domingo, 7 de julho de 2013

Bioconstruções com Bambu




Vantagem absoluta: construir com o bambu retirado de 1 acre, equivale a não desmatar 12 acres de madeira da floresta e que essas mesmas árvores levam 20 anos para atingir sua maioridade contra os 2 a 3 anos do bambu.
Fonte: Bamboo Living


Bambu – Prós e contras

Na Colômbia, os pobres constroem com bambu enquanto os mais ricos constroem com cimento. Depois do terremoto de janeiro de 1999, extensas áreas residenciais de classe média foram destruídas, mas as casas de bambu permaneceram de pé. Apesar da comprovada resistência do bambu aos terremotos, esse material não tem credibilidade como um material de construção.O bambu alcança tal resistência e altura que as plantações dessa matéria-prima podem produzir postes de até 9 metros para construir cidades inteiras. Para vencer o preconceito de que o bambu é somente para casas “pobres”, as casas na Colômbia são construídas com a mesma aparência externa que as residencias de alto nível: com paredes de arame cobertas com uma fina camada de concreto e teto de telas. A diferença é que as paredes, o primeiro piso e o teto não estão apoiados no concreto, mas sim num bambu forte e flexível, o qual resistirá a até um terremoto mais violento. O que atrai o governo é que a casa de três quartos custa 1.600 dólares, a metade de uma de concreto.
Colheita e armazenagem
Existem no mundo cerca de 600 espécies botânicas de bambu. O bambu é um plantação gigante que cresce a uma velocidade de 13 centímetros por dia. Em seis meses, medirá mais de 10 metros e alcançará a maturidade aos três anos. Em quatro ou cinco anos, o talo dessa planta, que é oco, fica suficientemente forte e resistente para suportar uma casa.
A colheita deve ser realizada durante a temporada seca para que os troncos do bambu tenham um baixo conteúdo de umidade, o que facilita seu transporte e diminui a possibilidade de um ataque de fungos e de apodrecimento. Uma vez que é cortado, o talo volta crescer rapidamente. Devem ser coletados apenas os troncos adultos porque os jovens fornecem alimento ao bambu. É importante que não se corte muitos troncos da mesma planta, pois isso causa um dano irreparável que,a longo prazo, pode causar a morte da planta.
O bambu deve ser armazenado sob uma cobertura para se proteger da chuva e, de preferência sem encostar no solo. O solo deve estar limpo, sem lixo e livre de cupins. É fundamental que exista uma boa ventilação. Se o bambu fresco for armazenado em posição vertical estará seco em quatro semanas, e se estiver armazenado horizontalmente, demorará o dobro para secar. Se o bambu secar rápido demais, pode rachar.
Construir com bambu
A construção com bambu é uma tecnologia bastante simples que não prejudica o meio ambiente. Nela são usados materiais locais e o bambu é retirado de uma plantação renovável de bambu próxima e se protege através de um húmus natural. Nada é desperdiçado ou importado já que os mesmos habitantes locais podem construir com bambu e defumá-lo com aparatos feitos em casa.
O bambu é um material de construção esteticamente bonito e apropriado para uma área propensa a terremotos. A estrutura do bambu mantém muito bem sua forma durante um terremoto porque é flexível e resistente. As casas de bambu podem ser atraentes, econômicas e, se bem planejadas, podem durar bastante. Em geral, o bambu é mais forte que o aço.
Ainda que uma casa possa ser inteiramente construída com bambu (com exceção da chaminé), geralmente ele é combinado com outros materiais de construção como a madeira ou argila, dependendo de sua disponibilidade, idoneidade e custo.
Unindo várias peças de bambu é possível construir uma estrutura grande. O bambu é cortado em seções ocas de cerca de 15 cm. Para formar um conjunto, faz-se um pequeno orifício em uma seção única que é cheia com concreto e na qual se coloca uma vareta de aço. É importante que o elo na estrutura de bambu, seja colocado na emenda ou o mais próximo possível à emenda. Essa técnica pode ser usada para suportar arcos ou tetos amplos. O cimento adiciona força sem reduzir a flexibilidade do bambu.
Proteção do bambu
O bambu é um material ideal à prova de terremotos, mas deve ser tratado para proteção contra insetos, os quais atacam o centro do bambu, a parte que possui mais amido e açúcar. Anteriormente, só era possível proteger o bambu do ataque de insetos mediante o uso de produtos químicos caros e importados da Europa, mas agora são usadas lascas do próprio bambu para produzir um inseticida natural.
As grandes caixas onde se defuma o bambu já cortado para a construção são acesas com pedaços das plantas. Essas lascas exalam um ácido pirolítico natural que protege o bambu contra os insetos. Depois desse tratamento, o bambu será resistente aos insetos durante 100 anos.
Vantagens do bambu
O bambu é relativamente forte e rígido.
O bambu pode ser cortado com ferramentas simples.
A superfície do bambu é dura e limpa.
O bambu pode ser cultivado em pequena escala.
O retorno do capital é mais rápido do que se fosse usada madeira.
As estruturas de bambu são flexíveis durante tormentas e terremotos.
O bambu pode ser usado com sucesso para reforçar um terreno deficiente, como por exemplo evitar desabamentos de terra ou para reforçar um caminho.

Desvantagens do bambu
O bambu tem uma durabilidade natural baixa e necessita de tratamento
O fogo representa um grande risco
Os talos do bambu não são totalmente retos, são estreitos. 
As emendas estão a distâncias diferentes e podem ser importunas quando se trabalha o material.
A normalização é praticamente impossível devido à variação dos tamanhos.




Bambu da bica à boca


Quem bebeu água fresquinha trazida da fonte por um encanamento de bambu já pode dizer que conhece uma das melhores coisas da roça!
Em Minas Gerais tem muito disso: encanamentos de bambu espalhados pelas serras boas de bica, servindo de transporte barato, prático e saudável. Mas a tecnologia não se restringe ao sertão mineiro ou à água de beber. E nem é assunto apenas para matutos: também é objeto de pesquisa nos ramos da engenharia agrícola, engenharia civil, arquitetura e saneamento.
No mundo, são conhecidas cerca de 1250 espécies de bambu, cuja família é a das gramíneas. No Brasil, são 230 espécies nativas e 50 trazidas por colonizadores e imigrantes, oriundas principalmente da Ásia e da África, conforme nos contaRaphael Moras de Vasconcellos, fundador da rede virtual Bambu Brasileiro. Existem extensas florestas de bambu no Acre e fronteiras afora, formando uma mancha de aproximados 180 mil quilômetros quadrados no sudoeste da Amazônia, facilmente identificável em imagens de satélite. A espécie predominante nestas florestas é Guadua weberbaueri.
Os bambus mais usados em construçõesdecoraçãoartesanato e para otransporte de água, porém, são os introduzidos, que em alguns locais chegam formar touceiras espontâneas. “Os bambus nativos têm as mesmas propriedades dos exóticos e alguns têm o diâmetro apropriado para servir como encanamento, como Guadua chacoensis. Tecnicamente, poderiam ser usados nas mesmas aplicações, mas o acesso é mais difícil, pois pouca gente os planta e sua retirada das matas está sujeita às mesmas restrições das árvores”, explica Marco Antonio dos Reis Pereira, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru.
O estudo do bambu em sistemas de irrigação foi tema de sua pós-graduação, mestrado e doutorado. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Pereira fez a caracterização física e mecânica do bambu, além de criar modelos de colheita e manejo, de fácil assimilação por agricultores. “O bambu tem alta eficiência no transporte de água, é muito mais barato do que oscanos de PVC e não tem impactos ambientais como os da produção de PVC”, diz. “No caso da irrigação, as paredes do bambu são suficientemente espessas para permitir a fixação de aspersores comuns, suportando a pressão da água, como um cano. E se o sistema de irrigação é por gotejamento é mais fácil ainda: basta furar o bambu e instalar os ‘espaguetinhos’ de condução da água”.
Segundo o engenheiro agrícola, qualquer agricultor pode montar seu próprio sistema de irrigação, tirando os nós internos do bambu com um metal afiado ou com uma espécie de broca caseira e unindo as peças com borracha de câmera de pneus ou encaixes simples. Na instalação, o maior cuidado deve ser proteger o encanamento do sol e da chuva, para aumentar sua durabilidade. Em geral, enterrar o encanamento a pouca profundidade já resolve a questão.
“Mesmo sem tratamento, o bambu aguenta cerca de dois anos de uso contínuo, desde que seja colhido maduro. Com tratamento à base de fogo ou água, pode durar mais. Existem ainda tratamentos químicos contra fungos e cupins, mas não convém usar quando se transporta água. É melhor simplesmente substituir o pedaço danificado quando for o caso”, observa Pereira. Se o sitiante tem a moita ali à mão, na propriedade, é só cortar um bambu novo e fazer a substituição.
Para os mesmos agricultores ou até para comunidades isoladas, sem serviço de água e esgoto, o bambu tem outra utilidade preciosa: a filtragem da água. O pesquisador Adriano Luiz Tonetti montou um reator biológico com anéis de bambu para tratar esgoto na Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (FEC/Unicamp). Com isso, deu início a uma longa pesquisa de alternativas de filtragem mais populares, acessíveis e sem químicos.
O reator pode ser montado num tonel enterrado, só com areia, cascalho e pedaços de bambu cortados em anéis de 2 a 3 centímetros de largura. “O esgoto entra por baixo e sobe por pressão, passando pelo filtro lentamente. O bambu funciona como estrutura à qual aderem microrganismos digestores de matéria orgânica (presentes no próprio esgoto). Visualmente, a água que sai do sistema poderia ser considerada de classe 1”, afirma o pesquisador. “Claro que, em se tratando de esgoto, existem patógenos não visíveis, portanto a água não é potável e deve ser aproveitada apenas como água de reuso”.
Conforme as diversas avaliações realizadas pelo grupo de pesquisa, o bambu é muito mais eficiente do que as pedrinhas na filtragem, pois possui microestruturasintegralmente preenchidas pelos microrganismos enquanto nas pedras eles permanecem apenas na superfície. Recentemente, Tonetti passou a trabalhar também com cascas de coco verde em sistemas de filtragem semelhantes, porém de maior volume. As cascas são resíduos problemáticos, devido ao tamanho e à dificuldade de decomposição, razão pela qual diversos pesquisadores buscam alternativas de reaproveitamento. No sistema de filtragem da Unicamp, elas podem substituir o bambu.
“Ainda estamos testando a durabilidade das cascas de coco, mas a durabilidade do bambu é muito grande: nos primeiros reatores que montamos, há dez anos, ainda funcionam os anéis originais, nunca houve troca, e temos relatos de sistemas semelhantes, feitos no Japão, com mil anos de uso!”, observa Tonetti. Ele conta que um sistema de filtragem com bambu será montado no próximo ano, em umaescola rural da região de Campinas, com apoio do Comitê das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). É o primeiro passo para difundir o sistema detratamento biológico pelos interiores excluídos das redes de coleta de esgotos.
Bom para os moradores dessas regiões e excelente para a qualidade da água dos rios, que passarão a receber uma carga menor de dejetos!





