quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão




Está vendo a escadaria acima? Sim, essa baita escadaria com jeitão medieval.
Agora imagina um sujeito mignon, magrinho com no máximo 1,70m de altura descendo essas escadas imponentes do século XVIII, enquanto empurra um imenso carretel de madeira industrial, daqueles de bobina de cabo?

O Camarão fez isso.

Camarão é o apelido do meu amigo Silvio Ronaldo, morador do Morro da Conceição no Rio, onde ficam as escadarias da foto. Ele e o Morro já apareceram em várias postagens por aqui, até cantando samba comigo no alto de um carro de som justamente na Praça Mauá, já que o Camarão também é presidente de honra do bloco local, o Escorrega mas não cai.

Eu sempre quis uma bobina de cabo, a primeira bobina que vi, foi justamente na casa do Camarão, toda trabalhada em mosaico e conto melhor na postagem dos pallets e reels linkada abaixo
Mas, como não é fácil de arrumar, há muitos anos pedi uma ao Camarão que, além de ter uma bobina na sala de casa, trabalha no Cais do Porto, onde é certamente um lugar cheio de pallets e bobinas.
Já havia esquecido do assunto quando logo na minha primeira semana na casa nova, recebo uma ligação dele avisando que encontrara 2 bobinas novinhas. Pegaria de carro e depois, eu só precisava passar para pegar. O Maracanã é perto do Centro e não levaria 10 minutos.
Perguntei pelo tamanho e ele me tranquilizou "da menor, 60cm x 60cm".
Fiquei sossegada e combinei o frete com um senhor que faz o transporte dos meus cães ao veterinário, quando embarco a trabalho, afinal as bobinas eram pequenas - segundo o Camarão.

No dia marcado, entro na Uno Mille do Taxi Dog e me toco para o Cais do Porto.
Chegando lá, me deparo com o Camarão descendo essa escadaria com uma bobina imensa, de pelo menos 1m. A outra, já esperava na calçada.
O motorista do taxi dog me olhou com 2 olhos muito arregalados e eu, sem ter a menor ideia de como resolver o problema, me desculpei "S. Sergio, eu juro que ele me disse 60x60".
A minha sorte é S. Sergio ser uma criatura ótima, muito despachado e que me respeita por eu ter tirado 3 vira-latas da rua e estar sempre na correria dos embarques.

No final das contas coube no carro, um milagre, provavelmente de São Francisco da Prainha, cuja escadaria leva à Igreja dele, tombada e em obras de restauro.

Se não conhece o Morro da Conceição, vá correndo, é um lugar lindíssimo no Centro do Rio. Uma espécie de ilha em estilo colonial cercada de prédios modernos por todos os lados.


Seguem as fotos das bobinas lá em casa.

No meu quarto, como uma mesa de canto, com um espelho imenso em cima, livros de sebos e a sacola de palha do Bazar Feliz, que eu uso para tudo. O espelho foi comprado há alguns anos numa calçada da Lapa por R$80,00. Está envelhecido e eu gosto dele assim, imperfeito.
O Bazar Feliz, que vende tudo que você possa imaginar em palha, também fica no Centro, mas na Saara - R. Regente Feijó, imagino que o nome tenha sido sugestão de algum cliente, afinal essa bolsa enorme (e boa) é tradicionalmente vendida a módicos R$10,00. Preciso voltar lá com calma, eles merecem uma postagem exclusiva, cheia de fotos com os preços baratinhos.
As flores são "espirradeiras" e foram catadas na árvore homônima da calçada da Oto de Alencar, rua do meu bairro atual, o Maracanã, que como muitas está toda florida com a chegada da Primavera.




A segunda bobina foi para o hall de entrada e confesso que pensei em pintar de preto para contrastar com os ferrolhos de metal enferrujados no centro, mas estou gostanto muito das imperfeições e marcas do tempo e uso, acho que traz personalidade. Tampouco estou sem tempo para nada e isso ajuda muito na hora de deixar os trabalhos de pintura de lado e gostar das coisas como estão.
Viu como as bobinas são imensas? Margarida é um bom cão médio de 15kgs e parece mínima comparando.



No primeiro dia, com um guarda-chuva já aboletado no vão central - ótimo, a mesa fica bem no hall de entrada mesmo, onde normalmente se alojam os guarda-chuvas de uma casa.
E no segundo, com as mil coisas que devem ser levadas para a rua, incluindo uma panela elétrica com garantia estendida, que só durou 1 semana.
O gancho de guindaste de navio não anda comigo, não - eu não sou o Capitão Gancho. É lembrança da minha primeira embarcação e estou deixando por ali, para segurar as contas como um peso de papel.

Eu conto na postagem anterior que estou por hora sem fogão, comprei uma panela elétrica para sanar o problema temporariamente e, como todos os eletrodomésticos modernos, não durou 1 mês.
Não entende por que os eletrodomésticos de hoje não duram nada? A postagem sobre eletrodomésticos retrô linkada abaixo, explica sobre obsolescência programada - é o melhor exemplo de fins que justificam os meios.





A fotografia do Morro da Conceição não é minha e está presente em diversos sites pelo Google Images, aparecendo o autor, damos os créditos.



Mais informação:
A casa sustentável é mais barata - parte 07: pallets e reels
Trabalhando no Cais do Porto e vistoriando 3 navios indianos
A casa sustentável é mais barata - parte 05: eletrodomésticos retrô
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi trabalhar e puxar samba na Zona Portuária
Comendo a ração que vende (a mudança de uma blogueira sustentável) - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

4 comentários:

Sandra Portugal disse...

Parabéns por ser finalista do Prêmio Top Blog 2012!
Infelizmente esse ano eu não cheguei lá, na minha categoria!
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com.br//

Priscila Silva disse...

Oi, Carol! Eu também gosto muito dessas bobinas, acho muito úteis. Quanto à falta de fogão, eu resolvi o problema com aqueles fogareiros elétricos, desses espiralados. O bicho não estraga nunca, e é bem mais barato que uma panela elétrica. O meu é só ligar na tomada, se apoia em três pesinhos de aço e não tem acendedor, é só um espiral com um cabo (como os de panela) e o cabo da tomada. Tenho fogão já, mas esse fogareiro sempre me quebra galhos quando o gás acaba inesperadamente... Abraços!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Sandra,
obrigada, vc é sempre muito gentil e atenciosa. Uma pensa o "projetando" AINDA não ter chegado lá - seu blog tb é excelente.

Um beijo muito carinhoso,
Carol

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Priscila,
tb pensei nisso, em camping é uma mão na roda... mas minhas panelas são d eferro e barro, vi logo que as resistências iam virar uma folha d epapel de tão amassadas...
É fogo, tô na mão da panela elétrica!

beijos :-)))
Carol