segunda-feira, 31 de março de 2014

Há 50 anos, o dia que durou 21 anos (e mais 50 filmes).

51 Filmes com Download Gratuito para entender o que foi a Ditadura Militar Brasileira e seus desdobramentos. 
O mito de que durante a Ditadura não existia corrupção, não procede. 
O que aconteceu é que durante a Ditadura, a roubalheira não aparecia, até pela inexistência de auditorias e controladorias, e, o que foi chamado de "Milagre Econômico", onde o país perdeu décadas pagando os juros de uma dívida externa inegociável e financiando para os empreiteiros de sempre obras faraônicas das quais ninguém lembra, não fez do Brasil o país do futuro. 
Nós sabemos disso melhor do que ninguém, vivemos os anos 80 e 90. 
A Ditadura foi um Golpe de Estado para deposição de um governo democraticamente eleito para instalação de outro corrupto, que deixou como herança a inflação de 5000% ao ano dos anos 80, um mundo de estatais criadas para servir de cabide de emprego (que seriam privatizadas na marra e a preço de banana em financiamento do BNDES na privataria tucana nas décadas seguintes, deixando então seus servidores desempregados), implementou tarifas de importação mais altas com discurso ultranacionalista, restringiu acesso ao mercado internacional o que diminuiu ainda mais nossas divisas, censurou a imprensa, cinema e até as novelas, além é claro de ter torturado e matado centenas de pessoas, que até hoje não foram sequer indenizadas ou ao menos enterradas dignamente. E os torturadores, como os diretores militares das tais estatais civis, seguiram soltos e aposentados na integral com nosso dinheiro de contribuinte.
A Ditadura sucateou até a Polícia e as Forças Armadas.

Ser militar no Brasil pré 64 era o sonho de toda mãe para seu filho. As que tinham filhas, corriam aos bailes de cadete... Hoje, ninguém quer mais prestar nem o serviço militar obrigatório de 1 ano, nem no CPOR - até o rancho dos quartéis e o Hospital do Exército pioraram no período. 
Pense nisso antes de pedir uma intervenção militar porque acha que "pior do que está, não dá para ficar". 
Dá sim, e muito. Palavra de neta de militar há 5 gerações, que ainda fez uma faculdade de Economia.































O Dia que Durou 21 Anos é um documentário brasileiro, dirigido por Camilo Galli Tavares 
(Cidade do México, 1971), sobre a participação do governo dos Estados Unidos na preparação, 
desde 1962, do golpe de estado de 1964, no Brasil.

O filme tem como ponto de partida a crise provocada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,
em agosto de 1961, e prossegue até o ano de 1969, com o sequestro do então embaixador dos 
Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, por grupos armados. Em troca de sua libertação,
15 presos políticos são soltos e posteriormente banidos do país. Um deles, o jornalista 
Flávio Tavares27 meses depois de se radicar na Cidade do México, seria pai de Camilo, 
o cineasta cujo nome é uma homenagem ao padre católico guerrilheiro colombiano Camilo 
Torres, morto em 1966.
O Dia que Durou 21 Anos produzido pela PEQUI FILMES estreou nos cinemas brasileiros em 29 
de março de 2013 e teve também uma versão para televisão, exibida anteriormente, dividida em 
três episódios de 26 minutos cada.

Inicialmente, o filme fora concebido para contar a história do pai do diretor, o jornalista 
Flávio Tavares, militante da oposição ao regime militar de 1964. Porém, ao ter notícia da existência 
de um fabuloso acervo documental sobre a deposição do presidente João Goulart que os Estados 
Unidos vêm franqueando ao público desde os anos 1970, Camilo Tavares mudou seus planos e 
decidiu abordar a participação do governo norte-americano na conspiração que resultou em uma 
ditadura de 21 anos (1964 a 1985) no Brasil.

O diretor se beneficiou de três volumosos pacotes de documentos, com divulgação autorizada pelo 
governo doEstados Unidos, sendo que uma parte fora obtida pelo repórter Marcos Sá Corrêa e 
condensada no seu livro 1964 Visto e Comentado pela Casa Branca, de 1977. Havia também as 
gravações sonoras, liberadas para o público em 1999, pela Biblioteca Presidencial Lyndon Baines 
Johnson, e os papéis e áudios difundidos em 2004 pela organização não governamental The 
National Security Archive. Além disso, o cineasta buscou mais informações em outras bibliotecas 
que conservam a memória de dois presidentes norte-americanos – John Kennedy (1961-1963) e 
Lyndon Johnson (1963-1969) – e em emissoras de televisão dos Estados Unidos.


