domingo, 14 de julho de 2013

Algumas hortas urbanas pelo mundo



Cidade inglesa é tomada por hortas que oferecem alimentos gratuitos a seus moradores


Todmorden é uma pequena cidade da Inglaterra, na qual seus 17 mil habitantes podem se alimentar de graça. Como? Há cinco anos nasceu o projeto The Incredible Edible Todmorden (A incrivelmente comestível Todmorden), que consiste no cultivo de hortas coletivas em espaços públicos da cidade. Todo alimento cultivado nestes locais está disponível para qualquer morador consumir. E de graça.
São mais de 40 cantos comestíveis espalhados por Todmorden: desde banheiras nas ruas até o quintal da delegacia da cidade, passando por jardins de centros de saúde e do cemitério local. A ideia é incentivar que toda comunidade cultive seus próprios alimentos e pense melhor sobre os recursos que consome.
Demorou dois anos para que a ideia de colher uma fruta, verdura ou hortaliça plantada por outra pessoa fosse aceita pela população. Na primeira reunião eram apenas seis pessoas. Hoje, o conceito já é aceito por grande parte dos moradores de Todmorden e inclusive é trabalhado na escola local. Tal prática ainda trouxe o benefício de estreitar a relação entre vizinhos. Bacana, não é?
“Não fazemos isso porque estamos entediados, mas porque queremos dar início a uma revolução”, diz Pam Warhurst, cofundadora do projeto, durante sua palestra no TEDSalon, em Londres. “As pessoas querem ações positivas nas quais possam se engajar e, bem no fundo, sabem que chegou a hora de assumir responsabilidades e investir em mais gentileza com o outro e com o meio ambiente”.
Claro que transformar todo espaço público de uma cidade em hortas comunitárias não é tarefa fácil. Mas com empenho e mobilização de vizinhos é perfeitamente possível começar a cultivar em seu bairro! Para se inspirar, leia a seguir reportagens sobre iniciativas de hortas comunitárias que estão dando certo em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil.

As hortas urbanas parisienses

"Nós nunca conversamos muito sobre isso e nunca vimos tanta ação neste sentido, as pessoas compartilham seu tomate pequeno em jardim de janela", diz Pierre Sartoux arquiteto parisiense no planejamento de laboratório agrícola.
Crescendo nas cidades do Sul e do Norte por vários anos, os movimentos de agricultura na França, principalmente em hortas comunitárias, estão estimados em 150.000 pelo presidente da Federação Nacional de loteamentos, Herve Bonnavaud. "Ele explodiu nos últimos 4, 5 anos em especial graças à crise", disse ele.

A este respeito, num estudo publicado em 2011 mostraram que é possível, com algumas mudanças na dieta, para cobrir 38% das necessidades alimentares Rennais usando superfícies dentro da cidade, incluindo 60% telhados e 35% dos parques públicos.

Um projeto semelhante está aguardando a autorização em uma área popular de Romainville, a nordeste de Paris. "A ideia é chegar a 3.000 m2 de terras agrícolas" em estufas instaladas em telhado, mas também na construção de 4 ou 5 andares, explica Pierre Sartoux.
"Romainville se tornar a primeira terra de fazenda vertical" no mundo, onde saladas, rabanetes, alho-poró e morangos irião crescer na "terra viva com composto de habitação" e não em hidroponia sem solo, onde um substrato neutro substitui terra, diz ele.
Mas Jeanne Pourias, não se esquece que uma das grandes virtudes da agricultura urbana é que se "produz mais do que alimento." "Também é um movimento cidadão, recuperando o espaço público, recriando o laço social, disse ela. Às vezes, a planta é apenas um pretexto."


Hortas ajudam a revitalizar área mais pobre de Nova York


Situada em meio a três conjuntos habitacionais do governo, a escola pública 55 é um retrato do sul do Bronx, distrito mais pobre da cidade de Nova York, que há várias décadas é sinônimo de violência, pobreza e desemprego.
Entre os alunos, 97% são provenientes de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza, a incidência de doenças é alta e as oportunidades são poucas. "Temos crianças de quatro anos de idade já sofrendo de diabetes", diz o diretor da escola, Luis Torres.

Os legumes e verduras orgânicos plantados por alunos de todas as idades representam não apenas uma alternativa de alimentação saudável em uma região onde há proliferação de cadeias de fast-food mas apenas um supermercado com alimentos frescos. São também uma forma de aumentar a renda das famílias - a produção será vendida para estabelecimentos locais - e integrar a comunidade. Nos últimos meses, porém, a escola também se tornou a imagem de outra face do Bronx: a revitalização por meio de hortas e jardins comunitários que estão transformando a paisagem da região.
O mesmo modelo é seguido em diversas outras partes do Bronx, onde hortas e jardins comunitários florescem em terrenos abandonados, telhados e até paredes.
"Os alunos cultivam os alimentos e vendem. Com as hortas, os pais e avós começam a vir até a escola. Falamos de lição de casa, de comportamento, aconselhamento. A comida se torna um denominador comum para outras questões", disse à BBC Brasil o professor Stephen Ritz, idealizador da Green Bronx Machine, organização sem fins lucrativos responsável pela horta na escola pública 55 e em mais de 30 outros locais no Bronx.
"Além disso, estamos aumentando a renda das famílias em 15% ou 20%. As famílias no sul do Bronx têm em média seis membros e renda anual de 15 mil dólares (abaixo da linha de pobreza nos EUA)", diz Ritz.

Oportunidades

Professor no sul do Bronx há 30 anos, ele conhece bem a região. "Há 17 mil pessoas vivendo aqui e apenas um supermercado. Muitos dos alunos são sem-teto. Vivem cercados por um ambiente de gangues, tráfico de drogas, prostituição. Há pouquíssimas oportunidades para os jovens", afirma.
Ritz diz que o objetivo da Green Bronx Machine é mudar essa realidade transformando qualquer espaço abandonado ou subutilizado em hortas e jardins, ensinando aos jovens técnicas de agricultura urbana que possam se transformar em uma profissão e melhorando a saúde das comunidades.
Em algumas das hortas comunitárias do bairro, cultivadas por moradores voluntários, as frutas e verduras são distribuídas para a população carente.
Segundo o professor, o interesse pelo projeto é tanto que a frequência nas aulas saltou de 40% para 93%.
Um exemplo da empolgação gerada pelas hortas é a John V. Lindsay Wildcat Academy, escola destinada a dar uma segunda chance para adolescentes que fracassaram em todas as outras. Os 475 alunos têm em comum uma trajetória de expulsões, abandono das aulas e até prisões antes de ingressar na escola.
Lá, em um prédio industrial de cujas janelas é possível avistar a ilha de Rikers, onde fica o principal complexo penitenciário de Nova York, um grupo de estudantes cuida de uma horta hidropônica e recebe treinamento culinário.

O projeto, em parceria com a cadeia de supermercados online Fresh Direct, foi iniciado há apenas oito semanas, mas já é possível ver o impacto entre os alunos.
"Eu costumo me entediar rapidamente com as atividades, mas na horta é diferente. Já fiquei até quatro horas depois das aulas trabalhando aqui. Não me canso nunca", disse à BBC Brasil a estudante Tamika McLean, 16 anos, aluna do segundo ano do ensino médio.
Tamika chegou à Wildcats após passar por várias outras escolas sem sucesso. "As escolas não eram ruins. Eu era. Estava em um buraco e não conseguia sair", diz.
Além do trabalho na horta, ela faz um estágio remunerado, pago pela escola. "Antes eu não fazia nada o dia inteiro. Agora eu quero mais para a minha vida. Quero ir para a faculdade."
Os estudantes também fazem jantares por encomenda e comandam um restaurante no local.
"Agora esses jovens têm empregos sustentáveis e treinamento. E mesmo que não se tornem agricultores urbanos, eles aprenderam a se alimentar de maneira saudável", diz o diretor da Wildcats, Marc Donald.

Movimento

As hortas e jardins comunitários se inserem em um movimento maior de revitalização do Bronx. Lojas e hotéis de luxo têm se instalado recentemente no bairro, assim como muitos ex-moradores de Manhattan em busca de aluguéis mais baratos.
Dados do Censo mostram que, no ano passado, pela primeira vez em décadas, o número de pessoas que se mudaram para o Bronx foi maior do que o de moradores que abandonaram a área.
Nascido e criado no Bronx, Ritz diz que nos últimos 30 anos muita coisa mudou. "A população cresceu, a taxa de ocupação cresceu. Há menos prédios abandonados, os negócios estão florescendo. É o bairro da oportunidade", afirma.
O idealizador da Green Bronx Machine diz que seus projetos servem de modelo para centenas de outras hortas. Servem também de inspiração para seus próprios alunos.



Darrell Francis, de 20 anos, atua ao lado de Ritz desde os 16, quando seu então professor apresentou a ideia de criar uma horta na aula de Ciências. Hoje ele instala jardins verticais e dá treinamento para outros estudantes e adultos.


"Antes eu não tinha nenhuma aspiração. A comunidade em que vivo é barra-pesada. Muitas pessoas sob influência de drogas. Gangues. Eu seria mais um deles. Mas esse programa mudou tudo", disse Francis à BBC Brasil. Ele afirma que pretende continuar o trabalho ao lado de Ritz.

"Quando o tempo dele passar, eu quero continuar seu trabalho, levar adiante sua visão. E fazer com que mais e mais pessoas tenham uma alimentação saudável."



Seattle planta floresta urbana comestível e gratuita


Em Seattle, um dos mais importantes centros culturais e financeiros dos Estados Unidos, cresce um dos mais interessantes projectos de sustentabilidade urbana do mundo. A metrópole norte-americana está a investir numa floresta urbana comestível e gratuita, situada em pleno bairro de Beacon Hill, centro da cidade, e onde estão a ser plantados frutos, leguminosas e tubérculos.
Com sete hectares disponíveis para cultivo, o Beacon Food Forest pode ser um dos maiores jardins comunitários do mundo. O projecto foi aprovado no ano passado e começa agora a fase de plantio. Serão plantas centenas de espécies diferentes, todas seleccionadas pelos membros da comunidade.
Um dos objectivos do projecto é levar os cidadãos locais – ou outros – a visitar o jardim e, caso seja possível, colherem os seus próprios frutos ou vegetais. Já foram plantados mirtilos, framboesas, macieiras, pereiras, nogueiras e castanheiras. Há também abacaxi e citrinos, goiabas e caqui. Tudo crescerá livremente.
O projecto foi concebido pelo Harrison Design, um estúdio de arquitectura e paisagismo, e poderia ser exportado para qualquer grande cidade do mundo. Paralelamente, o jardim contará com actividades culturais e de lazer.





Que tal ajudar os moradores de rua da sua cidade oferecendo alimentos que você mesmo cultivou? Essa é a ideia da mais nova iniciativa do movimento Grow Local Colorado, nos EUA: mobilizar os cidadãos para criar pequenas hortas nos parques públicos do município de Colorado e enviar toda a produção para os centros de assistência aos moradores de rua.
O projeto pretende oferecer alimentos orgânicos de qualidade para os sem-tetos e, ainda, aumentar o sentimento de respeito dos moradores pelos espaços públicos da cidade. Isso porque a ideia é que os próprios cidadãos tomem conta das hortas e, consequentemente, dos parques. As plantações ainda são cultivadas em pontos estratégicos, para que cresçam em harmonia com os canteiros de plantas e flores do local e, assim, não comprometam a paisagem.
Por enquanto, a iniciativa – que começou no segundo semestre de 2010 – possui 14 hortas, espalhadas por oito parques do município, que já ajudaram diversos centros de assistência aos moradores de rua da região. O próximo grupo que será beneficiado pela iniciativa já foi escolhido: é o Denver’s Gathering Place, que abriga crianças e mulheres que não têm onde morar e receberá cerca de 680 kg de alimentos. 
Os cidadãos do Colorado que estão participando da iniciativa estão para lá de satisfeitos e garantem que, além de ajudar os moradores de rua da cidade e contribuir para a preservação dos parques, a iniciativa faz bem a eles próprios. Isso porque, segundo eles, cultivar hortas é uma atividade muito prazerosa, que ainda está aproximando os moradores da cidade de todas as idades.




Ex-jogador de basquete cria projeto de agricultura orgânica nos EUA


Em meio à grande oferta de fast-food nos Estados Unidos, um ex-jogador de basquete escolheu investir no plantio de alimentos saudáveis. A atitude levou um bairro de Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin (EUA), a sobreviver por meio de uma produção alternativa. Atualmente, a atividade gera 450 toneladas de alimentos orgânicos por ano.
Esse é projeto Growing Power de Will Allen, ele fundou a organização sem fins lucrativos que visa inspirar a formação de comunidades com sistemas alimentares sustentáveis.
O trabalho é feito de forma conjunta e é desenvolvido com formação, demonstração da prática, divulgação e assistência. Através desse sistema, o projeto garante segurança alimentar e comida saudável e acessível a todos moradores da comunidade.
“As pessoas só podem crescer de maneira segura, saudável e com comida acessível, se tiverem acesso à terra e à água potável, estes são os pontos transformadores em todos os níveis de uma comunidade. Acredito que não podemos ter comunidades saudáveis sem sistema de alimentação saudável”, afirma Allen, no site do projeto.

