segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 04: forno solar

Nos primeiros dias, enquanto as caixas de papelão ainda fazem parte do mobiliário e as únicas opções de almoço são frutas, frango de padaria, prato feito no bar mais próximo e um ou outro biscoito, já que sem fogão nem uma pizza seria viável - boa para comer na hora, mas impossível de requentar no dia seguinte - o forno solar foi interessante. Depois, comprei uma panela elétrica e as comidas dela vêm por aí. Mas essa experiência solar vale o registro.

Peguei uma das caixas da mudança que estava largada, forrei com alumínio, colei algumas partes com superbonder e usei a tampa da máquina de lavar (em vidro) como tampa do forno. Funcionou.
Na Jureia, eu havia tentado fazer um forno solar, mas não deu certo e deixo os links abaixo para quem quiser ver e não repetir meu erro. Segundo quem entende, faltou uma tampa de vidro para que o sol entrasse e fizesse então o efeito estufa interno.

Seguem as fotos:

A caixa já forrada, algumas partes foram coladas com superbonder, outras não. A cola acabou e não me preocupei, não fez falta.




No dia mais quente do ano, 44ºC em pleno inverno, acomodei bananas maduras numa bandeja de inox e cobri com outra bandeja menor por cima.



Tampei o forno com a tampa da minha máquina de lavar e deixei no sol a manhã toda:








As bananas cozinharam, mas não fotografei, comi cozida na própria casca mesmo sem nada acompanhando.
Parti então para uma segunda experiência, legumes cozidos, que são o que mais gosto em qualquer churrasco.


Fatiei 1 cebola e 2 tomates, armazenei em pirex com tampa plástica e levei ao forno novamente, deixando a manhã toda no sol. Não cozinhou, ficou al dente e o sol já mudara de posição.
Como o sol da tarde bate na minha sala, resolvi trazer o forno para a sala e acomodar debaixo da janela.
Não coube, a caixa encalhou e tive que retirar o pirex do forno e improvisar na escada de alumínio.
Não funcionou, o efeito estufa sumiu é claro. Afinal o que cria o calor é um recipiente adiabático (que não perde calor ao meio) exposto ao sol. Deixando meu pirex largado ao sol, o calor se perdia pelo ar.

Então peguei minha panela de ferro, acomodei o pirex dentro e cobri tudo com plástico filme. A tampa da máquina não coube no vão da escada.




















Funcionou perfeitamente!
Os legumes ficaram cozidos no próprio caldo:



Corri na padaria da esquina e comprei 1 pacote de pão careca (farinha branca, era o que tinha), 1 pacote de batata palha pequeno e 1 lata de salsicha de soja.
Passei a mostarda l´ancienne francesa sem açúcar que amo e estava na geladeira e comi meu cachorro quente solar.



Em tempo: toda salsicha industrializada é uma porcaria, seja em carne ou soja. Para comer salsicha boa, compre das caseiras e artesanais como nossos avós faziam, nenhuma ainda é vegetariana.
Escolhi a industrializada em soja, porque pelo menos é uma porcaria que não matou nem um bicho para ser produzida.


Então deu vontade de fazer leite de coco, para bater com uma fruta, fazer cuscuz de tapioca para o café da manhã...
Segui o procedimento normal, enchi as chaleiras de coco ralado seco comprado a granel, completei com água filtrada, acomodei no forno solar e deixei ao sol por 4 horas.


O leite de coco cozinhou e então o bati no liquidificador.


Existem 2 maneiras de fazer leite de coco caseiro, eu só uso 1 e explico melhor.
Muita gente faz leite de coco colocando o coco ralado num pano de prato limpo e levando a uma bacia de água para então torcer e espremer esse leite que se formaria.
Eu particularmente não faço assim, prefiro ferver a água na chaleira com o coco ralado fresco ou seco e depois que esfriar, bater tudo no liquidificador. O bagaço residual pode ou não ser coado e deve ser sempre reaproveitado em inúmeras receitas.

Veja abaixo a diferença entre os leites de coco obtidos pelos 2 processos - o leite com cara de leite é o fervido, o leite mais ralo é o espremido e eu usei mesmo foi para cozinhar o arroz integral na panela elétrica.



Abaixo o meu cuscuz de tapioca com canela, ótimo pela manhã com uma xícara de café.




Microondas?
Não, obrigada!



Mais informação:
Soja é desnecessário
2 anos sem forno e fogão
Mamãe não passou açúcar em mim!
Celulares, radiação, câncer e esterilidade
Cuscuz de tapioca com leite de coco caseiro
Canela da China x Canela nacional "batizada"
Na Jureia: um forno solar onde chove sem parar
A casa sustentável é mais barata - parte 17 (forno solar a R$20,00)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Boteco, o filme

Esse blog adora um botequim, eles já apareceram aqui em várias postagens como a do Guia Carioca do Slow Food.
O brasileiro nem percebe, tão incorporados estão os botequins ao nosso dia a dia, mas o boteco é a nossa maior herança gastronômica. É o primo pobre da taverna europeia, é o armazém de secos e molhados que colocou umas mesinhas para os clientes bebericarem o vinho de barril com uns tremoços e azeitonas vendidos a granel. Saiu o vinho de pipa e entrou a caninha de alambique, ganhamos todos.

Muito bacana, 200 anos após a saída corte imperial, ver que há tanta influência nordestina e mineira brigando ombro a ombro com os bolinhos de bacalhau e salsichões alemães, com tantos petiscos elaborados em panelas de barro e pedra sabão, servidos em telhas e cuias, valorizando as comidas "menos nobres" como bucho, rins, raízes, feijões e pimentas frescas.

O primeiro lugar onde comi inhame e provei cachaça foi num bar do Rio, Academia da Cachaça, minha mãe não comprava dos dois, considerados sem refinamento na época. Muitos anos depois, vi minha geração resgatar essas tradições e valorizar lugares como a Feira de São Cristóvão, igualmente esquecido.

Boteco de verdade é cultura e de acordo com o documentarista Ivan Dias, português de nascimento, estão em extinção sob risco de virarem bares da moda, que imitam justamente os velhos botequins com seus móveis de madeira, paredes de azulejo e culinária típica. Uma pena.

São Paulo é uma cidade basicamente italiana, com alguns guetos orientais e árabes, mas a influência italiana fala mais alto do que todas as outras, mesmo sendo muito cosmopolita. Talvez o paulista nem perceba, mas, apesar de falar português, sua alma é mais italiana do que portuguesa.

No Rio, por ter sido sede do Império e residência da Família Real, a história é outra, a influência portuguesa é tanta na cidade que, assim, como os paulistas, tampouco percebemos a colonização que se estende das pedras (portuguesas) do calçamento ao estilo colonial (português) de todas as nossas construções tombadas. Os bairros mais bonitos do Rio são justamente aqueles cheios de sobradinhos em estilo colonial, como Lisboa.

