sexta-feira, 19 de julho de 2013

A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível


 

"Quem gosta de miséria (alheia) é intelectual, pobre gosta é de luxo", Joãozinho Trinta


Eu não gosto do artesanato urbano de reciclagem, são improvisos que não fazem a minha cabeça e pior, que acabam não cumprindo sua função, porque não substituem as "versões oficiais".
Por favor, não me entenda mal, quando digo isso, não incluo de forma alguma o artesanato regional, cujas peças inclusive decoram minha casa. Por reciclagem artesanal entenda a perda da tradição, nunca o artesanato típico de um povo, que propositalmente deixo ilustrando o começo dessa postagem. Espero que as pessoas entendam a diferença entre ambos e passem a valorizar mais as nossas tradições culturais. O artesanato típico brasileiro é lindo, sofisticado e valorizado no exterior. Uma pena notar que o brasileiro não dá o mesmo valor e o artesão geralmente é mal remunerado. 



O artesanato de verdade que vale a pena - acima: "Mãe amamentando" em barro do Vale do Jequitinhonha (MG), carrancas do Vale do São Francisco (MG, BA e PE), bordados de Natividade (RJ) e nordestino. Abaixo, "Divinos Espírito Santo" da Oficina de Agosto de Tiradentes (MG), tapetes arraiolo de Diamantina (MG), 




Hoje, acompanhando a mudança de pensamento na sociedade, vejo que alguns mitos continuam. Em muitos sites de "Faça você mesmo" (DIY "do it yourself"), há um excesso de xingling, ou os produtos baratos chineses das lojas de R$1,99. É como se houvesse uma compensação "não estou comprando um móvel na Tok&Stock nem nas Casas Bahia, mas minha estante descolada em caixote de feira é toda decorada com brinquedinhos multicoloridos baratinhos". Nem toda customização é sustentável e nem toda reciclagem artesanal pode ser sequer considerada sustentável. O fato de ser improvisado não significa que não tenha deixado sua pegada ambiental. E é de se observar que se você pagou barato, é porque alguém foi mal pago, a matéria prima foi extraída de qualquer maneira, não há a menor preocupação com o transporte e provavelmente nem com o impacto socioambiental.

Eu comecei a falar a sobre reciclagem artesanal e seus horrores na postagem Reciclagem de pneus e cintos de segurançaonde dou uma ideia dos equívocos atuais:

Particularmente nada em reúso de pneus me agrada. Quem for leitor mais atento do blog vai notar que a reciclagem artesanal não é muito bem vinda por aqui. Minhas razões muitas:

1. Geralmente o resultado é horroroso, salvo nobres e raras exceções. Não existe um designer dentro de todos e ecodesign é ainda mais desafiador, justamente porque impõe limitações.

2. Um pote de margarina, batata pringles, vidro de maionese ou seja lá o que for é uma embalagem inútil. Se o produto industrializado-processado é uma porcaria e só faz mal à saúde, além de financiar o cartel da agroindústria que leva os produtores rurais à falência, porque eu haveria de comprar nescafé e ainda me dar por satisfeita de colocar uma capinha de croché, se posso tomar meu café orgânico produzido pela agricultura familiar e embalado num saco simples? Por que manter uma coleção de vidros de maionese reutilizados e grosseiramente decorados com coisas como cola colorida e paetês, se a maionese caseira feita em ovos orgânicos com limão galego e até azeite extra virgem de procedência controlada e cultivo biológico é muito mais saudável, deliciosa e barata?

Mesmo que algumas embalagens sejam indispensáveis, é mais honesto deixar numa cooperativa de reciclagem para beneficiar mais pessoas. Se há muitas embalagens na sua casa é porque você compra errado, compre a granel e veja que o volume vai reduzir em uns 90%. Se sobram vasilhames de produtos de limpeza, reveja as opções da permacultura para faxina e limpeza da casa.

Não, não dá. O pior é que eu sempre recebo emails e links no Facebook de pessoas bem intencionadas com seu brinquedinho em pet. Não me levem a mal, mas o pet é uma embalagem derivada de petróleo que embala um refrigerante e, se todo refrigerante ainda consome em média 30 litros de água para cada litro da bebida, onde está exatamente a sustentabilidade nisso tudo?
E o brinquedinho é sempre tosco. Além de cafoninha, ainda estimula as crianças que recebem essa (des)educação ambiental a comprar mais pet para fazer mais brinquedinhos que nunca vão chegar aos pés do game que eles realmente querem.



Se está ou conhece alguém que esteja nessa fase de deslumbramento chinês, mostre as fotos abaixo e explique que não existe produto sustentável que não tenha sido produzido em condições dignas, fair trade, o comércio justo que trata de produção e não exploração.

Operários chineses revelam a história verdadeira dos brinquedos

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Há um blog muito popular "É sustentável, mas é horrível!" que divulga esses horrores. Aqui em casa, eu fiz 3 mesas em bobina de cabo,1 estante em caixote de feira e até uma caminha de cachorro em pallet (que estavam abandonados nas calçadas), mas me contive no resto e, quando precisei de outros móveis, comprei móveis antigos de madeira de lei, louças, porcelanas e objetos de arte em antiquariato, feiras de rua e até em bazares beneficentes. Naturalmente reciclado por ser de segunda mão, de qualidade e com o design que eu quiser, do século XVII aos anos 80 por preço justo sem explorar ninguém, sempre mais barato do que o convencional das lojas .


O que eu sinto é que as pessoas não entendem bem a sustentabilidade, ainda não compreenderam que a única solução é consumir menos de tudo, incluindo lembrancinhas inúteis. Aliás, principalmente do que for inútil. Reciclagem é um tripé apoiado em pelo menos 3 conceitos: recusar, reutilizar e só então reciclar. A primeira coisa que um consumidor consciente faz é não consumir, em segundo reutilizar o que já existe. Transformar em algo novo é a última etapa, quando as duas primeiras já se esgotaram.





Todos os hippies que conheci, trabalhavam com esse artesanato equivocado. A maneira daquelas pessoas sair do sistema era fazer inutilidades em materiais produzidos justamente pelo sistema rechaçado. Não existe nada de ecológico em materiais sintéticos e industriais como cola, paetês, miçangas, penas de animais silvestres traficados, parafina de velas, celofane, durepóxi e afins. 

Se indígenas em aldeias usam penas é porque convivem com animais que as deixam cair, ou aproveitam de animais já mortos. Não criam animais em cativeiro apenas para extrair à força penas que serão vendidas como artesanato engajado. Pessoas em cidades, usando penas de animais não são hippies nem sustentáveis, é só perversidade e ignorância.





O exemplo abaixo em pet exemplifica bem. A pessoa quer montar uma hortinha caseira, segue bem intencionada reaproveitando garrafas e resolve decorar. O problema exatamente não é a decoração, que é sim de gosto duvidoso, mas o próprio uso do pet, uma embalagem derivada de petróleo que embala originalmente um refrigerante que deve ter consumido 37 litros de água para produzir um único litro de refrigerante. Se há alguma fábrica de bebidas em sua cidade, é para refletir que a água utilizada venha dos mananciais da região e, quando acabar, a empresa não assume a responsabilidade e instala nova fábrica em outro lugar - com isenção fiscal, já que gera empregos. À população local sobram fontes desertificadas, solos erodidos, instalações fabris abandonadas, economia local sucateada e o desemprego.
Quem paga a conta são os que ficam: a população local com solos erodidos e poços artesianos secos. 

Se essa pessoa é tão sustentável a ponto de reciclar embalagens e fazer hortas caseiras, não deveria estar comprando refrigerante. Caso tenha acesso à garrafas alheias, o ideal é enviar à cooperativa de reciclagem para ser transformado em outro subproduto ou pelo menos doado à permacultores que vão usar essas garrafas para fazer construções populares revestidas de adobe escondendo o pet.
Refrigerante, além de insustentável, só faz mal. O manjericão abaixo ficaria mais bonito num vaso de barro ou até numa grande jardineira em base de madeira de pallet.

Aproveite que as crianças estão de férias, sem fazer nada em casa e corre pro quintal pra fazer essa BELEZURA ENCANTADORA!

Dica da amada Juliana Larocca <3


Até Marcelo Rosenbaum, que admiro profundamente, fez sua horta de pet  - uma parede verde, que não usa um grama de plástico, além de ser realmente sustentável, é mais simples, rápido, barato e ainda vai providenciar mais alimento do que essas mudinhas apertadas.

Aprenda a fazer a horta de garrafas PET de Marcelo Rosenbaum




O pet é sempre um campeão nesse artesanato insustentável que por hora nos assola. O pior dos castiçais abaixo não é nem o visual, que é terrível, mas a periculosidade. Não se apoiam velas acesas em plástico, o plástico derrete quando a vela diminuir e vai transformar a mesa (provavelmente em madeira, fórmica ou plástico) numa fogueira. Isso não é um castiçal, é o manual para um incêndio doméstico!

