terça-feira, 25 de junho de 2013

Comendo a ração que vende - parte 08: os móveis de Angela Freitas

A série de postagens "A casa sustentável é mais barata", que até agora estendeu-se por 18 assuntos diferentes e é provavelmente a mais popular aqui no blog, começou após uma leitora muito presente reclamar que construções e reformas sustentáveis são mais caras do que as convencionais. Fiquei surpresa porque a ideia é ser justamente o contrário, além de mais barato financeiramente, ser mais acessível e reaproveitando materiais de refugo preferencialmente.

A série começou com o que eu chamei de "básico de sobrevivência", um apanhado geral de sugestões para tornar qualquer construção ou reforma mais barata e sustentável, curiosamente iniciava e encerrava tratando de móveis:

"01. Você não precisa comprar móveis caríssimos e assinados, produzidos em MDF oriundo de madeira reflorestada. O reflorestamento de eucalipto é um mito que devasta às áreas remanescentes de mata atlântica. Reciclagem é um tripé apoiado em pelo menos 3 conceitos: recusar, reutilizar e só então reciclar. 
Compre móveis de segunda mão, em madeira de lei, nas centenas de lojas, feiras de rua, antiquários de todo o país e até em sites de leilão. Você terá um móvel melhor, mais resistente e que já consumiu sua cota de madeira, água e combustível fóssil na logística de transporte. 
Aproveite para comprar as louças (inglesas), copos (de cristal), talheres (de prata), objetos de decoração, itens de colecionador, obras de arte e afins nesses locais - os vendedores sempre dão desconto.


Para encerrar, eu não tenho nada contra o badalado ecodesign, mas faço do mesmo uma opção de luxo para ocasiões especiais, até porque acredito que a sustentabilidade tem que ser para todos. Se você pode pagar o triplo do valor do sofá das Casas Bahia num sofá em ecodesign assinado e peça única, vá em frente, as peças são lindas e a vida é uma só (até que provem o contrário). Mas sustentável mesmo é o sofá da casa da vovó depois de reformado, lembre-se antes de passar o cartão na loja."


Então, quando uma amiga querida de papo ao telefone, perguntou como quem não quer nada se eu não me sentiria ofendida em "herdar" uns móveis que ela estava pensando em se desfazer, e sim arrumei mais um pretexto para visitá-la.

Angela é uma querida amiga tijucana desde minha primeira moradia no bairro, há 7 anos. Na época, Angela, que é mãe de 2 rapazes, dizia ter 3 filhotas postiças: eu, Alessandra e Ana Carolina.
Alessandra casou-se, teve um lindo menino e foi morar no Mato Grosso do Sul, terra de seu marido. Ana Carolina, baiana de nascimento, voltou para a Bahia como também era seu sonho. E eu ainda voltaria a morar aqui na Tijuca em outras 2 ocasiões, sempre mantendo contato com Angela, a primeira conhecida com quem cruzei na rua dessa última volta à Tijuca.
Angela me viu na fila de uma loja com as pernas salpicadas de azul, eu estava pintando os caixotes de feira que virariam a minha mesinha de cabeceira e, rindo, ficou surpresa com esse meu lado "peão", que ela não conhecia.

Os móveis da Angela, que eu herdei:

Um sofá de 2 lugares com a estrutura toda em madeira maciça, pesado e antigo, estava rasgado e, segundo Angela, havia sofrido miséria nas mãos (e pés) dos filhos dela em criança.





O armário de madeira para guardar louça ou roupa de cama que todo mundo sonha ter, feito pelo avô dela no início do século passado. Seus filhos também aprontaram nesse armário, até figurinha colada tinha. Não deu para salvar, estava comprometido por cupins.

A mesinha de apoio com tampo removível para compartimento auxiliar, no quarto guarda jóias e objetos pessoais, já na copa pode manter talheres à mão e servir de apoiador. Continua nesse estado deplorável, 2 marceneiros diferentes me deram o cano e não apareceram após marcar horário.

Se alguém souber de um bom marceneiro de confiança e cumpridor de horários e também tiver um armário resistente em madeira sem uso, eu continuo precisando de ambos, armário e marceneiro.



Particularmente sempre preferi sofás grandes, retos e modernos em tom neutro, sem estampa. Mas um sofá retrô pede uma excentricidade, uma cor mais forte ou estampa com personalidade para ficar com aspecto alegre e moderno e não com a cara da vovó, o retrô revisitado. Como não gosto de nenhum florido, principalmente colorido, escolhi uns hibiscus havaianos, que não me lembram flor mas praia e, nesse caso parecem ter sido rabiscados a nanquim.

O estofador falou maravilhas do sofá da Angela, que eu fiz bem em ficar com ele, que um móvel antigo e resistente dura uma vida toda e eu só voltaria a ter despesas se quisesse trocar o estofado. Como todo mundo, esse estofador reclamou muito da má qualidade de tudo que compra atualmente, diz que os sofás atuais são imensos e leves por terem a estrutura em madeira de sarrafo, a mesma usada para fazer caixotinhos de feira, que não há estrutura reforçada e, como muita gente já desconfiava, parecem projetados para durar o tempo exato de um crediário. Assim que se termina de pagar, já está na hora de comprar um novo...

Se também não entende porque móveis, eletrodomésticos e até as roupas atuais duram menos do que as antigas, as postagens sobre eletrodomésticos retrô tratam exatamente desse equívoco industrial, a obsolescência programada, uma ferramenta de processo criada com um único fim: fazer o consumidor comprar mais e sempre.



Consumir consciente é um processo: você recusa a compra de um móvel novo e, com isso, recusa a produção que envolve madeira não certificada de um produto descartável. O fabricante produz no mínimo um sofá novo a menos, reduzindo então o consumo de outros recursos naturais, como água, energia, combustível no transporte, etc. O sofá velho que você vai levar no lugar desse novo, que você deixou de comprar, iria para o aterro sanitário, se houver um na sua cidade - geralmente é um lixão a céu aberto. Então, além de reduzir o desmatamento e a obsolescência programada, você também está reduzindo o lixo urbano. Indo ainda mais longe, se você comprou seu móvel de segunda mão num brechó ou antiquariato, o que houve também foi um estímulo ao comércio pequeno e de bairro, que funciona em grande parte na base da troca e nem desconfia da existência desses grandes fornecedores de madeira, tecido, cola, ferragem, que podem até empregar crianças ou poluir nascentes de água numa reserva indígena por precisar produzir em larga escala.

O estofador que me atendeu, parecia um sujeito decente, que mantém um pequeno negócio de bairro há anos no mesmo ponto e me deu desconto e umas almofadas de brinde, que eu não ganharia numa megaloja. E são essas megalojas, que vendem coisas novas que não duram nada, que estão expulsando o comércio tradicional e informal das grandes cidades, catapultando os preços dos aluguéis, descaracterizando as ruas e nos deixando sem opção de escolha.
Até o frete desses móveis foi ecológico, como moramos próxima uma da outra, não usou veículo motorizado, mas uma carroça puxada por um catador de papelão, devidamente pago pelo serviço.






Angela Freitas, querida por todos, vindo ver como aquele sofá velho ficou novo após uma reforma. As paredes da sala já pintadas de branco, por mim. Ficou boquiaberta com a reforma e contou que os filhos tampouco acreditavam tratar-se do mesmo móvel na foto enviada por torpedo via celular. Por ter adorado tanto, não resisti à chegada dela e enviei o torpedo na véspera. 

Angela tem uma agência de turismo voltada para a terceira idade, a Vem com a gente.







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Comendo a ração que vende - parte 06: ventiladores vintage
A casa sustentável é mais barata - parte 01 (básico de sobrevivência)
A casa sustentável é mais barata - parte 03 (material de demolição)
A casa sustentável é mais barata - parte 05 (eletrodomésticos vintage)
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Comendo a ração que vende - parte 11: dos móveis que eu catei, restaurei e pintei

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Comendo a ração que vende - parte 07: mesinha de cabeceira em bobina



Encontrei uma bobina relativamente pequena enquanto vinha andando de volta para casa da Sozed pelo Rio Comprido, bairro próximo ao meu, o Maracanã.
Uma vez a cada 2 meses, levo jornais velhos na Sozed, um abrigo de animais muito respeitado no Rio e que aparece aqui no blog em outra postagem, quando sugeri a doação do décimo-terceiro salário como boa prática natalina.
Numa dessas idas e vindas de lá, encontrei a bobina ao lado dando sopa em frente a uma obra. Olhei de um lado para outro e não vi ninguém, não havia sequer uma caçamba de entulho nessa obra. Bati palmas e tampouco responderam, então botei a bobina debaixo do braço e fiz meu trajeto usual com a consciência limpa.

Eu já tinha 2 mesas grandes de canto em bobina, ambas providenciadas por um amigo que trabalha no Cais do Porto e as guardou em sua casa até eu conseguir ir buscar. Não as pintei na época por falta de tempo e confesso que também um certo receio de não gostar de algo colorido em tamanho grande. Assim mantenho as duas até hoje, ao natural, a postagem com as fotos está linkada abaixo também.

Também já tinha uma mesinha de cabeceira toda em caixotes de feira, cuja confecção também aparece em postagem linkada no fim. Então, resolvi deixar essa nova bobina na cozinha e pintá-la com a cor da estante que faz as vezes de armário de cozinha aqui em casa - eu gosto de cozinha com preto e verde, acho que combina. A pintura de uma bobina menor não leva meia hora, vale a pena tentar.


Se tiver que comprar um móvel novo, compre uma estante de ferro reforçada como a da foto acima, as lojas de material de construção só usam delas - duram anos e cada prateleira suporta até 80 quilos. Pode ser pintada de qualquer cor e combina com qualquer ambiente.


Trazendo uma bobina de rua para casa, lave em água corrente, especialmente nos vãos, pode ter virado ninho de algum bicho. Deixe ao sol para secar por alguns dias e só então parta para os trabalhos de pintura, se for o caso.



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Semanas depois, andando por um dos lugares mais bonitos do Rio, a Praça da República, encontrei outra bobina na calçada do Tribunal de Contas, que em primeira olhada, pareceu do mesmo tamanho. Levei para casa e constatei que a altura era a mesma, mas a largura não, como a foto abaixo demonstra. Repeti o processo e pintei a bobina maior, que com a menor empilhada, virou uma mesinha de cabeceira mais prática do que a minha anterior, em caixote de feira.

Se você tem vontade em fazer seus móveis em caixote de feira, como eu fiz aqui em casa, é preciso atentar a alguns detalhes: existem 2 tipos de caixote, fraco e resistente. O caixote do tipo fraco, além de menor, é de madeira porosa, mais prático para pintar, mas em compensação, qualquer pelo gruda nele de forma irreversível. Numa casa com 3 cães, a minha mesinha de cabeceira mais parecia um pufe. A estante, feita no caixote mais resistente, está firme e forte à prova de pelos caninos. E sua confecção também aparece em postagem linkada no fim. De resto, recomendo reciclar os caixotes fracos, são muito versáteis e podem compor com os mais resistentes, como por sinal é a estante daqui de casa.




Ambas empilhadas viraram uma mesinha de cabeceira à prova de pelos. Gostei do resultado. Usar uma tinta com brilho ajuda a manter uma camada impermeabilizante que não retém os pelos. E o nicho da bobina pode guardar um brinco recém tirado para dormir ou o celular - não coloque uma vela, a tinta é inflamável e a madeira um veículo do fogo.