A comida portuguesa se encontra de todas as formas pela cidade, desde o boteco mais pé sujo com suas moelas e dobradinhas expostas em vitrines quentes ao restaurante mais sofisticado e caro da cidade, o Antiquarius, um restaurante basicamente português.

A Cadeg, nosso Mercado Municipal, em Benfica, bairro de subúrbio que, junto com São Cristóvão, é justamente reduto da colônia portuguesa que veio para cá trabalhar nas feiras livres e levantaram a Cadeg pela necessidade de distribuição das hortaliças, é um pólo onde se come bem e barato.

E o prato tradicional da cidade não poderia ser outro a não ser a Feijoada, encontrada em todos os nossos muitos botequins e restaurantes populares. Junto com o Cozido, que em alguns lugares ainda é servido com seu nome original “Cozido à portuguesa” ou “Cozido a alentejana”, é a minha comida favorita entre todas.



Resistência portuguesa

Filme trás drama de botequins portugueses, pressionados pelos bares da moda e a dificuldade de se reinventarem.

Os botequins portugueses estão perdendo espaço para bares da moda e podem estar com os dias contados. A conclusão é do diretor português Ivan Dias, que passou semanas no Rio filmando o documentário “Boteco”. O foco do filme são os bares de portugueses na cidade.

“Não é um filme sobre comida. A comida é apenas um canal”, conta Ivan. “Contamos a história da imigração portuguesa para o Brasil através de seus botequins”, diz.  Ivan teme que, em alguns anos, os botequins fiquem “tão na moda” que passem a ser caros, luxuosos.
“Vamos tentar fazer com que não seja assim”, diz. “Uma parte da história de Portugal seria perdida. Uma parte da história do Brasil também”.

Para o filme foram selecionados 11 botecos. Os critérios foram seus proprietários, a comida e a marca forte do lugar. Apesar de todos serem portugueses, são bem diferentes entre si. “A única coisa que os une é o bolinho de bacalhau”, diz.

Botecos portugueses moderninhos ou com donos brasileiros também ficaram fora da lista. Só entraram aqueles que ainda pertencem aos seus donos originais ou a seus descendentes. “Tem muito botequim com nome português que hoje é de cearense”, conta Ivan.

Os botequins do filme são chamados por ele de “botecos da resistência”, já que os modismos roubaram o espaço das casas portuguesas tradicionais. Para Ivan, seus donos não querem nem saberiam se reinventar. “A vida deles é aquilo. É gente que trabalhou a vida toda e não sabe fazer mais nada, mesmo com dinheiro no bolso.”




A lista TOP10 de Ivan Dias:

Vinte e Oito, Rua Barão de São Felix 28 (Gamboa)
Melhor pedida: Cabrito – “Seria um ótimo cabrito mesmo em um restaurante de ótimos padrões em Portugal”, diz Ivan Dias.

Varnhagem, Praça Varnhagem 14ª (Tijuca)
Melhor pedida: Feijoada ou rabada – “A feijoada de Dona Natalina é maravilhosa e o Guilherme Studart, do Rio Botequim, é freguês.

Pavão Azul, Rua Hilário de Gouveia 71 (Copacabana) - consta do Guia Slow Food
Melhor pedida: Pataniscas – “As donas, Vera e Beth, conservaram a maneira tradicional de se fazer pataniscas de bacalhau. São tão boas quanto as de Portugal.”

Temporal, Mercado São Pedro (Niterói)
Melhor pedida: Peixe frito
“Você compra o peixe no Mercado de Peixe, lá em Niterói, e frita no Temporal. Não tem ciência. O Manuel pega o peixe, mete na panela e fica lá, acompanhando da sua cervejinha e do seu cigarrinho”.

Tasca do Edgar, Rua Mário Portela 16 (Laranjeiras)
Melhor pedida: Pastel ou rabada com agrião
“A rabada é maravilhosa e o dono, Seu Edgar, é um dos poucos portugueses que não torce pelo Vasco. No boteco dele tem uma bandeira do Fluminense enorme.”

Bar Brotinho, Rua Garibaldi 13 (Tijuca)
Melhor pedida: Sardinha frita
“Ninguém conhece o lugar como Bar Brotinho. É o bar da Dona Maria”, continua Ivan Dias. “Aos 92 anos, ela conta sobre sua vinda de barco para o Brasil, como criou os filhos... com o português de Portugal exatamente igual, como se estivesse na aldeia dela.”

Jobi, Av. Ataulfo de Paiva 1.166 (Leblon)
Melhor pedida: Empada
“A fama de rabugento do português é só uma forma de encarar o cliente malandro carioca”, diz Ivan, que costuma ver “sorrisos esparramados” no botafoguense Narciso, um dos donos do botequim.

Bar do Ferreira, Rua João Lira 148 (Leblon)
Melhor pedida: As piadas do Ferreira
“Tem vários petiscos: croquete, bolinho de aipim. São bons, mas o grande diferencial são as piadas que o Ferreira conta.”

Gruta de Santo Antônio, Rua Silva Jardim 148 (Niterói) - consta do Guia Slow Food
Melhor pedida: Pataniscas
“A patanisca é diferente, com uma posta de bacalhau.”

Paz e Amor, Rua Garcia D´Ávila 173 (Ipanema)
Melhor pedida: Cozido
“É um ponto de encontro de trabalhadores e moradores da Zona Sul, que sentam juntos para comer o cozido ou o PF”, completa Ivan Dias.






Cachaça orgânica é ainda melhor do que a convencional, principalmente no dia seguinte.
Dica de quem reconhece de longe uma boa "branquinha": cachaça boa não tem cheiro de álcool gel, mas de caldo de cana e tampouco deve "arder na descida" . Cachaça boa não escorre líquida pelo copo, deixa uma marca oleosa nas paredes do vidro, já que não é de base alcóolica.
Se te abrirem uma garrafa com rótulo "original de Salinas, MG" e vc sentir cheiro de etanol, fuja porque "batizaram" essa garrafa. Se você ainda tiver coragem de provar, vai ver que "desce rasgando" e te mata de dor de cabeça no dia seguinte.
Leia melhor sobre Vinhos orgânicos e biodinâmicos e também sobre a Ypioca, cachaçaria certificada, que secou uma lagoa de reserva indígena. Para fazer seus drinks favoritos, vá na postagem "Eu bebo sim!"



As fotos acima, que tiram qualquer um de casa, são das caipirinhas do site oficial da Academia da Cachaça.
Peça a sua com melado ou rapadura e fique de consciência limpa - a caipirinha que leva o nome da casa é feita de limão galego e já vale a visita.


