terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fábricas de filhotes

Eu adotei 3 cães, 3 viralatas fêmeas, hoje castradas e microchipadas. Claro que gosto de cães, já tive outros antes quando morava com minha família, apenas 1 viralata. Mas em adulta e morando sozinha, decidi que os cães da minha casa seriam adotados de abrigos.

O problema em todo comércio de animais é sempre o mesmo: vira mercadoria e, uma vez dando lucro, os fins justificam todos os meios.
Coloque-se no lugar do criador: você tem 2 ou 3 casais de cães, ou 3 fêmeas e um macho que seja, quando nasce a primeira ninhada (independente de ter pedigree ou não), todos os filhotes são vendidos - seja no Mercado Livre, seja na pet shop ou mesmo numa feira de subúrbio, mas todos saem como água. O que você faz, espera as fêmeas terem seu tempo de resguardo, dando quem sabe mais alguns meses antes da próxima cruza, ou no primeiro cio, libera o macho para cruzar?
A segunda opção prevalece sempre.

As fêmeas não têm vida, são máquinas de produzir filhotes e vão parir até morrer, geralmente de hemorragia. Caso esse macho disponível não as fecunde, os próprios filhotes podem fecundar suas mães biológicas, o que leva a ninhadas com maiores chances de doenças congênitas e psicopatias.
Aliás, se uma fêmea não pode escolher seu parceiro e é forçada à relação sexual, isso também é estupro, mesmo em animais.

Os filhotes que não forem vendidos por qualquer razão, deformidades ou simples encalhe, serão mortos ou abandonados, afinal são um estoque indesejado que gera custo ao longo dos próximos 15 anos.
Caso esses filhotes encalhados sejam fêmeas, servirão para continuar parindo até morrer mais filhotinhos para serem vendidos.

Criadores certificados e com garantia de pedigree também adotam práticas cruéis e fazem um desfavor à sociedade, afinal para cada cão de raça vendido, 1 viralata a menos é adotado nos abrigos.
Pior, se esse cão de raça comprado cruzar, suas crias (que podem ou não ter o famigerado pedigree) levarão a 80.000.000 filhotes indiretos na próxima década.

A partir do momento que você decide adotar um cão do abrigo superlotado, ou retirá-lo da rua, você diz não ao criador, interrompe esse ciclo perverso e insustentável, abre vaga para outros cães abandonados no mesmo abrigo e a longo prazo, serão menos cães nas ruas e abrigos. Já existem mais cães do que pessoas no mundo e não há lares para todos.

Em tempo, reveja também essa questão da raça do animal e certificados de procedência, todo cão descende do mesmo ancestral comum, o lobo. Atente que em 1800, havia somente 20 raças de cães. Durante a 1ª Guerra Mundial já eram 70 e hoje são cerca de 400 raças diferentes. Em 100 anos, reduzimos o cérebro do buldogue, encurtamos as patas do salsicha e turbinamos as orelhas do bassê. Essas mudanças deixaram sequelas: um em cada quatro cães sofre de alguma doença genética e eles têm mais câncer do que os humanos. Nós criamos essas raças por vaidade, como um resquício nazista numa sociedade supostamente perfeita do ponto de vista genético.

Leia melhor o artigo abaixo, Fábricas de filhotes, e entenda porque não somos o topo de uma pirâmide, mas estamos todos interligados como Terráqueos. Esse raciocínio tem que começar a ser reproduzido nas demais esferas onde achamos muito natural a presença de animais não nativos, como circos, shows de orcas e golfinhos, hipismo, zoológicos e passeios de camelos em praias tropicais. Todos esses animais estão sendo capturados e confinados à força em condições cruéis e insalubres por mera vaidade humana.




