terça-feira, 2 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende (ou a mudança de uma blogueira sustentável) - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

Mudei de casa há 3 semanas e com isso vão aparecer algumas postagens que estavam esperando sua vez na fila.
Minha mudança não foi das mais fáceis, eu estava embarcada antes por 1 mês e minhas coisas já vinham encaixotadas há pelo menos outros 2, em virtude da procura pelo novo imóvel.
Para dar um ar mais dramático, caí gripada na véspera da mudança e logo na primeira noite na casa nova, uma garrafa de água imensa (e cheia) caiu no meu pé. Pânico total, a dor monstruosa, o estrondo da garrafa de vidro estourando no chão, os cães latindo e em uma fração de segundo o instinto de sobrevivência: "Cortou meu pé?".
Não cortou, mas deixou inchado e foi uma dor comparada a de um cálculo renal. Com os dias, tudo passou.

Ao longo desses meses, procurei manter o blog ativo, mas as postagens vieram meio que na base do "copiar e colar", não teve jeito. Agora, devem vir mais caprichadas e até contando as "gambiarras sustentáveis" que venho pondo em prática na casa nova.

Mudar com 3 cães nunca é fácil, mas agora pelo menos estou morando em casa e com mais espaço.
O meu apartamento antigo era bom, prédio com serviços de apart hotel em área nobre, mas eu detestava...
Nos 3 anos em que morei naquele apartamento luxuoso do Flamengo, morei contrariada e confesso que voltar para casa, era um certo sacrifício. O bairro é ótimo, a Feira de Orgânicos de lá tantas vezes apareceu por aqui, Pipa foi adotada na pracinha do Ataualpa, pude ir e voltar da Cúpula dos Povos a pé em todos os dias - mas, eu detestava com todas as minhas forças aquele imóvel duplex com 2 mezaninos de cara para a rua. Acontece e é muito chato.

Voltei a morar na Tijuca, no Maracanã para ser mais exata, onde morava antes de mudar para o Flamengo. O blog começou a ser escrito no meu apartamento anterior do Maracanã, um apartamento antigo com jeito de casa, área externa e teto em telha aparente (como um telhadinho), está registrado na fotos da postagem da lavanderia com reúso de águas cinzas. Olímpia foi adotada nessa época, numa clínica veterinária a 2 quadras dessa casa e Margarida viria a ser adotada já nos tempos do Flamengo, mas nessa mesma clínica.

Em quantos lugares eu já morei? 18, contando o atual. Só na Barra, onde cresci, foram 7. Voltemos aos assuntos tijucanos, outro dia, falo sobre a Barra, que cresceu junto comigo.

Eu gosto da Tijuca, principalmente do Maracanã, essa é minha terceira casa no bairro, que particularmente acho bonito, bucólico ainda cheio de casas antigas. É muito central, perto de tudo, com metrô e a vizinhaça é geralmente ótima, pessoas normais que trabalham, tocam suas vidas honestamente e mantém um clima de cidade pequena no bairro cheio de igrejas centenárias. Estranho ter que falar disso, mas hoje em dia, encontra-se muito desajustado e deslumbrado.
Luiz Fernando Veríssimo em um dos seus livros, "A mulher nua" se não me engano, diz que a gente não vive, convive. Está certo, conviver é um desafio diário, principalmente conviver consigo mesmo.

Mas vamos ao primeiro móvel que eu fiz nessa casa nova: minha mesinha de cabeira.
Por que eu não tinha uma mesinha de cabeceira no apartamento anterior do Flamengo?
Ora, porque a planta dele (que quase me enloqueceu) não permitia isolar os cães, então acabei vendendo todos os meus móveis de madeira de lei comprados na Rua do Lavradio - outra prática sustentável defendida aqui, móveis antigos, que duram mais e são naturalmente reciclados.

Eu não queria comprar móveis (antigos) novos, estava traumatizada, afinal comprara tudo para o apartamento com jeito de casa do Maracanã, tive que vender para o apartamento do Flamengo (não passou pelas escadas - o apartamento era duplex, lembra?). Então vendi tudo no Mercado Livre e comprei outros restaurados novamente na Rua do Lavradio, zona boêmia tradicional com grande antiquariato aqui do Rio.
Como a planta do Flamengo era moderninha, um duplex com 2 mezaninos, os cães não puderam ser isolados e começaram a roer a beira dos móveis. Na época, eu ainda não tinha a Pipa, mas a Marga, quando o assunto é destruir, não precisa de ajuda. Olímpia mesma, que é um cão dos mais fáceis, já me mostrara a que veio comendo a barra de um tapete persa imenso e maravilhoso, cujo restauro custou quase o preço de um novo...
Enfim, vendi tudo novamente no Mercado Livre e fiquei, dos 3 anos por lá, pelo menos 2 morando num apartamento sem móveis. Para não dizer sem móveis, tinha uma cama box, o armário de roupas e a estante de livros trancafiada num quarto.
Para dar uma ideia, de quanto eu comprei na Rua do Lavradio e vendi no Mercado Livre, quando eu vou à rua, um dos lojistas sai da loja para me cumprimentar e perguntar se não estou precisando de nada (!!!). Os meus compradores no Mercado Livre, além de terem me avaliado positivamente - Graças a Deus - ainda votaram no blog no TOPBLOG passado, tinham dúvidas sobre móveis antigos, eu mostrei os links e eles votaram no site agradecidos (!!!).
Estava, além de traumatizada desse compra-vende de móveis, muito cabreira com o destino que daria ao meu dinheiro - que não dá em árvore.

