sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Cães também comem coco e abacate!























A melhor alimentação para o animal é a comida fresca e de verdade, como a nossa.
Imagina o que não leva na ração para durar tantos anos na prateleira do supermercado?
E todas as rações são transgênicas por conterem soja e milho convencional como ingredientes.

Aqui em casa cachorro come de tudo, ainda bem!
Certas coisas eu descubro por engano, noto que elas gostam enquanto preparo para mim e o cheiro as excita. Então, pesquiso na internet para ver se há alguma contra-indicação e, estando liberado, dou e vejo os resultados nas fezes no dia seguinte.
Cabeça de peixe por exemplo foi uma coisa que eu queria dar, muita gente indica, é sustentável, mas as cães não se adaptaram. Nas duas tentativas, vomitaram tudo e não foi moleza limpar. Desisti e hoje, cabeça de peixe aqui em casa vira pirão, mousse salgada sem gelatina industrial e até caldo para preparo de feijão e sopa de lentilha - eu adoro e é muito saudável.

Com o coco ralado foi assim. Eu estava com fome e peguei um potinho para petiscar vendo tv e, no mesmo segundo, as 3 subiram no meu colo disputando a tigela. Não havia nenhum estudo condenando e agora, elas ganham uma porção individual de coco ralado toda semana.

Já com o abacate, eu havia conhecido umas fazendeiras do interior de Minas, que adoravam um abacateiro, faziam questão de ter muitos abacateiros em sua propriedade. Conversa vai, conversa vem e as razões apareceram "Todo mundo come abacate, vaca, cachorro, coelho, gente..."

Pesquisei no Cachorro Verde e como as duas únicas frutas contra indicadas para cães são uvas (frescas e em passas) e carambolas, ofereci, tendo o cuidado de varrer as cascas antes que elas tentasse roer.
Não conhecia e quando cheguei em casa, assim que tive abacate, testei e funcionou. Como eu, cães adoram abacate!


No piso da minha cozinha, 1 abacate grande e maduro fatiado. Margarida não perde tempo e destrói logo o que consegue.







Pipa e Olímpia, que lambe os beiços comendo seu abacatinho civilizadamente, Margarida ao fundo já na segunda fatia:

 


Pipa vira e revira, mas ainda tenta alguma coisa nos restos da Margarida, que é uma força da natureza quando se trata de comida. Depois, é varrer e passar um paninho.






O coco ralado também é simples, basta arrumar por cima da ração seca industrializada ou deixar puro nos potes se estiver fazendo alimentação natural direto.
























Com os movimentos do próprio cão, o coco se mistura e a ração é inclusive melhor aceita. As três comem sem sair do lugar:




















Receitas para mães e pais de cachorro:
Leite de coco caseiro
Galatine de cabeça de peixe
Abacate: as receitas mais fáceis
Caldos: a tradição alimentar para muita gente e pouco recurso




Mais informação:
Microchipei meus cães
Cães também bebem garapa
Cachorros também comem pés e ovinhas de galinha
Dica sustentável e veterinária do dia: canela e joelho de boi 
Mais uma dica sustentável e veterinária: pescoço de galinha.
Castre seu gato: 1 casal de gatos gera até 60.000 descendentes em 6 anos
Castre seu cão: 1 casal de cães gera até 80.000.000 de descendentes em 1 década
Não existe animal feio, existe animal maltratado: o antes e depois de animais abandonados

Fábricas sem patrão

Na Cúpula dos Povos durante a RIO+20, conheci o pessoal da Flaskô, a fábrica ocupada pelos operários em Sumaré, SP.
Estava para escrever sobre eles desde então, quando recebi um jornal do Movimento das Mães da Praça de Maio em Buenos Aires, o jornal argentino abordava outra ocupação operária, em Neuquen na Patagônia, Argentina.

A expropriação dessas fábricas pelos operários as tornou mais produtivas, impediu as falências fraudulentas onde só quem perde são os demitidos e inverteu a relação homem x máquina, melhorando a qualidade de vida de todos os trabalhadores.


Sem patrão

Trabalhadores da Flaskô mantêm organização da fábrica desde 2003 e enfrentam medidas judiciais 


