sábado, 16 de março de 2013

Guia Slow Fish Brasil

"A natureza delicia-se na comida mais simples. Todos os animais, exceto o homem, comem um só prato.", Joseph Addison


Em junho de 2009,  foi postado sobre "Carnes: vírus, hormônios, desmatamento e prazer":
"Se você é vegetariano ou não, é um opção pessoal. Ser vegetariano não te transforma num ser humano melhor, nem mesmo em alguém que obrigatoriamente se alimente melhor. Assim como comer carne, não significa que a pessoa esteja ingerindo mais proteína e seja mais resistente. Mas essa é uma discussão imensa que fica para um outro dia, com mais tempo.

Comer relaciona-se com prazer, fala-se em pecados da carne, que é fraca. O que você escolhe para comer impacta na sua saúde, no planeta todo pelo processo de produção, movimenta uma indústria de milhões que emprega a maior parte da população, pois gera uma reação em cadeia de empregos indiretos.
Um estrangeiro que emigre e case com alguém da população local, vai gerar filhos mestiços, que provavelmente não vão nem falar a língua de seus pais. Com o tempo, perdemos os bens, a cultura e até os traços de nossos antepassados, mas nunca perdemos as receitas.
Mudamos a forma de pensar, trabalhar e até casar, mas não mudamos a comida herdada - comer deve ser o elo perdido.

Em tempo de carnes certificadas contra o desmatamento da maior floresta do planetagado orgânico criado solto sem hormônios nem antibióticos e até vírus desconhecidos assolando nossos rebanhos - como a vaca louca, gripe aviária e agora, a suína - trago uma opção do tempo em que comer carne era um privilégio, as vacas tinham nome e eram quase parte da família.
As crianças cresciam sabendo de onde vinha a comida, como ela era preparada e, principalmente, se a quantidade era suficiente para que todos pudessem comer. A carne não era uma bandeja (plástica) no supermercado.
Para resolver esse problema, nada mais simples do que uma volta às origens"


Semana passada, no Rio de Janeiro:

Toneladas de peixes mortos aparecem na lagoa Rodrigo de Freitas

"Nesta manhã, o biólogo Mário Moscatelli disse que poderia se ter evitado a tragédia ambiental. “Um cenário do século XVII, em pleno século XXI, a três anos dos Jogos Olímpicos, é matéria orgânica, se é do esgoto ou se for provenientes de chuva torrencial, tem que ser avaliado. Ou se é a troca da falta de água, entre o mar, entre a bacia hidrográfica e a Lagoa, fato que tenho certeza que a culpa vai ser atribuída à natureza. Precisamos é de gestão”, explicou o especialista."


Nos EUA - o que era lixo, virou iguaria:


Fish Formerly Considered Trash Now Showing Up on Menus E do outro lado do mundo:

Tubarões dos Mares Mediterrâneo e Negro sob risco de extinção

"As Nações Unidas lançaram um alerta sobre o risco de extinção de tubarões no Mar Mediterrâneo e no Mar Morto. Em comunicado, emitido nesta quinta-feira, a agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, informou que os ecossistemas marinhos podem ter “implicações sérias” com a queda acentuada de tubarões, nos últimos dois séculos.
Em 2007, uma outra pesquisa concluiu que 42% das 71 espécies avaliadas no Mediterrâneo estavam sob ameaça. Os peixes cartilaginosos são conhecidos também pelas baixas taxas de fecundidade, amadurecimento tardio e crescimento lento, o que os tornam mais vulneráveis que os peixes com espinhas.
A sobrepesca também está tendo um impacto negativo sobre as populações de tubarões. Ainda que eles e as arraias não tenham sido alvos deliberados nos Mares Mediterrâneo e Negro, as duas espécies são capturadas por acidente.
Um outro perigo para os grandes peixes são os incômodos causados ao habitat deles como navios comerciais, construções subaquáticas, mineração e contaminação eletromagnética e por químicos."


A OMS recomenda aumento do consumo de pescado. Os ambientalistas gritam que os cardumes não suportam tanta demanda, pois não têm tempo nem para se reproduzir. As pessoas comuns não sabem o que fazer e ainda leram nos jornais que o pescado por causa da poluição é contaminado com mercúrio, que leva a doenças neurodegenerativas.
Seja carne, peixe, soja, açaí ou quinoa, lembre sempre que o mundo é o que você come (e bebe) - segue então o maior Guia Slow Fish publicado até hoje pelo Slow Food. Bom apetite!





SLOW FISH BRASIL

Com a pesca, assim como com a agricultura, o Slow Food acredita firmemente que cada indivíduo pode contribuir em algum nível para mudar os mecanismos de um sistema alimentar globalizado baseado na exploração intensiva de recursos.
Com a sua forte experiência internacional e local, o movimento está convencido de que só podemos trazer mudanças, retornando às origens dos alimentos, colocando a curiosidade e o prazer ao serviço de escolhas responsáveis.

Estamos redescobrindo o diferente, os sabores esquecidos, as espécies locais. Que tendem a cair no esquecimento num mercado globalizado e massificado. Recuperando receitas antigas, novas e atualizadas. Estamos buscando recuperar a sabedoria tradicional de comunidades de pescadores, que muitas vezes não mudaram muito suas práticas de pesca ancestrais, as dietas de gerações passadas, e os recursos conhecidos e desconhecidos guardados por mangues, rios, lagos e mares. Tudo isso faz parte da nossa história e nossa identidade. Medidas assim, a longo prazo vão formando tendências que despressurizam impacto sobre determinados nichos de produção intensificados, trazendo diversidade às escolhas. Toda a cadeia de produção entra num fluxo de melhor equilíbrio.
Neste espírito, a campanha internacional Slow Fish aporta no Brasil lançando iniciativas e compartilhando material de consulta que promova a pesca artesanal, as espécies negligenciadas, o consumo consciente e responsável, e inspirem a reflexão sobre as condições e gestão dos recursos marinhos e continentais.
Para ter alguma chance de sucesso em harmonizar de fato os movimentos da natureza e das necessidades do homem, esta reflexão deve começar em nível local.
Ou seja, com você.
Entenda mais sobre a importância da pesca artesanal responsável e como um peixe pode ser bom, limpo e justo:


Depois de navegar nos conteúdos acima, se você ainda tiver dúvidas ou tiver outras informações que queira compartilhar conosco, entre em contato com o Slow Food.