Então, vinha desolada pela rua, quando dei com a melhor Feira do bairro, a feira de quintas na Prof. Gabizo (rua que deságua no estádio do Maracanã). Foi olhar aquela bagunça e na mesma hr, a luz se fez: Vou fazer tudo em caixote de feira!

E fiz, seguem as fotos:

Existem vários tipos de caixote, os mais fortes (ideais para estantes) são vendidos pelos feirantes a R$3,00 ou R$4,00. Eu consegui levar o trio a R$10,00. Os mais fracos são dados de graça e servem para mesinha de cabeceira, banquinho ou móveis que não vão suportar muito peso.

Veja ambos abaixo:



O caixote mais forte fica bonito em seu estado natural e virou uma estante que vai aparecer numa postagem futura em breve (prometo). O caixotinho mais fraco deve ser pintado, para pintar 4 caixotes, gastei 2 latinhas de esmalte sintético com 900ml cada. Custo total da tinta (e do móvel): R$25,00 - os caixotinhos foram de graça, não esqueça.



Já pintados, 2 mãos de tinta com intervalos de 4hrs entre os serviços, esperando outras 24hrs a tinta secar para virar e pintar por dentro. Repare na foto abaixo que os caixotes mais resistentes (comprados a R$10,00 o trio) já estão empilhados para virar a estante de livros.



A mesinha já pintada em azul royal (ou Azul del Rey, como prefere o fabricante), empilhada com distribuição de peso para dar algum movimento e balanço. Não usei uma ecotinta, estou sem fogão para fazer tinta caseira e conto as aventuras da cozinha nova (sem fogão) em outro dia.



Olimpia e meu quimono, que é coincidentemente da mesma cor e se encaixou bem no vão do armário antigo. Ótimo, um prego a menos para bater e o quimono ainda fica à mão.                














A cor ficou linda, na minha opinião. Aproveitei outros enfeites em azul-marinho para arrumar e falo dessa flor artificial feita reciclando retalho de tecido em outro dia.
Azul combina muito com amarelo (ou laranja), já o verde (a cor da minha casa antiga no Flamengo) vai melhor com violetas (ou vinho). E ambos ficam lindos com todas as matizes de castanhos, além do branco e preto.






              
Pipa e Marga, amigas, a primeira foto da Pipa já mocinha por aqui. Fez 1 ano que ela veio morar comigo.










Mais informação:
Rio+10: Cúpula dos Povos
Feira de Orgânicos do Flamengo
Reuso de águas cinzas na lavandeira
A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)
A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels)


A adoção dos cães - vale a pena:
Olimpia
Margarida
Pipa


O resto da mudança:
Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão
Comendo a ração que vende - parte 03: estante de livros em caixotes de feira
Comendo a ração que vende - parte 04: forno solar
Comendo a ração que vende - parte 05: lavanderia
Comendo a ração que vende - parte 06: ventiladores vintage
Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina
Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas
Comendo a ração que vende - parte 09: caminha de cachorro em pallet
Comendo a ração que vende - parte 10: ímãs de geladeira
Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei

6 comentários:

Priscila Silva disse...

Muito legal! Aqui em casa uso desses caixotes mais frágeis para apoiar as plantas na varanda. E estou procurando alguns para montar um guarda-coisas embaixo da pia da cozinha. Ficou bacana sua mesa de cabeceira!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Priscila,
essa mesinha foi um achado mesmo. A cor ficou linda e eu não precisei bater 1 prego sequer, só empilhar tudo tendo cuidado com o peso.

abs,
Carol

Mariana MT disse...

Adorei a mesinha e a fotogênia das meninas. Margarida e Pipa parecem irmãs de sangue. Também adoro reutilizar caixotes pra organizar minha eterna bagunça. A sua ficou linda!!! Muitas felicidades para vcs 4 nessa nova casa!

sylribeiro disse...

OI, Carol que vida cheia de aventura a sua!
Também ja me mudei muitas vezes, mas parei de contar na decima vez, rs.
Das ultimas vezes meio que aportei num unico lugar, depois continuei na mesma rua, uma paixão aqui no centro.
Gostei muito dos seus moveis e da cor, vc leva jeito! Parabens e boa vida na casa nova, beijos

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi pessoal, a mesinha ficou boa mesmo, cabe tudo!
Quero encontrar um skate velho, abandonado e caindo de ruim. Assim eu o aparafuso embaixo da caixa-base e ela fica de rodinhas, mas com uma boa base de sustentação.
Não confio em rodinhas avulsas, principalmente tendo que empilhar outras 3 caixas por cima.

Estou colocando uma foto mais próxima da mesinha, para dar destaque a cor, que ficou muito bonita (na minha opinião).

Pensei numa cor boa para caixotes usados com plantas: vermelho (ou laranjão), deve dar o maior realce ao verde!

As meninas estão lindas mesmo. Um xodó só, aperto todo dia.

bjs em todas,
Carol

Fazendo vivo disse...

Oi Carol, tudo bem?
Acompanhamos o seu blog e gostaríamos de te mandar um convite por email, mas não encontramos o endereço aqui. Você poderia nos escrever?
Nosso contato é rppnbomretiro@gmail.com.
Um abraço!