terça-feira, 16 de julho de 2013

Você ainda come salmão?




A farsa do salmão

O salmão considerado um dos peixes mais benéficos à saúde, sendo aclamado por aí por nutricionistas e médicos que simplesmente parecem ignorar ou desconhecer sua verdadeira origem. Entre os argumentos para o seu consumo, declaram que o salmão carrega uma grande quantidade de ômega 3, vitaminas A, D, E e do complexo B, magnésio e ferro. OK. Seria bom, se não fosse por um enorme porém: o salmão encontramos nas prateleiras do supermercado não é tão benéfico assim. 

Encontramos aqui o salmão criado em cativeiro, vindo do Chile, que é diferente do salmão selvagem encontrado na América do Norte.

Damos como certo de que a carne do peixe é rosa-alaranjada – ou ‘salmão’. Porém, esta a regra se aplica somente ao peixe de alto-mar, que passa a vida em liberdade no oceano para subir os rios na época da reprodução e morrer em seguida. Esse peixe é raro, caro, delicioso e belamente colorido por conta de sua dieta à base de camarão e krill. No total, ele representa míseros CINCO POR CENTO do salmão vendido nos Estados Unidos, e praticamente não chega ao Brasil.

A maioria esmagadora do peixe encontrado nos mercados de todo o mundo é criado em fazendas subaquáticas, e tem uma cor que vai do cinza ao bege-claro, passando no máximo por um rosa-pálido. 
Para ficar com o mesmo tom do salmão selvagem ele recebe uma ração com aditivos sintéticos, derivados de petróleo. Além disso, estudos apontam que consumir mais de 200 gramas desse pescado, numa média mensal, apresenta riscos cancerígenos inaceitáveis.

A verdade é que este peixe, que recebeu a fama de super alimento, repleto de Omega 3, que combate o colesterol ruim, é anti-inflamatório e traz inúmeros benefícios para o consumidor, não passa de um produto fake. Para piorar a situação, muitas vezes os peixes são criados em ambientes anti-higiênicos, recebem antibióticos, tem o dobro de gordura – em sua maioria de gordura saturada (péssima) e quase nada de Omega 3 (boa). Por conta disto, os peixes recebem altas doses de antibióticos e fungicidas. 

Ou seja: mais contaminação na sua carne.

E vocês sabiam que quase todo o salmão vendido no Brasil vem do Chile?!

Quer dizer… você começa a consumir com frequência o salmão, querendo fazer bem a sua saúde, e sem saber vai acabar desenvolvendo problemas de saúde que você não tinha.
Eu passo muito, muito longe de salmão e de qualquer peixe criado em cativeiro. Peixe bom, rico e saudável MESMO, é o peixe de pesca.


Comer salmão não é bom para o oceano, diz especialista


Utilização intensiva de antibióticos, pesticidas e hormônios na criação de salmão em viveiros marítimos atinge as águas e traz risco de contaminação

Comentário Akatu: A entrevista abaixo, concedida por Andrew Sharpless, especialista da Oceana, uma das maiores organizações internacionais dedicadas à proteção dos oceanos, traz um exemplo importante de como as escolhas de consumo são capazes de causar impactos ao meio ambiente, mesmo a milhares de quilômetros de distância do local onde se dá o consumo. Comer aqui no Brasil um salmão criado em uma área de piscicultura no Chile pode estar prejudicando a vida marítima naquela região, como mostra a entrevista. A criação de salmão em viveiros marítimos traz altos riscos de contaminação de todo o habitat, dado a utilização intensiva de antibióticos, pesticidas e hormônios, que acabam por atingir as águas de toda a região. Além disso, essa criação gera um consumo muito maior de recursos naturais, na medida em que para cada kg de salmão cultivado são necessários cerca de 5kgs de outros peixes em sua alimentação. As empresas em geral precisam reconhecer que é preciso criar formas sustentáveis de produzir, considerando todas as etapas da sua cadeia produtiva, visto que um impacto em um ponto da cadeia pode causar um efeito dominó para muito além da própria empresa. E os consumidores, conscientes de seu poder de escolha, são os agentes capazes de provocar empresas, ao demandar informações sobre os impactos da produção, levando-as a produzir bens e serviços de forma mais limpa e sustentável em todas as etapas da cadeia de produção.