Uma vila com casas feitas de bambu na Indonésia alia beleza e sustentabilidade

O paraíso existe e tem nome: Green Village, em Bali, na Indonésia. Muito bem localizado, entre uma região abençoada por lindíssimas praias, um rio e muito verde, esta vila adotou um conceito sustentável diferente. Todas as casas foram feitas a partir do bambu, incluindo os cômodos e os móveis, como cama, mesa, cadeiras e, acreditem, a cobertura do vaso sanitário. O bambu é um material que cresce rápido (em média três anos), é resistente e de fácil manuseio. As casas foram construídas por alunos de uma comunidade local, que recebem percentuais em cima dos imóveis vendidos. Há casas de bambu para venda e aluguel de um dia, um mês e até mesmo um ano. Além da bela paisagem e acesso aos points de Bali, o visitante também pode receber em casa comida orgânica.





Arquitetos indianos criam prédio de bambu resistente a terremotos


Arquitetos indianos criaram um prédio de bambu resistente a desastres naturais. O conceito habitacional é uma edificação de três andares construída sobre palafitas e com um núcleo resistente a terremotos, ventanias e tempestades. O projeto inclui a coleta de água da chuva, reciclagem de água, plantações e espaço comercial para que o empreendimento se transforme em uma comunidade sustentável.
No grupo, estão os arquitetos Komal Gupta, Vasanth Packirisamy, Vikas Sharma, Sakshi Kumar and Siripurapu Monish Kumar. O objetivo foi criar uma comunidade ecológica com unidades de habitação, dois centros comunitários, instalações médicas, creche, mercado, uma biblioteca e um amplo espaço verde ao ar livre, com resistência aos eventos naturais extremos.
O núcleo central da construção é equipado com água e energia. São três apartamentos por andar e cada um deles tem cozinha e banheiro. Além disso, um deck de bambu pode ser convertido em uma sala de estar e quarto. Já os centros comunitários são construídos fora da terra para evitar inundações, com materiais resistentes para suportar os desastres. A água da chuva também é recolhida por meio de telhados e armazenada em um tanque, na parte inferior da estrutura.
Então, caso aconteça uma forte tempestade, os apartamentos de bambu até podem ser destruídos. Porém, o núcleo – à prova de desastres – permanece. O que for destruído poderá ser reconstruído de forma rápida e barata. O projeto foi criado para participar da competição de arquitetura “Design Against the Elements”, com empresas do mundo tudo. A iniciativa do evento aconteceu depois da devastação causada pela tempestade tropical Ondoy, nas Filipinas.


Soe Ker Tie Hias - A Casa das Borboletas. A forma especial do telhado das casas permite uma ventilação natural eficaz, ao mesmo tempo que recolhe a água da chuva. (Imagem: Pasi Aalto)

Arquitetos constroem vila sustentável de bambu para refugiados na Tailândia


A TYIN Tegnestue é uma organização sem fins lucrativos de ajuda humanitária que atua por meio da arquitetura, através de seis estudantes da NTNU (Norwegian University of Science and Technology), Pasi Aalto, Andreas Grøntvedt Gjertsen, Yashar Hanstad, Magnus Henriksen, Line Ramstad e Erlend Bauck Sole - Os projetos colocados em prática pelo grupo são financiados por mais de 60 empresas norueguesas e também por contribuições pessoais.

Os arquitetos trabalharam com planejamento e construção de projetos de pequena escala na Tailândia. O objetivo do grupo, desde o começo, sempre foi construir projetos estratégicos que pudessem melhorar a vida das pessoas em situações difíceis. Através da extensa colaboração com os locais e aprendizagem mútua, eles esperam que os projetos possam ter impactos maiores além das estruturas físicas. 

No outono de 2008 a TYIN viajou para Noh Bo, uma pequena aldeia na fronteira entre a Tailândia e a Birmânia. Lá a maioria dos habitantes são refugiados de Karen, muitos deles crianças que ficam hospedadas em orfanatos.

Foi em uma dessas instituições que o sexteto norueguês conheceu Ole Jørgen Edna de Levanger, que desde 2006 atende crianças nessa situação em seu orfanato. O local abrigava 24 crianças, mas esse número iria aumentar para 50 e a estrutura não suportaria acomodar todas elas. Para ajudar Edna, os arquitetos deram início ao projeto Soe Ker Tie, que foi concluído em 2009. 

O principal motivador do projeto era conseguir proporcionar às crianças uma estrutura parecida com a que elas teriam morando em uma casa com uma família tradicional. Eles queriam que cada criança tivesse seu próprio espaço privado, uma casa para morar em um bairro e onde eles pudessem interagir e brincar. Os seis dormitórios criados no local são a concretização disso. 

Por causada da aparência dos telhados, os edifícios foram nomeados de Soe Ker Tie Hias pelos trabalhadores locais, que em português significa“A Casa das Borboletas”. A técnica de tecelagem de bambu usada na lateral e fachadas é a mesma utilizada nas casas de artesanato local. A maioria do bambu é colhida a poucos quilômetros do local. A forma especial do telhado das casas permite uma ventilação natural eficaz, ao mesmo tempo que recolhe a água da chuva. Isso torna as áreas do torno dos edifícios mais úteis durante a estação chuvosa, e dá a possibilidade de coleta da água em períodos mais secos. 

Ao construir os edifícios em quatro fundações feitas em pneus velhos; problemas como umidade e podridão na construção são impedidos. Após seis meses de um processo de aprendizagem mútuo com os moradores em Noh Bo, os arquitetos esperam ter deixado para trás algo de útil. Princípios importantes como bandagem, economia de material e prevenção de umidade podem eventualmente levar a uma tradição de construção mais sustentável no futuro.


Casas dobráveis de bambú inspiradas em origami projetadas para servir como abrigo temporário para vítimas de terremotos. (Imagem:Divulgação)

Arquiteto chinês se inspira em origamis para desenvolver abrigos temporários


As casas dobráveis de bambú de Ming Tang, inspiradas em origamis, foram projetadas para serem utilizadas como abrigo temporário para vítimas que estão sofrendo as consequências de um terremoto. 

Com muita simplicidade, os abrigos geométricos são construídos a partir de materiais renováveis, podendo ser dobrados em uma variedade de formas estruturalmente sólidas. Seu design elegante, foi homenageado em 2008 como uma referência notável  na competição Re:Construct patrocinado pela Urban Re:Vision, de São Francisco, Califórnia. 

Ming Tang teve a ideia de planejar essas casas após um terremoto de magnitude 7,9 na escala Richter que atingiu a China central em maio de 2008, matando 69 mil pessoas. Ao saber que o Governo chinês planejava criar até 1,5 milhões de lares temporários, o arquiteto decidiu projetar um abrigo que fosse facilmente produzido, barato e ambientalmente correto.
Suas casas geométricas dobráveis são dinâmicas e podem se adaptar para responder às necessidades em diferentes situações. 

O conceito utiliza um sistema de varas de bambú que estão pré-montadas em rígidas formas geométricas. A geometria destas formas fornece integridade a cada estrutura, permitindo uma gama de estruturas modulares leves e fáceis de serem montadas em fábricas e transportados para seus destinos. Uma vez construídos, os abrigos são cobertos com papel reciclado.