A banqueta em pé de palito foi outro achado, comprada por menos de R$100,00 na Feira de Antiguidades da Rua do Lavradio, todo primeiro sábado do mês.
Móveis em madeira certificada são um dos muitos mitos combatidos por aqui, o móvel mais sustentável que existe é o móvel de segunda mão, geralmente de qualidade melhor e mais barato para somar mais vantagens. Observe que o reflorestamento de eucalipto é um crime ambiental e o MDF não deveria nem ser considerado ecológico.









Mais informação:
Shopping dos Antiquários
A casa sustentável é mais barata - parte 07 (pallets e reels)
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira
Comendo a ração que vende - parte 02: as bobinas do Camarão
Comendo a ração que vende - parte 03: estante de livros em caixotes de feira
Boa ação de Natal: Dê um destino nobre ao seu 13º, doe uma parte

domingo, 23 de junho de 2013

Almoçando slow na correria do Centro: Vegetariano Metamorfose, Confeitaria Colombo e Bistrô Coccinelle

A Denise Sahione é a única leitora do site e compradora do Festa Vegetariana com quem mantenho uma relação no mundo real. Gostaria de conhecer mais leitoras, pessoas com quem converso mas nunca vi. Por hora, minha amiga do blog é a Denise e vamos bem assim.

Sempre que podemos, almoçamos juntas em restaurantes bacanas do Centro do Rio, priorizamos lugares citados no Guia Slow Food para cariocas, ou que estejam concorrendo ao Comida di Buteco ou simplesmente estabelecimentos muito tradicionais e os grandes vegetarianos.

Seguem 3 almoços memoráveis que tivemos juntas, delícia total em oásis de tranquilidade no lugar mais caótico da Cidade Maravilhosa.

Não repare, Denise é tímida e pediu para não aparecer nas fotos. À toa, trata-se de moça muito bonita, está em ótima forma com seus olhos amendoados e longos cabelos castanhos.


Restaurante vegetariano Metamorfose, citado no Guia Slow Food para cariocas, lembra muito o outro vegetariano onde estive com Tom, o da Associação Macrobiótica.
Ambos funcionam em lindos prédios antigos, possuem cardápio fixo e pequeno, vendem produtos naturais e feitos no local e ainda oferecem um clima de casa, com janelas de madeira abertas, piso em madeira, plantas e ambiente acolhedor.


Era uma sexta e eu fui na Feijoada Vegetariana, com torta crua de frutas sem massa ou açúcar de sobremesa. Tudo delicioso.




Confeitaria Colombo, citada no Guia Slow Food para cariocas e em todos os guias turísticos dessa cidade. Centenária, é a Confeitaria mais famosa do país, para dar uma ideia: quando digita-se "confeitaria" no google, você é encaminhado diretamente ao site deles.
Foi frequentada por grandes como Olavo Bilac e Machado de Assis, além de todos os presidentes antes da mudança da capital para Brasília.
Vou sempre, há 3 ambientes diferentes, um deles com pratos populares muito em conta, outro à la carte e mais caro e o terceiro e maior onde é justamente a confeitaria. É lindíssima, com seus lustres de cristal, espelhos imensos, corrimões dourados e até um piano de cauda negro no meio do salão. Servem chá completo ao som de um pianista, é claro.

Fotografei o novo e o tradicional, que sempre peço e era o sanduíche favorito de minha falecida avó materna (portuguesa), o sanduíche Meireles.
Hoje, encontra-se pão de miga em qualquer lugar. Na época dela, que foi criada a broas e rabanadas, esses sanduichinhos eram o que havia de mais chique. Uma vez, encomendei para viagem e mandei o motorista da empresa onde trabalhava entregar na casa dela, a uns 30 km dali. Ela ligou emocionadíssima agradecendo, chorou pelo gesto. E meu chefe na época obviamente nunca nem desconfiou.

O novo, docinhos antigos revisitados:
Brigadeiro de cupuaçu passado na castanha de cajucasadinho de açaí com cupuaçu (bicolor) e o pastel de nata português sabor caipirinha, o creme de ovos tradicional leva limão e cachaça. Cupuaçu eu aprendi com a outra avó, a paterna, que era paraense, gosto tanto que tenho postagem antiga exclusiva para a fruta, que rende geleia, sorvete, pavê... Virou moda, ainda bem.
E pastel de nata de verdade é o servido pela Colombo, em massa folhada e creme de gemas, fico para morrer quando vejo "pastel de nata" sendo vendido com massa de empada e recheio de leite com maisena.

Repare que vem servido em bandeja de prata, a louça é toda filetada e até os guardanapos descartáveis são monografados com um brasão, um luxo.




Vindo ao Rio, não deixe de conhecer a Colombo, grande parte da nossa tradição e história está naquele cardápio, muitas coisas deliciosas e esquecidas pelo comércio. Vendem grande parte de suas gostosuras para levar em lindas embalagens retrô, um presente que agrada a qualquer um. A foto abaixo é do site deles e acredite, ao vivo é ainda mais bonito.




Denise não conhecia a Colombo, adorou o programa. Fiquei surpresa dela, que é mineira com ascendência libanesa, ser louca por doces portugueses como eu, descendente e crescida numa cidade com alma de botequim e padaria de português, onde até o calçamento das ruas é em pedra portuguesa. Danada, conhecia todos aqueles docinhos de ovos que fizeram parte da minha infância. Ficamos de voltar para tomar um inacreditável sunday de pistache com fios de ovos e os famosos biscoitos "leque" feitos na casa...





Em maio desse ano, não conseguimos entrar no Bar Antigamente (que concorria ao Comida di Boteco), então almoçamos num bistrô francês orgânico que ela já conhecia, o Bistrô Coccinelle. Funciona num sobrado colonial tombado do Arco do Teles em frente ao Paço Imperial na Praça XV, a antiga residência da Família Real Portuguesa. O sobrado ao lado do Cocinelle era a residência de Carmem Miranda, portuguesa e filha de donos de pensão. Os pais dela mantinham um restaurante popular no térreo e a família morava em cima. Há uma placa e hoje, funciona outro restaurante também.

A sacada de onde D. Pedro I anunciou ao povo que ficava e rompia com Portugal é a mesma de onde a Princesa Isabel anunciou a Abolição da Escravatura, nesse prédio, o Paço.








As paredes do bistrô, com desenhos sobre a quiche do dia e os meus 2 guias em cima da mesa: Comida di Boteco 2013 e o Guia Slow Food para cariocas. Eles também usam mesas de bobinas de cabo e estantes de caixote de feira, exatamente como eu fiz aqui em casa.




Comidinha deliciosa, simples e bem feita, de bistrô francês no único bistrô orgânico do Rio de Janeiro. O cardápio todo é bom, sofisticado sem ser pretensioso. Comprei no mercado do meu bairro e levei uma barriga de freira, doce típico português em ovos, de presente para Denise, que deixou para comer depois. 






A foto da comunicação da Abolição da Escravatura pela Princesa Isabel na sacada do Paço Imperial, a do Dia do Fico com D. Pedro I não existe, a tecnologia ainda não havia sido inventada: 







Valorize sempre o comércio tradicional, isso é cultura e um gesto político: Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência





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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)






"A História só se repete como farsa", Karl Marx 
(o blog não é marxista, nem eu, mas a frase é boa e caiu bem)











Primeiro: assista ao vídeo abaixo do PC Siqueira e entenda na base do "como funciona" porque você está sendo usado como massa de manobra para um Golpe de Estado e porque é importante que haja sim partidos políticos em qualquer manifestação. Até durante a Ditadura Militar, existiam 2 partidos, a Arena e o MBD. Multipartidarismo é uma conquista democrática, que se desvirtuou, mas ainda assim muito melhor do que o poder centralizado numa única instituição, como aconteceu nas ditaduras comunistas do leste europeu e na Alemanha hitlerista.

Outra: o Brasil, ao contrário do que aparece no Jornal Nacional, não está em Guerra Civil e precisa de tanques nas ruas para conter uma turba de vândalos e defloradores de donzelas. Tanque na rua aconteceu em 1964, lembra?

O que está rolando é propaganda nacionalista para derrubar um governo democraticamente eleito, chefiado por uma mulher para colocar uma ditadura militar no lugar - como já fizeram antes, veja bem.

Cobertura da Globo, na tevê aberta, é um incitamento à derrubada da Dilma, à força.


O Movimento Passe Livre cancelou qualquer manifestação porque você está sendo usado!

A charge acima é do Angeli, adorado por essas bandas.







O brasileiro se levantou contra toda essa corrupção e violência. Um senso de indignação generalizado, de já ter tolerado demais, apanhado demais.
Mas se você foi à manifestação e usa carteirinha de estudante para ter meia-entrada, mas não é estudante, você é parte do problema. Você não tem moral para reclamar da corrupção deste país. O nome disso é hipocrisia.
(Reclame mesmo assim, por favor, porque são dois problemas diferentes.)
Se você joga bituca de cigarro no chão, você trata a cidade como o seu lixo particular. Mas a cidade é de todo mundo. As ruas estão nojentas e a culpa é sua.
A manifestação é contra você.
Ah, você é ciclista, todo orgulhoso de ser sustentável, um carro a menos, menos trânsito e CO2. Você reclama da opressão do carro, mais forte, contra a bicicleta, o mais fraco. Mas você não para no sinal. Não respeita a faixa de pedestres. Você até anda na calçada, tornando-se o opressor do pedestre.
Não se iluda: a manifestação é contra você.
Você leva o cachorro para passear e não recolhe o cocô. Ninguém admite, mas o resultado está aí: nossas calçadas são um mar de merda. Calçada não é a privada do seu totó.
A manifestação é contra você.
Você joga papel no chão, e não faltam desculpas para não fazer o que é certo. Essa merda de prefeitura que não instala lixeiras, né? Ou, saída de estádio, você toma uma cerveja e joga a lata por aí. Ah, todo mundo estava jogando. Depois vem o cara limpar. A responsabilidade não é do estado. É sua. E você, manifestante, não pode se esquivar a ela nos outros 364 dias da sua vida.
A manifestação é contra você.
Você não cumprimenta o porteiro. Você exagera horrivelmente no perfume e invade o nariz do outro. Você dirige bêbado. Você põe um escapamento superbarulhento na sua moto, que dá para ouvir a quarteirões de distância, incomoda todo mundo e compra um capacete que ajuda a isolar o som. Você obriga todo mundo do ônibus a ouvir a sua música. Você suborna o guarda ou qualquer outro serviço público. Ou ainda, você escreve textos como este, apontando o dedo contra delitos que já cometeu ou ainda comete, achando que dedo em riste exime você da responsabilidade.
Você é parte da violência. Você é parte da corrupção. Se você não mudar, o país não vai mudar. Mas não adianta todo mundo apenas demandar que “o poder” conserte as coisas. Quer mudar o país? Não esqueça de mudar a si mesmo, e pagar o preço da mudança, como um adulto.
Então, vai pra rua, que estava na hora. Mas não esquece: a manifestação é contra você.





Cara, você já sacou que seu grito de guerra é um jingle da indústria automobilística???

O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. Dobram jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.


Se o transporte urbano é uma porcaria a ponto de o povo ir à rua protestar é em grande parte por causa do cartel da indústria automobilística, cujo lobby impede os projetos de navegação de cabotagem, expansão da malha ferroviária aliada aos portos em toda a nossa vastíssima costa de 8.000km.
São Paulo, onde os protestos começaram e cidade onde os líderes do Passe Livre moram e estudam, é justamente onde ocorrem os maiores engarrafamentos desse país.
As marginais alagam, o metrô lota e o caos aumenta, mas ninguém lembra que SP é uma cidade entre rios e que a solução não tem nada a ver com minhocão, rodoanel e talvez até metrô.
Os rios não são uma fonte indesejada de alagamento, são a solução via um projeto sério de transporte público coletivo de qualidade por catamarães. E se esses projetos não vão adiante é porque, apesar de interessarem à população, não interessam à indústria automobilística.