O ex-jogador decidiu empregar sua vocação para a agricultura quando adquiriu um lote de terra em uma região que não havia um único mercado, mesmo sendo cercado por lojas de fast-food. Ele então implantou uma série de oficinas, de maneira que os aprendizes foram levando a técnica para outras regiões. Além dos formandos, o local também é mantido por voluntários. Juntos produzem dez milhões de toneladas de composto orgânico por ano.
No local há seis estufas convencionais e de hidroponia, que são alimentadas por 300 painéis solares e tanques de água pluvial, além de núcleos de criação de abelhas, peixes e animais de pequeno porte.
Seu trabalho foi reconhecido pela revista Time, que o incluiu na lista de cem cidadãos mais influentes do planeta. Allen também ganhou o prêmio Genius Grant de meio milhão de dólares pela MacArthur Foudation.
A notoriedade ajudou-o a dar prosseguimento ao seu projeto de agricultura urbana que se estendeu para diversas cidades dos Estados Unidos. As fazendas também fornecem alimentos para restaurantes e pequenos supermercados. 


Hans Dieter Temp: hortas urbanas


Nada mais útil para um terreno baldio do que transformá-lo em uma horta. Foi exatamente essa a ideia que o administrador Hans Dieter Temp teve ao se mudar para Suzano, no interior de SP. Em 2003, esse nobre projeto evoluiu para a ONG Cidades Sem Fome que, hoje, soma 21 hortas e emprega 110 pessoas

Bastou o administrador de empresas Hans Dieter Temp começar a cultivar uma horta orgânica no terreno baldio vizinho a sua casa, em Suzano, SP, que alguns jovens se apresentaram para trabalhar lá. A vontade de produzir contagiou mais gente e logo as hortas ganharam outras três áreas no bairro. Tudo começou porque Hans se sentia incomodado com o terreno ao lado, alvo de lixo e entulho. "Pensei: ‘Se vou morar aqui, preciso fazer algo’", lembra ele, que frequentou um curso técnico em agropecuária e políticas ambientais na Alemanha. 

A prefeitura de Suzano o convidou então para coordenar um programa de agricultura urbana - mas, quando já contava sete hortas, o projeto foi interrompido. Nada que o impedisse de continuar: fundou em 2003 a ONG Cidades sem Fome, com o apoio de empresas como Petrobras, Eco Urbis Ambiental, Fundação Interamericana de Desenvolvimento e Instituto HSBC de Solidariedade. Hoje, a ONG soma, na Grande São Paulo, 21 hortas. Elas empregam 110 pessoas e beneficiam outras centenas com alimentos orgânicos e cursos de capacitação.





Hortas que se adaptam às maiores cidades do mundo


Ultimamente temos presenciado um grande crescimento do movimento de criação de hortas dentro das maiores cidades do mundo. Tal fato talvez seja um retorno do homem à terra e a tentativa de se abandonar um pouco o mundo estressante e massificante das grandes cidades. O fato é que este movimento traz grandes benefícios para as pessoas que podem ter acesso aos produtos colhidos nestas hortas criadas nos grandes centro urbanos. A tendência mundial é de encarecimento das frutas e verduras produzidas dentro de um padrão orgânico confiável. Podemos afirmar com certeza que, hoje em dia, quem pode produzir ou ter acesso às verduras e frutas de uma boa horta urbana, é uma pessoa privilegiada! Abaixo podemos ver um interessante artigo que descobrimos na Internet e que mostra várias fotos de hortas urbanas feitas nas maiores cidades do mundo. Basta clicar no link abaixo:
Quem quiser mais algumas informações sobre a nossa comunidade alternativa de Ilhéus, na Bahia, ou ver algumas fotos desta bonita região, basta acessar o nosso site abaixo:
Um grande abraço para todos os amigos da Permacultura Social Brasileira do Ton Caldas. Comunidade Solaris de Ilhéus.



Por que precisamos de hortas na cidade


No final da semana que vem o prefeito de São Paulo Fernando Haddad deve publicar o plano de metas de sua gestão para os próximos quatro anos. Há duas semanas, um grupo de ativistas se organizou pela internet criando uma petição no Change para pedir que uma dessas metas seja a criação de hortas e compostagem na cidade. (Você pode apoiá-la clicando aqui). Resolvi dedicar então esse post a explicar por que apoio essa causa.
“Por incrível que pareça, estamos chegando a situações em que algumas cidades possuem mais biodiversidade do que certas plantações no campo”, disse-me Yves Cabannes, planejador urbano especializado em governança municipal e professor do Development Planning Unit (DPU) da University College of London (UCL). Parece um contra-senso, mas, segundo ele, o excesso de pessoas morando nas cidades aumenta a pressão sobre a produção de alimentos no campo e a resposta sempre aparece em forma de enormes escalas de monocultura, daí a diminuição de biodiversidade. “No Estado do Rio Grande do Sul, com a exportação da soja, os produtos que formavam a biodiversidade do campo estão desaparecendo”, completa Cabannes.
“A porcentagem da população que produz alimentos está se reduzindo gradativamente”, diz o especialista em agricultura urbana e também professor da DPU Robert Biel. Segundo ele, nos Estados Unidos, apenas 3% da população produz alimentos e precisa dar conta de todos os outros 97%. “Se conseguíssemos que as cidades produzissem parte da comida de que sua população precisa para se alimentar, poderíamos relaxar a pressão sobre a produção de alimentos no campo e isso permitiria que a economia rural se guiasse para uma direção mais sustentável progressivamente”, diz Biel.
Biel e Cabannes estudam práticas ao redor do mundo de agricultura urbana – plantio de jardins e hortas em áreas urbanas que têm como característica o fortalecimento de comunidades locais e, em muitos casos, o abastecimento de alimentos em uma cidade. Ao lado deles, também no DPU, trabalha o professor brasileiro Alexandre Apsan, que se especializou em outras maneiras de incorporar a agricultura urbana ao planejamento estratégico das cidades. Segundo ele, as hortas urbanas podem ser posicionadas em regiões que sofrem com enchentes e alagamentos, permeabilizando parte do solo e facilitando o escoamento da água. Áreas verdes na cidade podem também ser reguladores térmicos, quebrando com as ilhas de calor geradas em superfícies pavimentadas muito longas. As hortas urbanas ainda podem ser aplicadas como um cinturão verde, em volta da cidade, impedindo que ela cresça de maneira desordenada.
Após essas entrevistas, a agricultura urbana passou a ser um dos assunto que guiava meu olhar nas viagens com o Cidades para Pessoas. E vi vários exemplos de sua aplicação.

Na cidade de Portland, por exemplo, a permeabilização das ruas, pavimentadas com asfalto, não se mostrou a melhor opção diante do seu clima local, extremamente chuvoso (como expliquei nesse post). Em vez de olhar esse excesso de água das chuvas como um problema, a prefeitura da cidade preferiu encará-lo como recurso e criou o programa Grey to Green, transformando infraestrutura cinza em infraestrutura verde. Na prática, calçadas e sarjetas foram permeabilizadas para ganharem canteiros de plantas e telhados verdes receberam incentivo fiscal para serem implementados no maior número possível de edifícios. Em vez de correr por cima do asfalto, a água agora vai infiltrando pouco a pouco pelo solo e sendo filtrada por camadas de pedra, cascalho e terra, até chegar aos lençóis freáticos, muito mais limpa. Tanto que o nível de pureza do rio Williamette, que corta a cidade, tem aumentado a cada ano desde que o programa se iniciou, em 2008.
Já em São Francisco, a agricultura urbana é uma forma de ativismo e ocupação de espaços públicos. É o caso de Hayes Valley Farm, um enorme canteiro de vegetais e criação de abelhas para o cultivo de mel que fica na região central da cidade. A área ficava debaixo de um viaduto que teve sua estrutura danificada por um terremoto e foi demolido no início dos anos 2000. Com a permissão da prefeitura para uma ocupação em caráter provisório, um grupo de ativistas criou esse centro de agricultura urbana que recebe voluntários toda semana e possui até uma biblioteca de sementes. A cidade californiana tem vários outros exemplos interessantes, como o Please Touch e o Free Farm (saiba mais nesse post).
Em Nova Iorque, todos os terrenos públicos desocupados no bairro do Brooklyn são mapeados pelo projeto 596 Acres, que funciona como uma incubadora de organizações e associações de moradores para formalizar projetos de ocupação desses terrenos, onde, em geral, são criados parques e centros de agricultura urbana.
Em cada um desses casos, os benefícios da agricultura urbana variaram. Mas é fato que em todos eles houve um resgate do senso de comunidade e uma conexão maior com as regiões locais onde cada um vive nessas cidades.  É verdade que em nenhum desses casos a agricultura representa um abastecimento significativo de alimentos nas cidades. Mas aí entram as alianças que podem ser feitas entre a agricultura peri-urbana (cultivada bem pertinho da cidade) e os mercados e cooperativas de alimentos orgânicos.
Cooperativas como a Food Co-op, em Nova Iorque, o Alberta Grocery, em Portland e o Rainbow Grocery, em São Francisco, compram exclusivamente (ou prioritariamente) alimentos orgânicos locais e frescos de diversos produtores próximos dessas cidades para revendê-los ao publico final em áreas urbanas (saiba mais nesse post). Em São Francisco também é comum a prática dos Farmers Markets, mercados de rua em que os próprios produtores trazem os alimentos que plantam e vendem em pequenas barraquinhas. Eu fiz compras em todos eles e sabia exatamente de onde tinha vindo cada alimento. E posso dizer que nessas cidades eu comi os cogumelos, aspargos, abacates, chocolates caseiros, abóboras e pimentas mais deliciosos da minha vida.
Não sou contra a produção e distribuição industrial de comida, mas é fato que quanto mais industralizados, menos saudáveis e sustentáveis os alimentos são. Muitos deles aliás são tóxicos e responsáveis por pandemias mundiais, como a obesidade (sugiro o filme Muito Além do Peso para quem queira se aprofundar nesse assunto). E em alguns casos, as cadeias industriais podem gerar contaminações, a exemplo das bebidas de soja da marca Ades, que foram retiradas do mercado após uma contaminação com produtos de limpeza. Combinar a possibilidade de um abastecimento mais saudável e sustentável de comida nas cidades a legados positivos como mais mais áreas verdes e espaços de interação comunitária é uma bela equação que já vi dar certo na prática.


Morte de árvores associada a aumento de mortes humanas


Não é segredo que as plantas desempenham um papel essencial na saúde do nosso planeta. Mas um novo estudo sugere que, à medida que as árvores à nossa volta diminuem, a tendência pode estender-se ao número de vidas humanas.
Ao longo da última década, morreram cerca de 100 milhões de árvores em todas as regiões leste e oeste dos Estados Unidos, vítimas do devastador besouro-verde. Desde que chegou aos Estados Unidos em 2002, o besouro invasor atacou árvores ao longo de 15 estados.
Apesar de este insecto não ter um impacto directo sobre outra coisa que não árvores, a destruição que causa parece ligar-se intimamente ao reino humano. Uma equipa do Serviço Florestal dos Estados Unidos tentou perceber o efeito que a morte de todas estas árvores tem na saúde humana.
Os investigadores examinaram dados da mortalidade de 1.296 municípios onde os besouros-verdes estão presentes e comparam-nos aos valores pré-invasão, de 1990 a 2007. Depois de ajustarem as conclusões para algumas variáveis demográficas, como rendimento e educação, a equipa descobriu uma relação surpreendente: menos árvores combinam-se com mais mortes humanas.
Treehugger revela que se registou, de facto, um aumento da mortalidade associada às doenças cardiovasculares e respiratórias em municípios infestados pelo besouro-verde. No total, a acção do besouro foi associada a 6.113 mortes ligadas a doenças respiratórias e 15.080 mortes cardiovasculares adicionais.
A invasão do insecto permitiu neste contexto uma análise única da ligação entre as árvores e a saúde humana, mas a verdade é que, considerando os níveis de desflorestação, a realidade não há-de ser muito diferente em outras partes do mundo.
É necessário começar a pensar nas árvores como parte da nossa infra-estrutura de saúde pública. Elas não embelezam só a paisagem – têm um papel fundamental na qualidade de vida das pessoas.

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2 comentários:

alexandre e alana disse...

A importância de hortas nas cidades, além da saúde é aproximar as crianças da natureza e acreditarem no milagre da vida!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

No mínimo vão saber que existem mais coisas do que games e shoppings :-)