quinta-feira, 11 de julho de 2013

Quando a sustentabilidade me deixou na mão 01: abiossorventes em alto mar e no meio do mato

Eu tento implementar atitudes verdes em tudo que faço, mas as vezes não dá. É quase impossível atingir esse ponto que tende, mas nunca chega, no zero. Como um cálculo exponencial, é preciso aproximar.

A foto abaixo é da Jureia e autoexplicativa: meus abiossorventes, absorventes femininos de pano reutilizáveis, secando ao sol depois de lavados. A viagem à Jureia foi uma viagem em todos os aspectos e está cheia de fotos aqui no blog, há inclusive uma postagem que mostra fotos da Jureia e do meu trabalho em alto mar: Na Jureia: trabalho de peão


Parece simples, mas não é bem assim. Em casa, a mulher pode administrar seus abiossorventes com mais praticidade, já num alojamento dividido com guarda-parques, a situação é mais complicada. Para minha sorte, todas as voluntárias eram mulheres, lavávamos roupa juntas e ao secar ao sol, ninguém falava nada. Mas quando os oficiais da Polícia Militar Ambiental e os próprios Guarda-Parques passavam para nos chamar, era inevitável que ficassem olhando. As mulheres do grupo foram solidárias e estoicas não disseram uma palavra de quem eram as "toalhinhas". Todas ambientalistas e biólogas de formação, apoiavam minha decisão de adotar os abiossorventes, apesar de eu ser a única.

É a sua intimidade que está no varal. Mesmo para uma mulher independente e bem resolvida, é constrangedor. E, para piorar, não encaixa direito e, com os vazamentos pela subida e descida das trilhas, sujou todas as minhas calças. No terceiro dia, pedi arrego e um absorvente convencional à outra voluntária, que aliviada me deu logo 3.

Eu gosto muito de abiossorventes, uma das primeiras postagens do blog ainda em 2009 é sobre eles, Abiossorventes (hoje fora do ar), e você também pode encontrar fotos de abiossorventes comprados por mim na postagem RIO+20: de trazer na bolsa e na barriga. Mas a verdade, é que no meio do mato e em alto mar, meus abiossorventes queridos me deixaram na mão.

Atualmente não trabalho mais embarcada, mas foram 3 anos cumprindo o circuito das plataformas de petróleo em Macaé. Não é moleza. Minha primeira escala era de 35 dias em mar e 35 em terra. Nesses 35 dias, uma mulher pode menstruar 2 vezes, não era o meu caso que menstruo pouco, mas acontece e é preciso muita sabedoria para trabalhar em convés com aquela sensação de nó nas tripas e pernas de chumbo.

No meu último embarque, já escaldada e com absorventes convencionais, trabalhei 4 horas debaixo de chuva junto com o resto da tripulação. O vento gelado, o macacão encharcado, as meias nadando dentro das botas, meu absorvente descartável (em contato com a vagina) igualmente encharcado e no dia seguinte, eu acordei gripada e muito abatida, é claro.

Não é simples, repito para que não fique dúvida. Em outras postagens daqui, conto um pouco sobre como é o trabalho em alto mar, o marcador off-shore ajuda. Muita gente quer embarcar pelo pré-sal, dou a maior força, mas não é para todo mundo. Se for mulher, complica ainda mais por milhares de razões e acredite, menstruar em alto mar é um processo de logística que exige paciência num momento em que geralmente não se tem nenhuma. Até na hora de dormir é mais difícil, o sistema de ar refrigerado central normalmente é um gelo, o cobertor é de avião (fininho), você está um lixo e tendo que trabalhar de pé por 12 horas seguidas (turno industrial). Provavelmente quem limpa sua cabine é um homem, então nada de lavar abiossorventes floridos no chuveiro e deixar secando no porta-toalhas, o faxineiro em questão é seu colega de turno, que dorme e acorda na cabine ao lado, faz 5 refeições diárias no mesmo refeitório que a mocinha e guarda imensa coleção de pornografia na bagagem. Sendo estrangeiro, geralmente filipino ou indiano, a escala dele pode ser de 6 meses embarcado para apenas 2 em terra. Já imaginou a solidão dessas pessoas de frente com seu ciclo menstrual?


Então, nesses momentos extremos, que foram justamente os que me ensinaram o pouquinho que sei sobre meio ambiente, eu uso um produto industrializado que não aparece nesse blog.


Dica de filme: Como funciona a indústria de cosméticos


Mais informação:
Fazendo baton em casa
Na Jureia: trabalho de peão
Fraldas descartáveis biodegradáveis
Creme dental e escova de dentes não-testados em animais
Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro
Cosméticos biodegradáveis, orgânicos e não-testados em animais

12 comentários:

Cariny Cielo disse...

