sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Na Jureia: a comida baiana da beira da estrada

Uma das manias locais é pintar as casas, muros, escadarias e afins de azul. Talvez seja um desejo insconciente de trazer o mar tão presente na cultura caiçara às áreas urbanizadas e modificadas pela ação humana.

Um bom "restaurante" local é justamente uma cabana azul de beira de estrada, pouco mais do que uma barraca, de toldo em plástico azul e escadaria de acesso à casa do baiano que a administra igualmente pintada em azul. Comida boa e barata, delícia total.

É na beira da estrada mesmo, não tem nem um acostamento. E a Estrada do Guaraú é de mão dupla sem pista de ultrapassagem numa serra cheia de curvas.




Atrás da Barraca Bahiana, o matagal, a Mata Atlântica com tudo. O dono em sua simplicidade isolou a barraca da área doméstica com uma portinhola e pintou a escadaria em azul, para combinar com o toldo improvisado.


Um rio divide o terreno e uma ponte improvisada resolve o problema, azul naturalmente.



Os comes e bebes: a melhor tapioca que já comi, molinha e sem um grão cru na goma - o ponto mais difícil de atingir, quem faz tapioca sabe. Recheios disponíveis: queijo, carne seca desfiada-acebolada e doce de leite com coco.



Cortesia do dono, o baiano que mora atrás da barraca, cuscuz de milho à paulista, com milho, ovo e frango, servido à francesa para o grupo petiscar. Muito gostoso com a cervejinha gelada e a pimentinha caseira.
Antes que a patrulha vegana se manifeste, aqui na Jureia deve-se comer de tudo, até pela falta de opção. Vegetariano aqui ou cozinha e se isola em casa ou abre mão de certas questões. E o supermercado mais próximo é a 40 min de carro do alojamento, caro e com poucas opções.
Estou para escrever exclusivamente sobre isso, o que minha mãe e avó me ensinaram quando eu era pequena "É para comer o que tem.", a postagem vem aí, basta sobrar um tempinho.



O prato principal: sarapatel servido como se deve, com limão e farinha de mandioca fina. Lembrou minha adolescência, quando éramos todos "duros" e dividíamos bem servidos arrumadinhos e escondidinhos pela noite carioca, um grupo que namorava entre si e dividia a mesma cuia, numa boa. Hoje, tudo é servido numa única porção dentro de uma colher ou ramequins... tartare, petit gateau, cup cake, finger sandwich - até a comida ficou individualista.
Outro dia, vi feijoada servida em tigelinhas individuais, lindo com a couve dramaticamente ornada no topo, mas de dar muito aperto no coração de quem cozinha em imensas panelas de barro.


Dias depois, voltei à barraca e provei o acarajé sem o camarão seco (não gosto, prefiro acarajé "vegetariano"), estava excelente, melhor do que os servidos no Rio. Padrão soteropolitano para minha alegria e gula, que dessa feita não fotografou nada.


Para ver receita de sarapatel, vá na postagem: Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Para ver a de acarajé, vá em: Kibe, Falafel e Abará de acarajé
A do baião de dois, que ele vende mas ninguém consumiu, acesse: Baião de Dois na panela capixaba
E para entender porque essa que vos fala, só usa panelas de barro (entre outras bossas), leia: Panela velha é que faz comida boa


Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Jureia

2 comentários:

Mariana MT disse...

Ahh Carol...que delícia esse seu estágio na Juréia... Amo essa região.
Esse ano quero voltar a algumas praias, mais próximas de Peruíbes, novamente.

Outra coisa...se informa por ai...sobre a possibilidade de um "intercâmbio" de mudas...Estamos começando um viveiro por aqui.

Aliás vou entrar num projeto e lembrei de vc na hora...uma cooperativa de aquecedor solar...Não é sensacional?

bjo e curta muito seu estágio.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana,
o pessoal das antigas Reservas de Desenvolvimento Sustentável pode ter interesse sim nesse intercâmbio de mudas. Escreve para o pessoal da sede, que administra a Estação: estacaoecologicajureiaitatins@gmail.com

No mais, me conta sobre essa cooperativa, que coisa mais bacana. Vai postar sobre isso no teu blog?

Bjs