A América Latina está preparada para explorar os recursos do mar? Confira entrevista de Andrew Sharpless, CEO da Oceana.

Como você vê o panorama da indústria da pesca na América Latina?
O Peru representa quase 12% da pesca mundial, e o Chile 5%, ou seja, esses dois países lidam com parte importante do futuro. Bem manejadas, a pesca chilena e peruana poderiam alimentar milhões de pessoas ainda nesse século. A má notícia é o colapso da indústria pesqueira, com a diminuição da captura de peixes e da biomassa. A boa notícia é que o Chile adotou leis importantes, que colocam o país na vanguarda mundial nesses temas.

Como está o famoso cinturão de plástico do Pacífico? Existe uma ameaça real para os recursos marítimos?
Há muito plástico boiando na região da costa do Pacífico. Esse plástico se degrada em pequenas partículas que são perigosas para peixes e organismos marinhos. É um problema grave, mas não é o responsável pelo colapso da indústria pesqueira, que é resultado da superexploração. Mas é um problema urgente e para qual não há outra solução além de deixar de despejar plásticos no mar, ou seja, encontrar um substituto biodegradável e economicamente viável para o plástico.

Hoje, é possível ter uma piscicultura sustentável?
Boa pergunta. O produto mais comum da piscicultura é o salmão, que se alimenta de outros peixes na proporção de 2,27 kg de alimento por cada 0,454kg de carne obtida. Os produtores de salmão têm interesse econômico em reduzir essa proporção e estão trabalhando com a introdução de alguma porcentagem de grãos no alimento, mas, infelizmente, isso prejudica o sabor. Até o momento, esse é um problema sem solução. Por isso, comer salmão não é algo bom para o oceano.

Nesse contexto, que função tem o mar para o futuro da humanidade?
Acabo de publicar um livro, chamado A Proteína Perfeita, cujo ponto central é que temos que tomar uma decisão. Seremos um planeta de 9 bilhões de habitantes em 2050, em que mais pessoas pertencerão à classe média e, assim, consumirão mais proteínas. E como as alimentaremos? A carne de boi é uma das formas mais onerosas de alimento que conhecemos: consome quantidades enormes de grãos e água e emite metano, um gás de efeito estufa. Por isso, dizemos que quando comemos peixe não cultivado não estamos pressionando os recursos naturais. Mas, se permitirmos que os oceanos entrem em colapso ainda nesse século, conseguiremos alimentar apenas a 450 milhões de pessoas. Se o gerirmos bem, poderemos alimentar até 1,2 bilhão.