Em uma rua de chão ao lado da fábrica Flaskô, em Sumaré (SP), dois homens caminham com materiais de trabalho na mão. Perguntados se sabiam que estavam perto de uma experiência inovadora na história do Brasil, uma fábrica sem patrão, um deles pergunta, claramente surpreso: “Como assim, sem patrão?”. O outro, rapidamente, encontra a explicação: “É, ele morreu”. Mas ele, na verdade, eles – Luís e Anselmo Batschauer, da Corporação Holding Brasil – estão vivos e cheios de dívidas.   
O fato é que eles não mandam mais na fábrica de transformação de plástico, que produz vários tipos de embalagens industriais, ocupada e sob comando dos trabalhadores desde 2003. 
De lá pra cá, a Flaskô colecionou processos judiciais, vitórias, cortes de energia, apoiadores, decepções, enfrentamentos diretos e indiretos e hoje, oito anos depois, pode dar aulas de resistência. É a única fábrica ocupada efetivamente por trabalhadores no Brasil, mas mesmo assim sustenta fazer parte do Movimento de Fábricas Ocupadas, na expectativa de que ele possa vir a ser reconstituído.  
A leitura é a seguinte: em momentos de crise, o cerco contra a Flaskô aperta. Porque apesar de pequena - são 69 trabalhadores e trabalhadoras – representa um modelo perigoso. “É uma fábrica isolada, a princípio inofensiva, do ponto de vista da nossa capacidade de influenciar a luta de classes, mas é um mau exemplo [do ponto de vista dos patrões]. Sabemos que quando a situação começa a ficar crítica, os trabalhadores podem recorrer à ocupação de fábrica”, avalia Josiane Lombardi, do Centro de Memória Operária e Popular (Cemop), e pesquisadora do tema da gestão operária. “Estamos vivendo um momento angustiante. A gente sempre sofreu ataques, desde o começo, mas tem momentos em que eles se concentram, e este é um deles. Estamos discutindo uma campanha daqui até o final do ano para divulgar que os ataques estão ficando mais sérios e que os apoiadores têm que estar alertas porque não sabemos o que vai acontecer”, aponta. 
Atualmente, são dois ataques principais: uma máquina - uma das Injetoras Semeardo - vai a leilão virtual no mês de outubro, para tentar cobrir uma dívida de mais de R$ 40 mil relativa a um processo de 1998, da gestão patronal. Outro, ainda mais grave, é um pedido de penhora de 50% do faturamento total da fábrica, o que inviabilizaria completamente a produção. Segundo Josiane, a Flaskô tem um faturamento bruto que gira em torno de R$ 600 mil por mês. Metade desse valor é destinado à compra de matéria-prima, o restante é dividido entre gastos, como energia, e a folha de pagamento. “São movimentos para fechar a fábrica, e eles têm consciência disso”, pontua. 
Segundo o informe jurídico do advogado Alexandre Mandl publicado no fanzine Chão de Fábrica - um dos instrumentos de comunicação da Flaskô - nenhum lance para a máquina foi feito na primeira fase do leilão, que prossegue até o dia 31 de outubro. A intenção agora é convencer a Justiça a pensar a fábrica “com todo o significado social que tem e, por isso, buscar solução para os 200 processos existentes em Sumaré, e não um processo em si”. 
A situação se complica porque os antigos patrões deixaram uma dívida avaliada em R$110 milhões, sendo que 70% são de impostos com o poder público, e a Justiça cobra dos trabalhadores ao invés de procurar aqueles que deixaram o rombo. A gestão operária paga direitos trabalhistas de ex-funcionários que não tinham seus direitos assegurados. Para efeitos de cobrança, os trabalhadores na gestão da fábrica são reconhecidos, mas para a negociação das dívidas, não. 
Estatização
Com base na contradição envolvida na questão das dívidas, a proposta dos trabalhadores é a estatização. Essa bandeira surgiu na ocupação da Cipla - que também é do grupo Holding Brasil - que ocorreu em 2002. Nesse ano, trabalhadores da Cipla e da Interfibra, depois de greve de oito dias cobrando o pagamento imediato dos salários atrasados e dos direitos não pagos, decidem ocupar as fábricas e retomar a produção. O empresário Luís Batschauer concordou em passar “o comando administrativo e operacional” das fábricas para a gestão dos trabalhadores. 
No entanto, passou junto suas dívidas, de mais de R$ 500 milhões. Os trabalhadores, reunidos em um Conselho Administrativo Unificado, passaram a cobrar que a empresa fosse expropriada, como uma forma de o governo cobrar dos patrões as dívidas com os cofres públicos. Em junho de 2003, fazem a I Caravana a Brasília, cobrando a “estatização para salvar 1070 empregos”, já incluídos os 70 da Flaskô, que estava na iminência de fechar. No dia 12, acontece a ocupação da fábrica em Sumaré. 
“A fábrica deve ser de propriedade pública, é nesse sentido a estatização. Praticamente todo o patrimônio está penhorado em função de dívidas, a maioria com os governos, estadual, federal e municipal. O governo não precisaria investir para estatizar essa fábrica. Ao expropriar, deveria cobrar dos donos que fossem pagas as dívidas, ele estaria retomando os bens, sanando as dívidas com os ativos, ativos que estão gerando empregos, lazer, moradia...”, explica Josiane, que participou de um grupo responsável por formular uma emenda à Lei 4132, de 1962, que define os casos de desapropriação por interesse social. A proposta é uma mudança no artigo 2º da lei, acrescentando o seguinte inciso como característica de interesse social: “O aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas que passaram a ser geridas por seus funcionários, sob qualquer modalidade de autogestão”. 
“Esse instrumento de desapropriação é utilizado pelo poder público o tempo todo; para fazer obras, viadutos. Mas cria também uma possibilidade com o mesmo caráter, que inclui a modalidade de interesse social, que permite a desapropriação não apenas por interesse do Estado, mas por interesse social. Queremos incluir uma emenda que fala da demanda de aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas”, explica Josiane.
Esse modelo se assemelha ao que ocorre na Argentina, país que tem cerca de 200 fábricas recuperadas, incluindo empreendimentos como padarias, açougues, hotéis.  
Conselho de fábrica
Há 23 anos trabalhando na Flaskô, Eurico Rocha de Oliveira Filho chama o período anterior à ocupação de “patronal”. Ele explica a diferença: “aqui não tem patrão pra ficar pegando no pé, para começar. Tem mais liberdade para trabalhar. Tem que ter assembleia, reunião de conselho... Na patronal, você só trabalha, não sabe de nada. Só recebe o pagamento e olhe lá”. Giovani Carlos da Silva trabalha na área de expedição, carregamento e recebimento há oito anos, desde a ocupação. “Aqui a gente não trabalha sob a pressão dos patrões, cada um faz o seu serviço, não é pressionado a trabalhar pro patrão”.   
Eurico, 23 anos de Flaskô: “aqui não tem patrão para pegar no pé”

A forma de organização é o conselho de fábrica, com assembleias que acontecem ao menos uma vez por mês, mas podem ser convocadas a qualquer momento. Já o conselho é composto por 11 membros, com eleição anual. Todos os setores - os três turnos da produção, segurança, predial, mobilização, ferramentaria e administrativo - elegem representantes.
30 horas semanais
Foi o conselho de fábrica, em diálogo na assembleia, que programou a reformulação da jornada de trabalho. Josiane Lombardi, do Cemop, conta que a primeira mudança aconteceu em 2004, quando a jornada foi reduzida de 44 para 40 horas semanais, deixando o sábado livre. Em 2006, houve a redução para 30 horas, sem diminuição de salários. Feita com o apoio da Cipla, que já havia passado por esse processo, a produção foi reorganizada e foi possível manter a produtividade. Uma das medidas foi a eliminação de um dos turnos de produção - das 18h à meia-noite - responsável por um alto consumo de energia. 
Outra conquista da fábrica sob controle dos trabalhadores é a queda no número de lesões por movimentos repetitivos. “Não teve mais ninguém afastado com LER desde que a fábrica foi ocupada”, ressalta Josiane Lombardi, que pesquisou as experiências da Cipla, Interfibra, Flaskô e Zanon (fábrica recuperada argentina) em sua tese de doutorado defendida na USP.   

