quinta-feira, 11 de julho de 2013

Clonagem de cães? O vira-lata é a evolução da espécie!





"Vira-latas são lindos, feio é o seu preconceito."


Estava lendo a reportagem 5 Ways Biotech Is Changing Our Pets and Wildlife sobre o livro Frankenstein's Cat da jornalista Emily Anthes e fiquei pensando no que é exatamente um cão doméstico.

O cão doméstico atual é o resultado de milhares de cruzamentos a partir do lobo selvagem para chegar no produto encontrado à venda no pet shop. Cruzado entre os exemplares escolhidos a dedo, como se faz com cavalos de raça, em seleção artificial que elimina os filhotes que porventura nasçam com defeitos ou características indesejadas.

Então, se a Teoria da Evolução procede (e eu acredito piamente que sim), meus 3 vira-latas que nunca ficaram doentes, são a evolução da espécie Canis lupus familiaris, o mais antigo animal domesticado pelo homem. Como eu, mulher e latina-mestiça, sou a evolução de muitas raças que se misturaram entre os descendentes que sobreviveram aos tempos pré-antibiótico e penicilina. Nós somos uma espécie em evolução constante, todos nós, terráqueos humanos e não-humanos, como os cães.

Nascida e criada num país mulato e mestiço, fico pensando de onde vem essa busca pela raça perfeita em cães, se nem os tutores podem definir a qual grupo racial pertencem.

Na verdade, a busca pela melhor raça de cão é uma ilusão. Meus 3 cães foram adotados, a última foi inclusive comprada de um morador de rua após ser abandonada por um tutor irresponsável, que não castrou seu animal e permitiu uma cria que não pode arcar.

Estava então no supermercado, comprando ração quando vi as embalagens da Pedigree e imediatamente lembrei da cara de 2 dos meus cães, Margarida e Pipa, que são idênticas aos cães das embalagens.
Curioso ver que uma ração inicialmente vendida como "os campeões do pedigree" (Pedigree Champ em tradução livre) é justamente a que hoje mantém o Projeto Adotar é tudo de bom e usa vira-latas como garoto propaganda.

As fotos são minhas, de celular, feitas no supermercado do bairro, poderiam ter definição melhor, mas mostram o que interessa: esse cão perfeito com cara de garoto-propaganda de anúncio de ração está esperando por você no abrigo-marquise mais próximos.


 






Na verdade, quando você compra um cão "de raça" no pet shop, você está financiando uma das formas mais sujas de comércio inventada pelo homem. 
Pense como negociante: Por que manter boas condições e um único cão por jaula, se mais cães produzem mais filhotes que podem ser vendidos mais rápido com mais lucro?
Se o seu produto é filhote, então nada mais "natural" que a produção seja acelerada para aumentar sua margem de lucro e cobrir os custos de alimentação e vacina da mãe.
Aliás, falando nessa mãe, você já parou para pensar que a vida dela é parir até morrer (provavelmente de parto na milésima ninhada)? Que, contrariando todos os seus instintos naturais, ela não vai escolher seu parceiro sexual e será estuprada pelo macho escolhido por alguém que nem é da espécie dela, um humano?

Da mesma forma que não existe nada de idílico e agropastoril num matadouro, a criação de cães também é uma linha de produção industrial e covarde da supremacia de uma espécie sobre outra que não pode se defender.

Aqui no blog, há uma postagem específica sobre (os fimes da) Libertação Animal, que mostra a verdade sobre as fazendas de cachorrinhos para compra e venda no filme Puppy Mill  (narrado e apresentado por Charlize Theron). Gostou do Puppy Mill? Então assista à Segredos do Pedigree também!

Mesmo que seu sonho seja um cão de determinada raça e que nada acima o tenha convencido, lembre que já existem mais cães do que pessoas no mundo e que não há lares para todos. Não permita que esse comércio continue, afinal cada casal de cães não castrados pode gerar indiretamente até 80.000.000 de descendentes em uma década. Adote e castre por uma questão de saúde pública, animais nas ruas são vetores de doenças e um quadro social triste de assistir. 



Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos. Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita.






Uma das minhas cães, Olímpia, é uma vira-lata provavelmente mestiça de pitbull (tem cara de pit, mas a origem só Deus sabe), a que me deu menos trabalho diga-se em honra dela.
As outras 2 já citadas, Margarida e Pipa, são claramente mestiças de labrador, um cão usado como guia de cegos. Entretanto, dão muito mais trabalho que a pit mestiça...
Nos anos 70, o inimigo era o pastor alemão (hoje cão escolhido pelas Forças Armadas para combate exatamente pela disciplina). Nos anos 80, foi a vez do fila e do doberman. Nos 90, do rottwailer...
Hoje, todos considerados adestráveis e a bola da vez passou pro pitbull.
A culpa é de quem adestra e cria, nunca do animal. A raça é o de menos, caia na real.






Os cães daqui de casa - adotados, castrados, microchipados e de coleira com plaquinha de identificação (tudo nos conformes):
Olimpia
Margarida
Felipa (Pipa)






Mais informação:
Clonagem de salmão
(os fimes da) Libertação Animal
Porque castrar seu animal de estimação

Nenhum comentário: