quinta-feira, 23 de maio de 2013

AmazoniAdentro

Dirigida pelo jornalista Edilson Martins, a série  de quatro episódios apresenta um retrato da região nos dias de hoje. Com 25 milhões de habitantes e somando mais de 5 milhões de Km2, a Amazônia brasileira exibe uma ocupação que nos últimos 20 anos já eliminou 380 mil km2 de mata primária. Isso corresponde a uma média de 50 km2 por dia, ou uma baía da Guanabara por semana. É uma catástrofe anunciada.

A bacia amazônica, nos últimos meses de 2009, mostrou ao mundo uma tragédia que se repete: o assoreamento do rio Amazonas, toneladas de peixes morrendo por falta de oxigênio, e milhares de ribeirinhos sendo expulsos de seus lares, suas propriedades, suas roças. O ano de 2009 reproduziu a tragédia de 2005: o desaparecimento assustador das águas do maior rio do mundo, o Amazonas.

Além disso, nos últimos dias de dezembro de 2009, Manaus, capital do Amazonas, passou a exibir um imenso guarda-chuva de fumaça, levando centenas de pessoas, principalmente crianças, aos hospitais. Os aeroportos em diferentes ocasiões foram fechados, tamanho o volume dessa imensa fumaça, resultado de queimadas intermitentes nos municípios que formam o entorno da capital.
A série AmazôniAdentro mostra que, no núcleo dessa região, onde os olhos do mundo cobram juízo e sua não destruição, existe a presença humana em conflito, em grandes choques culturais. Há uma mistura de índios, retirantes, negros, mestiços, sulistas, europeus, ambientalistas, bandidos, loucos e toda a gama de delirantes que assolam a Amazônia.


O primeiro episódio, Waimiri-Atroari, faz uma panorâmica sobre a Amazônia: a destruição da floresta, o avanço da pecuária, o ciclo da borracha, a luta de Chico Mendes, o projeto Jari, e a presença nazista, nos idos dos anos 1930, no vale do rio Jari. Esse programa termina com a bem-sucedida luta pela sobrevivência dos índios Waimiri-Atroari, que vivem entre o Amazonas e Roraima. Essa nação resistiu por mais de 130 anos ao avanço dos brancos, até que a construção da estrada BR-174, junto com a hidrelétrica de Balbina e o exército brasileiro, quase dizimaram toda a sua população.

O crescimento da pecuária, da soja, derrubada das madeiras nobres, estradas invasivas, entre outras formas predatórias, estão causando um impacto visível: assoreamento da bacia amazônica, toneladas de peixes morrendo por falta de oxigênio, e milhares de ribeirinhos expulsos de seus lares.


Em 2009, na cidade de Manaus, um imenso guarda-chuva de fumaça levou centenas de pessoas aos hospitais, aeroportos foram fechados, tamanho a gravidade de queimadas intermitentes nos municípios que formam o entorno da capital.

Enquanto isso, cientistas brasileiros e do resto do mundo correm contra o tempo para compreender esses diferentes ecossistemas, sua relação com o clima do planeta e as alternativas para a utilização dos recursos da região.


O quarto episódio, aborda o polêmico Projeto Jari, um dos mais relevantes da ocupação da Amazônia nos anos 1960. Um grande empresário americano, Daniel Ludwig, com o apoio e a segurança do governo militar, adquire dois milhões e 500 mil hectares de matas primárias, na divisa do Pará com o Amapá. Ele assusta o país, principalmente a esquerda brasileira, destrói a flora e fauna para plantar eucaliptos. Importa, diretamente do Japão, via marítima, uma fábrica de celulose.

O projeto fracassa, entre outras razões, porque não conseguiu construir uma hidrelétrica no Rio Jari, num dos pontos mais belos de toda a Amazônia. Há hoje, novamente, um projeto para transformar essas cataratas em hidrelétrica.

O estado do Amapá, onde se encontra parte do Projeto Jarí, exibe uma das mais curiosas biodiversidades de toda a região. Rios caudalosos e de águas claras, serras belíssimas, grandes lagos, uma grande região de cerrado, pantanal exuberante, costa banhada pelo mar e a outra pelo rio Amazonas.

Afora essa surpreendente biodiversidade, há uma presença humana marcada por diferentes formações étnicas; índios, aculturados ou em processo, negros, mestiços, e principalmente maranhenses e paraenses, todos em busca de oportunidades, numa região praticamente fora do mapa brasileiro.

“Registramos com uma grande angular - se permitem a metáfora - a Amazônia com seus diferentes conflitos, seus agudos desafios, sua beleza, sua infinita biodiversidade, e a dita cobiça internacional que sempre ameaçou os brasileiros. Captamos a Amazônia por dentro, sem a conhecida visão folclorizada, o olhar sulista, europeu. Uma Amazônia sem maquiagem, sem platitudes, capturada sem os olhos do encantamento; a Amazônia do mundo real”, diz o diretor Edilson Martins.

Coprodução: Bossa Produções e TV Brasil
Apresentação e Direção: Edilson Martins



Fonte: TV Brasil - AmazôniAdentro




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