PEIXE BOM, LIMPO E JUSTO


A filosofia do Slow Food é baseada no direito ao prazer gastronômico diário para todos e caminha de mãos dadas com a recuperação dos vínculos que mantêm unidos o planeta, as pessoas e  os alimentos.
O Slow Food defende o conceito de qualidade alimentar dividido em três princípios fundamentais e interdependentes, resumidos como bom, limpo e justo.

Peixe Bom: fresco, saboroso e da estação, que satisfaz os sentidos e está associado à nossa cultura e à identidade local.

Peixe Limpo: produzido por métodos que respeitam o meio ambiente e a saúde humana.

Peixe Justo: preços acessíveis para os consumidores que ao mesmo tempo garantem condições dignas de trabalho e de vida para os produtores familiares.
Esses princípios correspondem a uma visão global da produção de alimentos, levando em consideração a capacidade do ambiente de se renovar e a necessidade de que as pessoas vivam juntas em harmonia, e são tão aplicáveis aos peixes, como a qualquer outro alimento.
Comendo de forma "lenta" (Slow) e escolhendo peixes bons, limpos e justos, cada um de nós pode se permitir desfrutar dos prazeres da mesa e, ao mesmo tempo, orientar o mercado na direção de uma gestão responsável dos recursos do mar.


PEIXE BOM

O mais fresco, é melhor. Escolha peixes de pescadores locais sempre que puder.

Muitos peixes negligenciados, e subutilizados são deliciosos. Redescobrí-los poderá ajudar a aliviar a pressão sobre as espécies objeto de sobre-pesca, particularmente os grandes predadores que possuem um ciclo de vida longo e desempenham um papel fundamental no ecossistema marinho mas acumulam mais metais e resíduos tóxicos em sua carne.

Explore as diversas receitas com peixes sustentáveis. Pergunte a gerações mais velhas que peixes consumiam e como eles eram preparados em uma época na qual não existiam produtos industrializados.


PEIXE BOM - FRESCO

Quanto mais fresco for o peixe, melhor será para a saúde e o paladar
No Brasil existe uma lei desde 1952 que regula em todo o território nacional as normas para inspeção  industrial e sanitaria de produtos de origem animal. Desde então a normas para o setor sofrem alterações e o produtor deve adequar-se às mesmas.  O setor em crescente expansão reforça a necessidade de que novas normas sejam estipuladas, como para os pescados congelados  e provenientes de outros países.   
Os peixes vendidos embalados devem ter algumas informações técnicas além da composição nutricional.  Como algumas espécies  estão em perigo de extinção e,  portanto, merecem estar protegidas o Ministério da Agricultura reconheceu por meio da portaria nº 3, de  26/05/03 , bem como a instrução normativa nº 5, de 21/05/2004, a garantia de preservação destas espécies.    
Para sermos consumidores responsáveis, sempre que possível temos de escolher cadeias de distribuição curtas, capazes de garantir a origem e o frescor dos frutos do mar e dos peixes.

Aqui estão algumas dicas para reconhecer o peixe fresco:

Em geral, tente comprar peixe inteiro, em vez de filés: é mais fácil dizer se ele é  fresco e custa menos.
Se você quiser filés, um peixeiro bom será capaz de cortá-los para você.
Quando você comprar peixe fresco, avalie as seguintes características:
Odor: o peixe fresco deve ter um ligeiro aroma do mar e algas marinhas e nunca deve apresentar odor desagradável.
Aparência geral: o peixe fresco é brilhante e úmido, com uma superfície ligeiramente viscosa. Ele deve ser firme ao toque, quando não está fresca, a carne torna-se suave e tende a se desfazer.
Olhos: devem ser claros, brilhantes. Fique longe de pupilas escuras e olhos opacos.
Brânquias: localizadas na base da cabeça,devem possuir coloração vermelha ou rosa pálido, devem ser brilhantes e úmidas, não pegajosas ou descoloridas. Verificar as brânquias é uma das maneiras mais fáceis e eficazes de confirmar o frescor.
Escamas: se presentes, estas devem estar firmes e bem aderidas ao peixe.
Carne: esta deve ser firme e elástica ao toque. Em filés, é difícil julgar a consistência da carne. No entanto, dependendo da espécie, deve ser de uma cor branco pérola, com leve tom rosado próximo à coluna vertebral.
Um peixe sem os órgãos internos deve ter uma cavidade abdominal de coloração pálida.  Se houver vestígios de sangue , este deve ser vermelho vivo, enquanto a espinha dorsal deve estar firmemente ligada à carne.
Para manter o peixe fresco por mais tempo, transporte em uma embalagem térmica. Assim que você chegar em casa ou no restaurante, remova cuidadosamente todos os órgãos internos, lave-o em água corrente e, em seguida, seque-o.  Armazene os peixes na parte inferior do refrigerador, embrulhado em papel de alumínio, e o utilize em três dias, no máximo.


PEIXE BOM - ESPÉCIES MENOS CONHECIDAS


Você sabia que existem cerca de 2.500 espécies de peixes apenas no Brasil? O que corresponde a 10% da fauna de peixes do mundo em águas doces, sendo que na região marinha são mais 1.000 espécies. Poucos são venenosos e, portanto, não comestíveis. É impossível listar todas a espécies comestíveis, no entanto, em quase todos os países, apenas 20 espécies são comumente consumidas.

