segunda-feira, 9 de julho de 2012

RIO+20: a Cúpula dos Povos





Para encerrar a RIO+20: A Cúpula dos Povos , no Aterro do Flamengo
Foi onde houve a maior diversidade da RIO+20. Índios marcharam, produtores da agricultura familiar realizaram feiras de sementes, comeu-se, bebeu-se e quase tudo foi vendido entre uma programação de palestras e seminários com 54 páginas, mas que nem sempre foi cumprida à risca.




Anatel apareceu com a PF querendo fechar a rádio popular na marra, houve protesto e passeata. A rádio ficou lá firme em sua tenda, providenciando boa música e possibilitando que muitos palestrantes fossem entrevistados numa programação disponível on line aos que estavam longe.








Foi na Cúpula, com suas dezenas de tendas e plenárias, onde pude fazer as boas compras na Rede de Economia Solidária descritos na postagem "RIO+20: de trazer na bolsa e na barriga", que aconteceu o Seminário de Biopirataria onde Vandana Shiva bebeu o Ades da postagem "Imagem do ano na RIO+20: Dra. Vandana Shiva bebendo Ades inocentemente" e onde conversei com o pescador de Sepetiba que ilustra a postagem "RIO+20: as primeiras mortes".




Eu fui quase todos os dias, até por morar a 5 minutos, só deixei de ir quando fui ao Cais do Porto, "RIO+20: o Cais do Porto", e quando precisei atravessar a cidade para a coletiva do Philippe Cousteau, "RIO+20: o bate papo com Philippe Cousteau".
O trajeto de ida e volta é uma delícia, a pé pelos jardins do Aterro do Flamengo a beira da Baía de Guanabara.






A maravilhosa tenda Milton Santos, sempre cheia, onde ótimas palestras aconteceram. Uma noite, passava na entrada e ouvi uma moça com sotaque nordestino, de microfone em punho em tenda lotada, contava ser a primeira de sua família a concluir os estudos, mas questionava porque a ensinaram aos 7 anos, "Ivo viu a uva", quando uva mesmo ela só foi ver depois dos 13. Levantava a necessidade de uma educação contextualizada à realidade de um país plural com realidades tão distintas.
Dra. Marta Porto em outra palestra, nos lembrou que a Agenda Social é a reposta a um modelo econômico que não deu certo numa tenda que não derrubou a árvore para ser levantada.
Quem foi Milton Santos: Página Oficial Milton Santos

 


Perdi e me arrependi:
Os debates sobre energia nuclear na tenda Caetité e todos os da Vasconcelos Sobrinho, estava em outras tendas, na Arena Socioambiental, no Greenpeace e até no Pavilhão Azul, que todos chamaram de tenda da Água. Distantes da Milton Santos, Caetité e Vasconcelos Sobrinho, separadas por um espaço de tendas que se propunham ao discurso inter-religioso e pelo Monumento aos Pracinhas.
Uma pena separarem dessa forma, era o mesmo público. Soube que ficaram cheias de gente e seus debates renderam. Ainda bem.
Quem foi Vasconcelos Sobrinho: Página oficial do Wikipedia
 












A tenda da Cruz Vermelha, recrutando voluntários.
Já fui voluntária da Cruz Vermelha, em dois desastres ambientais aqui no Rio. Conto a experiência nas postagens “Tragédia, Sustentabilidade e Voluntariado” e “O Rio de Janeiro das águas de março”.





Será que toda aquela gente engajada de camiseta estampada com Che GuevaraBob Marley e bandeira palestina chegou a se cadastrar? Tomara que sim.




Os muitos livros à venda em barracas contíguas às tendas das Ong´s e Entidades, editados pelas próprias na maioria dos casos:





















A Feira de Sementes informal e autogerida de troca de sementes que brotou pelo gramado com o pessoal da agricultura familiar.

 





 
  
No mercado só vendem 1 tipo de milho, mas na natureza existem centenas e são os pequenos agricultores que mantém a tradição dessas sementes crioulas e nativas. Na agroindústria, o milho padrão é o segundo cultivo em transgenia, só perde para a soja.

















Um dos agricultores ganhou por doação apricots da restinga, comuns por todo Aterro e litoral do Rio. Ele não sabia o que era, estava junto com outras sementes para trocar. Como eu já conhecia, dei o nome, mostrei a árvore e avisei que ele podia comer daquela fruta sem medo. Dividimos ali mesmo o apricot.













