quarta-feira, 27 de junho de 2012

Imagem do ano na RIO+20: Dra Vandana Shiva bebendo Ades inocentemente


Seminário Internacional de Biopirataria com participação da física e ecofeminista, vencedora do Nobel da Paz, Dra. Vandava Shiva, na Cúpula dos Povos, fui é claro.
Chego cedo, sento na primeira fila e arrumo a maquininha digital. Tudo nos conformes.

A mesa dos palestrantes ainda vazia à minha frente com sua indefectível água mineral engarrafada em plástico e ele lá, o Ades, fazendo figuração de luxo.
Na dele, impassível, sólido como um monolito.


A palestra transcorrendo maravilhosa, Vandana Shiva com seu amigo indígena acreano, Benki Ashaninka, se sentindo em casa e botando a boca no mundo.
Como os recursos de câmera de minha digital são limitados, esperei a apresentação dela esquentar para começar a gravar, enquanto isso, anotei mentalmente algumas frases de impacto muito aplaudidas:
"A Biopirataria é a segunda vinda de Colombo, na primeira acabaram com a cultura dos povos nativos, agora nos roubam as sementes."
"Colombo nem sabia para onde ia, chegou aqui e achou que era a Índia e, por isso, nós 2 somos chamados de índios (abraçando Benki Ashaninka)."
"Não somos emergentes, meu povo está no Himalaia e o dele na Amazônia há milhares de anos, muito antes da Europa. Ninguém aqui está emergindo, a Europa e a América branca que emergiram depois de nós."



Contou ainda da movimentação popular após o acidente de Bhopal e da batalha judicial para quebrar a patente que covardemente fizeram no neem. Recolheram 100.000 assinaturas, mas depois de 11 anos de luta na justiça, ganharam a causa e abriram então a prerrogativa para crimes de Biopirataria sobre comunidades nativas.
Conseguiram então, após nova movimentação popular, proibir alterações genéticas nas berinjelas, que vinham fazendo imenso sucesso nos EUA e Europa, pois as berinjelas não precisavam mais ficar de molho para remover o amargor natural da planta.

Gravei a palestra em vídeo, que ficou com 1,38Gb e, por ser muito pesado, não consigo fazer upload no youtube de jeito nenhum, nem da minha casa e menos ainda da lan house mais próxima.
Quem quiser mais informação, pode ir no site da organizadora do evento, France Libertés. Foi ótimo e vale a pena.


Curiosidade: apesar de claramente anglófona, Vandana Shiva não chama berinjela de "eggplant", como seria o esperado - usa o termo em sânscrito, brinjal - muito parecido com português (talvez haja proximidade pelo latim).
Os ingleses alfabetizaram as crianças indianas, mas os produtos locais continuam sendo chamados pelos nomes de seus antepassados. E agora, que essas crianças cresceram, defendem essas sementes com toda propriedade.

A Monsanto, junto com a Bayer e Sygenta já comprou 80%dos produtores de sementes do planeta. Há um livro, que virou filme, tratando exclusivamente desse assunto, "O mundo segundo a Monsanto". Deixo o link abaixo. Dra. Vandana Shiva tornou-se provavelmente a inimiga pública número 1 da Monsanto após defender pequenos produtores agrícolas indianos que estavam falindo e se suicidando por não conseguir pagar à Monsanto os royalties pelo uso das sementes.

Pior, a mesma participa igualmente de outro documentário linkado abaixo, "Flow por amor à água", onde liderou um motim popular para expulsão de uma fábrica da Coca-cola igualmente na Índia. Para quem não conhece o assunto, hidropirataria é o crime ambiental que ninguém rastreia, toda fábrica de bebidas prontas usa pelo menos de 5 a 10 vezes a quantidade de água para produzir cada litro de bebida industrializada. 1 único litro de Coca-cola chega a consumir 37 litros de água para ser fabricado. O custo dessa água não é repassado ao preço final e quem paga a longo prazo é a população que vive no entorno da fábrica. Quando as fontes secarem, a indústria, que contou com isenção fiscal por gerar empregos, simplesmente abandona as instalações e busca outro local para explorar. À população local sobram terrenos erodidos, fontes secas e desemprego, já que a indústria não divide os lucros.

E ela tomou o Ades depois de malhar a Monsanto e o Capitalismo!


Explico aos que não são ambientalistas, uma foto da Dra. Vandana Shiva bebendo Ades é tão emblemática quanto a famosa foto de Che Guevara virando uma Coca-cola na garrafinha com logo. O Ades representa tudo o que ela combate.

A culpa não é dela, que não entende uma palavra de português. Mas quem deixou o Ades em cima da mesa numa Seminário de Biopirataria, cuja palestrante principal também participa de um documentário sobre Hidropirataria, escorregou feio. Pior, passou um exemplo ruim aos presentes que não associam o que compram no supermercado com a monocultura transgênica da soja.
Quando eu afirmo que a única comida de verdade é a que se compra do produtor orgânico, dizem que sou xiita... Comida é aquilo que, para ser produzido, deve respeitar princípios básicos de sazonalidade, sustentabilidade, responsabilidade social e ainda ser reconhecido por quem produz e consome. O que sempre existiu antes da Revolução Industrial dos últimos 200 anos - o que a humanidade viveu em equilíbrio por 10.000 anos.
E o Ades ainda é produzido pela Unilever que, segundo a PETA, testa seus produtos em animais.

Acredito piamente que, se ela soubesse, teria levantado o Ades e ainda feito piada, ela mostrou-se muito espirituosa e simples, uma pessoa extremamente acessível. Foi apenas uma gafe internacional.


Outras participações maravilhosas e menos badaladas:
O advogado do Instituto Peruano de Biopirataria expondo seu trabalho de defesa do milho, igualmente pirateado, além das Secretaria exclusivas da maca e papa (batata). Incrível um país ter no Ministério da Agricultura, um Instituto cuja função única é garantir a pureza das sementes. O milho é o segundo transgênico mais cultivado, só perde para a soja, e os peruanos têm longa história de cultivo de centenas de espécies de milho nativo pela tradição das sementes crioulas.

A Sra Lourdes Laureano, de Pacari, taxonomista, falando das nossas riquezas e defendendo o livro "Farmacopéia Popular do Cerrado", onde o que está sendo perdido, foi catalogado pela Rede Nacional de Biomas Medicinais. Muito aplaudida em sua simplicidade.

O pessoal do Aldeias Vigilantes que, para entrar nas comunidades acreanas, recorreu a sensibilização do Teatro do Oprimido de Augusto Boal. Fazem um trabalho sério, mas que ninguém conhece. Querendo se inteirar, visite o site: cimi.org


Para entender o porque de tanta bronca com Ades, uma bebida pronta, açucarada e aromatizada artificialmente à base de soja (provavelmente transgênica) e fruta não orgânica, que ainda por cima é embalada em tetrapack, clique nos links abaixo:
Soja é desnecessária
Tetrapack não recicla
Mamãe não passou açúcar em mim!
McLanche infeliz - o poder dos conservantes
Como comprar e reconhecer produtos orgânicos
A guerra pelas sementes da monocultura corporativa e transgênica


Os filmes:
O Veneno está na mesa, filme de Silvio Tendler - todo brasileiro consome 5lts de agrotóxico por ano
"Flow, por amor à água", filme com participação de Vandana Shiva onde mostra que toda bebida pronta é crime de Hidropirataria
"Ouro Azul, a guerra mundial pela água", filme com participação de Vandana Shiva mostrando os problemas sociais que já existem em função da escassez de água.
"O mundo segundo a Monsanto", outro filme com participação de Vandana Shiva mostrando do que a Biopirataria é capaz aos pequenos produtores, principalmente na monocultura transgênica de soja


Para entender a controvérsia da água mineral industrializada e embalada em plástico, leia também:
A história da água engarrafada
Os perigos do plástico para sua saúde
Bisfenol-A (BPA) das embalagens plásticas em banimento
Hidropirataria: cachaçaria certificada seca lagoa de reserva indígena 
Empresa japonesa no Aquífero Guarany exporta nossa água engarrafada
A Pure Life é uma água química, Nestlé seca fontes de água em São Lourenço


Outras postagens com Vandana Shiva e livros que tratam exatamente de biopirataria e hidropirataria:
O mundo segundo a Monsanto
Como enfrentar a crise econômica mundial: trabalhe menos
Tecnologia Terminator: as sementes suicidas estão de volta


Site oficial da Dra. Vandana Shiva, com todos os seus livros e algumas entrevistas: Vandanashiva.org


Quem foi Thomaz Sankara, que dá nome à tenda onde ocorreu o Seminário de Biopirataria?
Thomas Isidore Noël Sankara (Yako, Obervolta, 21 de dezembro de 1949 — Ouagadougou, 15 de outubro de 1987) foi um líder político de Burkina Faso (antigo Alto Volta). Foi primeiro-ministro quando o país ainda se chamava Alto Volta, de 10 de janeiro a 17 de maio de 1983, e o quinto presidente da república de Alto Volta e o primeiro de Burkina Faso, de 4 de agosto de 1984 a 15 de outubro de 1987, quando foi assassinado durante um golpe de Estado. Na hora de sua morte em um golpe, ele tinha o salário mensal de 450 dólares e somente possuía um carro, quatro motos, três guitarras, uma frigideira e um freezer quebrado.
Baseado na democracia participativa, seu governo combateu a corrupção e estimulou a educação, a agricultura e aumentou os direitos da mulher. No entanto, provocou forte oposição entre os líderes tradicionais, os governos ocidentais e a pequena, porém poderosa, classe média do país.

domingo, 24 de junho de 2012

RIO+20: o bate-papo com Philippe Cousteau Jr.


Sou mergulhadora há metade da minha vida. Tenho 36 anos e, ao fazer 18, ganhei de presente de aniversário um curso de mergulho. Novinha, única mulher da turma, encarei o curso com prazer, viajei sozinha com os marmanjos para o final de semana de provas práticas em Angra dos Reis, não caí em nenhuma das muitas cantadas e ainda tive a nota mais alta da turma. Eu era danada.
Todo mundo pede (ou sonha em pedir) um carro, eu queria aprender a mergulhar.
Tirei carteira de motorista e nunca usei, venceu em 1999 e não voltei a renovar, já meu certificado internacional como mergulhadora nunca saiu da minha carteira, levei comigo onde fui ao longo desses anos.
Jacques Cousteau sempre foi um ídolo, cresci viajando sem sair do lugar com seus documentários.

As pessoas que não mergulham, não sabem, nem imaginam da importância de Jacques Cousteau na divulgação e proteção dos oceanos. Não fosse por ele ter "inventado" o equipamento de mergulho autônomo, até hoje os respiradores seriam conectados à embarcação - como é o dos astronautas.
A "garrafa" que todo mergulhador carrega nas costas é invenção (ou descoberta) de Cousteau.

Seu neto, Philippe Cousteau Jr. já havia aparecido em vídeo aqui no blog, falando justamente do vazamento de petróleo no Golfo do México, veja na postagem "BP controla vazamento no Golfo do México e os vídeos da Fundação Cousteau no local".

Então, quando recebi o convite acima, aceitei na mesma hora.
Cheguei 10 minutos mais cedo ao local agendado com roupa de trabalho formal, salto alto e maquiagem leve. Cara de  reunião com cliente.
Falaram em "coletiva de imprensa", outros jornalistas foram chegando e eu meio sem saber o porquê de estar ali com tanta coisa fervendo em plena Rio+20.


Sentei e comecei a puxar papo com os jornalistas que representavam os outros blogs, todos profissionais trocando seus cartões de blogs que vivem de produtos-serviços licenciados e anunciantes, na verdade portais ou canais de comunicação de sites comerciais.

As meninas do Química Sustentável, o único blog amador além do meu, chegaram. Amadoras e Técnicas em Química de Petróleo e Polímeros. Fiquei à vontade, assim como eu (que trabalho embarcada), elas não se deslumbrariam com a foto de alguém com as mãos sujas de óleo no vazamento do Golfo do México, mesmo sendo um Cousteau.
Na véspera, na Cúpula do Povos no Aterro, havia assistido à debate na Tenda do Greenpeace justamente sobre os Impactos ambientais do pré-sal, onde um dos especialistas convidados havia justamente informado que só em 2010, foram registrados mais de 1.000 pequenos vazamentos.
Eu falo um pouco sobre o assunto em uma postagem antiga daqui, "Para entender o vazamento da Chevron", que tenta modestamente desmistificar essa histeria popular a cada vazamento.


Então Philippe Cousteau Jr. chegou com sua finíssima estampa e charme de jovem executivo.
Fui esperando um francês, um homem do mar, e me deparei com um simpático californiano technicolor.
Acostumada que estou ao mundo corporativo, o fato dele ser a "CNN fellow" deixou meu senso crítico em dia. Melhor assim, fosse alguém como Jean Reno e eu não teria ouvido uma única palavra.

Se era uma coletiva de imprensa e eu um dos poucos especialistas presentes, nada mais justo do que perguntar algo específico que exija um mínimo de conhecimento técnico. Fiz 2 perguntas padrão, sobre os impactos ambientais de fazendas eólicas offshore num mundo que quer se ver livre do óleo e como casar os interesses em alimentar uma população com pescado diante da extinção dos cardumes, quando a própria OMS sugere aumentar o consumo de peixe.
Nada que descabele alguém sem diploma em Oceanografia e Biologia. Eu mesma comecei a escrever esse blog antes de entrar para o curso de Engenharia, era apenas uma Técnica em Segurança no Trabalho com outra faculdade trancada, de Economia.

As respostas de Philippe Cousteau Jr. foram bem embasadas, mas presas ao lugar comum da zona de conforto, andaram em círculo falando dos desafios de consumo num mundo cada vez mais cheio de gente, etc. Ambas fugiram de apresentar uma alternativa real aos 2 problemas, que são justamente na área de atuação dele.


Lamentei profundamente presenciar os jornalistas presentes fazerem perguntas tão superficiais como a relação dele com o avô famoso, como enxergava a Rio+20, etc.
Como debocha com propriedade Danilo Gentili (publicitário, humorista, escritor, cartunista, repórter e empresário), é o "jornalismo do Fantástico, só pergunta porrada: qual seu prato favorito, que músicas costuma escutar?"...

Na véspera, também assistira na Cúpula, dessa vez na tenda da Arena Sócio Ambiental, ao nosso Ministro da Pesca, Senador pelo RJ, Marcelo Crivella falar justamente da importância social e ambiental de incluir o pescado na merenda escolar e rancho das Forças Armadas, já que o consumo de carne bovina além de insustentável torna os pecuaristas, já milionários, ainda mais ricos e empobrece os piscicultores, nos lembrando da devastação da Amazônia para o pasto e de que o boi consome 25kgs de ração para engordar apenas 1kg e as tilápias, só consomem de 1,2kgs a 1,5kgs para ganhar o mesmo 1kg de peso.
Não defendo consumo diário de protéina animal e tampouco faço campanha por Marcelo Crivella, mas para quem começou a carreira política como Pastor eleito pela bancada evangélica, o mesmo fez uma excelente apresentação diante de platéia muito mais exigente do que a da coletiva de imprensa da CNN, criticou a política do Governo que reprenta de subsídios aos pequenos produtores e foi até aplaudido.
Na Cúpula se vaiava, tirava a roupa, apitava e levantava cartaz - o couro comeu para todo mundo que levantou e expressou uma opinião. Nem Leonardo Boff escapou à tanta democracia e liberdade de expressão. Estou para fazer uma postagem exclusiva sobre a Cúpula, foi imperdível e, assim que concluir, linko tudo.


Ao final da coletiva, que prefiro chamar de bate-papo, já que não havia direito à réplica-tréplica e tampouco tradutor para traduzir as repostas aos próprios jornalistas - o que não foi problema para mim, mas para muitos dos presentes - sentamos sem a CNN para a boa conversa em off e, até essa que vos fala levantar a bola, ninguém havia se tocado do óbvio: a produção da CNN havia usado os blogueiros para divulgar o programa e assim, atingir o público alvo, jovens interessados em ambientalismo.
Algumas moças se ofenderam, disseram que por serem jornalistas estavam cumprindo seu papel e que aquilo era sim uma coletiva de imprensa, que caberia a eles escrever com imparcialidade o que acharam das respostas dadas. Outra defendeu que bons textos são escritos por jornalistas, se escritos por especialistas, ninguém entenderia...
O grupo dividiu, uma turma lembrou que faltou tradutor, outros lamentaram não poder questionar as respostas e apenas anotar tudo sem piar, etc.

Eu não sou jornalista, tampouco faria uma faculdade de Comunicação Social, mas ninguém precisa de diploma para perceber quando está sendo usado para fazer matéria paga de graça.
Como disse acima, ainda não tenho diploma em nada e falo de minha modesta formação pela escola da vida com os peões que conheci em algumas postagens daqui, "Eu queria trabalhar com sustentabilidade",  "Na Juréia, trabalho de peão" e "Vistoriando 3 navios indianos no Cais do Porto".
A propósito, ninguém precisa mais de qualquer diploma para exercer o nobre ofício de jornalista, segundo Súmula do próprio Supremo Tribunal Federal, exatamente para que especialistas de todas as áreas (com ou sem diploma, como catadores e parteiras)  possam escrever artigos em suas searas e assim, o nível da informação melhorar e atingir todas as camadas da sociedade.
Mas já que os presentes encararam o curso convencional de 4 anos, poderiam ter um pouquinho mais de senso crítico, mesmo diante da CNN. E, caso cogitem a hipótese de seguir pela linha ambiental, devem se especializar como sabiamente fez Philippe Cousteau Jr. e André Trigueiro, ou Miriam Leitão na área econômica entre muitos exemplos bem sucedidos.

Senti um pouco de pena e vergonha alheia ao ver jornalistas deslumbrados, achando "bacana" e "legal" ele ter defendido valores familiares, inclusão de mulheres de comunidades nativas no processo de desenvolvimento sustentável e falar que nos faltam heróis, entre outros clichês politicamente corretos.
Em tempo, não nos faltam heróis, nós os temos de sobra. Todo produtor orgânico é um herói, assim como qualquer brasileiro que viva com salário mínimo, catador, mãe solteira que trabalhe de doméstica...
Ontem mesmo saiu no site da Anistia Internacional que somos o país com o maior número de ativistas assassinados na última década.

Não saí do bate-papo/coletiva de imprensa com qualquer impressão ruim acerca do jornalista e ambientalista Philippe Cousteau Jr., muito pelo contrário. Coerente, articulado, seguro e muito elegante e bem informado, não se aprofundou mas não disse bobagem, o que é esperado de alguém que carrega a tradição desse sobrenome, mas que trabalha para a CNN.
Assim como seus colegas brasileiros, ele também luta por um espaço na mídia, não está fácil para ninguém. Mas ao contrário de muitos, entende de verdade do que está falando e já compreendeu as regras do jogo.
Vale a pena dar uma chance ao seu programa, mas também é de notar que blogs, inicialmente criados para ser a imprensa livre e sem papel, estão sendo manipulados justamente por quem deveriam fazer oposição.



Mais informação:
Levante sua voz
Ativistas assassinados 
Sarcasmo pouco é bobagem
Arte na carroça do catador de lixo
Indústria pesqueira x pesca artesanal
O lado B da energia eólica em larga escala
A Anistia Internacional e a sustentabilidade
Finning - Até quando teremos esse absurdo?
O mar não está para peixe: Slow Fish ou O fim da linha

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Guia Slow Food para cariocas

Boa nova, o Slow Food lançou um guia específico para o Rio de Janeiro.
Muita coisa já apareceu por aqui, como o Morro da Conceição, o Beco das Sardinhas, a Adega Pérola, as Feiras de Orgânicos, a Feira de São Cristóvão e os mercados a granel, a Grão Integral, o Tacacá do Norte, os botecos com suas pingas e caldos e até os produtores do Brejal na Região Serrana e Claude Troigrois.

O guia pode ser baixado gratuitamente em link abaixo.
Não deixe de baixar, mesmo não sendo do Rio, vale pela quantidade de informação boa que pode ser replicada em qualquer lugar.
Fundamental ver as coisas importantes dessa terra cuja primeira definição oficial foi "uma terra em que se plantando, tudo dá", serem valorizadas de verdade.
E associe-se ao Slow Food, a organização vive de seus membros e seus membros vivem mais felizes com seus convívios.

Segue a capa e o texto oficial com link de download:


O Slow Food acaba de lançar o guia bilíngüe, inglês-português, Rio de Janeiro - 100 Dicas Slow Food. Em formato de bolso e de fácil navegação, ele está dividido pelos bairros cariocas e reúne recomendações de botecos, bares, feiras e restaurantes - dos mais simples e acessíveis ao mais sofisticados. O guia também reúne projetos sociais inovadores, desenvolvidos em comunidades carentes, voltados para a agricultura e a culinária. O guia foi realizado em colaboração com a revista Prazeres da Mesa e com o SENAC-SP. O projeto gráfico e a diagramação são da Dodesign-s.

Rio de Janeiro - 100 Dicas Slow Food será distribuído gratuitamente em diversos pontos da cidade durante a semana da Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

A versão em PDF e para smartphones já está disponível para download gratuito no endereço: www.slowfoodbrasil.com/guia-rio/

O Slow Food vê o alimento em um sentido amplo, que leva em conta toda a cadeia de produção. Da terra à mesa, os ingredientes trilham um longo percurso.

O Slow Food entende que o prazer gastronômico está atrelado à produção do ingrediente cultivado em respeito ao ambiente e ao agricultor; acredita na importância de preservar a biodiversidade e a cultura artesanal de cada povo, de cada país, em resposta à homogeneização do gosto e a perda dos saberes tradicionais.

O Slow Food trabalha para que todos tenham direito ao alimento bom, limpo e justo. A seleção dos lugares e projetos incluídos aqui, parte desta premissa fundamental.


Mais informação:
Guia Slow Fish Brasil
A Revolução dos cocos
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
As frutas que ninguém come mais
Slow Tea, chás e especiarias orgânicos
O mar não está para peixe: slow fish ou o fim da linha
Slow Food, vegetarianos, desmatamento e a indústria da soja
Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Comida di buteco e as dicas para beber cachaça sem insalubridade
Hortaliças em extinção por causa das tentações vindas da cidade grande

terça-feira, 12 de junho de 2012

10 maneiras de ajudar cães e gatos




Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos.
Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita.


Os cães daqui de casa - adotados, castrados, microchipados e de coleira com plaquinha de identificação (tudo nos conformes):
Olimpia
Margarida
Felipa (Pipa)


Mais informação:
Onde castrar seu animal gratuitamente
Dica sustentável e veterinária do dia: canela e joelho de boi
Estou no site do Wallmart falando de animais de estimação sustentáveis
Castre seus gatos: 1 único casal gera até 60.000 de filhotes em 1 década
Castre seus cães: 1 único casal gera até 80.000.000 de filhotes em 1 década
Não existe animal feio, existe animal mal tratado: o "antes e depois" de cães adotados

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Top 5: fazendas urbanas novaiorquinas





Brooklyn Grange 
Brooklyn Grange é a maior fazenda de telhado no país (e possivelmente do mundo), abrangendo cerca de 40.000 metros quadrados em cima de um antigo edifício industrial no Queens. A fazenda produz de tudo, da beterraba ao feijão, além de outras 40 variedades de ervas e legumes. O Grange é dedicado ao uso de princípios orgânicos no processo de crescimento, porém eles não são certificados como orgânico pelo USDA e não tem planos de fazê-lo, já que a certificação leva a aumentos desnecessários nos custos na maioria dos casos. Eles acreditam que o uso de técnicas de cultivo naturais deve ser sistematizado ao tentar ajudar a criar cidades saudáveis ​​e sustentáveis​​.



Added Value (Valor Adicionado)
Valor Adicionado, localizada em Red Hook Brooklyn, é uma fazenda sem fins lucrativos dedicada a alimentar as gerações futuras através de uma variedade de programas de formação dirigidos aos jovens de 14 a 19 anos de idade que vivem no sul do Brooklyn. Como uma das mais antigas fazendas urbanas na cidade, a Valor Adicionado tem desempenhado um papel importante na transformação de terrenos baldios em hortas urbanas, melhorando o acesso à alimentação local, saudável e acessível para os moradores locais. A fazenda, que usa canteiros, tem três incentivos principais: o crescimento de um sistema alimentar, capacitação da juventude, e exploração de aprendizagem baseada em programas e oferece longos anos de formação para cerca de 115 adolescentes do bairro.


Tenth Acre Farms (Fazendas Décimo Acre)
Décimo Acre teve um começo humilde no quintal do apartamento do co-fundador da Jordan Hall. Desde 2009, porém o trio de agricultores se expandiu e assumiu uma quadra de basquete abandonada na Escola Santa Cecília, em Greenpoint, Brooklyn. Como todos os agricultores desta lista, o objetivo principal da Décimo Acre é fornecer os legumes mais frescos e saudáveis ​​possíveis para os cidadãos de Nova York. Usando métodos biológicos de cultivo, a totalidade da produção é livre de substâncias químicas nocivas. No entanto, como Brooklyn Grange, a Décimo Acre  não tem planos de adquirir certificação orgânica.  Décimo Acre  também utiliza canteiros para o cultivo, o que permite um aumento de 3 a 4 semanas em sua estação de crescimento, já que o solo esfria mais rápido no verão e leva mais tempo para descansar no inverno. A Fazenda está aberta a visitas e a equipe encoraja as pessoas a conhecer o que está crescendo bem em seus quintais!


Urban Farm at the Battery (Fazenda Urbana na Bateria)
Recém-chegados, a fazenda urbana em formato de peru teve sua primeira colheita em meados de maio, começando a temporada com o pé direito e alguns rabanetes deliciosos, cultivados por estudantes locais. Inspirado pelo peru residente do parque, Zelda, que vinda de um local desconhecido, apareceu em Battery Park em 2003 , a fazenda é protegida por 5.000 varas de bambu reaproveitadas e dispostas na forma da silhueta da ave. A fazenda urbana irá fornecer o espaço de sala de aula ao ar livre para as escolas locais em toda a cidade. Esta é a primeira fazenda no local desde 1625, quando Nova York era ainda a cidade de Nova Amsterdã. Estamos ansiosos para a colheita de 20 vegetais locais, incluindo brócolis, rabanetes, nabos e abobrinha.


Gotham Greens (Verdes de Gotham) 
Enquanto Gotham teve sua primeira safra neste mês, a estufa hidropônica foi realmente um projeto em curso para um par de anos. Ganhar a competição de Negócios Verde de Nova York no ano passado deu ao trio o impulso extra que precisava para obter o impressionante efeito estufa do projeto em andamento. A estufa, localizada em Greenpoint, Brooklyn, vai produzir 80 toneladas de hortaliças e vegetais ao longo do ano. Utilizando técnicas hidropônicas, onde uma metragem quadrada menor é necessária para produzir alimentos 7 a 8 vezes em maior quantidade do que na agricultura tradicional de solo. Outra vantagem para o cultivo em estufa é que nunca a estação de crescimento termina. Enquanto as outras fazendas da lista, sofrem quedas tradicionais, Gotham tem a vantagem de cultivar vegetais de verão que crescem no meio do inverno, trazendo um pouco de verde para uma paisagem normalmente estéril.


Fonte: InHabitat


Mais informação:
Deu no New York Times
O mundo é o que você come
Peixes e hortaliças crescem nos tetos da Suíça
A alternativa venezuelana à fome: hortas urbanas
Farm City, fazendas urbanas para comprar local, orgânico e justo
DeKalb Market, mais um centro comercial urbano construído em containers
Antiga fábrica abandonada em Chicago é transformada em fazenda urbana vertical e energeticamente autônoma

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pia cheia de louça suja não é problema, é solução



Você sente sede, abre o armário da cozinha e pega um copo.
Enche o copo de água no filtro ou geladeira e resolve seu problema.
Num gesto automático, abre a torneira para pelo menos passar uma aguinha no copo. Sendo criatura mais prendada, resolve passar a tal aguinha, fechar a torneira para ensaboar sem deixar a água correr, abrir a torneira de novo para enxaguar o sabão.
Sendo criatura prendada e ligada em sustentabilidade, vai fazer isso tudo usando sabão biodegradável e bucha vegetal.

Não precisa ter Nobel em Matemática, mas a cada copo de água que você bebe, você usa outros 3 para lavar o mesmo copo.
A água da torneira é a água que abastece o filtro.
A gente lava louça, limpa calçada, lava roupa e até empurra as próprias fezes com a mesma água doce e tratada que abastece nossos filtros e talhas.

Deixe a pia cheia de louça suja, passe uma água geral (pode ser a que escorreu um macarrão, sobrou da cisterna da máquina de lavar roupa, foi coletada pela chuva, etc), ensaboe tudo e só então abra a torneira.

Ideal: a água que abastece sua pia já é oriunda de reúso da máquina de lavar roupa, que por sua vez foi captada pela chuva por calhas e que após ser usada, servirá para irrigar o jardim...



As imagens foram retiradas dos blogs Morando fora de casa e Prof. Garin, tratando justamente da culpa que todo mundo sente em deixar a pia cheia de louça.
Relaxa, essa culpa acabou. Pia cheia de louça suja não é problema, é solução.
Só não aproveite para deixar o resto de comida acumulado como nas fotos, raspe tudo e acondicione em lixeira fechada ou composte imediatamente. Empilhe a louça da melhor maneira possível, é sustentabilidade, não baderna.


Mais informação:
Arquitetura inteligente em sanitários
Reúso de águas cinzas na lavanderia
Quanta água existe de fato no planeta?
Vassouras e baldes x mangueiras de água
Consumo de água x aumento da população urbana 
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)