Terreno ocioso ao lado da fábrica foi ocupado por famílias há 6 anos
Em 2005, o terreno ao lado da fábrica, que estava abandonado, foi ocupado por cerca de 300 famílias de Sumaré. A ocupação foi apoiada pelos trabalhadores da Flaskô e alguns deles inclusive se mudaram para a Vila Operária e Popular. Neste ano, conseguiram a instalação de água e energia nas casas, mas ainda falta regularizar o saneamento básico e a iluminação pública. Maria José da Silva mora há quatro anos na ocupação e tem orgulho de dizer que a casa onde mora é sua. Ela defende a fábrica ao lado e coloca “que eles ensinam a importância de lutar pelo que se precisa”. Hoje, 564 famílias moram na região, ainda que muitas delas não tenham participado do processo de luta da ocupação. 
Vila Operária ao lado da fábrica da Flaskô - Foto: Tiago Flores

A comunidade do entorno é convidada a frequentar as atividades promovidas pela Fábrica de Cultura e Esportes, que realiza atividades mensais e oficinas semanais. Rafael Dias, do setor de mobilização, coloca que a iniciativa vem da carência desse tipo de atividade na região. Há oficinas de quadrinhos, campeonatos de judô, xadrez, damas, aula de espanhol, violão, dança de salão e treinos de break, cinema gratuito. Neste ano foi realizado o II Festival Flaskô Fábrica de Cultura, com a apresentação de diversos grupos teatrais, de música, debates e festa. 
“Buscamos garantir a apresentação de uma peça de teatro por mês. Em quase todas as peças aqui, vêm pessoas da vila e de dentro da fábrica que colocam que nunca tinham visto uma peça de teatro na vida”, conta Rafael. Em parceria com o Cemop, são realizadas também atividades ligadas às universidades, para, segundo Rafael, “colocar a discussão da gestão operária para dentro do cotidiano do meio acadêmico”. Outra iniciativa é a TV Flaskô, um canal da web que divulga a luta dos trabalhadores e a Rádio Luta, que também veicula programas na internet. Em parceria com a Rádio Muda na Unicamp, há um programa semanal ao vivo de duas horas sobre o cotidiano da fábrica.    
Intervenção
As fábricas ocupadas viveram seu principal golpe em maio de 2007, quando 150 policiais armados entraram na Cipla e na Interfibra, em Joinville (SC), atendendo a um pedido do INSS de cobrança de dívidas, e expulsaram as comissões de trabalhadores eleitas. Foi nomeado um interventor para gerenciar as fábricas, que coage os trabalhadores a assinar um documento dizendo que eram favoráveis à intervenção. De 2007 a 2009, segundo o Relatório dos processos de criminalização da Flaskô, 400 trabalhadores foram demitidos, o regime de trabalho voltou a ser de 44 horas semanais e as dívidas com o INSS não foram pagas. 
O interventor tentou atuar também na Flaskô, mas os trabalhadores o expulsaram em junho e conseguiram revogar a decisão da Justiça de Santa Catarina, que não poderia atuar em São Paulo. No entanto, o interventor havia solicitado o corte de energia da Flaskô, deixando a fábrica parada por 40 dias. “O pior é que eles cortaram sem aviso prévio e as máquinas estavam em funcionamento, com matéria-prima dentro”, conta Josiane. Além da batalha judicial para reverter a decisão, foram realizados diversos atos públicos. Após o restabelecimento da energia, foi necessário consertar as máquinas e retomar a produção, como se fosse uma segunda ocupação.  








Argentina: Fábrica sem patrão resiste a 10 anos de crise (hoje, são 12 anos)


Desde 2001 ocorreram mais de 140 experiências de fábricas e empresas retomadas pelos trabalhadores 
No final deste ano cumprirá uma década da crise que estourou na Argentina e que desencadeou em uma explosão de mobilizações sociais naquele país. O fato abriu portas para um novo ciclo de lutas, que abarcou desde os conhecidos piquetes (interrupções de vias), às múltiplas assembleias comunitárias, mobilizações de desempregados e espaços de escambo e troca.
Um dos fenômenos mais emblemáticos dessa década foram as cerca de 140 experiências de Fábricas e Empresas Retomadas, chamadas de “Fábricas Sem Patrão”, que deram origem a um processo de autogestão e da ação do trabalhador para exigir seu direito ao trabalho. 

Ainda que inseridas na lógica do capital e da economia de mercado, essas experiências viabilizam outras formas de relação, passando pela divisão igualitária dos salários, pelas decisões coletivas e pela socialização de espaços para criar atividades culturais e até mesmo os bacharelados populares abertos à comunidade. Agora, são os próprios trabalhadores os responsáveis pelos meios de produção. 

A retomada das fábricas começou na segunda metade de 1990, no período menemista, ainda que a maior parte delas tenha surgido após a crise de 2001. Dez anos após a retomada da Fábrica Recuperada “Cooperativa Chilavert Artes Gráficas”, localizada no bairro Pompeya, na cidade de Buenos Aires, conversamos com Ernesto González, da área administrativa desse empreendimento. Aqui, ele fala sobre o processo de retomada que contou com o importante apoio dos vizinhos do bairro para resistir às inúmeras tentativas de despejo e também sobre os atuais desafios pelos quais passa a fábrica diante da constante demanda de produção e da lógica que impõem a modernização tecnológica. A seguir a entrevista com Ernesto González.

Retomada da Fábrica

Em 2002 a fábrica, que se chamava Gaglianone - sobrenome do patrão -, que é uma gráfica antiga, passava por uma grave crise econômica, assim como o país inteiro. A empresa encontrava-se em uma situação terminal, possuía tantas dívidas que estava a ponto de quebrar. No início daquele ano, o patrão quis levar as máquinas que ainda funcionavam, e, quando percebemos que ele estava esvaziando a empresa, nós o impedimos. Foi aí que começou a ocupação. Isto nos motivou e nos impulsionou a permanecer lá, evitando que ele voltasse à noite ou durante os finais de semana.




Fábrica sin patrón y con expropiación
A 12 años de la ocupación y puesta en producción y a tres del decreto aprobado por la legislatura neuquina, el gobierno provincial firmó hoy el decreto de expropiación de la excerámica Zanón, una de las más emblemáticas fábricas recuperadas en todo el país. A partir de ahora, solo restan los tiempos administrativos y legales para que la tradicional fábrica quede efectivamente en manos de los trabajadores. "Desde que se aprobó la ley de expropiación en agosto del 2009 y hasta ahora, faltaba la decisión política de efectivizarla", apuntó el abogado de los trabajadores.

Los trabajadores la cooperativa Fábrica sin Patrones (FASINPAT), que desde hace más de una década sostienen la producción de la fábrica llevada a la quiebre por sus antiguos dueños, recibieron en mano el decreto 1967/12 junto a integrantes del Sindicato Ceramista.
El abogado de los trabajadores, Mariano Pedrero señaló que "esto no termina la expropiación. Es una muy buena noticia, es un paso adelante porque no se puede retroceder". "Lo que resta es que la justicia entregue la fábrica a los trabajadores de Zanón. Una vez que la provincia haga el depósito judicial, el Juzgado Comercial 1 de Buenos Aires debe proceder a entregar la fábrica".
Pedrero indicó que "desde que se aprobó la ley de expropiación en agosto del 2009 y hasta ahora, faltaba la decisión política de efectivizarla. Fue una lucha de muchos años de los trabajadores". Además, destacó que "esto nos da la tranquilidad de que la ley no se puede caer. Ya no puede haber orden desalojo".
"También nos permitirá encarar la necesaria renovación tecnológica de la fábrica porque en la industria cerámica cada ocho años hay obsolescencia y eso a su vez va a permitir mejorar la producción, aumentarla como también los puestos de trabajo", apuntó el abogado.
El secretario general del Sindicato Ceramista, Marcelo Morales expresó que "hace años que esperamos y hoy dimos un paso muy importante". Estimó que "en una semana esté destrabándose la entrega de la fábrica a los trabajadores".
En el mes de octubre de 2000 la familia Zanón, propietaria de la fábrica, despidió al personal y cerró el emprendimiento. Los trabajadores resistieron la medida, se apostaron frente a la fábrica y decidieron ocuparla y ponerla en producción.
La decisión de los obreros fue apoyada por miles de personas en sucesivas manifestaciones que impidieron en ese entonces, el desalojo de las instalaciones ordenadas por la justicia.
Un pronunciamiento de la justicia civil y comercial de Neuquén que condenó a los propietarios por vaciamiento de la fábrica, abrió el camino para que nueve años después, la Legislatura provincial aprobara la ley de expropiación que se ve completada hoy con el decreto del Poder Ejecutivo neuquino.


Página no Wikipedia da FaSinPat de Neuquen







Mais informação:
RIO+20: a Cúpula dos Povos
Quando a Islândia reinventou a democracia
A história das soluções, da falência e da mudança
Ocupe o mundo, tudo é uma Zona Autônoma Temporária
A rede capitalista de 147 empresas que controla 60% das vendas do mundo
Como funciona uma Corporação e como o que você consome, implica nisso
1200 catalães praticam a autogestão com moeda, educação e saúde próprias
Greenwashing é isso aí: Ranking das marcas mais verdes do mundo (mas Darwin explica)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Mousses e pudins de chocolate




Começo pelos meus favoritos, os mais fáceis:




Creme de abacate com cacau (fotos acima e ao lado)
1 abacate orgânico maduro
1 copo de 200ml de leite vegetal caseiro (na foto, usei de castanha do Pará)
1 colher de sopa cheia de cacau em pó
10 tâmaras hidratadas de véspera coadas (pode ser feito também com banana passa)
Bater tudo no liquidificador e levar para gelar

Essa mousse de abacate é uma cobertura incrível para bolos de chocolate em geral, veja melhor na postagem sobre os bolos de chocolate.









Uma opção do século XIX: O pudim de coco de D. Cora Coralina  acrescido de 2 colheres de sopa de cacau em pó



Pudim de arroz com cacau
4 xícaras de creme de arroz feito em leite de coco caseiro
1 1\2 xícaras de chocolate em barra meio amargo
1 xícara de rapadura
nozes, castanhas e frutas para decorar
Derreta tudo, exceto as nozes e frutas.
Sirva morno ou gelado guarnecido de frutas frescas como morango, uvas e berries em geral


Pudim de tapioca com cacau e coco
1/2 xí­cara de tapioca em flocos
4 xí­caras de leite de coco caseiro com bagaço residual
1 colher de sopa de extrato de baunilha
1/ 2 xí­cara de cacau em pó
1/2 xí­cara de rapadura
Opcional: 1/3 de xí­cara de frutas secas picadas
Deixe a tapioca de molho na noite anterior com água suficiente para cobrir completamente. Escorra no dia seguinte.
Misture a tapioca ao leite de coco, cacau e rapadura em uma panela. Leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até a mistura engrossar, cerca de 30 minutos.
Tire do fogo e acrescente a baunilha e as frutas secas.
Sirva morno ou gelado guarnecido de frutas frescas como morango, uvas e berries em geral


Pudim de leite com chocolate (adaptado)
500ml de leite de vegetais caseiro (amêndoas ou coco tendem a ser a melhor escolha)
1 xícara de rapadura ralada
1 colher de sopa cheia de araruta
4 ovos grandes (ou 1 pacote de agar agar)
1 pitada de sal
Para o caramelo: melado de cana ou 1\2 xícara de água e 1\2 de rapadura
Bata todos os ingredientes no liquidificador, leve à forma caramelada e asse em banho maria ou panela do tipo cuscuzeira por meia hora. Apague o fogo e espere esfriar para desenformar.



Mousse de chocolate clássica (adaptada)
200g de rapadura ralada
200g de chocolate meio amargo orgânico em barra
6 ovos caipiras
100g de óleo de coco ou huile de noix
Inicialmente, separe as gemas das claras e reserve.
Em banho maria, derreta o chocolate com o óleo.
Aos poucos, misture bem com uma colher de pau.
Noutra tigela, bata as gemas com a rapadura.
Acrescente neste preparado o chocolate derretido.
Continue a misturar bem.
Bata as claras em neve, acrescentando ao preparado anterior quando der o ponto.
Leve a gelar por 2 horas.



Flan de chocolate com coco
4 xícaras de leite de coco caseiro com o bagaço residual
1/3 xícara de cacau em pó
1/4 xícara de araruta em pó

1/2 xícara de rapadura
1 pitada de sal
1 colher de chá de extrato de baunilha
Dissolva a araruta em 1 copo da quantidade de leite de coco indicada.
Bater todos os ingredientes no liquidificador, exceto a baunilha até obter uma mistura homogênea.
Leve ao fogo, mexendo bem até engrossar.
Desligue o fogo e continue mexendo. Junte a baunilha quando esfriar.
Leve a gelar e enfeite com coco ralado, castanhas, frutas frescas e secas




Mais informação:
Huile de Noix
Nutella caseira
Chantilly de iogurte
O lado duro da rapadura
Gelatinas e manjar de coco

Comendo a ração que vende - parte 10: ímãs de geladeira

Eu não gosto de ímã de geladeira, acho que polui visualmente a cozinha. Os ímãs do tipo "lembrancinha de viagem", além de inúteis por não prenderem nada, são geralmente de gosto duvidoso.
Os ímãs promocionais, úteis por informarem telefones de grande valia, normalmente são feios e em muitos casos ainda trazem um calendariozinho dependurado. Se você joga no fundo da gaveta da cozinha, fica aquela situação "Cadê o telefone da farmácia?". Então, quando fui morar sozinha, adotei o quadro de metal num cantinho da cozinha onde colava todos os ímãs promocionais, deixando minha geladeira do jeito que veio da fábrica: clean.

O tempo passou, mudei de casa outras 2 vezes, mas as bolachas da Devassa continuam lá e outras vieram. Aqui em casa, tem tanto desse ímãs, que levei uma pilha para presentear num dia de oficina de permacultura e acabou tudo na mesma hora.






















Segue o passo a passo que não poderia deixar de ser mais simples:

1. Bolachas de cervejaria ou flyers promocionais do que você gostar. Eu sempre pego os meus em bares, pode ser anúncio de peças de teatro, propaganda de festas, bares e shows, lançamento de sites e até do Governo, como é o da foto abaixo em menção à citricultura do Ministério da Agricultura e Pecuária. As fotos era lindas e eu levei sobre o que amo: laranjas, limões e café.
Mas não imprima nada novo, você não precisa baixar um poster na internet, reuse o que já existe por aí e, acredite, tem muita coisa boa indo para o lixo desnecessariamente.

2. Ímãs de geladeira que estejam sobrando. Eu recuso sempre que me dão, mas mesmo assim, acumula um monte. Para não jogar matéria prima e a propaganda dos outros no lixo, transforme os ímãs de geladeira feios em base de contato para os bonitos que você vai fazer. Cole com superbonder, deixe secar por 2hrs e vá em frente.



Mais informação:
Embalado para presente
"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"
A praga da reciclagem artesanal: não é sustentável e é horrível
O mito da embalagem sustentável: manual básico de reciclagem
Você compra demais ou "De onde vem o lixo produzido no mundo?"
Comendo a ração que vende - parte 01: mesinha de cabeceira em caixote de feira

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Chinampas



Chinampas 2.0 – an Elegant Technology From the Past to Save the Future

Meu nome é Rodrigo lanado e eu sou conhecido como "El Hombre de Maiz" (o homem do milho) e eu represento Hombres de Maiz, que é um projeto que desenvolvi depois de cair fora da faculdade em 2010 para me dedicar inteiramente a minha maior paixão - permacultura - graças à inspiração que recebi de Masanobu Fukuoka e de ensinamentos de Bill Mollison.

Estou muito feliz e orgulhoso de mostrar um pouco mais do que você já sabe, talvez, sobre chinampas. A chinampa (da palavra Nahuatl chinamitl, ou seja, cobertura ou uma caixa de palitos) é um método Mesoamericano antigo para a agricultura e expansão da terra, através de uma espécie de ilhas artificiais. Eles foram usados ​​para cultivar flores e legumes e para expandir o espaço de terra utilizável na superfície de lagos e lagoas nos vales do México. Lembre-se que o México-Tenochtitlan era uma cidade de muitos quilometros feitos de ilhas artificiais. Era muito mais complexo, sustentável e avançado do que o que foi feito em Dubai recentemente (para não mencionar que algumas das ilhas artificiais em Dubai estão afundando e desaparecendo, enquanto as feitas em Xochimilco ter duraram séculos).



Eles foram usados ​​para a agricultura e para a criação de terra, como mencionamos acima. A chinampa é uma ilha artificial feita com troncos, galhos e árvores vivas chamados "Ahuejotes" ou salgueiros. As árvores mantêm o solo da ilha juntos e depois que a árvore cresce, o sistema radicular desta árvore cria uma área sobre a qual é depositado solo devidamente selecionados em camadas de materiais biodegradáveis, tais como, grama, folhas, cascas de frutas e vegetais diferentes, compostagem, plantas aquáticas e outros materiais.

Na medida em que eu pesquisei, é uma técnica desenvolvida no tempos anciãos de Teotihuacan, originalmente criada para climas secos como captação de água e do sistema de produção de alimentos. Parece que eles não eram originalmente de Xochimilco, onde este sistema emigrou e alcançou seu esplendor no século XIV, em torno de 1519. Com o uso desta técnica, os astecas tomaram a maior parte do lago de Xochimilco e, combinado com outras técnicas, tais como canais de irrigação e terraços, lhes permitiu apoiar uma densa população de mais de 230.000 pessoas - que é muito mais do que qualquer outra cidade do mundo na época.

Em Hombres de Maíz ("Homens de Milho") que acho que é uma solução real e acessível, especialmente para climas áridos, mas também muito eficaz na maioria dos climas. É possível capturar e armazenar água, produzir peixe, camarão, legumes, flores, plantas medicinais e todos os tipos de plantas e grãos. Eles não são afetados pela seca, como seriam em outros sistemas e economizam mais de 80% de água em comparação com os sistemas convencionais de irrigação. O sistema protege as colheitas da geada e pragas como moles, formigas, vermes cegos e muitos outros, sem falar que chinampas são até sete vezes mais produtivos por m2 do que qualquer outro sistema de agricultura. O sistema é totalmente sustentável, mantendo a umidade constante na área, que é perfeito para a microbiologia do solo. É perfeito para a criação de um habitat auto-suficiente e uma ótima maneira de responder às inundações e é incrivelmente fértil (provavelmente o sistema agrícola mais fértil que já foi inventado).
É também um sistema de produção de alimentos, que funciona como um sistema de purificação de água, bem como um modificador de clima muito eficaz (imagina transformar vários hectares de deserto em um sistema chinampa). É um sistema elegante, diversificado e saudável de aquaponia natural por assim dizer.