OBRIGADO UOL, PELA ILUMINAÇÃO NAS PAUTAS DO DIA A DIA (http://mulher.uol.com.br/casa-e-decoracao/album/2012/12/05/faca-casticais-criativos-e-ecologicos-usando-garrafas-pet.htm#fotoNav=1)
DI-CO-NA da leitora Flavia Ribas


O "mimo" abaixo segue o mesmo princípio, parte do refrigerante e da mineração para extração do alumínio da latinha. Fosse um fuxico de reaproveitamento de retalhos, feito em cooperativa de mulheres sem capacitação e seria um produto sustentável e justo, mas o exemplo abaixo é só desperdício de matéria-prima, a começar pela linha, já que não pode nem ser lavado.






Meias são um problema, sempre perde-se um pé na máquina de lavar, mas existe uma alternativa mais digna do que forrar vasos: doe à moradores de rua, que não ligam se o par não estiver combinando. O Projeto meias do bem recolhe meias velhas e as transforma em cobertores para pessoas carentes. 
E o tutorial abaixo não sugere meias velhas e puídas, mas justamente o contrário, meias tinindo de novas para sua "obra prima". O vasinho branco original, além de mais bonito, teve um custo e respectivamente impacto ambiental menor no final das contas.

MEIA BOCA né?

Dica do William Welbert



Se é para reutilizar um croc, que seja calçando pessoas que precisam de sapato! 
Pior, nenhuma das espécies plantadas é comestível. Esse jardim, além de horroroso, não é sustentável em nada, é só um desperdício de borracha do calçado e água para rega de algo que não alimenta ninguém nem enfeita o mundo. E repare que os crocs são novos, não foi nem um caso de reuso na falta de um mendigo para doar.

"Aproveitei que a onda dos crocs passou e reaproveitei no meu jardim, amiga" NÃO.



Sinceramente, alguém acreditou que esse escorredor é velho e está sendo reaproveitado? 
Se o seu enferrujou, leve para reciclar, pinte em outra cor e use como fruteira ou porta ovos, mas não pendure nem saia correndo para comprar um novo e fazer seu "lustre sustentável a partir de metal novo e subaproveitado". Porque nada é mais sustentável do que a mineração, é claro...
Uma luminária japonesa de papel de arroz é biodegradável, clássica e mais barata do que a "instalação" abaixo (a 5 pratas na Liberdade e Chinatowns da vida). Não gosta do clean e do zen? Ótimo, compre um lindo lustre de cristal ou opalina do art deco num antiquário, feira de rua, brechó da igreja... É capaz de ainda sair mais em conta (geralmente por R$50,00) e nem vai ferver a cada lâmpada acesa.






Exemplos bonitos e bem intencionados, mas que não são sustentáveis na essência:

O quadro abaixo do artista Alfredo Borret é de bom gosto e exigiu técnica do artista. Alfredo Borret está fazendo sua parte, produzindo muito dignamente sua arte usando material reciclado como matéria prima. Mas a pergunta que não quer calar: tampinhas de plástico e metal, que embalam bebidas prontas, que cometem hidropirataria, são sustentáveis?





vaso de jornal reciclado é indiscutivelmente bonito e sofisticado, mas sabia que os abrigos de vira-latas pedem jornais velhos diariamente nas redes de relacionamento? Essa semana mesmo, a Sozed (abrigo do meu bairro) deixou um apelo desesperado no Facebook, pois seu estoque acabaria no dia seguinte. O Consulado Alemão doou um caminhão e resolveu o problema. Na postagem da minha mesinha de cabeceira em bobina de cabo, conto que encontrei uma das bobinas justamente quando voltava à pé da minha doação mensal de jornais na Sozed - marquei 2 gols com um chute só. Mas se você quer realmente dar vazão ao artesão que existe em você, sabia que presentes podem ser artisticamente embalados com jornais defasados, retalhos de tecidos manchados-rasgados e até papelão cartonado velho? Então dê uma olhada nas sugestões da postagem Embalado para presente



Mesas de revista hyparam, são impactantes, mas por que comprar tantas revistas (e consumir tanto papel) se praticamente todo o conteúdo está na internet e muitas vezes gratuito? E a base de madeira não é de reúso nem demolição, deve ter sido encomendada em função do custo, as próprias rodinhas são novas e em plástico.