Carol!!! Coletores menstruais te salvarão destes inconvenientes. Uso inclusive pra praticar esportes, já usei fazendo trilhas... é ótimo!

priscilla disse...

Carol,
Já tentou usar coletor tipo misscup, (produzido no brasil)?
bj
Pri

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi. Na postagem dos abiossorventes, eu menciono os copinhos tipo misscup. Mas nunca usei pq não me adapto a absorventes internos tipo ob e tampax. É uma condição minha mais íntima.
Uma moça que tb vive na estrada, escreveu sobre eles com muito bom humor, dá uma lida:
http://www.soniahirsch.com/2011/02/outras-verdades-coletores-menstruais-um.html

Joyce disse...

Eu nunca dei certo com absorvente interno tipo OB.
Mas senti que o coletor menstrual (uso o MissCup) é totalmente diferente!
Ele fica mais embaixo e não é incômodo...

Mas claro que vai da opinião de cada um.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Gente, eu acho que aquilo parece um desentupidor de xereca! Fico apavorada só de olhar...

Anônimo disse...

Kkkkkkkkkkk ai Carol!
Te digo que uso coletor há 3 anos, nunca mais usei dos outros. Às vezes fico dias no meio da floresta contando meus palmitos. Se não fosse o coletor minha vida seria impossível.
Eu não vivo mais sem e não me incomoda em nadinha. A moça que escreveu no blog da Sonia pode até ter sido bem humorada, mas achei o texto muito afetado.
Experimente!

Beijos
Kenia

Anônimo disse...

Nunca tive o problema da viagem (é que não saio muito de casa mesmo) mas também uso absorventes de pano. Eu uso os da Morada da Floresta: http://loja.moradadafloresta.org.br/ecommerce_site/categoria_5377-5795_5735_Ecologia-Feminina-Ecoabsorventes
Muito bons, pra mim bem melhores do que os descartáveis comuns porque absorvem bem, não se desmancham e principalmente: não dão assaduras na pele. Ótima qualidade.

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Kenia, que bom te ver por aqui! Vou tentar, vou pensar no rotorooter...

Oi anônimo, eu tenho da Morada da Floresta tb, comprei na Rio+20, as fotos deles estão linkadas acima. Mas arregaram no perrengue.

abs,
Carol

priscilla disse...

Coletor não tem nada a ver com absorvente interno.
OB é muito mais agressivo e incomodo!
Eu ja conhecia esse texto no site da Sonia Hirch, bem humorado, mas concordo com a Kenia q é afetado! rs Conheço centenas de mulheres que usam e não trocam por nada (inclusive eu hehe)
A relação com o período menstrual muda, não há mais incômodo de absorventes, abafamento da região. No geral é que esquece q está usando. Na verdade esse é o único "problema" pra mim, pois preciso ficar lembrando de esvaziá-lo em no máximo 12h. Fora isso não há cheiro, não precisa ficar carregando na bolsa, é discreto, permite praticar esportes (inclusive nadar), dormir... É realmente um up!

priscilla disse...

rotorooter foi demais! hahahaha

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Eu vou tentar, prometo - apesar do medo do vácuo!

Unknown disse...

hahahahaha rotorooter hahahahahahahaha

Eu lembro que quando li o texto da moça no blog da Sonia fiquei dias com raiva dela hahahaha, mas foi uma experiencia ruim, vai ver ela não deu conta de toda aquela novidade... é que não sou nada tradicional mesmo, então adoro as news.

Mas tenho que deixar aqui registrado que a primeira vez em que usei foi ruim, Carol. Eu achava que era muito descolada com meu corpo e tals e sofri. Usei o dia todo, tirei normalmente, recoloquei à noite e de manhã não conseguia tirar o treco. Acho que enquanto dormimos ele sobe mais, se encaixa melhor. Daí que eu não arrumava jeito de tirar, não alcançava pra tirar o vácuo, não achava posição. hahahaha chorei e precisei de ajuda pra tirar :0

Mas botei de novo e me obriguei a aprender a manipular aquilo hahahaha. Agora eu coloco e tiro com a maior facilidade, sentada, em pé, agachada, deitada, do jeito que quiser. Tem que ser meio bruta pra tirar, enfiar os dedos sem dó, desfazer o vácuo e puxar. Não machuca, só se concentrar.

O meu único problema é o mesmo da Priscilla, tenho que me esforçar pra lembrar de tirar.

Beijos

Kenia