quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Na Juréia: os cães


O que mais se encontra por aqui são cães abandonados, parte o meu coração ao meio. A cultura local nem imagina a castração como uma opção viável à saúde pública, sentem pena do cão "perder a diversão". Você senta para conversar com um local e ouve como resposta "Não deve dar mais cria, já foram 8 na primeira ninhada e agora, na segunda, só nasceu um, morto."
Eu silencio e fico sem saber o que fazer com tantos cães vagando pelas ruas e estradas, magros, fedidos e mal tratados. Bons animais, fortes e que dariam a melhor de todas as companhias - um deles já está "morando" na varanda do alojamento feminino, demos comida e água e ele ficou por ali, dorme no capacho e nos segue abanando o rabo, trago fotos dele em outra postagem, o "Alegria" merece exclusividade. Hoje cedo, pulou em cima de mim, quando saí para a sede, exatamente como um animal de estimação faria. Morri de saudades das minhas 3 meninas, que deixei no Rio.

O cão das fotos acima e abaixo, Sheik, foi uma certa paixão à primeira vista, imenso e de profundos olhos verdes, tem a pata maior do que o meu pé e a orelha do tamanho da minha mão. Ele é tão grande e bobo, estabanado, que nem faz idéia do próprio tamanho e força. Ainda é filhote com menos de 1 aninho. Um querido, imenso e fedorento, mas pelo menos tem dono, o proprietário do botequim em frente ao alojamento, do outro lado da estrada.



Outro xodozinho, bebê e pretinho, sendo transportado junto com mudas de bananeira num carrinho de mão:



Tigrado, bebê e com um gêmeo para completar, quase do tamanho do meu pé, de chamego numa birosca local:



De coleira, abandonado na rodoviária de Peruíbe (1hr e 30min da Estação Ecológica da Juréia):



Abandonados na Cachoeira do Paraíso (dentro da Estação da Juréia) e adotados pelos caiçaras que exploram os bares locais, cheios de carrapato e comendo restos:




Sobem trilha mato acima e ficam esperando pela gente:



O mais querido do grupo, encontrado perdido numa praia deserta, cego de um olho e cheio de carrapatos imensos (do tamanho de azeitonas, achei tratar-se de verrugas), carinhoso e treinado, nos acompanhou por 3 praias mata acima e sumiu no mato atrás de um lagarto:


Comigo numa praia, cão de companhia, sentava quando o grupo parava:



Os vira-latas castrados daqui de casa:
Olímpia
Margarida
Pipa


Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita do ponto de vista genético.




Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Castre seu gato: 1 único casal gera até 60.000 descendentes em 1 década
Castre seu cão: 1 único casal gera até 80.000.000 de descendentes em 1 década

6 comentários:

Lúcia disse...

Também fico de coração partido quando vejo cães abandonados, com fome, solitários...
A capacidade deles de amar e compreender o ser "humano" é maior que a nossa de amá-los e aceitá-los como são.
Beijo

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

O povo tem pena de castrar, mas não tem de largar à própria sorte uma ninhada de 8 (???).
Sem comentários.

Beijos e adorei te ver por aqui, apareça pela Juréia :-)

Amanda Hummel disse...

Uma vez, assistindo uma palestra sobre energia cósmica... a palestrante nos falou que sempre que encontrassemos um cachorro abandonado, com fome, sujo, etc... que era pra nós imaginarmos uma luz amarela em volta dele, e que tivesse alguém cuidando dele. =)

Equetus disse...

bela pessoa aquela que gosta e protege animais parabéns.

Tenho dois cães castrados um deles foi abandonado.

Abraços

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Pessoal, adotamos um cão por aqui e agora, precisamos encontrar uma casa para esse animal doce e obediente quando partirmos do alojamento:

http://caroldaemon.blogspot.com/2012/01/na-jureia-eu-preciso-da-sua-ajuda.html

Nos dêem uma força, por favor
Carol

Anônimo disse...

Carol, horror essa situação. Eu não aguentaria. Não tem ONG atuando em alguma cidade próxima que possa tomar alguma providência? Santos eu sei que tem. Vou ver com a Bia, do Blog Gatoca, pelo menos pra castrar toda essa "moçada".
Tirando essa lado, uma experiência única. Contar tudo com fotos vai ser um livro.
Bjs.
Ana Maria