terça-feira, 13 de novembro de 2012

Além do pré-sal, o mito da autossuficiência em petróleo




O que para o Brasil é considerada a última fronteira antes do espaço, no resto do mundo é uma forma de energia poluidora que deve ser subtituída nos próximos anos por energias realmente limpas, não impactantes e de produção mais co-gerida, se não autogerida. Da mesma forma que o texto abaixo nos lembra da ineficiência do agronegócio em detrimento da agricultura familiar, fazendas de vento e hidrelétricas de grande porte tampouco são a solução.
Sinceramente, se petróleo trouxesse benefícios socias, Campos do Goytacazes e Macaé (as capitais nacionais do petróleo) estariam em melhores condições.
Não existe prospecção de petróleo "verde", da mesma forma que um carro elétrico por brasileiro (ou movido a biodiesel transgênico) não é solução de longo prazo. Quem acredita que a prospecção não impacta deve se perguntar por que qualquer praia perto de porto é poluída, se barcos de pequeno calado poluem, embarcações imensas e em atividade mineratória impactam ainda mais.

Lembrar sempre: a agroindústria transgênica corporativa e poluidora não erradicou a fome (nem as pragas), as vacinas não erradicaram a mortalidade infantil, o boom imobiliário não trouxe mais opções de moradia e a autossuficiência em petróleo não baixou nem o preço da gasolina nos postos.


The Power of Community: How Cuba Survived Peak Oil é um documentário que aborda como Cuba “sobreviveu”, ou melhor, precisou se adaptar radicalmente quando a União Soviética (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas-URSS) dissolveu-se. Assim, todos os subsídios, especialmente petrolíferos foram cortados, fazendo com que toda a agricultura cubana, até então petróleo e química-dependente (como a grande parte da nossa agricultura-agronegócio), tivesse que se modificar radicalmente sob a pena de não dar conta de alimentar sua população. Abordando a agricultura ecológica, a agricultura urbana, tal documentário se desenrola, fazendo uma grande crítica ao consumo e dependência do petróleo.
(...) pareceu que para a sociedade cubana a questão da agricultura não mais petro-dependente está tão introjetada, que não parece nenhuma novidade discutir tais questões com os estrangeiros que lá visitam.
A agricultura em grande escala, mecanizada e monocultural é totalmente petro-dependente e consumidora de insumos químicos, sejam estes fertilizantes/adubos (também derivados do petróleo) e agrotóxicos.
Claro que o bloqueio econômico, imposto à Cuba pelos Estados Unidos trás uma série de implicações e sanções para a população e o desenvolvimento local. No entanto, ouso dizer que por conta do pouco acesso ao petróleo, em parte sanado pelo solidariedade bolivariana da Venezuela, a agricultura cubana tem avanços importantíssimo visando uma sociedade para além do petróleo, para além da dependência desse ouro negro que degrada a natureza e explora as sociedades.
Alguns males, podem até vir para bem, veja o documentário e faça suas próprias conclusões.

Site Oficial do movimento com link para o filme: The Power of Community

Página do filme no Youtube: The Power of Community





O que aconteceria se ocorresse um vazamento no pré-sal das mesmas proporções que o recente vazamento de petróleo da BP no Golfo do México? A imagem acima tenta responder. Ela faz uma sobreposição do tamanho total da mancha de petróleo vazado no Golfo com o litoral brasileiro, mostrando quais unidades de conservação marinhas seriam atingidas – além de assustar qualquer um preocupado com as nossas praias.
A imagem é apenas ilustrativa, e sem fins científicos, mas ajuda a mostrar a dimensão do perigo que um vazamento no pré-sal representa. Ela foi apresentada nesta terça-feira (25) pelo Geólogo americano John Amos, que participa do VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), em Natal (RN).
Amos é Presidente da SkyTruth, uma pequena ONG de West Virginia que teve uma incrível ideia: usar a tecnologia de satélite, disponível para qualquer um por meio do Google Earth, para monitorar impactos ambientais, como os causados por exploração de petróleo no mar. A SkyTruth fez análises de manchas de petróleo em uma série de vazamentos, e foi a primeira organização a alertar para o maior acidente de petróleo do Brasil, o vazamento da Chevron na Bacia de Campos.





