segunda-feira, 8 de julho de 2013

A Sociedade das Agulhas


"O luxo tem que ser confortável ou não é luxo.", Coco Chanel


Há 2 anos, ganhei os presentes que ilustram essa postagem. Desde então, estava para escrever sobre tricô e crochê, técnicas antigas e sustentáveis de produzir roupas e vestimentas em geral.
Os presentes vieram de leitora muito especial, Mafê Senger, que mantém dois blogs incríveis sobre Flamenco e Yoga: Dibujo en el aire: Flamenco IndaiatubaExperimente: Yoga Indaiatuba.

Eu havia comentado que aniversariava e Mafê muito simpática perguntou quais eram minhas cores favoritas, respondi e ela comunicou que estaria fazendo meus presentes. Confesso que na hora em que ouvi que ela ia fazer os presentes e que era segredo, fiquei preocupada. Eu detesto artesanato em geral, aqui no blog em mais de 800 postagens, não há nada sobre reciclagem artesanal ou mesmo moda especificamente.
E a própria reciclagem artesanal é muito criticada por ser, além de medonha, insustentável.

Mas quando os presentes da Mafê chegaram pelo correio de Indaiatuba, minha surpresa não poderia ter sido melhor. Eram lindos! Retribuí com um exemplar do livro Festa Vegetariana, que sei que não chegou aos pés.

O xale acima é tão sofisticado que eu nem sabia como vestir, aí Mafê mandou bem de novo e me explicou tratar-se de uma fita de Mobius (???). Gosto muito de física, li sobre a Teoria da Relatividade, mas nunca havia sequer ouvido falar.
A fita de Mobius é uma espécie de anel paradrômico (???) e tem uma página seríssima no Wikipedia:

"Uma fita de Möbius ou banda de Möbius é um espaço topológico obtido pela colagem das duas extremidades de uma fita, após efectuar meia volta numa delas. Deve o seu nome a August Ferdinand Möbius, que a estudou em 1858.
Möbius estudou este objeto em 1858 tendo em vista a obtenção de um prêmio da Academia de Paris sobre a teoria geométrica dos poliedros. Johann Benedict Listing já tinha trabalhado sobre o mesmo objeto alguns meses antes. O fato de tanto Möbius como Listing terem estudado alguns anos antes com Carl Friedrich Gauss sugere que a gênese destas ideias esteja ligada a este matemático.
A importância do estudo deste objeto, na época, prendia-se à noção de orientabilidade, que não era ainda bem compreendida. Möbius introduziu também a noção de triangulação no estudo de objetos geométricos do ponto de vista topológico."

A Mafê, que é oceanógrafa de formação, chama o xale que fez para mim nas minhas cores favoritas de xalecol de Mobius. É mole?

Outros presentes que a Mafê me deu:
Os paninhos multifuncionais abaixo, que ela indica para muitos usos: como deixar de molho em água quente para amaciar a pele, antes de uma limpeza de pele e também no congelador e fazer uma cataplasma gelada no rosto justamente depois de limpar e esfoliar.
Eu gostei tanto que nunca tive muita coragem de usar, as cores são lindas - o que parece branco na foto é na verdade o verde mais clarinho que já vi - então, mantenho na cozinha decorando. Meu filtro parece que usa touca, mas eu gosto e quando preciso fazer iogurte ou kefir, já está à mão.






Então, lembrei que tinha outras coisas em tricô e crochê.
A foto ao lado é de um xale que foi da minha falecida avó materna, uso muito por cima de camisa social branca em dias mais frios. Fica lindo com calça básica em jeans, marfim ou cinza.


As duas fotos abaixo são de outro xale, presente de minha mãe quando foi à Provence. Nas fotos, parece uma alegoria, mas é a coisa mais simples de fazer: um retângulo em tecido de algodão, com uma única borda longitudinal em crochê-tricô. Vai ficar com a ponta quadrada (afinal é um retângulo), então arremata-se com um pedaço triangular de renda para dar o efeito de "bico" dos xales e estolas. Acho que foi tudo tingido junto depois de costurado, é o mais óbvio.
Uso quando estou toda de preto, calça, camisa, sapato e bolsa.



Na época, troquei alguns emails com Mafê e, à medida que ela contava, me sentia em contato com uma sociedade secreta de senhorinhas que guardam suas receitas à sete chaves. A Rainha Vitória estimulou o crochê, que era tido como coisa de pobre que não podia pagar pela renda francesa.

Segundo a Mafê, o bom do crochê-tricô é que quando você cansa da peça, basta desmanchar e refazer outra coisa, sugere ainda fazer as técnicas de tricô na lã e de crochê na linha. A tia dela inclusive junta um monte de restinhos e faz roupinhas de bebê no estilo Lavoisier, reaproveitando tudo. E tem um blog próprio com suas criações: By Pipitty: alegria e doçura no tricô para bebês


E existe muita gente fazendo tricô-crochê moderno por aí, veja o trabalho de Vanessa Montoro, Giovana DiasLara Koprivicae a linda técnica irlandesa de crochê imitando renda

Vanessa Montoro é o grande nome da alta costura nacional em crochê, mistura linho e seda ambientalmente correta à trama e seus fornecedores em cooperativa de fiação artesanal são referência nacional, veja o trabalho da Casulo Feliz.





Não falei que parece uma sociedade secreta? As publicações ficam escondidinhas num canto da banca de jornal no nível do chão para que nós, os trouxas, não percebamos...










A postagem demorou a sair, mil perdões à Mafê, mas só agora eu consegui fazer as fotos. Não queria posar fazendo caras e bocas e minha vizinha foi a solução: é dona de um brechó com esse incrível manequim vermelho. 
Estando no Rio, vá visitar esse brechó e antiquário tocado por 3 irmãs numa linda casa antiga de rua, Rua Professor Gabizo 286, Tijuca.



Mais informação:
Lenços
Livro Festa Vegetariana
RIO+20: de trazer na bolsa e na barriga
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas
Alguns amigos, um pequeno grande restaurante e muitos, muitos livros
Ganhei presentes (e adorei): os maravilhosos sabonetes de Sonia Orselli

Um comentário:

Rosemeire dos Santos disse...

Oi adoro seus posts me fazem repensar minhas escolhas como comentei no post sobre reciclagem artesanal pois é tbem faço tricô e crochê pra vender pra doar pra família arte antiga mas não secreta fico feliz qdo vejo o interesse de alguém em aprender e tenho prazer em ensinar e pra variar desmancha a peça que enjoou ta manchada ou com furinho lava a lã e faz outra coisa kkk detesto jogar coisa fora sempre devido a criatividade pra ver se não da pra aproveitar deixo o marido e filhos meio malucos não permito desapego sem a minha aprovação kkk