Leia melhor sobre o Projeto de Transporte Fluvial paulista e assista ao filme "Entre Rios" na postagem daqui do blog linkada em "mais informação".


Começa então a CULTURA DO MEDO:

A AMEAÇA QUE PAIRA SOBRE A COPA DE 14

Está na coluna do Ancelmo de hoje que a Copa do Mundo de 2014 poderia ser transferida para os EUA por causa das manifestações. Um dos episódios que mais preocupou a Fifa foi o fato de funcionários estrangeiros da entidade terem ficado com medo depois que o hotel onde estavam hospedados em Salvador foi atacado por manifestantes. Mas a coluna pondera que a favor da realização da Copa no Brasil são contratos entre o governo e a Fifa, que não poderiam ser rompidos de uma hora para outra.

Veja a íntegra da nota publicada hoje: 

"Deve ser exagero. Mas ontem tinha gente na CBF com medo de o Brasil perder a Copa do Mundo para os EUA por causas das manifestações.
Os funcionários estrangeiros da Fifa que estavam em Salvador ficaram com medo. O hotel onde estão hospedados foi atacado por manifestantes.

Segue... A favor da manutenção da Copa no Brasil, diga-se, há contratos entre o governo e a Fifa que dificilmente podem ser rasgados a esta altura do campeonato. (multa rescisória de 3bi na conta do governo)

Mas... As empresas que investiram uma grana preta em ações de marketing na Copa das Confederações estão desoladas. As passeatas desviaram os holofotes de suas marcas."



Boa sorte, Aldo

O ministro Aldo Rebelo diz que não tem qualquer sentido pensar em tirar do Brasil a Copa do Mundo de 2014 por causa das passeatas:
— Quebra-quebra já ocorreu em Londres e Paris. As passeatas têm sido pacíficas. Violência é coisa de uma minoria.
O governo vai, entretanto, reforçar a segurança dos eventos ligados à Copa.

Como dizia Nelson...

Para um amigo que desejou boa sorte ao ministro até o fim da Copa das Confederações, Aldo brincou:
— É como dizia Nelson Rodrigues: com sorte você atravessa o mundo, sem sorte você não atravessa a rua.



O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro admite chamar reforço do Exército


O secretário disse que pode convocá-los para "proteger a integridade das pessoas e o patrimônio público e privado"

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu nesta sexta-feira, dia 21, a necessidade de reavaliar as ações de segurança para impedir o vandalismo em protestos de rua e também de convocar o reforço de militares do Exército Brasileiro que já estão na capital fluminense.
"O Exército está no Rio de Janeiro. Não está em função desses episódios, mas da Copa das Confederações, e eles têm aqui funções específicas, mas tem, sim, um contingente a ser utilizado, se o governo do estado demandar", informou Beltrame.

O secretário disse que pode convocá-los para "proteger a integridade das pessoas e o patrimônio público e privado", completou, em coletiva de imprensa.

Ao fazer um balanço dos confrontos da última quinta-feira, dia 20, entre a população e agentes de segurança, depois da manifestação que reuniu, de acordo com o secretário, mais de 300 mil pessoas no centro da cidade, Beltrame classificou a operação policial como complexa e disse que os agentes lidaram com situações e perfis de manifestantes distintos.




E claro, uma Marcha pelas Famílias com Deus contra o Comunismo, convocando brasileiros de bem no jornal "A Notícia Gospel". Pela tradição, família, propriedade e uma bancada evangélica no Congresso.







Da cultura do medo, vem a TEORIA DA CONSPIRAÇÃO:


GLOBO BOICOTA E FATURA COM A COPA

Tudo faz parte do Golpe de que os jovens do Passe Livre são parte – sem querer, talvez.


GLOBO DERRUBA A GRADE. É O GOLPE !

Cobertura da Globo, na tevê aberta, é um incitamento à derrubada da Dilma, à força

A Rede Globo, em tevê aberta, nesta quinta-feira, um dia depois de os prefeitos do Rio e de São Paulo reduzirem as tarifas, derrubou a grade de programação e se dedicou, sem comerciais!,  a abrasileirar o Golpe pela tevê que a Direita conseguiu, por 48 horas, contra o Chavéz, na Venezuela.

A Globo, tão boazinha, fala em democracia, não violência, paz, luta contra a corrupção e entra no Brasil inteiro com imagens ao vivo do quebra-quebra, do desmando, da falta de Governo!.

Por duas horas seguidas, a Globo não põe no ar uma única palavra de alguém, com o manto da autoridade, para jogar água na fervura.

É o “jornalismo catástrofe”!

É um Golpe.

Manjado.

Na Venezuela, deu certo, por 48 horas.

Lá não tinha Copa do Mundo que a Globo não pode permitir que dê certo
– clique aqui para ler “Globo boicota e fatura com a Copa”.

A próxima cobertura da Globo, depois de derrubar a grade de programação, é o impeachment da Dilma.

Palavra de ordem que já se viu na Avenida Paulista, ao lado de “ditadura, já !”

Viva a Democracia!

Como disse o Conversa Afiada, a Globo embolsou o Movimento do Passe Livre.

Não existe passeata de 50 mil pessoas apartidária.


TEM CABO ANSELMO AOS MONTES, NAS RUAS

Clique aqui para ler “Suspeito de arrombar a Prefeitura é filho de empresário da área de transportes”.

E essa história de a Globo de “pintar” o rosto dos meninos com aqueles linhas verde e amarelo, do “fora Collor”?, perguntou o ansioso blogueiro.

Você quer que eu responda com uma pergunta ?, ele respondeu.