Would you eat biotech fish? FDA approves genetically engineered salmon 


Depois de poucos e breves testes, o salmão transgênico, projetado para crescer duas vezes mais rápido que o salmão normal do Atlântico, foi considerado seguro para o ambiente e para o consumo humano. O FDA (a ANVISA dos EUA) acrescentou que ouviria comentários do público durante 60 dias, antes de finalmente decidir se aprova ou não o salmão.
As críticas a respeito da avaliação recente pelo FDA aponta para a falta de evidências suficientes de que o peixe é seguro para o consumo, e também da dificuldade em medir o impacto real sobre o meio ambiente uma vez que a produção em massa do salmão transgênico inicie.
De onde o salmão biotecnológico vem?
O controverso peixe é desenvolvido pela AquaBounty Technologies, uma pequena empresa de biotecnologia americana, cujo principal objetivo é encontrar a solução que poderia aumentar a produtividade da aquicultura. Sua pesquisa mais importante consiste em desenvolver
salmão, truta, e ovos de tilápia que produzem  espécimes de rápido desenvolvimento. Para conseguir isso, os pesquisadores modificaram a estrutura genética do peixe. Sua variedade de salmão foi patenteada e recebeu o nome de Salmão AquAdvantage.
O relatório do FDA  afirma que “no que diz respeito à segurança dos alimentos, a FDA concluiu que alimentos feitos com o Salmão AquAdvantage são tão seguros quanto aqueles feitos com o salmão convencional do Atlântico, e que existe certeza razoável de que não existe nenhum prejuízo de seu consumo“.
O que dizem os críticos?
Michael Hansen, um pesquisador da União dos Consumidores, explicou que o salmão transgênico pode causar reações alérgicas que o FDA é incapaz de prever. Peixes transgênicos também não poderão ser rotulados, deixando os consumidores no escuro sobre a sua origem.
Se o FDA não prestar atenção ao clamor público, o Congresso pode ainda evitar a comercialização do peixe transgênico. Wenonah Haute, diretor do Food & Water Watch, pede para que os consumidores contactem os seus deputados para derrubar o que tem sido chamado de “um experimento perigoso” às custas da saúde do consumidor.
Outras preocupações sobre o peixe transgênico diz respeito a capacidade deste superar o salmão natural do Atlântico. Se ele for solto na vida selvagem, o salmão AquAdvantage poderia se adaptar aos novos alimentos, sobreviver em habitats mais difíceis, e se reproduzir muito mais rápido que o salmão natural.
Andrew Kimbrell do Centro para a Segurança dos Alimentos concluiu que “o salmão geneticamente modificado não tem valor socialmente redentor. Ele é ruim para o consumidor, ruim para a indústria do salmão e ruim para o meio ambiente.”



EE.UU. suspende ingreso de salmón de Marine Harvest Chile contaminado con químico cancerígeno


"Como resultado del hallazgo, todos los envíos de salmón fresco y congelado de esta transnacional hacia Estados Unidos han quedado detenidas. La prohibición no se extiende a productos de terceras partes importados por Marine Harvest, o a salmón ahumando", informa Intrafish. ElDirector del Centro Ecocéanos, Juan Carlos Cárdenas, señaló que "esta situación vuelve a colocar la atención internacional sobre las malas prácticas productivas de la industria del salmón, así como del sistema de control sanitario gubernamental".
Santiago de Chile, 17 de julio de 2013
La Agencia de Fármacos y Alimentos de Estados Unidos (FDA en siglas inglesas), suspendió la entrada de todo el salmón fresco y congelado que la multinacional noruega Marine Harvest produce en Chile, luego del hallazgo el 5 de junio pasado de un cargamento contaminado con el quimico cancerígeno Cristal Violeta, en una partida de salmón de esta compañía nórdica.
El cristal violeta es un químico antifúngico prohibido tanto en Chile como en EE.UU, por sus efectos cancerígenos. La información sobre la prohibición de entrada de salmón de Marine Harvest Chile a EE.UU. fue dada a conocer al sitio especializado en pesca y acuicultura Intrafish, por Gianfranco Nattero,Director de marketing y ventas de la transnacional noruega.
"como resultado del hallazgo, todos los envíos de salmón fresco y congelado de esta transnacional hacia Estados Unidos han quedado detenidos. La prohibición no se extiende a productos de terceras partes importados por Marine Harvest, o a salmón ahumando", informa Intrafish.
Curiosamente, este era el primer envío que se efectuaba al mercado norteamericano después de un período de interrupción por parte de la compañía noruega.

