sábado, 14 de abril de 2012

Como enfrentar a crise econômica mundial? Trabalhe menos


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"dinheiro que você não tem, para comprar coisas de que você não precisa, para impressionar por pouco tempo pessoas com quem você não se importa."

Assim Tim Jackson traduz o infeliz objetivo da maioria das pessoas na nossa geração. E é a pura realidade. Trabalhamos para manter fábricas produzindo. Não apenas operando máquinas, mas também fazendo horas extras para conseguir mais dinheiro para comprar coisas de que não precisamos realmente. A propaganda estimula o consumismo exagerao, e continuamos trabalhando cada vez mais para consumir cada vez mais. E com o aumento da demanda - por carroz, sapatos de salto fino, depois de salto grosso, casas maiores, calças de marca, etc etc etc - são necessários mais recursos, mais trabalho e mais horas indo pelo ralo, para manter o sistema funiconando.

Mas o sistema é feito de gente. É feito de nós. Não é uma entidade sobrenatural Está em nossas mãos quebrar esse ciclo vicioso. Nosso sistema desperdiça demais! Desperdiça matéria, energia, conhecimento, tempoe  vidas humanas. Mesmo que quiséssemos manter essa roda gigante funcionando, não seria possível por muito tempo. Nosso planeta é finito, assim como seus recursos. A saúde humana também.

Trabalhar menos
Alguns pensadores têm defendido que, para enfrentar a crise econômica mundial, não precisamos trabalhar mais. Pelo contrário. Trabalhar menos horas poderia trazer diversos benefícios para a sociedade.
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Primeiramente, a qualidade de vida: as pessoas teriam mais tempo para dedicarem-se a suas famílias, amigos e hobbies. Todos os gráficos indicadores de saúde da população iriam disparar para cima. Em segundo lugar, haveria mais empregos.
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Com cada pessoa trabalhando menos horas, seriam necessários turnos de trabalho, e onde havia um empregado em tempo integral, haveria dois empregados de meio período. O rendimento dessas pessoas por hora tende a ser maior, pois as pessoas conseguem se concentrar mais em menores períodos de tempo, e ficariam menos cansadas e entediadas. E, por fim, há quem diga que até benefícios ambientais seriam sentidos, com menos trânsito nas ruas, menor poluição, menos energia desperdiçada.
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Trabalhar com propósito

Economistas como Ernst Fritz Schumacher e Vandana Shiva defendem que nós voltemos a olhar para o trabalho como algo bom, até sagrado. Algo com propósito. Um bom trabalho é aquele que dá prazer, e no qual você se sente útil para a comunidade. Seja sendo um cientista, um político, um cozinheiro, um marceneiro, um artista – afinal, beleza também é necessária e útil.

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É claro que isso não quer dizer que todas as segundas-feiras você irá pular da cama sorridente e dizendo “mal posso esperar para retomar o trabalho!”. Mas pelo menos algumas segundas-feiras sim. A obrigação sempre cansa, por isso sempre será necessário lazer. Mas o trabalho pode ser mais leve, legítimo e interessante.

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Divertir-se com liberdade

Já que falamos nele, outra coisa que devemos repensar é o lazer. Por ficarmos 40 horas por semana num trabalho maçante, estressante e até angustiante para alguns, a nossa forma de lazer é sentra na frente da TV – ou de outro aparelho e passivamente deixar as imagens entrarem pela retina.

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Algumas vezes temos a impressão de que a única forma de diversão é aquela que é feita, industrializada e empacotada como entretenimento. Mas lavar o quintal, cuidar do jardim, fazer alongamento, correr, brincar de bola com as crianças, tocar um instrumento, cozinhar, costurar e bordar são formas de lazer gratuitos, produtivos e independentes de qualquer indústria.

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Fazendo acontecer – a liberdade econômica
E aí, todo animado(a) que essa revolução aconteça, a gente precise trabalhar menos e com muito mais alegria, né? Mas isso parece tão distante de nossa realidade. Parece mesmo. Mas não está tão distante assim, e por incrível que pareça, podemos dar uma receita. Que eu aprendi com a amiga Isabela Menezes, que tem uma linda história de vida, largando um emprego de executiva de eventos para dedicar-se à educação para a sustentabilidade e ao movimento Cidades em Transição.
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Ela se fez a seguinte pergunta: Quanto eu custo por mês? Depois de descobrir isso, observe seu comportamento de consumo. Do que você pode abrir mão sem perder qualidade de vida? Talvez passar a correr num parque ou praça em vez de fazer academia. Diminuir a frequência das idas a shopping, fazendo troca-troca de roupas e acessórios com os colegas para renovar o guarda-roupa sem consumir. Talvez comer mais em casa, aproveitar para tirar a poeira do avental e treinar suas habilidades culinárias. Fazer as unhas, precisa mesmo toda semana?
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Saiba o que é importante para você, não para os outros. Se você gosta muito de viajar, por exemplo, permita-se gastar dinheiro com isso, e reduza gastos com coisas que não importam tanto para você. Além disso, procure conviver com pessoas que têm o salário menor que o seu e descubra formas de ter uma vida mais econômica e resiliente.
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Reduzindo o “quanto você custa”, você pode dar-se ao luxo de procurar um emprego menos rentável, ou negociar trabalhar menos horas, se isso for lhe fazer mais feliz. Pode até mesmo dedicar-se à carreira artística com que sempre sonhou, se você conseguir se establizar com uma renda compatível com seu novo orçamento.
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Você vai ver que custar pouco é bom não só para o planeta, mas para sua saúde e equilíbrio também. Conquiste sua liberdade econômica.
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Fonte: Coletivo Verde
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5 comentários:

Anônimo disse...

Trabalhar com horários diversificados, menos tempo, com turnos, etc porque está ficando cada vez + difícil chegar ao local. Mesmo o transporte sobre trilhos tá difícil face ao fluxo em determinados horários. Muito estressante.
Abs.
Ana - Araça

Mariana MT disse...

Quando eu era adolescente...(há séculos) cheguei a essa conclusão: No lugar de um trabalhador numa jornada de 8 horas diárias, 2 pessoas poderiam trabalhar por 4 horas diárias.

Acreditava, que além da qualidade de vida que essas pessoas passariam a ter, o desenvolvimento profissional também seria superior, já que em 4 horas ninguém fica exausto ou contando os segundos para voltar para casa.

O famoso horário de pico poderia ser dividido e as empresas e indústrias poderiam, inclusive, aumentar sua demanda, ampliar o horário de funcionamento, porque teriam mais profissionais disponíveis.

Mais gente teria empregos, mais gente sairia da miséria e portante tb teria mais poder de compra...

E lá, na adolescência, eu compartilhava essa minha idéia e as pessoas achavam graça, exatamente como quando criança, observando a chuva cair da janela do 12º andar, comentei que os telhados deveriam ser ao contrário para armazenar toda aquela água desperdiçada...e ouvi gargalhadas do resto da família.

Por sorte o que a maioria pensava não me convenceu e por mais que com o passar dos anos eu tenha descoberto sucessivamente que essa qualidade de vida que eu almejava para todas as pessoas do mundo era exatamente o que não queriam os que estavam no poder...

...fui lendo, ouvindo, assistindo um monte de outras pessoas falando as mesmas coisas que eu sonhava e acreditava...

E hoje, felizmente, também vejo um monte de gente fazendo, além de falar...

O mundo continua torto é fato. Mas hoje cisternas são uma realidade e os subempregos, clássicos no quesito patrão explora funcionários já não convencem a nova geração...o que me faz acreditar que aos poucos a gente chega lá...rs

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, eu tb acho que aos poucos a gente tb chega lá. Tomara.

Sandra Portugal disse...

Trabalhar com um propósito, não tem preço! Excelente abordagem.
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Um sistema exploratório sobrecarrega um grupo em detrimento de outro, a angústia aumenta tanto para os que têm quanto para os que não têm emprego. A distribuição equilibrada traria mais igualdade e prazer a todos.