Para John Amos, vazamentos de petróleo vão acontecer, mais cedo ou mais tarde. Por isso é importante estar preparado. “Gostaria de acreditar que não vão ocorrer vazamentos no pré-sal. Mas como pode acontecer, o Brasil precisa estar preparado, ter os equipamentos necessários para limpar o óleo e priorizar as áreas protegidas que podem ser afetadas”, disse.
A dificuldade em se preparar para o pior ainda é grande. Uma das multas que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) aplicou na Chevron foi devido a falta de equipamentos para controlar o vazamento. Além disso, a tecnologia para limpar petróleo está defasada – foi investido muito mais dinheiro em tecnologias para explorar óleo do que para limpar vazamentos. Amos acredita que o Brasil deveria assumir a liderança em desenvolver essas tecnologias. “Sei que a exploração não vai parar. Mas eu queria ver o Brasil liderando o desenvolvimento de tecnologia para limpar petróleo e prevenir acidentes, porque parece que essa liderança não será assumida pelos Estados Unidos”.

A pergunta que todo o proprietário de carro se faz constantemente no Brasil é a seguinte: Por que o preço do combustível é tão alto? Por que a nossa gloriosa gasolina é tão cara? Por que os nossos próprios vizinhos sulamericanos, que não produzem petróleo, têm preços de combustível mais baixos do que nós? Por que diabos é tudo tão caro por aqui?

O Brasil possui atualmente a segunda maior petrolífera do mundo, a Petrobras. No ramo petroleiro, temos Eike Batista, um dos homens mais ricos do mundo. Além do petróleo, temos um mercado automobilístico em constante expansão e a um passo de se estabilizar como o quarto país que mais produz e vende carros em todo o mundo. Também somos pioneiros em combustíveis como etanol e biodiesel. Então?

Por que esse combustível é tão caro? Por que a gasolina é cara?

Ter carro é um pecado. Além de todos os impostos embutidos no preço do carro, que chegam a 29% do valor de tabela em um carro médio, e de outros tributos, como IPVA, ainda há aqueles que são pagos em uma série de serviços como abastecimento, troca de pneu, amortecedores, entre outros.

Mas, não foge do assunto. Por que o preço da gasolina é tão alto?

Quase 60 por cento (57,13%) do preço da gasolina é apenas imposto, segundo os especialistas. Mais da metade do preço do litro.

Quase alto suficiente em petróleo e com invejável cultura de cana de açúcar, por que um preço tão elevado? E o Brasil tem a gasolina mais cara do mundo.

E não é pouco não, os especialistas calculam que o preço do combustível esteja até 60% acima das cotações internacionais.

O que vocês acham da Petrobras exportar petróleo a um preço menor do que pagamos aqui no Brasil, enquanto nós, consumidores, temos que arcar com o valor altíssimo pela gasolina. Por que o preço não reduz? Até quando vamos comprar uma gasolina tão cara?

O Brasil é o único país do mundo onde a população não se beneficia pela riqueza de seus recursos naturais. Apenas os investidores internos, estrangeiros, o governo e poucos funcionários da estatal lucram com as riquezas minerais do país.

E como você explica o fato da Petrobras cobrar de outros países metade do preço que nos cobra pelo barril de petróleo? Para a extração desse petróleo que é exportado os custos são menores? Os bilhões de dólares de lucratividade trimestral obtidos pela Petrobras, os valores milionários gastos pela Petrobras com patrocínio de times de futebol inclusive na Inglaterra? Os cerca de cinquenta milhões de reais anuais pagos a titulo de conselho por “especialistas” em petróleo.

Por que os custos de produção da Petrobrás são cerca de 20 vezes mais que outros países produtores? Pois é o que pagamos a mais em média pelo litro de gasolina no Brasil. A Petrobrás vende a gasolina no Brasil e extraída no Brasil em média a R$ 2,50, como pode vendê-la na Argentina por R$ 1,60? A mesma gasolina extraída dos mesmos poços com os mesmo custos?

E olhem que os preços no norte do Brasil são ainda mais altos. Belém do Pará deveria reivindicar esse título: nós vendemos a gasolina mais cara do mundo. Que orgulho!