Precisamos saber mais sobre as espécies negligenciadas e descobrir o seu valor gastronômico. Muitas vezes, elas podem ser mais difíceis de identificar ou preparar, mas tão ou mais deliciosas do que os seus mais conhecidos, primos sobre-pescados.
Podemos nos presentear com a satisfação de apoiar a pesca responsável. Como a demanda é baixa, atualmente a maioria de espécies pouco conhecidas são jogadas de volta na água ou vendidas a preços muito baixos. Frequentemente estes peixes são muito saborosos mas o mercado não os considera de grande valor.

O mercado condiciona a pesca. E nós somos o mercado!

Faça isto também pela sua saúde! Pequenos peixes consumidos com os ossos são uma excelente fonte de cálcio.
O Slow Food decidiu não apresentar uma lista de espécies sub-utilizadas e negligenciadas, porque elas variam de mar a mar e porque se fosse para se tornar populares de repente por serem colocadas no pedestal da sustentabilidade isso só iria mudar o problema de lugar, sem resolvê-lo.
Em vez disso, pergunte ao seu peixeiro ou alguém de uma geração mais velha, para ajudar você a descobrir ou re-descobrir interessantes espécies locais.


PEIXE BOM - NA COZINHA


Alguns peixes ficam mais saborosos quando preparados ao vapor, enquanto outros são mais adequados para fritar ou assar. Muitas vezes, descobrir novos peixes também significa descobrir a melhor maneira de cozinhá-los e identificar novas receitas, a fim de apreciá-los plenamente.
Na seção, Qual Peixe Escolher da campanha Internacional Slow Fish, você encontrará uma série de receitas do mundo Slow Food.
Aqui indicamos alguns sites com receitas realizadas com peixes sustentáveis:


Um peixe vendido a um preço justo: acessível para o consumidor, mas também em condições de garantir o pagamento justo para os pescadores.

O peixe capturado pelos pescadores artesanais e honestos. Temos de ajudá-los a manter o setor sustentável e resistir à pressão da pesca industrial e pirata.

Os peixes que não tenham sido submetidos a práticas cruéis, tais como o corte de uma barbatana de tubarão que vem em seguida jogado de volta à água.


Atualmente é muito difícil para o consumidor avaliar o aspecto ético de um produto como o pescado.
Provavelmente, no futuro, um sistema mais eficiente de rastreabilidade e maior transparência nos ajudará a nos informarmos melhor. Conhecer e escolher a origem do peixe que consumimos (local de origem, técnicas de pesca ou cultivo) nos permitirá não somente garantir a sobrevivência das espécies, mas também boicotar práticas questionáveis, como a pesca excessiva de navios estrangeiros nas águas que deveriam estar fornecendo diariamente alimentos para populações inteiras, como está acontecendo ao longo da costa da África ocidental.


PEIXE JUSTO - O PREÇO CERTO


Mudar hábitos de compra e consumo quando se trata de peixe não é certamente fácil.
No entanto, vale a pena fazer o esforço, não só para proteger os recursos, mas também porque pode ser conveniente do ponto de vista econômico.
Espécies negligenciadas são menos comuns (e menos caras!) do que o atum ou salmão mais célebre, mas elas podem ser tão deliciosas quanto. Capturá-los não prejudica diretamente os ecossistemas marinhos. Dando-lhes uma chance no mercado ao decidir comprá-los significa aliviar a pressão sobre as espécies que sofrem com a sua fama e ajuda a reduzir as devoluções, que são, em parte, devido à falta de demanda comercial por peixes poucos conhecidos.
Ao mesmo tempo, o peixe deve garantir pagamento justo para os  pescadores, especialmente porque muitas vezes eles operam em condições difíceis e perigosas. Muitos, chocados com a diferença entre o dinheiro que recebem e os preços de seus peixes em balcões de supermercados, estão tentando encurtar a cadeia de distribuição: oferecendo suas capturas diretamente para os mercados, organizando-se em cooperativas para gerir os seus próprios pontos de venda, trabalhando diretamente com restaurantes em vez de passar por atravessadores ou participando de grupos de compra coletiva de alimentos.
Saiba mais, é conveniente! Graças às cadeias de distribuição curtas você paga menos, come peixe extremamente fresco e garante um melhor salário para os pescadores. Sem mencionar que o contato com esses grandes especialistas do mundo aquático permitirá que você  entenda melhor o que está por trás do peixe em seu prato.


"O Conselho reconhece que o apoio dos Estados para os agricultores familiares, comunidades de pescadores e empresas locais é um elemento-chave para a segurança alimentar e para o exercício do direito à alimentação." (Direitos Humanos da ONU Resolução do Conselho sobre o Direito à Alimentação, 26 de março de 2009)
Dos 15 milhões de pessoas que pescam em tempo integral, a vasta maioria trabalha  barcos que têm menos de 24 metros de comprimento: eles são a força viva da pesca artesanal.
Trabalhando nos oceanos, mares e lagos do mundo, alguns deles pegam somente algumas espécies de peixe, em estações específicas, utilizando técnicas seletivas e procurando manter uma forte identidade cultural e tradições ancestrais. Eles salvaguardam uma profunda e insubstituível sabedoria sobre as populações de peixes.
Os apoios governamentais deveriam ser oferecidos acima de tudo a essas pessoas, que se preocupam muito com a proteção dos recursos. Infelizmente, a realidade é muito diferente.
Ao consumir o peixe capturado por essas comunidades, podemos reunir prazer e responsabilidade.



