sábado, 4 de fevereiro de 2012

Na Jureia: um forno solar onde chove sem parar

Estava ociosa e parti para fazer um forno solar, afinal numa terra com tanta banana (cultivada sem agrotóxico), nada mais natural do que aproveitar a energia solar para transformar o excedente em banana passa, que não estraga rapidamente.

Eu já havia postado sobre fornos solares por aqui e deixo o link abaixo no final da postagem.

Seguem as fotos do meu forno:






Material necessário:
1 estilete (não tinha estilete, então usei a faca de serra da cozinha, a mesma de cortar pão francês)
1 caixa de papelão (prefira as baixas e retangulares para desidratar e as quadradas e altas para colocar panelas)
1 rolo grande de papel alumínio
10 tubos de super cola, como araldite e superbonder (existem "genéricos" mais em conta, comprei desses, acho que o nome era "mega bonder" inclusive, mas não lembro ao certo) - Atenção: cola tenaz, de tubo, sapateiro, colorida, etc. não funcionam, tem que ser do tipo "cola tudo" por causa do alumínio.

Custo: R$15,00

Não usei nenhum dos modelos indicados nos sites da internet, fiz da minha cabeça mesmo, não tinha nem régua, então medi tudo no olho e usando minha mão espalmada (meu "palmo") como unidade de medida.
Afinal, qualquer caixa metálica pode servir como forno solar, até carros estacionados em dia de sol, geladeiras velhas "largadas" no quintal, microondas quebrados "esquecidos" na varanda e muitas outras opções. Para desidratar fruta, basta encaixar 2 tabuleiros (a base e a tampa) de alumínio ou qualquer outra liga metálica e deixar exposto ao sol.

A vantagem de fazer fruta seca em casa é que você, além de não ingerir os agrotóxicos por poder comprar uma fruta orgânica, ainda se livra dos inseticidas adicionados a todas as frutas secas vendidas comercialmente.

E meu forno não serviu para nada, choveu sem parar e a incidência de sol foi fraca, a banana apodreceu lá dentro. Mas a ideia valeu e pode (e deve) ser replicada em locais de alta incidência solar.


Veja também a  Ecovila de Goura Vrindrávana que vive da subsistência de banana passa orgânica desidratada numa micro indústria alimentada pela única hidrelétrica que eu conheço, que para ser construída, não derrubou nenhuma árvore: Goura Vrindrávana em Parati, RJ
E em Parati também chove quase todo dia, é mais próximo de Ubachuva e Caraguatachuva, SP (desculpe, Ubatuba e Caraguatatuba) do que da capital do próprio RJ.
Hoje, entendo porque eles não tinham nenhuma placa de energia solar, mas se deram ao trabalho de canalizar a cachoeira local nessa hidrelétrica de pequeno porte.



Atualização de outubro de 2012 com um forno solar que deu certo: Comendo a ração que vende - parte 04: forno solar



Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Jureia
Na Jureia: banana de macaco (a banana com caroço)
A casa sustentável é mais barata - parte 17 (fornos solares a R$20,00)

8 comentários:

Marilia disse...

Que máximo, parabéns! Adorei a ideia e achei muito útil!
Beijo,
Marília

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

É muito útil sim, vc tem toda razão. Ainda que no meu caso não tenha tido a menor utilidade - rsrsrsrs.
Mas sustentabilidade é isso aí, erros e acertos, o erro da Juréia pode ser o ovo de Colombo do sertão nordestino.

Bjs e vc vem qdo ao BR?

Anônimo disse...

Olá Carol!
Discordo de sua afirmação quanto ao uso de fornos solares em regiões chuvosas!
Trabalho com cozimento solar em Piracicaba-SP onde chove bastante no verão mas o inverno é de sol constante!
Sou de Ubatuba e comecei meus experimentos lá, quando a chuva parava e o sol abria, as vezes no mesmo dia, era só estender o forno solar e preparar biscoitos, bolos e tudo mais!!!
Acredito que o maior problema de seu projeto esteja na baixa eficiência do equipamento e falta de prática do operador!
Tenho diversas considerações sobre seu projeto!
Estamos a disposição p/ ajudar!
Abraço
Nicolau

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Nicolau,
seu comentário me deixou intrigada por dúzias e razões, primeiro que segui o mesmo modelo da permacultura e segundo pq, qdo da oficina de confecção de placa de aquecimento solar, um dos pontos era justamente esse: em dias nublados pode ser preciso usar o chuveiro elétrico, a placa não daria conta do recado. A própria Sociedade do Sol tem um adaptador para essas eventualidades.