A Petrobras não é do governo. O governo federal tem só 37% das ações da companhia, mas tem 56% do voto, e como acionista majoritário, tem poder de decisão na empresa. Ou seja, a Petrobras é uma empresa como outra qualquer, porém controlada pelo Estado.

Mas, o preço da gasolina no Brasil é mais caro por causa da carga tributária.





Quem Faz a Festa?

No Paraguai, que não tem nenhum poço de petróleo, não tem pré-sal nem Petrobras, a gasolina custa R$ 1,45 o litro e sem adição de álcool. Na Argentina, Chile e Uruguai, que juntos, somados os três, produzem menos de um quinto da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool.

E o Brasil anunciou que já é autossufiente em petróleo. Serve pra quem? Quem faz a festa?

Estamos pagando quase 3 reais pelo litro da gasolina. Realmente, só tem uma explicação para pagarmos tanto: menosprezo e desrespeito ao consumidor.

Já houve quem sugerisse um boicote aos postos da Petrobras. Como?

A verdade é que parece que a cada dia que passa o custo do etanol e da gasolina ficam mais caro para o cidadão, o que me indaga muito, pois, não somos um país autossuficiente em cana-de-açúcar e petróleo? Então, logicamente, os preços não deveriam estar entre os mais altos da América Latina.

Antes de tudo, para analisarmos o preço de um produto precisamos pensar em seus custos de produção, armazenamento, deslocamento, lucro do produtor, lucro do distribuidor, impostos, safra (no caso do álcool), enfim, uma série de variáveis que resultam no valor final de um determinado bem ou serviço. Esta é à base do pensamento de um preço justo, mas, muitas vezes empresários se utilizam da ideia de preço do “vamos cobrar o que o mercado está disposto a pagar”. Muitos produtores de cana argumentam que a safra não está lá para estas coisas, já os donos de postos argumentam que a culpa é que estão pagando mais caro pelo combustível que também é altamente tributado pelo governo, e a população.

Dentre os diversos combustíveis, a gasolina, além de petróleo, tem em sua composição química o álcool, ou seja, cada vez que o preço deste produto subir, o preço da gasolina irá acompanhar o seu aumento. No entanto, o que podemos observar em diversas cidades do Brasil é que existe um grande cartel na venda dos combustíveis, seja diesel, etanol, gasolina ou GNV, pois, os postos, de diferentes bandeiras, praticam os mesmos preços ou valores similares. Quem perde com isso é o consumidor! Pois, fica sem opção de compra, tendo que pagar o que o mercado combina e ponto, o que contraria os valores essenciais do capitalismo.

A base do pensamento capitalista está na redução de custos e melhor qualidade de produtos e serviços para os consumidores, onde o cliente tem o poder de escolha na hora de optar por uma marca ou outra, por um produto ou outro, por um preço ou outro, mas, como lhe dar no caso de todos praticarem o mesmo preço do mesmo produto? É o fim da livre-concorrência, viramos reféns dos grandes cartéis, é um caminho sem saída.

Se somos um país autossuficiente em petróleo, se somos os maiores produtores de etanol do mundo, isto tem que refletir no preço dos combustíveis para o mercado brasileiro. Que se venda mais para o mercado interno em detrimento do exterior, que os cartéis sejam combatidos e punidos, e que os produtores e donos de postos que agem de má fé tenham mais transparência em todo esse processo, praticando preços honestos e justos.

O que nos anima é olhar para o futuro e ver que os combustíveis fósseis serão substituídos por energias limpas e renováveis, o que além de permitir preços inferiores, também contribuirá para despoluição de nosso planeta, refletindo numa melhor qualidade de vida para todos nós.

Mas, até lá… também já seremos fósseis…


Fonte: Portal Marítimo



Outros filmes para entender a questão:
A Revolução dos cocos
Cruzando o deserto verde
A sombra de um delírio verde


A pergunta que não quer calar: Por que todos os países produtores de petróleo, a exceção da Noruega, são pobres?

O que falta no debate sobre os royalties




Atualização de 2013: Importações brasileiras de petróleo mais que dobram em julho



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