segunda-feira, 8 de julho de 2013

Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)


O ranking abaixo é tão vergonhoso que eu não sei nem por onde começar. Todas as empresas de cosméticos listadas, Johnson & Johnson (06), L´Oreal (20), Avon (41) e Colgate (50) testam seus produtos em animais e não oferecem nenhum um único produto biodegradável ou com embalagem em refil em suas linhas. São justamente as escolhas que qualquer ambientalista evitaria.

Tanto a Kellogg´s (38) quanto a McDonald’s (47) financiaram os projetos de rotulagem zero nos EUA, onde justamente seriam banidas das embalagens os indicadores de presença de transgênicos e são internacionalmente criticadas pela má qualidade da comida que vendem, que para muitos médicos não deveria sequer ser considerado comida.

A Nestlé (14) e a Danone (08), além dos crimes ambientais cometidos em todas as esferas onde atuam, motivaram movimentos exigindo um mundo livre da Nestlé e da Danone, afinal não havia comida de bebê à venda nos EUA que não fosse produzida por uma das duas empresas. Pior, a comida para bebê produzida era transgênica, não-orgânica, com conservantes e nos derivados lácteos foram encontrados: hormônios, agrotóxicos banidos e até pus das tetas das vacas criadas em confinamento.

Um dos bancos citado, o Santander (46) é o campeão nacional de protestos junto ao Procon e a IKEA (33) uma multimarcas de móveis populares em MDF de eucalipto.

As indústrias de bebidas, como Pepsi (19) e Coca Cola (26) são processadas junto com cervejarias em todo mundo pelos crimes de hidropirataria que cometem ao instalar suas fábricas e secar as fontes locais de água, recebendo isenção fiscal e não pagando os royalties sobre as fontes secas após a retirada das instalações industriais. Pior, assim como a Nestlé, todas vendem água desmineralizada e sinteticamente alterada como água mineral, controlando o uso de fontes de água nativa.

A Zara (48) e H&M (42) já foram citadas em diversas ocasiões por trabalho escravo em países emergentes, assim como a Nike (31) e a Adidas (15) e nenhuma dessas empresas oferece opções de calçados e bolsas em material sintético, trabalham preferencialmente com couro animal.

O mais escandaloso nessa lista na minha opinião é que dos 50 indicados, pelo menos nove são montadoras, incluindo as primeiras: Toyota (01), Ford (02), Honda (03), Nissan (05), Volkswagen (07), BMW (13), Mercedes (17), Hyundai (34) e Kia (37). A Allianz (43) e a AXA (44) são basicamente seguradoras de veículos, a UPS (32) uma distribuidora basicamente rodoviária e a Shell (40) é uma petrolífera.






Toyota, Ford e Honda ocupam os três primeiros lugares do Global Green Brands 2013, ranking que examina a lacuna que existe entre as práticas ambientais de uma empresa e as percepções que os consumidores têm dessas práticas.
O estudo, desenvolvido pela Interbrand, explica que as marcas empenhadas na transparência e apostadas em comunicar com os consumidores continuam a superar as outras. “O que torna o Best Global Green Brands único e valioso é que ele examina o desempenho e a percepção em acção”, explicou Jez Frampton, CEO global da Interbrand. “O relatório fornece às principais marcas os conhecimentos de que elas necessitam para desenvolverem estratégias robustas – estratégias que não só irão impulsionar os seus negócios, mas que também irão ter um impacto positivo sobre o meio ambiente e as comunidades em que esses negócios operam”.
Em cada ano, ao identificar as 50 Best Global Green Brands, a Interbrand começa com as 100 marcas que compõem o relatório Best Global Brands. De seguida, é feita uma extensa pesquisa junto aos consumidores, para recolher a percepção do público sobre as práticas sustentáveis ou ambientais dessas marcas. A informação é depois comparada com os dados de desempenho de sustentabilidade ambientais fornecidos pela Deloitte, dados que são baseados em informações publicamente disponíveis.
Automóveis em grande
As marcas de automóveis representam 50% do top 10 deste ano com Toyota (# 1), Ford (# 2), Honda (# 3), Nissan (# 5) e Volkswagen (# 7) no topo da lista. Colectivamente, o muito regulamentado sector automóvel apresentou eficazmente as suas inovações e forte compromisso no fabrico de veículos de forma cada vez mais sustentável.
Embora a maioria das marcas de automóveis tenha investido no atingir das metas de sustentabilidade e no cumprimento dos regulamentos, as marcas que investiram na criação de produtos inovadores como prova de seu compromisso com a sustentabilidade (ex., Toyota Prius, Ford EcoBoost, Nissan LEAF) estão a receber maior reconhecimento por parte dos consumidores.
“O estudo vem confirmar a noção de que os consumidores exigem cada vez mais transparência e produtos ecologicamente conscientes e que algumas marcas já compreenderam a importância de envolver os consumidores na solução. Por outras palavras, a sustentabilidade pode beneficiar o negócio e o meio ambiente em simultâneo e criar valor para as marcas e, por essa razão, está a tornar-se um imperativo para o crescimento dos produtos e serviços”, avançou Pedro Veloso, director-geral da Interbrand Portugal & Central Africa.
Veja o ranking.
THE 2013 BEST GLOBAL GREEN BRANDS
2013 Ranking
Marca
Mudança
2013 Diferença
1
Toyota
0
-2.53
2
Ford
13
-2.57
3
Honda
0
-2.10
4
Panasonic
2
15.15
5
Nissan
16
2.06
6
Johnson & Johnson
-4
3.09
7
Volkswagen
-3
2.96
8
Danone
1
-0.62
9
Nokia
11
18.50
10
Dell
-3
8.17
11
Sony
7
7.09
12
HP
-7
10.32
13
BMW
-3
5.42
14
Nestlé
NOVO
5.74
15
Adidas
7
6.66
16
Samsung
9
7.68
17
Mercedes-Benz
-1
8.13
18
Siemens
-10
11.37
19
Coca-Cola
4
-13.65
20
L’Oréal
-6
17.91
21
Intel
6
12.03
22
Apple
-9
-0.93
23
Philips
8
7.39
24
3M
-12
4.33
25
GE
-1
-9.00
26
Pepsi
2
-0.88
27
IBM
-8
12.95
28
Cisco
-17
17.38
29
Xerox
3
15.71
30
Canon
-1
6.56
31
Nike
-5
1.18
32
UPS
11
1.54
33
IKEA
6
-11.18
34
Hyundai
-17
7.32
35
Microsoft
-2
-9.30
36
Starbucks
0
-4.83
37
Kia
NOVO
6.11
38
Kellogg’s
-3
-9.81
39
Caterpillar
-1
0.30
40
Shell
-6
-5.24
41
Avon
-4
5.13
42
H&M
4
4.02
43
Allianz
-13
1.40
44
AXA
-2
-1.55
45
SAP
-4
-2.91
46
Santander
-6
-5.18
47
McDonald’s
-2
-21.27
48
ZARA
NOVO
-3.39
49
Citi
-5
8.13
50
Colgate
NOVO
-8.30





Psicólogo usa teoria de Darwin para fazer sátira da sociedade de consumo
Especialistas em marketing e consumidores têm um bocado a aprender com o psicólogo evolucionista Geoffrey Miller, autor de "Darwin Vai às Compras". Daí a gostar do que o cientista tem a dizer vai uma bela distância.

Isso porque a obra, no fundo, é uma bem-humorada sátira da moderna sociedade de consumo, embora seja um tipo nada convencional de sátira -usa um dos mais sólidos fundamentos da ciência, a teoria da evolução, para mostrar como a gana de consumir é meio ridícula, além de contraproducente.
Miller faz isso usando um método já consagrado pelos outros psicólogos que aplicam as ideias de Darwin à compreensão do comportamento humano.

A psicologia evolucionista tem um ponto de partida difícil de questionar: o de que os seres humanos, tal e qual outros animais, tiveram sua mente e suas propensões de comportamento moldadas pela principal moeda de troca da evolução, o sucesso reprodutivo.


Trocando em miúdos: boa parte do que parecem esquisitices da nossa espécie não passam de estratégias herdadas de nossos ancestrais para apregoar boa qualidade genética e, assim, obter parceiros e gerar descendentes.


"Apregoar" é a palavra-chave. Em quase todas as espécies animais já estudadas, essa sinalização, para que seja aceita por parceiros e rivais, precisa implicar um custo -em tese, quanto mais custoso o sinal de qualidade, mais confiável ele é.


CAUDA DE PAVÃO


Miller aplica essa ideia ao chamado consumo conspícuo (visível) -produtos que custam uma fábula, mas são famosos por sua precisão (iPhones), beleza (quadros de Picasso) ou potência (SUVs).


Em síntese, esses produtos seriam apenas versões não biológicas das caudas dos pavões ou das galhadas dos cervos. Servem para alardear características importantes para atrair parceiros de alto nível: disponibilidade de recursos, bom gosto, inteligência e até consciência social (ninguém adere a marcas chiques de "consumo sustentável" só porque é bonzinho, mas também pela necessidade de se mostrar bonzinho e -digamos- atrair gatinhas de pendores ambientalistas).


A sacada de Miller é justamente mostrar como os vários aspectos do consumismo funcionam como sinalizadores dos vários tipos de qualidades evolutivas.


Agora, a má notícia: para o pesquisador, apesar de todo o gasto com esses sinais, eles são indicadores que, na busca por parceiros, raramente ganham dos atributos naturais que a evolução nos lega de nascença: inteligência, beleza, sensibilidade e bom humor.


Valeria a pena, segundo ele, direcionar esforços pessoais e da sociedade para deixar de lado o consumo conspícuo, taxando a obsolescência programada e o desperdício e adotando estratégias para impressionar os outros gastando pouco ou nada -fabricando seus próprios móveis ou comprando roupa boa em brechós, digamos.


Não é exatamente a mensagem que os departamentos de marketing estão doidos para ouvir.


DARWIN VAI ÀS COMPRAS: SEXO, EVOLUÇÃO E CONSUMO

AUTOR Geoffrey Miller
EDITORA Best Business
TRADUÇÃO Elena Gaidano
QUANTO R$ 49,90 (458 págs.)
AVALIAÇÃO Ótimo







Para baixar e fazer o dever de casa:











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Um comentário:

Joeci Ricardo Godoi disse...

Olá!
Quero parabenizá-la pelo Blog, está ótimo, gosto muito dos assuntos que você publica. E esse sobre as "empresas verdes" e consumismo se enquadram perfeitamente na minha ideologia. Em meu Blog escrevi sobre o consumismo a alguns dias, confira-o. Estou iniciando minha carreira de blogueiro, e uma opinião profissional será útil. ;)
http://fugirparaomato.blogspot.com.br/2013/06/consumir-para-existir.html