Tapete (e aparador de panela) em rolha é bonito, clássico e rústico. Ainda por cima reciclado e remete à boemia, vinhos e sofisticação. Mas todo mundo quando vê essa foto, só pensa em comprar caixas e mais caixas do vinho mais vagabundo do mercado para fazer um tapetinho para si, preferencialmente uma passadeira de mais de 1,0m ou um imenso painel para servir de cabeceira de cama...
O vinho não vai ser de cultivo biodinâmico, mas cultivado com agrotóxico, e o vidro da garrafa dificilmente será reciclado. O que começa bem intencionado numa onda de simplicidade voluntária se desvirtua por causa do consumismo "verde". Eu imagino a pessoa num hipermercado com o carrinho cheio de vinho suspeito, daqueles de R$7,99 que já vêm com uma neosaldina, enchendo a mala do carro com as caixas e voltando para casa, dirigindo e pensando "Mandei bem! É hoje que eu faço algo ecológico!"
E o pior é que a rolha em cortiça é biodegradável. Caso haja um excesso que não dê vazão, basta compostar ou até enterrar no primeiro terreno baldio.




Espelhos de talher em plástico e metal também hyparam. Os espelhos em talher de metal fazem mais a minha cabeça, mas ambos são basicamente um equívoco.
Primeiro: não se compra copo e talher de plástico descartável, usa-se os de metal e vidro que já existem e, em caso da necessidade de produtos descartáveis, usam-se os de papelão ou bioplástico em amidos vegetais. Mas se você quer andar com um copo na bolsa e deixar na gaveta do trabalho, então a solução é o copo plástico não descartável, reutilizável por décadas, até uma caneca de alumínio serve. E talher de metal em bom estado como os da foto, devem servir ao seu fim: fazer parte de um faqueiro doméstico para que não seja necessário comprar mais talheres, que demandam mais siderurgia e extração mineral, mais gente trabalhando muito e ganhando mal, mais frete em combustível de CO2...
Se está cheio de talheres diferentes que não combinam entre si porque herdou faqueiros capengas de muitos parentes? Doe para asilos e orfanatos, essas pessoas não ligam se não estiver combinando.
Não é implicância, é uma questão de priorizar. Gosto muito de espelhos inclusive, na postagem sobre as bobinas de cabo linkada mais abaixo, encontra-se a foto de um imenso que comprei num mercado das pulgas aqui do Rio, uma feira ao ar livre onde tudo é de segunda mão e os preços regateáveis. Custou módicos R$80,00 e não me tomou 1 segundo de trabalho colando e pintando com químicos não biodegradáveis, cujas embalagens não reciclam.








Existem milhares de sugestões de artesanato a partir de lâmpadas queimadas, mas o que me intriga é porque as pessoas continuam comprando lâmpadas convencionais (incandescentes), que duram menos e consomem mais energia. O filamento da lâmpada incandescente é em molibdênio e tungstênio, metais que serão extintos nessa velocidade e o tungstênio é tóxico. Pior, sendo fluorescente, não descartam adequadamente o lixo tóxico em mercúrio, que vai de qualquer maneira para o aterro sanitário contaminar lençóis freáticos e poços artesianos do entorno.
Some a tudo isso a mania de encalacrar plantas inocentes que preferem um bom vaso de boca larga e vão durar menos nesse espaço sem terra.
Sabia que existem lâmpadas capazes de durar 25 anos (ou mais) e que seu criador foi ameaçado de morte? Não? Então, leia Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum







Os exemplos são infinitos e gosto é uma questão muito pessoal, o que escrevi não tem a menor intenção de agredir ninguém. À exceção da foto do artesanato hippie, que é minha e já estava na postagem sobre a Cúpula dos Povos, as demais foram retiradas de dezenas de sites aleatórios.
A ideia aqui é mostrar que cabe a cada um dizer não ao xingling, ao vinho baratinho, às revistas gringas que trazem artigos incríveis sobre greenbuilding, ao refrigerante em pet e a todos os produtos insustentáveis que acabam servindo de matéria-prima à reciclagem artesanal.


Eu indicaria poucas opções comerciáveis de reciclagem artesanal, na postagem da Reciclagem de pneus e cintos de segurança seguem algumas opções, todas premiadas.
Também há uma postagem exclusiva sobre a Tem quem queira, uma cooperativa carioca que, a partir de banners de propaganda (como outdoors) faz bolsas de todos os tipos usando mão de obra carcerária qualificada por eles - eu tenho uma mochila de lá, são sérios, reciclam de verdade e os produtos têm design.



Para ver as peças do comércio justo da Cúpula dos Povos da RIO+20, leia a postagem As compras da RIO+20Para os móveis das Feiras de Sábado cariocas: Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei. Para as coisas daqui de casa, reciclando o que iria para o lixo, a série Comendo a ração que vende diz a que veio com dezenas de exemplos, até ímã de geladeira.




O ideal seria que não existissem tantos resíduos mas, se existem, que pelo menos sejam reciclados para gerar novas embalagens e subprodutos. Lembrando sempre que não se recicla nada, se subcicla, porque o produto reciclado produzido a partir do derivado original é sempre inferior em qualidade e função e seu processo de produção consumiu água, energia e emitiu CO2 pelo menos na logística de transporte. Da mesma forma que uma calçada limpa não é a que mais se lava mas a que menos se suja, gestão de resíduos sólidos correta não é a que revende mais pet para pessoas pobres, sem qualificação e à margem do processo de produção "viverem" de fazer bonequinhos baratinhos e descartáveis feitos com matéria prima que não recicla, mas a que conscientiza a população a consumir cada vez menos pet e ter um programa sério de logística reversa aos pets que já existem - o que é responsabilidade de quem produz e não de quem consome.




Para lembrar sempre: Reciclagem é um tripé apoiado em pelo menos 3 conceitos: recusar, reutilizar e só então reciclar. A primeira coisa que um consumidor consciente faz é não consumir, em segundo reutilizar o que já existe. Transformar em algo novo é a última etapa, quando as duas primeiras já se esgotaram.





Os filmes que se aprofundam na questão:
Lixo Extraordinário
A Ilha de lixo no Pacífico
Ilha das Flores e Estamira
The Story of Stuff Project: A História das coisas
The Story of Stuff Project: A História dos Eletrônicos



Aqui em casa:
Lenços
Tricô e crochê
Delícias geladas
Compras a granel
Refrigerante caseiro
As compras da RIO+20
Embalado para presente
A casa sustentável é mais barata - parte 09 (lavanderia)
A casa sustentável é mais barata - parte 12 (faxina e controle de pragas)
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira
Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão
Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina
Comendo a ração que vende - parte 09: caminha de cachorro em pallet
Comendo a ração que vende - parte 10: ímãs de geladeira
Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei
Apresentando um catador da Amazônia ao restaurador de São Cristóvão e morando em cima de um antiquário e brechó no Maracanã




Mais informação:
Tetrapack não recicla
O mundo é o que você compra
A Eco-ilha, ilha-lixão ou eco-barco
O banimento das lâmpadas incandescentes
Reciclagem de pneus e cintos de segurança
7 coisas tóxicas que você não deveria jogar no lixo
A vila colombiana construída em garrafas com adobe
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Sem obsolescência programada e com garantia de 25 anos, mas não se encontra em lugar nenhum

27 comentários:

MARCELO LORENZATI disse...

Putz! Você tá certa! E ainda me valeu um bocado de risadas...

Anônimo disse...

PQP, Carol! Concordo totalmente! Vai ter mau gosto assim o tal do 'artesanato' de PET. Pior que eu sempre ficava com uma pontinha de culpa por não gostar. Artesanato lindo é o feito de barro pelas mulheres do Vale do Jequitinhonha.
Beijos!
Kenia

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Já dizia o Joãozinho Trinta, carnavalesco carioca revolucionário: "Quem gosta de miséria (alheia) é intelectual, pobre gosta é de luxo".

Ta aí, vou atualizar a postagem com essa frase, esse blog curte umas frases famosas...

Anônimo disse...

O que vc acha da Tem quem queira?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Acho incrível e é reciclagem artesanal! Foi ato falho meu e tem até postagem exclusiva sobre eles aqui no blog:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2009/08/eu-quero.html

Vou atualizar a postagem acima pq é realmente de destacar.

Anônimo disse...

Há propostas válidas, mas acho que em alguns momentos, ha citações utópicas que não condizem com a realidade da nossa sociedade. Seria ótimo que produtos orgânicos, e de boa qualidade pudessem ser adquiridos por qualquer cidadão, mas sabe-se bem que não é de tal acessibilidade,assim como os artesanatos regionais, aonde alguns também podem ser considerados artigos de luxo, pelo preço são comercializados. Exemplo horta de garrafas pet, eu acho uma ótima ideia, fácil,pode ser feita por qualquer um , e falar que não há consumo de refrigerantes, aguá ou chás,não em todas , mas em muitas outras é hipocrisia,além de não serem todos os estados que possuem reais centros de reciclagem aonde o cidadão possa dar o devido destino ao seu lixo. Acho que informar e demonstrar outras formas, sempre é válido, mas criticar, com uma visão negativa, sempre pre dispondo situações , também não e algo que leve a um futuro mais sustentável! Temos que encarar a real situação da nossa sociedade antes, levando em conta os vários locais!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Não me leve a mal, mas eu não consumo refrigerante. Fui aos EUA em adolescente e voltei sem colocar uma gota de Coca na boca. Aqui em casa, todas as bebidas são feitas em casa.
E essas hortas de pet são um lixo em todos os sentidos, um bom vaso dá conta do recado com mais dignidade.
O que eu vejo no seu discurso é o velho papo "mas é tão mais trabalhoso"...
E não é, não. Basta boa vontade e claro, um mínimo de criatividade e predisposição para abrir mão.
O meu texto não tem nada de preconceituoso, muito pelo contrário, só tenta desmistificar os porquês de algumas pessoas não quererem sair de suas zonas de conforto "verdes" ou eco-consumistas, de pet, garrafinhas de produtos de limpeza não biodegradáveis ou seja lá do que for.
E se não existem cooperativas de reciclagem em cada Estado, o que eu discordo baseada no cempre, mais uma razão para centros de reciclagem serem criados. Um cooperativa custa R$10.000,00 para ser implementada, contando todos os custos envolvidos. Na verdade, esse papo "não encontro quem recicla" vai contra a política nacional de resíduos sólidos entre uma série de outras exigências legais.
E sim, encontram-se orgânicos em todos os estados brasileiros, veja na barra lateral esquerda desse blog o mapa nacional (e oficial) de feiras e revendedores orgânicos, que vc vai se achar bem.
Talvez seja vc quem não esteja levando em conta a real situação da sociedade, tanto em soluções quanto na problemática que só depende de vc resolver.

Anônimo disse...

Muito esclarecedor teu post, nunca tinha pensado dessa maneira, obrigada por compartilhar teu ponto de vista e nos fazer refletir! ROBERTA - RS

Felipe Oliveira Passos disse...

Excelente texto. Bem esclarecedor quanto ao correto destino dos pet. Mas é de se reconhecer que a reciclagem no país ainda esta muito além do suficiente. Considero suas idéias mas também não desconsidero o principal a ser feito, "conscientização ambiental", mesmo que venha em forma de artesanato. O artesanato é cultura e pode vir acompanhado de apelo ambiental.

Alda Duarte disse...

Excelente texto e ilustrações de casos! Há tempos faço essas análises, desde que eu mesma já fiz um projeto com reciclagem de artesanatos e usei papel de jornais e revistas como matéria prima. Tive grandes dificuldades com o grupo que usava derivados de petróleo extremamente tóxicos e poluentes para supostamente agregar valor aos produtos. Isso esbarra no conceito de que a matéria prima deve ser utilizada e exposta em sua essência, do contrário não deveria ser utilizada quando prescinde de outros materiais para valorizá-la.Gostei da análise profunda da concepção dos objetos, pois toda a cadeia deve ser pensada de modo sistêmico.
Hoje, mais crítica e mais consciente da complexidade da crise ambiental que vivemos, acho profundamente ingênuo pensar que reformar o lixo mitiga algum impacto, ainda mais desse modo tosco e poluente em que novos elementos se agregam para deixar o subproduto mais inviável à reciclagem.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

É o apego, Alda, só o apego.
O povo quer se achar "verde", mas não quer mudar e abrir mão de nada, nem de coca-cola pelo visto. Haja pet!

Eduardo disse...

Ótimo texto, concordo demais. Compartilhei no meu perfil do facebook. :)

Anne disse...

Você é incrível, concordo muito!! e quando as escoas pedem material para fazer uma atividade para o projeto de " reciclagem" - mandar 5 latas de atum!!! hahaha
atum!

bjo

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Pessoal, deem uma lida na posição de um especialista - A armadilha do pet:
http://www.ecodebate.com.br/2014/01/07/a-armadilha-do-pet-artigo-de-norbert-suchanek/

Dieter Mehlan disse...

Na real pessoas que estão fazendo este trabalho estao fazendo sua parte para minimizar o impacto ambiental, eu sou tecnico em meio ambiente e aprovo estas tecnicas, pois nem todas as cidades tem cooperativas de reciclagem, nem todos os municipios cumprem a lei da coleta seletiva e do destinamento correto de residuos, agora vcs fazem a sua parte separando o residuo corretamente? muito bem mas se na sua cidade o destino nao for correto, nao surge efeito nenhum, se vc tem dinheiro para comprar peças caras muito bem, agora tem pessoas que ao inves de passar seu tempo ocioso em frente a um computador ou televisao decidem adotar esta medida, tambem como geraçao de renda. Procurem assistir o documentario LIXO EXTRAORDINARIO do artista plastico Vik Muniz que é brasileiro e foi morar nos EUA e fez um trabalho com as pessoas que viviam, e trabalhavam no Lichao de Gramacho - RJ. Arte feita apartir de lixo.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Ninguém falou em comprar coisas caras, o espelhão daqui de casa foi 80 pratas, mais barato do que o gasto nos talheres do espelho reciclado...
Falou-se justamente em não consumir e sim, móveis e objetos de segunda mão podem ser mais baratos do que a reciclagem artesanal. Eu montei uma casa assim quando era apenas técnica de nível médio, como vc.