Carta da Terra
Leonardo Boff, Miriam Vilela (Carta da Terra Internacional), Maria Alice Setubal (IDS) e Ana Rubia (Abrampa). Moderadores: Pedro Ivo, Alexandra Reshcke e Silvia Alcântara

Ana Rubia e Miriam Vilela palestraram antes, Boff estava preso no engarrafamento.
Ana Rubia, de Petrolina, forte como a mulheres do sertão, prendeu a atenção de todos ao nos lembrar que reciclagem é um paliativo, que não se recicla nada, se subcicla, afinal o subproduto reciclado é sempre inferior ao que deu origem. Ratificou o que se fala mil vezes, que a única saída é consumir menos e quando o fizer, que seja da forma mais consciente possível.
E quando Boff entrou, tudo parou para aplaudí-lo de pé.










Boff falou sobre a Carta da Terra, sua história e construção, enalteceu o trabalho de Miriam Vilela, nos lembrou de um terceiro milênio a ser construído em bases mais justas, fez piada com encíclicas do Vaticano, nos conclamou a ser menos políticos e mais holísticos, humanos e ecumênicos. Era a primeira vez que o via, não seria a última, foi exatamente o que está nos seus livros, a mansidão e a sabedoria personificadas.
Então chamou um amigo ao palco, responsável por um projeto que ele mesmo não acreditava ser possível, o Cultivando Água Boa, tocado por Nelton Miguel Friedrich.



Itaipu Binacional é um projeto sem igual nesse país, o que uma hidrelétrica de grande porte pode destruir, esse projeto recuperou em termos humanos e ambientais.
Eu falo mais sobre o projeto na postagem "RIO+20: o Cais do Porto". Foi a primeira vez que vi Nelton Friedrich e felizmente não seria a última, viria a encontrá-lo ainda outras 2 vezes, ambas na Tenda da Água, uma delas com Boff e outros gigantes. Conto melhor mais abaixo, quando falo só da Tenda da Água. Boff não acreditou que Cultivando Água Boa fosse possível, eu também não. Mas existe e está lá com material de download no site oficial.
 

Imagine 29 municípios com um total de 1 milhão de habitantes, divididos em 127 microbacias trabalhadas em 8.000km2 de área sendo beneficiados por um mega programa de reflorestamento e capacitação ambiental em larga escala.
Agora, imagine que cada uma das 127 microbacias tem seu próprio comitê auto-gerido onde não podem participar funcionários públicos ou de Itaipu. O segredo foi esse, não dividir por município e sim por microbacia.
"É chapa branca!”, "Tem que ter Paulo Freire!” nos lembra Nelton Friedrich.
Paulo Freire também empresta seu nome à biblioteca pública local.
12.000 km de mata ciliar foram recuperados num projeto sério, onde 4.000 famílias com têm sua propriedade protegida por floresta, 250 famílias indígenas com tradições e hábitos respeitados, produzem toneladas de aipim, batata, arroz, feijão, abobora e mel orgânicos.
Os fitoterápicos produzidos orgânica e localmente incidiram em 27% de queda na compra de medicamentos nos postos de saúde.
Com a recuperação dos lagos, a piscicultura aumentou 5 x, reduzindo a taxa de desemprego e evasão, permitindo também mais variedade alimentar.
A suinocultura, que era um problema local, em função dos dejetos lançados indiscriminadamente em rios e lençóis freáticos, tornou-se a solução ao ser adotado o modelo de co-geração doméstica de biogás, permitindo que o pequeno produtor venda o excedente de energia produzida à subestação mais próxima.
Lembra do único projeto de catadores decente desse país, citado na postagem “O mito embalagem sustentável: manual básico de reciclagem”? Pois é, foram eles também.
E não são mais catadores, são agentes ambientais num programa de Coleta Solidária.











Os stands em bambu da Caixa Econômica Federal, fizeram sucesso entre todos, até os indígenas, interativas em mostrar energia cinética e a árvore cujas folhas eram em papel semente reciclado. Trouxe algumas, mas ainda não plantei as flores de dente de leão. Posto, quando brotarem, dizem que dá um chá com gosto de mel.









O Sebrae nos brindou com 2 espaços, o Sebratec e a Feira do Empreendedor.
Ambos bem organizados e com infraestrutura. Nos jardins do Sebraetec, ficaram expostos um Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC) e uma maquete de um sistema de captação de águas pluviais com irrigação por gotejamento da horta doméstica.





Alguns expositores dos stands do Sebrae:

Fibra Design, cariocas e vizinhos de bairro, já apareceram por aqui com seu skate na postagem "Surf e skate ainda mais verdes"

EcoJardim, distribuíram sementes de girassol que ainda não tive tempo de plantar. Assim que brotar, posto.

Container Ecology Store, já andaram por aqui na postagem “Lojas e escritórios em container”, divulgando um hotel em container na foto abaixo.



Chamma Cosméticos da Amazônia 

Amazongreen Beleza Sustentável

Favel Inn Hostel, dispunham de ASBC, o Aquecedor Solar de Baixo Custo da Sociedade do Sol. Você pode fazer um igualzinho em casa, veja como na postagem “A casa sustentável é mais barata – parte 15 (Aquecedor Solar de Baixo Custo a R$35,00)"




Verde e Progresso Soluções Ambientais

EkoFootPrint Gráfica Digital Sustentável, impressão biodegradável

Budha Khe Rhi Brasil, camisetas sensacionais em pet reciclado e algodão orgânico


Ecomáquinas, construção inteligente com blocos ecológicos e pré-moldados, distribuíam bom DVD promocional. Ambos abaixo.






Anicer e PSQ Cerâmica Vermelha. Distribuíram mini telhas e mostraram as inovações em tijolos certificados. Trouxe uma que virou artefato de cozinha, para guardar caroços em petisqueiras.





Madeplast , reciclagem de plástico em compensado. Melhor do que plantar eucalipto para MDF

Telha Leve, telhas ecológicas
























O Greenpeace compareceu com boa tenda, autossuficiente energéticamente e a única verde de todo evento, apresentaram pelo menos 2 mesas de debates diários e deixaram muitos voluntários recolhendo assinaturas no abaixo assinado contra o Código Florestal. Foi na tenda do Greenpeace, na apresentação sobre os impactos do pré-sal, que soube dos mais de mil vazamentos de 2010, como contei na postagem da coletiva do Philippe Cousteau.
Fizeram demonstração de forno doméstico solar e também do moderníssimo forno solar projetado por eles. O primeiro é lento, já o segundo frita um ovo em segundos.




 





A grandiosa tenda do Cerrado com exposição permanente de fotos, murais transparentes e projetada aproveitando as pedras do Jardim do MAM.
O Espaço “Caixa preta do Cerrado” com as ameaças ao bioma. O chão é de soja transgênica, a mesma dos hambúrgueres vendidos com discurso de “comida bacana”.
Uma delícia de pisar, esferas perfeitas que fazem massagem no pé da gente.











Arena Socio Ambiental
Com 4 debates diários, sendo sempre entre 3 palestrantes, pelo menos 1 representante do Governo e ainda um show à noite antes de encerrar. Ótima pedida.
Assisti a vários debates, era confortável, ao lado do MAM, justamente onde estavam o Greenpeace, o Sebraetec, a Tenda da Água e até os produtos do Cerrado e o sorvete de juçaí, citados na postagem sobre as compras da RIO+20.



Momento triste: Dra. Marcia Valle Reis, Engenheira Química, ser injustamente vaiada num debate sobre Belo Monte, que contou com Dra. Vandava Shiva.
Não disse nada de absurdo, apenas nos lembrou que somos um país dependente da energia hidrelétrica, que não existe alternativa limpa ainda que possa substituir essa matriz e que, comparado à países como a China e a Índia, que usam energia nuclear e carvão, estamos muito avançados.
Sozinha, fui falar com ela ao final, todo mundo em cima da sempre simpática Dra. Vandana Shiva, que eu veria no dia seguinte, no Seminário de Biopirataria e em uma terceira ocasião ainda, na homenagem à Danielle Miterrand na Tenda da Água.
Dra. Marcia levou a vaia na esportiva, muito elegantemente disse que era parte do processo democrático e defendeu seu ponto de vista. Um ponto de vista técnico e não a construção de Belo Monte e respectivos crimes ambientais.



Na arena, em outro debate, também assisti ao Ministro da Pesca, Marcelo Crivella ser merecidamente aplaudido, como contei na postagem da coletiva de Philippe Cousteau.

Num terceiro debate, presenciei um estatístico da Unicamp ser merecidamente vaiado. Vaia imensa, agressiva, com cartazes e o que mais se imaginar de uma plateia aos gritos de “Mentira!”, “Criminosos!” e “Abre o microfone!”, que graças a Deus não abriram.
Não é para menos, falou grosso e cheio de convicção que a maioria dos brasileiros queria Belo Monte e que as obras não poderiam parar por causa de pequenas comunidades ribeirinhas e indígenas, que seriam alagadas...


Show bom na Arena: Marcelo Yuka e Amora Pêra, Yuka declamou como se catasse a capela um poema lindo, "A solidão de viver a minha própria extinção" e Amora cantou muito. A apresentação com os músicos virados uns para os outros, mas também para toda a plateia, funciona melhor.