A construção de uma imensa ponte de bambu em Bali (foto que ilustra a postagem):




Na Costa Rica, a casa construída em bambu e adobe:




O uso de andaimes de bambu em Hong Kong, veja como constroem as estruturas em segundos e sua aplicação em construções modernas de grande porte, como os arranha-céus da cidade:




Os cursos da EBioBambu em Visconde de Mauá, 2009 e 2010:








Campanha Adote um Bambu – Instituto Flou

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Governo federal aprova política nacional do bambu para erradicar pobreza

Parte dos 80,25 milhões de hectares das terras produtivas ocupadas pelos 4,3 milhões de imóveis rurais de agricultores familiares, segundo Censo do IBGE de 2006, poderá ser dedicada ao manejo sustentável e ao cultivo do bambu com apoio do governo. É o que diz a Lei do Bambu (Lei nº 12.484/2011) publicada nesta sexta-feira (9) no Diário Oficial da União (DOU), a qual institui a Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu (PNMCB). A Lei do Bambu vai incentivar o manejo sustentável e o cultivo somente das espécies nativas e entre os agricultores familiares.

Apesar de definir apenas as diretrizes gerais da política ainda a ser regulamentada, a nova lei é considerada um avanço histórico e o primeiro passo do governo federal no sentido de regulamentar a produção da gramínea nativa e de transformá-la em ativo ambiental para desenvolvimento socioeconômico regional, de forma que efetive o aumento de renda dos agricultores familiares e funcione como um dos mecanismos para erradicação da pobreza nesse segmento social. Com a lei, o governo federal vai incentivar a transformação dos bambus brasileiros em floresta capaz de gerar emprego, renda e até créditos de carbono.

No Brasil há cerca de duzentas espécies de bambu que vão garantir essa revolução no campo. De acordo com a engenheira florestal e técnica especializada em manejo do Departamento de Florestas da Secretaria de Biodiversidade e Florestas (SBF) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Cristiane Pinheiro, a gramínea favorece a agricultura familiar e as políticas públicas de conservação e de preservação do meio ambiente porque é uma espécie de fácil propagação, cresce rápido, neutraliza carbono, oferece simples manuseio e, além de servir como matéria prima para a indústria moveleira e a construção civil, ela compõe também a indústria alimentícia.

A grande variedade de utilidades do bambu e suas potencialidades econômicas, sociais e ambientais foram as principais justificativas para a criação dessa política. "Acredita-se que o incentivo da cultura do bambu possa ser um instrumento importante para redução de desigualdades sociais e aumento no setor agrícola, em especial entre os agricultores familiares", afirma Cristiane. Contudo, segundo ela, seu cultivo precisa de manejo sustentável porque, em virtude da fácil propagação, ela pode se tornar uma praga e ameaçar a vegetação natural das regiões.

O agricultor familiar que enveredar pelo cultivo e manejo sustentável do bambu poderá aumentar mais ainda a própria renda com a manufatura de sua produção. "Ele poderá não apenas plantar com o incentivo do governo, mas também produzir vários tipos de objetos e também alimentos com as varas do bambu. Desde uma cadeira, um biombo, um painel até estruturas para construção civil e brotos para a indústria alimentícia, tudo isso ele pode fabricar com essa vegetação", explica a engenheira florestal.

De acordo com as diretrizes definidas pela nova lei, o governo vai incentivar a produção de colmos, extração de brotos e obtenção de serviços ambientais, bem como à valorização desse ativo ambiental como instrumento de promoção de desenvolvimento socioeconômico regional. Deverá também valorizar o bambu como um produto agro-silvo-cultural e beneficiamento, em especial, nas regiões de maior ocorrência de estoques naturais da espécie.

A lei determina também, dentre outras ações a ser regulamentadas por novas leis, os instrumentos da política e as competências, tais como o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico voltados para o manejo sustentado e cultivo, bem como à garantia de crédito rural para o agricultor familiar, o oferecimento de assistência técnica, a certeza da certificação, o estabelecimento de parcerias, o estímulo ao comércio e o incentivo ao intercâmbio com instituições congêneres nacionais e internacionais.

A Lei nº 12.484/2011 aprovada nessa quinta-feira (8) pela presidente da República, Dilma Rousseff, e assinada pelos ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; da Fazenda, Guido Mantega; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Mendes Ribeiro Filho; e pelo ministro Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, é produto dos Projetos de Lei (PL) 326/2007 e do PL 1.180/2009 (da Câmara dos Deputados). 

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