Fábricas de filhotes

As “Fábricas de filhotes” são lugares destinados à reprodução para o comércio de animais em massa, estando o lucro em um patamar mais elevado que o bem estar do animal em questão. Os animais procriadores vivem em terríveis condições. Geralmente passam a vida em gaiolas pequenas e sujas, sem contato com pessoas. Passam fome, não recebem atendimento veterinário e são vistos como coisas, vivendo em situação deplorável. As fêmeas procriam a cada cio e quando não conseguem mais atender a demanda são descartadas como lixo, e outro animal é colocado em seu lugar. Tenho uma prova viva disso em casa. Há anos atrás resgatei, de uma criadora, uma cadela que seria descartada por não estar mais procriando e estava atrapalhando a produção dessa fábrica. É inacreditável, mas é uma realidade.
A venda de animais por si só, seja ela em pet shops ou canis/gatis, transforma animais em mercadoria, em objeto negociável. Não apenas cães e gatos, mas quaisquer animal merece ser tratado como um ser senciente, e não como fonte de lucro.
Uma “fábrica de filhotes” pode começar bem perto de você, com um amigo ou vizinho que esteja “precisando” de dinheiro e então usa uma cadela para acasalar em todo cio. É claro que ele não tem condição e nem interesse em levá-la no veterinário para ver como estão as condições da mesma, e então os filhotes começam a carregar uma ou mais doenças hereditárias, ou seja, além de prejudicar a fêmea que está parindo sem descanso e cuidados médicos, ainda os filhotes sofrem com problemas de saúde ao longo de sua vida.
Alguns motivos para NÂO comprar animais
Péssima saúde: devido ao fato da maioria dos cães vir de fábricas de filhotes (e donos sem experiência alguma que resolvem cruzar seus cães em casa), esses filhotes não são o resultado de uma criação cuidadosa e normalmente eles não são bem cuidados antes de irem para a venda. Alguns dos problemas mais comuns são problemas neurológicos, oculares, de pele, sanguíneos e parvovirose.
Nenhuma socialização: os filhotes que são vendidos em pet shops e nas ruas das cidades ou mesmo os filhotes de criadores leigos, são desmamados muito cedo, às vezes até com 1 mês de idade. Um cão deve ficar com a mãe até os 90 dias, nunca menos de 70 dias. Tirar um cachorro da ninhada com menos de 70 dias significa que ele não vai aprender com a mãe e com os irmãos o básico do comportamento canino.
Vendas nas ruas das cidades
Em diversas cidades pelo país a prática de vender animais nas ruas aumenta a cada dia, cães e gatos ficam expostos ao calor em minúsculas caixas e até mesmo dentro de sacolas. Leis estaduais proíbem a venda em logradouros públicos, mas ainda falta fiscalização. Recentemente na cidade de Niterói, estado do Rio de Janeiro, uma ação da Secretaria de Meio Ambiente em conjunto com Polícia Civil acabou com essa prática que já durava há anos em um ponto da cidade, que já era um “shopping” a céu aberto de venda de animais.
Se você deseja um animal, a atitude ideal é procurar um abrigo de animais abandonados ou uma campanha de adoção. Lá você encontrará vários cães carentes e doidos para ter um lar. Em várias cidades do país podemos encontra esses abrigos e essas campanhas. Em Niterói a Secretaria de Meio Ambiente promove a campanha de adoção “Adotar é o Bicho” no segundo domingo do mês no Campo de São Bento e no terceiro domingo do mês no MAC. Em Maricá acontece todo primeiro sábado do mês, na praça Orlando de Barros Pimentel, no Centro da cidade, a campanha de adoção “Adotar é Legal, porque Amigo não se compra”.




2 filmes obrigatórios sobre o assunto:
A verdade sobre as fazendas de cachorrinhos para compra e venda, Puppy Mill  (narrado e apresentado por Charlize Theron).
Gostou do Puppy Mill? Então assista à Segredos do Pedigree



Leia outras notícias no site da ANDA sobre a real situação do comércio de animais:
Mulher é flagrada negociando animais no Paraná
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Operação resgata mais de 30 animais de cativeiro em Minas Gerais
Sequestros de cachorros passam a ser mais frequentes no Brasil
Operação fecha canil clandestino com quase cem animais em Curitiba
Cães são resgatados em condições deploráveis dentro da casa de criador
Petição contra fazendas de reprodução em massa de cães tem 100 mil assinaturas



Os cães daqui de casa e suas histórias de adoção:
Olimpia
Margarida 
Pipa


Mais informação aqui no blog:
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Como funcionam testes em animais
Porque castrar seu animal de estimação
Odeio Rodeio: fonte de muito sofrimento e prejuízo aos cofres públicos
Férias de Verão em Natal (RN): Vamos passear de camelo em Genipabu? Não, obrigada!
Neurocientistas de todo mundo assinam manifesto reconhecendo consciência em animais

2 comentários:

Tatiane Simone disse...

realmente como ja sabia eh muito triste.. mas vai falar isso para os ignorantes... vc ainda eh a louca :( lembro q tinha uma mulher na rua q morei q fazia isso, nunca pude denunciala pois ela me conhecia e nao tinha como entrar na casa do inferno dela :(

Lea disse...

Oi Carol,

Pois é, a gente faz voluntariado na causa animal (eu), temos nossos animais resgatados e daí vamos ao Pet Center comprar remédios e...tá lá numa vitrine (??!!) animais à venda...pobres filhotes...nos resta denunciar e denunciar e denunciar e, continuar nosso trabalho de conscientização.
Obrigado!

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