domingo, 27 de outubro de 2013

A História das soluções, da falência e da mudança


"Você deve ser a própria mudança que deseja ver no mundo", Gandhi

Até agora, de todos os filmes da The Story of Stuff Project, esse foi àquele com que eu mais me identifiquei. Não que os outros não sejam bons, são e muito, mas esse desmitifica os muitos equívocos ambientais, que levam ao greenwashing e até ao agravamento dos atuais problemas climáticos.

Não deixe de assistir a versão legendada em português e entenda de uma vez por todas que logística reversa de produtos insalubres industrializados é mais um engodo para isenção de impostos, que mantém exatamente o sistema insustentável que você tenta reverter, comprando coisas chinesas, água mineral engarrafada, sucos em tetrapack, móveis em mdf, brinquedinhos de pet reciclado, 3 carros elétricos na garagem de uma família de 4 pessoas, cosméticos de última geração testados em animais, etc.

A situação só vai mudar quando o consumidor (prefiro o termo cidadão) mudar sua forma de consumir. Consumismo verde é o maior greenwashing ambiental de todos.
Esperar sentado que os supermercados do bairro baixem os preços dos orgânicos é inútil, o cidadão consciente compra seus orgânicos direto do produtor e, se for o caso de município sem sua feira, a solução é a população se organizar e pleitear junto à Prefeitura para que haja pelo menos uma feira semanal atendendo àquelas pessoas.
Organizar passeatas contra a política pública de remoções forçadas é válido, mas se você vende um imóvel tradicional, despeja inquilinos antigos e ainda corre para conseguir financiar em 30 anos um apartamentinho onde antes havia uma escola pública, você tornou-se conivente e financiou o empreiteiro, parceiro do sistema que tenta derrubar na passeata.

O filme inclusive lembra que o atual sistema sustentável, além de manter os grandes problemas insolúveis, estimula o consumidor a consumir cada vez mais, já que a reciclagem resolveria tudo magicamente, o que não é o caso e ainda favorece as grandes corporações, invertendo o sentido real de democracia: pelo povo e para o povo, através de soluções locais, que fortalecem a economia local e cogeradora de empregos.









A história da mudança trata de algo bem simples, que é preciso deixar de ser apenas um consumidor consciente para tornar-se um cidadão consciente.Complementa muito o último filme deles, "A história da falência", o menos badalado de todos e nos mostra que esse mundo obcecado por coisas, cada vez mais obsecado por consumo "verde", precisa ser mudado pelos seus membros e que a solução passa ao largo de produzir e reciclar tudo em escala industrial, mas extamente no oposto, em viver de forma mais simples e só consumindo de forma consciente, acompanhando todas as etapas do processo. 
É curtinho, como todos os filmetes da Story off Stuff, e excelente como os demais.Importante entender a visão de oposição num país onde justamente se levanta a bandeira de direitos civis e se autodenomina "terra da liberdade" e "lar dos bravos".
As soluções são sempre pequenas e locais, o resgate da simplicidade.

Há no site oficial um teste de 7 perguntas, "changemaker quiz", sobre seu perfil transformador da sociedade como cidadão. Como um teste de personalidade, daqueles de revista feminina, mas obviamente sério e voltado para cidadania. Eu fiz o teste e fiquei sempre em dúvida de 2 respostas a cada etapa.
Então fiz 2 vezes.
Sou uma construtora, "builder", felizmente o perfil que mais se precisa sempre, a peãozada que põe a mão na massa. Mas também uma investigadora, o perfil mais estratégico, que descobre os problemas e busca as soluções. Ambos se complementam e, de uma forma ou de outra, eu já esperava mesmo um resultado mais técnico.







The story of broke, ou a história da falência em tradução livre. Não deixe de assistir, é muito bom, principalmente num país onde dos 12 meses anuais trabalhados, 5 são pagos em impostos.

Vale a pena assistir antes ao primeiro da série, "The story of stuff", linkado na postagem "Como funciona uma corporação e como o que você consome, implica nisso", onde há outro filme incrível linkado "The Corporation".
Se estiver realmente com tempo, assista à "Capitalismo", último filme de Michael Moore.

Aqui no blog, sempre é comentado que nós mantemos um sistema que não nos serve para nada, fazemos parte de um ciclo que se retroalimenta as nossas custas.
Nas postagens "Carne & Osso" e "Uma jornada criminosa", você pode ler que o rombo da previdência não é causado por uma máquina pública superaparelhada, mas exatamente pela iniciativa privada, que colabora com uma quantia menor do que as indenizações que causa.

Na postagem "A Transocean, empresa proprietária da plataforma petrolífera que explodiu e originou uma maré negra no Golfo do México no ano passado, decidiu recompensar os seus dirigentes com aumentos salariais e prêmios, depois de considerar 2010 o seu “melhor ano” em questões de segurança." o desrespeito ao segundo maior vazamento de petróleo da história torna-se evidente e conclusivo. O ativo ambiental é encarado como problema da população local, só isso.

Até matemáticos e cientistas, sempre imparciais, já se colocaram contra esse mesmo sistema, mapeado em 147 empresas que controlam 60% das vendas do mundo, leia sobre essa falta de opção na postagem "A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas no mundo"

Em centenas de outras postagens, é mostrada a realidade do trabalhador no Brasil, do trabalho infantil, escravo e até do produtor rural, cada vez mais expulso da sua terra e cliente de empresas que produzem sementes e pesticidas, num monopólio de laboratório que está extinguindo espécies nativas, matando crianças de câncer e afetando lençóis freáticos de cidades vizinhas. Para ler melhor sobre o assunto, vá na postagem que fala do livro e filme "O mundo segundo a Monsanto". 
  
Em "A história da falência", o viés econômico finalmente torna-se "verde", já que os muitos subsídios concedidos pelo governo poderiam e deveriam estar sendo aplicados exatamente no que os ambientalistas insistem há décadas: investimento em energia limpa, pesquisa científica imparcial, educação e saúde de qualidade, aumento dos salários de professores, concessão de bolsas de estudo e reaproveitamento e restauro de edificações já existentes.
Quando uma empresa monopoliza as fontes de água pura de uma região, cabe à população local pagar pela água que antes lhe pertencia. Quando outra empresa (de petróleo, matadouro ou química) polui uma região e o governo arca com os custos da despoluição, somos nós que pagamos pelo erro da empresa, que não divide seus lucros conosco. Pagamos 2 vezes, já que vamos comprar seus produtos futuramente.
O dinheiro gasto com despoluição, incentivo fiscal ou criação de infra-estrutura para instalação das fábricas é o nosso dinheiro, que não está sendo investido no que precisamos: saúde, educação, saneamento básico, segurança pública, transporte público, investimento em energia limpa, cultura, atletas olímpicos, bolsas universitárias, etc...






Outros filmes da The story of stuff:
Como funciona a indústria de cosméticos
A história da indústria de eletrônicos
A história da água engarrafada
A história das coisas



Mais informação:
Soja é desnecessário
O mito do reflorestamento de eucalipto
Quantos escravos trabalham para você?
"Eu queria trabalhar com sustentabilidade"
O lado B da energia eólica em larga escala
Como funciona um programa de compensação ambiental
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
O mito da venda de água: não existe água mineral engarrafada sustentável
Como funciona uma Corporação e como o que você consome, implica nisso
Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)
Lataria e um caminho sem volta: Projeto do pré-sal brasileiro está entre os dez mais 'sujos' do mundo

2 comentários:

Ingrid Pena disse...

Excelente bolg, Carol! Parabéns!

Verônica disse...

Carol, adoro seu blog, adorei o post, só não gostei do último vídeo - e do ranking correspondente. me pareceu meio "classe média sofre". E o ranking? o que sáo aqueles critérios???? Direitos dos homossexuais são irrelevantes, cinco pontos para quem tem formação superior???????? E olha quem está no topo: pdt, psb, psdb e dem... é pra desconfiar...