segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Se precisarem de mim, estou na Jureia


Vocês não ficaram sabendo, mas eu concorri a uma vaga no Programa de Voluntariado da Estação Ecológica da Jureia Itatins, na Mata Atlântica em São Paulo.
O resultado saiu dias antes da vitória no TOPBLOG, eu já era TOP3 e fiquei muito feliz em ser um dos escolhidos para o Programa de Educação Ambiental coordenado por eles na Unidade de Conservação. O Programa tem 2 fases de 1 mês cada e, se tudo correr bem, estarei por aqui até o final de Fevereiro, ao final da segunda fase.
A logística não foi das mais simples, moro sozinha e tenho 3 cães: Olimpia, Margarida e Pipa. Então era preciso arrumar um lugar para elas que não fosse uma exorbitância e arrumar alguém para alugar meu apartamento, fazendo então desse rendimento a fonte para pagar a hospedagem dos cães, afinal o Programa é voluntário e longo.
Quando tudo ficou acertado, com o inquilino e a hospedagem veterinária, foi necessário rearrumar toda minha casa (que tem 4 andares), realocar todos os móveis e limpar as paredes justamente do andar em que os cães ficavam (estavam imundas). Tudo arrumado e veio a "melhor" parte: encaixotar meus objetos pessoais e deixar tudo empilhado no closet do último andar, carregando tudo escada acima. Para dar um ar mais dramático à coisa toda, Pipa havia sido castrada há 2 semanas e ainda estava com os pontos na barriga, fui deixá-las na hospedagem de coração muito apertado, fiz mil recomendações e estou ligando dia sim, dia não. Por sorte e felicidade do destino, a hospedagem é de propriedade de uma enfermeira e a veterinária dos cães também a visita semanalmente como voluntária.

Estou na Jureia desde o dia 26 de dezembro e só agora, tive tempo de sentar na frente do computador. Onde estou alojada, tampouco há acesso à internet, então foi preciso sair do campo e vir à sede local da Fundação Florestal na estrada principal, que gentilmente me cedeu à estação de trabalho de um dos seus funcionários.

Já fiz quase 500 fotos!
Não vejo a hora de baixar as imagens e mostrar para vocês. O alojamento é o mesmo dos Guarda Parques concursados e fica um pouco afastado, todo construído em madeira e de pré-fabricação, me lembrou de cara a casinha do "Guarda Belo" do antigo desenho animado do "Zé Colméia".
O acesso é por uma estradinha bem esburacada de uns 8km, que não leva exatamente a uma cidade, mas a um vilarejo (Guaraú), onde não existe uma lan house para contar história. A cidade (de verdade) mais próxima é Peruíbe, a 1hr e meia com ônibus que só passam 2 ou 3 vezes por dia. Não dá para ficar indo e voltando, mas vou tentar manter pelo menos 2 postagens semanais. A equipe que coordena o projeto é muito acessível e leu o blog antes de eu vir para cá, é claro.
Aproveitei o ensejo e trouxe de presente para eles o DVD do curso da Sociedade do Sol, que fiz ano passado e descrevo na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (Aquecedor Solar de Baixo Custo a R$35,00)", onde se ensina a fazer essa invenção brasileira e revolucionária de patente livre e assim, quem sabe a dependência do gerador pode diminuir, como a própria conta de luz convencional.

O lugar é lindo e por coincidência, este ano, todas as voluntárias são mulheres. Para quem trabalhou embarcada e também dividiu apartamento com quase 10 amigos homens, morar num alojamento feminino é muito diferente, diferente e tagarela. Estou achando engraçado ver tanta roupa de cama e banho florida em tons de rosa, necessaires imensas e cheias de potes multicoloridos. Logo eu que só trouxe 2 cosméticos: xampu anticaspa e desodorante, por coincidência ambos de uso masculino - os perfumes doces dos femininos me dão alergia.

Já fiz muita trilha em mata fechada, visitei praias de acesso proibido a turistas e no fundo, o trabalho executado em campo lembra muito o que eu desenvolvia embarcada: orientar as pessoas dos riscos inerentes e lembrar que nenhum acidente é um fato isolado, seja ambiental ou humano.

A Jureia é a segunda maior área preservada de Mata Atlântica do país, são quase 80.000 ha. de floresta nativa e outros ecossistemas, como o Mangue e a Restinga, afinal estamos no litoral sul de SP. Para dar uma ideia, 80.000 ha. equivalem a 80.000 campos oficiais de futebol. Aqui, tem cobra, pantera, onça parda, veado, macaco, paca, anta, insetos mil e claro, peixes de todos os tipos.

Falando em peixes, como essa que vos fala é um peixinho que não pode ver água, logo no terceiro dia, tivemos que atravessar um rio a barco. Não resisti e fui a nado de uma margem a outra. Um dos funcionários da Fundação Florestal, criado aqui, tampouco se fez de rogado e nadou ao meu lado. Outro morador da região, um ex mergulhador de plataformas de petróleo (estamos na Bacia de Santos), me viu nadando e se sentiu a vontade para me emprestar seu equipamento básico. Adorei, não vejo a hora de mergulhar em mar aberto e voltar a nadar naquele rio, a foz do Rio Guaraú, justamente onde o mar e o rio se encontram e mudam de cor.


O site oficial da Jureia no Portal da Fundação Florestal do Governo do Estado de SP: Fundação para a Conservação e Produção Florestal do Governo de SP

Blog oficial da Jureia Itatins, de onde retirei o mapa que ilustra a postagem: Estação Ecológica Jureia Itatins






SNUC é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
As pessoas em geral não sabem a diferença entre um parque, uma reserva biológica, uma reserva extrativista, uma estação ecológica ou mesmo um refúgio de vida silvestre. Pois então, é o SNUC, em parte detalhado abaixo (e retirado do Wikipedia), que discrimina essas competências: onde pode o quê e seus porquês.
Dê uma lida e entenda porque em algumas áreas é permitida caça, pesca, camping, etc. e em outras não.

Em tempo, das muitas subdivisões, no fundo só existem 2 categorias: Proteção integral e Uso sustentável.
E nada impede que determinada área mude de categoria por interesse político, comercial ou mesmo da própria população local. Ainda, uma mesma Unidade de Conservação pode ser dividida em mosaico e dentro de sua área total, existir mais de uma das classificações abaixo, o que permite certas atividades até certo ponto de visitação ou não.

A Jureia é uma Estação Ecológica, área de Proteção Integral mas, atendendo aos caiçaras (a população local e nativa), muitas concessões foram cedidas e hoje, existe uma imensa discussão acerca dessas exceções. A base Perequê da Jureia, na foto acima, é exatamento onde ficam os alojamentos.






Proteção Integral:

Estações ecológicas (SEMA, 1981)
De posse e domínio público, servem à preservação da natureza e à realização de pesquisas científicas. A visitação pública é proibida, exceto com objetivo educacional. Pesquisas científicas dependem de autorização prévia do órgão responsável.

Reservas biológicas (Lei de Proteção aos Animais, 1967)
Visam a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos.

Parques nacionais (Código Florestal de 1934)
Tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

Monumentos naturais (SNUC, 2000)
Objetivam a preservação de sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.

Refúgios de vida silvestre (SNU, 2000)
Sua finalidade é a proteção de ambientes naturais que asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.




Uso sustentável:

Áreas de relevante interesse ecológico (SEMA - 1984)
Geralmente de pequena extensão, são áreas com pouca ou nenhuma ocupação humana, exibindo características naturais extraordinárias ou que abrigam exemplares raros da biota regional, tendo como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza.

Reservas particulares do patrimônio natural (MMA, 1996)
De posse privada, gravada com perpetuidade, objetivando conservar a diversidade biológica.

Áreas de proteção ambiental (SEMA, 1981)
São áreas geralmente extensas, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Florestas nacionais (Código Florestal de 1934)
É uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas NATIVAS.

Reservas de desenvolvimento sustentável (SNUC, 2000)
São áreas naturais que abrigam populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações, adaptados às condições ecológicas locais, que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica.

Reservas de fauna (Lei de Proteção aos Animais, 1967) - sob o nome de Parques de Caça
É uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas, residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos.

Reservas extrativistas (SNUC, 2000)
Utilizadas por populações locais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, áreas dessa categoria tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.




Outras viagens que renderam:
Você já foi ao Brejal? Então vá!
O El Nagual em Santo Aleixo, RJ
Ecovila Goura Vrindrávana, em Parati (RJ)
Produtores orgânicos cariocas, no Brejal (RJ)
Mosteiro Zen de Morro da Vargem, em Ibiraçu (ES)

5 comentários:

Kenia Bahr! disse...

Uhuuu!!!! Isso aí, Carol! Muito crescimento e diversão pra vc!

Estamos próximas, pelo menos em estruturam já que sou funcionária da Secretaria do Meio Ambiente, assim como meus colegas da Fundação Florestal.

Feliz 2012!

Beijos

Sandra Portugal disse...

Feliz 2012 e muito sucesso!
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//

JP Amaral disse...

Olá Carol,

Parabéns pelo conteúdo do seu blog! Também estou na área ambiental - sou gestor ambiental atuando como consultor em sustentabilidade empresarial.

Talvez tenhamos uma paixão em comum: a bicicleta!

Estou envolvido em algumas iniciativas pró-bike, principalmente o Bike Anjo: bikeanjo.com.br

Seguimos dialogando...

Um abraço,

JP Amaral

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, valeu pelo carinho.
A conexão aqui é complicada, vou visitar o bikeanjo assim que possível.

abs,
Carol

Lúcia disse...

Que máximo Carol, começou bem o ano, hein?!
Parabéns pelo prêmio e um super 2012 pra vc!
Beijo