PEIXE JUSTO - “NÃO” PARA PRÁTICAS CRUÉIS


O pior exemplo de pesca cruel é a dos tubarões. A sopa de barbatana de tubarão, muito estimada em certas partes da Ásia, é agora moda em alguns países ocidentais, infelizmente. Antes de pedir uma porção em algum restaurante supostamente sofisticado, lembre-se que levanta questões éticas em pelo menos duas frentes:
- No topo da cadeia alimentar, este grande predador desempenha um papel fundamental no equilíbrio do ecossistema em que vive. Se o número de tubarões é muito reduzido, a presa aumentará em número e exercerá pressão excessiva sobre o próximo nível abaixo da cadeia alimentar. Este fenômeno é chamado de cascata trófica. A pesca de tubarões tem graves repercussões sobre os seus números, porque eles se reproduzem a um ritmo muito lento, e ao contrário de outros peixes, produzem poucos ovos. Eles simplesmente não deve ser capturados.
- De acordo com a coalizão internacional Shark Alliance, a prática do "finning"está se tornando muito comum para satisfazer a procura de barbatanas de tubarão para a sopa: os tubarões são içados a bordo de barcos de pesca, as barbatanas são cortadas e o resto do tubarão é jogado de volta no mar, muitas vezes ainda vivo. Mesmo na Austrália e em outros países onde a remoção das barbatanas é proibida, a prática continua.







PEIXE JUSTO - PEIXES DOS OUTROS

Alguns países fazem exploração excessiva dos recursos pesqueiros de outros territórios através de acordos comerciais que ignoram não somente a proteção da biodiversidade, mas também os direitos mais básicos das pessoas que por séculos desenvolveram uma relação harmoniosa com os seus recursos.
Esses "acordos" são geralmente feitos entre os governos de países com grandes frotas industriais e os governos dos países pobres, como os da África ocidental, cujas águas territoriais são ricas em peixes. Tais práticas são altamente questionáveis em termos de direitos humanos e da segurança alimentar dos países mais pobres.
Eles ignoram completamente a resolução aprovada pela Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, em 26 de março de 2009, sobre o direito à alimentação, que insiste  que cada país "deve fazer todos os esforços para garantir que as suas políticas internacionais de natureza política e econômica, inclusive acordos comerciais internacionais não tenham um impacto negativo sobre o direito à alimentação em outros países”?
O Brasil possui acordos bilaterais sobre a pesca com países como China e Romenia.
Estes acordos recebem muitas críticas, principalmente porque eles não são transparentes e não há nenhum controle sobre sua aplicação. Enormes interesses econômicos estão em jogo.
Precisamos perguntar quais os benefícios que estão sendo oferecidos para as populações dos países cujas preciosas populações de peixes estão sendo vendidas desta forma e os estoques já estão seriamente afetada pela pesca excessiva.
Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que, em países da África os acordos e o comércio internacional de peixes  não têm impacto sobre os indicadores macro-econômicos (crescimento do PIB e redução da pobreza), porque não há mecanismos que permitem redistribuir a receita da exportação de peixes para as camadas mais pobres da sociedade.


Se você chegou até aqui é porque sente que algo deve ser feito, e melhor. E você pode sim fazer alguma coisa.
O consumo consciente de bens e serviços disponíveis são “A” grande ferramenta que aciona mudanças das futuras sociedades economicamente ativas e ecologicamente sustentáveis. Somente através de nossas atitudes pró-ativas é que será possível corrigir todo esse risco e a sensação de desequilíbrio permanente. Todos nós somos importantes. Funcionários públicos de todos os escalões, pescadores artesanais, industriais, profissionais de cozinha e cidadãos achando meios e formas de alinhar seu consumo e meio de vida às novas demandas ecológicas e sustentáveis, verão que vale a pena! Que esse caminho não é difícil, ele é desafiador, porque te coloca na linha de frente. É muito prazeiroso e altamente transformador.
Convidamos você a estudar o material aqui proposto e o estimulamos a promover um jantar em seu lar, ou desenvolver um prato especial em seu restaurante. E a compartilhar com sua família, amigos e clientes essa história. O que você aprendeu, as aventuras que você se envolveu e tudo o que você acredita e ache correto passar adiante. Aquilo que lhe parece coerente. Bom, limpo e justo.
Bem vindo ao desafio e estilo de vida Slow Fish


SLOW FISH BRASIL - GUIAS E MATERIAIS DE REFERÊNCIA


Por meio da perspicácia e esforço de estudantes e professores dos cursos de Oceanografia, Ciências Biológicas e de Publicidade e Propaganda, a Unimonte criou um catálogo inédito em terras brasileiras que traz a lista de espécies que correm risco de extinção e aquelas que ainda podem ser pescadas sem trazer riscos ao ecossistema marinho.

Trata-se do Guia de Consumo Responsável de Pescados. A publicação é dividida em quatro categorias:Bom apetite (sinal verde), para espécies abundantes, sem problemas de conservação ou cultivadas em cativeiro; Coma com Moderação (sinal amarelo), espécies com declínio na abundância devido à atividade pesqueira; Evite (sinal vermelho), espécies próximas à extinção em virtude do excesso de pesca; e Não, Obrigado! (sinal preto), espécies proibidas para consumo.
Com formato ao estilo pocket (de bolso), o guia foi produzido tendo como base pesquisas científicas feitas por estudantes e professores da Unimonte, além de integrantes da ONG Biopesca, em um trabalho de campo que durou cerca de um mês. Neste período, o grupo envolvido também promoveu o cruzamento de diversas listas de espécies ameaçadas elaboradas por instituições nacionais e internacionais, como Instituto de Pesca de Santos, Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Greenpeace e IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza e Recursos Naturais), e ainda contou com a orientação de especialistas nas áreas de recursos pesqueiros e oceanografia.
O fato de ser inédito e contar com um objetivo especial fez com que praticamente a imprensa de toda a Baixada Santista se interessasse pelo tema, além, ainda, de grandes veículos do País, como a TV Cultura, Editora Abril, Folha de S. Paulo, O Globo, entre outros. Faça o download da apresentação.

(para pesquisa) Tabela de Tamanhos Mínimos de Pescados Brasil
Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura, Brasil

(para pesquisa) Tabelas de Períodos de Defeso Brasil
Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura. Atualizado em Outubro, 2012

(para baixar) Manual de Boas Práticas de Manipulação de Pescado
Material do Ministério da Pesca feito para a população se iniciar nos cuidados de segurança de higiene e saúde na manipulação os pescados

(para baixar) Lista Vermelha do Greenpeace 
Bom pra entender questões externas que nos afetam aqui. O salmão, o atum, o camarão de cultivo. O cação etc...






As receitas:
Gelatina e galatine
Caviar doméstico e Ceviche Panamenho
Na Jureia: o mercado de peixes da colônia de pescadores
Caldos: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso
Hortaliças tradicionais em extinção por causa das tentações da cidade grande


Mais informação:
Você ainda come salmão?
O mundo é o que você come
RIO+20: as primeiras mortes
De onde vem o atum da latinha?
Indústria pesqueira x pesca artesanal
Finning - Até quando teremos esse absurdo?
Porque devemos reduzir o consumo de camarão
Tubalhau, um contrassenso em Fernando de Noronha
O mar não está para peixe: Slow Fish ou "O fim da linha"
Slow Food, vegetarianos, desmatamento e a indústria da soja

quinta-feira, 14 de março de 2013

Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência

Eu cresci sendo levada pelos meus pais a passear no Centro antigo do Rio nos finais de semana. Como os centros financeiros geralmente ficam vazios nos finais de semana, muita gente aproveita para passear pelas áreas históricas com mais sossego. Realmente é o ideal, não encontram-se filas nos museus e centros culturais, muitos dos restaurantes tradicionais ficam abertos e a arquitetura pode ser melhor apreciada.

Anos depois, já com a revitalização da Lapa e do Carnaval de rua carioca, o Centro voltou a aparecer nos holofotes, o que foi ótimo, já que muitas construções abandonadas, puderam então ser restauradas e o Centro antigo, antes decadente, foi ficando cada vez mas bonito.

Já adulta, trabalhando no Centro, sempre gostei de passear na hora do almoço por essas ruas tombadas e preservadas, descobrir lugares charmosos e sebos. A Rua da Carioca, além do nome ímpar, é composta de um casario colonial preservado e tombado de ambos os lados, onde há uma viela escondida chamada "Rua do Verde", onde funcionam dezenas de revendedores de plantas e flores, o que transforma essa viela num jardim a céu aberto - sempre foi então o meu cantinho favorito.

O estabelecimento mais conhecido dessa rua já apareceu aqui no blog 2 vezes, o centenário Bar Luiz, é citado no Guia Slow Food para cariocas e na postagem exclusiva sobre a batata, Existem 5.000 variedades de batata, mas no mercado só se encontra a inglesa , já que sua salada de batatas é considerada a melhor da cidade. 

Agora, todos os estabelecimentos tradicionais da mais carioca de todas as ruas da minha cidade, estão sob ameaça de despejo, já que a rua foi vendida em bloco a um banco, o que impossibilitou que os inquilinos tivessem direito de preferência na compra.
Como é que se vende uma rua em bloco?
Simples, quando todos os imóveis da mesma pertencem a um único proprietário. Nesse caso específico uma pendenga da época do Império, quando a Cúria Metropolitana que representa a Igreja Católica e muitas de suas ordens, arrematou tudo num acordo qualquer que vale até hoje.

Em tempo, o blog não é contra a revitalização de áreas abandonadas e decadentes, muito pelo contrário. Mas como colocou justamente o gerente do Bar Luiz na primeira das reportagens abaixo "Nós estamos numa situação em que o dinheiro está de um lado e a tradição de outro. Se fosse na França, a tradição falaria mais alto." e como argumenta Carlos Tautz na última das 3 reportagens: "Mas, que diabos: será que alguém acredita que um banqueiro invista tanto dinheiro de um fundo de investimento se não for para catapultar os preços dos aluguéis, a despeito da tradição das lojas e das pessoas que estão lá há décadas?"

O curioso é que o brasileiro adora viajar à Europa de avião, gastando uma fortuna, exatamente para desfrutar da antiguidade e a tradição. Mas quando fala-se em preservar nossa cultura e memória, a fúria em transformar o Rio de Janeiro em Miami e Orlando se manifesta de forma incompreensível. Nós já somos uma cidade com ruas tombadas em estilo europeu, ninguém precisa ir à Buenos Aires para sentir-se na Europa, basta visitar o Real Gabinete Português de Leitura na Praça Tiradentes. O Paço Imperial, o Teatro Municipal, a Igreja da Candelária e até a sede do IPHAN, a Confeitaria Colombo e a Rua do Lavradio também cumprem muito bem essa função. E estou sendo injusta esquecendo de milhares de outros exemplos, como o próprio Teatro Carlos Gomes na mesma Praça Tiradentes.
Curioso também observar que a mesma Ordem Terceira, proprietária de tantos imóveis no Morro da Conceição, alguns inclusive abandonados, só vem vendendo os de valor mais alto justamente no boom imobiliário. Se a Igreja Católica foi agraciada com tantos imóveis no início da ocupação do Rio de Janeiro, imagino que tenha havido alguma espécie de compensação filantrópica. Então essas funções sociais perderam a serventia, certo?