¿Cuál es la fuente de contaminación con cristal violeta?
Las autoridades de control de alimento norteamericanas, y la transnacional noruega están investigando las potenciales fuentes de contaminación con el antifúngico ilegal.
"Estamos viendo todo: alimento,proceso y empaque. Cada cosa", dijo Marine Harvest a Intrafish. "No empleamos cristal violeta, y nuestros propios análisis, como los programas de muestreo oficiales en Chile no lo han detectado", indicó Nattero al sitio web especializado en temas acuicolas y pesqueros.
La empresa ha enviado muestras a laboratorios independientes, de donde espera resultados en los próximos 10 días.

Químicos prohibidos en Chile
El cristal violeta, también conocido como violeta egenciana, es utilizado para la eliminación de hongos tanto en la industria de curtiembre como en la industria del salmón de cultivo.
Su empleo es ilegal y no se permite su presencia en alimentos en la Unión Europea y Estados Unidos. Este producto químico ha demostrado poseer efectos carcinogénicos en animales de laboratorio después de su exposición. Se sospecha que su empleo reemplazó al verde de malaquita, tintura química que fue utilizada masivamente en la década de los '90 para el control de hongos y parásitos, por los productores de salmón de cultivo.

Historial de uso ilegal de químicos en salmoneras
En Chile, a comienzos del 2000, las organizaciones ciudadanas encabezadas por Ecoceanos, habían logrado mediante una amplia campaña de denuncias y decomisos en los mercados internacionales, la prohibición del empleo de verde de malaquita en el país sudamericano, mediante la Resolución Nº 1235 del Ministerio de salud del 31 de diciembre del 2003.
Además, ya durante el 2005 el Comité de Residuos Veterinarios del Reino Unido mostró preocupación que el cristal violeta pudiese estar siendo utilizado por la industria como un sustituto al Verde de Malaquita,por lo que inició su programa de muestreo de cristal violeta.
En Octubre de ese año el Dr. Keith Lawrence del Comité de Residuos Veterinarios (UKs Veterinary Residues Comité) señaló que posiblemente se estaba usando este químico cancerígeno como una alternativa al verde de malaquita. Similar sospecha había manifestado Ecocéanos en Chile, al recibir informaciones durante 2005 y 2006 de que se seguía transgrediendo la legislación en relación al empleo de químicos prohibidos en la salmonicultura. Esto fue confirmado el 19 de diciembre del 2006 al detectarse en Inglaterra una partida de brochetas de salmón congelado contaminada con cristal violeta,comercializada bajo la marca Findus, la que había sido elaborada en Tailandia con materia prima proveníente de Chile.
El Centro Ecocéanos y Pure Salmón Campaign enviaron el 22 de febrero del 2007 cartas a las autoridades sanitarias inglesas y chilenas, expresando su preocupación por el empleo de este químico ilegal, además de requerir información sobre las tres grandes compañías productoras de salmón que aparecían potencialmente involucrada en este ilícito.

Chile mantiene bajo estandar sanitario y pesima fiscalización
Frente a este nuevo allazgo de salmón contaminado con químicos prohibidos, el Médico Veterinario y Director del Centro Ecocéanos, Juan Carlos Cárdenas señaló que "esta situación vuelve a colocar la atención internacional sobre las malas prácticas productivas de la industria del salmón, así como del sistema de control sanitario gubernamental".
"Esperamos que el sistema de trazabilidad permita que los consumidores en Estados Unidos, Japón, Brasil, la Unión Europea y otros países tengan el derecho a saber las condiciones en que se está produciendo salmón en Chile", agregó el director de Ecoceanos.
Cárdenas afirmó además que "las compañías que en Chile insisten en utilizar químicos ilegales, no pueden ser consideradas empresas responsables y deben ser sancionadas tanto a nivel nacional como en los mercados internacionales. Esta es una nueva señal que el denominado nuevo salmón 2.0, es tan sólo propaganda y relaciones públicas".

Marine Harvest posee centros de cultivo en Chile y Noruega, así como operaciones en Canadá, Escocia, Irlanda e islas Faraoe e instalaciones procesadoras en Miami y Los Angeles, en EE.UU.


