segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 04: forno solar

Nos primeiros dias, enquanto as caixas de papelão ainda fazem parte do mobiliário e as únicas opções de almoço são frutas, frango de padaria, prato feito no bar mais próximo e um ou outro biscoito, já que sem fogão nem uma pizza seria viável - boa para comer na hora, mas impossível de requentar no dia seguinte - o forno solar foi interessante. Depois, comprei uma panela elétrica e as comidas dela vêm por aí. Mas essa experiência solar vale o registro.

Peguei uma das caixas da mudança que estava largada, forrei com alumínio, colei algumas partes com superbonder e usei a tampa da máquina de lavar (em vidro) como tampa do forno. Funcionou.
Na Jureia, eu havia tentado fazer um forno solar, mas não deu certo e deixo os links abaixo para quem quiser ver e não repetir meu erro. Segundo quem entende, faltou uma tampa de vidro para que o sol entrasse e fizesse então o efeito estufa interno.

Seguem as fotos:

A caixa já forrada, algumas partes foram coladas com superbonder, outras não. A cola acabou e não me preocupei, não fez falta.




No dia mais quente do ano, 44ºC em pleno inverno, acomodei bananas maduras numa bandeja de inox e cobri com outra bandeja menor por cima.



Tampei o forno com a tampa da minha máquina de lavar e deixei no sol a manhã toda:








As bananas cozinharam, mas não fotografei, comi cozida na própria casca mesmo sem nada acompanhando.
Parti então para uma segunda experiência, legumes cozidos, que são o que mais gosto em qualquer churrasco.


Fatiei 1 cebola e 2 tomates, armazenei em pirex com tampa plástica e levei ao forno novamente, deixando a manhã toda no sol. Não cozinhou, ficou al dente e o sol já mudara de posição.
Como o sol da tarde bate na minha sala, resolvi trazer o forno para a sala e acomodar debaixo da janela.
Não coube, a caixa encalhou e tive que retirar o pirex do forno e improvisar na escada de alumínio.
Não funcionou, o efeito estufa sumiu é claro. Afinal o que cria o calor é um recipiente adiabático (que não perde calor ao meio) exposto ao sol. Deixando meu pirex largado ao sol, o calor se perdia pelo ar.

Então peguei minha panela de ferro, acomodei o pirex dentro e cobri tudo com plástico filme. A tampa da máquina não coube no vão da escada.




















Funcionou perfeitamente!
Os legumes ficaram cozidos no próprio caldo:



Corri na padaria da esquina e comprei 1 pacote de pão careca (farinha branca, era o que tinha), 1 pacote de batata palha pequeno e 1 lata de salsicha de soja.
Passei a mostarda l´ancienne francesa sem açúcar que amo e estava na geladeira e comi meu cachorro quente solar.



Em tempo: toda salsicha industrializada é uma porcaria, seja em carne ou soja. Para comer salsicha boa, compre das caseiras e artesanais como nossos avós faziam, nenhuma ainda é vegetariana.
Escolhi a industrializada em soja, porque pelo menos é uma porcaria que não matou nem um bicho para ser produzida.


Então deu vontade de fazer leite de coco, para bater com uma fruta, fazer cuscuz de tapioca para o café da manhã...
Segui o procedimento normal, enchi as chaleiras de coco ralado seco comprado a granel, completei com água filtrada, acomodei no forno solar e deixei ao sol por 4 horas.


O leite de coco cozinhou e então o bati no liquidificador.


Existem 2 maneiras de fazer leite de coco caseiro, eu só uso 1 e explico melhor.
Muita gente faz leite de coco colocando o coco ralado num pano de prato limpo e levando a uma bacia de água para então torcer e espremer esse leite que se formaria.
Eu particularmente não faço assim, prefiro ferver a água na chaleira com o coco ralado fresco ou seco e depois que esfriar, bater tudo no liquidificador. O bagaço residual pode ou não ser coado e deve ser sempre reaproveitado em inúmeras receitas.

Veja abaixo a diferença entre os leites de coco obtidos pelos 2 processos - o leite com cara de leite é o fervido, o leite mais ralo é o espremido e eu usei mesmo foi para cozinhar o arroz integral na panela elétrica.



Abaixo o meu cuscuz de tapioca com canela, ótimo pela manhã com uma xícara de café.




Microondas?
Não, obrigada!



Mais informação:
Soja é desnecessário
2 anos sem forno e fogão
Mamãe não passou açúcar em mim!
Celulares, radiação, câncer e esterilidade
Cuscuz de tapioca com leite de coco caseiro
Canela da China x Canela nacional "batizada"
Na Jureia: um forno solar onde chove sem parar
A casa sustentável é mais barata - parte 17 (forno solar a R$20,00)

11 comentários:

Clara disse...

Muito legal, Carol!

Mariana MT disse...

Eu tinha um microondas, que estava comigo há uns 4 anos, daqueles antigos, mesmo! Não usava muito. Ele quebrou no começo do ano...e não me faz a menor falta! Pensei em reaproveita-lo como forno solar. Coloquei um pão que fiz e deixei pra assar, num dia escaldante como hj, mas não assou. Depois coloquei no forno convencional e assou em 10m...acabou sendo vantajoso do mesmo jeito. Mas agora me toquei, preciso forrar com papel alumínio e acho que vou pinta-lo de preto por fora. Alguma dica? bjo

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Mariana, forno microondas parece ter sido feito para virar forno solar. Faz assim: pinta de preto por fora e na hr de assar as coisas, deixa a parte de vidro para cima para que o sol incida e entre, fazendo o calor.
Mas eu tb não sei se é calor o bastante para assar um pão ou bolo.

Eu estou querendo fazer um forno solar personalizado a partir de portas de metal soldadas com um tampo em vidro cortado na medida. Mas pretendo usar mesmo para desidratar frutas ou assar meus legumes que amo com um pãozinho, azeite e alecrim antes de dormir...

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Clara, obrigada! Seja bem vinda :-)

plenosol disse...

Parabéns pelos avanços!!
Estou a disposição para te ajudar a continuar desenvolvendo o cozimento solar!
http://plenosol.wordpress.com
Nicolau

Anônimo disse...


Você, definitivamente, é a rainha da paciência! Não seria + prático um fõgão convencional, desses das Casas Bahia a perder de vista?
Fiz cuzcuz de farinha de milho dessa + grossa com leite de coco caseiro. Demais! É de comer numa sentada todinho. Bjs
Ana Maria - Araça

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Ana, posta aqui essa receita, amo cuzcus de milho!
Outro dia comi curau no café da manhã, babei...

A saga do fogão ainda vai render, esse blog não incentiva eletrodomésticos novinhos, dá uma lida:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2011/04/casa-sustentavel-e-mais-barata-parte-5.html

bjs :-)

Anônimo disse...

Cuzcuz sem mistério. Deixei de molho no leite de coco + ralo a farinha de milho com pitada de sal (pode ser açúcar tipo cristal ou demerara) por umas 2 hs. Daí coloco na cuscuzeira por 1/2 hora. Tirar com cuidado porque fica meio quebradiço, mas bom pra nordestino nenhum botar defeito. E comer até. Engorda hem...
Bjs
Ana - Araça

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Vou fazer qquer dia desses, só arrumar o fogão - que delícia!

Anônimo disse...

Olá, Carolina!
Li esta postagem hoje e fiquei surpresa: não sabia que coco ralado servia para fazer leite de coco. Pensava que só o coco fresco prestasse, veja só...

Parabéns pelo blog, muito interessante.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi, coco seco é uma mão na roda, até cachorro come.
Mais prático do que manter coco fresco congelado para não azedar.

abs,
Carol