sábado, 15 de junho de 2013

Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda

As postagens mais populares daqui do blog tratam justamente de manutenção de espaços públicos e reciclagem de edifícios, tanto do ponto de vista técnico quanto social. A longo prazo, os muitos recortes que são feitos sem qualquer planejamento em determinada cidade, levam à favelização e a novas demolições e obras intermináveis cujas função e custo são sempre questionáveis.

Somos um país permanentemente em obras, que revoga tombamentos aleatoriamente, mas sem qualquer planejamento de tráfego e saneamento básico. Na postagem, Um país em obras de 2009, já se afirmava: "Vivemos num país em que prefeito bom é aquele que faz muita obra, inúteis em sua grande maioria, provavelmente superfaturadas e com nosso dinheiro de contribuinte. Temos uma cultura de obra, quebrar e botar abaixo, usar material de segunda, descartar madeiras de lei em imóveis demolidos e abarrotar caçambas, que fecham as calçadas, com toneladas de entulho - uma cultura de desperdício, isso sim."

Há inclusive uma série inteira sobre como a casa sustentável é mais barata em todos os aspectos e justamente na sua décima parte, a que trata de ecotijolos e reciclagem de concreto, A casa sustentável é mais barata - parte 10 (ecotijolo e concreto reciclado de entulho), é fornecida a seguinte estatística:

"A média de entulho produzido por metro quadrado em obras novas é de 150 kg, o que faz com que uma obra de 10 mil m produza cerca de 1.500 t de resíduos. No ano de 2000, é dito, foram descartadas na cidade de São Paulo 17.240 t de entulho por dia."
Fonte: site oficial Odebrecht


Com o tempo e a escolha da cidade onde vivo para sede de uma Copa e Olimpíada, vi os preços dos imóveis dispararem e muitas atrocidades serem cometidas em nome de um suposto bem comum.Aparentemente, os problemas das demolições são sempre estruturais: entulho, barulho, poluição, trânsito, perda da memória arquitetônica e outras questões sempre desviáveis num país definido como "sem memória".


Hoje, a situação é mais crítica, afinal mais de 30 mil famílias foram removidas de suas casas, numa das maiores agressões que um Estado pode impôr ao cidadão. Nada disso está acontecendo em nome da Ordem e do Progresso, grandes empreiteiras sempre envolvidas em contratos com o Governo Federal, Estadual e Municipal estão fazendo do espaço público e privado um tabuleiro de xadrez, onde nós somos os peões.


Não exagero, nas muitas reportagens abaixo, evidencia-se o fechamento de 49 escolas públicas para dar lugar à shoppings e estacionamentos privatizados (alie à redução da maioridade penal e privatização dos presídios), remoção das favelas dos mapas oficiais, criação de jogos de tabuleiros (Banco Imobiliário) onde se compram e vendem bairros inteiros e até a venda oficial e chancelada do nome de bairros e estações de metrô para empresas de capital estrangeiro e a venda em bloco da rua mais tradicional da cidade, para que os inquilinos instalados há mais de 50 anos, não tivessem qualquer direito de preferência na compra.


Para variar, estamos na contramão de tudo que é sério e respeitável em termos de cidadania e arquitetura, os melhores exemplos daqui, são encontrados nas postagens: Reciclagem de edifícios na Holanda e na DinamarcaAntigo Sears Towers, convertido em Usina SolarAntiga fábrica abandonada em Chicago é transformada em fazenda urbana vertical energeticamente autônoma5 (+1) magníficos edifícios reciclados pelo mundoAntiga estação ferroviária transformada em escritório na Espanha. Todos mostrando projetos que integram a comunidade do entorno antes de qualquer preocupação com a engenharia. Um país realmente rico não é aquele onde o pobre consegue comprar um carro, mas onde há transporte público de qualidade para todos, as pessoas moram perto do trabalho e têm tempo livre para seu lazer.

Nossos hermanos argentinos têm um movimento maravilhoso, o Basta de Demoler, com página no Face, que eu curto, e que se propôs inicialmente a preservar as antigas edificações de Buenos Aires que vinham sendo postas abaixo pela especulação imobiliária, mas estendeu-se ao resto do país e ampliou imensamente as questões de urbanismo, preservação arquitetônica, transporte e acesso à moradia. Deixo o manifesto deles abaixo, em espanhol:


Basta de Demoler es una Organización No Gubernamental del sector civil, sin fines de lucro, establecida formalmente en abril del 2007 por un grupo de vecinos de la ciudad de Buenos Aires unidos con el objeto de defender el patrimonio urbanístico de la ciudad.Comenzó convocando a los ciudadanos a manifestarse públicamente en contra de las demoliciones de los edificios de valor arquitectónico e histórico; luego emprendió diversas estrategias en defensa del patrimonio y extendió su accionar a los parques, calles y veredas históricas, mobiliario urbano; es decir, todo aquello que forma parte del patrimonio tangible.


Em Nova Iorque e São Paulo, também podem ser encontrados movimentos semelhantes, com respectivas páginas no Face, que eu curto e divulgo, o Forgotten NY e São Paulo Antiga




Informe-se e contribua com a Repórter Brasil no seu primeiro projeto de jornalismo financiado coletivamente no Catarse, trata justamente da invisibilidade social das camadas mais pobres em cidades cada vez mais vazias e impessoais, linkado e detalhado abaixo. E não deixe de ler o restante da postagem para entender porque os muitos protestos em função de aumento de passagem do transporte público estão diretamente relacionados à especulação imobiliária e principalmente à escolha do país como sede de eventos internacionais.


Arquitetura da Gentrificação


Repórter Brasil apresenta seu primeiro projeto de jornalismo financiado coletivamente. Trata-se de uma proposta de investigação organizada pela jornalista Sabrina Duran, que tem como objetivo mapear a gentrificação em São Paulo e formas de resistência a este processo.

Gentrificação é o nome que se dá à expulsão de moradores pobres de determinada região por meio de um conjunto de medidas socioeconômicas e urbanísticas marcado pela hipervalorização de imóveis e encarecimento de custos. Talvez você nunca tenha ouvido o termo, mas certamente convive com seus impactos.


O que estamos propondo?

Uma investigação detalhada sobre as ações e medidas legais adotadas nas duas últimas administrações municipais da cidade que resultaram na expulsão de moradores pobres da região central. As informações serão apresentadas em uma série de reportagens especiais reunidas em uma página sobre o tema no site da Repórter Brasil, um guia digital sobre a questão e sobre como se enfrentar na prática o problema.

