segunda-feira, 1 de julho de 2013

Come-se pelas ruas da Tijuca

O título da postagem é uma homenagem à Neide Rigo, que mantém o melhor blog de gastronomia do país, o Come-seNeide, que é nutricionista de formação e membro do Slow Food, fotografa espécies comestíveis que encontra pelas ruas da cidade, colhe, prepara lindos pratos e ainda chegou a organizar um evento onde todos saíram em bando à caça dessas espécies com direito à preparo posterior das receitas na cozinha da casa dela.

Então, morando num bairro muito arborizado, notei algumas espécies vegetais pelas ruas e saquei as fotos que pude, sem maiores preocupações, algumas foram do meu celular mesmo. 

Existem milhares de vantagens em morar em bairro arborizados com ruas de casas preservadas. Uma pena ver que o carioca está aproveitando o boom imobiliário da Copa-Olimpíada e vendendo ruas inteiras para que prédios subam no lugar. Poderiam aproveitar para fazer uma resistência pacífica e manter seu patrimônio arquitetônico de pé através das muitas Associações de Moradores, é mais inteligente e traria mais resultados do que levantar faixa em manifestação.
Por morar justamente no sub-bairro do Maracanã, todos os dias, vejo uma placa de "vende-se" em casas distintas, seus proprietários devem achar que estão fazendo um grande negócio. 
Para mim o nome desse negócio é favelização vertical urbana e não traz nada de bom, apenas o que já conhecemos: engarrafamentos, especulação imobiliária, fechamento do comércio tradicional, aumento do volume de lixo, etc.
Mas chame do que quiser, até de falta de visão de longo prazo, ganância, atentado estético ou crime contra o patrimônio - é o caso.
O que mais me impressiona é que essas mesmas pessoas são as que falam "Quando eu era criança, a Tijuca era um bairro lindo, só de casas, acabaram com tudo". Se você vende ou compra, é você quem financia esse sucateamento urbano. Não foram os marcianos, fomos nós.

Mas voltemos ao que é de comer. Não tenho o olhar apurado e conhecimento técnico da Neide, devo ter deixado passar muita coisa nos meus trajetos diários, mas o que notei segue abaixo:


A mangueira do meu vizinho, uma das milhares do bairro, que providencia mangas eventuais, devoradas pelos meus cães antes de eu descobrir que caíram na minha área.





Duas jaqueiras, a primeira na esquina da Vicente Licínio com Campos Sales e a segunda em rua de moradores com maior senso de oportunidade, a Oto de Alencar













Ainda na Vicente Licínio, um canteirinho de 1m x 1m com bananeira e pimenteira.
















Ainda na Oto de Alencar, onde adoro levar meus cães para passear, uma pitangueira espremida num canteiro.

















Dois mamoeiros no meu trajeto diário da Professor Gabizo, ambos em casas de vila que dão para a rua.






Ainda na Professor Gabizo, uma raridade, um pé da trepadeira Nigauri, o melão de São Caetano







Outro mamoeiro, na Rua Dulce.























Na rua mais movimentada do bairro, mais um mamoeiro em fruto.





E dá-lhe mamão, na Afonso Pena e na Felipe Camarão respectivamente






Na Lúcio de Mendonça, onde meus avó moraram no final da vida, um mamoeiro com rede de contenção para não perder os frutos que caem ao amadurecer e uma jaqueira carregada.







































Outra jaqueira em fruto, Dr. Satamini quarteirão entre a Afonso Pena e a Professor Gabizo.




















A laranjeira em fruto da Visconde de Cairu, onde já morei também.

 












Ainda na Visconde de Cairu, amoreiras em fruto "sujando" a calçada.







Outras amoreiras, na Mariz e Barros, quase esquina de São Francisco Xavier. Sujam tudo mas a gente adora assim mesmo. 








A romãzeira da última casa do último quarteirão da Campos Salles, quase na Mariz e Barros.



As bananeiras em fruta da esquina da Pedro Guedes com Ibituruna, no trajeto diário dos estudantes da Universidade Veiga de Almeida, que nem reparam nelas.










A pitangueira em fruto da única casa art déco da Pedro Guedes.



















Jamelão em fruto "sujando" a calçada, na Mariz e Barros em frente ao hortifruti.





















Dois jambeiros em fruto, ambos na Campos Salles, o primeiro em frente à lateral da Praça Afonso Pena e o segundo na esquina da Travessa.






























Um simpático cajueiro em fruto na saída da Radial Oeste, dá cajus que caem pelo muro do Batalhão Militar na esquina da Gal. Canabarro.








A moça abaixo, responsável pelo estacionamento do Hospital Gafrée Guinle oferecia frutinhas aos que passavam na calçada, achei o gesto simpático e resolvi experimentar. Eram pitombas que ela colheu da árvore dos jardins do Gafrée e ensinava a comer.




A pitomba na minha mão, tem gosto de lichia (com menos polpa) e a pitombeira dando sombra:





Passando no Gafrée, que aparece no meu guia slow informal como ponto de doação de sangue no bairro, não deixe de dar a volta no quarteirão e visitar a linda capelinha de Nossa Senhora da Conceição do Brasil, toda em estilo Manoelino e considerada uma das mais charmosas da cidade.






Não é de árvore de rua, mas vem das árvores de conhecido:

Seu Alex, o vendedor de cupuaçu da Feira (convencional) da Rua Professor Gabizo às quintas que também aparece no meu guia slow informal do bairro - foi nessa feira que descolei meus caixotes que virariam os móveis daqui de casa.
Ele vende pouca coisa, água de coco, mel de abelhas, sal com sete temperos (bom, comprei há alguns anos e durou muito), sucos e sacolés de frutas exóticas, imensos cupuaçus trazidos de Magé e de vez em quando, uma ou outra excentricidade que traz quando estão na época.
Atende encomenda, 21 9364-2653 / 2659-5676


A pupunha em fruto e talo:






Os pés de cupuaçu e açaí em muda para plantio e o limão galego de quintal. E também na minha geladeira, que adoro limão galego e uso em tudo, querendo receitas com ele, a ferramenta de busca do blog pode ajudar.







Não é de comer, mas vale o registro, o pé de Pau Brasil com placa na Moraes e Silva
















As aventuras da Neide que já andaram por aqui:
Fazendo baton em casa
Falafel, Kibe e Abará de acarajé
As frutas que ninguém come mais
Pigmentos naturais para comer, vestir e decorar
Hortaliças em extinção pelas tentações da cidade grande
A tapioca de coco com banana e canela em doce de leite de tahine com melado de cana



Para Tijucanos e amantes do bairro em geral: Comprando orgânico, justo e local na Tijuca


2 comentários:

Neide Rigo disse...

Carol, que emoção aparecer aqui. Um dia podemos andar juntas aí no Rio ou em São Paulo. Sempre haverá novidades. Parabéns e um abraço, n

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Neide, vai ser um prazer, tenho certeza que vou poder aprender muito.
De resto, a casa é sua :-)