terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Na Juréia: banana de macaco (a banana com caroço)
Eu via essa bananeira dando sopa e ficava admirada com a beleza da flor, um dia me avisaram que a banana dela (mais miúda) era ótima, docinha, etc.
Agradeci a informação e fiquei de provar futuramente, as bananas por aqui são abundantes e uma variação a mais não chamou minha atenção.
A banana de macaco, ou banana selvagem, ou banana de mico tem caroço como a fruta do conde e, se as sementes forem plantadas, as mudas nascem e se espalham rapidamente, não é nativa e não se sabe quem introduziu na Mata Atlântica. "Uma praga que alastra", como dizem por aqui.
As sementes secando ao sol na varanda do alojamento:
Imagino ser chamada de banana de mico ou macaco por não ser própria para o feitio de doces e preparos culinários em geral, afinal ninguém remove esses carocinhos a não ser com os dentes.
E a banana tem gosto mesmo é de maçã!
Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
As frutas que ninguém come mais
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
Na Juréia: Eu preciso da sua ajuda
Como o que mais existe por aqui é vira-lata abandonado, acabamos adotando um.
Macho, filhote de aproximadamente 13kgs e batizado de Alegria.
O Alegria é ótimo, vai com todo mundo, não persegue gatos, não estranha ninguém e é realmente muito alegre.
Mas como só vamos ficar 2 meses por aqui, precisamos encontrar uma casinha para ele.
O Alegria está tratado, vermifugado e com todos os remédios (pulga, carrapato e berne) em dia, a castração ainda estamos correndo atrás.
Gostaríamos de encontrar um bom dono para ele, nos ajude a encontrar uma casa onde esse cão carinhoso e leal possa trazer o que seu nome diz, alegria.
Estamos em SP, a 1h e 30min de Peruíbe, no litoral sul.
Seguem as fotos do Alegria:
Macho, filhote de aproximadamente 13kgs e batizado de Alegria.
O Alegria é ótimo, vai com todo mundo, não persegue gatos, não estranha ninguém e é realmente muito alegre.
Mas como só vamos ficar 2 meses por aqui, precisamos encontrar uma casinha para ele.
O Alegria está tratado, vermifugado e com todos os remédios (pulga, carrapato e berne) em dia, a castração ainda estamos correndo atrás.
Gostaríamos de encontrar um bom dono para ele, nos ajude a encontrar uma casa onde esse cão carinhoso e leal possa trazer o que seu nome diz, alegria.
Estamos em SP, a 1h e 30min de Peruíbe, no litoral sul.
Seguem as fotos do Alegria:
Mais informação:
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Na Juréia: os cães
O que mais se encontra por aqui são cães abandonados, parte o meu coração ao meio. A cultura local nem imagina a castração como uma opção viável à saúde pública, sentem pena do cão "perder a diversão". Você senta para conversar com um local e ouve como resposta "Não deve dar mais cria, já foram 8 na primeira ninhada e agora, na segunda, só nasceu um, morto."
Eu silencio e fico sem saber o que fazer com tantos cães vagando pelas ruas e estradas, magros, fedidos e mal tratados. Bons animais, fortes e que dariam a melhor de todas as companhias - um deles já está "morando" na varanda do alojamento feminino, demos comida e água e ele ficou por ali, dorme no capacho e nos segue abanando o rabo, trago fotos dele em outra postagem, o "Alegria" merece exclusividade. Hoje cedo, pulou em cima de mim, quando saí para a sede, exatamente como um animal de estimação faria. Morri de saudades das minhas 3 meninas, que deixei no Rio.
O cão das fotos acima e abaixo, Sheik, foi uma certa paixão à primeira vista, imenso e de profundos olhos verdes, tem a pata maior do que o meu pé e a orelha do tamanho da minha mão. Ele é tão grande e bobo, estabanado, que nem faz idéia do próprio tamanho e força. Ainda é filhote com menos de 1 aninho. Um querido, imenso e fedorento, mas pelo menos tem dono, o proprietário do botequim em frente ao alojamento, do outro lado da estrada.
Outro xodozinho, bebê e pretinho, sendo transportado junto com mudas de bananeira num carrinho de mão:
Tigrado, bebê e com um gêmeo para completar, quase do tamanho do meu pé, de chamego numa birosca local:
De coleira, abandonado na rodoviária de Peruíbe (1hr e 30min da Estação Ecológica da Juréia):
Abandonados na Cachoeira do Paraíso (dentro da Estação da Juréia) e adotados pelos caiçaras que exploram os bares locais, cheios de carrapato e comendo restos:
Sobem trilha mato acima e ficam esperando pela gente:
O mais querido do grupo, encontrado perdido numa praia deserta, cego de um olho e cheio de carrapatos imensos (do tamanho de azeitonas, achei tratar-se de verrugas), carinhoso e treinado, nos acompanhou por 3 praias mata acima e sumiu no mato atrás de um lagarto:
Comigo numa praia, cão de companhia, sentava quando o grupo parava:
Os vira-latas castrados daqui de casa:
Olímpia
Margarida
Pipa
Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita do ponto de vista genético.
Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Castre seu gato: 1 único casal gera até 60.000 descendentes em 1 década
Castre seu cão: 1 único casal gera até 80.000.000 de descendentes em 1 década
Na Juréia: o alojamento
A Estação Ecológica fica a meia hr da cidadezinha mais próxima, Guaraú, e a mais de uma hr da principal cidade da região, Peruíbe - divide-se em núcleos, o alojamento onde os Guarda Parques e voluntários como eu estão é justamente no núcleo Perequê (que carinhosamente chamamos de PQP).
A mata (atlântica) fica bem ao fundo, no quintal, subindo por uma encosta atrás da área de serviço.
Nada mais fácil para uma cobra (ou lagarto) descer e vir buscar comida no lixo.
As únicas cobras que vi até agora, estavam mortas, a primeira por atropelamento e a segunda por uma queimada criminosa, mas lagartos são encontrados o tempo todo, imensos e quase pré históricos. Eu escovo meus dentes e lavo meu rosto no tanque todos os dias, como a casa só tem 1 banheiro e somos 7 voluntárias acordando juntas, acho mais fácil liberar o banheiro o mais rápido possível e assim, diariamente me encaminho para a área de serviço na parte externa e antes de lavar o rosto na água fria, que desce da nascente, dou uma olhada na base do tanque para ver se não tem nenhuma cobra entocaiada. Faz parte e até agora, não tive nenhuma surpresa.
A casa tem uma horta caseira, capitaneada pelo Engenheiro Florestal responsável, já fui lá "roubar" umas cambuquiras para uma canja de fim de noite, mas falo disso em outro dia.
Seguem as fotos do alojamento:
O refeitório do alojamento dos Guarda Parques:
A cozinha principal:
Lavanderia principal:
O alojamento feminino:
Muita roupa na corda, que demora a secar, pela quantidade de chuva e umidade:
A cozinha do alojamento feminino:
A mata (atlântica) fica bem ao fundo, no quintal, subindo por uma encosta atrás da área de serviço.
Nada mais fácil para uma cobra (ou lagarto) descer e vir buscar comida no lixo.
As únicas cobras que vi até agora, estavam mortas, a primeira por atropelamento e a segunda por uma queimada criminosa, mas lagartos são encontrados o tempo todo, imensos e quase pré históricos. Eu escovo meus dentes e lavo meu rosto no tanque todos os dias, como a casa só tem 1 banheiro e somos 7 voluntárias acordando juntas, acho mais fácil liberar o banheiro o mais rápido possível e assim, diariamente me encaminho para a área de serviço na parte externa e antes de lavar o rosto na água fria, que desce da nascente, dou uma olhada na base do tanque para ver se não tem nenhuma cobra entocaiada. Faz parte e até agora, não tive nenhuma surpresa.
A casa tem uma horta caseira, capitaneada pelo Engenheiro Florestal responsável, já fui lá "roubar" umas cambuquiras para uma canja de fim de noite, mas falo disso em outro dia.
Seguem as fotos do alojamento:
O refeitório do alojamento dos Guarda Parques:
A área de serviço dos alojamentos:
A cozinha principal:
Lavanderia principal:
O alojamento feminino:
Muita roupa na corda, que demora a secar, pela quantidade de chuva e umidade:
Meu quarto no alojamento feminino:
A cozinha do alojamento feminino:
Mais informação:
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Na Juréia: a primeira compra
Eu não sou uma moça consumista e, trabalhando com sustentabilidade, nem poderia, mas no meu dia de folga, fui à cidade mais próxima (1hr e meia), Peruíbe (rio de tubarões em Tupi, falo dele e do seu bonito Mercado da Colônia de Pescadores em outro dia), e fiz uma comprinha na curiosa Tamancaria Santista da foto abaixo.
Quando vi essa loja anunciando "a maneira simpática de calçar seus pés", fiquei me indagando como seriam esses tamancos, imaginei portugueses e holandeses, confesso que entrei meio de brincadeira, mas não era nada disso. A loja deve ser, ou ter sido, de proprietários japoneses e os tais tamancos são bem orientais.
Para uma carioca, a influência japonesa é uma coisa um pouco distante, mais presente nos sushis e nas terapias complementares, mas em S.P., as coisas são diferentes e, além dos tais tamancos, a loja também vende aquelas sapatilhas usadas em tai chi chuan e por muitos shiatsuterapeutas.
Perguntei se o couro das tiras era vegetal e a gerente garantiu que sim, levei por R$10,00 um par do modelo da foto abaixo e meus pés simpaticamente respiraram aliviados depois de tantos dias de tênis e meia no mato. É mais gostoso e barato do que andar de havaianas, o recorte da madeira é muito anatômico.
Eles fabricam esses tamanquinhos em todas as cores, com madeira mais clara e tiras multicoloridas. Também fabricam e vendem tamancões anabela e outros com saltos imensos (tamanco de piriguete, com todo respeito), mas são mais caros e comuns, provavelmente linhas criadas depois para diversificar a produção e não perder espaço de mercado.
Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Artigos de couro vegetal em lojas convencionais
Quando vi essa loja anunciando "a maneira simpática de calçar seus pés", fiquei me indagando como seriam esses tamancos, imaginei portugueses e holandeses, confesso que entrei meio de brincadeira, mas não era nada disso. A loja deve ser, ou ter sido, de proprietários japoneses e os tais tamancos são bem orientais.
Para uma carioca, a influência japonesa é uma coisa um pouco distante, mais presente nos sushis e nas terapias complementares, mas em S.P., as coisas são diferentes e, além dos tais tamancos, a loja também vende aquelas sapatilhas usadas em tai chi chuan e por muitos shiatsuterapeutas.
Perguntei se o couro das tiras era vegetal e a gerente garantiu que sim, levei por R$10,00 um par do modelo da foto abaixo e meus pés simpaticamente respiraram aliviados depois de tantos dias de tênis e meia no mato. É mais gostoso e barato do que andar de havaianas, o recorte da madeira é muito anatômico.
Eles fabricam esses tamanquinhos em todas as cores, com madeira mais clara e tiras multicoloridas. Também fabricam e vendem tamancões anabela e outros com saltos imensos (tamanco de piriguete, com todo respeito), mas são mais caros e comuns, provavelmente linhas criadas depois para diversificar a produção e não perder espaço de mercado.
Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Artigos de couro vegetal em lojas convencionais
Na Juréia: o SNUC
O SNUC é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
As pessoas em geral não sabem a diferença entre um parque, uma reserva biológica, uma reserva extrativista, uma estação ecológica ou mesmo um refúgio de vida silvestre. Pois então, é o SNUC, em parte detalhado abaixo (e retirado do Wikipedia), que discrimina essas competências: onde pode o quê e seus porquês.
Dê uma lida e entenda porque em algumas áreas é permitida caça, pesca, camping, etc. e em outras não.
Em tempo, das muitas subdivisões, no fundo só existem 2 categorias: Proteção integral e Uso sustentável.
E nada impede que determinada área mude de categoria por interesse político, comercial ou mesmo da própria população local. Ainda, uma mesma Unidade de Conservação pode ser dividida em mosaico e dentro de sua área total, existir mais de uma das classificações abaixo, o que permite certas atividades até certo ponto de visitação ou não.
A Juréia é uma Estação Ecológica, área de Proteção Integral mas, atendendo aos caiçaras (a população local e nativa), muitas concessões foram cedidas e hoje, existe uma imensa discussão acerca dessas exceções. A base Perequê da Juréia, na foto acima, é exatamento onde ficam os alojamentos.
Proteção Integral:
Estações ecológicas (SEMA, 1981)
De posse e domínio público, servem à preservação da natureza e à realização de pesquisas científicas. A visitação pública é proibida, exceto com objetivo educacional. Pesquisas científicas dependem de autorização prévia do órgão responsável.
Reservas biológicas (Lei de Proteção aos Animais, 1967)
Visam a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos.
Parques nacionais (Código Florestal de 1934)
Tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.
Monumentos naturais (SNUC, 2000)
Objetivam a preservação de sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica.
Refúgios de vida silvestre (SNU, 2000)
Sua finalidade é a proteção de ambientes naturais que asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.
Uso sustentável:
Áreas de relevante interesse ecológico (SEMA - 1984)
Geralmente de pequena extensão, são áreas com pouca ou nenhuma ocupação humana, exibindo características naturais extraordinárias ou que abrigam exemplares raros da biota regional, tendo como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza.
Reservas particulares do patrimônio natural (MMA, 1996)
De posse privada, gravada com perpetuidade, objetivando conservar a diversidade biológica.
Áreas de proteção ambiental (SEMA, 1981)
São áreas geralmente extensas, com um certo grau de ocupação humana, dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.
Florestas nacionais (Código Florestal de 1934)
É uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas NATIVAS.
Reservas de desenvolvimento sustentável (SNUC, 2000)
São áreas naturais que abrigam populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais, desenvolvidos ao longo de gerações, adaptados às condições ecológicas locais, que desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade biológica.
Reservas de fauna (Lei de Proteção aos Animais, 1967) - sob o nome de Parques de Caça
É uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas, residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos faunísticos.
Reservas extrativistas (SNUC, 2000)
Utilizadas por populações locais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, áreas dessa categoria tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.
Mais informação:
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Marcadores:
animais,
aquecimento global,
fotografia,
overfishing,
reflorestamento,
responsabilidade social,
segurança,
trabalho,
viagens
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Se precisarem de mim, estou na Juréia
Vocês não ficaram sabendo, mas eu concorri a uma vaga no Programa de Voluntariado da Estação Ecológica da Juréia Itatins, na Mata Atlântica em São Paulo.
O resultado saiu dias antes da vitória no TOPBLOG, eu já era TOP3, e fiquei muito feliz em ser um dos escolhidos para o Programa de Educação Ambiental coordenado por eles na Unidade de Conservação. O Programa tem 2 fases de 1 mês cada e, se tudo correr bem, estarei por aqui até o final de Fevereiro, ao final da segunda fase.
A logística não foi das mais simples, moro sozinha e tenho 3 cães: Olimpia, Margarida e Pipa. Então era preciso arrumar um lugar para elas que não fosse uma exorbitância e arrumar alguém para alugar meu apartamento, fazendo então desse rendimento a fonte para pagar a hospedagem dos cães, afinal o Programa é voluntário e longo.
Quando tudo ficou acertado, com o inquilino e a hospedagem veterinária, foi necessário rearrumar toda minha casa (que tem 4 andares), realocar todos os móveis e limpar as paredes justamente do andar em que os cães ficavam (estavam imundas). Tudo arrumado e veio a "melhor" parte: encaixotar meus objetos pessoais e deixar tudo empilhado no closet do último andar, carregando tudo escada acima. Para dar um ar mais dramático à coisa toda, Pipa havia sido castrada há 2 semanas e ainda estava com os pontos na barriga, fui deixá-las na hospedagem de coração muito apertado, fiz mil recomendações e estou ligando dia sim, dia não. Por sorte e felicidade do destino, a hospedagem é de propriedade de uma enfermeira e a veterinária dos cães também a visita semanalmente como voluntária.
Estou na Juréia desde o dia 26 de dezembro e só agora, tive tempo de sentar na frente do computador. Onde estou alojada, tampouco há acesso à internet, então foi preciso sair do campo e vir à sede local da Fundação Florestal na estrada principal, que gentilmente me cedeu à estação de trabalho de um dos seus funcionários.
Já fiz quase 500 fotos!
Não vejo a hora de baixar as imagens e mostrar para vocês. O alojamento é o mesmo dos Guarda Parques concursados e fica um pouco afastado, todo construído em madeira e de pré-fabricação, me lembrou de cara a casinha do "Guarda Belo" do antigo desenho animado do "Zé Colméia".
O acesso é por uma estradinha bem esburacada de uns 8km, que não leva exatamente a uma cidade, mas a um vilarejo (Guaraú), onde não existe uma lan house para contar história. A cidade (de verdade) mais próxima é Peruíbe, a 1hr e meia com ônibus que só passam 2 ou 3 vezes por dia. Não dá para ficar indo e voltando, mas vou tentar manter pelo menos 2 postagens semanais. A equipe que coordena o projeto é muito acessível e leu o blog antes de eu vir para cá, é claro.
Aproveitei o ensejo e trouxe de presente para eles o DVD do curso da Sociedade do Sol, que fiz ano passado e descrevo na postagem "A casa sustentável é mais barata - parte 15 (Aquecedor Solar de Baixo Custo a R$35,00)", onde se ensina a fazer essa invenção brasileira e revolucionária de patente livre e assim, quem sabe a dependência do gerador pode diminuir, como a própria conta de luz convencional.
O lugar é lindo e por coincidência, este ano, todas as voluntárias são mulheres. Para quem trabalhou embarcada e também dividiu apartamento com quase 10 amigos homens, morar num alojamento feminino é muito diferente, diferente e tagarela. Estou achando engraçado ver tanta roupa de cama e banho florida em tons de rosa, necessaires imensas e cheias de potes multicoloridos. Logo eu que só trouxe 2 cosméticos: xampu anticaspa e desodorante, por coincidência ambos de uso masculino - os perfumes doces dos femininos me dão alergia.
Já fiz muita trilha em mata fechada, visitei praias de acesso proibido a turistas e no fundo, o trabalho executado em campo lembra muito o que eu desenvolvia embarcada: orientar as pessoas dos riscos inerentes e lembrar que nenhum acidente é um fato isolado, seja ambiental ou humano.
A Juréia é a segunda maior área preservada de Mata Atlântica do país, são quase 80.000 ha. de floresta nativa e outros ecossistemas, como o Mangue e a Restinga, afinal estamos no litoral sul de SP. Para dar uma idéia, 80.000 ha. equivalem a 80.000 campos oficiais de futebol. Aqui, tem cobra, pantera, onça parda, veado, macaco, paca, anta, insetos mil e claro, peixes de todos os tipos.
Falando em peixes, como essa que vos fala é um peixinho que não pode ver água, logo no terceiro dia, tivemos que atravessar um rio a barco. Não resisti e fui a nado de uma margem a outra. Um dos funcionários da Fundação Florestal, criado aqui, tampouco se fez de rogado e nadou ao meu lado. Outro morador da região, um ex mergulhador de plataformas de petróleo (estamos na Bacia de Santos), me viu nadando e se sentiu a vontade para me emprestar seu equipamento básico. Adorei, não vejo a hr de mergulhar em mar aberto e voltar a nadar naquele rio, a foz do Rio Guaraú, justamente onde o mar e o rio se encontram e mudam de cor.
O site oficial da Juréia no Portal da Fundação Florestal do Governo do Estado de SP: Fundação para a Conservação e Produção Florestal do Governo de SP
Blog oficial da Juréia Itatins, que estou orgulhosamente seguindo e de onde retirei o mapa que ilustra a postagem: Estação Ecológica Juréia Itatins
Outras viagens que renderam:
Ecovila Goura Vrindrávana, em Parati (RJ)
Mosteiro Zen de Morro da Vargem, em Ibiraçu (ES)
Produtores orgânicos cariocas, no Brejal (RJ)
Assinar:
Postagens (Atom)







































