terça-feira, 29 de maio de 2012

Desapegue-se



Ao pé da Reserva Florestal do Grajaú, 1 vêz por mês aos domingos, acontece a Feira Orgânica de Trocas na Praça Edmundo Rego.
São várias barracas, inclusive da feirinha tradicional que acontece ao largo, brinquedos infláveis para crianças e o ambiente bucólico desse bairro cheio de bons bares.
Em junho, o Desapegue-se acontece no dia 10, não deixe de ir.

Estive no último Desapegue-se, domingo retrasado (20/05) e disponibilizo as fotos abaixo.
Por um acaso, eu não fotografei as barracas de orgânicos, esqueci. Mas a Feira, além do mercado de trocas e das atividades abaixo, também tem barracas de hortifrutigranjeiros e produtos orgânicos em geral.







A Pedra do Andaraí, símbolo da Reserva Florestal e do bairro:




A Barraca da PermaRIO com seus PasBas e abiosorventes. Comprei o CD de permacultura urbana, Utopia no Quintal.




Projeto Livro de Rua com sua barraca da biblioteca da liberdade, liberta os livros que alguém não quer para outrém que queira. Sem bookcrossing ou devolução. Peguei o livro abaixo sobre as aventuras de Marco Polo e prometi libertar na próxima feira.
Não quis pegar o calhamaço da Jane Austen em inglês com capa dura. Se pego um livro desses, não liberto nunca.





A barraca da Grande Rio Reciclagem Ambiental




A Terrapia com seu suco verde, o gosto predominante é de maçã com capim limão. Delícia, ainda melhor ingerido em jejum.



As camisetas da Reserva Ambiental, em pet + algodão orgânico ou linho + bambu. Lindas e baratas




Os cosméticos não testados em animais e sem componentes tóxicos da Beleza Orgânica e o produto que eu mais gostei, tampões de algodão biodegradáveis. Comprei um xampu de aloe com açaí e estou adorando, raro um xampu não me dar alergia.




Os produtos da Slingueria:




Os cupcakes da Fabricia (21 8282-5013)




O grande personagem do dia, Manfred, agrônomo alemão há quase 30 anos no Brasil que mantém o horto e minhocário Arboreum para venda de humus de minhoca e hoje, além do horto, trabalha também divulgando a compostagem com recursos próprios.
Manfred vendeu humus de minhoca para meus pais quando eu era garota há 20 anos, e morávamos numa casa em bairro afastado. Graças ao humus e minhocas do Manfred, uma horta e um pomar puderam ser plantados num terreno arenoso.



O que você acha que é lixo, para a compostagem é adubo orgânico da melhor qualidade:




Quando os sinos da Igreja badalam ao meio dia, Manfred pula e anuncia a "Degustação de minhocas". As crianças gritam, as mães se apavoram e ele na maior naturalidade saca do bolso um pacotinho plástico de balas multicoloridas em formato de minhoca e oferece a todos.
Em tempo, a palavra humanidade deriva da palavra humus, que em latim significa justamente terra.


Saindo do Desapegue-se, dê um pulinho no Bar do Adão que fica na mesma rua mais abaixo, peça para ser atendido pelo Carlinhos e prove os melhores pastéis da sua vida acompanhados de um chope sempre gelado.


Mais informação:
Sebos
Bookcrossing
Abiosorventes
Na Juréia: o SNUC
Feiras orgânicas cariocas
Acordei 1hr. mais cedo e fui à Pedra Bonita
Domingos com orgânicos, feira de trocas e muito mais no SESC Tijuca
PasBas, plantas, flores e especiarias: você pode fazer seu cosmético em casa

domingo, 27 de maio de 2012

O veto parcial do Código Florestal

Dilma veta parcialmente a flexibilização do Código Florestal

A presidente Dilma Rousseff (PT) vetou em 25.05, ultimo dia do prazo, 12 artigos do Projeto de Lei (PL) do Congresso Nacional que visa a flexibilização do Código Florestal.

Os vetos, segundo os ministros da Advocacia Geral da União (AGU), do Meio Ambiente, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário visam preservar o ambiente e beneficiar o pequeno produtor rural.

Somente poderá ser feita a analise dos textos na segunda-feira (28.05), quando será editada uma Medida Provisória (MP), a qual será publicada, juntamente com os vetos, no Diário Oficial da União (DOU).

São 12 vetos, 32 modificações, das quais 14 visam manter o texto do PL que foi aprovado no Senado Federal, 5 são dispositivos novos e 13 são adequações ao projeto de lei, segundo o governo federal.

