quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 05: lavanderia

A postagem de hoje apenas ilustra a lavanderia lá de casa, para receitas de produtos de limpeza caseiros pelo Instituto de Permacultura da Mata Atlântica, a postagem específica sobre a casa sustentável traz todas as opções e mais dicas do tempo da vovó para remoção de manchas, deixo linkado abaixo.

Quando comecei a escrever o blog, morava em apartamento antigo com grande área externa, como uma casa, essa área aparece na postagem sobre reúso de águas cinzas. Como havia grande necessidade de limpar o terraço diariamente em função dos cães, uma única cisterna era o suficiente e não havia tempo hábil de acumular água para futuras lavagens.

Uma leitora do blog deixou a sugestão de uma segunda cisterna justamente para separar a água da lavagem da água do enxágue. Na época, como mencionei, não havia a necessidade, mas quando mudei para o apartamento do Flamengo, a necessidade surgiu e a segunda cisterna foi adotada na lavanderia improvisada dentro de um banheiro.

É muito comum as pessoas pensarem que para adotar práticas sustentáveis é preciso morar em casa. Morar em casa, como hoje eu moro, ajuda muito. Mas o meu antigo apartamento era um loft moderno duplex e sem área de serviço. Arquitetonicamente lindo, mas inviável na minha modesta concepção.
Para adaptar minha lavanderia à então nova realidade, abri mão de um banheiro e não me arrependo.

Hoje, na casa nova do Maracanã, tenho 2 áreas de serviço e posso ter quantas cisternas quiser, mas a verdade é que qualquer um pode implantar o sistema da foto abaixo num banheiro de empregada ou aquele lavabo que se usa uma vez ao ano, basta se desfazer de louças e box, como eu fiz no antigo apartamento do Flamengo.
















Lá em casa, uso sabão de coco em pó biodegradável e o sabão líquido da Ecobril, a linha biodegradável da Bombril. No lugar do Cloro da Água Sanitária, água oxigenada comprada em quantidade em laboratórios, mais em conta do que os frascos pequenos da farmácia e uma única embalagem a ser reciclada.










Medidas sustentáveis que podem ser adotadas em qualquer residência:
1. Adoção de produtos biodegradáveis
2. Abolir secadora de roupas
3. Reutilizar as águas cinzas
4. Sal, limão, amônia e vinagre para remoção de manchas mais persistentes. Ferver a roupa com um pedaço de sabão de coco também ajuda. A postagem da lavanderia na casa sustentável traz todas as dicas que encontrei.






A cada batida, sua máquina de lavar gasta no mínimo 60 l. de água. O modo "mini-carga" enche a vazão com 30 litros para lavar e outros 30 para enxaguar. Usando a "carga máxima", o modo lavagem usa então 60 litros para outros 60 de enxágue num total de 120 litros que podem ser reaproveitados.

Essa água vai literalmente pelo cano (de esgoto), uma água doce, tratada e potável, com um resíduo mínimo de sabão. A água da lavagem e do enxágue pode e deve ser reaproveitada de diversas formas, tanto para novas lavagens na máquina, quanto para limpeza de cozinhas, banheiros e áreas externas em geral, normalmente limpas com mangueiras, desperdiçando mais água doce.


Se tiver um jardim com horta, a água do enxágue pode ser usada facilmente em irrigação por gotejamento.

Um forma muito inteligente de maximizar o potencial de reuso, é lavar primeiro roupa branca, depois a roupa de cor, então a roupa preta-vermelha (que larga tinta) e por último os panos de chão.
Adotando esse processo, a economia de água é de pelo menos 300 l. semanais em uma única unidade residencial.

E a água dos panos de chão, tradicionalmente imunda, vai servir ainda para lavar o piso como já descrito acima.

Cada cisterna da foto custa R$20,00 no supermercado, a mangueira acoplada custa em média R$5,00 nas lojas de ferragem. Mais barato do que o cesto da roupa suja.


É uma questão de hábito, fomos ensinados a deixar a água correr para limpar melhor, a fazer uma segunda batida com água quente na máquina de lavar depois que os panos de chão são lavados... Todo esse desperdício aparece no verão, quando somos então obrigados a pagar por caminhões pipa disponíveis aos que podem se dar esse luxo.

Para lembrar sempre: você lava a roupa, o piso e empurra as próprias fezes com a mesma água doce e tratada pela Companhia Pública de Abastecimento que alimenta o filtro da sua cozinha.

Sinceramente, torço pelo dia em que máquinas de lavar sejam obrigatoriamente reutilizadoras da própria água da lavagem para o enxágue, original de fábrica e fiscalizado pelo Inmetro como já são os eletrodomésticos com o uso inteligente da energia e que o Código Nacional da Construção Civil obrigue as edificações a adotar padrões de reúso nas tubulações de águas cinzas, ou que as mesmas sejam destinadas ao descarte das águas negras (esgoto).




Em tempo, biodegradabilidade é a medida de degradação de uma substância por microorganismos em um tempo determinado. Tudo é então biodegradável, até petróleo, só que a degradação do mesmo leva 400 anos. É uma questão de quantidade despejada (por nós) versus o tempo de resposta do planeta, cada vez mais saturado. 
"A natureza não se previne, se vinga", Einstein.
Para entender melhor o impacto ambiental dos nossos produtos químicos não biodegradáveis nos rios, mares e lençóis freáticos, veja a postagem homônima Biodegradável




Mais informação:
Reuso de águas cinzas na lavanderia
Pia cheia de louça suja não é problema, é solução
Consumo de água x Aumento da população urbana
A casa sustentável é mais barata: parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata : parte 12 (faxina e controle de pragas)
Comendo a ração que vende ou a mudança de uma blogueira sustentável - parte 01: mesinha de cabeceira

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