Estudo alerta para substâncias cancerígenas no salmão de cativeiro

O índice de substâncias cancerígenos seria maior no salmão criado em cativeiro do que no salmão selvagem, segundo cientistas norte-americanos e canadenses cujo trabalho aparece na mais recente edição da revista "Science".

A pesquisa, coordenada pela State University de Nova York, em Albany (EUA), é "a mais representativa e completa realizada até o presente", segundo seus autores. Seus resultados levam a crer que os consumidores devem "reduzir significativamente" o consumo desse tipo de pescado.

"Na maioria dos casos, consumir mais de 200 gramas desse pescado, numa média mensal, apresenta riscos cancerígenos inaceitáveis", segundo um comunicado da universidade norte-americana. Por sua parte, o salmão selvagem pode ser consumido oito vezes mais, segundo o estudo.

O salmão preparado em restaurantes ou vendido em supermercados na América e na Europa procede, em sua maioria, de criações em viveiros.


Toxicologia

Os autores do estudo, sete cientistas especializados em toxicologia, biologia e estatística, analisaram filetes de 700 salmões de viveiros e salmões selvagens procedentes de oito das maiores regiões produtoras da Europa e da América, comprados em comércios de várias cidades.

As análises demonstraram que o salmão de criadouro procedente da Europa está, de maneira geral, mais contaminado do que o procedente da América do Norte e da América do Sul.

"Mas até o salmão de criação procedente do Chile ou do estado de Washington, que figuram entre os menos contaminados, apresentam uma taxa de PCB (Bifenil policlorinado), de dioxinas e de dieldrina superior à do salmão selvagem", indicam os cientistas.

Alimentação gordurosa

O salmão de criação estaria contaminado por uma alimentação muito gordurosa, à base de farinha e azeite de peixe, e armazenaria substâncias tóxicas em seu tecido adiposo. Em compensação, o salmão selvagem se alimenta de organismos aquáticos, pequenos peixes e krill.

Os autores da pesquisa recomendam aos consumidores que diminuam o consumo e exijam indicações claras nas etiquetas dos alimentos que permitam distinguir entre o salmão de criação e o selvagem e que informem o país de origem do produto.

Mais da metade do consumo mundial de salmão procede de viveiros e as principais zonas de produção são: norte da Europa, Chile, Canadá e Estados Unidos.



O caso do salmão contaminado: Importante é não generalizar

O caso da difilobotríase, doença causada pelo Cestoda Diphilobothrium (D. latum – o mais comum), a tênia do peixe, como é mais conhecida, precisa ser repensado, diminuindo-se os efeitos de uma polêmica que, certamente, tem trazido prejuízo para diferentes elos da cadeia produtiva do pescado. 
O Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento (CECOM) do Instituto de Pesca conversou sobre o assunto com o pesquisador Roberto da Graça Lopes, que integra a equipe do projeto de pesquisa “Caracterização higiênico-sanitária da cadeia produtiva do pescado marinho da Baixada Santista”. Esse projeto é desenvolvido pela Unidade Laboratorial de Referência em Tecnologia do Pescado, vinculada ao Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Pescado Marinho, sediado em Santos (SP). 

CECOM - A contaminação do pescado é algo comum e perigoso? 
Pesquisador: Não mais do aquela que pode ocorrer em qualquer outra carne, ou mesmo vegetal, consumidos como alimento. Ou seja, como todo alimento, o pescado também pode apresentar problemas de sanidade. Para que isso não aconteça, a saúde pública é bastante dependente: 1. das condições de conservação (principalmente o uso correto do frio) e da higiene com que se manipula (“in natura”), processa (na indústria) e vende o produto; 2. da atenção e nível de exigência do consumidor na escolha do produto e do fornecedor; e 3. de um eficiente serviço de vigilância sanitária. 