O Pavilhão Azul ou Tenda da Água
Organizada pela France Libertés, Frente Nacional de direito à água e dezenas de outras instituições.
Apresentaram trailler do último filme de Yann Arthus Bertrand, “Oceano” e promoveram uma homenagem à Danielle Miterrand, defensora da estatização dos serviços de suprimento de águas franceses, falecida ano passado, com participação de Leonardo Boff, Ricardo Petrella, François Outar, Marialena Foronda, Pedro Arrojo, Nelton Friedrich e Rosa Villamayor Orue, a única aplaudida de pé ao ser anunciada.

 

O melhor filtro de água é o brasileiro de barro, a Stefani produz o único cuja vela é revestida em prata coloidal, giardicida. Ótima compra e nobre a iniciativa de fornecer água potável gratuita às pessoas em evento aberto. Uma pena, retirar a vela de barro revestida na prata coloidal e enfiar água "mineral" industrializada, embalada em plástico e, se bobear, não potável. Deixassem a vela original com infraestrutura em barro, alimentada por água da torneira e teríamos bebido água mais segura e sustentável.


 


O texto final do Comitê oficial havia acabado de ser apresentado, a nova Economia verde foi muito criticada e já se esperava uma Agenda Azul a ser discutida na nova Economia azul, igualmente criticada por prever que o acesso à água será cerceado, como ocorreu na Bolívia há alguns anos com a privatização até da captação das águas pluviais, que acabou em guerra civil.
Nelton Friedrich lembrou algo interessante: se até bancos falam em sustentabilidade é porque o conceito foi corrompido e não é momento de desistir, mas persistir
Boff, muito aplaudido, criticou o documento e insistiu que não avançar, é retroceder.


Rosa Villamayor Orue falou acompanhada de uma comitiva paraguaia composta de pessoas simples, todos muito emocionados, abalados pelo Golpe de Estado em seu país.
Acostumados aos conflitos campesinos, onde a visão dos vencidos fica à margem da história. Pediram ao mundo para não esquecê-los, era véspera da decisão do Parlamento Paraguaio, que viria a depor o presidente eleito por voto popular. O mundo continua acompanhando a versão moderna dos Golpes na Democracia Latino-Americana, sempre combalida.

 





A questão da água, como toda questão ambiental, passa pela posse da terra. Com a agricultura familiar, a monocultura transgênica não se instala, a agroindústria não expulsa populações nativas e florestas virgens não viram pasto. Os pequenos produtores controlam sementes crioulas e fontes de abastecimento  de água e o famigerado ciclo de pobreza e favelização não se completa. A imprensa exterior já critica a participação da Monsanto no Golpe de Estado Paraguaio, leia mais:
Carta Maior: Golpe no Paraguai revela nova face da Operação Condor
Diário da Liberdade: O que os EUA podem ganhar com o golpe de estado no Paraguai
OngCea: Monsanto e os acontecimentos no Paraguai, os mortos de Curuguaty e o julgamento político de Lugo



Surpresas boas na Tenda da Água:

Ecosurfi, deram uma aula sobre a importância de conservação das restingas. Criticaram duramente os parques eólicos cearenses, que estão destruindo as restingas locais, contaram que partiu de um surfista tornar a Prainha (praia carioca) área de preservação através de um movimento popular que começou com os surfistas locais. Mostraram o imenso programa de preservação das restingas nas praias do Recreio dos Bandeirantes (RJ) em parceria com a iniciativa privada e educação ambiental com crianças da rede pública de ensino. Conseguiram provar que nenhuma obra de contenção funcionou em qualquer lugar do mundo, porque é justamente a vegetação rasteira da restinga que pode manter a faixa de areia e assim, impedir o avanço do mar. Em todos os locais onde a restinga foi devastada, o mar destruiu muros de concreto projetados com a finalidade de impedir seu avanço.
E quem diria, a roxinha Ipoema (ou flor de seu c*) é fundamental nesse replantio.
Não sabe o que é "flor de seu c*"? Vá no post da Juréia sobre a restinga, é inacreditável.


Tara Expeditions e Sea Orbiter vessel, não prometia muita coisa, mas foi interessante.
A Tara Expeditions organiza expedições de cunho oceanográfico há mais de 10 anos com o intuito de analisar os impactos do Aquecimento Global, dão um show de imagens, como um vídeo de Jacques Cousteau. Todo mundo ficou babando.

Já a apresentação do Sea Orbiteur não tinha tanto apelo. Não tinha, mas teve.
Sea Orbiteur é um navio vertical de 13 andares, cuja maior parte dos decks é submersa. Único, parece saído de um livro de Julio Verne. O projetista, um senhor francês muito sério, Jacques Rougerie, falou para uma plateia fria, explicou do combustível de algas marinhas biodegradável, mostrou a área de 350m2 em placas de energia solar garantido autossuficiência energética, um projeto caríssimo envolvendo várias empresas. Ninguém deu muita atenção.

Então, perguntei porque a arquitetura era idêntica a da barbatana de um tubarão e ele pareceu ter sido ligado na voltagem de 220V. Empolgou-se, todos se empolgaram junto, falou em biônica, justamente na observação da natureza e do pioneirismo do projeto, tão óbvio que ninguém havia ainda pensado nisso antes, dos testes em laboratório, etc.
Eu já havia curtido e compartilhado a foto do navio no facebook (ninguém deu bola), então não resisti à atenção que ele estava me dando e perguntei se o navio por ser vertical, balançaria menos. Aproveitei e perguntei em francês para ganhar mais moral.
Quem não trabalha embarcado nem desconfia, navios balançam muito, amarramos os móveis para dar uma idéia. Minhas primeiras 24hrs em alto mar, foram vomitando sem parar de cara na privada. Só não larguei tudo, porque não tinha outro emprego, era aquilo ou nada. Com o tempo, o organismo acostuma, mas não é moleza.

Ele adorou, mas era menos do que esse gênio merecia.
Falou que sim, que não balança como os demais, que o homem sempre navegou na superfície, enfrentando as ondas e que esse navio era inovador por isso, pela hidrodinâmica e estabilidade revolucionários, a maior parte da embarcação é submersa e abaixo da linha da água, onde justamente se balança menos.
Quando encerrou sua apresentação, veio falar comigo, deixou folders caríssimos do projeto, elogiou o interesse. Fiquei de boca aberta, mas deu para balbuciar um “Merci”.



Nelton Friedrich estava sentado na Tenda da Água na véspera de sua apresentação na homenagem à Danielle Miterrand. Já assistira outra apresentação sua, na Carta da Terra na própria Cúpula, igualmente com Boff conforme contei acima, e já havia visitado o stand da Itaipu Binacional no Cais do Porto, então me senti à vontade para ir elogiar. Nelton Friedrich é realmente um líder, a primeira coisa que fez foi perguntar meu nome e apertar minha mão. Ninguém faz isso, o natural seria me ouvir elogiando seu trabalho anonimamente e me despachar. O mais impressionante não foi seu gesto, que é de destacar. Mas ao ver meu interesse, abriu a carteira e me deu um pen drive entupido de material oficial sobre Itaipu. São milhares de estudos de casos, estatísticas em postos de saúde, impactos em terceiras gerações, filmes das comunidades indígenas e até um caderno de receitas com itens produzidos organicamente no local, as receitas são todas das merendeiras dos 29 municípios englobados no projeto e tem até fotos dessas mulheres. Ainda não consegui ler tudo.
Pior, Nelton Friedrich se despediu dizendo que se eu precisasse de mais material, que poderia escrever para Itaipu pedindo, eles mandam...


Quem mais andou pela Cúpula:


Action Aid 

Ford Foundation 

Le Monde Diplomatique

Greencross, a Cruz Verde, brasileira e Internacional

IBASE, distribuindo gratuitamente sua revista, a ótima DemocraciaViva

IBRAM, divulgando o Circuito Verde de Museus

IDEC, brigando pela etiquetagem obrigatória nos veículos nacionais, para saber mais sobre quanto seu carro consome, visite o site deles.
Exibiram o documentário “Comprar, tirar, comprar – The Light Bulb Conspiracy” em evento específico sobre obsolescência programada.

IDS, Instituto Democracia e Sustentabilidade com 4 dias de eventos agendados

Associação Mico Leão Dourado e o Projeto Muriqui do Inea

IPE, Instituto de Pesquisas Ecológicas

Florestafazdiferença , já citados aqui no blog

ARFlora, Associação Rondoniense dos Produtores e Cosumidores de Florestas Plantadas, fazendo do plantio de árvores em Rondônia um grande negócio.

CREA-RJ, promovendo um Decálogo da Agricultura Sustentável

A Vetiver Brasil, promovendo o capim vetiver na contenção de encostas e filtração de metais pesados entre outros processos.

Projeto Pão de Açúcar Verde, Recuperação Ambiental do Morro do Pão de Açúcar

Baixada Verde, publicação da Onda Verde, totalmente impressa em papel reciclado

O Elo Participativo da Bocaina, distribuíram um jornal de layout moderno com as vitórias judiciais de famílias caiçaras para permanecer em suas terras.

Agricultura familiar do Polo da Borborema

Fundação Vitória Amazônia, promovendo o turismo de base comunitária na Reserva Extrativista do Rio Unini, AM – distribuíram o ótimo DVD fotografado abaixo.

ASPTA, onde comprei parte dos DVD´s abaixo, promovendo a agricultura familiar e agroecologia: Almanaque da Agricultura Urbana, Agricultura na Cidade e Hortas Caseiras.