O ansioso blogueiro foi dormir com essas observações na cabeça e acordou com um e-mail do amigo navegante Afonso:

Grande Paulo
estava na cara que essa meia dúzia de …do MPL não levaria mais de cinco mil pessoas para as ruas. Veja o que acabo de ler nos comentários de um site.
Você já ouviu falar em brucutus?
Será que o Zé… da Justiça não deveria mandar investigar isso?
O pessoal da ABIN?
Afinal, golpistas estão cometendo crime contra a democracia…ou não?
Bem, o Zé não vai investigar, claro. Quem será que poderia?
Abraço,
Afonso


1.    RELATO DE COMO DESCOBRI OS INFILTRADOS NOS MOVIMENTOS DO MPL PELAS RUAS DO BRASIL.





Ei, reaça, vaza dessa marcha!

Não, reaça, eu não estou do seu lado. Não vem transformar esse protesto legítimo em uma ação despolitizante contra a corrupção. Não vem usar nariz de palhaço, não tem palhaço nenhum aqui. Agora que a mídia comprou a manifestação tu vem dizer que acordou?
O povo já está na rua há muito tempo, movimentos sociais estão mobilizados apanhando da polícia faz muito tempo. São eles os baderneiros, os vândalos, os que atrapalham o trânsito. Movimento pelo transporte, Movimento Feminista, Movimento Gay, Movimento pela Terra, Movimento Estudantil… Ninguém tava dormindo! Essa violência que espanta todo mundo não é novidade, não é coisa de agora. Acontece TODOS os dias nas periferias brasileiras, onde não tem câmera pra registrar ou repórter para se machucar e modificar o discurso da mídia.
Não podemos admitir que nossa luta seja convertida pela direita numa passeata contra a corrupção. Não é uma causa de neoliberais. Não é uma causa pelos valores e pela família. Não estamos pedindo o fim do Estado – pelo contrário! – Esse “Acorda, Brasil” não tem absolutamente NADA a ver com a mobilização das últimas semanas.
Então se tu realmente acredita que a mídia tá do nosso lado, abre os olhos! São muitas as maneiras de se acabar com um levante: força policial, mídia oportunista, adoção e desconstrução do discurso…
Começou a disputa pelos sentidos da efervescência:
“Não é nem um pouco fácil entender a proporção que as coisas estão tomando no Brasil. Os protestos estão cada vez mais heterogêneos, e amanhã (hoje) vai ser um dia gigante e imprevisível. Protestos são convocados por desde movimentos libertários e autogestionados (que se encontram na gênese das manifestações) até pelas páginas ufanistas/moralistas/udenistas como a antipetista Acorda Brasil, que dissemina desinformação e preconceito de classe. Se esse choque de alteridades pode ser potente, também pode gerar desmobilização numa questão de semanas. Começou a disputa pelos sentidos da efervescência. Reacionários estão determinados a também sair do facebook e transformar a insatisfação coletiva numa versão inchada do elitista Movimento Cansei, com sua pauta moralista e antipetista. Por outro lado, governistas estão mais preocupados em deslegitimar as manifestações e em blindar os governos petistas, que não se pronunciam sobre o que acontece por não conseguirem compreender o novo, e quando se pronunciam, não conseguem romper com o emcimadomurismo. A multiplicidade de pautas que desaguam nessa insatisfação generalizada torna impossível vislumbrar os rumos que as coisas irão tomar. Será árdua a tarefa de disputá-los.”





Jean Wyllys: “expulsar e agredir integrantes de partidos é atitude fascista”

“Se você acha que, numa manifestação política, partidos não podem se expressar, você não é “apartidário”: é analfabeto político! Se você reclama da violência policial contra manifestantes, mas usa de violência contra militantes de partidos, você é um babaca incoerente”

Acho legítimo não se identificar com partidos, mas, daí, querer expulsá-los de manifestações populares sem centro nem líderes é fascismo! Acho legítimo gritar que não se identifica com nenhum dos partidos disponíveis, mas querer o monopólio do grito é totalitarismo!
Se você acha que, numa manifestação política, partidos não podem se expressar, você não é “apartidário”: é analfabeto político! Se você reclama da violência policial contra manifestantes, mas usa de violência contra militantes de partidos, você é um babaca incoerente! Se você se chama de “apartidário”, mas ataca apenas um dos dois grandes partidos que se opõe, desculpe-me, você tem partido sim!
Manifestação popular ou festa da democracia é aquela em que apartidários, partidos, simpatizantes e imprensa podem se expressar livremente!



Com partido! Não dá pra eleger presidente por enquete do Facebook

Com o fim dos partidos, as políticas públicas, serão debatidas onde, no Instagram? E depois de derrubarmos a Dilma, vamos escolher o próximo presidente por enquete do Facebook?


Um senhor de seus 70 anos tentava caminhar pela avenida Paulista com uma bandeira vermelha do PCO na noite desta quinta-feira. Era hostilizado o tempo todo: “Sem Partido!” era o básico. O grito era direcionado a todos com qualquer bandeira ou camiseta de partido político. Sempre gritado em coro, e de forma pausada --“Sem par-ti-dooo!!”. Mais um pouco e um de grupo recém-saídos da adolescência começa a urrar em sua orelha, bem próximo, em uníssono: “O-por-tu-nis-taaa! O-por-tu-nis-taaa!”. O militante veterano teve mais sorte do que muitos outros que tiveram as bandeiras arrancadas de suas mãos e queimadas. “Só pode bandeira do Brasil!” foi a ordem determinada aos berros e que ecoou não apenas em São Paulo, mas em muitas outras cidades do país.
É surreal. E assustador. Achei que democracia fosse outra coisa. Esses garotos só podem protestar livremente agora justamente porque esse mesmo senhor, dentre tantos outros, foram às ruas dezenas de vezes, ajudando a restabelecer a democracia em nosso país. E fizeram isso muito antes desses garotos que o xingam nascerem. Milhares de pessoas foram torturadas e outros tantos morreram para garantir a liberdade de expressão desses que agora querem proibir os outros de se expressar.
E não pode bandeira de nada. Até as do movimento LGBT foram coibidas. Afinal, lembre-se, a regra do exército de patrioteens é clara: “só pode bandeira do Brasil”. Afinal o vermelho poderia macular a micareta da juventude da TFP que ocupou a avenida Paulista --e tantas outras Brasil afora-- nesta quinta.

“Aqui é São Paulo, porra!”
Um dia antes, na quarta-feira, assim que foi anunciada a redução das tarifas em São Paulo e no Rio, cerca de 3 mil pessoas correram para a mesma avenida Paulista para comemorar. Também estive lá. Em um dado momento, o grupo todo parou em frente a Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, um dos prédio mais emblemáticos da concentração de riqueza em nosso país. Por um segundo, me bateu uma esperança --“Vão xingar as grandes empresas”, pensei, iludido. Nada disso. Puseram a mão no peito e começaram a cantar o hino nacional, olhando para as luzes verde e amarelas da fachada, emocionados. Alguns o faziam de joelhos para a Fiesp. Literalmente.
Na boa... o que aconteceu com essa molecada? Que educação tiveram (ou não tiveram)? Em que momento da vida dessa garotada ideais de Plínio Salgado e o Olavo de Carvalho tornaram-se mais atraentes do que a rebeldia, a liberdade, o respeito às diferenças?
Pior: se o grosso da massa verde e amarela nem sabe quem é Olavo e quem foi Plínio, outros sabem muito bem: tinham grupos de ultra-direita organizados pelas ruas de São Paulo na noite desta quinta. Vários. Só pra citar meu exemplo pessoal, dentre tantos outros relatos, um elemento que tentei entrevistar leu meu nome no crachá de imprensa, me ameaçou, tentou arrancar o celular de minha mão e me empurrou quando tentei filmá-lo. Gritava exaltado, expelindo perdigotos na minha cara: “Aqui é São Paulo, porra!!”.
Criminosos à parte, estava nas ruas essencialmente uma massa que odeia partidos (qualquer um), e é contra tudo. Acham que todo político é igual –e corrupto-- e querem o impeachment de Dilma e de quem mais se lembrarem do nome. Pintam o rosto com as cores da bandeira, cantam o hino nacional louvando a Federação das Indústrias (ainda não acredito que vi isso) e nem se dão conta do absurdo da situação. Pior: acham lindo, emocionante.
E não é nada lindo, tampouco emocionante.
Acabar com partidos e tirar todos os políticos do poder é um absurdo e deveria ser obviamente uma sandice. Mas a gravidade do momento exige que certas obviedades sejam repetidas muitas vezes: se derrubarmos todos os políticos, fecharmos o Congresso e acabarmos com os partidos, quem assume a presidência, o Luciano Huck?
E as políticas públicas, serão debatidas onde, no Instagram? E depois de derrubarmos a Dilma provavelmente vamos eleger o próximo presidente por enquete do Facebook.
Os governantes que estão aí, por pior que sejam, foram eleitos. Muitos deles com seu voto, aliás. Parênteses: o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), na manhã desta sexta-feira, defendeu na tribuna do Senado o fim de todos os partidos. Inacreditável.
E, caro patriota, pense mais um pouco. Que tipo de gente você acha que está feliz com essa história toda? Se os diretores da Globo e da Veja e mais um bando de radicais conservadores estão marchando a seu lado, pode apostar: aí tem coisa.
Por mais jovem, descolado, bonito, bem nascido, bem vestido e até eventualmente bem intencionado que você seja, me desculpe. Sua postura é de um atraso inaceitável. Está servindo, mesmo que involuntariamente, a interesses perigosíssimos. Mais: você não “acordou” coisa nenhuma. Nessa história toda quem está na vanguarda e despertou há tempos é o tiozinho do PCO que você xingou.

A bandeira do meu partido foi rasgada

Douglas Belchior conta sua experiência na avenida Paulista: "rasgaram minha bandeira da UNEafro, um movimento social negro que nada tem a ver com partidos, mas que não deixa de ser um"
Por ser um direito constitucional, é mais que legítimo a opção de se afiliar ou adotar uma preferência partidária. Por muitos anos, desde o início da minha fase adolescente até oito anos atrás, fui militante orgânico do PT. Hoje tenho preferência pelo Psol e não me sinto nem mais nem menos digno que qualquer outro com escolha diferente.
Incentivo meus alunos e amigos a se afiliarem em um partido que se aproxime das ideias que defendem (e, lógico, disputo essas ideias). Ao mesmo tempo defendo e até admiro aqueles que, legitimamente, optam por "tomarem partido" de não ter partido.
Reconheço que é cada vez mais difícil respeitar ou defender partidos políticos. A prática fisiológica, aliancista e acordista promovida nos últimos 10, 15 anos, desconfigurou o papel ideológico e de demarcação política que se espera dessas organizações. Isso, somado à prática sistemática da corrupção, tornou os partidos e a quem a eles se referencia, prévios vilões.
Ainda assim, apesar de todos os pesares – e são muitos mais e profundos que estes que relato aqui –, defendo os partidos. Uma sociedade dita "democrática", sem partidos mais parece ditadura.


Quando uma minoria não pode se manifestar ou é impedida de se expressar – seja com palavras, seja com bandeiras – e é reprimida, hostilizada ou violentada por isso, mais parece ditadura.
Nesta quinta, dia 20 de junho, estive, uma vez mais, no protesto do Passe Livre na Capital de São Paulo. Foi triste perceber fascistas escondidos por trás das bandeiras e do hino nacional sendo apoiados pela massa festiva, como se na beira do gramado.
É extremamente preocupante que um movimento tão massivo e espalhado quanto esse tenha sido desvirtuado por grupos neonazistas, fascistas, nacionalistas, carecas do ABC, skinheads, grupos racistas, tudo isso com o apoio fundamental dos grandes canais de TV e emissoras de Rádio.
É terrível essa dúbia sensação de viver um momento ímpar de mobilização e, ao mesmo tempo, perceber o movimento sendo catalisado, cooptado e apropriado pelas forças políticas que mais desgraças causaram ao povo brasileiro nesses 513 anos.
Esses grupos, além de reprimir e agredir manifestantes partidários, rasgaram minha bandeira da UNEafro, um movimento social negro que nada tem a ver com partidos, mas que não deixa de ser um.
Estive ali e vi se unir à linha de contenção e enfrentamento ao bloco nazi-fascista, companheiros de militância e amigos de diversos grupos, partidos e movimentos diferentes. O cordão humano formado para se defender da direita raivosa, representada por “bate-paus” fisicamente modificados em academias, precisa se repetir.
E penso eu, às 2h da madrugada e ainda sob o efeito da adrenalina: esse é nosso desafio... Esquerda de todo o Brasil, uní-vos contra a direita, forte, presente e raivosa!





Sabedoria facebucana:

Página oficial do Dahmer - cartunista dos Malvados (cujas tirinhas ilustram dezenas de postagens nesse blog amador, autor da tirinha acima)

"O Movimento Passe Livre não convocará novas manifestações. O legítimo movimento por tarifa zero percebeu que massa despolitizada foi feita para ser manobrada."

"A direita faz banquete com a salada da esquerda."

"Pelo fim dos partidos políticos? Os ingênuos abraçam os ardilosos."


"Se a polícia do Rio queria manter a ordem e proteger o patrimônio público no Centro, por que perseguiu manifestantes até o Flamengo, Lapa e Catete? Por que botou o BOPE com homens mascarados e armados pelas ruas? Por que jogou bombas dentro de bares e edifícios residenciais?"


"O transporte virou um problema central das grandes cidades brasileiras; é o que pauta as eleições em São Paulo, por exemplo.

O Estado tem obrigação de garantir o direito de ir e vir. Para o bem de todos, as tarifas devem garantir a simples manutenção do sistema, jamais o lucro. Esse é o ponto: a garantia de transporte barato e de qualidade, acabando com um trânsito caótico que causa prejuízos para a economia e sofrimento para os cidadãos. 
Não devemos cobrar a manutenção de tarifa atual, mas a redução da passagem e a garantia de transporte público de qualidade como solução para o caos nas cidades do país."



E como essa brincadeira termina:

Médice:






Geisel:

 
Fonte: Jair Bolsonaro Comenta (página de humor-paródia ironizando o reaça, eu curto)





O que outro reaça de extrema direita, Mussolini (criador do fascismo), disse sobre política multipartidária e laica:

"É necessário além do partido único, um Estado totalitário, isto é, um Estado que absorve para transformar e fortalecer todas as energias, todos os interesses, todas as esperanças de um povo."

"Não basta içar muitas bandeiras tricolores (bandeira da Itália) nos vossos refúgios e círculos vinícolas. Queremos ver-vos à prova. Será preciso submeter-vos um pouco a uma espécie de quarentena, política e espiritual. Os vossos chefes, que ainda poderiam contaminar-vos, serão postos em condições de não poderem fazer mal."




Mas você assistiu 
no iutubi ao vídeo da brasileira (branca, ruiva, de olhos verdes e sem sotaque) e está doido para ser carapintada...


O vídeo (que tem seu valor estatístico)





Os carapintadas, que não derrubaram ninguém, nos dias de hoje:








Quer fazer alguma coisa que preste?

Nem pense em dar as caras com morteiro e cabeção de nego na Marcha pelas Famílias com Deus contra o Comunismo, notificada em "A Notícia Gospel". É exatamente isso que esperam que você faça, vá contra o direito constitucional de reunião dos outros, deprede o patrimônio e dê motivo para veículos como o Jornal Nacional e a Veja cobrirem os "baderneiros " no jornalismo catástrofe imundo que pautou os últimos dias.
Se for nessa marcha de extrema direita manipuladora da cultura do medo, vá fantasiado de crente, esconda as tatuagens, tire o piercing, faça a barba, arrume o cabelo e troque o All Star pelo sapato que ganhou da sua avó no Natal. Terno e gravata, cara de "irmão". 
É por uma boa causa.
No meio da Marcha pelas Famílias com Deus contra o Comunismo, quando estiver misturado aos crentes, levante seu cartaz (trazido de casa escondido dentro do paletó do terno) pedindo a cabeça de um comunista que vem atrapalhando imensamente esse país: ALDO REBELO, atual Ministro dos Esportes - o cara que negocia com o COI e a FIFA. Antes de assumir o atual cargo, Aldo Rebelo, que obviamente não tem a menor relação com o esporte nacional, foi o relator do Código Florestal que só atendeu aos interesses de um grupo: a bancada ruralista.
Agremie outros "irmãos" entre seus amigos, todos espalhados com cartazes semelhantes, para aparecer na tv como uma insatisfação comum a vários "brasileiros de bem".
E não se meta em confusão, vai estar cheio de jornalista, se puder dar uma entrevista dizendo em tom sério e afrontado que Aldo Rebelo não representa o "cristão brasileiro" e sim uma "esquerda vendida", será a sua consagração como militante.
Se infiltraram milico no Movimento Passe Livre, qualquer um pode se infiltrar nos movimentos de direita e o Governo deve estar pensando mesmo em entregar a cabeça de alguém numa bandeja de prata para silenciar a turba. 
Cara, isso é usar o sistema contra o sistema, funciona desde a Antiguidade. Boa sorte.




Para trollar:  #compartido e #coxinhadepasseata




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Porque eu nunca vou para as ruas
Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência