sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vaso sanitário de Cingapura transforma dejetos em combustível

As pessoas em geral alimentam algumas ilusões, mesmo dentro da sustentabilidade.
Não existe biocombustível industrial "verde", se pretendemos substituir a matriz de óleo mineral (petróleo), a solução não consiste em devastar e desapropriar áreas nativas para plantar cana, mamona, milho, canola, babaçu, cânhamo, soja ou seja lá o que for.
Pior, uma vez que a demanda energética seja invertida, esses cultivos hoje "alternativos", tornam-se propriedade e patente da agroindústria transgênica e, o que era para ser uma opção sustentável, vira a ferramenta de manipulação de sementes e desapropriação de comunidades indígenas ou da agricultura familiar.
A solução consiste no transporte público e coletivo de qualidade, para que menos carros circulem pelas ruas. Se cada família chinesa comprar um carro elétrico, o mundo não melhora em nada, afinal aumenta a demanda por energia elétrica, novas hidrelétricas (termoelétricas ou usinas nucleares) serão construídas, além da matéria prima e recursos naturais como água e energia demandados na fabricação dos veículos.
A qualidade de vida é antes de tudo morar perto do trabalho e trabalhar em jornadas mais curtas e flexíveis.
Assim, quando uma minoria precisar de deslocar autônomamente, combustíveis realmente alternativos, como metano doméstico, óleo de fritura reutilizado ou mesmo um carro elétrico, podem ser utilizados sem maior impacto. Em Buganvilia, o povo, isolado numa eco-revolução para expulsar uma mineradora, produziu seu biocombustível através do coco. Não acredita? Assista ao filme "A Revolução dos cocos".

Uma fazenda de vento com suas turbinas eólicas também é insustentável, não tanto quanto uma hidrelétrica de grande porte, mas impacta em larga escala e aqui mesmo no Brasil, já temos movimentos populares contra suas instalações em suas terras, especialmente nas áreas de restinga. As soluções em sustentabilidade passam ao largo da padronização em larga escala, cada caso é um caso e as alternativas encontradas são sempre locais, menores e descentralizadas.

O modelo abaixo, de sanitário que transforma os dejetos em metano é cogerador de energia e pode ser uma das soluções nos grandes centros urbanos, onde um sanitário seco e biodigestor por unidade residencial são impossíveis de serem implementados.
O ideal: o sanitário cogerador não ser dependente de energia elétrica, mas usar esse metano para alimentar seu sistema autônomo. Ainda, a água ser de reúso da pia ou chveiro.

Lembro que aproveitar fezes não é novidade, os orientais já transformam seus dejetos em adubo, revendendo os mesmos ao fazendeiros desde a antiguidade. Nós, a civilização moderna e tecnológica é que nunca encontramos uma solução em larga escala para o problema.


Vaso sanitário de Cingapura transforma dejetos em combustível

Sistema também economiza até 90% de água, dizem cientistas.
No-Mix Vacuum começará a ser utilizado em 2013 em universidade.

Um grupo de cientistas de Cingapura criou um vaso sanitário ecológico que transforma a urina e as fezes em adubo e combustível através de um sistema que ainda economiza até 90% de água.

Os pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang anunciaram que o protótipo do No-Mix Vacuum começará a ser utilizado em 2013 nos banheiros da instituição acadêmica de Cingapura, um dos países mais desenvolvidos da Ásia.

"A Universidade está produzindo seu próprio vaso sanitário para o ano que vem. Várias companhias, incluindo imobiliárias e até um parque temático já mostraram interesse no sistema de evacuação desde que foi anunciado (no final de junho)", contou à Agência Efe Lester Kok, do Departamento de Comunicação do centro.

O vaso ecológico é equipado com dois recipientes que recolhem separadamente os dejetos líquidos e sólidos, além de um sistema de sucção similar ao utilizado em aviões.

A urina é transportada a uma câmara onde se decompõe em nitrogênio, fósforo e potássio, utilizados como adubo, enquanto os excrementos chegam a um biorreator que os processa e transforma em biocombustível de metano.

O gás metano é inodoro e pode ser utilizado para substituir o gás natural no fogão e ainda pode ser empregado como gerador de eletricidade.

"O sistema No-Mix Vacuum não exige que o vaso sanitário esteja conectado aos encanamentos da rede de hidráulica e ao esgoto", explicou Kok.

O vaso sanitário usa apenas 200 ml de água para evacuar a urina e um litro para os dejetos, o que representa 90% de economia em relação ao sistema convencional, que utiliza de quatro a seis litros a cada vez.

Com uma média de cem usos por dia, o banheiro idealizado pelos pesquisadores de Cingapura utiliza 160 mil litros a menos em um ano, suficiente para encher uma piscina de 160 metros cúbicos.

O professor Wang Jing-Yuan, diretor do projeto, afirma que o sistema que leva o material, que também transforma as sobras de comida e outros resíduos orgânicos em fertilizante e energia, representa um método de reciclagem mais eficiente e barato, já que realiza esse processo de forma automática.

"Separando os dejetos humanos domésticos e processando-os in situ, economizaremos a verba dos processos tradicionais de reciclagem, já que o sistema inovador utiliza um método mais simples e barato para produzir fertilizantes e combustível", defende Wang, doutor em tecnologia ambiental pela Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos).

A universidade singapuriana negocia agora com as autoridades da cidade-Estado a instalação de protótipos nas casas de uma área residencial que se planeja construir e acredita que cidadãos de outros países possam adotar os banheiros ecológicos nos próximos três anos.

Segundo os pesquisadores, o sistema também foi pensado para hotéis e construções afastadas que não contam com rede hidráulica e saneamento e precisam de certa autonomia.

O dispositivo No-Mix Vacuum faz parte de um programa iniciado há dois anos com um financiamento de dez milhões de dólares singapurianos, (cerca de US$ 7,8 milhões), concedido pela Fundação Nacional de Pesquisa de Cingapura.

A Universidade Tecnológica de Nanyang apresentou o projeto na feira de ciência e tecnologia WasteMet Asia 2012 em 4 de julho em Cingapura e assinou um acordo de colaboração com o Centro de Engenharia da Terra da Universidade de Colúmbia (Estados Unidos).



Mais informação:
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Um comentário:

Anônimo disse...

Saída perfeita para despoluir rios, oceanos ou qualquer lugar onde se direciona rede de esgoto. Se de baixo custo, na área rural seria solução e fim de fossas que sempre precisam ou ser refeitas ou limpas e os dejetos vão parar na mata, rios. De quebra adubo de baixo custo, presumo. Adeus fábrica de ácido sulfúrico.
Ah... Brazil Futebol Club.
Ana - Araça