CECOM - Como se deve encarar os avisos, oficiais ou de órgãos de comunicação, sobre a ocorrência de problemas de segurança apresentados pelo pescado ou por qualquer outro tipo de alimento? 
Pesquisador: Com a mais absoluta seriedade. Porém, há que se ter bom senso para, com inteligência, eliminar de nossa dieta, temporária ou definitivamente, apenas a fonte potencial e específica do problema. Caso contrário, seria como, ainda que mal comparando, sermos alérgicos a algum tipo de tecido e, por conta disso, abolíssemos o uso de roupas. Os próprios veículos de comunicação deveriam colaborar dando informações ou fazendo argumentações que auxiliassem o público na tomada de decisões sensatas. Deixar de consumir frutos do mar em geral, e sob todas as formas de preparo, por existir um perigo potencial relacionado apenas a certa espécie de pescado e sob condições particulares de preparo, demonstra um receio sem propósito e sério caso de desinformação. É o que ora ocorre com o parasito do salmão cru, levando a população a recusar o consumo de pescado em geral. Tal fato iniciou uma crise econômica, com reflexos na cadeia produtiva do pescado. 

CECOM - O problema é tão localizado assim? Pode-se dizer que o pescado em geral não apresenta o problema da contaminação pela tênia do peixe, o parasito Diphilobotrium latum? 
Pesquisador: Apesar de esse parasito não ser exclusivo do salmão, podendo infectar outras espécies de peixe, pela epidemiologia sabe-se que essa parasitose é endêmica (pode-se dizer comum, freqüente) nas áreas de lagos e deltas da Sibéria (na Rússia), na Europa (especialmente Escandinávia e outros países bálticos), América do Norte, Japão e Chile. Assim, a ocorrência do problema é freqüente em países de clima frio. O único país da América Latina que, pela literatura científica, se observa que apresenta endemismo (alta freqüência de ocorrência) do problema é o Chile. Reunindo-se cautelosamente as informações, há razões para considerar que a origem da contaminação no Brasil seja mesmo o salmão importado e não outro tipo de pescado. Caso contrário, analise-se: o salmão consumido no País é todo importado; quase todo o salmão importado vem do Chile (área endêmica do problema); esse pescado chega apenas resfriado (não congelado, sendo o congelamento a forma de conservação que tende a inviabilizar a larva do parasito); e o seu consumo é majoritariamente cru. Portanto, a substituição do salmão por outra espécie de peixe (comumente o atum) no preparo do sushi e do sashimi deve ser suficiente para eliminar esse problema específico, até que as autoridades sanitárias, compradores e fornecedores de salmão resolvam tecnicamente a questão. Mas, voltando ao pescado em geral, a possibilidade de espécies capturadas em nossa costa, geralmente ingeridas após preparo no calor (assadas, fritas, cozidas), estarem contaminadas pelo D. latum é, no momento, absolutamente desprezível. Isto, porque uma coisa seria essencial para o peixe capturado em nossa costa estar contaminado: uma fonte contaminante do ambiente aquático, ou seja, o despejo de fezes contaminadas em quantidade suficiente para gerar o ciclo do parasito. E como o Brasil tem uma ínfima quantidade de casos registrados da contaminação, não há fonte contaminante suficiente para oferecer qualquer perigo às nossas espécies. Acredita-se, portanto, que o setor pesqueiro brasileiro esteja, nesta questão específica, pagando um ônus sem nenhum cabimento. Excesso de zelo e informações não bem combinadas jogaram o foco do problema também sobre as espécies nativas, que nada têm a ver com a questão. É preciso reverter esse equívoco antes que os prejuízos econômico e social sejam seríssimos.









 Comer peixe é mesmo muito saudável?

Dizem-nos que comer peixe é melhor. Que nos dá ácido gordo ómega 3, vitaminas B, cálcio, iodo… Mas, comer peixe é assim tão saudável? É mesmo benéfico para nós e para o meio ambiente? Que efeitos tem no fundo do mar e nas espécies marinhas? E nas comunidades locais? Quem sai ganhando com a sua crescente procura? Movem-se águas turvas nos anúncios da indústria pesqueira.

O consumo de peixe é excessivo. A sua produção mundial bateu um novo recorde em 2013 atingindo 160 milhões de toneladas, com a pesca de captura e a de aquacultura, face aos 157 milhões do ano anterior, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Uma tendência que se sustenta numa sólida procura nos mercados internacionais e aumento da mesma na Ásia Oriental e no sudeste asiático, especialmente na China. Na Europa, o Estado espanhol é um dos maiores consumidores, com uma média de 26,8 quilos de peixe por pessoa e por ano, segundo dados de Mercasa de 2011, apesar da queda que o seu consumo sofreu nos últimos tempos devido à crise.

Uma procura crescente que foi satisfeita pela expansão da aquacultura intensiva. Decalque e cópia do modelo de gana industrial, aplicado agora à pesca. Atualmente, um em cada dois peixes que comemos procede dessa produção. Trata-se de um modelo em crescimento que, se calcula, que em 2030 fornecerá quase dois terços de todo o peixe consumido no mundo, segundo o relatório A pesca até 2030: Perspetivas da pesca e da aquacultura do Banco Mundial e da FAO. No entanto, o negativo impacto, social e no meio ambiente, deste modelo, desde a sua instalação à “cultura” e processamento do pescado, é a outra face da moeda.

Peixe come peixe

A lógica do capital impacta de pleno na sua produção. Criam-se as espécies de alto valor econômico, as mais procuradas para o consumo. Na Noruega, o salmão; no Estado espanhol, a dourada, o robalo, a truta, o atum. A maioria, peixes carnívoros: peixe que por sua vez precisa de outro peixe para a engorda. O jornalista Paul Greenberg, na sua obra ‘Quatro peixes. O futuro dos últimos alimentos selvagens’, deixa isso claro: para produzir 1 quilo de salmão são precisos 3 quilos de outras espécies de peixe e para 1 quilo de atum, nada mais e nada menos, que 20 quilos. O que gera uma maior sobre-exploração dos recursos pesqueiros. Algumas mercadorias são, com frequência, subtraídas da costa de países do Sul, diminuindo assim os bens imprescindíveis para a sua alimentação. O resultado é um produto de luxo à mercê dos bolsos daqueles que o podem costear e consumir. 

Os tratamentos que se aplicam nos estabelecimentos aquícolas para combater as doenças infecciosas dos peixes são outro fator de risco para a saúde do meio ambiente e do consumo humano. Um exemplo são os banhos de formol, com uma função anti-parasitária, e a administração preventiva de antibióticos, que se acumulam nos órgãos internos do animal, e o seu uso sistemático facilita o aparecimento de patogênicos resistentes. As condições em que se encontram os peixes não ajuda. Piscinas e jaulas superlotadas estão na ordem do dia e permitem facilmente a propagação de doenças por atrito, stress ou canibalismo.

O impacto no território e nas comunidades é, também, importante. As mesmas instalações, grandes superfícies de piscinas, competem com o uso desse terreno por parte da população local, seja para o cultivo, seja para pastoreio. As águas destas localizações, com elevadas doses de produtos químicos e substâncias tóxicas, contaminam os solos e o meio aquático, e a introdução de espécies exóticas e a fuga de exemplares afeta às espécies nativas.



Da costa a mar adentro

A pesca de captura em grande escala, por sua vez, desde a costa até as águas mais profundas, tem também consequências muito negativas tanto para os próprios recursos pesqueiros como para o meio ambiente. No Mediterrâneo, 92% das espécies de peixes estão sobre-exploradas, 63% no Atlântico, segundo dados de Ecologistas em Ação. Várias espécies marinhas veem-se ameaçadas e em perigo de extinção. A sobrepesca tem sido a prática dominante e a sua consequência: a diminuição de peixes no mar. 

Além disso, a poluição da água afeta esses animais. A presença de mercúrio nos peixes é a mais conhecida e ameaça o ecossistema e a nossa saúde, pois é uma substância tóxica que afeta o cérebro e o sistema nervoso. Segundo Ecologistas em Ação, o peixe contém cada vez mais mercúrio. Em 2013, na União Europeia foram notificados 96 casos de peixe contaminado, face a 68 no ano anterior. A organização ecologista denuncia que os limites de mercúrio permitidos pela União Europeia não são suficientes, porque não têm em conta nem o consumo médio nem as características corporais do consumidor. Os máximos permitidos pela FAO e pela Organização Mundial da Saúde, pelo contrário, são mais restritivos. É a nossa saúde em jogo. 

O meio ambiente também é prejudicado, especialmente por técnicas como a pesca de arrasto, que através do uso de redes que varrem o fundo do mar, destrói os fundos marinhos, acaba com habitats naturais como recifes de coral e captura, para além dos peixes que se pretende pescar, exemplares imaturos e peixes não desejados acabam por ser deitados de novo à água, mortos ou quase mortos. Na pesca de arrasto do lagostim no Mar do Norte, por exemplo, calcula-se, segundo dados de Ecologistas em Ação, que as capturas não desejadas e deitadas fora atingem 98% do total. Uma prática que igualmente se dá noutros modelos de pesca em teoria mais seletivos como a do palangre, com milhares de anzóis com iscos que se penduram em linhas que podem medir metros ou quilómetros. No Mar Adriático, os peixes deitados fora do dito modelo de pesca podem chegar até 50% da captura. A pesca industrial com grandes embarcações aumenta o risco de poluição por causa de derrames de petróleo e combustível. A água, parece, que engole tudo. No entanto, a vida no mar esgota-se. 

Outro impacto da pesca industrial dá-se em terra firme, nas comunidades. O tão magnífico como duro filme de Hubert Sauper ‘O pesadelo de Darwin‘ mostra-o em toda a crueza. A vida de 25 milhões de pessoas ao redor do Lago Vitória, mais de metade em situação de desnutrição, recolhem as migalhas da próspera indústria de processamento e comercialização da perca do Nilo destinada ao mercado estrangeiro. Trata-se do lado oculto, e mais dramático, do que aqui na peixaria ou no supermercado nos dizem que é “filete de garoupa”, e que compramos a um módico preço. A cada dia, segundo a campanha Não comas o mundo, dois milhões de pessoas no Ocidente consomem peixe do Nilo. O que equivaleria a satisfazer as necessidades de proteína de 1/3 da população desnutrida que vive em redor do Lago Vitória.  

Em poucas mãos 

Algumas poucas empresas repartem o suculento bolo da pesca industrial. Trata-se de grandes companhias que compram outras pequenas com o objetivo de exercer um maior controle da indústria integrando criação, processamento e comercialização. Atualmente, por exemplo, quatro empresas controlam mais de 80% da produção mundial de salmão: a norueguesa-holandesa Nutreco é a número um, seguida das também norueguesas Cermaq, Fjord Seafood e Domstein que, depois de se terem fundido em 2002, ocupam a segunda posição. 

Outras grandes empresas como a Pescanova, de origem galega, optam pela compra de quotas investindo em produção de salmão no Chile, tilápia no Brasil, pregado em Portugal, camarão na Nicarágua, etc. No entanto, do sucesso à bancarrota: hoje a Pescanova encontra-se na corda bamba, assolada pelas dívidas e à mercê da banca. Um modelo industrial que acaba com a pesca artesanal e em pequena escala, que não pode sobreviver num sistema pensado por e para a pesca intensiva e em grande escala. 

Chegados a este ponto, voltamos a perguntar: Comer peixe é assim tão saudável para nós e para o meio ambiente? Tirem conclusões.  







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