quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Parque Cantinho do Céu



Projeto Cantinho do Céu recupera mananciais do Billings

Se poderes públicos de todo o mundo vêm se conscientizando da urgência de tratar suas áreas de mananciais, a maior metrópole brasileira não ficou para trás. O Parque Cantinho do Céu, projetado pelos arquitetos Marcos Boldarini e Melissa Matsunaga, do escritório Boldarini Arquitetura e Urbanismo, está mudando as feições da antes degradada represa Billings, um dos reservatórios que abastecem a cidade. 

A iniciativa - vencedora em 2010 do prêmio O Melhor da Arquitetura, da revista ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, na categoria Intervenção Urbana - faz parte do Programa Mananciais, da Secretaria Municipal da Habitação (Sehab). As intervenções começam com a implantação de redes de água e coleta de esgoto, mas ambicionam reestruturar o bairro com a melhoria das moradias e dos espaços públicos.


Fonte: Planeta Sustentável





Cantinho do Céu - sustentabilidade social e ambiental

Entre todas as urgentes questões urbanas brasileiras, uma que muito me aflige é a possível guerra entre sustentabilidade social e sustentabilidade ambiental. No meu modo de entender não há nenhuma chance de resolvermos, de forma significativa, uma das questões sem avançar no desenvolvimento da outra. Em resumo, não teremos uma sociedade mais justa se não buscarmos formas de desenvolvimento menos nocivas ao meio ambiente, e, não teremos um mundo com mais natureza se não resolvermos ao mesmo tempo nosso déficit social.

Acontece que estas duas “bandeiras” vêm de caminhos opostos e andam se enfrentando sempre que se encontram. Enquanto processos de melhoramento de vilas e favelas se aprimoram e tornam-se mais sofisticados, esbarramos na legislação ambiental toda vez que uma comunidade informal se encontra junto a um curso d’água. Levantar muros, como fez a prefeitura do Rio de Janeiro alguns anos atrás, me parece absolutamente inútil e simbolicamente condenável.

Por outro lado, insistir na lógica de que o concreto e o asfalto resolvem tudo não vai gerar uma sociedade mais justa porque o acesso ao verde (ou falta de) se insere como mais um gerador de desigualdades.

Por tudo isso, sou fã incondicional do projeto de Marcos Boldarini e Melissa Matsunaga para a favela Cantinho do Céu, na zona sul de São Paulo. O que antes era um depósito de lixo e entulho entre as casas e a represa Billings passou a ser um parque, a porta de entrada para a comunidade. Boldarini e Matsunaga inverteram a relação da comunidade com o lago e, ao fazer isso, melhoraram tanto a condição social da vila (mais esgoto, melhor acessibilidade e mais espaços de lazer) quanto a condição ambiental (a área do parque funciona como filtro de mão dupla entre as casas e o lago).

Dentre vários projetos interessantes promovidos pela Secretaria de Habitação da Prefeitura de São Paulo, este me parece de longe o melhor até agora. A estratégia de usar bacias hidrográficas como unidades de planejamento é absolutamente correta, os dois maiores problemas sociais e ambientais das favelas são o esgoto e as enchentes. Destaco também positivamente a estratégia de chamar arquitetos famosos para projetar nas favelas. O impacto de um Aravena desenhando para Paraisópolis é significativo, pois arrasta consigo todo um segmento da profissão (das revistas até os alunos) que ,de outro modo, não se interessariam.

Mas, acredito que a mudança verdadeira vem pela mão de Boldarini, Matsunaga e outros que, como eles, se dedicam ao tema por muitos anos. Mudar o desenho de uma calçada para desviar de uma árvore ou escutar as demandas dos moradores implica desenvolver uma sensibilidade para este tipo de obra que exige presença e dedicação.

É deste tipo de projeto que vamos precisar para alcançar as cidades que queremos (e merecemos) no futuro.


Fonte: ARQBacana






Moradia e (in)dignidade


Nos anos 70, quando eu estudava na Fau-Usp, um dos poemas mais lidos e comentados por estudantes e professores era “Fábula de um arquiteto”, de João Cabral.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Esses versos pareciam nortear a concepção e a organização do espaço, trabalho do arquiteto. A utopia possível de vários estudantes era transformar habitações precárias (eufemismo para favelas) em moradias dignas. O exemplo mais famoso e visitado naquele tempo era o Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado (Parque Cecap) em Guarulhos. Esse projeto de Vilanova Artigas era um dos poucos exemplos de habitação social decente, mas seus moradores não eram ex-favelados. 
De um modo geral, a política de habitação popular no Brasil consiste em construir pequenos e opressivos apartamentos ou casas de baixo padrão tecnológico, sem nenhum senso estético, sem relação orgânica com a cidade, às vezes sem infra-estrutura e longe de áreas comerciais e de serviços públicos. Vários desses conjuntos habitacionais são construídos em áreas ermas, cuja paisagem triste e desoladora lembra antes uma colônia penal que uma moradia. Isso acontece de norte a sul do país. Em São Paulo, os conjuntos denominados Cingapura são verdadeiras aberrações arquitetônicas, que subtraem do ser humano toda dignidade relacionada com a cidadania. É como se uma família pobre saísse de uma favela e ocupasse uma espécie de abrigo, e não um lugar para morar. 
Mas há mudanças e avanços significativos na concepção de projetos de habitação social, infra-estrutura, lazer e paisagismo, projetos que, afinal, dizem respeito à democracia e ao fim da exclusão social. Um desses avanços é o trabalho da Usina. Fundada em 1990 por um grupo de profissionais paulistas, a Usina tem feito projetos de arquitetura e planos urbanísticos criteriosos e notáveis, que contam com a participação dos moradores de bairros e comunidades pobres. Trata-se de uma experiência de autogestão na construção, cujos projetos, soluções técnicas e o próprio processo construtivo são discutidos coletivamente, envolvendo os futuros moradores e uma equipe de arquitetos, engenheiros e outros profissionais. Lembro que essa experiência era um dos temas debatidos na FAU na década 70, quando líamos textos de Sérgio Ferro e assistíamos com interesse às aulas de grandes professores como Flávio Motta, Rodrigo Lefrève, Flávio Império e Luis Carlos Daher e Renina Katz, entre outros. Nessa década brutalizada pela ditadura, a prática dos estudantes no canteiro de obras era uma aprendizagem incipiente e quase utópica, mas se tornou realidade em 1998, quando foi criado o “canteiro escola”, a que o professor e arquiteto Reginaldo Ronconi acrescentou a proposta do “canteiro experimental”, uma disciplina que faz parte da grade curricular da Fau-Usp. De algum modo, o trabalho coletivo da Usina relaciona-se com a prática do canteiro experimental, que, segundo Mônica Camargo, “é uma experiência pedagógica transformadora, que permite a compreensão das relações complexas entre teoria e prática, desenho e canteiro, técnica e estética”.    
Em graus variados, são essas relações entre arquitetura e sociedade que norteiam a visão e a prática de alguns profissionais que lidam com habitação social no Brasil. A arquitetura é um processo, e não um mero desenho, como diz João Filgueiras (o Lelé), sem dúvida um dos arquitetos mais talentosos e inventivos do país. Além do trabalho coletivo da Usina, há outros projetos arquitetônicos e urbanísticos relevantes, que apontam para soluções inventivas.
Acompanhei jornalistas do Estadão em visitas a conjuntos habitacionais em Heliópolis e à represa Billings, onde está sendo implantado o “Programa Mananciais”. Em Heliópolis, Ruy Ohtake projetou edifícios em forma cilíndrica, daí o apelido de “redondinhos”. A planta dos apartamentos de 50 m2 é bem resolvida, os materiais de construção e o acabamento são apropriados, e todos os ambientes recebem luz natural. Na fachada circular, painéis com cores fortes dão vida ao edifício. Esse projeto de Ohtake, e o de Hector Vigliecca (ainda em fase de construção) revelam um avanço notável na concepção da moradia para as camadas mais populares. Mostram também que é possível e desejável enterrar de vez os vergonhosos projetos Cingapura e Cohab dos anos 80 e 90.
Um dos projetos do “Programa Mananciais” é uma ousada e bem-sucedida intervenção urbana (infra-estrutura, paisagismo e lazer) numa das áreas mais pobres e também mais belas da metrópole. Situado às margens da Represa Billings, o Parque Linear (que inclui o Residencial dos Lagos e o Jardim Gaivotas) é, em última instância, um projeto de cidadania que contempla milhares de famílias dessa área densamente povoada da Zona Sul. Não por acaso esse projeto da equipe do arquiteto Marcos Boldarini recebeu vários prêmios no Brasil e no exterior. Além do enorme alcance social, o projeto foi pensado para preservar a Billings e suas espécies nativas.  Penso que a realização dessa obra de engenharia e arquitetura é um dos marcos do urbanismo brasileiro. Sem ser monumental, o Parque Linear é uma obra grandiosa e extremamente necessária, concebida com uma sensibilidade estética e funcional que dá dignidade a brasileiros que sempre foram desprezados pelo poder público. É também um exemplo de como os governos federal, estadual e municipal podem atuar em conjunto, deixando de lado as disputas e mesquinharias político-partidárias.  
Além de ter arquitetos e engenheiros competentes, o Brasil possui também recursos para financiar projetos de habitação popular em larga escala, como prova o programa “Minha casa, minha vida”. Mas é preciso aliar a vontade política a uma concepção de moradia que privilegie a própria vida dos moradores e sua relação profunda com o meio ambiente e o espaço urbano. Já é tempo de acabar com edifícios-pombais e casas-cubículos, que mais parecem abrigos asfixiantes, construídos com materiais de quinta categoria e péssimo acabamento.
“Construir, não como ilhar e prender”, diz um verso de João Cabral. A sociedade e o Estado brasileiro podem e devem reparar essa injustiça histórica e dar a milhões de brasileiros pobres uma moradia humana, e não um abrigo ou teto. Porque morar é muito mais do que sobreviver em estado precário e provisório.