Como seria a operação de um forno solar?

Nicolau disse...

Sim Carol!
Os aquecedores solares são de uso permanente e não presencial, todo dia precisamos de agua quente e em alguns dias não há sol, por isso precisamos de um suporte alternativo de energia.
Já os fornos solares são de uso instântaneo e presencial, nos dias sem sol preparamos a comida de forma convencional (gás), e quando temos sol utilizamos o forno solar! Não é preciso um dia escaldante! bastam 20min de sol, em meio as nuvens, por hora para o forno solar funcionar, mesmo se estiver frio!

Quanto a seu projeto, por onde entra a luz solar para gerar calor no interior do equipamento? Que tipo de isolamento térmico utilizou?
Abraço
Nicolau

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Eu coloquei uma pedra vedando a tampa, a caixa já era revestida em alumínio sem fendas.
O modelo do forno é o básico de estufa padrão, de papelão revestido em alumínio.
Olha, não quero te desanimar, mas essa banana ficou 3 dias dentro do forno, exposta ao mormaço diário e nada aconteceu, nem cozinhar quanto mais desidratar.

Sabe o que eu tô começando a achar? Que forno solar só funciona quando revestido em vidro temperado ou metal, esse modelo de papelão e alumínio morre na praia. E sol direto faz muita diferença, ainda usei um tabuleiro de alumínio dentro da caixa...

ps: tentei te curtir no Face, mas não consegui por ser página e não perfil (???)

Nicolau disse...

O modelo de forno solar de papelão construido de forma correta funciona muito bem, SIM!!
Seu projeto não faz sentido!
deve haver uma entrada de luz (vidro, ou plástico transparente)na parte superior para que a energia entre na caixa, ao se deparar com as panelas pretas a luz vira calor ficando aprisionado dentro do forno chegando a 130°C!!! Mas com certeza é preciso sol! ao menos 20min de céu aberto por hora! Vc precisa ter paciencia para esperar o dia certo para utilizar o forno solar na sua região!!!
Por favor não desista! Siga os passos de uma postagen anterior sua! Estou a disposição para ajudar!!
Abraço
Nicolau

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Nicolau, calma...
Vamos por partes, o forno solar só tem uma tampa de vidro para aumentar a incidência nas panelas. Se não existem panelas (outra caixa fechada como estufa), a "tampa" em alumínio substitui.
Na verdade, se a panela fosse deixada no sol, partindo do seu princípio, deveria cozinhar tb, não?
Olha, eu não quero te desanimar, mas não acredito em cozimento solar em 20min de exposição. Nem no forno a gás o cozimento é tão rápido. Já vi um vídeo de feijão feito em forno solar metálico, comprado pronto, e o feijão levou 6hrs para ficar pronto. Válido, mas pouco prático no dia a dia, tanto que o pessoal da Ecovila de Parati, não tinha nem placa nem forno solar, usavam mesmo um botijão.

Não sei, mesmo, mas esperar dia certo num lugar que chove sem parar é meio como contar com a sorte... Aqui no RJ, onde moro normalmente, o ovo frita até no asfalto quente em dia de sol. Se vc deixar uma lata de leite condensado na janela numa única tarde de sol de verão, à noite terá doce de leite (não exagero). Sem vidro, caixa térmica, tampo especial ou seja lá o que for... Na Juréia, a banana dentro de uma caixa térmica revestida de alumínio (e acondicionada num tabuleiro idem) nem cozinhou, apodreceu depois de 3 dias no mormaço nublado com chuvisco.

Pode parecer politicamente incorreto, mas muita coisa em sustentabilidade não funciona sempre e incondicionalmente. Eu tive composteira e tudo que vi foi minha casa inundar de moscas e o lixo não compostar assim como se vê nos vídeos da compostagem, que só mostra saladinha crua em decomposição.
Outra coisa complicada é viajar para um lugar como a Juréia com absorventes de pano, conseguiu sujar TODAS as minhas calças e calcinhas, tive que correr no supermercado e comprar um absorvente convencional, que não saísse do lugar em trilhas e escaladas.

Eu vou voltar ao forno, numa boa, pelo prazer da experiência, mas no Rio ou em qualquer outra cidade com clima afim.

Bjs e vamos manter a troca de figurinhas, tenho o maior respeito pelo teu trabalho