A primeira imagem é do balcão da Adéga Pérola, meu boteco favorito entre todos, em Copacabana e indicado pelo Guia Slow Food Carioca como um lugar onde tudo é bom.
A segunda é do inacreditável Bar do Bode Cheiroso, ao lado da minha casa no Maracanã, onde estou morando atualmente. A comida é ótima, tipicamente portuguesa de botequim, lota na hora do almoço com os funcionários de empresas sérias do bairro. E claro que eles têm uma imensa foto pendurada na parede do bode em questão.



Mais informação:
Eu bebo sim!
Compras a granel
Guia Slow Food para Cariocas
Vinhos orgânicos e biodinâmicos
Comprando orgânico, justo e local na Tijuca
Tubalhau, um contrassenso em Fernando de Noronha
Slow Food, vegetarianos, desmatamento e a indústria da soja
Caldos, a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso


domingo, 21 de outubro de 2012

Sucos Verdes






Sem fogão, estou tendo que improvisar. Pensei em adotar sucos verdes, brotos germinados e alguns pratos da comida crua, o crudivorismo.

Como adoro meus panelões de ferro e barro, nunca me aprofundei no assunto, apenas havia tido experiências de degustação em eventos, que não despertaram meu interesse em pesquisar o assunto para escrever sobre.







Para começar, sucos da maneira que você conhece não são um alimento dos mais indicados. Se reparou aqui no blog, nunca divulguei uma receita de suco, apenas de águas aromatizadas, limonadas, lassis, açaí orgânico, smoothies, chás, leites vegetais, mousses sem açúcar e até sopas frias, mas o suco grosso e batido no liquidificador nunca. Explico melhor: para fazer um copão de suco, daqueles bem consistentes como o das lojas, é preciso uma quantidade imensa de fruta. A pessoa acaba ingerindo muita sacarose sem matar a fome que comer as frutas aplacaria. Pior, sem ingerir fibras benéficas ao organismo e a digestão. A própria consistência dos sucos já evidencia que mais parecem mousses a serem consumidas de sobremesa, em tigelas pequenas.

Entretanto, já havia lido alguma coisa sobre o broto do trigo, fonte maior de clorofila, só ser compatível com maçã e da existência de muitos relatos de curas de câncer com sucos verdes. Como eu não entendia nada do assunto, resolvi ligar para uma amiga que entende.
Pacientemente me explicou que suco verde é todo suco feito com vegetais, não necessariamente de brotos germinados cultivados pelo comensal. Perguntei com naturalidade “Então limonada batida com couve e abacaxi com hortelã são sucos verdes?” e ela me confirmou que sim, que faz seus sucos verdes batendo banana com couve e hortelã, às vezes usa abacaxi, às vezes deixa mais grossinho como uma papinha que toma no café da manhã, etc.

De onde concluí que suco de beterraba e cenoura batidos com laranja também se enquadrariam na categoria “verde”. Sim, um suco vermelho pode ser verde também.

Recebi 2 dicas de sites: Terrapia (no portal da Fiocruz) e Biochip (no portal da PUC-Rio), ambos excelentes, mas mais focados na germinação dos brotos, que não estou por hora muito interessada.

Aqui no blog, você já encontrava pelo menos 4 sucos verdes: a limonada suíça clorofilada (batida com couve), o refresco de capim limão fresco (não é a erva seca do chá), o refresco da casca do abacaxi batido com hortelã e um refresco de maracujá com inhame cru.

Comecei a pesquisar o assunto com mais calma e cheguei a algumas conclusões:

1. Não use suco de laranja como base do seu suco verde, o suco de laranja é basicamente sacarose e tão calórico quanto um copo de Coca –cola, prefira o limão (ou maracujá, abacaxi, melancia, etc) e chupe as laranjas com bagaço e tudo, o intestino vai virar um relógio e a taxa de açúcar no hemograma continua baixa;

2. Hortaliças como espinafre e taioba não devem ser usadas em sucos verdes apesar das muitas receitas com espinafre. A taioba arde se consumida crua, "pica a garganta" como se diz na roça, e o espinafre é rico em ácido oxilálico, só devendo ser consumido previamente cozido, daí a tradição do creme de espinafre em detrimento de seu uso em saladas. Para qualquer hortaliça: prefira orgânico e deixe de molho em solução de água com vinagre por meia hr antes do uso para matar os vermes;

3. Não adoce, mesmo estando acostumado a sucos adoçados. Tenho feito limonadas suíças (com casca) e muitas folhas sem adoçar nada. As hortaliças cortam qualquer acidez;

4. Foi sugerido o uso de água de coco no lugar da água para bater sucos verdes. Adorei a ideia, mas como água de coco é inexplicavelmente cara nesse país lotado de coqueiros e eu adoro o líquido de paixão, tenho batido tudo com leite de coco caseiro diluído em água. Quem gosta ainda pode adicionar 1 colher do óleo de coco extra virgem;

5. As receitas de suco verde encontradas na internet sugerem sempre pouco líquido para bater, aumente e muito essa proporção. Aqui em casa, o suco feito de 1 manga, 4 folhas de couve, 1\2 maço de hortelã e 1\2 de capim limão é batido com pelo menos 3 litros de líquidos, seja água, água de coco ou o leite de coco caseiro.

6. Você pode ou não coar, usando vegetais fibrosos e frutas de casca grossa, como o limão, a coagem é necessária. Batendo abacaxi descascado com folhinhas de hortelã, não é. Fica a seu critério

7. Hortaliças como cenoura, abóbora crua, pepino, berinjela, beterraba, salsão, repolho, salsinha, alfafa, folhas de nabo, ramas de cenoura, folhas de beterraba, brócolis, couve flor, erva doce e até o inhame cru combinam divinamente, além de serem desintoxicantes. Tomates e batatas entram em algumas receitas exóticas, mas devem ser sempre evitados pela toxidade e acidez. Para qualquer hortaliça: prefira orgânico e deixe de molho em solução de água com vinagre por meia hr antes do uso para matar os vermes;

8. Chás gelados também podem e devem ser usados como líquido base, os chás de hortelã, maçã e erva cidreira são os mais usados. Adicionar 1 pedaço pequeno de gengibre fresco em qualquer suco verde, além de uma delícia, ajuda a prevenir resfriados, alergias e até a combater as verminoses, principalmente aos que comem muitas folhas cruas, seja em suco ou salada;

9. Cenouras, abóbora crua, cajus e todas as frutas vermelhas são antioxidantes naturais, todo suco verde fica muito mais gostoso adicionando um pouco delas. Melão e melancia, assim como o pepino, tendem a deixar os sucos mais refrescantes e diuréticos;

10. Brotos, sementes, algas marinhas, castanhas e afins. Estude antes de adicionar, veja as combinações recomendadas com pessoas que realmente entendem do assunto, há muito curioso falando bobagem na internet. A linhaça cultivada em chumaços de algodão germina em 2 dias e pode ser batida com tudo, já o broto de trigo pede estrutura melhor e só combina com a alcalinidade da maçã. Hipócrates, o pai da Medicina Moderna já ensinava no ano 400 a.C. que a boa comida era a mais simples, com menos misturas e combinações e que devíamos fazer do nosso alimento o nosso remédio.