Fonte: Estadão


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!


Quando for ao Rio Grande do Norte, não ande nos dromedários

A empresa Dromedunas, do francês Philippe Landrye e sua esposa Cleide Batista, explora dromedários para o turismo há mais de 10 anos na praia de Genipabu, a 20km de Natal. No ano 2000, cerca de 10 animais foram trazidos das Ilhas Canárias, território espanhol próximo à África, com investimento inicial de R$ 150 mil. Desde então, a empresa investiu parte dos lucros obtidos com a exploração dos dromedários em reprodução. Hoje, são 19 animais que rendem, em média, R$ 50 mil por mês à empresa, segundo matéria do Estadão.

Os dromedários passam quase 12 horas por dia (das 7h30 até o pôr do sol) carregando turistas que vibram pelo passeio peculiar, sem notar exatamente no que estão colocando seu dinheiro. Quando não estão com turistas nas costas, os animais se espalham na areia quente para descansar. O tempo inteiro, eles ficam com uma espécie de tela no focinho e fazem um constante ruído que dá a entender que o acessório que evita que eles mordam os passageiros ou comam coisas do chão não é cômodo.

Em 2011, a Dromedunas foi parar na justiça, que a acusa de manter o estábulo dos animais em área de proteção ambiental:




No Youtube, é possível encontrar vídeos de turistas conscientes, que filmam e denunciam o que acontece em Genipabu:






Você é um turista em potencial, por favor, diga que você não quer a exploração destes animais!

Dromedários estão sendo explorados para o turismo há mais de 12 anos nas dunas da praia de Genipabu, no Rio Grande do Norte. Queremos que esse negócio que gera riqueza e dor acabe. Além de contar aos amigos para não andar nestes animais quando visitar Natal, assine e divulgue a petição criada pelo ViSta-se.

O nosso objetivo é ter uma reunião com os representantes do Governo do Estado do Rio Grande do Norte para discutir o assunto. Na ocasião, levaremos sua assinatura impressa.


Assine a petição Avaaz linkada e ajude a mudar essa história




Fonte: Vista-se


Estando em Natal, vá para Noronha, é o melhor point de mergulho do país. E não coma o bolinho de tubalhau servido localmente. O tubarão não nasceu para ser salgado e substituir o bacalhau onde o mesmo não existe. Aliás, os animais não estão aqui para nos servir, todos somos terráqueos.


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Libertação Animal
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Tubalhau, um contrassenso em Fernando de Noronha
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Corrida de touros? Não, obrigada, a gente tem bola gigante!
Boa ação de verão para o ano todo: deixe água para os animais de rua

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A Sinfônica do Lixão




Num lixão paraguaio, um projeto de educação e reciclagem único tocado por maestros, como o Maestro Szarán.
Instrumentos musicais como violino, flauta transversa e violoncelo construídos com o que era encontrado no lixo - como latões e talheres tortos, a orquestra é formada então pelas crianças do local.
A orquestra já tem mais de 50 violinistas e o mais importante, os instrumentos não custaram mais do que a casa das crianças.
Os adultos do lixão passaram então a encarar seu trabalho não como lixo, mas como matéria prima para a orquestra.

A missão deles: ser uma ponte entre dois mundos aparentemente irreconciliáveis, formando mais do que bons músicos, bons cidadãos. A ponte é a música.












Mais informação:
Lixo Extraordinário
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O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Por uma infância sustentável

Eu não tenho filhos, mas convivo com muita gente que teve e vejo como é mais difícil implementar práticas sustentáveis em casas com crianças. As crianças são naturalmente mais permeáveis e tendem a incorporar melhor as práticas de reciclagem e educação ambiental, mas ao mesmo tempo, a propaganda estimula ao consumo desenfreado e está levando uma geração de brasileiros à obesidade precoce, principalmente em tempos de pais cumprindo jornada tripla e refeições prontas-lanches rápidos. É complicado e uma briga desigual.

Nas postagens sobre o Natal e a Festa Junina sustentável (ambas linkadas abaixo), você encontra muitas sugestões de atividades que substituem a ida ao shopping para comprar o presente, além de presentes e brindes sustentáveis e toda uma proposta assistencial que justifique as festas.

O mais importante é entender que se você passa o final de semana na frente da tv comendo biscoito de pacote, seu filho muito provavelmente repetirá seu exemplo. E essas atitudes, muitas vezes inconscientes, vão desde a escolha do animal de estimação, à reciclagem do lixo, envolvimento de todos da família em alguma atividade voluntária ou mesmo a construção do cardápio semanal servido no jantar.

O filme "Muito além do peso" trata das questões alimentares e deve ser assistido por todos, inclusive àqueles que como eu não têm filhos. É uma epidemia, um problema social que envolve todo mundo.

"Os dados são alarmantes: 56% das crianças brasileiras com menos de um ano bebem refrigerante – até mesmo em mamadeira. Um pacote de biscoito recheado equivale a oito pães franceses. Em cada cinco crianças obesas, quatro serão obesas no futuro. A maior parte das crianças brasileiras passa mais tempo em frente à televisão do que na escola. Redes de fast-food, em suas informações nutricionais, trocam a palavra “açúcar” por “carboidrato”.

Obesidade e sobrepeso carregam com elas outras doenças muito graves, que só víamos em adultos até então: diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, doenças do coração, pulmão, entre outros.  É preciso sacudir as pessoas em relação a esse assunto. Os pais sabem que seu filho está com colesterol alto, mas acreditam que vai passar, que sempre vai acontecer a fase do estirão. Muitos acreditam que a genética é a grande vilã e que seus esforços de alimentar seus filhos serão em vão. Poucos sabem que o fator genético ocupa somente 10% dos casos e que a obesidade e o sobrepeso podem também ser domados com uma reeducação alimentar”."

Fonte: Canal Ibase, A maior epidemia infantil da história





O Instituto Akatu, uma instituição séria e que dispensa apresentações, desenvolve um excelente trabalho on line no site Akatu Mirim, interativo e explicando em lay out de game de onde vem-para onde vai o celular, a garrafinha de água, a lata de refrigerante, etc.
A própria cartilha do Akatu desenvolvida em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade” pode ser baixada gratuitamente e tanto o site interativo quanto a cartilha servem como excelente material didático para crianças de todas as idades.



O outro lado da moeda:

Para que um modelo de produção injusto e insustentável se mantenha, não são apenas as crianças ricas as afetadas, as pobres pagam uma conta ainda mais cara, em desnutrição, baixos índices de escolaridade, trabalho escravo-insalubre, prostituição infantil e claro, nenhum acesso ao consumo dos produtos anunciados nos canais da tv.

Uma forma inteligente de mostrar que nem todas as crianças têm acesso às mesmas oportunidades é apresentar o excelente trabalho do Repórter Brasil na página Meia Infância, com as estatísticas, histórias e fotos de crianças indígenas prostituídas, trabalhando em carvoarias, matadouros e canaviais de todo país.


Pensando nisso, deixo mais 2 dicas de presentes que podem ser comprados no comércio convencional, além das muitas já listadas no Natal Sustentável, seguem:


O site de minha velha amiga Ana Carolina Trotta, Replay Brechó Virtual - com roupinhas, fantasias e muitos jogos infanto-juvenis, tudo em segunda mão e ótimo estado. Eu mesma ando de olho num "War" vendido por lá!
Ana Carolina e todos de nossa turma fomos sortudos, tivemos infância sem internet, íamos ao colégio de bicicleta e refrigerante era coisa servida só nos finais de semana.
O Replay tem página no Face: https://www.facebook.com/ReplayBrecho


As muitas lojas desse país que vendem produtos produzidos de forma justa, em cooperativa incluindo pessoas à margem do mercado de trabalho, reaproveitando material reciclável e fomentando todo o comércio "justo" tão em moda no exterior - mas que não emplaca nesse país louco por uma quinquilharia chinesa.


Katia Metello, leitora desse site, foi à luta e está fazendo sua parte com uma lojinha em Itaipava, região serrana do Rio.
Olha que linda a loja dela, Atelier O Quarto dos Sonhos, e como a proposta de trabalho é bacana:





"Em 1996 minha primeira filha a caminho, eu queria algo especial para o quartinho dela, que tivesse personalidade. Eu queria fugir dos bordados à máquina, resgatando o "feito à mão pela vovó" e nada de tons pastéis. Por isso pedi a minha mãe que costurasse algumas peças e assim surgiu o Atelier O Quarto dos Sonhos. Eu e minha mãe bolávamos para amigas e familiares os quartos dos bebês e logo depois das crianças já crescidas. Assim íamos acompanhando o desenvolvimento dos "nossos" bebês. Fugindo sempre dos temas já batidos e do tradicional rosa e azul, tudo aqui era desenhado à mão para cada cliente. É possível realizar qualquer sonho, como incluir o mascote da família, o time do pai, o desenho do irmãozinho, o tio rockeiro e tudo mais que imaginar! A experiência de mãe que eu ganhei com duas meninas e todas as clientes virou uma base que passo para todas as mães iniciantes - é possível decorar, reaproveitando móveis, reciclando o que se tem, dando um up no vizu, sem acabar com tutu - brincadeira a parte - é nossa consciência de fazer parte do mundo e fazer o bem, ajudar as pessoas e com transparência. Já cansei de dizer: "não compra meu edredon de berço pois a sua casa é quente demais, não vai usar nunca!" Crescemos pelo boca-a-boca das clientes e da confiança que depositavam em nós. Já tive cliente que no terceiro quarto conosco só ligou para avisar que estava grávida e para nós bolarmos tudo pra ela, diferente do que já existia, a única exigência. Crescer também significa aumentar a produção, mas sem cair a qualidade. Temos horror a essa coisa massificada de produção que explora e definha as pessoas. Eu queria pagar direito, tratar bem e ter boas pessoas por perto. Então busquei pessoas com dons de bordar, costurar e tricotar, mas que possuem dificuldades para o trabalho, como deficientes, ou com filhos deficientes, senhoras aposentadas, ou donas-de-cada que moram em locais de acesso difícil. Fui mostrando o trabalho e encomendando, ensinando a elas e elas a mim. Hoje muitas mãos estão comigo junto, e sei que posso contar com elas sempre, pro que der e vier. Tem gente até de uma igrejinha lá do sul do país bordando pra gente. Somos uma família e amamos o que fazemos. Esse trabalho prazeroso e lindo deu a muitas delas vontade de viver e um dinheiro a mais que ajuda sempre. E faço questão de pagar adiantado e sempre acima do mercado, para valorizar o que elas fazem com tanto amor, para nós. Eu e minha mãe continuamos a fazer de tudo- desenhos, corte, costura, atendimento e bordar. E estamos felizes por mais essa etapa de ter o atelier e a loja em Itaipava. Ela é toda azul, como um sonho no céu. E quem entra lá fica nas nuvens! Me sinto uma previlegiada de poder fazer o que se ama, ajudar as pessoas e ao planeta de alguma forma. Durmo com sorriso na boca todos os dias por isso! E agradeço a todas as pessoas que me proporcionam esse sorriso- minha mãe, as parceiras artesãs, as clientes e a minha família, que sempre me apoiou em tudo. Obrigada!!!"

Estamos no Shopping Valley- Est. União Indústria 9200 -lj6a (em frente a papelaria) - Itaipava
seg a sex - 10 as 17h - sáb. das 10 as 14h - (21)82723268



E pense também que você não está sozinho nessa, a reportagem e manifestação linkados abaixo, não me deixam mentir:


Ministério do Meio Ambiente reúne várias instâncias do governo para discutir o consumismo infantil

RIO — Era uma vez... Reescrever a história da sociedade do século XXI dentro de um modelo economicamente equilibrado, socialmente mais justo e ambientalmente correto, tudo isso a partir das crianças. O objetivo ambicioso está no capítulo final de um projeto que começou com a publicação da cartilha “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, lançada este mês, e que ganhará corpo, em janeiro, com a formação de um Grupo de Trabalho Interministerial que se debruçará sobre o tema. Capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o grupo contará, a princípio, com a participação dos ministérios da Educação e da Saúde e das secretarias de Direitos Humanos e do Consumidor. A ideia é coordenar ações e trabalhar questões que vão da obesidade infantil ao descarte de lixo, do compartilhamento de brinquedos à publicidade infantil.

— A importância do tema é óbvia, mas vem sendo tratada de maneira isolada pelos ministérios. O da Saúde trabalha no combate à obesidade infantil, com acordos para redução de sódio nos alimentos, por exemplo; o MEC trabalha no ensino fundamental educação para alimentação saudável; a Secretaria de Direitos Humanos, políticas afirmativas pelo bem estar da criança e contra o uso abusivo da propaganda e por aí vai. O que queremos com o grupo é trabalhar de maneira estruturada, com integração — explica Samyra Crespo, secretaria de Articulação Institucional do MMA.

Geração Rio 92 já é mais sustentável
Na avaliação de Samyra, o tema sustentabilidade ganhou uma aderência muito grande nas políticas públicas com a Rio+20. E apesar do desafio ser enorme, diz ela, é visível o avanço que houve da geração da primeira conferência do meio ambiente, a Rio 92, pra cá:
— A população adulta, que discutiu esse tema nos bancos escolares, hoje tem outra sensibilidade em relação às questões ambientais. Mas o tema ainda é um pouco quebra-cabeça para essas pessoas, que se preocupam com a natureza, mas como agem dentro de casa? Queremos é aproximar as realidades e deixar esse cidadão mais íntegro.
Angélica Goulart, secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, destaca que o olhar especial sobre a infância se dá pela possibilidade que esse período representa de real mudança de cultura:
— Família, sociedade, governo têm potencial de contribuir para essa transformação em direção a um mundo melhor. Educação em direitos humanos é um tripé para alcançar uma sociedade mais sustentável. Como ter respeito à natureza se não respeito às outras pessoas? É preciso consumir com a mesma responsabilidade com a qual a gente se relaciona com as coisas da natureza, os bens e as pessoas. Não podemos permitir a naturalização da violência entendida como uso inadequado do poder do mais forte contra o mais fraco, seja físico ou simbólico.
Angélica destaca que as crianças já têm uma sabedoria natural:
Elas estão muito mais abertas ao mundo, prestam mais atenção e observam as regras, afinal elas são chamadas o tempo todo a fazê-lo. Se durante a infância propiciamos uma experiência viva nessa direção, teremos adultos mais sensíveis, mais respeitosos .
Para Ana Wilheim, diretora executiva do Instituto Akatu — pelo Consumo Consciente, a formação de um grupo de trabalho sobre “Consumismo infantil” é de extrema importância:
No geral, as políticas públicas fragmentam as crianças. É preciso tratá-las de forma integral com vistas às necessidades que têm e considerando que elas estão em desenvolvimento. E o consumo tem sido fonte de uma ansiedade pelo “ter” que nunca se satisfaz e se reflete na obesidade, em doenças psíquicas. É na escola, na convivência do coletivo, que se resgata valores como compartilhar, trocar e estimular o criativo. E a criança acaba contaminando o adulto. A questão é que o modelo atual não está trazendo felicidade, mas doença.
Juliana Pereira, secretária Nacional do Consumidor (Senacon), pretende oferecer a esse cidadão engajado em práticas conscientes a possibilidade de exercê-las, exigindo do mercado as condições para tanto:
Todo cidadão está num contexto social. Estamos num momento de ampliação do acesso, em que é preciso construir consciência desse consumo e exigir do mercado que ofereça possibilidade para que o consumidor exerça esse engajamento.
Coordenadora de mobilização do Instituto Alana, Gabriela Vuolo, diz que a recém-lançada cartilha “Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade”, do qual o instituto é coautor, foi o primeiro passo na direção do trabalho do grupo interministerial. O texto tem como objetivo orientar pais e educadores a aplicar conceitos no dia a dia das crianças que freiem excessos e hábitos poucos saudáveis:
O consumismo não é um problema de um motivo só. Os pais têm um papel importante de estabelecer limites e dar exemplos, para não levar os filhos a uma lógica consumista sem perceber. A publicidade também tem um papel muito importante nesse contexto. Pesquisas mostram que até 12 anos de idade as crianças não diferenciam a publicidade da programação. Essa vulnerabilidade tem que ser respeitada.

Publicidade é tema a ser debatido
O impacto da publicidade na vida da criança é o tema de um estudo que a Senacon está fazendo em parceria com a Unesco, revela Juliana:
— A Senacon tem o compromisso de levar esse debate tecnicamente e há mais de um ano firmou parceria com a Unesco e passou a realizar uma análise científica e acadêmica desse impacto, com os maiores especialistas no tema. Além disso, estamos fazendo pesquisa de campo e estudo de várias regulações mundo afora. Quando estiver pronto, vamos abrir a discussão com a sociedade e a indústria será chamada.

Um estudo técnico é justamente o que defende o vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) Rafael Sampaio, usando como exemplo o que foi feito na Inglaterra sobre obesidade. Ele concorda que a publicidade é um dos temas a serem discutidos quando se fala de consumismo infantil. Mas discorda da forma como esse debate tem sido feito:
— O que temos hoje é um embate, cada um defende a sua posição. Como a publicidade é uma coisa fácil de controlar, querem começar a tratar o problema por ela. Se as soluções não são geradas de maneira coletiva, não funcionam — diz Sampaio, destacando que o consumismo está no gene humano — Vivemos 15 mil anos de escassez, o que quer dizer que o acúmulo era uma questão de sobrevivência. Somos descendentes destes que conseguiram acumular e sobreviver. A questão do excesso é recente, não tem um século. Viraram a chave da sociedade da escassez para o excesso e ela não estava preparada para enfrentar isso. A genética diz que a felicidade é ter mais. Esse será um processo demorado. É preciso uma mudança na psique humana.


Mais informação: site oficial Akatu




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