Prêmios:

  • St Tropez International Film Festival (França) Melhor Documentário Estrangeiro
  • 22° Arizona International Film Festival (EUA) Prêmio Especial do Júri
  • 29° Long Island Film Festival (EUA) Prêmio Especial do Júri
  • Melhor Documentário Brasileiro 2013 - APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte)

Fonte: Wikipedia






Mais 49 filmes sugeridos pela Justiça Global:


1. O desafio (1965), Paulo César Sarraceni
http://www.youtube.com/watch?v=qD8O13DsbE4

2. Manhã cinzenta (1968), Olney São Paulo
https://www.youtube.com/watch?v=kA34LXfwBlc

3. Brazil: A Report on Torture (1971), de Haskell Wexler e Saul Landau.
https://www.youtube.com/watch?v=nBUTvK0jWfM
4. O Bom Burguês (1979), Oswaldo Caldeira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=2a5PMshfugY
5. Paula: a história de uma subversiva (1979), F. Ramalho Jr.
http://www.youtube.com/watch?v=pv2ke8UmvGc
6. Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman
https://www.youtube.com/watch?v=Uzl2K1bDRog
7. Pra frente, Brasil (1982), Roberto Farias
http://www.youtube.com/watch?v=rzj1_bD3BDI
8. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=VJ0rKjLlR0c
9. Nunca Fomos tão Felizes (1984), Murilo Sales
http://www.youtube.com/watch?v=IPAAa8uMrps
10. Jango (1984), Silvio Tendler
https://www.youtube.com/watch?v=1O4SZQZ-ikk
11. Que Bom Te Ver Viva (1989,), Lucia Murat
http://www.youtube.com/watch?v=RSYUXUSALKU
12. Kuarup (1989), Ruy Guerra
https://www.youtube.com/watch?v=ByISRJPjo18
13. Corpo em Delito (1990), Nuno César Abreu
https://www.youtube.com/watch?v=XD7JpE3J078
14. ABC da greve (1990), Leon Hirszman
http://www.youtube.com/watch?v=lcQcBY_qvFQ&feature=youtu.be
15. Lamarca (1994), Sérgio Resende
https://www.youtube.com/watch?v=Wy1g8kRMD5Q
16. O Que É Isso, Companheiro? (1997), Bruno Barreto
https://www.youtube.com/watch?v=9_ODe6ar7ag
18. Dois Córregos (1998), Carlos Reichenbach
https://www.youtube.com/watch?v=Nwd1XHnG2eY
19. Barra 68 Sem Perder a Ternura (2001), Vladimir Carvalho.
https://www.youtube.com/results?search_query=barra+68&sm=3
20. Cabra cega (2004), Toni Ventura
https://www.youtube.com/watch?v=Kjq5wz8k2C8
21. Araguaya: a Conspiração do Silêncio (2004) Ronaldo Duque
https://www.youtube.com/watch?v=SKagL2WmH-0
23. Memórias clandestinas (2004), Maria Thereza Azevedo
https://www.youtube.com/watch?v=j0wW2DCnN9o
24. Peões (2004), Eduardo Coutinho
https://www.youtube.com/watch?v=JEde0T13kF8
25.Memória política: Vera Silva Magalhães (2004), TV Câmara
http://www.youtube.com/watch?v=KswterhahX4&feature=youtu.be
26. Tempo de resistência (2005), André Ristun
https://www.youtube.com/watch?v=7o8z0L7t6pw
27. Vlado: 30 anos depois (2005), João Batista de Andrade
https://www.youtube.com/watch?v=pB8XCSwyOeU
28. O ano em que meus pais saíram de férias (2006), Cao Hamburguer
http://www.youtube.com/watch?v=fnrhYwuxaTs
29. Zuzu Angel (2006), Sérgio Resende
http://www.youtube.com/watch?v=duCoCVG2tt8
30. Hércules 56 (2006), Silvio Da-Rin
http://www.youtube.com/watch?v=xxPNQfNpkOo
31. Batismo de sangue (2007), Helvécio Ratton
https://www.youtube.com/watch?v=YPaycJ8ij3s
32. Brizola: Tempos de luta (2007), Tabajara Ruas
https://www.youtube.com/watch?v=NYoRqu20XW0
33. Memória Para Uso Diário (2007), Beth Formaggini
https://www.youtube.com/watch?v=Ys4781EYPBU
34. Caparaó (2007), Flavio Frederico
https://www.youtube.com/watch?v=qGlbHfG8aGA
35. Cidadão Boilesen (2009), Chaim Litewski
https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY
36. Em teu nome (2009), Paulo Nascimento (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=qNG3vdSYhnU
37. Perdão, Mister Fiel (2009) Jorge Oliveira (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=WVRwU7lL9zA
38. Diário de uma busca (2011), Flávia Castro (trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=CoGhWTGS8CU
39. Uma longa viagem (2011), Lucia Murat (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=FCKdZDIWzEk
40. Dossiê Jango (2012), Paulo Henrique Fontenelle
https://www.youtube.com/watch?v=K6a6fjZKjkw#t=15
41. Marighella (2012), de Isa Grinspum Ferraz
http://www.youtube.com/watch?v=7Mw386dVhcY]
42. Memórias do Chumbo - O Futebol nos Tempos do Condor: BRASIL (2012).Lúcio de Castro/ESPN http://www.youtube.com/watch?v=cViE1fZ3tzA
43. Memórias do Chumbo - Argentina (2012). Lúcio de Castro/ESPN
http://www.youtube.com/watch?v=cCb_UjiskbA
44. Memórias do Chumbo - Uruguai (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=PBB6YQEbSwg
45. Memórias do Chumbo - Chile (2012), Lúcio de Castro/ESPN
https://www.youtube.com/watch?v=jsoL-tQQuX4
46. Cara ou coroa (2012), Ugo Giorgetti
https://www.youtube.com/watch?v=44MNkZbOd7w
47. Repare bem (2012), Maria de Medeiros (Trailer)
https://www.youtube.com/watch?v=-NOXy98mGTI
48. A memória que me contam (2012), de Lúcia Murat
http://migre.me/hwmYm
49. Em busca de Iara (2013), Carlos Frederico ((Trailer -Nos cinemas desde 27 de março)
https://www.youtube.com/watch?v=6mAJEQST8ZU




