peixarias apareça um grande letreiro com a recomendação de que as crianças não consumam esses produtos: “Esperamos o mesmo na Espanha”.

Recomendações:


- A Agência Espanhola de Segurança Alimentar e Nutrição recomenda que as grávidas e lactantes e os menores de 3 anos evitem consumir esses peixes. Para crianças de 3 a 12 anos se aconselha limitar seu consumo a 50 g por semana ou a 100 g em duas semanas.

- A Comissão Europeia recomendou em 2008 que as grávidas ou lactantes não consumam mais que uma porção de menos de 100g por semana de grandes peixes predadores como peixe-espada, tubarão e lúcio.

- Nos EUA, a autoridade alimentar (FDA) e a agência ambiental recomendam que grávidas e crianças pequenas não comam tubarão, peixe-espada ou “blanquillo”. Para o atum claro de lata e outros peixes como o salmão, aconselham no máximo duas ingestões por semana. No caso do atum branco, afirmam que contém maiores níveis de mercúrio que o atum claro de lata, por isso aconselham no máximo uma ingestão por semana.

Setor pesqueiro pede retificação à Saúde por “alarme desnecessário”
O setor pesqueiro reagiu ontem com irritação à recomendação da Agência Espanhola de Segurança Alimentar (AESAN) que desaconselhou o consumo de peixes espada, tubarão e atum vermelho por grávidas, mulheres em fase de lactância e crianças menores de 3 anos, devido a seu alto conteúdo de mercúrio.

A ministra da Saúde, Leire Pajín, tentou minimizar o assunto e defendeu que os cidadãos podem “consumir esses alimentos com plenas garantias”, já que a advertência da Aesan é “só um conselho para que determinadas populações sejam mais cuidadosas em sua alimentação e evitem riscos”.

A Associação Nacional de Armadores de Navios Atuneiros e a de Fabricantes de Conservas esclareceram que a recomendação se refere exclusivamente ao atum vermelho, que é capturado no Mediterrâneo e consumido fresco. As conservas são elaboradas com atum claro, atum branco e bonito do norte, três espécies de tunídeos tropicais fora de suspeita, já que procedem dos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico. Juan M. Vieites, secretário-geral dos conserveiros defende que o atum enlatado cumpre escrupulosamente a norma vigente sobre os níveis toleráveis de mercúrio e acrescenta que os benefícios do pescado são indubitáveis: “Nossos produtos não só são saudáveis como têm importantes propriedades nutricionais. O atum claro contém proteínas e ômega 3, o grande protetor do sistema cardiovascular”.

Javier Garat, secretário-geral da Confederação Espanhola de Pesca (Cepesca) e presidente da Associação de Organizações Nacionais de Empresas Pesqueiras da UE, acredita que “se criou um alarme desnecessário”, ao aplicar recomendações mais estritas que as emitidas pela Comissão Europeia, que indica limitar o consumo de atum (sem especificar o tipo) a duas refeições por semana e o de peixe-espada ou tubarão a menos de 100g semanais para esse coletivo.

Pedro Jiménez, da organização de produtores de tunídeos e pesca fresca de Tenerife Islatuna, queixa-se também de um “excesso de zelo” por parte das autoridades: “A tendência é proibir tudo”, afirmou Jiménez, lembrando que a pesca do atum vermelho está muito reduzida devido às cotas estabelecidas pela UE para preservar a espécie. “Na primeira semana da campanha deste ano já esgotamos a cota”, explicou Jiménez. Das 2.400 toneladas de atum vermelho que correspondem aos pescadores espanhóis, 209 são para as ilhas Canárias (1,2%).




Devagar com a rede, o peixe é fraco!

Na ensolarada tarde de sábado, 27 de maio, um pescador animava o píer em frente ao pavilhão Fiera di Genova oferecendo seus produtos: "Dois euros pela caixa de sardinha. Quem vai querer a lula? Olha, que está acabando". O pequeno leilão de peixes fresquíssimos improvisado ao ar livre, à beira do mar da Ligúria, não falhou uma única vez durante o encontro do Slow Fish, na cidade italiana de Gênova, entre os dias 27 e 30 de maio.

O Paladar participou dessa quinta edição do evento organizado a cada dois anos pelo Slow Food com os peixes como tema. Neste ano, a atenção de participantes do mundo todo se voltou para uma outra espécie em extinção: os pequenos pescadores.

Representados por cooperativas de várias regiões da costa italiana, os pescadores estavam ali para confirmar que vivem tempos difíceis. São uma espécie ameaçada, vítima da superexploração dos recursos do mar por pesqueiros industriais, que estão esgotando os estoques de peixe, especialmente perto da costa, onde os pescadores atuam com seus barcos.

Ao celebrar os pequenos pescadores, o Slow Fish acabou fisgando um peixe grande: pela primeira vez, a mais alta representante europeia para assuntos marítimos e da pesca compareceu. Ao lado de Carlo Petrini, fundador do Slow Food, a comissária Maria Damanaki foi enfática: "Podemos mudar a forma como comemos, mas precisamos é mudar a forma como pescamos".

Durante o encontro houve mais de 50 atividades diárias, entre documentários, workshops, degustações e palestras. Foi fácil se deixar levar no meio de tantas coisas interessantes para ver e provar. Pescado siciliano, peixes defumados irlandeses pareados com uísque e cerveja. Histórias narradas por pescadores gregos da Trácia. Degustação de peixe às cegas. Não dava para perder nada. E fora das salas, na feira, havia incontáveis espécies de peixe e frutos do mar para provar.