Essa histeria modernista que por hora nos assola é o nosso maior sintoma de provincianismo, o turismo nacional não precisa de mega eventos, precisa de infraestrutura e transparência fiscal, afinal já somos um paraíso tropical com uma costa de 8.000km, a maior área alagada em terra firme (o Pantanal) e a maior floresta do planeta (a Amazônica). Pior, o que se está construindo nem é modernista, arquitetura modernista está na obra do Niemeyer, de Affonso Reidy e Lina Bo Bardi, entre muitos outros de seu tempo, e arquitetura contemporânea de qualidade está na sede do MAR, o novo museu da Zona Portuária, que por sinal é integrado a uma construção do século XIX devidamente preservada.





RIO — Era um dia como outro qualquer no Bar Luiz, com políticos, intelectuais e trabalhadores do Centro espalhados pelo salão do final do século XIX. De repente, um ministro entra e se senta a uma mesa. Uma cliente mais atrevida grita: “Ladrão!”. Depois de um segundo de silêncio, recomeça o falatório, ainda mais acelerado por causa da cena, vista num período em que o então ministro era alvo de denúncias. O Bar Luiz sempre foi assim: localizado na Rua da Carioca, é um dos raros lugares do Rio antigo que conseguem manter a clientela e o hábito de “discutir literatura e falar mal dos outros”, reproduzindo uma expressão de João do Rio, sem vender a alma. Só que agora um fantasma — o do despejo — ameaça acabar não só com o famoso chope, mas também com parte da vizinhança da velha Rua da Carioca.

Comerciantes de 18 casarões do lado ímpar da rua — o mais antigo, anterior ao alargamento do começo do século XX — que, no ano passado, foram comprados pelo Opportunity Fundo de Investimento Imobiliário receberam a notificação de que os contratos de locação serão revistos e os aluguéis, reajustados, com data retroativa a 1º de janeiro, como publicou a coluna Gente Boa, do GLOBO, semana passada. No caso do Bar Luiz, o valor pago mensalmente pelo endereço praticamente dobrou: passou de R$ 16 mil para R$ 30 mil, como informa a Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca). Este mês acaba o prazo dado pelo Opportunity para que sejam fechados os acordos: quem não aceitar as condições terá 90 dias para entregar os imóveis. A medida acertou em cheio outras casas tradicionais, como a Vesúvio, especializada em guarda-chuvas desde 1946, e A Guitarra de Prata, que vende instrumentos musicais há 125 anos.
Bar Luiz precisa de obras
No Bar Luiz, as paredes com remendos, os azulejos originais misturados com outros de tonalidades diferentes e os efeitos das chuvas — no último temporal, entrou água pelo teto do prédio — denunciam uma atmosfera de decadência que, para os habitués, também pode ser sinônimo de charme. Apesar da necessidade clara de restauro, tudo ia bem até a notícia da venda em lote pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT), antiga proprietária. 
Os comerciantes mergulharam em seguida num mar de incertezas, que ganhou contornos dramáticos com o aumento dos aluguéis, interpretado lá como manobra para forçar a saída dos antigos
Dona do Bar Luiz, Rosana Santos diz que com o valor cobrado não haverá como manter a casa centenária — exatos 126 anos, sendo 86 na Rua da Carioca — de portas abertas. A ameaça já deixa o clima meio pesado no bar, que, por dia, vende cem litros de chope e serve 70 alemães completos, o prato mais pedido da casa, com salsichas, salada de batata, chucrute e kassler.
O contrato com a VOT iria até 2020. O Bar Luiz, além de fazer parte do conjunto tombado da Carioca pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, foi declarado Patrimônio Cultural Carioca pela prefeitura.
— Eles querem dobrar o nosso aluguel. Não tem condição. Assim o Bar Luiz fecha — diz Rosana, que ainda não assinou o novo contrato proposto.
Uma equipe de arquitetos já esteve no Bar Luiz a mando do Opportunity para avaliar as condições do imóvel. Tirou medidas, analisou o que tem de original, mas ainda não acenou com a sua restauração.

Faixas denunciam tristeza na rua conhecida por ser festeira
Na Carioca, comerciantes e funcionários dizem ter ouvido falar que a rua será transformada num “shopping a céu aberto” ou em “escritórios estilizados”. Tudo não passa de especulações.
— Nós estamos numa situação em que o dinheiro está de um lado e a tradição de outro. Se fosse na França, a tradição falaria mais alto — comenta Manlio Vettorazzo, gerente operacional do Bar Luiz, que, diferentemente dos vizinhos neoclássicos, é art déco.
Os reajustes podem chegar a quase sete vezes do valor do aluguel, como é o caso do self service Catarota:
— É um assalto. Estão pedindo R$ 68 mil de aluguel — conta o proprietário Felipe Rio.
Um furacão — ou uma erupção — perturba a Vesúvio, nome de um vulcão italiano. Com guarda-chuvas, sombrinhas, cadeiras de praia e um sobretudo expostos na vitrine, que parece ser a mesma da época em que Carlos Lacerda era cliente, a loja é hoje um poço de mágoas e preocupação. Lá, o aluguel de R$ 8 mil passaria para R$ 11 mil, no ano que vem para R$ 13 mil e, no seguinte, para R$ 15 mil. Armando Lauria Júnior, que herdou o negócio do pai, calcula que os R$ 15 mil vão virar R$ 18 mil, com as correções.
— Eu me sinto traído pela Ordem Terceira — diz ele. — A gente cumpre todas as nossas obrigações há 67 anos. Não foi oferecida a cada inquilino a opção de compra. Alegou-se que era venda em bloco. Bloco que está todo partido em 13 ruas.
Os comerciantes foram informados em julho de 2012 de que os imóveis estavam à venda em bloco, juntamente com outros 22 espalhados pelo Centro e um em Ipanema. O preço: R$ 54 milhões. Eram 19 endereços na Carioca, sendo que um lojista conseguiu, na Justiça, o direito de comprar o único no lado par.
Comerciantes dizem que contratos anteriores firmados com a VOT não estão sendo respeitados. Presidente da Sarca, Roberto Cury tenta atrair a atenção da opinião pública para o imbróglio. Faixas negras mostram que as coisas não vão bem na “mais carioca das ruas” (e talvez a mais festeira), que foi Rua do Piolho e tem mais de 300 anos de história.
— Se expulsarem os lojistas, a grita no Rio vai ser geral — acredita Cury.

Associação recorre ao MP
A associação já entrou com uma representação no Ministério Público, alegando que o poder público deveria ter tido prioridade na compra dos imóveis, por serem tombados. Em nota, a VOT diz que os locatários e órgãos públicos não apresentaram propostas. O Opportunity, por e-mail, respondeu que a maior parte dos inquilinos demonstrou interesse em permanecer, celebrando novos acordos, a preços justos. Sobre o futuro, o fundo se limita a dizer que “preza pela conservação e manutenção dos imóveis e dos antigos locatários alinhados com esse princípio”.
Para Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, despejar o comércio tradicional pode ser um tiro no pé.
— Para não aumentar tanto os aluguéis, os pavimentos superiores poderiam ser alugados. É necessário entender a singularidade da Rua da Carioca — sugere Fajardo, que lança uma luz em direção ao Bar Luiz. — É um patrimônio. Essa briga eu assumo.





O centro do Rio passa por uma transformação urbanística que levará à região glamour e sofisticação. Imóveis ocupados por motéis, cortiços e bordéis recebem investimentos que revelam a transformação drástica da área histórica. Há anos com casarões abandonados e degradados, a área compreendida entre a Praça Tiradentes, Lapa e Cruz Vermelha passa por valorização e assiste à chegada de escritórios, hotéis e lojas de alto padrão.

Um lote de 19 casarões coloniais na Rua da Carioca é alvo desse processo. Comprado pelo banco Opportunity por R$ 54 milhões, o casario é um tradicional ponto de comércio popular, com restaurantes e lojas, que estão no local há mais de cem anos. Os imóveis pertenciam à Venerável Ordem Terceira de São Francisco, que os colocou à venda para saldar dívidas.
Os casarios integram um conjunto arquitetônico característico do final do século 19, quando o Rio passava por grandes transformações urbanísticas. A arquitetura colonial dos casarões da Carioca perdia espaço para as referências do estilo art déco parisiense. Cafés, confeitarias, salões de chá e lojas de artigos de luxo dominavam a paisagem da época áurea do Rio.
Restauração. Os atuais investimentos privados caminham para retomar essa aura sofisticada. A Rua da Carioca deverá passar por requalificação urbanística de calçadas e marquises, além de restauro de fachadas, segundo o diretor do fundo que adquiriu os imóveis, Jorge Monnerat.
O interior dos casarões será transformado e deverá abrigar escritórios estilizados. "A ideia é que continue sendo um perfil comercial, mas queremos melhorar o uso, sobretudo no segundo pavimento. Em dois anos, a Carioca estará muito mais bonita", afirma Monnerat.
A valorização também é sentida na Rua do Senado, a menos de um quilômetro da Carioca. Durante as obras de um centro empresarial, a construtora W. Torre viu o valor do metro quadrado saltar de R$ 1 mil para R$ 10 mil em cinco anos. A empresa comprou casarões no entorno, investiu R$ 48 milhões em restauro.
O projeto prevê um centro gastronômico em um dos prédios e o aluguel dos demais para bancos, livrarias, lojas e cafés. "Compramos justamente para mudar o perfil de uso e a forma de comportamento das pessoas em relação ao bairro, que era degradado", afirma Antonio Magalhães, diretor da construtora. Para ele, o fluxo diário de 14 mil funcionários da Petrobrás, com sede na região, garantirá o sucesso.
Resistência. Quem não vê com bons olhos a mudança do centro são os comerciantes e inquilinos tradicionais. Os atuais inquilinos da Rua da Carioca temem pela escalada dos aluguéis e tentam anular na Justiça a venda dos casarões.
Segundo Roberto Cury, presidente da Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (Sarca), o procedimento não respeitou a preferência de compra do poder público, uma vez que o conjunto arquitetônico é tombado. "Não queremos acabar com a identidade da rua. Eles podem derrubar tudo dentro e transformar em um shopping. Isso é um crime contra o patrimônio e nós não vamos permitir."




Errei no meu artigo da semana passada “Uma rua para Daniel Dantas”, sobre a aquisição pelo Banco Opportunity de casarões Rua da Carioca, no Centro do Rio.

Imediatamente, enviou-me mensagem uma assessora do Opportunity para esclarecer que: “Daniel Dantas não é e nunca foi sócio do Banco Opportunity. A instituição financeira pertence a Dório Ferman - há 32 anos, seu diretor-presidente. A atividade principal do Banco Opportunity é a administração de fundos de investimentos geridos pelo Opportunity. (...). Atualmente, o Opportunity figura entre as principais empresas independentes de gestão de recursos no mercado brasileiro com patrimônio de cerca de R$ 19 bilhões”.
Sobre o Opportunity - Fundo de Investimento Imobiliário, esclareceu que este foi “Criado, em 7 de outubro de 1996, é administrado pelo Banco Opportunity e por seu diretor que é Dorio Ferman” e, mencionando matéria d´O Globo (6/9), que “O presidente do Opportunity Fundo de Investimentos, Dório Ferman, garantiu ontem, no entanto, que não há motivo para preocupações. Ele afirmou que os inquilinos terão a responsabilidade de preservar os imóveis: — Não temos interesse em retirar lojas tão tradicionais. Nosso único interesse é a preservação dos imóveis. Vamos estudar, caso a caso, e ver o estado de conservação de cada um deles para estimular e exigir dos inquilinos que preservemos patrimônio — declarou Ferman, acrescentando que o aluguel seguirá o mercado: — Se estiver mais alto vamos baixar, se estiver mais baixo, vamos subir. Se alguém achar que está pagando muito, basta nos propor um valor.”
E fica por aqui minha imolação pública. Afinal, permanecem dúvidas quanto aos aluguéis e até à destinação dos imóveis, reforçadas por uma declaração de um dos gestores do fundo imobiliário.
“Os casarios integram um conjunto arquitetônico característico do final do século 19, quando o Rio passava por grandes transformações urbanísticas. A arquitetura colonial dos casarões da Carioca perdia espaço para as referências do estilo art déco parisiense. Cafés, confeitarias, salões de chá e lojas de artigos de luxo dominavam a paisagem da época áurea do Rio. Os atuais investimentos privados caminham para retomar essa aura sofisticada.”
(...) ‘Em dois anos, a Carioca estará muito mais bonita’, afirma Monnerat [gestor do Fundo Imobiliário do Opportunity].”(O Estado de São Paulo, 23/9).

OK, o tal Opportunity não pertence a Dantas, que foi a minha principal afirmação errada.

Mas, que diabos: será que alguém acredita que um banqueiro invista tanto dinheiro de um fundo de investimento se não for para catapultar os preços dos aluguéis, a despeito da tradição das lojas e das pessoas que estão lá há décadas?

Carlos Tautz é jornalista, coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas - www.maisdemocracia.org.br













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sexta-feira, 1 de março de 2013

Os banheiros secos da Ilha de Marajó e a vergonha carioca

Presente de amigo ambientalista, carioca de nascimento mas amazônico por opção, José Virgílio Moura, o filme abaixo dá um show de sustentabilidade, urbanismo, sanitarismo e civilidade através dos conhecimentos simples e milenares da Permacultura associados às novas necessidades urbanas.

Ninguém imagina como é a estação de tratamento de esgoto em uma ilha, ou melhor, pensa logo que basta lançar tudo in natura e esquecer do problema. Pois na maior ilha do Brasil, a Ilha de Marajó com seus mais de 20 municípios, a água é mais do que um fator sanitário, é fonte de lazer e até de transporte e interligação e os banheiros secos vêm sendo adotados como a solução pela população pobre e ribeirinha para manter essa água limpa.


Banheiros Secos na Ilha do Marajó from Garfo e Faca on Vimeo.




A realidade nos cartões postais da minha cidade, que hoje completa 448 anos e é sede dessa Copa e Olimpíadas caríssimas:






Qual a melhor legenda para essa foto?

Foto tirada na praia de São Conrado-RJ, local que recebe milhares de litros de esgoto diariamente.
O problema do despejo criminoso do esgoto 
 nessa região vem sendo combatido pelo Movimento Salvemos São Conrado.
Curta e compartilhe o movimento no facebook: http://www.facebook.com/salvemossaoconrado


Onde eu cresci, na Barra da Tijuca (bairro contíguo a São Conrado), área nativa de restinga e manguezal, catapultada à categoria de Miami carioca para construção de condomínios devidamente isolados por autopistas e dantescos shopping centers.










Há 30 anos, os tais condomínios lançam seus esgotos in natura no Canal de Marapendi, que já foi navegável e considerado próprio para o banho há menos de 40 anos. A geração acima da minha lembra de ter nadado lá. A minha geração, estou com 37, não chegou a tanto e os que tentaram contraíram doenças como hepatite e leptospirose.

Quando morei em 2 condomínios da Avenida das Américas (atrás do manguezal que separa a restinga aterrada para outros construção de outros condomínios à beira mar), fazia essa travessia à balsa diariamente, era o caminho mais curto para a praia. Eu me criei atravessando o mangue para ir à praia na segunda maior cidade do país. A fauna local, que insiste em sobreviver, é composta de garças, capivaras e até jacarés. 
Quando morei em condomínio da Avenida Sernambetiba, à beira mar, era vizinha de um dos prédios acima, do Condomínio Atlântico Sul.
Tudo que está nessas fotos existe e é realidade socialmente aceita pelos próprios moradores.







E por que as muitas construtoras e Associações de Moradores, com tanta grana rolando na cidade com a maior especulação imobiliária do país, nunca se movimentaram efetivamente para mudar esse quadro, enquanto novos condomínios continuam subindo e poluindo indiscriminadamente?
Porque não interessa a ninguém. Quem fala em despoluição num lugar desses são só os surfistas e um ou outro candidato do PV, mesmo assim quando está perto das eleições.


Faça sua parte e assine a petição Avaaz para Transformar a Área de Preservação Ambiental de Marapendi, na Barra (RJ), em Parque Municipal

A atual Área de Preservação Ambiental/APA de Marapendi, na Barra da Tijuca, vem sendo alvo de sistemáticas dilapidações. A APA é uma categoria de unidade de conservação mais flexível, pois, em certas circunstâncias, permite construções. Deste modo, ao longo dos anos, acompanhado da crescente especulação imobiliária na Barra da Tijuca, as áreas de preservação tem sido modificadas para viabilizar a construção de condomínios residenciais e grandes edifícios. O último atentado a APA se deu com a proposta da Prefeitura de construir um novo Campo de Golfe no local em razão dos jogos olímpicos. O PLC 113/2012 foi aprovado em caráter emergencial na CMRJ em dezembro do ano passado liberando uma área de 58 mil metros quadrados para a construção do campo, bem como liberando o gabarito das áreas edificáveis do entorno, alterando de seis para vinte e dois andares. 
Por essa razão, devido à importância da manutenção da reserva ambiental de Marapendi, cujo bioma pertence à Mata Atlântica, tornada Patrimônio Nacional (Lei Federal 11428/2006), é imperativa a alteração da categoria de unidade de conservação de Área de Preservação Ambiental/APA para Parque Municipal de Marapendi, proibindo definitivamente qualquer construção na região e viabilizando investimentos de pesquisa, desenvolvimento e recreação.






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