segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lataria e um caminho sem volta: Projeto do pré-sal brasileiro está entre os dez mais 'sujos' do mundo

O Greenpeace acaba de lançar o Lataria, um observatório onde é possível ficar de olho nas plataformas antigas da região do pré-sal. Você sabia que cerca de 62% dos acidentes da exploração de petróleo offshore aconteceram em plataformas com mais de trinta anos?

Quando da Rio+20, assisti a muitas palestras na tenda do Greenpeace, algumas temáticas e específicas sobre o pré-sal, onde um especialista informou mais de 1.000 vazamentos em 2010, todos não notificados pela Petrobrás por serem considerados de volume insignificante.

Só no Brasil, a maior empresa de Petróleo do país é referência ambiental e sustentável. Eu assisto aos comerciais na tv e tenho vontade de rir, mais parecem documentários da Fundação Cousteau ou da NatGeo, não se mostra nem óleo de soja fritando batata, quanto mais óleo mineral em estado bruto.



De uma vez por todas: não existe prospecção de petróleo "verde".

Aliás, não existe razão para continuar investindo em perfurar em alto mar, quando o combustível fóssil é emissor de CO2 e o próprio processo é altamente arriscado. As reservas não vão durar mais 100 anos e faz-se mais do que necessário partir para alternativas mais viáveis, por viáveis entende-se "limpas" e acessíveis a população. Se o barril de petróleo não está em alta e, em volume por litros, 1 litro de água mineral no supermercado é mais caro do que o litro individual do mesmo barril de petróleo negociado em bolsa, não seria mais inteligente tratar logo de implantar sistemas de captação de águas pluviais e reúso de águas cinzas em todo país ao invés de lavar calçadas com mangueiras em dia de chuva?




Vamos aproveitar o ensejo para desmistificar outros pontos críticos:

1. O petróleo não é nosso. Nem meu, nem seu e menos ainda do governo estadual do RJ, ES, etc.

Se os tais royalties tivessem sido realmente usados para obras de benfeitoria ou pelo menos manutenção dos municípios outrora contemplados, Campos do Goytacazes e Macaé deveriam estar parecendo Dubai e Abu Dabi. Não estão, aliás mais parecem o Acre e o Piauí (com todo respeito aos acreanos e piauienses).
Macaé mal tem calçamento, o aeroporto consegue ser pior do que o de Cabo Frio (cidade de veraneio e balneário da classe B e C do R.J.) e a única rodoviária da cidade não tem sequer uma marquise, além de medir 50m2 e ser abrigo de mendigos e cercada por um camelódromo de muamba. 
Pior, a cidade alaga em qualquer chuvinha e o esgoto sobe, navegando livremente pelas ruas.
Essa que vos escreve já morou temporariamente por exatos 22 dias em Macaé, para fazer cursos de reciclagem na área, a cidade não tem sequer um cinema. Se sobram empregos em Macaé, é porque ninguém quer se mudar para lá, por dinheiro nenhum.
Atente que o município vizinho de Rio da Ostras, que não recebeu 1 centavo desses propalados royalties, se desenvolveu mais e de forma mais inteligente do que a favelizada Macaé. Rio das Ostras, que era outro balneário de segunda divisão, aproveitou que muita gente da área de petróleo não gostava de morar em Macaé e ofereceu loteamentos a preços baixos. A cidade cresceu a partir desses primeiros "petroleiros" que foram morar lá, perto da praia boa (e longe de Macaé). Hoje, acontece até Festival Anual de Jazz em Rio das Ostras. Sim, de jazz, não é micareta.

2. Segundo Rockfeller, fundador da Standard Oil e que entendia muito mais de capital e gestão do que essa blogueira modesta, que abandonou uma faculdade de Economia pela metade: “O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada; o segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada".
Quando uma empresa de petróleo (pública ou privada) polui, quem limpa sua sujeira é o governo e quem administra o prejuízo a longo prazo é a população local. Numa empresa de petróleo, só quem sai ganhando são os acionistas. E se o governo é o principal acionista dessa empresa, como acontece no Brasil, não é contribuinte que recebe participação nos lucros e rendimentos aos final do exercício anual.

Lembrar sempre: a agroindústria transgênica corporativa e poluidora não erradicou a fome (nem as pragas), as vacinas não erradicaram a mortalidade infantil, o boom imobiliário não trouxe mais opções de moradia e a autossuficiência em petróleo não baixou nem o preço da gasolina nos postos.


O Greenpeace mapeou as plataformas antigas da região do pré-sal e apresenta seus dados e histórico de acidentes

Trata-se de uma ferramenta que rompe com a falta de transparência peculiar da indústria do petróleo cuja proposta é monitorar as ocorrências nas plataformas mais velhas do pré-sal, facilitando a interpretação de dados sobre os acidentes e sobre as próprias plataformas.
Além de disponibilizar informações sobre as plataformas e os acidentes acontecidos em cada uma de forma acessível e organizada, este observatório ainda reúne dados sobre os poços. Todo o conteúdo de pesquisa do site pode ser baixado em formatos abertos.
Anunciado como uma nova fonte de riquezas para o país, o pré-sal está longe de ser um pote de ouro do outro lado do arco-íris. As dificuldades técnicas para extrair óleo a uma profundidade de sete quilômetros abaixo do nível do mar tornam a operação altamente arriscada. Mesmo assim, o governo entrou nessa empreitada com tecnologia do passado.
Aproximadamente uma a cada três plataformas atualmente em operação no Brasil fora, construídas há 30 anos ou mais e representam maior probabilidade de vazamentos.
Acidentes
As plataformas com 30 ou mais anos de idade são protagonistas de mais acidentes do que as plataformas novas, são verdadeiras latas velhas. Dos 102 acidentes registrados no Brasil desde o ano 2000 na exploração petrolífera offshore, 62% aconteceram nas plataformas mais velhas.
O acidente da Chevron, em novembro de 2011, na Bacia de Campos, expôs o descontrole e a falta de transparência e de conhecimento das autoridades públicas sobre o que acontece com a exploração de petróleo na costa brasileira. Foram necessários mais de 380 mil litros de petróleo derramados no mar para ficar claro que o país não está preparado para evitar nem controlar um vazamento de óleo de grandes proporções.
Ainda explicitou a urgência de um Plano Nacional de Contingência que fiscalize e estabeleça quais são as medidas necessárias a serem tomadas em caso de acidentes. Desde 2010, o governo brasileiro promete tirar o Plano do papel, mas o Brasil segue explorando em águas profundas sem ter amparo técnico e a definição dos recursos humanos e materiais necessários para evitar a poluição das águas brasileiras por óleo.
O acidente mais recente e mais grave envolvendo a Sedco 706 aconteceu em 7 de novembro de 2011, no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Uma semana após o acidente, a mancha formada pelo petróleo vazado já ocupava área de cerca de 163 km², com um volume de óleo entre 570 a 970 barris de petróleo.
A Chevron foi autuada pelo IBAMA para pagamento de multa administrativa no valor de R$ 50 milhões, além de ter sido processada, juntamente com a Transocean, pelo Ministério Público Federal, pela tentativa de explorar petróleo em desobediência às condições estabelecidas pelas licenças e autorizações recebidas.
O acidente foi tão grave que, quatro meses após a sua ocorrência, o óleo continuava a vazar, totalizando 380 mil litros de óleo. Hoje, a plataforma tem 37 anos e será operada pela Chevron até 2014.






O projeto brasileiro de exploração do pré-sal, óleo descoberto nas camadas profundas do oceano, foi classificado como a nona iniciativa mais suja do planeta. A informação é do relatório Point of no Return (Caminho sem Volta), lançado na terça-feira, 22 de janeiro, pelo Greenpeace Internacional.
O documento, que identifica os 14 projetos de energia considerados insustentáveis, aponta que as iniciativas podem oferecer cerca de 300 bilhões de toneladas de novas emissões de CO2 à atmosfera, até 2050. A quantidade será proveniente da extração, produção e da queima de 49 bilhões de toneladas de carvão, 29 trilhões de metros cúbicos de gás natural e 260 bilhões de barris de petróleo.


Segundo o Greenpeace, a exploração do pré-sal irá contribuir com a emissão de 330 milhões de toneladas de CO2 por ano, até 2020. "Com um potencial abundante de geração renovável como eólica, solar e biomassa, o Brasil perde a chance de inovar e deixaria de se posicionar como uma das economias mais sustentáveis e limpas do planeta", afirmou Ricardo Baitelo, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
Entre os maiores projetos de energias sujas listados no relatório estão: a exploração de carvão na China e na Austrália, Estados Unidos e Indonésia, a exploração não convencional de petróleo nas areias betuminosas do Canadá, no Ártico, no Iraque, no Golfo do México e no Cazaquistão. Além disso, também consta na lista a produção de gás natural na África e no Mar Cáspio.



Os jornais publicam hoje que a autossuficiência da Petrobras só virá em 2020, essa é a nova marca. Em 2006, o presidente Lula fez uma grande propaganda mostrando que o Brasil há a tinha alcançado. Esse momento ocorreu no meio de uma campanha eleitoral. Quando um dado da economia entra como elemento de uma campanha e um político o transforma numa vitória pessoal, do seu grupo, e não do país, a situação fica feia. Houve uma marretada no número.
Autossuficiência, na cabeça das pessoas, é não precisar de importar nada. Mas a Petrobras tem outra visão: que a produção de petróleo seja igual ao total de derivados de que se precisa. Nesse ponto, o Brasil foi autossuficiente durante pouco tempo, logo depois, aumentou o consumo de derivados. O país sempre precisou importar, mas sempre exportou também.
No ano passado, houve um déficit enorme na conta de petróleo. E foi criada uma gambiarra - mais uma - que deu à Petrobras mais tempo para registrar alguns números. Era tanto derivado importado a mais no ano passado que o déficit ficaria muito grande; então, um pouco foi jogado para 2013. O primeiro trimestre deste ano fechou com déficit comercial de US$ 5 bi, por causa do petróleo e dos derivados importados no ano passado, principalmente gasolina, combustível que recebeu muitos incentivos.
Portanto, não somos autossuficientes. O Brasil nos últimos anos diminuiu a produção e está importando cada vez mais derivados. O importante é continuar produzindo petróleo, investindo. Temos muitas coisas para comemorar ao longo da história da busca do petróleo no mar, mas não podemos dizer que somos autossuficientes nem que a conquista foi de um governo específico.

Blocos do Rio Grande do Norte ao Amapá, que vão a leilão este mês, ficam perto de santuários ecológicos

Ao lado do inimigo. Será possível a convivência da exploração de petróleo com verdadeiros santuários naturais, como manguezais e áreas de reprodução de tartarugas marinhas e corais? Este será um dos maiores desafios da 11ª Rodada de Licitações, que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai realizar nos dias 14 e 15 próximos. A poucos dias do leilão, ambientalistas alertam que pouco se conhece, nas regiões onde estão os blocos da margem equatorial (região que vai da costa do Rio Grande do Norte ao Amapá), sobre as correntes marinhas, ventos e marés. Este conhecimento é necessário para evitar que, em caso de vazamento, o óleo atinja a costa repleta de unidades de conservação. Os blocos estão entre 60 e 100 quilômetros da costa.

Dos 289 blocos que serão ofertados, 170 estão em bacias situadas na margem equatorial, onde não existem os chamados dados primários — obtidos através de pesquisa local, como a temperatura da água, as correntes marinhas, a variação das marés e a rota dos ventos, além da biodiversidade. Apesar de haver um potencial de 7,5 bilhões de barris de petróleo em reservas na margem equatorial, a região conta com 96 unidades de conservação. Deste total, 18 estão no litoral.

Maior costa de manguezais
Assim, especialistas destacam que a exploração exigirá altos investimentos tanto na fase de elaboração dos estudos de impactos ambientais, para obtenção das licenças, quanto na elaboração do Programa de Emergência Individual (PEI).
Segundo Guilherme Fraga Dutra, diretor do Programa Marinho da ONG Conservação Internacional Brasil, o leilão mostra que há falta de planejamento do governo, visto que muitas áreas não têm dados ambientais detalhados:
— Parece haver uma desconexão dos poderes. A ANP oferece os blocos; as empresas compram, e, depois, não conseguem a licença. E isso é ruim para todos. Do Maranhão ao Amapá, há a maior costa de manguezais do país. No Maranhão, há um dos maiores bancos de corais do país, o Parque do Parcel de Manuel Luís, que está próximo de blocos.
O presidente da consultoria CP+, Marcelo Bacci, diz que a região, com santuários ecológicos, é pouco conhecida:
— Os maiores riscos estão relacionados com a possibilidade de vazamento de óleo, que poderia afetar áreas sensíveis e atividades econômicas como a pesca e o turismo. Outro desafio é criar estruturas de combate ao vazamento numa região tão isolada.
O executivo lembra que o Ibama vai exigir das empresas vencedoras os estudos de impacto ambiental e o levantamento dos dados primários, uma vez que os dados existentes são secundários (obtidos de literatura disponível).
— É possível explorar petróleo e preservar o meio ambiente. Alguns dos blocos ofertados se sobrepõem a ecossistemas sensíveis — disse Bacci.
O chefe de gabinete da ANP, o biólogo marinho Sílvio Jablonski, admite que o Ibama deverá exigir das companhias o levantamento de dados primários para conceder o licenciamento e o Programa de Emergência Individual (PEI) terá de conter infraestrutura, como embarcações e bases em terra.
— Com o aval prévio do Ibama, estamos tranquilos que não teremos problemas de licenciamento. O Ibama retirou áreas que poderiam ter ameaça de levar óleo para a costa.
O Ibama, por outro lado, diz que há, sim, o risco de, ao se fazer os estudos de dados primários, se inviabilizar a exploração de algum bloco. Além disso, ressalta, os blocos que apresentam os maiores riscos são os próximos à costa .
— Sempre há a possibilidade de o estudo ambiental concluir que o projeto é incompatível com a região. Dados secundários não são ruins. Para a margem equatorial, há poucos dados ambientais como um todo, então será necessária a coleta de informações pelo empreendedor — diz Cristiano Vilardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama.
Uma fonte do governo federal destacou que os blocos estão a mais de 50 quilômetros da costa e a profundidades superiores a 50 metros do solo marinho. Por isso, acredita que não haverá problemas com as licenças.
— Um ou outro (licenciamento) pode ser um pouco mais rigoroso, mas nada que inviabilize a exploração. A obtenção dos dados primários é de responsabilidade das empresas, não do governo — afirmou a fonte.
Mas Ricardo Baitello, responsável pela campanha de energia do Greenpeace, lembra que as regiões Norte e Nordeste não contam com uma infraestrutura para que a empresa possa agir rapidamente em caso de vazamento.
— Além disso, não há um Plano Nacional de Contigência. E também não está clara a responsabilidade de cada órgão. Cada estado do Norte e Nordeste tem uma legislação e isso traz ainda mais incertezas.

Risco a países vizinhos
Segundo especialistas, uma das áreas mais críticas é a Bacia da Foz do Amazonas. Paulo Cesar Rosman, professor de Engenharia Costeira da Coppe, ressalta que as correntes marinhas predominantes da região vão em direção ao Norte, levando, assim, o óleo em direção à Venezuela em caso de vazamento. Bacci, da CP+, afirma que há risco de contaminação acidental em outros países:
— É um fato inédito nos licenciamentos, o que demandará negociação com os países potencialmente afetados e definirá uma maior complexidade no processo de licenciamento — destacou Bacci.
Assim, para Beatriz Paulo de Frontin, advogada de Direito Ambiental do Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, os investimentos serão mais elevados na região.
— Os investidores vão ter que enfrentar as incertezas na hora de adquirir os blocos. Quanto mais próximos a essas áreas sensíveis, maiores serão os investimentos para o controle de um eventual vazamento de óleo — destacou Beatriz.
A advogada Miriam Mazza, do mesmo escritório, diz que o ideal seria ter mais estudos prévios.

Vazamento de óleo em São Sebastião chega à enseada de Caraguatatuba 

Arte - Praias atingidas por vazamento de óleo em São Sebastião (Foto: Editoria de Arte/ G1)


Prospecção Onshore também é poluente, não se iluda:

Depois de “fechar os olhos” por décadas, Peru declara estado de emergência devido à contaminação por petróleo na Amazônia

Instituto EcoFaxina – O governo peruano declarou estado de emergência ambiental depois de encontrar níveis elevados de chumbo, cromo e bário no rio Pastaza na selva amazônica, relatou a Associated Press. Os povos indígenas da região têm reclamado por décadas de contaminação generalizada causada pelas perfurações de petróleo, mas esta é a primeira vez que o governo peruano reconheceu suas preocupações. Atualmente 84 por cento da Amazônia peruana está sobre potenciais depósitos de petróleo e gás, levando a conflitos com povos indígenas e a degradação ambiental.

O ministro do Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal, disse que a Pluspetrol, que passou a operar no bloco de petróleo em questão – 1 AB -, desde 2001, seria responsável por limpar a poluição. Mas o ministro também observou que a Occidental Petroleum, que operou o bloco de 1971 a 2001, todavia não havia sido ambientalmente responsável em suas operações.

O Peru tem 659.937 quilômetros quadrados de sua floresta amazônica (84 por cento), sobre atuais e potenciais depósitos de óleo e gás, uma área maior do que o Afeganistão. Não é de surpreender que, devido as grandes proporções, muitos dos blocos de petróleo cubram terras indígenas e áreas protegidas. Tais concessões colocam não só em perigo grupos indígenas e a floresta em si, mas também muitas tribos que vivem em isolamento voluntário, que são altamente suscetíveis à doenças.Enquanto isso, as companhias de petróleo estão reclamando que o processo de regulamentação do Peru está asfixiando o desenvolvimento dos campos de petróleo do país.
O Dow Jones Newswires divulgou no dia 19 deste mês que 16 companhias de petróleo se uniram para pressionar o governo peruano por aumento na produção de petróleo e gás.Em 2009, o conflito entre a exploração do petróleo e os direitos indígenas explodiram em violência. Um confronto entre manifestantes e policiais do governo levou à morte de 23 policiais e 10 manifestantes indígenas. Grupos indígenas, desde então, acusam a polícia de esconder corpos de manifestantes, a fim de ocultar a escalada da violência.Confira a reportagem “Amazônia ferida: desastre ecológico no coração da selva”, produzida pelo telejornal Panorama Peru:




Vazamentos recentes alertam para o perigo de grandes projetos


Uma dezena de aves diretamente atingidas, 22 casas evacuadas e um casal de pássaros mortos foram o passivo parcial do vazamento de 12 mil barris de petróleo oriundos de um oleoduto da empresa Exxon Mobil Corp, no dia 29 de março, nos Estados Unidos.
O acidente ocorreu três dias depois em que uma balsa afundou no rio Negro, no Amazonas, carregada com trinta mil litros de um composto derivado do petróleo, utilizado para produção de asfalto. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) multou a empresa Francis José Chehuan & Cia, responsável pela Balsa, em R$300 mil, mas uma semana depois a limpeza da área ainda não foi finalizada.
Embora pareçam pequenos em relação às tragédias como a do Golfo do México ou o da Chevron na Bacia de Campos, vazamentos como estes demonstram à precária infraestrutura existente mesmo após essas ocorrências e alertam para o cuidado que as autoridades locais devem tomar com outros dois grandes projetos: a Keystone XL e o Pré-Sal brasileiro.

Um dos primeiros desafios do segundo mandato de Obama, que prometeu ser “mais verde”, o apoio ao Keystone XL deve ser decidido ainda esse mês. O novo oleoduto, proposto pela petrolífera TransCanada, facilitaria a entrada do petróleo canadense nos EUA, por meio de uma ligação entre o já existente Keystone com o Golfo do México.
O projeto prevê uma nova rede de dutos, de mais de três mil quilômetros, entre o Canadá e o centro dos EUA, e deve custar cerca de US$ 7 bilhões.
O Keystone XL, contudo, é duramente criticado por entidades ambientais. A National Wildlife Federation informou que no caminho dos dutos estão várias áreas de conservação e o Aquífero Ogallala, de extrema importância para os estadunidenses.
Além disso, o petróleo será extraído das areias betuminosas, cujo processo de retirada é mais poluente do que o óleo tradicional. A estimativa é que a extração cause um aumento da temperatura da Terra de até 0,4°C.
Já o Pré-sal, bem, o primeiro vazamento na exploração da área demonstra que se deve aprender muito antes de explorar a fundo essa camada por aqui.


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A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança.

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