Prestando contas

Para que o projeto saia do papel, precisamos arrecadar R$ 18 mil em 40 dias. O valor servirá para custear três meses de apuração (entrevistas, pesquisa, consultas públicas e acompanhamento de audiências, entre outros), a construção de uma página especial no site da Repórter Brasil, a redação, edição e organização de todas as informações reunidas.A opção de tentar viabilizar tal levantamento por meio de financiamento coletivo está diretamente relacionada ao caráter público do projeto. O financiamento direto por parte dos leitores fortalece a opção de independência radical adotado pela Repórter Brasil e abre perspectivas para construção de novas investigações sobre temas tão ou mais sensíveis.E, vale lembrar, claro, que imobiliárias e empreiteiras, que costumam se beneficiar do processo de encarecimento de imóveis nas regiões centrais da cidade, estão entre as principais financiadoras de campanhas de vereadores e prefeitos, não só em São Paulo, mas em todo Brasil.





A gota que faltava


Para entender melhor o que está acontecendo na rua, imagine que você é o presidente de um um país fictício. Aí você acorda um dia e resolve construir um estádio. Uma “arena”.O dinheiro que o seu país fictício tem na mão não dá conta da obra. Mas tudo bem. Você é o rei aqui. É só mandar imprimir uns 600 milhões de dinheiros que a arena sai.


Esses dinheiros vão para bancar os blocos de concreto e o salário dos pedreiros. Eles recebem o dinheiro novo e começam a construção. Mas também começam a gastar a grana que estão recebendo. E isso é bom: se os caras vão comprar vinho, a demanda pela bebida aumenta e os vinicultores do seu país ganham uma motivação para produzir mais bebida. Com eles plantando mais e fazendo mais vinho o PIB da sua nação fictícia cresce. Imprimir dinheiro para construir estádio às vezes pode ser uma boa mesmo.


Mas e se houver mais dinheiro no mercado do que a capacidade de os vinicultores produzirem mais vinho? Eles vão leiloar as garrafas. Não num leilão propriamente dito, mas aumentando o preço. O valor de uma garrafa de vinho não é o que ela custou para ser produzida, mas o máximo que as pessoas estão dispostas a pagar por ela. E se muita gente estiver com muito dinheiro na mão, essa disposição para gastar mais vai existir.


Agora que o preço do vinho aumentou e os vinicultores estão ganhando o dobro, o que acontece? Vamos dizer que um desses vinicultores resolve aproveitar o momento bom nos negócios e vai construir uma casa nova, lindona. E sai para comprar o material de construção.


Só tem uma coisa. Não foi só o vinicultor que ganhou mais dinheiro no seu país fictício. Foi todo mundo envolvido na construção do estádio e todo mundo que vendeu coisas para eles. Tem bastante gente na jogada com os bolsos mais cheios. E algumas dessas pessoas podem ter a idéia de ampliar as casas delas também. Natural.


Então as empresas de material de construção vão receber mais pedidos do que podem dar conta. Com vários clientes novos e sem ter como aumentar a produção do dia para a noite, o cara do material de construção vai fazer o que? Vai botar o preço lá em cima, porque não é besta.

Mas espera um pouco. Você não tinha mandado imprimir 600 milhões de dinheiros para fazer um estádio? Mas e agora, que ainda não fizeram nem metade das arquibancadas e o material de construção já ficou mais caro? Lembre-se que o concreto subiu justamente por causa do dinheiro novo que você mandou fazer.Mas, caramba, você tem que terminar a arena. A Copa das Confederações Fictícias está logo ali… Então você dá a ordem: “Manda imprimir mais 1 bilhão e termina logo essa joça”. Nisso, os fabricantes de material e os funcionários deles saem para comprar vinho… E a remarcação de preços começa de novo. Para quem vende o material de construção, tudo continua basicamente na mesma. O vinho ficou mais caro, mas eles estão recebendo mais dinheiro direto da sua mão. Mas para outros habitantes do seu país fictício a situação complicou. É o caso dos operários que estão levantado o estádio. O salário deles continua na mesma, mas agora eles têm de trabalhar mais horas para comprar a mesma quantidade de vinho.

O que você fez, na prática, foi roubar os peões. Ao imprimir mais moeda, você diminuiu o poder de compra dos caras. Inflação é um jeito de o governo bater as carteiras dos governados.Foi mais ou menos o que aconteceu no mundo real. Primeiro, deixaram as impressoras de dinheiro ligadas no máximo. Só para dar uma ideia: em junho de 2010, havia R$ 124 bilhões em cédulas girando no país. 

Agora, são R$ 171 bilhões. Quase 40% a mais. Essa torrente de dinheiro teve vários destinatários. Um deles foram os deputados, que aumentaram o próprio salário de R$ 16.500 para de R$ 26.700 em 2010, criando um efeito cascata que estufou os contracheques de TODOS os políticos do país, já que o salário dos deputados federais baliza os dos estaduais e dos vereadores. Parece banal. E até é. Menos irrelevante, porém, foi outro recebedor dos reais novos que não paravam de sair das impressoras: o BNDES, que irrigou nossa economia com R$ 600 bilhões nos últimos 4 anos. Parte desse dinheiro se transformou em bônus de executivo. Os executivos saíram para comprar vinho… Inflação. Em palavras mais precisas, o poder de compra da maioria começou a diminuir. Foi como se algumas notas tivessem se desmaterializado das carteiras deles.

Algumas dessas carteiras, na verdade, sempre acabam mais ou menos protegidas. Quem pode mais tem mais acesso a aplicações que seguram melhor a bronca da inflação (fundos com taxas de administração baixas, CDBs que dão 100% do CDI…, depois falamos mais sobre isso). O ponto é que o pessoal dos andares de baixo é quem perde mais.


Isso deixa claro qual é o grande mal da inflação: ela aumenta a desigualdade. Não tem jeito. E esse tipo de cenário sempre foi o mais propício para revoltas. Revoltas que começam com aquela gota a mais que faz o barril transbordar. Os centavos a mais no ônibus foram essa gota.









Leia posicionamento do Greenpeace Brasil sobre as manifestações contra o aumento das tarifas do transporte públicoPelo direito à manifestação sem violência e pelo transporte público acessível: Por um transporte público acessível


As manifestações contra o aumento da passagem do transporte público começaram em São Paulo e tiveram rápida adesão no Rio, em Belo Horizonte e em Curitiba. Outras cidades prometem ter manifestações semelhantes nos próximos dias, o que mostra a urgência do tema.


A discussão da tarifa foi apenas o estopim de uma demanda há tempos reprimida: a melhoria e expansão do transporte público nas grandes cidades brasileiras passa por uma revisão de prioridades do governo e vultuosos investimentos em mobilidade, que tornem o ir e vir de todos um direito mais realista.


Com décadas e décadas de incentivo ao transporte individual, as megacidades brasileiras foram cedendo espaços de convivência e de troca social aos automóveis. O que os jovens estão fazendo, agora, é se levantar contra esse modelo insustentável e retomar a rua, espaço que lhes é de direito.


Considerando a questão da mobilidade essencial para a construção de cidades mais sustentáveis, acessíveis e democráticas, pedimos às autoridades que aceitem a pressão das ruas como forma de repensar suas políticas de mobilidade urbana. O financiamento do transporte público precisa ser tratado como uma política nacional. Se a discussão do transporte se concentrar simplesmente no orçamento municipal, não haverá solução.


Precisamos de mais transporte público, de melhor qualidade e mais barato. Também precisamos de políticas pensadas especialmente para facilitar o acesso da população mais carente e de públicos que mais necessitam do transporte e que não têm como arcar com a despesa, como os estudantes.


Também são necessárias medidas que desestimulem o transporte individual e um redirecionamento dos subsídios dos combustíveis fósseis para o transporte público.


Os protestos vão continuar e o poder público precisa estar aberto ao diálogo. É muito perigoso para a democracia quando os governos viram as costas aos anseios da juventude e respondem com métodos típicos dos anos de chumbo. Balas de borracha, bombas de efeito moral e cassetetes são incapazes de calar inconformismos e desejos de mudanças.


O Greenpeace é uma organização que tem em seu DNA o protesto pacífico como forma de cobrar mudanças de atitudes de governos e de corporações. Lamentamos as cenas divulgadas nos últimos protestos e pedimos prudência de ambos os lados. De qualquer maneira, defenderemos sempre o direito à manifestação não violenta, afinal ela é um instrumento da democracia.


O papel da força policial, que representa o Estado, é implementar a lei e garantir a segurança. Jamais usar a violência para coibir a livre manifestação do pensamento e para promover um ambiente de pânico e caos. O governador Alckmin deve se posicionar de forma favorável ao direito de manifestação pacífica e coibir as cenas de violência policial, inaceitáveis num estado democrático.


Marcelo Furtado
Diretor-executivo do Greenpeace Brasil




Vídeo sobre remoções da copa é exibido na ONU

Larissa Araújo, da Articulação Nacional dos Comitês Populares (ANCOP) participa da 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU para falar das violações cometidas nas remoções de famílias em todo o país nos preparativos para a Copa do Mundo. Em um evento paralelo à sessão do Conselho, o vídeo “Who wins this match?” (Quem ganha esse jogo?), produzido em parceria com a Conectas e disponibilizado aqui traz os números e os depoimentos dos moradores removidos ou em risco de remoção – cerca de 250 mil, segundo o cálculo dos movimentos.





Maiores doadoras somam gasto de R$ 1 bilhão desde 2002


As dez empresas que mais doaram nas eleições dos últimos dez anos desembolsaram mais de R$ 1 bilhão para financiar as campanhas de candidatos no país inteiro.
Nesse grupo há cinco construtoras, três bancos, um frigorífico e uma metalúrgica.


O montante repassado por elas a políticos entre 2002 e 2012 é suficiente para bancar quinze campanhas semelhantes à que levou Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo, a mais cara de 2012. Equivale também ao custo da reforma que prepara o estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.
As quatro primeiras posições são de empreiteiras: Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão.
Todas elas mantêm contratos vultosos com o poder público --em São Paulo, por exemplo, as quatro participaram do consórcio que executou parte da linha 4-amarela do metrô e a OAS venceu a disputa por dois lotes do trecho norte do Rodoanel.

Só em 2012 o governo federal pagou R$ 213 milhões diretamente à Camargo Corrêa, a maior parte por contratos com o Ministério dos Transportes. A Queiroz Galvão recebeu outros R$ 420 milhões da União, segundo o Portal da Transparência.
Os números são de levantamento feito pela Folha nas prestações de contas de partidos, de comitês e dos cerca de 1,5 milhão de candidatos que concorreram a um cargo eletivo de 2002 a 2012. Os valores foram corrigidos pelo índice de inflação. Os dados são disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
A quinta empresa na lista é a JBS. Entre seus acionistas está o BNDES, banco público de fomento que detém cerca de um terço da empresa.
Os outros líderes no levantamento são os bancos Alvorada (Bradesco), Itaú e BMG, a empreiteira UTC e a produtora de aço Gerdau.

A concentração das doações é ainda maior se forem considerados os grupos a que essas empresas pertencem, já que parte dos conglomerados divide as doações entre subsidiárias. É o caso do Bradesco, que, além das doações do Banco Alvorada, investiu por meio do Bankpar (R$ 18,3 milhões) e da Tempo Serviços (R$ 20 milhões).
Há também grupos que dividem as doações de maneira equilibrada: a Vale doou R$ 107 milhões via quatro empresas, e a Odebrecht, R$ 68 milhões por sua construtora e pela Braskem.

O volume de doações registradas cresce a partir de 2010. Isso porque, até 2008, apenas candidatos e comitês declaravam suas contas eleitorais. As doações aos partidos eram informadas, sem discriminação, junto à contabilidade geral da sigla no final do ano.
Folha ouviu as empresas sobre diretrizes do financiamento eleitoral.

O Itaú informou ter uma política específica que determina que as doações sejam feitas por um único CNPJ e diretamente a candidatos. Os repasses são definidos por um comitê, que analisa seus históricos e plataformas.

A Gerdau diz que doa para "fortalecer a cidadania e impulsionar a evolução social e econômica". A Odebrecht, que faz doações "em prol da democracia e do desenvolvimento econômico e social".

A Vale afirmou que busca se manter "imparcial" e não faz doações, mas que empresas do grupo não estão impedidas. O Bradesco e a Queiroz Galvão não se pronunciaram. As outras empresas dizem apenas que as doações são feitas de acordo com a legislação eleitoral.




O vídeo acima mostra a posição dos moradores da Zona Portuária carioca, que estão sendo despejados com a revitalização da área, uma moradora explica porque no caso de qualquer remoção, os moradores não devem em hipótese alguma fazer cadastros na Prefeitura (conforme o Prefeito orienta), mostra um formulário que os moradores estão sendo obrigados a assinar sob coação, onde abrem mão de aluguéis sociais, mas que é proibido de ser retirado da Prefeitura, o que impede os mesmos moradores de manterem consigo uma cópia como seria de praxe em qualquer contrato. E também explica porque quando de uma remoção, os mesmo moradores devem ser realocados em áreas próximas de onde moravam originalmente, o que tampouco vem acontecendo.





Leia abaixo, em reportagem do caderno de imóveis do maior jornal de circulação do Estado, sobre os novos lançamentos imobiliários na Zona Portuária:

O primeiro residencial do Porto


Unidades mais baratas custarão R$ 420 mil. Projeto é diferente do proposto inicialmente


É esperado ainda para esta quinzena o lançamento oficial de um dos mais aguardados empreendimentos imobiliários da cidade: o Porto Vida, primeiro residencial da região portuária, concebido para funcionar, inicialmente, como a Vila de Árbitros e Mídia das Olimpíadas de 2016.
Até agora, o número de servidores cadastrados chega a 2.900, mas, do total de 1.333 unidades residenciais do empreendimento, só há mil unidades reservadas para eles. As outras 333 serão destinadas ao consumidor em geral.

Mas os espaços internos entre os prédios, que teriam praças abertas para a rua e muito verde, foram substituídos por áreas de lazer como as de condomínios fechados, com piscina, quadra poliesportiva e espaço gourmet.

Grande entusiasta do projeto vencedor do concurso promovido pelo IAB, feito pelo arquiteto carioca João Paulo Backheuser e o catalão Alonso Balaguer, que criava praças públicas nos miolos dos quarteirões, o presidente do Instituto dos Arquietos do Brasil, Sérgio Magalhães, teme que a essência do que foi pensado para o novo Porto esteja se perdendo.
É uma pena que o mercado esteja, de certo modo, impondo os valores que já vem trazendo desde sempre. O projeto perdeu qualidades do que é a cidade contemporânea. Esse tipo de empreendimento já está ultrapassado — diz Magalhães, que teme que o Porto tenha poucas unidades habitacionais. — Para que o Porto dê certo, é importantíssimo que seja um bairro de uso múltiplo, com moradia, pequenos comércios, lazer, prédios corporativos. Desse ponto de vista, houve algumas perdas nesse novo projeto — diz Magalhães.






 O mapa acima produzindo por Lucas Faulhaber, em seu trabalho de final de curso da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFF, mostra claramente o que o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas vem apontando desde o lançamento do primeiro dossiê: o Rio de Janeiro está passando por um perverso processo de realocação dos pobres na cidade, uma tentativa de invisibilizá-lo.







A invisibilização da pobreza e dos pobres no Rio Olímpico


Uma campanha publicitária internacional da Petrobrás exibiu em 2011 fotografias do Rio de Janeiro, de Nova York e de Paris a 6 mil metros de altura, em alusão aos 6 mil metros de profundidade de onde a empresa irá extrair óleo da camada pré-sal. Em destaque na imagem do Rio a praia de Copacabana e o Pão de Açúcar. Mais ao fundo a Zona Sul e Norte com o Cristo Redentor e o Maracanã. Faltaram, porém, as dezenas de favelas que compõem o cenário da região. Só no Rio uma parte da cidade foi apagada com recursos de edição de imagem.
Também em 2011 uma matéria do jornal O Globo noticiava que, a pedido da Prefeitura do Rio, o Google iria diminuir a presença das favelas no seu serviço Google Maps. O fato se concretizou em 2013, com a exclusão da palavra “favela” em praticamente todo o mapa, a hierarquização das informações com as favelas reduzidas ao mesmo destaque das ruas e o sumiço de algumas comunidades. Em 2010 já haviam sido erguidas barreiras acústicas, ou muros, nas duas principais vias expressas de ligação do aeroporto Internacional do Galeão ao Centro/Zona Sul e Barra da Tijuca. Uma pesquisa revelou a percepção dos moradores e dos motoristas que passam pelas vias: o muro está servindo muito mais como barreira visual, não como barreira acústica.


Mapa do Google em 2011 e 2013: favelas desaparecem
Esses fatos não são coincidências, e a tentativa de invisibilizar os pobres e a pobreza no momento em que o Rio de Janeiro se prepara para receber grandes eventos internacionais também não se limita ao plano simbólico. Para 30 mil moradores da cidade, a remoção virtual do mapa do Google está se tornando real. Segundo dados do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, cerca de 8 mil pessoas já foram removidas, e cinco comunidades não existem mais. O procedimento é semelhante em toda a cidade: envio de famílias para periferia com oferta precária de serviços básicos, como transporte, baixo valor de indenizações e forte pressão da especulação imobiliária.
Um outro braço dessa política se estabelece sob o discurso da ordem pública, que com a mesma truculência mistura diferentes questões como estacionamento irregular, população em situação de rua e trabalhadores informais. No bairro da Glória, onde foi instalada uma Unidade de Ordem Pública (UOP), há dezenas de guardas nas esquinas para que o famoso shopping chão, onde se podia encontrar antiguidades e quinquilharias sendo vendidas na calçada, não se instale mais. Os camelôs receberam autorização para trabalhar apenas em locais que ninguém passa e sumiram, assim como a população em situação de rua, que foi recolhida. O que acontece com essas pessoas? São levadas para abrigos longínquos, várias vezes. A estratégia é cansá-las para não voltar mais, como disse o subprefeito Bruno Ramos.
A UOP é inspirada na UPP, as Unidades de Polícia Pacificadora que cada vez mais mostram sua face de controle militar do território ocupado e menos de segurança dos moradores. No dia 20 de março, Matheus Oliveira Casé, de 16 anos, foi morto pela polícia pacificadora em Manguinhos. No dia 4 de abril, Aliélson Nogueira, de 21 anos, também foi assassinado pela polícia pacificadora, agora no Jacarezinho. As edições online dos jornais falavam em tiroteio entre tráfico e polícia, mas Matheus foi morto ao receber um tiro de pistola de choque e Aliélson com uma bala na nuca enquanto comia um cachorro quente. Muitos jornais simplesmente ignoraram o fato destacando na semana a violência contra turistas estrangeiros e como isso gera um impacto negativo para a imagem da cidade.
A invisibilização que sai do plano simbólico para o real atinge um público bem específico, a juventude pobre e negra da cidade, principal alvo do encarceramento em massa em curso no Brasil. Em 1995, havia 148 mil presos no país, número que subiu para 473 mil em 2009. O Brasil possui hoje a terceira maior população carcerária do mundo e a prisão começa a virar negócio, com os presídios privados. Como tudo se justifica pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas, foi anunciada a compra de caveirões e aconstrução de novos presídios no Rio de Janeiro para a segurança dos grandes eventos. É a solução dada para essa parcela da população que não serve à cidade olímpica, que deve ficar bem longe, nos conjuntos habitacionais construídos fora da cidade, ou simplesmente sumir, presa ou executada pela ação da polícia.
Mas o brilho dos grandes eventos esportivos começa a esmorecer, o marketing não consegue sustentar uma imagem construída sobre base tão frágil, e aos poucos a cidade real se impõe. Para mudar a realidade do Rio de Janeiro não basta ostentar teleférico em favela enquanto falta saneamento básico nas casas fotografadas pelos turistas. Não basta acesso a bens de consumo se falta habitação. E não basta habitação sem cidade. Para construir uma outra realidade social há muito trabalho pela frente, e no momento em que há recursos disponíveis para de fato se iniciar uma mudança profunda na cidade, eles são drenados para obras de prioridade questionável ou para destruir a infraestrutura já existente, como no caso do Maracanã e da Perimetral, sem qualquer debate público. O Rio de Janeiro está no caminho errado, e talvez por isso queira tanto esconder a pobreza da cidade. Mas como disse uma moradora da Maré: ”O que adianta esconder? A gente existe, não adianta esconder não”. Pois é, recado dado.
* Renato Cosentino é mestrando do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ, trabalha na organização de direitos humanos Justiça Global e participa do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro.



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Google “desfavelizou” Rio de Janeiro no Google Maps?


Há algum tempo, quando eu acessava o mapa do Rio de Janeiro no Google Maps, acontecia algo curioso: em vez de mostrar os nomes dos bairros mais conhecidos, o Maps dava um enorme destaque a várias favelas.
Agora, devido a mudanças recentes, acontece o oposto: várias favelas agora se chamam apenas “morro”, ou seu nome nem aparece no Maps. O Google “desfavelizou” o Rio de Janeiro?
Como nota o blog Cidades Possíveis, isso acontece em vários níveis de zoom. Como você vê abaixo, a favela Sumaré agora se chama apenas Sumaré; e a favela Morro do Chacrinha sumiu do mapa. A Rocinha, maior favela do Brasil, não se chama mais “favela”. E em algumas regiões, o termo “favela” foi substituído por “morro”.
O Google explicou várias vezes no passado que não edita estes nomes: recebe-os prontos de parceiros – no caso, a MapLink. No entanto, o Google não explica a mudança e diz, por meio de nota, que “não divulga as particularidades das negociações com os parceiros” do Google Maps.
A história desse caso é longa. Segundo o Estadão, a prefeitura do Rio pediu ao Google, em 2009, que diferenciasse melhor entre favelas e bairros no Maps: afinal, eles mostravam com o mesmo destaque tanto favelas com poucos habitantes, como bairros maiores.
No ano seguinte, o então gerente de produto do Google (e carioca) Marcelo Quintella dizia que a empresa estava “trabalhando na questão junto aos parceiros de conteúdo” para resolver o problema. Em 2010, ele escreveu que:
… apesar de parecer, a questão não é trivial pois o Google licencia dados de terceiros e não podemos modificá-los diretamente. Por isso estamos buscando uma lógica que permita ao computador escolher que favelas (importantes) mostrar e quais (desconhecidas ou muito pequenas) não mostrar. Isso é uma prioridade do time de mapas mas, como disse, não é de solução trivial e por isso está levando mais tempo que todos gostaríamos.
Mas a questão permaneceu. Em 2011, o jornal O Globo publicou reportagem – removida de seu site – criticando o Google Maps por dar o mesmo destaque a favelas e a bairros tradicionais. O jornal lembrava que, segundo o Instituto Pereira Passos (IPP) – que faz um dos levantamentos mais precisos das favelas do Rio – apenas 3,8% da cidade é ocupada por favelas. Este mapa mostra onde elas estão.
Alguns dias depois da reportagem, o Google se comprometeu a reduzir a visibilidade das favelas no Rio no prazo de seis meses a um ano. A ideia era destacar os bairros e pontos turísticos da cidade, e só mostrar favelas quando o usuário aumentasse o zoom. Só que o Google Maps foi além disso: parece que está se tentando “desfavelizar” a cidade.


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Por um lado, isto é a desvantagem de fazer algo melhor que a concorrência – colocar mais informações e pontos de interesse disponíveis nos mapas. Afinal, outros serviços de mapas nem incluem as favelas pequenas que ainda estão no Google Maps.
Nokia Here Maps, por exemplo, só inclui as maiores favelas, como Rocinha e Complexo do Alemão; as menores nem aparecem, mesmo no zoom máximo. Compare na imagem acima.
No site da MapLink, por sua vez, o mapa do Rio não tem nenhum nome de favelas, mesmo no zoom mais alto – há apenas bairros. Nem mesmo a Rocinha aparece por lá (ela fica entre a Gávea e São Conrado):

mapa-rio-maplink

Então por que ninguém reclama com a Nokia ou a MapLink? Bem, porque os mapas do Google são mais utilizados e oferecem informações mais detalhadas. Isto significa que há mais pessoas de olho reparando em mudanças, e alterações como esta são levadas mais a sério.
Independente de quem seja o responsável pela “desfavelização” do Rio – o Google ou seus parceiros – a mudança não soa muito bem, especialmente à medida que nos aproximamos da Copa do Mundo e Olimpíadas, e a cidade ganha cada vez mais relevância. Os mapas precisavam de uma correção, mas será que é certo esconder as favelas? 


Em 1 ano e meio, governo do Rio fechou 49 escolas públicas



Sob a justificativa de que está cortando gastos, o secretário da Educação do Rio de Janeiro, Wilson Risolia, autorizou o fechamento de 49 escolas da rede estadual no último um ano e meio. A maioria das unidades funcionava em prédios da prefeitura do Rio, à noite, e atendia jovens e adultos fora da idade regular do ensino médio. Ou seja, as unidades fechadas eram destinadas aos alunos mais velhos: a maioria trabalha durante o dia e tem apenas a noite para suprir a deficiência educacional e concluir os estudos.
Das 49 unidades de educação que foram extintas, 31 funcionavam na capital, outras dez em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. A Baixada também não escapou dos fechamentos: quatro escolas de Japeri tiveram as portas fechadas, assim como três em Magé; e uma em Guapimirim. Há expectativa de que o número de unidades estaduais fechadas cresça ainda mais no ano que vem.
Diretora do extinto Colégio Estadual José Pedro Varella (Rio Comprido), por sete anos, a professora Maria João critica o fechamento das unidades e encarou a decisão do secretário estadual como uma manifestação de "descomprometimento com o ensino público".
"Tenho a impressão de que o governo está na contramão de aumentar o número de alunos nas salas de aula. Na escola em que eu era diretora eram 500 alunos matriculados e frequentando as aulas. A maioria não teve a oportunidade de estudar quando jovem. Então, estavam aproveitando a oportunidade durante a noite. Trabalhavam de dia e estudavam à noite. Quando o secretário anunciou o fechamento, muitos abandonaram, porque só conseguiriam transferência para escolas distantes", diz a educadora.
Outro problema que chama a atenção no fechamento do Colégio Estadual José Pedro Varella é que muitos alunos eram oriundos do Morro do São Carlos e só conseguiram vagas para estudar numa unidade de educação localizada no Morro do Turano, de facção rival. Ambas as comunidades ainda estão em processo de pacificação.
"Como você vai mandar um aluno de uma comunidade na qual há resquícios de bandidos de uma facção rival à de outra? Os meus alunos tiveram medo diante desta situação de insegurança e eu os aconselhei a procurar a escola que fosse mais tranquila. O problema é que muitos tiveram dificuldades de encontrar escolas próximas de suas casas. São pais de família que querem estudar. Só isso. Mas o governo estadual não colaborou. Educação não é gasto. É investimento", critica.
Deputado: "Governo não tem bom senso pedagógico"
Depois de organizar diversas audiências públicas na Assembleia Legislativa do Rio no ano passado para tratar do problema, o presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt (PPS) classifica a situação como "irreversível".  Depois de convocar o próprio secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, para explicar o fechamento das unidades, Comte diz que o atual governo "não tem bom senso pedagógico".
Segundo ele, o secretário justifica o fechamento das escolas de ensino compartilhado dizendo que é preciso economizar e otimizar a rede. "Se o secretário nota que tem duas turmas cada uma com 30 alunos, ele prefere fazer apenas uma com 60. Esta é a lógica. Infelizmente, não conseguimos frear isto", limita-se a comentar.
Governo: não fechamos, municipalizamos
Procurado pelo Jornal do Brasil, o governo do Estado nega que tenha fechado as unidades. "Esclarecemos que a ação não foi de fechamento de escolas. O que houve é o que se chama de municipalização, e há legislação sobre isso. O ensino fundamental  é de responsabilidade dos municípios. O ensino médio, do Estado. E o ensino superior, do governo federal. Porém, ainda há muito ensino fundamental sob responsabilidade das escolas estaduais. E o que a secretaria estadual vem fazendo é transferindo as escolas com alunos do fundamental para o município, quando há capacidade de o município absorver essa demanda, o que é o caso da cidade do Rio de Janeiro. Chama-se municipalização. Os alunos permanecem estudando, só passam a ficar sob responsabilidade do município a partir disso", diz a nota enviada ao JB.
Confira a lista de escolas fechadas no Rio pelo Governo do Estado:
- Capital:
C.E. Coccio Barcelos
C.E. Pedro Varela
C.E. Francisco Cabrita
C.E. Cícero Pena
C.E. Clotilde Guimarães
C.E. Professor Souza Carneiro
C.E. Walt Disney
C.E. Roraima
E.E. Edgar Werneck
E.E. Augusto Cony
C.E. Professora Silvia de Araújo Toledo
C.E. Alfredo de Paula Freitas
C.E Astolfo Rezende
C.E. Brigadeiro Eduardo Gomes
C.E Paulo da Portela
C.E. Professora Nilza Mendonça de Oliveira
C.E. República de São Tomé e Príncipe
C.E. Rio de Janeiro
C.E. Washington Luis
EEES George Summer
EEES Professor Souza Carneiro
C.E. Charles Peguy
C.E. Celestino da Silva
C.E. Equador
C.E. José Pedro Varella
C.E Sérgio Buarque de Holanda
EEES Benedito Ottoni
EEES Evaristo da Veiga
EEES General Euclyades Figueiredo
EEES LaudímiaTrotta
EEES Leitão da Cunha
- São Gonçalo:
E.E. Brigadeiro Antonio Sampaio
E.E. Alberto Silva
E.E. Lucio Tomé Feiteira
E.E. Professora Henny de Mendonça Gama
E.E. Aurélio Quaresma
CIEP Professor Djair Cabral Malheiros
E.E. José Augusto Domingues
E.E. Dr. Luiz Palmier
E.E. Alcebíades Peçanha
C.E. Sueli Mota Seixas
- Japeri:
C.E. João XXIII
C.E. Rio do Ouro
C.E. Armando Dias
CIEP Lucimar de S. Santos
- Magé:
Instituto de Educação Professor Carlos Camacho
C.E. Professora Luiza Vieira
C.E. Parque do Imperador
- Guapimirim:
C.E. Simão da Mota


Em processo de 'otimização', RJ já tem 50 escolas fechadas



O número de colégios da rede estadual do Rio fechados pela Secretaria estadual de Educação chegou a 50 este mês. Um processo de "otimização" da rede e corte de gastos vêm sendo feitos nos últimos 18 meses pelo secretário estadual de Educação, o economista Wilson Risolia. 
Desta vez, o Colégio Estadual Vicente Licínio Cardoso é que está na mira do governo do Estado. Um comunicado anunciando o processo de extinção foi entregue ao diretor da unidade no último dia 20. O colégio é um dos que funciona em prédios da Prefeitura, à noite, e atende alunos dos 17 aos 50 anos, todos matriculados no Ensino Médio.  A maioria vive nos morros da Providência e da Conceição.
Conforme contou o diretor da escola, Luiz Carlos Torres, a unidade tinha cerca de 500 alunos até o final do ano passado. No entanto, o colégio teve que sair do bairro da Saúde, onde funcionava desde sua fundação, porque a Secretaria Municipal de Educação do Rio pediu que o prédio fosse desocupado. Logo depois, os 500 alunos foram transferidos para o prédio da Escola Municipal Darcy Vargas, no mesmo bairro. 
Com a escola cercada por regiões de consumo de crack, os professores decidiram fazer paralisações para conscientizar o governo estadual sobre a necessidade de policiamento pelo menos nos horários de entrada e saída de alunos e professores. A solução da secretaria, no entanto, foi transferir os alunos para uma escola na Praça da República.
Com a mudança para uma escola que fica a uma distância de três quilômetros da unidade anterior, restaram apenas 40% dos alunos matriculados no C.E Vicente Licínio Cardoso, que atualmente vem funcionando no prédio do C.E. Júlia Kubitschek. As duas escolas dividem o mesmo prédio, que pertence ao governo do Estado.
"No ano passado, tiraram a nossa escola do seu endereço de sempre, na Saúde, e não nos deram explicações. Houve boatos de que a prefeitura estava cobrando o prédio de volta, mas nada foi oficial. Depois, nos remanejaram para uma escola que à noite era um celeiro de cracolândias. Claro que não havia como continuar ali. Porém, a transferência para outra escola, mais longe, fez com que muitos alunos deixassem de frequentar as aulas neste ano. São alunos que trabalham durante o dia e saem em cima do horário para as aulas. Não podem estudar tão longe de casa", disse o professor Luiz Carlos Torres.
O professor sugere ao governo do Estado que faça um levantamento de quais áreas da cidade tem maior carência por escolas antes de sentenciar os fechamentos de algumas unidades.
"No início deste ano, tive que rejeitar muitas matrículas de alunos que pretendiam terminar o Ensino Médio porque o destino do colégio estava incerto. Há uma demanda por uma escola noturna de Ensino Médio no bairro da Saúde. Com a mudança da escola de endereço, esta demanda não é atendida. Ou seja, os alunos são praticamente obrigados a estarem fora da sala de aula. Isso não devia estar acontecendo", critica.
Com transição falha, aluna está sem vaga há 1 ano e meio
O fechamento de colégios estaduais que ofereciam os ensinos Fundamental e Médio continua sendo tratado pela Secretaria estadual de Educação (Seeduc) como casos de "municipalização". Isto é, quando o Ensino Fundamental é devolvido para a Prefeitura. Por lei, o município é, de fato, quem deve gerir tal faixa de ensino. Assim como é responsabilidade do governo estadual arcar com o Ensino Médio. O que chama a atenção é que a maior parte das unidades já fechadas atendiam os dois segmentos de ensino.
A Seeduc também alega que a transição do Ensino Fundamental para a Prefeitura vem sendo feita com planejamento. No entanto, o caso da costureira Roberta de Souza, 28 anos, prova o contrário do que diz o governo estadual.
Sem vaga na rede pública desde o fechamento do Colégio estadual Pedro Varella, em 2011, Roberta buscou vaga para o oitavo ano até o início deste mês. Foi quando, depois de muito esperar conseguiu vaga no C.E. Paulo de Frontin. No entanto, a escola não dispunha de vaga para o oitavo ano e a aluna foi inserida numa turma de nono ano.
Na semana passada, veio a notícia de que Roberta terá que deixar de frequentar o 9° ano do Ensino Fundamental, porque obviamente não concluiu o 8°. A costureira cobra um posicionamento da Seeduc para ser mantida em sala de aula.
"Eu não cursei o 8° ano porque não encontrei vaga à noite. Eu não tenho opção de estudar durante o dia, porque tenho que trabalhar, tenho filho para sustentar (...). Antes de fecharem as escolas, a secretaria tem que verificar se as escolas que restaram vão atender aos alunos que ainda estão matriculados. O que não pode é fechar primeiro e só se dar conta do erro depois. Eu quero concluir o Ensino Fundamental e eu vou concluir. É um direito meu", dispara a aluna.
Por meio de nota, a Secretaria Estadual negou os fechamentos. Veja o documento na íntegra:
"Atualmente, há 172 unidades escolares compartilhadas entre a Secretaria de Estado de Educação e a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Eram 197 em 2012.
No interior, há 58 escolares compartilhadas entre a Secretaria de Estado de Educação e secretarias municipais de Educação de 58 cidades. Eram 54 em 2012.
Cada municipalização ou descompartilhamento só ocorre ao fim de cada ano, após acordo com a secretaria municipal de Educação (municipalizações); ou em caso de descompartilhamento se o Estado avaliar e encontrar prédios próprios a uma proximidade de, no máximo, 1,5 quilômetro da escola a ser descompartilhada. A Secretaria de Estado de Educação investe, em escolas compartilhadas, cerca de R$ 8 milhões por ano."


Rio de Janeiro: cidade à venda?

Depois de anunciar o projeto “Estação Patrocinada”, o Metrô Rio, concessionária que administra o metrô do Rio de Janeiro, teve que voltar atrás em seus planos de “vender” o nome das estações de metrô da cidade, que passaria a ser associado ao nome de empresas privadas. No dia 16 de maio, o governador Sérgio Cabral vetou a proposta, que, de acordo com a imprensa, havia sido idealizada pela empresa IMX, de Eike Batista. O site do Metrô Rio já tirou do ar todas as informações relativas ao projeto.


Em nota, a assessoria de imprensa da concessionária afirmou que “o projeto Estação Patrocinada não muda em absoluto o nome das estações, e sim permite a adoção comercial de cada uma. Destacamos que a receita acessória é revertida para o conforto dos usuários e ambientação das estações, conforme previsto no contrato de concessão.” A assessoria diz ainda que “os patrocinadores se comprometerão a oferecer serviços adicionais para os usuários nessas estações. [...] Desta forma, poderão surgir nas estações espaços de convivência, internet Wi-fi, ações culturais e exposições.” Parece que o que foi enterrado, portanto, foi apenas a possibilidade de associação do nome das empresas às estações.


Essa possibilidade de fato surpreendeu muita gente. Pelo visto, nem o governador aguentou. Vale a pena lembrar, porém, que desde o final de 2011, a SuperVia, concessionária privada que administra os trens suburbanos e o teleférico do Alemão, já deu início a uma iniciativa semelhante. Das seis estações do sistema, duas já tiveram seus nomes “vendidos”: Alemão-Kibon e Bonsucesso-Tim. Mas o fato é que estamos falando de coisa pública. Por serem administrados por concessionárias, o metrô, os trens e os teleféricos não são menos públicos. As concessionárias não são “donas” nem das estações, nem dos trens...Catapultado pelo boom internacional de sua imagem, o Rio de Janeiro está passando por um intenso processo de transformações. Se por um lado o Brasil inteiro se alegra em ver a dinâmica positiva por que passa a cidade, com criação de empregos, geração de oportunidades e melhoria da autoestima dos cariocas, por outro, chega a ser assustador o sentido comercial e a selvageria privatizante dessas mudanças. Qual o limite da comercialização da cidade e de seus atributos? Até onde a publicidade pode tomar conta da cidade e se sobrepor aos agentes e processos que a constroem?

Depois do frenesi imobiliário (que tem expulsado muitos moradores da zona sul e do centro), depois de tantos recursos públicos transferidos para empresas privadas na PPP do Porto Maravilha, de remoções forçadas de favelas, da metáfora do processo em curso na cidade expressa no jogo Banco Imobiliário Cidade Olímpica (produzido pela Estrela com recursos da prefeitura), vender os nomes das estações de metrô pode até parecer normal... No limite, se a toada é esta, o próximo passo será vender os próprios cariocas?


Em tempo: Soube recentemente que a prefeitura do Rio teve que recolher as unidades do Banco Imobiliário distribuídas para as escolas públicas municipais e que o Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou um inquérito para investigar o contrato com a Estrela.


Para saber o que é o Banco Imobiliário Cidade Olímpica, leia abaixo outra coluna da mesma autora acima, Raquel Rolnik, urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada:

Banco imobiliário Cidade Olímpica: seria cômico se não fosse trágico

Ninguém mais precisa escrever dissertação de mestrado ou tese de doutorado para mostrar o sentido profundo do projeto Rio de Janeiro Cidade Olímpica – a megaoperação de valorização imobiliária em curso na cidade do Rio de Janeiro. A própria prefeitura do Rio resolveu explicitar isso claramente ao lançar o Banco Imobiliário Cidade Olímpica, produzido pela Estrela. Além de licenciar a marca Cidade Olímpica, a prefeitura desembolsou 1 milhão de reais por 20 mil unidades do jogo, que está sendo distribuído na rede municipal de ensino. A partir de maio, a Estrela vai comercializar o produto nas lojas.

Nesta nova edição do jogo – que existe há décadas – em vez de comprar imóveis em importantes ruas e avenidas da cidade, o jogador investe em pontos turísticos tradicionais – como os Arcos da Lapa, Copacabana e o Corcovado, mas também nas novas “marcas” da Rio Cidade Olímpica : o Porto Maravilha, a Clínica da Família, o Bairro Carioca, os BRTS (vias expressas de ônibus) , o Museu de Arte do Rio, o Museu da Imagem e do Som etc. Nas cartas de sorte ou revés, que definem ganhos ou perdas no patrimônio dos jogadores, há pérolas como “Seu imóvel foi valorizado com a pacificação da comunidade vizinha. Receba R$ 75 mil.”

banco imobiliario cidade olimpica

Muita gente e várias instituições já denunciaram o mau uso de dinheiro público, a possível ilegalidade envolvida no uso de recursos da prefeitura para propaganda das gestões Eduardo Paes/Sérgio Cabral, e também questionaram os efeitos pedagógicos de um brinquedo deste tipo em crianças e adolescentes. 

Apesar de eu concordar com tudo isso – o Ministério Público já declarou que vai apurar algumas destas questões – acho um perigo que a crítica seja centrada nestes pontos, reforçando a ideia de que o grande problema é a prefeitura ter gasto 1 milhão de reais para comprar o jogo e encobrindo o verdadeiro escândalo – onde são gastos – e privatizados! – muito mais recursos públicos, que é a própria natureza do que está em jogo com a operação Cidade Olímpica.

Explicando: a questão fundamental é como o jogo explicita, banaliza e até mesmo transforma em algo positivo a vinculação das ações da prefeitura com os processos de valorização imobiliária e de mercantilização da cidade. As perguntas que não querem calar são: qual a natureza das intervenções em curso? Em que medida elas vão diminuir as desigualdades e promover a inclusão socioterritorial no Rio de Janeiro? Quem ganha e quem perde com essas transformações? No jogo, Estrela e Prefeitura candidamente respondem com clareza a questão. Os efeitos são positivos quando provocam valorização: no mundo da financeirização da produção da cidade, este é o valor que importa.







Estatística informal no território livre da internet:

São só 0,20 centavos??? Vamos ver...

Metrô - 4,5 milhões de usuários por dia.

4,5 milhões x 0,20 centavos

Dia = 900.000,00 MIL

Mês = 19.503.000,00 MILHÕES - 21,67 dias úteis
Ano = 234.036.000,00 MILHÕES - 260 dias úteis

Ônibus - 6 milhões de usuários por dia.
6 milhões x 0,20 centavos

Dia = 1.200.00,00 MIL
Mês = 26.004.000,00 MILHÕES - 21,67 dias úteis
Ano = 312.048.000,00 MILHÕES - 260 dias úteis

CPTM - 2,3 milhões de usuários por dia.
2,3 milhões x 0,20 centavos

Dia = 460.000,00 MIL
Mês = 9.968.200,00 MILHÕES - 21,67 dias úteis
Ano = 119.618.400,00 MILHÕES - 260 dias úteis

UM TOTAL DE
665.702.400,00

São só 0,20 centavos né?










Para baixar: 

Material Oficial da ONU: Como construir cidades mais resilientes: Um guia para gestores públicos locais

Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Rio de Janeiro, Dossiê do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro


Cartilha sobre sobre direito à moradia da Relatoria Especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada em Parceria com a Ford Foundation: Minha cidade virou sede de um megaevento, o que pode acontecer com meu direito de moradia?




Para se aprofundar na questão:

http://www.moradiacentral.org.br/
http://www.forumreformaurbana.org.br/




Para curtir no Facebook (eu curto) e saber dos escândalos financeiros envolvendo a construção de estádios superfaturados e inacabados, como o Engenhão, o Mané Garrincha, o Fonte Nova, a aposentadoria do Ricardo Teixeira e do João Havelange, que não vai dar tempo de despoluir a Baía de Guanabara para as provas de iatismo quando a mesma deveria ser despoluída urgentemente de qualquer maneira...
A Copa mais cara do Mundo







Outras postagens, que tratam de muitas das questões acima:
Os porquês da miséria
RIO+20: a Cúpula dos Povos
Redução da maioridade penal
Formula Indy em Porto Alegre
Os Parques Aquáticos Júlio De Lamare e Maria Lenk
Ocupe o mundo, tudo é uma Zona Autônoma Temporária
Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)
Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência



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