Quem visitou o Slow Fish neste ano saiu da Fiera di Genova com a certeza de que há muito peixe diferente no mar. E que é possível ser sustentável a partir de gestos simples, como estar aberto às novidades e escolher o peixinho esquisito, mas saboroso, que está na época.

Com grande apelo político, o encontro deste ano reforçou o compromisso dos pescadores, palestrantes e visitantes de lutar por uma mudança drástica na legislação pesqueira. Só a partir dela é que se garantirá que quando um pescador jogar seu anzol no mar, terá a certeza de que poderá levar para casa a refeição do dia.


Esperança para a vida marinha, parque mexicano tem recuperação impressionante

O local de vida submarina selvagem mais próspero fica ao extremo sul da península mexicana Baja: segundo um novo estudo, o Parque Nacional Cabo Pulmo é a reserva marinha mais robusta do mundo.

Uma análise de 10 anos no local revelou que a quantidade total de peixes no ecossistema da reserva – a biomassa – cresceu mais de 460% de 1999 a 2009.

“Um aumento de biomassa de 463% em uma reserva tão grande quanto Cabo Pulmo (71 quilômetros quadrados) representa toneladas de novos peixes produzidos a cada ano. Nenhuma reserva marinha no mundo tem mostrado tal recuperação dos peixes”, disse Octavio Aburto-Oropeza, principal autor do estudo.

Cidadãos que vivem ao redor de Cabo Pulmo, local previamente esgotado pela pesca, estabeleceram o parque em 1995 e cumpriram rigorosamente as restrições. “Nós nunca nem sonhamos com extraordinária recuperação da vida marinha em Cabo Pulmo”, disse o pesquisador Enric Sala. “Em 1999, havia apenas peixes médios, mas, 10 anos depois, o local está cheio de grandes peixes-papagaio, garoupas, pargos e até tubarões”.

Segundo os autores do estudo, o resultado mais surpreendente da pesquisa é a descoberta de que criaturas do mar em um local esgotado podem se recuperar até um nível comparável a locais remotos, onde nunca houve pesca por seres humanos.

Fatores como a proteção de áreas de desova de predadores de grande porte foram a chave para a robustez da reserva. Mais importante ainda, a aplicação do povo local, liderada pela ação determinada de algumas famílias, tem sido um fator de sucesso do parque.

Capitães de barco, mergulhadores e outros nativos trabalham juntos para cumprir os regulamentos do parque, protegendo a fauna e se esforçando para manter o oceano limpo. “Acreditamos que o sucesso de Cabo Pulmo se deve em muito à liderança local, a autoaplicação dos nativos, e o apoio geral da comunidade”, disseram os pesquisadores.

Reservas marinhas têm ajudado a reduzir a pobreza local e aumentar os benefícios econômicos. A recuperação do parque gerou ecoturismo, incluindo mergulho nos recifes de coral e caiaque, tornando o local um modelo para áreas degradadas pela pesca no mundo todo.

Os cientistas estão se esforçando para monitorar recifes rochosos ao longo da península Baja Califórnia, que se estende desde Puerto Refugio a Cabo Pulmo. Durante os 10 anos de estudo, os pesquisadores descobriram que a riqueza de espécies de peixes de Cabo Pulmo floresceu a um ponto de grande biodiversidade.

Animais como tubarões-tigre, tubarões-touro e tubarões-de-pontas-negras-de-recife aumentaram significativamente. Os cientistas continuam a encontrar evidências de que tais predadores do topo da cadeia alimentar mantêm os corais saudáveis. Outros grandes peixes em Cabo Pulmo incluem garoupas do Golfo, baúnas e garoupas leopardo.


Sugestão de filme: The end of the line (O fim da linha)

Filmado ao longo de dois anos, The End of the Line segue o jornalista e autor do livro no qual o documentário é baseado, Charles Clover, enquanto este confronta políticos e restaurantes célebres que mostram pouca preocupação pelos danos que causam aos oceanos.

Filmado pelo mundo fora - desde o Estreito de Gibraltar até às costas do Senegal e Alasca, passando pelo mercado do peixe em Tóquio - e mostrando cientistas de renome internacional, pescadores locais, e fiscais da pesca, The End of the Line é um alerta para o mundo.

No filme são mostradas imagens em primeira mão dos efeitos da nossa paixão pelo peixe como fonte de alimento, do impacto sobre a vida marinha causado pela enorme sobrepopulação de águas vivas e as profundas implicações de um mundo sem peixe, que causaria certamente a fome em grande escala.





Para quem quiser se aprofundar mais nas questões acima: Sea Sheperd

O Instituto Sea Shepherd Brasil – Guardiões do Mar integra a Sea Shepherd Conservation Society, baseada nos Estados Unidos que também tem escritórios na Austrália, Canadá, Inglaterra, Holanda, França e África do Sul. A Sea Shepherd Conservation Society – SSCS foi fundada em 1977, nos Estados Unidos, pelos fundadores do Greenpeace, que, ao engajarem-se nesse novo projeto, criaram um movimento de caráter mais ágil, objetivo e ativista. Atualmente, a Sea Shepherd é considerada a ONG de proteção dos mares mais ativista do mundo e conta com a participação efetiva de milhares de voluntários em todo o planeta.


Aproveite que leu até aqui e assine a petição online contra a pesca de barbatanas de tubarões


A primeira imagem são logos reunidas de produtos dolphin safe, aplicam-se especialmente a atum enlatado.
As duas seguintes do Greenpeace
A quarta imagem é um dos cartazes da campanha "Publicitários sem Fronteiras" divulgada pela Ong Cea
 
 
Mais informação:
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