domingo, 23 de junho de 2013

Almoçando slow na correria do Centro: Vegetariano Metamorfose, Confeitaria Colombo e Bistrô Coccinelle

A Denise Sahione é a única leitora do site e compradora do Festa Vegetariana com quem mantenho uma relação no mundo real. Gostaria de conhecer mais leitoras, pessoas com quem converso mas nunca vi. Por hora, minha amiga do blog é a Denise e vamos bem assim.

Sempre que podemos, almoçamos juntas em restaurantes bacanas do Centro do Rio, priorizamos lugares citados no Guia Slow Food para cariocas, ou que estejam concorrendo ao Comida di Buteco ou simplesmente estabelecimentos muito tradicionais e os grandes vegetarianos.

Seguem 3 almoços memoráveis que tivemos juntas, delícia total em oásis de tranquilidade no lugar mais caótico da Cidade Maravilhosa.

Não repare, Denise é tímida e pediu para não aparecer nas fotos. À toa, trata-se de moça muito bonita, está em ótima forma com seus olhos amendoados e longos cabelos castanhos.


Restaurante vegetariano Metamorfose, citado no Guia Slow Food para cariocas, lembra muito o outro vegetariano onde estive com Tom, o da Associação Macrobiótica.
Ambos funcionam em lindos prédios antigos, possuem cardápio fixo e pequeno, vendem produtos naturais e feitos no local e ainda oferecem um clima de casa, com janelas de madeira abertas, piso em madeira, plantas e ambiente acolhedor.


Era uma sexta e eu fui na Feijoada Vegetariana, com torta crua de frutas sem massa ou açúcar de sobremesa. Tudo delicioso.




Confeitaria Colombo, citada no Guia Slow Food para cariocas e em todos os guias turísticos dessa cidade. Centenária, é a Confeitaria mais famosa do país, para dar uma ideia: quando digita-se "confeitaria" no google, você é encaminhado diretamente ao site deles.
Foi frequentada por grandes como Olavo Bilac e Machado de Assis, além de todos os presidentes antes da mudança da capital para Brasília.
Vou sempre, há 3 ambientes diferentes, um deles com pratos populares muito em conta, outro à la carte e mais caro e o terceiro e maior onde é justamente a confeitaria. É lindíssima, com seus lustres de cristal, espelhos imensos, corrimões dourados e até um piano de cauda negro no meio do salão. Servem chá completo ao som de um pianista, é claro.

Fotografei o novo e o tradicional, que sempre peço e era o sanduíche favorito de minha falecida avó materna (portuguesa), o sanduíche Meireles.
Hoje, encontra-se pão de miga em qualquer lugar. Na época dela, que foi criada a broas e rabanadas, esses sanduichinhos eram o que havia de mais chique. Uma vez, encomendei para viagem e mandei o motorista da empresa onde trabalhava entregar na casa dela, a uns 30 km dali. Ela ligou emocionadíssima agradecendo, chorou pelo gesto. E meu chefe na época obviamente nunca nem desconfiou.

O novo, docinhos antigos revisitados:
Brigadeiro de cupuaçu passado na castanha de cajucasadinho de açaí com cupuaçu (bicolor) e o pastel de nata português sabor caipirinha, o creme de ovos tradicional leva limão e cachaça. Cupuaçu eu aprendi com a outra avó, a paterna, que era paraense, gosto tanto que tenho postagem antiga exclusiva para a fruta, que rende geleia, sorvete, pavê... Virou moda, ainda bem.
E pastel de nata de verdade é o servido pela Colombo, em massa folhada e creme de gemas, fico para morrer quando vejo "pastel de nata" sendo vendido com massa de empada e recheio de leite com maisena.

Repare que vem servido em bandeja de prata, a louça é toda filetada e até os guardanapos descartáveis são monografados com um brasão, um luxo.




Vindo ao Rio, não deixe de conhecer a Colombo, grande parte da nossa tradição e história está naquele cardápio, muitas coisas deliciosas e esquecidas pelo comércio. Vendem grande parte de suas gostosuras para levar em lindas embalagens retrô, um presente que agrada a qualquer um. A foto abaixo é do site deles e acredite, ao vivo é ainda mais bonito.




Denise não conhecia a Colombo, adorou o programa. Fiquei surpresa dela, que é mineira com ascendência libanesa, ser louca por doces portugueses como eu, descendente e crescida numa cidade com alma de botequim e padaria de português, onde até o calçamento das ruas é em pedra portuguesa. Danada, conhecia todos aqueles docinhos de ovos que fizeram parte da minha infância. Ficamos de voltar para tomar um inacreditável sunday de pistache com fios de ovos e os famosos biscoitos "leque" feitos na casa...





Em maio desse ano, não conseguimos entrar no Bar Antigamente (que concorria ao Comida di Boteco), então almoçamos num bistrô francês orgânico que ela já conhecia, o Bistrô Coccinelle. Funciona num sobrado colonial tombado do Arco do Teles em frente ao Paço Imperial na Praça XV, a antiga residência da Família Real Portuguesa. O sobrado ao lado do Cocinelle era a residência de Carmem Miranda, portuguesa e filha de donos de pensão. Os pais dela mantinham um restaurante popular no térreo e a família morava em cima. Há uma placa e hoje, funciona outro restaurante também.

A sacada de onde D. Pedro I anunciou ao povo que ficava e rompia com Portugal é a mesma de onde a Princesa Isabel anunciou a Abolição da Escravatura, nesse prédio, o Paço.








As paredes do bistrô, com desenhos sobre a quiche do dia e os meus 2 guias em cima da mesa: Comida di Boteco 2013 e o Guia Slow Food para cariocas. Eles também usam mesas de bobinas de cabo e estantes de caixote de feira, exatamente como eu fiz aqui em casa.




Comidinha deliciosa, simples e bem feita, de bistrô francês no único bistrô orgânico do Rio de Janeiro. O cardápio todo é bom, sofisticado sem ser pretensioso. Comprei no mercado do meu bairro e levei uma barriga de freira, doce típico português em ovos, de presente para Denise, que deixou para comer depois. 






A foto da comunicação da Abolição da Escravatura pela Princesa Isabel na sacada do Paço Imperial, a do Dia do Fico com D. Pedro I não existe, a tecnologia ainda não havia sido inventada: 







Valorize sempre o comércio tradicional, isso é cultura e um gesto político: Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência





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