A Rede Ecológica de quem comprei dois dos DVD´s acima, “Ser da Terra” e “Agricultura do Estado do Rio de Janeiro”. Foram os únicos a entregar um folder em papel reutilizado. O verso era escrito e carimbado:


Bandeirantes e Ecosteiros do Brasil

Casa da Mulher Trabalhadora, distribuíram muito material de qualidade, boa didática, fazem as perguntas certas: Existe diferença na criação de um menino ou de uma menina?, As mulheres não aparecem nos livros de história por que não tiveram papel importante?...

EcoMedicina, recolhendo assinaturas no abaixo assinado “Carta Aberta, Campanha pela Garantia do Acesso as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”, pela Homeopatia, Acupuntura e Fitoterapia nos postos de saúde pública.
Se não esteve lá, assine virtualmente, mas assine e se beneficie.

Núcleo de Saúde Mental no Trabalho e o Papel Pinel, a fábrica terapêutica e oficina de reciclagem do Instituto Pinel no Rio.

As simpáticas moças do cursinho pré-vestibular comunitário Henfil em parceria com a Terra Azul. E a charge do Henfil continua atual, tratando de desmatamento, poluição e extração mineral indiscriminada.



Apliquim Brasil Recicle ; líder nacional em descontaminação de lâmpadas com recuperação de mercúrio

OIA Instituto Ambiental, mostrando o tratamento biológico de resíduos através dos biosistema integrados

Renove, coleta e reciclagem de óleo na despoluição do Tietê explicando porque não se deve fazer sabão com o óleo doméstico.



Tele Óleo, coleta de óleo para reciclagem não tinham site, mas deixavam telefone de contato: (21) 3278-0443, 9694-8787, 7887-6608, 7877-4151

Poiatorecicla , os primeiros a reciclar guimbas de cigarro

Ecomarapendi, recicloteca e educação ambiental. Atuam onde fui criada e mantiveram um stand colorido com suas peças recicladas. Gostei das lixeiras para coleta seletiva aproveitando antigos monitores de computador.


O Guia Cuca, divulgando a cultura popular de Norte a Sul

Turismodagente , Revista Eco Turismo e a Central de Turismo Comunitário da Amazônia



O pessoal da Morada da Floresta, vendendo suas composteiras, fraldas e abiosorventes de pano. Comprei 2 abiosorventes, as fotos estão na postagem “Rio+20: de trazer na bolsa e na barriga”.






 















A Rede Eco Socialista Internacional

A turma do “Movimento sair do Capitalismo

Flaskô, a fábrica ocupada pelos trabalhadores em Sumaré, SP.
Mais informação: Fábricas Ocupadas e Memória Operária 

A União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo e Interior

O Forum Nacional de Reforma Urbana

Corretores do Condomínio Ecológico Vale do Tinguá em Nova Iguaçú, RJ

A Escola Bosque de Belém do Pará

Óleos essenciais da Entre Folhas

As moças da Costurart, cooperativa carioca: 8886-6512 \ 2418-0327

O Ateliê Baú de Panos, todo 1 sábado do mês na Feira do Lavradio, (21) 3233-1233 , 9566-9561 , 9620-9536

Bolsas em banners reciclados, estavam esperando todo mundo ir embora para catar os banners da RIO+20 e fazer uma nova linha. Vendem até malas de viagem multicoloridas. Não tinham site ou folder, peguei o telefone: (21) 8357-2783

As artesães da Maré, as roupas da barraca do Devas, devas.org.br

As roupas da Justa Trama Fibra Ecológica , justatrama.com.br , visite o site e veja a relação de parceiros, são cooperativas por todo país, do açaí ao algodão orgânico.

Banco Comunitário de Saracuruna, fizeram ótima apresentação em tenda livre junto com o Banco Comunitário da Cidade de Deus. Para conhecer melhor bancos comunitários, vá na Rede Nacional de Bancos Comunitários



Ulbra de Porto Velho em RO, fizeram boa apresentação e distribuíram gratuitamente ótimo material sobre tema indispensável, Biopirataria.
O mesmo advogado peruano do Instituto de Biopirataria do Peru, que estava no Seminário com participação de Vandana Shiva, estava na apresentação da Ulbra.



Interessante: para tornar o assunto mais palatável, havia uma mesa (abaixo) com os principais gêneros brasileiros que estão sendo biopirateados ou em disputa de patente, como o cupuaçu, castanha do Pará, açaí, rapadura e água de coco.





 


Gaia Ecovillages
Estavam com uma tenda imensa à disposição, não divulgaram programação fixa e fomos esperando workshops diários de práticas permaculturais de bioconstrução.
Vi a tenda cheia todos os dias, momentos intimistas com pessoas sentadas em roda com velas acesas, debates filosóficos e quase metafísicos, mas em nenhum dia vi uma oficina prática de captação de energia solar, águas pluviais, horta doméstica ou bioconstrução em adobe. Fez falta.
Coube ao Sebrae, entidade pública do Governo que as Ecovilas tanto criticam, expor os protótipos do Aquecedor Solar de Baixo Custo e das cisternas em captação de água da chuva para irrigação por gotejamento da horta no quintal adjacente.
É na prática que a Permacultura ganha, onde termina o sonho e começa a técnica.
Através dessas técnicas que os gatos de luz acabam, a matriz energética reverte e o conceito de energia limpa deixa de ser uma fazenda eólica em área de restinga.
Como foi feito no Complexo do Alemão, no Vale Encantado ou na Favela da Maré e no Brejal, todos citados no Guia Carioca do Slow Food com a implantação do sistema agroflorestal onde antes havia um matagal.
Se aconteceram tais oficinas, peço perdão e deixo o espaço livre à divulgação.


 




A catarse coletiva, pessoas pintadas de índio com roupas de marca, batendo tambor e cantando Mercedes Sosa, Gonzaguinha, Raul Seixas, Geraldo Vandré e outros clássicos de protesto. Nesses eventos, observamos a angústia humana que a cultura de massa não sanou e a falta de informação de qualidade colaborou. Uma pena, tivessem participado das plenárias indígenas nas tendas de discurso inter-religioso, teriam compreendido a questão com mais profundidade, como provavelmente teriam feito os artistas citados.

 


Na Jureia, os universitários campistas bebiam água da fonte como se tomassem da fonte da juventude, os Guarda-Parques preferiam colocar no filtro, pingavam cloro e alertavam "Vai que um macaco ou preá morreu na nascente."
Para conhecer os Guarda-Parques da Juréia, vá na postagem “Na Juréia: os Guarda-Parques”. Para conhecer agricultores orgânicos, veja postagem “Você já foi ao Brejal? Então vá!”. Já para conhecer um sem terra de verdade, não um universitário de boné do MST, olha o pessoal da Via Campesina aí abaixo. É outra realidade.

 


Estava cheia dessa história, mas me sentindo da TFP, quando entrei num taxi e, conversando com o taxista, o ouvi reclamar dos hippies e índios bêbados, acampados no Passeio Público a poucos metros dali. Também estava cheio, eu não era a única.
Gosto de conversar com taxistas, já fiquei amiga de alguns, principalmente sambistas. Ganhei CD´s de seus sambas, ouvi suas histórias, troquei muito, já viram de tudo.
Quando na Juréia, preferi a companhia dos Guarda Parques a de qualquer voluntário. Em alto mar, sempre tive mais afinidade com os marujos e abordo isso em várias postagens daqui, como "Na Jureia: trabalho de peão", "Eu queria trabalhar com Sustentabilidade" e "Vistoriando 3 navios indianos no Cais do Porto".
O operário, na definição básica do termo, é sempre mais realista e pragmático do que qualquer outra pessoa. Um trabalhador não disfarça a realidade.
Se não trabalhar, não come. Mas se a atividade for insegura, morre.
Estava então no taxi, quando ouço o taxista com físico de estivador reclamar dos hippies, que há mais de 40 anos vendem um artesanato horroroso de durepóxi, que ninguém compra. Disse estar com 60 anos e sempre ter achado isso tudo ultrapassado.
Bem informado, sabia quais governos estrangeiros não haviam mandado representantes e, pragmático como disse acima, não acreditava em nenhuma resolução do Comitê que viesse a beneficiar o povo - exatamente como viria a acontecer.
Observou que todos os veículos da organização eram movidos a petróleo e disparou a pergunta do dia: "Quanto isso tudo não custou? E a Copa e as Olímpiadas?"
Fico imaginando a patrulha acadêmica politicamente correta formulando mil questões de dedinho em riste e me pergunto se teriam coragem de reclamar que “o camarada taxista pelegou e está sendo pequeno burguês”. Duvido muito.





















As pessoas entram aqui, leem sobre ecologia e pensam que sou hiponga e esotérica.
Não sou, lamento se desapontei, sou pragmática como qualquer peão.
Eu nunca vi uma faxineira, pescador, favelado ou sem terra “desbundado”.
Essas pessoas humildes em seu silêncio e dignidade, não arrancam flores para enfeitar o cabelo. Flor é fase da agricultura, atrai abelhas que são fundamentais ao processo de polinização e cultivo, a subsistência da família.
Tampouco andam descalços, não querem contrair verminose e parasitose.
Aliás, nunca vi uma indiana de “saião indiano”, indianas usam sári ou jeans e camiseta.
Lembra de “Carandiru”, quando Dr. Drauzio Varella diz que naquele dia (do massacre) muitas versões foram dadas (carcereiros, policiais, subsecretário de segurança, prefeito, governador), mas que ele só ouviu a dos presos? É por aí mesmo.

Se nossos indígenas viraram mendigos queimados em pontos de ônibus, é porque nós financiamos a agroindústria transgênica, a pecuária em larga escala, a indústria de bebidas prontas, trocamos de carro e celular todo ano e até os evangelizamos num modelo escolar que fala em uvas do Oiapoque ao Chuí. A saída não está em 80% da população em cidades favelizadas e 20% no campo lutando para não perder suas terras.
Não acredita? Dá uma lida:
Ativistas assassinados
Farra do Boi na Floresta Amazônica
Indústria pesqueira x pesca artesanal
O PAC não se paga: Jirau, Belo Monte e Mauá
Escolinha do MST tem a maior nota do Enem de SC
A bunge foi uma das empresas que financiou o Código Florestal
Cachaçaria certificada como orgânica seca lagoa de reserva indígena
Monocultor a beira da falência adota sistema agroflorestal e reverte o quadro
A sombra de um delírio verde, a luta da maior tribo indígena do país para salvar suas terras da monocultura de cana do etanol



Os hippies, índios (falsos ou não) e ambulantes vendendo de tudo, até DVD pirata:













Se indígenas em aldeias usam penas é porque convivem com animais que as deixam cair, ou aproveitam de animais já mortos. Não criam animais em cativeiro apenas para extrair à força penas que serão vendidas como artesanato engajado. Pessoas em cidades, usando penas de animais não são hippies nem sustentáveis, é só perversidade e ignorância.








Vendiam bem, mas não encarei esse kibe e esfirra.






Dança circular está na moda, todo mundo arrumadinho e combinandinho


Essas não fazem dança circular, nem sabem o que é isso, só tentam manter uma tradição quilombola de 300 anos. Olha a cor da pele dessas mulheres, seus traços e físicos. Diferente da imagem acima, não?

 






Wilson Cruz, sujeito sério, sabe do que fala e faz reciclagem artesanal de verdade
wilsonpaiz@ig.com.br / (21) 6816-1611, 67456295
















 A realidade do lixo brasileiro, que não evapora ao cair nas lixeiras públicas:






Para conhecer mais dos grafites politizados abaixo, dá uma olhada na antiga postagem "Arte na carroça do catador de lixo"







Ele é branco, mas pode usar cocar. Rosa Villamayor Orue também pode, fala Guarani.
Frade franciscano, simpático e simples como a filosofia de sua ordem, alemão de nascimento tem 22 anos de Brasil, passados no Piauí e Rondônia, acompanhava um grupo de indígenas com quem vive. Perguntou se o kibe de forno vendido no quiosque do pão de queijo orgânico estava bom. Respondi que sim, mas que ia no pão de queijo. Quando avisei que o kibe era vegetariano, sem carne, ele teve uma reação única, de católico praticante, “Claro, hoje é sexta-feira!”.
Conversamos sobre o mentor dele, São Francisco de Assis, citado em tantos discursos, e ambos concordamos em algo: provavelmente estaria discordando de muito.





 



A única bebida ambientalmente correta de todo evento, sendo vendida por membros do MST. Quem não queria a polpa, deixava o coco inteiro no tronco da árvore para quem quisesse, não precisar comprar. R$2,00 cada coco.











Os fotógrafos ao ar livre deram um show:

Fernando Amazonas




Miguel Igreja




Expostas na Tenda do Cerrado:

 

Belezadamargem.com  





As tendas de mídia livre, com jornalistas e não-jornalistas do mundo todo cobrindo on line em tempo real.



4 comentários:

Anônimo disse...

Caracas, qta coisa pra ler! O que + me interessou material sobre Monsanto e Paraguai. Depois comento.
Bjs
Ana - Araça

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

gostou?
dá uma lida abaixo:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2010/09/o-mundo-segundo-monsanto.html

bjs

Anônimo disse...

Já tinha lido e vi o filme. Monsanto não é só lider de produção, é lider na medição do PIB, com fábricas no mundo todo e empregando milhões de pessoas. Isso é poder! Presidentes e outras autoridades estão aí para servi-los. E nosotros acá vamos mesmo nos acostumando com tofu modificado. Pelo menos não contribuimos pro massacre dos atuns (acima).
Bjs
Ana

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ana, me manda seu email em nova mensagem.
Não aprovo para deixar em particular.

abs e bom final de semana