+ 1 sugestão minha: "O beijo da mulher aranha", de Hector Babenco, que deu o único Oscar a um desconhecido Willian Hurt, em 1985. 
O casting do filme: José Lewgoy, Willian Hurt, Raul Julia, Sonia Braga, Milton GonçalvesMiriam Pires, Miguel FalabellaNuno Leal MaiaFernando TorresHerson Capri, Patricio BissoDenise Dumont, Ana Maria BragaAntônio PetrinWilson Grey e Cláudio Curi 
Curiosidade: Willian Hurt e Raul Julia, que se tornariam 2 estrelas, eram desconhecidos e fizeram o filme de graça, só ganhando as passagens e hospedagem no Brasil, adoraram a experiência, que sempre relembraram com carinho e a palavra "saudade":  https://www.youtube.com/watch?v=TghpXAPkAZg



Em 1964, um golpe de estado que derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura no Brasil. O regime autoritário militar durou até 1985. Censura, exílio, repressão policial, tortura, mortes e “desaparecimentos” eram expedientes comuns nesses “anos de chumbo”. Porém, apesar de toda documentação e testemunhos que provam os crimes cometidos durante o Estado de exceção, tem gente que acha que naquela época “o Brasil era melhor”. Mas pesquisas da época – algumas divulgados só agora, graças à Comissão Nacional da Verdade – revelam que o período não trouxe tantas vantagens para o país.
Nas últimas semanas, recebemos muitos comentários saudosistas em relação à ditadura na página da SUPER no Facebook. Em uma época em que não é incomum ver gente clamando pela volta do regime e a por uma nova intervenção militar no país, decidimos falar dos mitos sobre a ditadura em que muita gente acredita.

1. “A ditadura no Brasil foi branda”
Pois bem, vamos lá. Há quem diga que a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes latino-americanos. Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Mas repare bem: também foi. Afinal, direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados por aqui: torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Esses crimes contra a humanidade, hoje, já são admitidos até mesmo pelos militares (veja aqui e aqui). Para quem, mesmo assim, acha que foi “suave” a repressão, um estudo do governo federal analisou relatórios e propõe triplicar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar. Ou seja: de 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), o número pode saltar para 957 mortos.

2. “Tínhamos educação de qualidade”
Naquele época, o “livre-pensar” não era, digamos, uma prioridade para o regime. Havia um intenso controle sobre informações e ideologia – o que engessava o currículo – e as disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas por Educação, Moral e Cívica e por OSPB (Organização Social e Política Brasileira, uma matéria obrigatória em todas as escolas do país, destinada à transmissão da ideologia do regime autoritário). Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) fracassou. O Mobral era uma resposta do regime militar ao método do educador Paulo Freire – considerado subversivo -, empregado, já naquela época, com sucesso no mundo todo. Mas os problemas não paravam por aí: com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades: foram afastadas dos centros urbanos – para evitar “baderna” – e sofreram a imposição do criticado sistema de crédito.

3. “A saúde não era o caos de hoje”
Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Para começar, o acesso à saúde era restrito: o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento público, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. Ou seja, só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. O resultado era esperado: cresceu a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. Essas instituições abrangeram, em 1976, a quase 98% das internações. Planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças. Além disso, o modelo hospitalar adotado relegava a assistência primária a segundo plano, ou seja, para os militares era melhor remediar que prevenir. O tão criticado SUS (Sistema Único de Saúde) – que hoje atende cerca de 80% da população – só foi criado em 1988, três anos após o fim da ditadura.

4. “Não havia corrupção no Brasil”
Uma características básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”. Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.

5. “Os militares evitaram a ditadura comunista”
É fato: o governo do presidente João Goulart era constitucional. Seguia todo à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice. Em 1955, foi eleito vice-presidente com 500 mil votos a mais que Juscelino Kubitschek. Porém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de reestabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que virou motivo para a intervenção. Goulart não era o que se poderia chamar de marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

6. “O Brasil cresceu economicamente”
Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

7. “As igrejas apoiaram”
Sim, as igrejas tiveram um papel destacado no apoio ao golpe. Porém, em todo o Brasil, houve religiosos que criaram grupos de resistência, deixaram de aceitar imposições do governo, denunciaram torturas, foram torturados e mortos e até ajudaram a retirar pessoas perseguidas pela ditadura no país. Inclusive, ainda durante o regime militar, uma das maiores ações em defesa dos direitos humanos – o relatório “Brasil: Nunca Mais” – originou-se de uma ação ecumênica, desenvolvida por dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Realizado clandestinamente entre 1979 e 1985, gerou uma importante documentação sobre nossa história, revelando a extensão da repressão política no Brasil.

8. “Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas”
Esse é um argumento bem fácil de encontrar em caixas de comentário da internet. Dizem que quem não pegou em armas nunca foi preso, torturado ou morto pelas mãos de militares. Provavelmente, quem acredita nisso não coloca na conta o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo a estimativa apresentada na Comissão da Verdade, 8 mil índios morreram entre 1971 e 1985. Isso sem contar as outras vítimas da ditadura que não faziam parte da guerrilha. É o caso de Rubens Paiva. O ex-deputado, cassado depois do golpe, em 1964, foi torturado porque os militares suspeitavam que, através dele, conseguiriam chegar a Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição armada. Não deu certo: Rubens Paiva morreu durante a tortura. A verdade sobre a morte do político só veio à tona em 2014. Antes disso, uma outra versão (bem mal contada) dizia que ele tinha “desaparecido”. Para entrar na mira dos militares durante a ditadura, lutar pela democracia – mesmo sem armas na mão – já era motivo o suficiente.

9. “Todos os militares apoiaram o regime”
Ser militar na época não era sinônimo de golpista, claro. Havia uma corrente de militares que apoiava Goulart e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Houve focos de resistência em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, apesar do contragolpe nunca ter acontecido. Durante o regime, muitos militares sofreram e estima-se que cerca 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do comunismo nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.

10. “Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas”
Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Com isso, as representações sindicais foram duramente afetadas e passaram a ser controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho, o que gerou o enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. Afinal, para que as leis trabalhistas vigorem, é necessário que se judicializem e que os patrões as respeitem. Com essa supressão, os sindicatos passaram a ser compostos mais por agentes do governo que trabalhadores. E os direitos dos trabalhadores foram reduzidos à vontade dos patrões. Passeatas eram duramente repreendidas. Quando o estudante Edson Luísa de Lima Souto foi morto em uma ação policial no Rio de Janeiro, multidões foram às ruas no que ficou conhecido com o a Passeata dos Cem Mil. Nos meses seguintes, a repressão ao movimento estudantil só aumentou. As ações militares contra manifestações do tipo culminaram no AI-5. O que aconteceu daí para a frente você já sabe.
Mas, se você já esqueceu ou ainda não está convencido, confira uma linha do tempo da ditadura militar nesse especial que a SUPER preparou sobre o período. Não deixe de jogar “De volta a 1964″, o jogo que mostra qual teria sido sua trajetória durante as duas décadas do regime militar no Brasil.



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