Hoje mais do que nunca é necessário reviver e trazer à luz essa técnica antiga e avançada, porque nestes tempos modernos, pode literalmente salvar a humanidade da fome e ao mesmo tempo, ajudando a reverter o aquecimento global. Imaginem o enorme potencial deste se aplicado em larga escala.



Outra vista da chinampas em Tenochtitlan

É por isso que Hombres de Maíz, a organização que me sinto honrado em representar, assumiu a tarefa de investigar e aprender com os melhores "Chinamperos" (famílias locais que construíram chinampas desde os tempos dos astecas no lago de Xochimilco) para adaptar-se e reproduzir este sistema para climas secos, especialmente para a parte semi-árido do estado de Guanajuato, no México, onde moro. Eu quero que as pessoas da minha região pararem de lutar com a perda de colheitas devido à escassez de água e fazê-lo sem os seus sistemas de gestão hídrica governamentais muito ineficazes e - para não mencionar o problema  -urgente da desnutrição.



Sr. Pedro Mendez, meu amigo e professor

Finalmente, depois de dois anos de pesquisa, o primeiro protótipo experimental chinampa foi construído perto de Guanajuato City. Atualmente esta chinampa é o lar de mais de 20 espécies de plantas aquáticas, muitas delas nativas do Lago Xochimilco e outro de lagos de Guanajuato (Xacaltule, tule, agrião, lentilha, lírios, papiros, etc) e também abriga animais como axolotls (nativo de Xochimilco), um tipo quase extinto de salamandra que é capaz de regenerar até mesmo o seu próprio cérebro, várias carpas e camarão, para não mencionar a flora e a fauna que fizeram tudo isso em casa, como caracóis, rãs, pássaros, besouros aquáticos, etc

Conseguimos adaptar os mesmos conceitos que experimentamos um ano antes em um sistema de "perma aquapônica" que não requer a limpeza dos recipientes de peixe, e nós vamos desenvolver o ecossistema como um lago natural seria, mas em uma versão com uma bomba elétrica. E vimos que, se você acabou de desenvolver um ecossistema lagunar bem equilibrado com plantas, insetos, animais e outros organismos, mesmo se você fizer isso em um recipiente aquapônico pequeno, você pode ser bem sucedido sem alterações de pH e baixos níveis de amônia. Assim, assumimos a tarefa de repetir o mesmo efeito em um pequeno lago artificial de 5.000 lts que não utiliza qualquer equipamento elétrico, e foi plantada a espécie nativa preto e branca de milho de Xochimilco, milho doce de Guanajuato (amarelo-laranja ), milho o sangue de Cristo  (muito bonito, branco com listras vermelhas), feijão Milpa , abóboras e Chilacayotas (um tipo de abóbora que gosta de crescer em solo e se expande sobre a água também), trevo branco (como fixador de nitrogênio), flores, alface e outras culturas, como morangos (todos não híbridos sem sementes transgênicas). A lista de espécies que podem ser cultivadas neste sistema é infinita - quase tudo é possível em um chinampa e obter proteína animal e vegetal de qualidade incrível, com pouca quantidade de trabalho envolvido e quase nenhuma manutenção.

Entre os maravilhosos benefícios deste belo sistema, podemos citar:

Esqueça a tarefa de regar plantas, nunca. Sim, isso é correto. Neste tipo de chinampa modernizada, nunca é necessário regar as plantas, porque elas simplesmente absorvem a água de que necessitam por si só, porque a água sobe do fundo por capilaridade ao sistema radicular das plantas.


Chinampa Experimental de "Hombres de Maíz" com 3 semanas

Esqueça a tarefa de compostagem e fertilizantes. Chinampas permanecer férteis através da água estar plena de peixes, pássaros e outros dejetos que são convertidas pelas bactérias do ciclo do nitrogênio, que transformam (como você bem sabe) amônia em nitritos e nitratos, que as plantas usam para crescer. Você também tem a ajuda de minhocas dos vermes que naturalmente gostam de viver em chinampas, para não mencionar que os lírios usados ​​para fazer camadas de compostagem existe em grandes quantidades sobre a água. Eles fazem um composto maravilhoso  - vermes adoram manter o solo úmido. A umidade neste sistema permite que vários microorganismos e fungos que vivem na terra para sobreviver sem o stress da escassez de água.



Chinampa Experimental de "Hombres de Maiz" em 4 semanas. Alfaces e uma pequena Milpa (milho, feijão, abóbora e outras plantas associadas) em pleno sol sem stress.

Esqueça de germinação e transplante - você economiza tempo e não obtém nenhuma dor nas costas. Quase toda a semente que é jogada ao solo, cresce lindamente.

Este é o melhor sistema que eu já vi ou experimentei. Meus antepassados ​​sabiam muito bem o que fizeram, é talvez esta a razão pela qual Bill Mollison e Geoff Lawton muitas vezes dizem que estes sistemas estão entre os mais produtivas e eficientes do mundo.



Peixes felizes em comer larvas de mosquito e erva daninha

Nós, "Hombres de Maíz", adoraríamos a tarefa de ensinar a propagar essa técnica em todo o mundo se pudéssemos e adaptar este sistema em tantos climas e áreas possíveis para ajudar as pessoas a se alimentar, controlar a erosão e armazenamento de água da chuva de forma eficaz , mas enquanto isso vamos continuar pesquisando, fazendo com que mais e maiores sistemas chinampas sejam implementados. Esta é a pesquisa, desenvolvimento e implementação de "Hombres de Maíz" a serviço da humanidade. .

Vamos continuar a tirar fotografias à medida que progredirmos, e em um artigo posterior vamos mostrar a todos como fazer um chinampa ou "colchão de água", como gostamos de chamá-los, passo a passo em seu próprio quintal.

Desejem-nos sorte. Encorajamos as pessoas em todo o mundo a experimentar este sistema e ver por si mesmos como grandes e belos  são chinampas.














Mais informação:
Hidroponia x Agricultura Orgânica
Algumas hortas urbanas pelo mundo
A casa sustentável é mais barata - parte 11 (irrigação por gotejamento)
No interior do RN, Exército inaugura primeiro poço artesiano que funciona a energia solar
Antiga fábrica abandonada em Chicago é transformada em fazenda urbana vertical energeticamente autônoma


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Refrigerante caseiro

A primeira palavra que eu pronunciei nessa minha vida terrena foi "Coca". Dar coca-cola na mamadeira era normal há 37 anos atrás. As pessoas entram aqui, acham que eu venho de uma família alternativa, moro em ecovila e tive todos os bolos das minhas festinhas de criança em farinha integral. Nada disso. Eu cresci numa família comum e moro no Rio de Janeiro, numa casa de vila, mas num bairro com metrô e um monte de botecos.

Coube a mim mesma ainda adolescente partir para uma alimentação consciente, eram tempos pré internet, sabia-se das coisas por livros, uma palestra ou outra anunciada em cartazes fixados nas paredes de restaurantes naturais, os poucos que existiam (geralmente macrobióticos), um ou outro homeopata que levantava essa bandeira e olhe lá.

Não precisa ir muito longe, para muitas nutricionistas até hoje, dieta é sinônimo de pão light com margarina light, requeijão light e peito de peru, muito peito de peru...

Se eu que fui criada à mamadeira de coca-cola convencional (afinal a diet só apareceu em 1988, quando eu já era uma mocinha de 13 anos), consigo viver sem refrigerante, qualquer um consegue.
Foco e força de vontade, nada justifica o pé na jaca, nem estando de férias na Disney com 15 anos. Perrengue que eu também enfrentei sem colocar uma gota de refrigerante na boca. As coleguinhas de excursão me desafiavam todos os dias e, contrariando todas as expectativas, eu voltei invicta e até um pouco mais magra mesmo encarando os burguers e shakes normais nesse contexto. Voltei sim gostando de chá gelado, limonada e leite puro, que também só conhecia da embalagem, já que o Nescau (cuja composição leva quase 1\3 de açúcar refinado) era o café da manhã da minha geração desde sempre.
Paladar é hábito e disciplina. Aos 16, eu já tinha pavor do Nescau. 




Lendo a notícia sobre o lançamento de uma cola orgânica, Empresa alemã lança “Coca-Cola” orgânica, e fiquei pensando sobre o assunto, a produção orgânica e com menos química da bebida mais incorreta criada pelo homem. Já havia lido sobre duas empresas norte-americanas, a Brooklyn Soda Works e a Pure Soda Works, que explodiram com seus refrigerantes caseiros de sabores pouco convencionais, como frutas vermelhas com tomilho e pimenta rosa.

Já havia bebido um guaraná orgânico gostoso, que lembra inclusive as marcas antigas de "Guaraná Champagne", comprei para provar, achei um pouco doce demais mas gostei. Não voltei a levar pois faço minhas bebidas em casa sem açúcar. Também já havia tomado e gostado muito de um refrigerante caseiro bem azedinho de tamarindo com limão no Restaurante Santa Filomena da Praça da Bandeira, citado aqui no blog no Guia Slow Tijucano.

A própria Coca lançou uma Coca Verde, com rótulo verde e tudo, teoricamente adoçada apenas com adoçantes naturais em função da química proibitiva do aspartame: Coca-Cola lança garrafa verde com adoçantes naturais. Confesso que ainda não paguei para ver qual é a dessa nova Coca, não me falou à alma, até porque Coca é química pura e muito corrosivo. Contra indicado à mulheres de qualquer idade pois contribui e muito com a osteoporose. A primeira boa razão para nunca mais comprar refrigerante é a hidropirataria: 1 litro de Coca-cola consome 37 litros de água para ser produzida e para nosso maior prejuízo, não faz nenhum bem à saúde, muito pelo contrário.

Eu me aprofundo mais nos problemas ambientais na postagem: Por Deus, pela pátria e pela Coca-Cola, cujo texto inicial segue abaixo:
"Uma das postagens mais antigas daqui do blog é sobre um filme, ""Flow", o filme". Nesse documentário, pode ser vista a luta de uma comunidade indiana para a expulsão da fábrica da Coca-Cola de seu entorno.

Aos que não sabem, cada litro de bebida industrializada consome pelo menos 5 litros de água para ser produzida. No caso da Coca-cola, são 37 litros de água para cada litro de bebida fabricada.
Como a indústria instala-se em locais com fontes de água, onde hoje há uma fábrica, amanhã haverá um deserto. Os donos da fábrica, ou acionistas da empresa, recebem isenção fiscal por serem co-geradores de empregos locais e claro, ao secarem as fontes nativas, instalam-se em outro município-estado.

À população local sobram fontes secas, terrenos erodidos, desemprego, micronegócios falidos e instalações abandonadas. Tudo isso é crime de hidropirataria, o passivo ambiental que ninguém administra e rastreia.

Não existe bebida industrializada "verde" e ambientalmente correta, isso é um engodo, greenwashing que ainda nos vende a ilusão de uma embalagem reciclável, gerando então outra praga, a reciclagem artesanal.


Para quem quiser se aprofundar, o marcador hidropirataria traz tudo já postado sobre o assunto, incluindo o comércio insalubre e muitas vezes criminoso de água mineral. 

Em tempo, segundo o Dispositivo de Recursos Hídricos da Constituição Brasileira: lagos, rios e recursos minerais, além de tudo que for prospectado no subsolo, pertencem à União, logo ao povo.



O primeiro guaraná orgânico do Brasil na mesa da minha sala:






















Uma receita minha:
Cajuína orgânica fermentada no kefir por 1 semana. Se não conhece cajuína não sabe o que está perdendo. Cajuína é o que o cearense chama de "vinho de caju", mas não é alcoólico nem açucarado. Seria a versão tropical do apple wine norte-americano vendido em caixas de suco por lá. Tem gosto de doce de caju e é delicioso, eu diluo em água para durar mais, já que do orgânico é mais caro.
Inventei de fazer um refrigerante caseiro de cajuína com kefir e explodiu. Perdi a cajuína e as sementinhas de kefir, que depois receberia novas em doação.





















Deixe destapado para não explodir, como explodiu na primeira vez aqui em casa. As fotos abaixo são de uma fermentação de 3 dias sem rapadura e da respectiva explosão horas depois mesmo com quase metade do frasco vazio. Apoie a garrafa em pote com água e cubra com gaze ou pano de prato para evitar a entrada de insetos - mas não vede após a cultura se manifestar (como na foto), que a explosão é do tipo que acorda os vizinhos.




Outra opção:



Kefir de água curtido em rapadura por 2 semanas, ficou ácido e rascante. Gelei, pinguei limão e aprovei. Gengibre também combina e pode ser incluído ainda na fase do preparo.

Eu faço kefir de tudo, principalmente de suco de uva e maracujá, meus favoritos. São refrigerantes caseiros simples e, no caso do suco de uva, ainda por cima, não precisa nem da rapadura para auxiliar a fermentação. Quando estou com tempo, deixo por pelo menos uma semana. Quando com pressa, deixo apenas 3 dias em vidro vedado. A postagem Kefir e Iogurte mostra o passo a passo.






Já existe uma máquina que produz refrigerante caseiro a partir de xaropes vendidos pelo próprio fabricante, vende nas lojas de artigos finos para cozinha, leia sobre ela no artigo linkado: Máquina produz refrigerante caseiro. Imagino que seja o Nespresso dos refrigerantes, com discurso de caseiro, desde que feito a partir da matéria prima industrializada e produzida exclusivamente pelo fabricante da máquina. Um produto artificial que não te dá a menor possibilidade de criar e variar.


Entretanto, existe uma série de tradições em fermentação, que levam às bebidas gaseificadas inteiramente caseiras. Na postagem sobre as bebidas de festa para final de ano, Eu bebo sim!, eu deixo a receita adaptada de ginger ale, que segue novamente abaixo:

Ginger Ale, adaptado de receita da FoodNetwork
1 xíc. de gengibre ralado
1/2 xíc. de sumo de limão galego ou siciliano
1/2 xíc. de rapadura ralada
1/2 xíc. de kefir intensivo com 2 col. sopa das sementes
2 litros de água a temperatura ambiente
1 pitada de sal
folhas de hortelã fresca
Misture tudo e deixe em pote de vidro alto e com tampa por 3 dias.
Depois dos 3 dias, armazene na geladeira
Coe na hora de servir e decore com folhas de hortelã



Outras opções interessantes naturalmente fermentadas:

Easy peasy ginger beer de Jamie Oliver
140gr gengibre fresco
4 colheres de sopa de rapadura ralada
3 limões
folhas de hortelã
1 litro de água com gás ou gasosa caseira
Rale o gengibre no ralador de queijo
Junte numa tigela com a rapadura
Descasque 2 limões dos 3 totais e leve à jarra, macerando tudo junto com um pilão por meio minuto. Junte o suco do terceiro limão, a gasosa e deixe tapado por meia hora na geladeira.
Prove e veja se está doce ou ácido demais. Coe, adicione a hortelã e sirva.


Kvas ou kvass de framboesas, amoras e nêsperas
Como fiz: coloquei num vidro de conserva, destes com anel de borracha e presilhas, meia xícara de amoras e framboesas lavadas, 2 nesperas grandes sem sementes, picadas, 1 colher (sopa) de gengibre sem pele, ralado, 2 colheres (sopa) de mel e 1 litro de água filtrada. Tampei bem e deixei sobre a pia. De vez em quando, chacoalhava. Depois de três dias a mistura estava colorida e borbulhante. Passei por filtro de café (só usado para frutas) sem apertar as frutas e provei. Achei meio ácido e seco demais e acrescentei mais uma colher (sopa) de mel. Envasei em garrafa com presilha e deixei na geladeira por mais três dias. Abri e puf. Espuma fina na primeira vez, quase como cerveja. Nas outras vezes que abri, ainda um pouco de espuma efêmera e pérlage persistente.


Spritzbier - Refrigerante Caseiro Sabor Limão
10 litros de água
1 kg de rapadura
200 ml de suco de limão
100g de gengibre em 1 litro de água, por aproximadamente 15 minutos.
Em um recipiente grande misture o suco de limão com a rapadura, o gengibre com a água da fervura ainda quente e mexa bem até dissolver todo caramelo. Complete com o restante da água. Tampe e deixe repousar por 24 horas. Passadas as 24 horas peneire tudo e engarrafe em pets; deixe uns 3 dedos livres em cada garrafa por conta da fermentação. Guarde em lugar seco e fresco por 10 dias, antes de servir coloque na geladeira.



Você vai encontrar muitas opções de refrigerantes caseiros na internet, receitas tradicionais em base de água com gás. O blog é muito radical em relação ao consumo de água mineral e no marcador hidropirataria, pode-se encontrar centenas de links evidenciando os porquês.
Eu gosto da ideia do kefir e do gengibre por isso, fermentam naturalmente qualquer líquido. Aqui em casa, faço muita água aromatizada,cujas receitas seguem na postagem Mais água na jarra: receitas de águas aromatizadas, é a coisa mais simples: adicionar fatias de frutas, ervas e especiarias na jarra de água. Minha favorita é em gengibre e, num dia de esquecimento, deixei a jarra vedada em cima da pia de um dia para o outro. Quando acordei pela manhã, o que era uma água do filtro aromatizada na véspera, havia se transformado em água gasosa com gengibre. Então notei que o gengibre havia fermentado a água e era presente em muitas receitas de fermentação como catalisador natural.
O kvass da receita acima é uma adaptação de uma bebida eslava feita a partir de um pedaço de pão seco (fermento básico) com beterraba (fonte de açúcar natural em frutose) e um pouco de soro de leite em água. Sem qualquer aditivo artificial.
A venda e consumo de água mineral engarrafada deveriam ser proibidos, além de insustentável e socialmente irresponsável, é insalubre, já que os minerais são adicionados quimicamente.

Observe que o álcool é uma forma fermentada de sacarose e já tem gente fazendo suas bebidas a partir de garapa, agave e hidromel sem uma gota de álcool de cereais.


Se você resolver fazer seus refrigerantes caseiros, vá em frente sem água mineral, não é por aí:

Nestlé prevê que água engarrafada substituirá refrigerante nos EUA

Empresa é autuada na Baixada Fluminense por captação e venda ilegal de água para o consumo humano

Top Five Dumbest Greenwashed 'Earth Day' Gimmicks, a "Eco-shaped" Bottled Water é a dica número 1


Dos 10 piores "alimentos" para a saúde, os lanches servidos em redes de fast food constam em quase todos os itens: sorvete industrializado, salgadinho de milho industrializado, pizza pronta, batata frita, batata chips, salsichas, bacon, donuts, refrigerante convencional e dietético.



A postagem das cervejas caseiras vem aí, só não me pergunte quando...



As receitas:
Eu bebo sim!
Kefir e Iogurte
Delícias geladas
Mais água na jarra: receitas de águas aromatizadas



Filmes: