sábado, 18 de janeiro de 2014

Aproveitamento do pneu na construção civil

Quem acompanha sabe que a reciclagem artesanal não é bem vinda por aqui, há muitas postagens sobre o assunto e pneus são justamente um dos exemplos mais emblemáticos, já que quase tudo artesanal em pneu, é medonho. Pneu não é algo bonito, recapeado então menos ainda, sejamos realistas.

Existem muitas formas de reciclar pneus, sem precisar fazer dos mesmo alegorias de jardim. Asfalto de polímero por exemplo é uma forma de reciclar pneus derretidos. A Permacultura também é pródiga em apresentar soluções inteligentes em bioconstrução que reaproveitam os pneus sem comprometer a estética da edificação.

Antes que alguém reclame que não dá para recapear tantos pneus, que nem todos os municípios brasileiros têm aterros, que a logística reversa não atende à demanda, minha resposta é uma só:
Então precisa de transporte coletivo melhor para ter menos carros de passeio e com isso menos pneus sendo descartados. País desenvolvido não é aquele onde a classe C pode comprar um seminovo, mas onde há transporte público de qualidade de Norte a Sul para todos.
Se chegamos ao ponto de transformar pneus em matéria prima é porque a solução não é mais a reciclagem, mas mudar o trânsito, afinal já existe mais de 1 bilhão de carros no mundo.

Para lembrar sempre: O Brasil é o único país do mundo que transporta ferro e aço em caçamba de caminhão. Nossos caminhoneiros, ou carreteiros, trabalham por empreitada, sem carteira assinada, aposentadoria ou plano de saúde. Dobram jornadas, a base de estimulante, em estradas esburacadas e veículos muitas vezes não vistoriados.


Estatística oficial: 

O Brasil descarta anualmente em média 30 milhões de pneus usados que, além de serem fabricados a partir da borracha (polímero oriundo de prospecção de petróleo), deixam um passivo ambiental caro. As estimativas chegam a 600 anos até ele virar pó. Além disso, quando queimado ao ar livre, o pneu solta uma fedorenta fumaça negra, que obviamente é poluente. No leito dos rios, eles atrapalham o fluxo natural das águas. E jogar pneu fora, em qualquer lugar, depois de recauchutá-lo várias vezes, parece ser uma prática indiscriminada. Apesar de não haver um dado oficial ou sistematicamente pesquisado, as estimativas são de 30 milhões de pneus jogados por ano. De qualquer modo,somente na limpeza do rio Tietê, entre 2002 e 2006, 120 mil pneus foram encontrados jogados nas águas poluídas do rio paulista. Aliás, os pneus cheios de água foram considerados os grandes demônios da época da dengue.







Aproveitamento do pneu na construção civil


Apresentamos variadas formas de utilização do pneu em processos envolvidos na construção civil, citando o baixo custo, aplicabilidade e criatividade!
Galeria pluvial
Uma economia de R$ 54 mil foi possível com a utilização de pneus reciclados de caminhão na construção de uma galeria para escoamento de águas de chuva na avenida Juscelino Kubitschek e residencial Alvorada, em Araçoiaba da Serra. A Prefeitura empregou na obra o novo sistema, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Obras, Agricultura e Meio Ambiente. As cintas metálicas dos pneus substituiriam tubos de concreto normalmente usados para a construção de galerias deste tipo, que estavam orçados em R$ 72 mil. Com o material reciclado, o custo caiu para R$ 18 mil, o que correspondeu a uma economia de R$ 54 mil, segundo a Prefeitura. As galerias têm uma extensão de oitocentos metros e foram concluídas em agosto. Parte dos pneus usados foi doada por uma empresa que trabalha com materiais recicláveis. Segundo o prefeito, "além de contribuir com a preservação do meio ambiente, os tubos de borracha são mais resistentes ao tempo do que os de cimento".

O secretário Municipal de Obras, Agricultura e Meio Ambiente, explica que a técnica utilizada foi o uso de cintas metálicas unidas em tubos de um metro, por pressão. A própria terra em volta também comprime as cintas. Conforme testes, o material tem resistência para suportar o peso da terra e da pavimentação, por cima. O material alternativo poderá ser empregado na construção de outras galerias no município, diz o secretário, sendo uma solução econômica e ao mesmo tempo de interesse ambiental, pois garante o aproveitamento de pneus usados, que descartados na natureza, sem reciclagem, tornam-se um problema. Na região, outro exemplo de emprego de pneus usados em obras é em Porto Feliz. A Prefeitura utilizou-os na contenção das margens do córrego Pinheirinho, que atravessa a área urbana. De acordo com o secretário de Araçoiaba, há estudo para o aproveitamento do mesmo material em galerias de maior diâmetro. Para isso, seriam necessários pneus de tratores. 
Pneus no uso do asfalto
Asfalto enriquecido com borracha da reciclagem de pneus usados - o asfalto borracha - é a mais nova experiência visando à conservação das estradas . A reutilização dos pneus, além de reduzir os custos de manutenção das rodovias, contribuirá para a preservação ambiental. O trabalho vem sendo executado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) do Rio Grande do Sul. O Secretário dos Transportes, o início dos testes foi no quilômetro 28 da RS/122 (junto ao Posto da Polícia Rodoviária Estadual de Bom Princípio). 

Na Prefeitura Municipal de Bom Princípio Pela primeira vez no Brasil será utilizado um equipamento especial: um veículo pesando 50 toneladas e medindo 25 metros de comprimento simulará o tráfego (simulador móvel de tráfego) numa rodovia. Os testes usualmente realizados utilizam pistas-testes e não estradas normais. Para permitir a comparação do asfalto-borracha com a massa asfáltica (CBUQ), o simulador será aplicado sobre os dois tipos de pavimentos. Depois da aplicação, os técnicos continuarão acompanhando a reação da pista com o fluxo normal do tráfego na rodovia. A nova tecnologia reduzirá os custos de manutenção e aumentará a vida útil das estradas e vai se constituir numa alternativa para o uso dos pneus usados, a exemplo do que já vem ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos. O primeiro simulador de tráfego brasileiro foi desenvolvido e construído pela CMI-Cifali. O produto é um composto de asfalto de petróleo e borracha de pneu. Ao ser misturado com o agregado pétreo (Petróleo), dá origem à mistura asfáltica, comumente denominada de asfalto. No Brasil, sua primeira aplicação ocorreu em agosto de 2001, na Rodovia BR 116, no trecho Guaíba/Camaquã - RS. 
 
Construção de Edificações - parede de pneus
Nas montanhas altas e frias do Chile alguns residentes acharam um meio de construir uma casa que é barata, confortável e muito chique. O material de construção usado foi: pedra local (prontamente disponível), pneus reciclados (também prontamente disponíveis e grátis), vigas de madeira e uma quantia pequena de cimento. 

Sendo feita de material reciclado a construção de paredes com pneus reciclados é ideal para pessoas que têm acesso a poucos recursos, mas podem dispor de mais tempo para construir a própria casa. Para pessoas com menos tempo disponível, com mais recursos e contato com um arquiteto aberto e criativo, a casa pode ter um resultado muito interessante. 



Baixo custo - sendo feita essencialmente de terra e material que normalmente será jogado fora, a estrutura principal da casa será eficiente e de baixo custo. Entretanto, o método exigirá trabalho intensivo. Uma solução ideal para comunidades com baixo acesso de recursos; uma casa de qualidade com quase nenhum custo. 
Alta Massa Térmica - quando combinado com outros componentes passivos do projeto, como sistemas de ventilação, o resultado será uma casa com um ambiente agradável e confortável. Com estes materiais e um bom desenho, não será necessário o uso de ar condicionado o que significa menos uso de energia. 
Estruturalmente Forte e Flexível - as paredes grossas são compostas de pneus enchidos com terra e socadas até que os pneus comecem a se deformar. Camadas subsequentes moldam esta deformação, formando um cadeado mecânico poderoso. O peso das paredes criará uma estrutura forte e estável. Com este método de construção, paredes circulares ou curvas serão tão fáceis de construir quanto paredes retas. 

As paredes têm muito contato com a terra devido a sua largura. Se a terra local for basicamente estável, não será necessária a utilização de fundações de concreto. As filas iniciais de pneus podem ser colocadas diretamente na terra. Cada pneu será enchido com terra e esta será compactada dentro de toda cavidade do pneu. Este enchimento continuará até os pneus começarem a se deformar e se expandir. 

Os pneus das filas de cima serão cheios até se deformarem e se encaixarem uns nos outros, criando uma ligação mecânica forte dentro das camadas subsequentes. Para criar uma superfície mais lisa e evitar o consumo excessivo de massa no enchimento das lacunas entre os pneus, estes espaços poderão ser preenchidos com latas de alumínio e barro. Uma camada final de gesso pode produzir uma superfície lisa e limpa. 




Quem bioconstrói reutilizando pneus e arrasa: 
Michael Reynolds, Garbage Warrior: a bioarquitetura do Novo México



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