“Os vetos visam não anistiar o desmatador, preservar os pequenos e responsabilizar todos pela recuperação ambiental”, conforme a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que igualmente ressaltou a insegurança jurídica e a inconstitucionalidade do PL vetado parcialmente, questões já levantadas por diversas instituições como nós, do CEA.

Com os vetos, fica assegurada a obrigatoriedade da recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs), o que não queria a bancada ruralista no Congresso, nem a especulação imobiliária das cidades.

É certo que o texto não é o que os movimentos sociais e ambientais/ecologistas pretendiam, mas de alguma forma é resultado da imensa mobilização da sociedade civil brasileira que através de campanhas como o Veta Dilma!, realizada em todos os estados brasileiros e, no RS, puxada pelo Movimento Ecológico Gaúcho (MEG) e especialmente pela Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do RS (APEDeMA/RS), deu algum resultado pelo respeito a Constituição Federal e pelo não retrocesso ambiental.



Veto parcial mantém florestas brasileiras sob risco

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas assistiu nesta sexta (25) com grave preocupação o anúncio da sanção parcial do projeto de Código Florestal aprovado no Congresso, o que frustrou a expectativa de ampla maioria da população pelo veto integral.

O conteúdo das medidas não foi divulgado oficialmente, denotando total falta de transparência. Preocupa-nos ainda, além do conteúdo anunciado, o desdobramento do processo por meio de Medida Provisória.

A anistia segue como eixo central do texto, visto que, a data de 2008 como linha de corte para manutenção de áreas desmatadas ilegalmente continua inalterada e, consequentemente, promove a isenção de recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reserva Legal.

As flexibilizações em relação a lei atual podem ser ainda ampliadas, pois a matéria e os pontos modificados serão devolvidos ao Congresso.

A sanção parcial pela presidente Dilma reforça a necessidade de ampliar a mobilização, que será intensificada na Rio+20. A campanha “Veta Tudo, Dilma!”, que se tornou um fenômeno social no Brasil, seguramente continuará, pois a sanção parcial não encerra a vontade dos brasileiros de construir um Código Florestal que concilie conservação e produção.


Mais informação:
Ativistas assassinados
Hidrelétrica de Belo Monte
O mito do reflorestamento de eucalipto
Um Código sem floresta: 13 razões para vetar tudo
Quantos animais podem viver em uma única árvore
O Governo arregou e vão colocar nossa muralha abaixo
Hidropirataria: cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena
Deserto Verde, Parques de Papel e flexibilização do Código Florestal: O que você tem a ver com isso?
A sombra de um delírio verde: a luta silenciosa da maior tribo indígena do país para não perder suas terras para a monocultura de etanol

Relatório Planeta Vivo 2012



A cada dois anos a Rede WWF compila dados de todos os continentes e dezenas de países e os reúne no Relatório Planeta Vivo, que traz uma visão detalhada da situação do meio ambiente em nosso planeta .

O Relatório Planeta Vivo é a mais importante análise baseada na ciência sobre a saúde do nosso único planeta e o impacto da atividade humana sobre o mesmo. Sua principal conclusão? As demandas da humanidade excedem a capacidade do nosso planeta para nos sustentar.

Para a edição de 2012 foi preparado o sumário executivo “A Caminho da Rio+20”, com uma análise da área ambiental 20 anos depois da Conferência Rio-92.

Nos links abaixo você pode baixar o relatório. Boa leitura!

Relatório Planeta Vivo em Português

Relatório Planeta Vivo em Inglês

Relatório Planeta Vivo em Espanhol


Outros relatórios:
Relatório PNUMA 2011
Farra do Boi na Amazônia
A viabilidade da energia eólica no Brasil
Relatorio Estado do Mundo 2012 WWI
Cartilha da SVB - carne e sustentabilidade
Principais pontos do primeiro atlas ambiental para América Latina e Caribe
Greenpeace lança Atlas "Mar, petróleo e biodiversidade - A geografia do conflito"

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cabotagem: para parar de transportar ferro e aço em caçamba de caminhão



As hidrovias, assim como toda a navegação de cabotagem, propõe-se a ser a alternativa ideal de transporte em larga escala no nosso país. O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. Dobram jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.

Uma malha ferroviária tendo os portos costeiros como ponto de partida, seria imensamente interessante para ligar nosso país do Oiapoque ao Chuí, não apenas do ponto da segurança, mas principalmente pela redução no uso de combustíveis fósseis. A navegação de cabotagem e a implantação de um sério programa de hidrovias, contribuiria igualmente para diminuir as distâncias de uma costa com 8.000km de extensão, além de minimizar a dependência do transporte rodoviário em todos os aspectos, incluindo os transportes urbanos coletivos.


Usando a Cabotagem, empresa tira 94 mil caminhões da estrada e reduz drasticamente a emissão de CO2

Pioneira no resgate da navegação de cabotagem (navegação marítima entre portos de um mesmo país) no Brasil, a Fibria implantou em 2003 o sistema de transporte marítimo de madeira. O objetivo foi diversificar os modais utilizados e reduzir o tráfego de carretas a serviço da empresa na BR 101, nos trechos entre o extremo sul da Bahia e o norte do Espírito Santo.

Perto de completar uma década, o sistema vem evoluindo e já responde por 30% do abastecimento de madeira da fábrica de celulose. A média diária de madeira entregue na Fibria, em Aracruz, via modal marítimo saltou de 1.849,53 m3 em 2003 para 6.923,60 m3 em 2012, uma evolução de 274%.

Este ano o desempenho do transporte marítimo vem sendo particularmente positivo, com o registro de vários recordes. O último deles foi no mês de abril, quando a movimentação somou 217.173 m3. Esse volume equivale à carga de aproximadamente 4.500 carretas tritrem, modelo usado pela Fibria, significando o mesmo número de viagens a menos pela rodovia. Abril foi o terceiro mês consecutivo em que o transporte de madeira em barcaças ficou acima de 200 mil m3, refletindo a consistência dos resultados.

Ézio Tadeu Lopes, Gerente de Logística Florestal da Fibria no Espírito Santo e Bahia, atribui o desempenho à melhoria em todos os processos envolvidos: fluxo contínuo de carretas para carregamento das barcaças em Caravelas (BA), tempo de carregamento/descarregamento dentro da meta e melhor eficiência na navegação propriamente dita, além de outras melhorias operacionais.

A madeira é embarcada no Terminal de Caravelas, no sul da Bahia, e desembarcada no Terminal de Barra do Riacho, que faz parte do complexo da Portocel, em Aracruz. Em linha reta, a distância percorrida por via marítima é 275 Km, percurso feito em aproximadamente 12 horas.

94 mil viagens a menos no ano – Implantado em 2003, o sistema de transporte marítimo de madeira foi desenvolvido sob medida para atender as necessidades da Fibria, numa parceria com a Norsul Navegação. Cada barcaça comporta o equivalente à carga de aproximadamente 100 carretas tritrem (5.000 m3) e o sistema da empresa conta com uma frota de quatro barcaças e dois empurradores.

“Por ano, conseguimos evitar 94 mil viagens de carretas na BR 101(considerando ida e volta), o que resulta em menor consumo de combustíveis, menor emissão de gases de efeito estufa, como o CO2, e menor consumo de pneus”, observou Ézio Tadeu Lopes. Além dos benefícios ambientais e econômicos, o transporte marítimo também contribui para a segurança na rodovia, já que elimina a necessidade de milhares de viagens de carreta no ano.


As fotos são minha, do Porto de Vitória (ES), onde há na mesma baía uma ilha com presídio desativadado - como Alcatraz



Mais informação:
Privatização de Hidrovias
Por que nossa malha hidroviária não decola?
Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos
O projeto de transporte urbano coletivo e fluvial em Florianópolis e São Paulo
O mito da autossuficência em petróleo: No país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos

Na sexta-feira de Carnaval, fui a uma entrevista de emprego e logo depois do feriado, comecei a trabalhar em empresa de navegação no Rio de Janeiro.
É bom, na verdade foi o trabalho mais interessante que eu já tive.
Eu embarcava nos navios atracados no Porto do Rio ou no fundeio (ancorados) na Baía de Guanabara e podia voltar para dormir em casa, ao contrário de quando se trabalha embarcado em plataforma de petróleo, que você trabalha por turno.
Trabalhar em empresa de navegação é bom, porque você trabalha no escritório, mas também trabalha no Porto. Você embarca, mas vai de lancha pela Baía de Guanabara, dorme em casa e não precisa ficar apodrecendo no aeroporto de Macaé para passar semanas enfurnado em plataforma.
Estando no navio, almoça-se à bordo, mas nos dias seguintes, você vai escolher o restaurante que quiser dos próximos ao escritório.

Nunca imaginei, mas existe uma dignidade muito maior nas empresas de navegação do que em qualquer empresa de petróleo que eu conheci.
É como se você voltasse um pouco no tempo e visse de perto a relação de respeito entre as pessoas que dividem o teto e confiam entre si. Há casos de navios infestados com sarna, taifeiros estrangeiros com sífilis, motim por causa de comida, marinheiro tentando fugir pelo Porto porque acha que está com gonorréia contraída no Porto anterior onde a embarcação atracou. Só falta o escorbuto para que a gente se sinta mesmo numa história de Marco Polo.
Pude realizar um sonho muito antigo, navegar à noite na Baía de Guanabara e passar bem debaixo do vão central da Ponte Rio Niterói, no escuro com a lua cheia e as luzes do Rio de Janeiro à nossa frente. É uma imagem inesquecível, um cartão postal ainda não fotografado por ninguém.

O código de ética e essa mesma ética que permeia todas as relações interpessoais é muito mais forte e claramente definido. Em navegação, ninguém se faz de desentendido, as coisas são aquilo dali ou não são nada.

Todo mundo deveria viver embarcado pelo menos por 1 semana de sua vida, é a maior lição de sustentabilidade que um ser humano pode ter. Quando você dá a descarga, abre a torneira ou joga o lixo na lixeira, acha que seus dejetos se desintegram magicamente e que a água (como todos os recursos) brota por geração espontânea. Em alto mar, confinado e isolado, a pessoa entende que a água doce é escassa, que a comida tem que ser dividida, aproveitada e economizada. Os dejetos têm que ser tratados antes de lançar ao mar, ao contrário da maioria das cidades brasileiras. E o lixo vai se acomodando no convés, embalado e lacrado, mas acomodado na área de convívio - como são os lixões para muitas pessoas à margem da coleta seletiva. A embarcação é um microcosmo do nosso planeta, a gente não tem para onde correr.

Pena que eu tenha saído justamente para voltar a trabalhar embarcada em petroleiras, sinto falta do meu emprego anterior, havia mais decência.
Paciência, se eu trabalho no Centro do Rio, não chego na faculdade nem depois da aula ter acabado. Se embarco, perco metade das aulas, mas consigo abono das faltas por estar embarcada.

Sobre a comida à bordo capitaneada justamente por hindus:
Os mergulhadores adoravam uma piadinha de hemorróida em virtude do excesso de pimenta e condimentos, como açafrão, curry, páprica e outros mil coloridos.
Tudo bobagem, eu encarava numa boa, confesso que cheguei a cuspir fogo algumas vezes, mas ao ver aquelas travessas imensas de legumes amarelinhos de açafrão, o arroz cozido com cravos (da Índia) inteiros, as lentilhas avermelhadas e o chapati com ghee, eu caía dentro feliz da vida.
Os marmanjos passavam e comentavam "Não é que a menina tá comendo com gosto..."
Sendo a única mulher a bordo, coma de tudo, não entre numa de "fazer um miojinho". Não sendo, coma também, sempre vale pela experiência.
Francamente - ajoelhou, tem que rezar.

Deixo as fotos dessa experiência profissional única e extremamente ensolarada e colorida:










Deus é onipotente e onipresente, mas apresenta muitas formas:




Essa que vos fala, como qualquer preposto de SMS, acompanhando a dedetização convencional exigida pela ANVISA a qualquer embarcação que atraque no Brasil:



Vindo da Ponta da Areia, em Niteroi, pela Baía de Guanabara:







A Ponte Rio-Niterói e a Ilha Fiscal vistos de dentro da lancha:




No Porto de Vitória (ES), a vista é linda, pena que quem projetou e planejou o aterro não contava com o peso dos containners e hoje, a carga não pode ficar armazenada no Cais:






A galera, boas praças, raro encontrar um marujo cretino. Engraçado anotar isso, mas em todos os meus empregos de campo, foi na peãozada em quem eu realmente pude confiar.




Para dedetizar em casa ou no sítio, sem a química que a ANVISA exige à plantas industriais:
Dedetização ecológica
Controle de pragas e pesticidas biodegradáveis para uso doméstico
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)

 
Mais informação:
Na Juréia: trabalho de peão
"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"
Para entender o vazamento da Chevron no Rio de Janeiro
Na Juréia: a marcação no GPS do manguezal do rio Guaraú foi o melhor
Então a sobrinha tataraneta do Major Daemon foi puxar samba e trabalhar na Zona Portuária