quinta-feira, 24 de maio de 2012
Cabotagem: para parar de transportar ferro e aço em caçamba de caminhão
As hidrovias, assim como toda a navegação de cabotagem, propõe-se a ser a alternativa ideal de transporte em larga escala no nosso país. O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. Dobram jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.
Uma malha ferroviária tendo os portos costeiros como ponto de partida, seria imensamente interessante para ligar nosso país do Oiapoque ao Chuí, não apenas do ponto da segurança, mas principalmente pela redução no uso de combustíveis fósseis. A navegação de cabotagem e a implantação de um sério programa de hidrovias, contribuiria igualmente para diminuir as distâncias de uma costa com 8.000km de extensão, além de minimizar a dependência do transporte rodoviário em todos os aspectos, incluindo os transportes urbanos coletivos.
Usando a Cabotagem, empresa tira 94 mil caminhões da estrada e reduz drasticamente a emissão de CO2
Pioneira no resgate da navegação de cabotagem (navegação marítima entre portos de um mesmo país) no Brasil, a Fibria implantou em 2003 o sistema de transporte marítimo de madeira. O objetivo foi diversificar os modais utilizados e reduzir o tráfego de carretas a serviço da empresa na BR 101, nos trechos entre o extremo sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.
Perto de completar uma década, o sistema vem evoluindo e já responde por 30% do abastecimento de madeira da fábrica de celulose. A média diária de madeira entregue na Fibria, em Aracruz, via modal marítimo saltou de 1.849,53 m3 em 2003 para 6.923,60 m3 em 2012, uma evolução de 274%.
Este ano o desempenho do transporte marítimo vem sendo particularmente positivo, com o registro de vários recordes. O último deles foi no mês de abril, quando a movimentação somou 217.173 m3. Esse volume equivale à carga de aproximadamente 4.500 carretas tritrem, modelo usado pela Fibria, significando o mesmo número de viagens a menos pela rodovia. Abril foi o terceiro mês consecutivo em que o transporte de madeira em barcaças ficou acima de 200 mil m3, refletindo a consistência dos resultados.
Ézio Tadeu Lopes, Gerente de Logística Florestal da Fibria no Espírito Santo e Bahia, atribui o desempenho à melhoria em todos os processos envolvidos: fluxo contínuo de carretas para carregamento das barcaças em Caravelas (BA), tempo de carregamento/descarregamento dentro da meta e melhor eficiência na navegação propriamente dita, além de outras melhorias operacionais.
A madeira é embarcada no Terminal de Caravelas, no sul da Bahia, e desembarcada no Terminal de Barra do Riacho, que faz parte do complexo da Portocel, em Aracruz. Em linha reta, a distância percorrida por via marítima é 275 Km, percurso feito em aproximadamente 12 horas.
94 mil viagens a menos no ano – Implantado em 2003, o sistema de transporte marítimo de madeira foi desenvolvido sob medida para atender as necessidades da Fibria, numa parceria com a Norsul Navegação. Cada barcaça comporta o equivalente à carga de aproximadamente 100 carretas tritrem (5.000 m3) e o sistema da empresa conta com uma frota de quatro barcaças e dois empurradores.
“Por ano, conseguimos evitar 94 mil viagens de carretas na BR 101(considerando ida e volta), o que resulta em menor consumo de combustíveis, menor emissão de gases de efeito estufa, como o CO2, e menor consumo de pneus”, observou Ézio Tadeu Lopes. Além dos benefícios ambientais e econômicos, o transporte marítimo também contribui para a segurança na rodovia, já que elimina a necessidade de milhares de viagens de carreta no ano.
As fotos são minha, do Porto de Vitória (ES), onde há na mesma baía uma ilha com presídio desativadado - como Alcatraz
Mais informação:
Privatização de Hidrovias
Por que nossa malha hidroviária não decola?
Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos
O projeto de transporte urbano coletivo e fluvial em Florianópolis e São Paulo
O mito da autossuficência em petróleo: No país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo
Assinar:
Postar comentários (Atom)



Nenhum comentário:
Postar um comentário