sábado, 8 de junho de 2013

Gorgona, antiga prisão vira parque ecológico na Colômbia




Ilha descoberta pelos espanhóis em 1524 tem natureza exuberante

A ilha colombiana de Gorgona foi descoberta em 1524 pelo conquistador espanhol Diego de Almagro, que a batizou de Ilha de San Felipe. 

Três anos após sua descoberta, 170 soldados espanhóis montaram acampamento na ilha para se recuperar após perder uma batalha contra os Incas, no Peru – e 87 morreram após serem picados por cobras.

A grande população de cobras fez com que os espanhóis rebatizassem a ilha de Gorgona, em alusão às górgonas, criaturas da mitologia grega que tinham serpentes em vez de cabelo.
Em 1950, as autoridades decidiram transformar o local em uma prisão de segurança máxima, acreditando que as cobras venenosas convencessem os presos a não fugir.
A prisão foi inaugurada em 1960 e funcionou até 1984, sendo alvo de denúncias de maus-tratos e abusos contra os direitos humanos.
Apenas três presos conseguiram escapar de Gorgona – e um deles foi recapturado depois de se gabar da façanha quando estava bêbado.
Após a prisão ser fechada, a ilha foi transformada em um parque nacional para garantir a preservação de suas espécies endêmicas (nativas dali).
Muitas árvores haviam sido cortadas para fornecer lenha à prisão, mas em alguns anos as áreas desmatadas voltaram a apresentar cobertura verde.
Os blocos onde os guardas e carcereiros viviam foram convertidos em alojamento para turistas e biólogos que estudam a fauna e a flora da ilha.


Prisioneiros não tinham nenhuma privacidade, pois eram vigiados a todo momento (Foto: Viviana Peretti)

Até o início dos anos 80, essa isolada ilha do Pacífico foi o destino que nenhum colombiano desejava conhecer. Situada em uma área de mata fechada, a região era o habitat de imensas e temidas cobras venenosas, recebia as águas furiosas de constantes chuvas e abrigava uma área de isolamento dos criminosos mais perigosos da Colômbia.
“Aqui, só se respira a tristeza”, escreveu certa vez um detento. Não é a toa que o local ficou conhecido como a 'Ilha do Esquecimento'. Atualmente, o cenário não é muito diferente, mas as sensações são outras. O que fora um inferno se tornou um dos destinos mais exóticos da Colômbia: a ilha Gorgona, uma área protegida com 62 mil hectares em que apenas 3% se localizam em terra firme.
Declarada Parque Nacional Natural, em 1984, a natureza local vai, lentamente, recuperando o seu espaço. As árvores dessa espessa selva, cujos 70% foram cortados durante o período em que a prisão funcionou em Gorgona, voltam a crescer; o musgo vai pintando com novas cores o triste passado dos pavilhões desativados da penitenciária; e imensas baleias jubarte batem ponto na região, entre agosto e setembro, para a reprodução e cria de seus filhotes (e para a alegria dos visitantes).
Enquanto isso, colombianos e turistas de todo o mundo visitam um dos mais importantes pontos de mergulho daquele país, localizado em uma extensa área protegida que começa em Galápagos, arquipélago equatoriano, e termina na Costa Rica, na América Central. Por isso a lista de animais que visitam a região inclui também três espécies de tartarugas marinhas e tubarões martelo.
Os visitantes com poucas habilidades marinhas contam ainda com caminhadas selvagens mata adentro em que bichos preguiça, macacos prego de cara branca, a rara lagartixa azul e algumas espécies de cobras costumam chamar a atenção dos que se aventuram por trilhas escondidas que terminam em belas praias isoladas banhadas pelo Oceano Pacífico.
Outra atração que surpreende o visitante, não pela beleza mas por conta da triste história que a natureza tenta esconder, são os pavilhões abandonados do que um dia foi a mais temida das prisões do país. Entre 1959 e 1983, Gorgona era a sede de uma penitenciária de segurança máxima que chegou a abrigar 1.300 detentos condenados a mais de 12 anos de reclusão e 300 policias. Parte das celas e das áreas comuns, como o refeitório, banheiros e a cozinha, resistem ao renascimento da selva desde que a ilha foi fechada por violação aos direitos humanos, mas ainda divide a atenção dos visitantes com a beleza rara dessa região de selva úmida.
Mais do que uma violência contra aqueles homens, que viviam em um cenário hostil de assassinatos e envenenamentos, a prisão era um exemplo antiecológico. Semanalmente, queimavam-se entre 10 e 18 toneladas de madeira para abastecer o fogão de onde saía a principal alimentação daquela gente. Acredita-se que serão necessários mais 70 anos para a recuperação total daquela área verde.
De origem vulcânica, Gorgona é conhecida como Ilha Ciência, por conta de sua biodiversidade e, atualmente, é explorada para fins turísticos e investigações ambientais. Localizada a apenas 36 km do continente, a ilha tem acesso controlado e só pode ser visitada com autorização da atual empresa que detém a concessão de uso da ilha.
Os programas incluem hospedagem em casas rústicas que um dia serviram como abrigo e escritórios para os funcionários da penitenciária, além de alimentação preparada pelos 'moradores' do compacto povoado de Gorgona. Não chega a 50 o número de pessoas que passam alguns meses do ano em Gorgona para atender a crescente demanda turística na região.
E basta perguntar para qualquer um daqueles moradores temporários se eles trocariam o local por outro pedaço em terra firme para descobrir que a melhor lembrança de sua estadia vem mesmo da paisagem selvagem que, hoje, esconde uma parte da história que todo mundo faz questão de esquecer.