Além do Terrapia e Biochip sugeridos, encontrei outro site maravilhoso, mas todo em inglês: The Wellness Warrior, capitaneado por Jessica Ainscough, uma linda australiana que se curou de um câncer adotando uma dieta radical onde ingeria até 12 copos diários de sucos verdes. Jéssica mantém hoje um bom portal com colunistas variados, venda de livros e vitaminas licenciados. Muitas receitas são em base de pêra, couve de Bruxelas e demais hortaliças comuns em outros países. Leia, inspire-se e adapte à sua realidade e ao seu clima. Se o que dá na sua terra, é sapoti, taperebá, umbu, grumixama e cupuaçu, use seu bom senso e vá em frente - o melhor alimento é sempre o orgânico produzido localmente – o que não faz o menor sentido é um país continental servir a mesma salada de Norte a Sul: de alface e tomate aguados.

Para baixar o e-book gratuito com mais de 100 receitas, visite o site e preencha seus dados, um link te redireciona depois de perguntar se é o download gratuito ou a compra. Vale a pena cumprir todas as etapas, o e-book gratuito é inteiramente ilustrado com fotos de seus leitores, todos de “bigode” verde, após tomarem sucos de vegetais. Uma interessante mudança de paradigma na cultura do “bigode” branco de leite de vaca.


Minhas receitas favoritas entre todas:

1. Manga, couve, hortelã e capim limão batidos no leite de coco caseiro, rende 4 litros que levo a semana tomando em jejum. Uma forma de manter a couve, que amarela rápido, sem estragar na geladeira;

2. Maçã, cenoura e gengibre, o suco base da dieta anticâncer do Dr. Gerson, leia mais em “Morrendo por não saber” mais abaixo;

3. Frutas vermelhas (morango, framboesa, amora, cereja e mirtilo) batidos com água de coco, inhame cru descascado e brotos de linhaça, é uma espécie de coquetel feminino, indicado para combate à cólica, câncer de mama e até rejuvenescimento da pele;

4. Abacaxi com agrião e gengibre, a receita original era com suco de tangerina, muito doce, troquei e estou satisfeita;

5. Maracujá com repolho roxo, 1 folha para cada 300ml do refresco da fruta. Um suco rosa com uma hortaliça sulfurosa (rica em enxofre) e importantíssima na profilaxia do câncer.




Dois “passo a passo” na minha cozinha nova (sem fogão):




Limonada suíça de limão galego batida com couve e hortelã. A limonada suíça de limão tahiti (ou qualquer limão verde) amarga e só pode ser tomada na hora. Em 5 minutos, está uma porcaria. Fazendo com o limão galego, de casca amarela-laranja, não há esse efeito colateral e dura 4 dias na geladeira.














Manga com gengibre, capim limão e folhas de nabo – as folhas de nabo deixaram um gosto que lembrou um pouco a rúcula e roubou o aroma do capim limão.





Filmes imperdíveis:
Turista Espacial”, ficção sobre uma sociedade do futuro onde a alimentação crua garante longevidade de 270 anos.
Simply Raw”, documentário sobre um grupo de diabéticos que reverte o quadro adotando uma dieta basicamente crua, dobradinha com o livro “Porque podemos viver 120 anos” que trata do mesmo assunto.
Morrendo por não saber”, documentário sobre a vida e legado do Dr. Gerson, médico alemão radicado nos EUA pós guerra, cujo trabalho de cura do câncer pela alimentação nunca foi reconhecido pela comunidade científica, apesar de ter curado o Prêmio Nobel Albert Schweitzer.

 

Mais informação:
Abacate
Smoothies
Limão galego
Capim Limão
Delícias geladas
Águas aromatizadas
Leite de coco caseiro
Açaí orgânico com abacaxi
Mousses de frutas sem açúcar
Mel de abelhas x melado de cana
As frutas que ninguém come mais
Panela velha é que faz comida boa
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Economistas da Unicamp lançam Manifesto em Defesa da Civilização

Diante do quadro de regressão social que atinge os países ditos desenvolvidos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um "Manifesto em Defesa da Civilização". "Estamos, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? Quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?" - pergunta o manifesto. As respostas para tais questões, acrescenta, não serão encontradas nos meios de comunicação de massa, "ocupados hoje por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades".

São Paulo - Diante do quadro de regressão social que atinge os países ditos desenvolvidos, com supressão progressiva de direitos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um "Manifesto em Defesa da Civilização". Assinaturas começaram a ser colhidas tambémpelo site Petição Pública e a iniciativa se espalhou. O documento pergunta: 

Estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão? 


 

Segue a íntegra do manifesto:

MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivo alegado é preservar a saúde das pessoas. 

Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna. 

Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra do Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados. 

A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foram destruídos pela concorrência chinesa. 

Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados. 

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inevitável avanço do progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado. 

Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão? 

A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar! 

Um bem estar que marcou os conhecidos “anos dourados” do capitalismo. A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado. Os grilhões colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de salários e lucros e, principalmente, a consolidação e a expansão do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos. Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados. 

O Welfare State não pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transformação econômica, social e política. Ele é, nesse sentido, revolucionário. Não foi um presente de governos ou empresas, mas a consequência de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a repartição da riqueza. Isso fica sintetizado na emergência de um Estado que institucionalizou a ética da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidadão portador de direitos. No entanto, as gerações que cresceram sob o manto generoso da proteção social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e prósperas classes médias esqueceram que seus pais e avós lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custará muito caro às gerações atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social! 

Essa regressão social começou quando começamos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, já no início dos anos 70. Sob o ideário liberal dos mercados, em nome da eficiência e da competição, a ética da solidariedade foi substituída pela ética da concorrência ou do desempenho. É o seu desempenho individual no mercado que define sua posição na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e não concorra em condições de igualdade, não existem outras classificações possíveis. Não por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street é “somos os 99%”. Não por acaso, grande parte da população espanhola está indignada. 

Mesmo em um país como o Brasil, a despeito dos importantes avanços econômicos e sociais recentes, a outrora chamada “dívida social” ainda é enorme e se expressa na precariedade que assola todos os níveis da vida nacional. Não se pode ignorar que esses caminhos tomados nos países centrais terão impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do século passado nas nações desenvolvidas.

Como então acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade é o próprio caos? Como aceitar que grande parte da carga tributária seja diretamente direcionada para as mãos do 1% detentor de carteiras de títulos financeiros? Por que a posse de tais papéis que representam direitos à apropriação da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preeminência diante das necessidades da vida dos cidadãos? Por que os homens do século XXI submetem aos ditames do ganho financeiro estéril o direito ao conforto, à educação e à cultura? 

As respostas para tais questões não serão encontradas nos meios de comunicação de massa. Os espaços de informação e de formação da consciência política e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. É mais importante perguntar o que o sujeito comeu no café da manhã do que promover reflexões sobre os rumos da humanidade. 

A civilização precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda não foram entregues. A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos últimos de 200 anos de história do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um nível de riqueza capaz de garantir a sobrevivência e o bem estar de toda a população do planeta. Isso não pode ficar restrito para uma ínfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação. Caso contrário, a reação é inevitável, violenta e incontrolável. A liberdade só é possível com igualdade e respeito ao outro. É preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização. 

 

Assinaturas

DAVI DONIZETI DA SILVA CARVALHO
EDUARDO FAGNANI
CAMILA LINHARES TEIXEIRA
CLAUDIO LEOPOLDO SALM
MILTON LAHUERTA
EDSON CORREA NUNES
MIRIAM DOMINGUES
WILMA PERES COSTA
NEIRI BRUNO CHIACHIO
NATÁLIA MINHOTO GENOVEZ
PEDRO GILBERTO ALVES DE LIMA
SAMIRA KAUCHAKJE
FABIO DOMINGUES WALTENBERG
ALICIA UGÁ
JULIANO SANDER MUSSE
AMÉLIA COHN
LIGIA BAHIA
MAGDA BARROS BIAVASCHI
FABRÍCIO AUGUSTO DE OLIVEIRA
ANTONIO CARLOS ROCHA
RODRIGO PEREYRA DE SOUSA COELHO
GABRIEL QUELHAS DE ALMEIDA
MARIENE GONÇALVES TUNG
AMILTON MORETTO
ANA AURELIANO SALM
MARCIO SOTELO FELIPPE
FREDERICO MAZZUCCHELLI
CELIO HIRATUKA
EDUARDO BARROS MARIUTTI
ANGELA MOULIN SIMÓES PENALVA SANTOS
ANGELA MARIA CARVALHO BORGES
JOÃO MIRANDA SILVA FAGNANI
RODOLFO AURELIANO SALM
EVA LUCIA SALM
ÉDER LUIZ MARTINS
FERNANDA MAZZONI DE OLIVEIRA
MICHELLE MAUREN DOVIGO CARVALHO
FELIPE LARA CIOFFI
ALOISIO SERGIO ROCHA BARROSO
RONEY MENDES VIEIRA
NAIRO JOSÉ BORGES LOPES
MARIA FERNANDA CARDOSO DE MELO
WILSON CANO
NEREIDE SAVIANI -
FREDERICO LOPES NETO
MARIA DE FÁTIMA BARBOSA ABDALLA
BRANCA JUREMA PONCE
LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO
ALAN GUSMÃO SILVA
JOSE ANTONIO MORONI
VANESSA CRISTINA DOS SANTOS
JOSÉ CLAUDINEI LOMBARDI
EDSON DONIZETTI XAVIÉR DE MIRANDA
MARIA EDUARDA PAULA BRITO DE PINA
MARIA DE FATIMA FELIX ROSAR
CÁSSIA HACK
DERMEVAL SAVIANI
ROBSON SANTOS DIAS
RODRIGO TAVORA GADELHA
JORGE LUIZ ALVES NATAL
LUCIANO VIANNA MUNIZ
ALUIZIO FRANCO MOREIRA
MARISE VIANNA MUNIZ
JURACI COLPANI
ALESSANDRO CESAR ORTUSO
GENILDO SIQUEIRA
CARLOS EDUARDO DE FARIAS
CARLOS ALONSO BARBOSA DE OLIVEIRA
JOSE DAMIRO DE MORAES
FERNANDO MOREIRA MORATO
CELSO JOÃO FERRETTI
SILVIA ESCOREL DE MORAES
DANIEL ARIAS VAZQUEZ
EVERTON DAB DA SILVA
JOÃO GABRIEL BARRETO SILVA ROCHA
CELSO EUGÊNIO BRETA FONTES
SARAH ESCOREL
VINICIUS GASPAR GARCIA
DENIS MARACCI GIMENEZ
DENISE DO CARMO SILVA PEREIRA
JEFFERSON CARRIELLO DO CARMO -
VAGNER SILVA DE OLIVEIRA
GABRIEL PRIOLLI
JÉSSICA MARCON DALCOL
MARINA VENÂNCIO GRANDOLPHO
PEDRO HENRIQUE DE MELLO LULA MOTA
DANIEL SANTIAGO MOREIRA
VANESSA MORAES LUGLI
SANDRA MARIA DA SILVA LIMA
CARLOS RAFAEL LONGO DE SOUZA
MARIA SILVIA POSSAS
LUCIANA RAMIREZ DA CRUZ
CAROLINA PIGNATARI MENEGHEL
PEDRO DOS SANTOS PORTUGAL JÚNIOR
JOSÉ AUGUSTO GASPAR RUAS
WELLINGTON CASTRO DOS SANTOS
ALESSANDRO FERES DURANTE
DANIEL HERRERA PINTO
PEDRO HENRIQUE VERGES
DAVI JOSÉ NARDY ANTUNES
CARLA CRISTIANE LOPES CORTE
CARLOS ALBERTO DRUMMOND MOREIRA
DANIEL DE MATTOS HÖFLING
MARCELO WEISHUPT. PRONI
ENIO PASSIANI
JOSÉ DARI KREIN
ANSELMO LUIS DOS SANTOS
FABIO EDUARDO IADEROZZA
HIGOR FABRÍCIO DE OLIVEIRA
DANER HORNICH
HELDER DE MELO MORAES
JOSE EDUARDO DE SALLES ROSELINO JUNIOR
JULIANA PINTO DE MOURA CAJUEIRO
FERNANDO CATALANI
FERNANDA PIM NASCIMENTO SERRALHA
LEANDRO PEREIRA MORAIS
MARCELO PRADO FERRARI MANZANO
OLIVIA MARIA BULLIO MATTOS
RENATO BROLEZZI
LUCAS JANNONI SOARES
MÁRCIO SAMPAIO DE CASTRO
MARIA PINON PEREIRA DIAS
LUIZ MORAES DE NIEMEYER NETO
RODRIGO COELHO SABBATINI
LÍCIO DA COSTA RAIMUNDO
FERES LOURENÇO KHOURY
 





Fotos: Época , Blog da Boitempo e Revista Veja


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sábado, 13 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 03: estante de livros em caixotes de feira



Ela começou modesta e experimental, eu estava focada mesmo nos caixotes frágeis e gratuitos da mesinha de cabeceira, nas muitas possibilidades de cor e formato.
Por curiosidade comprei 3 caixotes de feira do modelo mais resistente. Como precisava dos mais frágeis (gratuitos) para a mesinha de cabeceira, levei a R$10,00 um trio dos mais resistentes e empilhei num canto pensando no que fazer. Gostei do lay out e na parte da tarde, voltei na mesma feira para levar mais 3 caixotes reforçados a R$10,00.



A confecção da mesinha de cabeceira levou alguns dias. Uma tarde para pintar tudo, 24hrs para esperar secar. Outro dia para dar as 2 mãos na parte interna e mais 24hrs, esperando a parte interna secar. Por via das dúvidas, deixei 48hrs de espera nessa segunda etapa.

Então, minha estante de livros ficou esperando sua vez.




Com o tempo, fui vendo que apenas 6 caixotes maiores seria pouco para acomodar todos os meus livros. Deixei para buscar outro trio, ou outros se fosse o caso na semana seguinte e afinal, eu andava ocupada com as obrigações da mudança, que são sempre muitas.

Na véspera da feira da rua, resolvi arrumar os caixotes ao largo (até então estavam empilhados, para ver quantos caberiam na parede escolhida. Deu para fazer uma alinhar quatro, que formariam então pilhas de 3, num total de 12 caixotes. Se eu já tinha 6 da semana anterior, não precisaria então de mais um trio, mas de 2, mais 6 caixotes.

No dia da feira, acordei cedo e fui ao mesmo feirante pedindo mais 6 caixotes, que ele me vendeu prontamente. Me ajudou a trazer em casa e adorou a ideia da estante. Mostrei a mesinha de cabeceira pintada e ele sorriu como quem reconhece um velho amigo "caixotinho de tomate pintado... ficou bom!"
A estante de livros então ficou pronta ao custo de R$40,00 os 12 caixotes em 4 pilhas de 3. Mas ainda não era o que eu queria... As caixas grande comportavam bem os livros, mas e as miudezas que normalmente acomodamos nas gavetas?


Pensei em gavetas de cozinha, com suas divisórias, como seria para adaptar na parte de cima de uma caixa de feira?
A resposta estava no quarto ao lado, peguei uma das caixas menores e mais frágeis da mesinha de cabeceira, já pintada de azul, e coloquei por cima da estante como um módulo auxiliar "vendido à parte" em lojas de modulados.




Encaixou e ficou esteticamente interessante, o azul royal contrastando com a rusticidade da madeira crua, os formatos diferentes e até a possibilidade de pintar cada novo caixotinho de uma cor, que eu viria a descartar.







Esperei então a semana seguinte para na mesma feira, pegar mais 4 caixotinhos mais frágeis (gratuitos), pintar tudo e então empilhar sobre a minha estante de livros.
Quando secou, arrumei e ficou exatamente o que eu queria.



O custo da estante de livros é de R$40,00, o do módulo azul, de R$26,00 (as 2 latas de tinta azul, lembre que as caixas menores são de graça).



Eu gosto das imperfeições, deixo a mostra propositalmente. Também acho interessante a diferença de formatos e tamanhos entre as caixas, não fica parecendo um monolito pesadão, traz leveza e balanço, parece que o móvel está em movimento.



À noite, quando passei pela rua e vi tantos caixotes abandonados em meio à xepa da feira, enxerguei o lixo urbano que tanto nos incomoda, como uma fonte de recursos inesgotável.



Mais informação:
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A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels)
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão




Está vendo a escadaria acima? Sim, essa baita escadaria com jeitão medieval.
Agora imagina um sujeito mignon, magrinho com no máximo 1,70m de altura descendo essas escadas imponentes do século XVIII, enquanto empurra um imenso carretel de madeira industrial, daqueles de bobina de cabo?

O Camarão fez isso.

Camarão é o apelido do meu amigo Silvio Ronaldo, morador do Morro da Conceição no Rio, onde ficam as escadarias da foto. Ele e o Morro já apareceram em várias postagens por aqui, até cantando samba comigo no alto de um carro de som justamente na Praça Mauá, já que o Camarão também é presidente de honra do bloco local, o Escorrega mas não cai.

Eu sempre quis uma bobina de cabo, a primeira bobina que vi, foi justamente na casa do Camarão, toda trabalhada em mosaico e conto melhor na postagem dos pallets e reels linkada abaixo
Mas, como não é fácil de arrumar, há muitos anos pedi uma ao Camarão que, além de ter uma bobina na sala de casa, trabalha no Cais do Porto, onde é certamente um lugar cheio de pallets e bobinas.
Já havia esquecido do assunto quando logo na minha primeira semana na casa nova, recebo uma ligação dele avisando que encontrara 2 bobinas novinhas. Pegaria de carro e depois, eu só precisava passar para pegar. O Maracanã é perto do Centro e não levaria 10 minutos.
Perguntei pelo tamanho e ele me tranquilizou "da menor, 60cm x 60cm".
Fiquei sossegada e combinei o frete com um senhor que faz o transporte dos meus cães ao veterinário, quando embarco a trabalho, afinal as bobinas eram pequenas - segundo o Camarão.

No dia marcado, entro na Uno Mille do Taxi Dog e me toco para o Cais do Porto.
Chegando lá, me deparo com o Camarão descendo essa escadaria com uma bobina imensa, de pelo menos 1m. A outra, já esperava na calçada.
O motorista do taxi dog me olhou com 2 olhos muito arregalados e eu, sem ter a menor ideia de como resolver o problema, me desculpei "S. Sergio, eu juro que ele me disse 60x60".
A minha sorte é S. Sergio ser uma criatura ótima, muito despachado e que me respeita por eu ter tirado 3 vira-latas da rua e estar sempre na correria dos embarques.

No final das contas coube no carro, um milagre, provavelmente de São Francisco da Prainha, cuja escadaria leva à Igreja dele, tombada e em obras de restauro.

Se não conhece o Morro da Conceição, vá correndo, é um lugar lindíssimo no Centro do Rio. Uma espécie de ilha em estilo colonial cercada de prédios modernos por todos os lados.


Seguem as fotos das bobinas lá em casa.

No meu quarto, como uma mesa de canto, com um espelho imenso em cima, livros de sebos e a sacola de palha do Bazar Feliz, que eu uso para tudo. O espelho foi comprado há alguns anos numa calçada da Lapa por R$80,00. Está envelhecido e eu gosto dele assim, imperfeito.
O Bazar Feliz, que vende tudo que você possa imaginar em palha, também fica no Centro, mas na Saara - R. Regente Feijó, imagino que o nome tenha sido sugestão de algum cliente, afinal essa bolsa enorme (e boa) é tradicionalmente vendida a módicos R$10,00. Preciso voltar lá com calma, eles merecem uma postagem exclusiva, cheia de fotos com os preços baratinhos.
As flores são "espirradeiras" e foram catadas na árvore homônima da calçada da Oto de Alencar, rua do meu bairro atual, o Maracanã, que como muitas está toda florida com a chegada da Primavera.




A segunda bobina foi para o hall de entrada e confesso que pensei em pintar de preto para contrastar com os ferrolhos de metal enferrujados no centro, mas estou gostanto muito das imperfeições e marcas do tempo e uso, acho que traz personalidade. Tampouco estou sem tempo para nada e isso ajuda muito na hora de deixar os trabalhos de pintura de lado e gostar das coisas como estão.
Viu como as bobinas são imensas? Margarida é um bom cão médio de 15kgs e parece mínima comparando.



No primeiro dia, com um guarda-chuva já aboletado no vão central - ótimo, a mesa fica bem no hall de entrada mesmo, onde normalmente se alojam os guarda-chuvas de uma casa.
E no segundo, com as mil coisas que devem ser levadas para a rua, incluindo uma panela elétrica com garantia estendida, que só durou 1 semana.
O gancho de guindaste de navio não anda comigo, não - eu não sou o Capitão Gancho. É lembrança da minha primeira embarcação e estou deixando por ali, para segurar as contas como um peso de papel.

Eu conto na postagem anterior que estou por hora sem fogão, comprei uma panela elétrica para sanar o problema temporariamente e, como todos os eletrodomésticos modernos, não durou 1 mês.
Não entende por que os eletrodomésticos de hoje não duram nada? A postagem sobre eletrodomésticos retrô linkada abaixo, explica sobre obsolescência programada - é o melhor exemplo de fins que justificam os meios.





A fotografia do Morro da Conceição não é minha e está presente em diversos sites pelo Google Images, aparecendo o autor, damos os créditos.



Mais informação:
A casa sustentável é mais barata - parte 07: pallets e reels
Trabalhando no Cais do Porto e vistoriando 3 navios indianos
A casa sustentável é mais barata - parte 05: eletrodomésticos retrô
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi trabalhar e puxar samba na Zona Portuária
Comendo a ração que vende (a mudança de uma blogueira sustentável) - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Imagem do dia: O que eu mais gosto em Macaé




O correto seria dizer a "única coisa que eu gosto em Macaé", mas para não reclamarem que eu implico com a cidade, segue o que na minha opinião, ela tem de melhor: um sebo, Mundo dos Livros - o único da cidade, felizmente em frente a rodoviária, na calçada oposta. E naturalmente estão cercados de botequins inomináveis.

Começaram pequenos, era uma portinha, eu desembarcava e comprava sempre com eles na esperança de que o resto da cidade fizesse o mesmo. Comprava e pensava, "Num lugar pavoroso como esse, não vão durar 6 meses. Uma pena"
Felizmente vingaram, a "portinha" se expandiu e virou uma loja grande, com acervo ainda maior. Aceitam cartão e trabalham também com livros escolares de segunda mão, gibis, CD´s e até DVD´s.


O proprietário, Salvador, mantém outro sebo, em outra cidade petroleira medonha: Campos.
Sinceramente, um sujeito desses merece uma medalha.

Eu não sei para onde foram os tão propalados royalties do pré-sal, mas Campos e Macaé, justamente as 2 maiores arrecadações, não devem ter visto nem um real. Caso contrário, pareceriam Dubai e Abu Dabi e não o Acre. Com todo respeito.

Em tempo, o blog adora botequins, mesmo os inomináveis, mas acredita que sem leitura não há salvação.
"Um país é feito de homens e livros", já dizia o grande (e hoje polêmico) Monteiro Lobato, por sinal grande defensor da autossuficiência em petróleo quando vivo.




Se tiver vergonha de presentear com livro de sebo, repense suas escolhas, nada mais bacana do que um livro que não derrubou uma nova árvore para ser fabricado, afinal é reciclado. Aproveite e embrulhe em jornal, fica o máximo, veja a foto de um exemplar em: Embalado para presente




Mais informação:
Boteco, o filme
Na Jureia: trabalho de peão
O mito do reflorestamento de eucalipto
Para entender o vazamento da Chevron
Trabalhando no Porto e vistoriando 3 navios indianos
O mito da autossuficiência em petróleo: no país do pré-sal, a gasolina mais cara do mundo

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Comendo a ração que vende (ou a mudança de uma blogueira sustentável) - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

Mudei de casa há 3 semanas e com isso vão aparecer algumas postagens que estavam esperando sua vez na fila.
Minha mudança não foi das mais fáceis, eu estava embarcada antes por 1 mês e minhas coisas já vinham encaixotadas há pelo menos outros 2, em virtude da procura pelo novo imóvel.
Para dar um ar mais dramático, caí gripada na véspera da mudança e logo na primeira noite na casa nova, uma garrafa de água imensa (e cheia) caiu no meu pé. Pânico total, a dor monstruosa, o estrondo da garrafa de vidro estourando no chão, os cães latindo e em uma fração de segundo o instinto de sobrevivência: "Cortou meu pé?".
Não cortou, mas deixou inchado e foi uma dor comparada a de um cálculo renal. Com os dias, tudo passou.

Ao longo desses meses, procurei manter o blog ativo, mas as postagens vieram meio que na base do "copiar e colar", não teve jeito. Agora, devem vir mais caprichadas e até contando as "gambiarras sustentáveis" que venho pondo em prática na casa nova.

Mudar com 3 cães nunca é fácil, mas agora pelo menos estou morando em casa e com mais espaço.
O meu apartamento antigo era bom, prédio com serviços de apart hotel em área nobre, mas eu detestava...
Nos 3 anos em que morei naquele apartamento luxuoso do Flamengo, morei contrariada e confesso que voltar para casa, era um certo sacrifício. O bairro é ótimo, a Feira de Orgânicos de lá tantas vezes apareceu por aqui, Pipa foi adotada na pracinha do Ataualpa, pude ir e voltar da Cúpula dos Povos a pé em todos os dias - mas, eu detestava com todas as minhas forças aquele imóvel duplex com 2 mezaninos de cara para a rua. Acontece e é muito chato.

Voltei a morar na Tijuca, no Maracanã para ser mais exata, onde morava antes de mudar para o Flamengo. O blog começou a ser escrito no meu apartamento anterior do Maracanã, um apartamento antigo com jeito de casa, área externa e teto em telha aparente (como um telhadinho), está registrado na fotos da postagem da lavanderia com reúso de águas cinzas. Olímpia foi adotada nessa época, numa clínica veterinária a 2 quadras dessa casa e Margarida viria a ser adotada já nos tempos do Flamengo, mas nessa mesma clínica.

Em quantos lugares eu já morei? 18, contando o atual. Só na Barra, onde cresci, foram 7. Voltemos aos assuntos tijucanos, outro dia, falo sobre a Barra, que cresceu junto comigo.

Eu gosto da Tijuca, principalmente do Maracanã, essa é minha terceira casa no bairro, que particularmente acho bonito, bucólico ainda cheio de casas antigas. É muito central, perto de tudo, com metrô e a vizinhaça é geralmente ótima, pessoas normais que trabalham, tocam suas vidas honestamente e mantém um clima de cidade pequena no bairro cheio de igrejas centenárias. Estranho ter que falar disso, mas hoje em dia, encontra-se muito desajustado e deslumbrado.
Luiz Fernando Veríssimo em um dos seus livros, "A mulher nua" se não me engano, diz que a gente não vive, convive. Está certo, conviver é um desafio diário, principalmente conviver consigo mesmo.

Mas vamos ao primeiro móvel que eu fiz nessa casa nova: minha mesinha de cabeira.
Por que eu não tinha uma mesinha de cabeceira no apartamento anterior do Flamengo?
Ora, porque a planta dele (que quase me enloqueceu) não permitia isolar os cães, então acabei vendendo todos os meus móveis de madeira de lei comprados na Rua do Lavradio - outra prática sustentável defendida aqui, móveis antigos, que duram mais e são naturalmente reciclados.

Eu não queria comprar móveis (antigos) novos, estava traumatizada, afinal comprara tudo para o apartamento com jeito de casa do Maracanã, tive que vender para o apartamento do Flamengo (não passou pelas escadas - o apartamento era duplex, lembra?). Então vendi tudo no Mercado Livre e comprei outros restaurados novamente na Rua do Lavradio, zona boêmia tradicional com grande antiquariato aqui do Rio.
Como a planta do Flamengo era moderninha, um duplex com 2 mezaninos, os cães não puderam ser isolados e começaram a roer a beira dos móveis. Na época, eu ainda não tinha a Pipa, mas a Marga, quando o assunto é destruir, não precisa de ajuda. Olímpia mesma, que é um cão dos mais fáceis, já me mostrara a que veio comendo a barra de um tapete persa imenso e maravilhoso, cujo restauro custou quase o preço de um novo...
Enfim, vendi tudo novamente no Mercado Livre e fiquei, dos 3 anos por lá, pelo menos 2 morando num apartamento sem móveis. Para não dizer sem móveis, tinha uma cama box, o armário de roupas e a estante de livros trancafiada num quarto.
Para dar uma ideia, de quanto eu comprei na Rua do Lavradio e vendi no Mercado Livre, quando eu vou à rua, um dos lojistas sai da loja para me cumprimentar e perguntar se não estou precisando de nada (!!!). Os meus compradores no Mercado Livre, além de terem me avaliado positivamente - Graças a Deus - ainda votaram no blog no TOPBLOG passado, tinham dúvidas sobre móveis antigos, eu mostrei os links e eles votaram no site agradecidos (!!!).
Estava, além de traumatizada desse compra-vende de móveis, muito cabreira com o destino que daria ao meu dinheiro - que não dá em árvore.

Então, vinha desolada pela rua, quando dei com a melhor Feira do bairro, a feira de quintas na Prof. Gabizo (rua que deságua no estádio do Maracanã). Foi olhar aquela bagunça e na mesma hr, a luz se fez: Vou fazer tudo em caixote de feira!

E fiz, seguem as fotos:

Existem vários tipos de caixote, os mais fortes (ideais para estantes) são vendidos pelos feirantes a R$3,00 ou R$4,00. Eu consegui levar o trio a R$10,00. Os mais fracos são dados de graça e servem para mesinha de cabeceira, banquinho ou móveis que não vão suportar muito peso.

Veja ambos abaixo:



O caixote mais forte fica bonito em seu estado natural e virou uma estante que vai aparecer numa postagem futura em breve (prometo). O caixotinho mais fraco deve ser pintado, para pintar 4 caixotes, gastei 2 latinhas de esmalte sintético com 900ml cada. Custo total da tinta (e do móvel): R$25,00 - os caixotinhos foram de graça, não esqueça.



Já pintados, 2 mãos de tinta com intervalos de 4hrs entre os serviços, esperando outras 24hrs a tinta secar para virar e pintar por dentro. Repare na foto abaixo que os caixotes mais resistentes (comprados a R$10,00 o trio) já estão empilhados para virar a estante de livros.



A mesinha já pintada em azul royal (ou Azul del Rey, como prefere o fabricante), empilhada com distribuição de peso para dar algum movimento e balanço. Não usei uma ecotinta, estou sem fogão para fazer tinta caseira e conto as aventuras da cozinha nova (sem fogão) em outro dia.



Olimpia e meu quimono, que é coincidentemente da mesma cor e se encaixou bem no vão do armário antigo. Ótimo, um prego a menos para bater e o quimono ainda fica à mão.                














A cor ficou linda, na minha opinião. Aproveitei outros enfeites em azul-marinho para arrumar e falo dessa flor artificial feita reciclando retalho de tecido em outro dia.
Azul combina muito com amarelo (ou laranja), já o verde (a cor da minha casa antiga no Flamengo) vai melhor com violetas (ou vinho). E ambos ficam lindos com todas as matizes de castanhos, além do branco e preto.






              
Pipa e Marga, amigas, a primeira foto da Pipa já mocinha por aqui. Fez 1 ano que ela veio morar comigo.










Mais informação:
Rio+10: Cúpula dos Povos
Feira de Orgânicos do Flamengo
Reuso de águas cinzas na lavandeira
A casa sustentável é mais barata - parte 18 (estantes)
A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels)


A adoção dos cães - vale a pena:
Olimpia
Margarida
Pipa


O resto da mudança:
Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão
Comendo a ração que vende - parte 03: estante de livros em caixotes de feira
Comendo a ração que vende - parte 04: forno solar
Comendo a ração que vende - parte 05: lavanderia
Comendo a ração que vende - parte 06: ventiladores vintage
Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina
Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas
Comendo a ração que vende - parte 09: caminha de cachorro em pallet
Comendo a ração que vende - parte 10: ímãs de geladeira
Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei