quinta-feira, 14 de março de 2013

Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência

Eu cresci sendo levada pelos meus pais a passear no Centro antigo do Rio nos finais de semana. Como os centros financeiros geralmente ficam vazios nos finais de semana, muita gente aproveita para passear pelas áreas históricas com mais sossego. Realmente é o ideal, não encontram-se filas nos museus e centros culturais, muitos dos restaurantes tradicionais ficam abertos e a arquitetura pode ser melhor apreciada.

Anos depois, já com a revitalização da Lapa e do Carnaval de rua carioca, o Centro voltou a aparecer nos holofotes, o que foi ótimo, já que muitas construções abandonadas, puderam então ser restauradas e o Centro antigo, antes decadente, foi ficando cada vez mas bonito.

Já adulta, trabalhando no Centro, sempre gostei de passear na hora do almoço por essas ruas tombadas e preservadas, descobrir lugares charmosos e sebos. A Rua da Carioca, além do nome ímpar, é composta de um casario colonial preservado e tombado de ambos os lados, onde há uma viela escondida chamada "Rua do Verde", onde funcionam dezenas de revendedores de plantas e flores, o que transforma essa viela num jardim a céu aberto - sempre foi então o meu cantinho favorito.

O estabelecimento mais conhecido dessa rua já apareceu aqui no blog 2 vezes, o centenário Bar Luiz, é citado no Guia Slow Food para cariocas e na postagem exclusiva sobre a batata, Existem 5.000 variedades de batata, mas no mercado só se encontra a inglesa , já que sua salada de batatas é considerada a melhor da cidade. 

Agora, todos os estabelecimentos tradicionais da mais carioca de todas as ruas da minha cidade, estão sob ameaça de despejo, já que a rua foi vendida em bloco a um banco, o que impossibilitou que os inquilinos tivessem direito de preferência na compra.
Como é que se vende uma rua em bloco?
Simples, quando todos os imóveis da mesma pertencem a um único proprietário. Nesse caso específico uma pendenga da época do Império, quando a Cúria Metropolitana que representa a Igreja Católica e muitas de suas ordens, arrematou tudo num acordo qualquer que vale até hoje.

Em tempo, o blog não é contra a revitalização de áreas abandonadas e decadentes, muito pelo contrário. Mas como colocou justamente o gerente do Bar Luiz na primeira das reportagens abaixo "Nós estamos numa situação em que o dinheiro está de um lado e a tradição de outro. Se fosse na França, a tradição falaria mais alto." e como argumenta Carlos Tautz na última das 3 reportagens: "Mas, que diabos: será que alguém acredita que um banqueiro invista tanto dinheiro de um fundo de investimento se não for para catapultar os preços dos aluguéis, a despeito da tradição das lojas e das pessoas que estão lá há décadas?"

O curioso é que o brasileiro adora viajar à Europa de avião, gastando uma fortuna, exatamente para desfrutar da antiguidade e a tradição. Mas quando fala-se em preservar nossa cultura e memória, a fúria em transformar o Rio de Janeiro em Miami e Orlando se manifesta de forma incompreensível. Nós já somos uma cidade com ruas tombadas em estilo europeu, ninguém precisa ir à Buenos Aires para sentir-se na Europa, basta visitar o Real Gabinete Português de Leitura na Praça Tiradentes. O Paço Imperial, o Teatro Municipal, a Igreja da Candelária e até a sede do IPHAN, a Confeitaria Colombo e a Rua do Lavradio também cumprem muito bem essa função. E estou sendo injusta esquecendo de milhares de outros exemplos, como o próprio Teatro Carlos Gomes na mesma Praça Tiradentes.
Curioso também observar que a mesma Ordem Terceira, proprietária de tantos imóveis no Morro da Conceição, alguns inclusive abandonados, só vem vendendo os de valor mais alto justamente no boom imobiliário. Se a Igreja Católica foi agraciada com tantos imóveis no início da ocupação do Rio de Janeiro, imagino que tenha havido alguma espécie de compensação filantrópica. Então essas funções sociais perderam a serventia, certo?

Essa histeria modernista que por hora nos assola é o nosso maior sintoma de provincianismo, o turismo nacional não precisa de mega eventos, precisa de infraestrutura e transparência fiscal, afinal já somos um paraíso tropical com uma costa de 8.000km, a maior área alagada em terra firme (o Pantanal) e a maior floresta do planeta (a Amazônica). Pior, o que se está construindo nem é modernista, arquitetura modernista está na obra do Niemeyer, de Affonso Reidy e Lina Bo Bardi, entre muitos outros de seu tempo, e arquitetura contemporânea de qualidade está na sede do MAR, o novo museu da Zona Portuária, que por sinal é integrado a uma construção do século XIX devidamente preservada.





RIO — Era um dia como outro qualquer no Bar Luiz, com políticos, intelectuais e trabalhadores do Centro espalhados pelo salão do final do século XIX. De repente, um ministro entra e se senta a uma mesa. Uma cliente mais atrevida grita: “Ladrão!”. Depois de um segundo de silêncio, recomeça o falatório, ainda mais acelerado por causa da cena, vista num período em que o então ministro era alvo de denúncias. O Bar Luiz sempre foi assim: localizado na Rua da Carioca, é um dos raros lugares do Rio antigo que conseguem manter a clientela e o hábito de “discutir literatura e falar mal dos outros”, reproduzindo uma expressão de João do Rio, sem vender a alma. Só que agora um fantasma — o do despejo — ameaça acabar não só com o famoso chope, mas também com parte da vizinhança da velha Rua da Carioca.

Comerciantes de 18 casarões do lado ímpar da rua — o mais antigo, anterior ao alargamento do começo do século XX — que, no ano passado, foram comprados pelo Opportunity Fundo de Investimento Imobiliário receberam a notificação de que os contratos de locação serão revistos e os aluguéis, reajustados, com data retroativa a 1º de janeiro, como publicou a coluna Gente Boa, do GLOBO, semana passada. No caso do Bar Luiz, o valor pago mensalmente pelo endereço praticamente dobrou: passou de R$ 16 mil para R$ 30 mil, como informa a Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca). Este mês acaba o prazo dado pelo Opportunity para que sejam fechados os acordos: quem não aceitar as condições terá 90 dias para entregar os imóveis. A medida acertou em cheio outras casas tradicionais, como a Vesúvio, especializada em guarda-chuvas desde 1946, e A Guitarra de Prata, que vende instrumentos musicais há 125 anos.
Bar Luiz precisa de obras
No Bar Luiz, as paredes com remendos, os azulejos originais misturados com outros de tonalidades diferentes e os efeitos das chuvas — no último temporal, entrou água pelo teto do prédio — denunciam uma atmosfera de decadência que, para os habitués, também pode ser sinônimo de charme. Apesar da necessidade clara de restauro, tudo ia bem até a notícia da venda em lote pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT), antiga proprietária. 
Os comerciantes mergulharam em seguida num mar de incertezas, que ganhou contornos dramáticos com o aumento dos aluguéis, interpretado lá como manobra para forçar a saída dos antigos
Dona do Bar Luiz, Rosana Santos diz que com o valor cobrado não haverá como manter a casa centenária — exatos 126 anos, sendo 86 na Rua da Carioca — de portas abertas. A ameaça já deixa o clima meio pesado no bar, que, por dia, vende cem litros de chope e serve 70 alemães completos, o prato mais pedido da casa, com salsichas, salada de batata, chucrute e kassler.
O contrato com a VOT iria até 2020. O Bar Luiz, além de fazer parte do conjunto tombado da Carioca pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, foi declarado Patrimônio Cultural Carioca pela prefeitura.
— Eles querem dobrar o nosso aluguel. Não tem condição. Assim o Bar Luiz fecha — diz Rosana, que ainda não assinou o novo contrato proposto.
Uma equipe de arquitetos já esteve no Bar Luiz a mando do Opportunity para avaliar as condições do imóvel. Tirou medidas, analisou o que tem de original, mas ainda não acenou com a sua restauração.

Faixas denunciam tristeza na rua conhecida por ser festeira
Na Carioca, comerciantes e funcionários dizem ter ouvido falar que a rua será transformada num “shopping a céu aberto” ou em “escritórios estilizados”. Tudo não passa de especulações.
— Nós estamos numa situação em que o dinheiro está de um lado e a tradição de outro. Se fosse na França, a tradição falaria mais alto — comenta Manlio Vettorazzo, gerente operacional do Bar Luiz, que, diferentemente dos vizinhos neoclássicos, é art déco.
Os reajustes podem chegar a quase sete vezes do valor do aluguel, como é o caso do self service Catarota:
— É um assalto. Estão pedindo R$ 68 mil de aluguel — conta o proprietário Felipe Rio.
Um furacão — ou uma erupção — perturba a Vesúvio, nome de um vulcão italiano. Com guarda-chuvas, sombrinhas, cadeiras de praia e um sobretudo expostos na vitrine, que parece ser a mesma da época em que Carlos Lacerda era cliente, a loja é hoje um poço de mágoas e preocupação. Lá, o aluguel de R$ 8 mil passaria para R$ 11 mil, no ano que vem para R$ 13 mil e, no seguinte, para R$ 15 mil. Armando Lauria Júnior, que herdou o negócio do pai, calcula que os R$ 15 mil vão virar R$ 18 mil, com as correções.
— Eu me sinto traído pela Ordem Terceira — diz ele. — A gente cumpre todas as nossas obrigações há 67 anos. Não foi oferecida a cada inquilino a opção de compra. Alegou-se que era venda em bloco. Bloco que está todo partido em 13 ruas.
Os comerciantes foram informados em julho de 2012 de que os imóveis estavam à venda em bloco, juntamente com outros 22 espalhados pelo Centro e um em Ipanema. O preço: R$ 54 milhões. Eram 19 endereços na Carioca, sendo que um lojista conseguiu, na Justiça, o direito de comprar o único no lado par.
Comerciantes dizem que contratos anteriores firmados com a VOT não estão sendo respeitados. Presidente da Sarca, Roberto Cury tenta atrair a atenção da opinião pública para o imbróglio. Faixas negras mostram que as coisas não vão bem na “mais carioca das ruas” (e talvez a mais festeira), que foi Rua do Piolho e tem mais de 300 anos de história.
— Se expulsarem os lojistas, a grita no Rio vai ser geral — acredita Cury.

Associação recorre ao MP
A associação já entrou com uma representação no Ministério Público, alegando que o poder público deveria ter tido prioridade na compra dos imóveis, por serem tombados. Em nota, a VOT diz que os locatários e órgãos públicos não apresentaram propostas. O Opportunity, por e-mail, respondeu que a maior parte dos inquilinos demonstrou interesse em permanecer, celebrando novos acordos, a preços justos. Sobre o futuro, o fundo se limita a dizer que “preza pela conservação e manutenção dos imóveis e dos antigos locatários alinhados com esse princípio”.
Para Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, despejar o comércio tradicional pode ser um tiro no pé.
— Para não aumentar tanto os aluguéis, os pavimentos superiores poderiam ser alugados. É necessário entender a singularidade da Rua da Carioca — sugere Fajardo, que lança uma luz em direção ao Bar Luiz. — É um patrimônio. Essa briga eu assumo.





O centro do Rio passa por uma transformação urbanística que levará à região glamour e sofisticação. Imóveis ocupados por motéis, cortiços e bordéis recebem investimentos que revelam a transformação drástica da área histórica. Há anos com casarões abandonados e degradados, a área compreendida entre a Praça Tiradentes, Lapa e Cruz Vermelha passa por valorização e assiste à chegada de escritórios, hotéis e lojas de alto padrão.

Um lote de 19 casarões coloniais na Rua da Carioca é alvo desse processo. Comprado pelo banco Opportunity por R$ 54 milhões, o casario é um tradicional ponto de comércio popular, com restaurantes e lojas, que estão no local há mais de cem anos. Os imóveis pertenciam à Venerável Ordem Terceira de São Francisco, que os colocou à venda para saldar dívidas.
Os casarios integram um conjunto arquitetônico característico do final do século 19, quando o Rio passava por grandes transformações urbanísticas. A arquitetura colonial dos casarões da Carioca perdia espaço para as referências do estilo art déco parisiense. Cafés, confeitarias, salões de chá e lojas de artigos de luxo dominavam a paisagem da época áurea do Rio.
Restauração. Os atuais investimentos privados caminham para retomar essa aura sofisticada. A Rua da Carioca deverá passar por requalificação urbanística de calçadas e marquises, além de restauro de fachadas, segundo o diretor do fundo que adquiriu os imóveis, Jorge Monnerat.
O interior dos casarões será transformado e deverá abrigar escritórios estilizados. "A ideia é que continue sendo um perfil comercial, mas queremos melhorar o uso, sobretudo no segundo pavimento. Em dois anos, a Carioca estará muito mais bonita", afirma Monnerat.
A valorização também é sentida na Rua do Senado, a menos de um quilômetro da Carioca. Durante as obras de um centro empresarial, a construtora W. Torre viu o valor do metro quadrado saltar de R$ 1 mil para R$ 10 mil em cinco anos. A empresa comprou casarões no entorno, investiu R$ 48 milhões em restauro.
O projeto prevê um centro gastronômico em um dos prédios e o aluguel dos demais para bancos, livrarias, lojas e cafés. "Compramos justamente para mudar o perfil de uso e a forma de comportamento das pessoas em relação ao bairro, que era degradado", afirma Antonio Magalhães, diretor da construtora. Para ele, o fluxo diário de 14 mil funcionários da Petrobrás, com sede na região, garantirá o sucesso.
Resistência. Quem não vê com bons olhos a mudança do centro são os comerciantes e inquilinos tradicionais. Os atuais inquilinos da Rua da Carioca temem pela escalada dos aluguéis e tentam anular na Justiça a venda dos casarões.
Segundo Roberto Cury, presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca), o procedimento não respeitou a preferência de compra do poder público, uma vez que o conjunto arquitetônico é tombado. "Não queremos acabar com a identidade da rua. Eles podem derrubar tudo dentro e transformar em um shopping. Isso é um crime contra o patrimônio e nós não vamos permitir."




Errei no meu artigo da semana passada “Uma rua para Daniel Dantas”, sobre a aquisição pelo Banco Opportunity de casarões Rua da Carioca, no Centro do Rio.

Imediatamente, enviou-me mensagem uma assessora do Opportunity para esclarecer que: “Daniel Dantas não é e nunca foi sócio do Banco Opportunity. A instituição financeira pertence a Dório Ferman - há 32 anos, seu diretor-presidente. A atividade principal do Banco Opportunity é a administração de fundos de investimentos geridos pelo Opportunity. (...). Atualmente, o Opportunity figura entre as principais empresas independentes de gestão de recursos no mercado brasileiro com patrimônio de cerca de R$ 19 bilhões”.
Sobre o Opportunity - Fundo de Investimento Imobiliário, esclareceu que este foi “Criado, em 7 de outubro de 1996, é administrado pelo Banco Opportunity e por seu diretor que é Dorio Ferman” e, mencionando matéria d´O Globo (6/9), que “O presidente do Opportunity Fundo de Investimentos, Dório Ferman, garantiu ontem, no entanto, que não há motivo para preocupações. Ele afirmou que os inquilinos terão a responsabilidade de preservar os imóveis: — Não temos interesse em retirar lojas tão tradicionais. Nosso único interesse é a preservação dos imóveis. Vamos estudar, caso a caso, e ver o estado de conservação de cada um deles para estimular e exigir dos inquilinos que preservemos patrimônio — declarou Ferman, acrescentando que o aluguel seguirá o mercado: — Se estiver mais alto vamos baixar, se estiver mais baixo, vamos subir. Se alguém achar que está pagando muito, basta nos propor um valor.”
E fica por aqui minha imolação pública. Afinal, permanecem dúvidas quanto aos aluguéis e até à destinação dos imóveis, reforçadas por uma declaração de um dos gestores do fundo imobiliário.
“Os casarios integram um conjunto arquitetônico característico do final do século 19, quando o Rio passava por grandes transformações urbanísticas. A arquitetura colonial dos casarões da Carioca perdia espaço para as referências do estilo art déco parisiense. Cafés, confeitarias, salões de chá e lojas de artigos de luxo dominavam a paisagem da época áurea do Rio. Os atuais investimentos privados caminham para retomar essa aura sofisticada.”
(...) ‘Em dois anos, a Carioca estará muito mais bonita’, afirma Monnerat [gestor do Fundo Imobiliário do Opportunity].”(O Estado de São Paulo, 23/9).

OK, o tal Opportunity não pertence a Dantas, que foi a minha principal afirmação errada.

Mas, que diabos: será que alguém acredita que um banqueiro invista tanto dinheiro de um fundo de investimento se não for para catapultar os preços dos aluguéis, a despeito da tradição das lojas e das pessoas que estão lá há décadas?

Carlos Tautz é jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas - www.maisdemocracia.org.br













Mais informação:
Reciclagem de edifícios
O Rio de Janeiro das águas de março
Comprando orgânico, justo e local na Tijuca
Por um Largo do Machado que nós merecemos
Os banheiros secos da Ilha de Marajó e a vergonha carioca
2 fábricas antigas, que deveriam ter sido tombadas, mas foram postas abaixo
Então a sobrinha tetraneta do Major Daemon foi puxar samba e trabalhar na Zona Portuária
Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda

3 comentários:

Jorge Inacio disse...

Olá Carol Daemon. Lamentável o que vem acontecendo no Brasil todo, já ouvi dizer que em salvador será proibida a venda de acarajé por determinação da fifa durante os jogos da copa no entorno do estádio. Olha o que esta acontecendo em Porto Alegre, estão abatendo arvores e subtraindo parte dos parques para ampliar avenidas e construir estacionamentos nas obras da copa da fifa 2014. Se puder divulgue ai no seu blog o que está acontecendo em Porto Alegre,centenas de arvores vão cair, para dar lugar ao asfalto. agradeço pelo espaço e até mais. Segue link http://ecom415.blogspot.com.br/2013/03/para-que-tantas-arvores-se-temos-poucos.html

Anônimo disse...

Carol, parabéns pro trazer tudo pra nós assim tão esmiuçadinho!
Eu vivo uma constante preocupação acerca da origem dos meus alimentos. Não como carne de mamíferos e tenho sorte de morar no interior e poder comer, eventualmente, galinha caipira e peixe de rios da região pescados pelo meu sogro ou por peixeiros locais. Agora fiquei com dúvida quanto ao pirarucu e vou procurar saber a origem do que eu compro.
Imagino que podem estar contaminados já que estão contaminados muitos rios de Rondônia. Como sabe?
Fiquei chocada com a pesca do tubarão e soube que em Fernando de Noronha estão criando tubarão pra consumo (hein? #praqueohceus?).
Com vc escrevendo, faz tudo parecer mais fácil e acessível para fazermos as pequenas e necessárias mudanças...
Cariny Cielo

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Jorge, vou dar uma olhada sim, mas pode deixar que não vai passar em branco. Obrigada por trazer.

Oi Cariny, em Rondônia os problemas devem ser de garimpo e mineração, então todos os aluviais devem estar contaminados com mercúrio. É arriscado sim.
Mas nada impede que você encontre um bom peixe em áreas não degradadas.

Boa sorte na sua busca e fico muito feliz de ver 2 leitores de 2 regiões tão distantes postando juntos, se identificando com as mesmas questões.
A sustentabilidade une a todos nós, gaúchos, cariocas e amazonenses.