Eduardo Vessoni/UOL

ATRAÇÕES
Todas as atividades nesse parque nacional só devem ser feitas com acompanhamento de guias locais contratados no próprio hotel. Conheça os principais atrativos da ilha:
Casa Museo Payán: A mais antiga casa da ilha, construída em 1900, foi um dos principais prédios da penitenciária de Gorgona. Atualmente, abriga um pequeno museu com parte da história da prisão e serve como sede para as palestras, obrigatórias, de introdução ao Parque Nacional.
Volta pela ilha: Em um passeio de uma hora de duração, em lancha, o visitante pode conhecer praias locais como a Azufrada, Blanca, Piedra Redonda, Palmeras. A ilha Gorgonilla (proibida para desembarque) e o Aquário Yundigua também costumam estar incluídos no roteiro.
Acuario Yundigua: Aquário natural com arrecifes de corais onde é possível realizar sonorkelling e mergulho livre.
Trilha Playa Palmera: É a mais procurada pelos que acabam de chegar à ilha e querem conhecer um pouco da fauna e da flora locais. Os 5 km de caminhada leva o visitante a atrativos como o píer onde desembarcavam os presidiários, praias Azufrada, Piedra Redonda, além de uma vista privilegiada de Gorgonilla.
Visita à antiga penitenciária de Gorgona: O tour passa pelos pavilhões desativados da mais temida prisão da Colômbia como o refeitório, padaria, lavanderia, dispensas, guaritas, solitárias e celas.
Avistamento de baleias: Anualmente, entre julho e setembro, a região recebe as imensas baleias do tipo jubarte que procuram a região para o acasalamento e criação de seus filhotes.
Mergulho: Gorgona é considerada um dos melhores pontos de mergulho de toda a Colômbia e conta com um centro que oferece cursos e equipamentos para a prática desse esporte.
Ecotienda: O pequeno povoado de Gorgona oferece ao visitante uma loja com produtos artesanais produzidos na região.

Link obrigatório antes de ligar para a Avianca: Site Oficial de Parques Nacionais do Governo Colombiano



Filmes para assistir antes de ir:
Oceanos, na postagem sobre o aquário de Peruíbe
Oceanos, na postagem sobre a Cúpula dos Povos na RIO+20
Planet Ocean, na postagem sobre Yann Arthus Bertrand e Sebastião Salgado



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