Sobre Vik Muniz, já andou aqui pelo blog em 2 postagens, incluindo o filme sugerido por vc. Percebe-se que vc não entendeu nada, o "lixo extraordinário" estava até linkado no texto acima, como sugestão de filmes a fins, mas segue abaixo de novo:
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2011/02/lixo-extraordinario.html
.
http://caroldaemon.blogspot.com.br/2011/08/jane-perkins-e-vik-muniz.html


E Jardim Gramacho fechou como a lei previa há anos, os catadores de lá estão vivendo de bico. Chega de lixão e gente que não vive dele achando bacana a glamourização estilo "mãe lucinda"...
Que tal assistir outro filme tb sugerido na postagem, "Ilha das Flores"?

A Casa Madeira disse...

Olá! Muito bom texto; concordo com o teu pensamento.
Aqui pelo sítio compro coisas bem garimpadas e com muita paciência. Vasos lindos! recuperados etc. coisas bem mais baratas e lindas. Algumas peças até de antiquario.
É engraçado como essa onda de sustentável, reciclagem etc é caro. Caro pra quem vende por que para quem faz ainda é trabalho escravo.
janicce

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Pet não presta nem como fibra de camiseta engajada, as fibras se rompem na máquina e vão parar no oceano, matando os peixes:
http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/07/25/roupa-com-pet-e-tida-como-ecologica-mas-polui-o-mar-alertam-cientistas.htm

Unknown disse...

Muito bom o post e o blog! Parabéns, de verdade, você está dando show em muito site de jornalismo ecológico/sustentável por aí com conteúdo e sem equipe, Carol!

Mas eu tenho uma ÚNICA objeção sobre este post, você não tem o direito de impor o seu estilo de vida às outras pessoas. Já passei por esta situação, tentando conscientizar populações locais de baixa e média renda por meio de implementação de hortas comunitárias, e a aceitação do público nem sempre é tão animadora. Me fez refletir sobre a questão...

... e cheguei em algumas conclusões que vou pincelar de maneira simplista: os gostos e os hábitos de cada indivíduo são desenvolvidos através de sua vivência, e portanto a sociedade que lhe engloba, e isto faz parte da identidade cultural delas. A experiência de vida de cada ser humano, depende principalmente da cultura que lhe cerca, e convenhamos que apresentar novos métodos de viver para as pessoas apesar de válido, é um processo de transformação que deve respeitar as particularidades de cada um, sem ofendê-las. É bastante difícil introduzir conceitos novos a respeito do estilo de vida pelo fato dos indivíduos pertencerem a um grupo social, com práticas habituais aceitas e inerentes a este grupo, práticas distintas podem empurrar uma pessoa à marginalidade (não aceitação social) dentro de sua própria comunidade. É um assunto que permeia o consciente coletivo da população, as idiossincrasias psicossociais etc. A mudança é lenta, e a informação é a semente.
Porém acredito que com toda a sua energia e paixão pela responsabilidade ecológica acabe por se precipitar ao criticar duramente certos grupos/hábitos, por exemplo os hippies e a reutilização de garrafas PET (em alguns outros casos totalmente concordo com você, só seria um pouco mais calmo rsrs), pois viver como vivem os "malucos de estrada" - leia-se hippies - não é tão fácil, e os artesanatos que produzem tem de atender diversas necessidades práticas diárias, como peso, custo, facilidade de trabalho, versatilidade entre outras, claro que existem alternativas, mas não espere que eles sejam tão letrados como você e grande parte de nós, leitores.
Quanto às garrafas PET, é simplesmente impossível fazer que alguém pare de consumir refrigerantes e afins apenas por acusações. Isso depende da vontade das pessoas mudarem, e também de tempo. É claro que na maioria das vezes TEMPO é apenas uma desculpa para se manter na zona de conforto, mas devemos considerar que existem muitas pessoas - sobretudo nas periferias - que trabalham o dia inteiro, pegam horas de condução, chegam em casa para comer, tomar banho e dormir para acordar cedo no dia seguinte. A espoliação do trabalhador atrapalha o processo de mudança, pois anestesia o seu senso crítico.

Portanto, pode-se concluir que certos hábitos orgânicos/sustentáveis urbanos são sim elitistas, pela demanda de conhecimento e mão-de-obra para a adoção dessa conduta de consumo, entretanto, entendo que você está aqui a serviço da informação, e faz muito bem esta parte!

No mais parabéns mais uma vez, e não seja tão dura ;)

PS.: Quanto a hipocrisia de comprar coisas novas pra fazer este tipo de artesanato, pode descer a lenha que é uma tremenda burrice!!! Sem contar as coisas horrorosas...

Ana Lúcia Almeida Gonçalves disse...

Oi Carol!
Sabe, achei sua matéria agressiva sim, dura sim, impactante sim... Adorei!

Mas sabe, a gente começou agora a entender esse tal de ambiente e o deixar de consumir é doloroso...

Ainda cometemos muito erros, até porque não fomos preparados para mitigar.

O artesanato de garrafa pet é realmente sofrível e também não gosto de refrigerante, mas temos zilhões de outras embalagens parecidas como a do óleo de soja, por exemplo.

Geralmente as pessoas não tem muito conhecimento sobre a procedência dos produtos que consome nem tampouco conhecem sobre o seu processo produtivo.

Aqui no meu bairro a nossa batalha é muito mais primária: fazer com que os moradores acondicionem seu lixo de forma correta e os coloquem pra fora no dia de coleta, dando aos meninos do caminhão um ambiente de trabalho mais seguro.

Ainda não conseguimos chegar ao assunto "consumo consciente".

De qualquer forma, gosto do seu modo de expor sua opinião e acho que ela sempre faz ferver nosso caldeirão de conhecimento.

Anônimo disse...

Respeitar a obra e a criatividade do próximo é um princípio fundamental, mesmo que você não ache atraente. Eu concordo que muitas das invenções com garrafas pet sejam feias ou desnecessárias, porém existe algumas que são muito interessantes por isso não se pode criticar o geral. Todos querem que respeitem seus feitos, até mesmo você. O que realmente deveria ser feito seria converter todo esse material descartado em matéria prima para produção de novos utensílios. Acredito que isso poderia ser feito em casa com alguns tipos de materiais, como papel, plástico e alguns metais. Mas saiba que não existe uma medida verdadeiramente correta, pois cada um possui uma opinião diferente, por isso o respeito é fundamental.
A.

Mariângela disse...

Concordo com tudo sobre a "reciclagem" equivocada e de péssimo gosto, que é mais uma reutilização equivocada e de péssimo gosto. Discordo qto à parede de marcelo Rosembaum que é tão ruim em todos os quesitos quanto todas as outras citadas: pegada ecológica, falsidade ideológica (o que há de ecológico no raio das pets que ele juntou?), estética questionável e baixa produtividade das ervinhas.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

E a França mostra que pratos e talheres descartáveis são tão inúteis que criou uma lei os proibindo:
http://www.thegreenestpost.com/franca-proibe-pratos-e-talheres-descartaveis/

Esse blog ergue um brinde, é claro.

Robert Pardim disse...

Primeira visita no blog e já estou devorando todos os posts. Aprendendo muito aqui!

Muito mal gosto desse pessoal que "recicla" dessa forma.


http://www.centraldagrama.com

LCMATTOS disse...

Também considero artesanato reciclável de muito mal gosto!!!!
No final, as pessoas acabam enjoando do aspecto nada natural...

Bruna Sigales disse...

Como vc confirma que as penas que os hippies usam sao de animais de trafico?
Me desculpe mas vc se equivocou nisso...
E nem todos os indios tbm usam de materias ecologicos.
Esses pontos estao muio generalizados.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Bruna, um indígena de aldeia não teria nem acesso ao material sintético justamente pq o mesmo ainda nem havia sido inventado...
Eu fui voluntária em Reserva Indígena e, se o indígena não tiver sido aculturado, não tem acesso.
Sobre as penas dos hippies, a imensa maioria dos silvestres no Brasil é traficado. Mesmo as plumas e penas a venda no mercado são no mínimo fruto de uma crueldade monstruosa, já que os animais são criados confinados em cativeiro muitas vezes sem qualquer fiscalização e registro apenas para que suas plumas sejam arrancadas com os mesmos vivos. Procure sobre o assunto no site da PETA para ver que qualquer derivado animal é uma sangria desnecessária. São só penas, todos podem viver sem elas...