terça-feira, 25 de março de 2014

O mito do óleo de palma sustentável

As reportagens abaixo trazem muita informação sobre o óleo de palma, comumente usado na fabricação de cosméticos, biscoitos e chocolates industrializados.

Em 2010, já havia uma área equivalente a quase sete vezes a cidade de São Paulo com plantações de dendê na Amazônia. Essa é a dimensão estimada da primeira etapa do programa de cultivo da palma em larga escala, que ganha os últimos retoques no governo, adiantou o então ministro da  Agricultura Reinhold Stephanes. A área total projetada para a expansão do cultivo de dendê na floresta amazônica é dez vezes maior: ela equivale ao tamanho do Estado de Pernambuco. Segundo o ministro, 10 milhões de hectares poderão ser ocupados pela "prima-irmã das palmáceas amazônicas". O governo quer mais biodiesel para substituir o diesel e conter o aquecimento global. Para isso, topa mudar a lei que limita o desmatamento, arriscando jogar a floresta na mão de gente que está louca para cortar árvores -e agravar o aquecimento. Do ponto de vista do clima, é um mau negócio. O plano nacional do clima diz que o biodiesel evitará a emissão de 62 milhões de toneladas de CO2 em 9 anos. O desmate emite 700 milhões por ano.


É lugar comum notar que a alimentação saudável, caseira, de origem orgânica e elaborada com produtos locais e sazonais não beneficia apenas a saúde de quem consome, mas o entorno e todas as relações humanas laborais. Sobre os 5 alimentos geradores de conflitos e violência linkados abaixo, você encontra ainda mais informação em postagens exclusivas listadas no final dessa postagem.
Da mesma forma que o mundo é o que você come, também é o que você compra, essa relação é indissociável e é o nosso consumismo que dizima florestas, fortalece lobbies e expulsa pequenos produtores rurais de suas terras.

Abaixo, você vai encontrar até uma petição on line do Greenpeace pedindo que a Unilever, fabricante do xampu Head&Shoulders, pare de desmatar as florestas para fabricação do óleo de palma em questão, mas atente que a mesma empresa testa seus produtos em animais, não trabalha em sistema de refil (excesso de embalagens) e o próprio Head&Shoulders não é biodegradável. Caso, não estivesse dizimando tigres e orangotangos, estaria "apenas" tornando nossos rios (onde as águas cinzas de sua casa deságuam) em lixões a céu aberto. A questão do óleo de palma é muito mais ampla do que o desmatamento, faça do consumo consciente um estilo de vida, e tais produtos como xampus poluentes e batatas Pringles da Unilever, chocolates açucarados da Nestlé, Ferrero e afins ou ração animal transgênica da Mars (que também testa em animais) e sucrilhos transgênicos e açucarados da Kelloggs não tenham mercado consumidor e com isso, não poluam e desmatem.


Takepart.com: 5 conflict foods linked to Labor Abuse and Violence

1. Goma arábica
2. Tomates 
3. Óleo de Palma 
4. Camarão
5. Chocolate






As florestas da indonésia estão desaparecendo a cada dia, reduzindo o habitat natural de animais ameaçados como os tigres-de-sumatra. Esses animais viviam em paz há séculos atrás, junto com outras espécies de tigres, como os tigres-de-java e os tigres-de-bali que foram extintos!

Nas últimas duas semanas, mais de 200 mil pessoas ao redor do mundo tomaram uma atitude e assinaram o manifesto exigindo óleo de palma livre de desmatamento.
A Wilmar, maior comercializadora de óleo de palma do mundo, e grandes marcas de diversos setores como L’Oreal, Unilever e Nestlé se comprometeram publicamente a utilizar somente óleo de palma livre de destruição de florestas na sua cadeia de produção.

Mas a P&G insiste em usar óleo de palma que vem de empresas que destroem as florestas tropicais da Indonésia. Para produzir produtos como o Head&Shoulders.
A produção de óleo de palma não precisa destruir o habitat desses animais raros. Graças a pressão de pessoas como você, que não aceita produtos envolvidos com desmatamento, podemos mudar essa realidade.

Precisamos acabar imediatamente com o óleo de palma sujo nos produtos que usamos em nosso dia a dia. Com sua ajuda, podemos salvar o que restou do habitat dos tigres-de-sumatra.



Aos quatro meses de idade, um orangotango está se recuperando depois de ter as pontas dos dedos decepados, supostamente durante limpezas florestais para uma nova plantação de óleo de palma no Borneo indonésio.
Sura, que foi descoberto por um morador da aldeia Tumbang Koling em East Kotawaringin Regency, está voltando à saúde por especialistas no centro de resgate de Nyaru Menteng.
Veterinários realizaram um exame de saúde completo e descobriram que três de seus dedos tinham sido cortados por um instrumento de corte.
Trágico: Sura, quatro meses de idade, foi encontrado em meio aos destroços de sua casa com os dedos cortados por um facão. Sura agora precisa ser cuidado por uma babá em tempo integral.
A instituição de caridade britânica Borneo Orangutan Survival Foundation está ajudando a financiar o centro e os cuidados de Sura.
É o mais recente escândalo que surge na controvérsia sobre o desmatamento e sobre os direitos animais, pois as empresas têm acabado com vida selvagem da Indonésia para construir plantações de óleo.
As novas plantações provocaram um rápido declínio na população de orangotangos.Vergonhoso: Ambientalistas alertam que este é o mais recente em uma série de ataques brutais contra as criaturas inocentes.
Ambientalistas temem que tenham anos de trabalho à frente deles na educação de aldeias remotas sobre a necessidade de proteger, não capturar ou matar esses animais cujos números estão caindo drasticamente.
Cerca de 100 anos atrás, pensava-se que havia 315 mil orangotangos na natureza, mas hoje existem menos de 54.000 em Borneo e apenas cerca de 6.000 na ilha indonésia de Sumatra.Como os fabricantes procuram lugares para cultivar óleo de sabonetes e perfumes, os habitats naturais dos primatas estão sendo lavrados por tratores.
Ataque: Veterinários que examinaram Sura dizem que os dedos foram cortados por uma faca ou um facão durante o desmatamento.
E agora sem teto, muitos foram capturados por moradores locais, abusados, e usados para o entretenimento.
No mês passado, o Resgate Internacional de Animais salvou um orangotango de Tempurkan, que não tinha comida ou água e estava sendo forçado a dançar e lutar com os humanos. 
Alertados por um morador, a instituição de caridade encontrou Ael – o que significa “Santa” – a sedaram e, em seguida, a levaram para um centro de resgate. Ela vai ser solta na natureza quando uma área segura na floresta for encontrada para ela.
Enquanto isso, os moradores foram informados de que capturar e manter um orangotango é contra a lei na Indonésia.


Aqui no Brasil:





A organização pró-palma sustentável: http://www.greenpalm.org/ , leia mais abaixo:
Banir o óleo de palma não vai salvar as florestas pluviais
A demanda por óleo de palma é global. Portanto, se qualquer país individualmente parou de usar o óleo de palma, o mesmo também poderá ser comprado por outra pessoa. Esse país também perderia sua capacidade de promover práticas sustentáveis ​​de produção.
Há também a questão delicada do que iria substituir o óleo de palma.
A produção de óleo de soja apresenta problemas semelhantes para o meio ambiente, e também requer o uso substancial de pesticidas e herbicidas. Seria difícil produzir quantidades suficientes de gorduras animais e óleo de colza e de girassol apresentam problemas de colesterol, o que nos leva de volta aos óleos vegetais em primeiro lugar.
A realidade subjacente é que a população mundial está crescendo e há muito mais bocas para alimentar. Adicionado a isso, 20% do óleo de palma é cultivada por pequenos agricultores que dependem dele como sua única fonte de renda . A palmeira de óleo, que produz mais óleo comestível por hectare do que qualquer produtora de petróleo, tendo, portanto, um papel fundamental a desempenhar na alimentação do planeta.
E talvez, por isso, que muitos ativistas ambientais e sociais apoiam a Mesa Redonda sobre Óleo de Palma Sustentável ( RSPO ), incluindo a WWF , Oxfam e da Rainforest Alliance. Outros, como o Greenpeace, são mais críticos, mas mesmo eles não estão pedindo a proibição de óleo de palma. Aqui está o que o Greenpeace tem a dizer :
"Nós não somos contra o óleo de palma ou a indústria do óleo de palma. O que somos contra é qualquer óleo de palma que venha de plantações convertidas de áreas de florestas e turfeiras . "
A RSPO ainda não é perfeita, mas é importante entender que ainda é, na realidade, um começo. Somado a isso, fixou-se um enorme desafio global. Acreditamos que a RSPO representa a melhor chance que temos de trabalhar em conjunto para resolver os problemas ambientais e sociais que cercam a produção de óleo de palma.




Genoma de óleo de palma sequenciado abre caminho a plantações sustentáveis


Os ambientalistas não são defensores do óleo de palma, devido às suas ligações à desflorestação nos trópicos. Mas as vagens que as árvores brotam geram 45% do óleo comestível de todo o mundo. O consumo deste versátil produto é quase inevitável, já que ele entra em tudo – desde chocolates e manteiga de amendoim a biscoitos e cereais. O debate sobre como transformar o óleo de palma numa cultura sustentável tem-se tornado, consequentemente, uma prioridade.
Estudos publicados recentemente sugerem que os agricultores poderiam impulsionar ainda mais a produção e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente a concorrência entre as florestas e plantações de óleo de palma por todo o mundo.
Num dos trabalhos, a equipa de pesquisa criou pela primeira vez um genoma de óleo de palma totalmente sequenciado disponível ao público. No outro, foi feita a descoberta de um gene, chamado SHELL, que dá origem aos tipos mais produtivos e com maior valor comercial de frutos de óleo de palma.
Rajinder Singh, um dos autores do segundo artigo, explica que a descoberta dá aos agricultores nos trópicos a capacidade de identificarem e plantarem apenas as sementes mais produtivas – e, por sua vez, reduzirem a pressão da expansão para floresta virgem. “Isso tem implicações em três continentes”, afirma.
O óleo de palma africano é a principal fonte do produto no mundo – a sua domesticação no Sudeste da Ásia, na América do Sul e na África Ocidental já comanda a indústria. As árvores produzem três tipos de fruta – dura, pisifera e tenera –, sendo a última o híbrido perfeito das outras duas porque produz mais óleo.
A tenera é considerada uma mina de outo, produzindo 30% mais óleo do que os outros tipos. Os agricultores tentam aumentar a sua quantidade através da polinização manual, mas conseguir um terreno repleto de tenera ainda é um desafio, devido à interferência dos polinizadores naturais.
O óleo de palma tornou-se sinónimo de ilegalidade e práticas que deixam florestas virgens devastadas. Segundo o Guardian, existem também casos de abuso de trabalhadores nas plantações e de destruição dos meios de subsistência dos povos indígenas.
A nível global, as plantações de óleo de palma só ocupam até 5% da área total cultivada para culturas de óleo – ainda assim produzem quase metade de todo o óleo comestível do mundo. Quando o fazem, interferem com o habitat natural e com uma infinidade de espécies carismáticas.
É por tudo isto que o tema é controverso e o seu avanço, contudo, inevitável. No futuro, por via destas descobertas, espera-se que os governos sejam capazes de oferecer aos agricultores as sementes que têm rendimentos muito mais previsíveis. Seria um forte incentivo para que estes respeitassem a lei e, por sua vez, a natureza.





Kellogg’s vai passar a comprar apenas óleo de palma produzido de forma sustentável

A Kellogg’s, marca responsável pela maior parte dos cerais que comemos, vai passar a adquirir óleo de palma que tenha sido produzido através de métodos sustentáveis e de produtores que consigam provar que respeitam activamente as florestas tropicais e as regiões de turfa.
A decisão foi anunciada depois da pressão pública exercida por grupos activistas de consumidores de todo o mundo. A mudança no processo de adquisição do óleo de palma deverá melhorar as possibilidades de sobrevivência de várias espécies ameaçadas, como o tigre da Sumatra e o orangotango do sudoeste asiático, assim como irá proporcionar protecção a várias tribos indígenas da Indonésia, Malásia, Nova Guiné, América Latina e África Ocidental, já que as suas aldeias eram destruídas para a plantação de palmeiras e dependem das florestas tropicais para sobreviver.
Pelo menos 48 mil quilómetros quadrados de floresta tropical foram abatidos nos últimos 20 anos para responder às necessidades crescentes de óleo de palma da indústria alimentar, que é utilizado para fabricar alimentos embalados, gelados e snacks, refere o BusinessGreen. A desflorestação progressiva levou à apropriação ilegal de terrenos, a fogos e a conflitos sociais nas comunidades que dependem dos recursos florestais para sobreviver. A perda de regiões com tundra também contribuiu significativamente para o aumento das emissões de carbono que potenciam as alterações climáticas.
No comunicado onde anuncia a decisão, a Kellogg’s afirma que vai requerer que os seus fornecedores “protejam as florestas, o habitat das espécies ameaçadas, as terras com elevados teores de dióxido de carbono, e as regiões de tundra a qualquer profundidade. Os fornecedores devem ainda proteger os direitos humanos e das comunidades”. “Apesar de óleo de palma constituir uma pequena percentagem da totalidade dos nossos ingredientes, como empresa socialmente responsável, as preocupações acerca da produção sustentável de óleo de palma dizem-nos claramente respeito”, escreveu no comunicado Celeste Clark, directora de sustentabilidade da marca.
A Kellogg’s é responsável por cereais como os Corn Flakes, Special K e também as batatas Pringles. Estima-se que utilize cerca de 50 mil toneladas de óleo de palma por ano.



Aqui estão duas maneiras distintas de responder consumidores preocupados com a destruição das florestas:
Uma delas é adotar um compromisso claro, com metas e prazos ambiciosos para eliminar o desmatamento da cadeia de produção; a outra é manter o status quo e continuar fazendo negócios como sempre, não enfrentando o problema de frente.
Hoje a Mars (produtora de ração para cachorro, chocolate, alimentos e bebidas) assumiu o compromisso de eliminar completamente o desmatamento de seus produtos até o fim de 2015.
Com esta resposta, a empresa se coloca no primeiro grupo. Mas ainda existem as que insistem em ignorar o apelo dos consumidores e manter o foco no chamado greenwash – discurso desgastado, para vender práticas questionáveis como sustentáveis.
As pessoas não querem comprar produtos  que causem desmatamento e extinção de animais. Mas a transformação de todo um segmento ou indústria só acontece quando toda essa gente consegue demandar uma postura diferente. A Mars agora faz parte de um grupo de empresas compromissadas a limpar suas cadeias de fornecedores. Entre elas estão Nestlé, Unilever, L’Oreal, Ferrero e outras. Confira a lista completa aqui.
Este anúncio deveria também servir como mais um alerta para a Procter & Gamble.
Desde que revelamos como a P&G compra óleo de palma proveniente de desmatamento nas florestas da Indonésia, os executivos da empresa não ofereceram solução alguma. Pior, eles insistem que são ‘comprometidos’ com práticas sustentáveis. E a cada nova empresa que assume compromisso público com uma política de fato compatível com a realidade atual, a situação e as políticas que a P&G chama de sustentáveis ficam cada vez mais constrangedoras.
Como nossos ativistas mostraram hoje, este é o verdadeiro significado de sustentabilidade para a P&G:


Listas de quem não utiliza o óleo de palma:
http://www.greenpeace.org/international/en/campaigns/forests/asia-pacific/protect-paradise/tiger-challenge/


Mais informação:

2 comentários:

Monaliza Soares disse...

Oi Carol, tudo bem?
É de assustar essa matéria.
Compro dendê artesanal de comunidades quilombola da Bahia. Mas nem sempre compro dessas comunidades. Compro bastante nas feiras também. O que você tem a dizer a respeito? Você tem algum dado sobre o cultivo de dendê na Bahia? Procurei, mas não achei nada que aponte na direção do que vc disse. Se tiver, me envie por favor.
Obrigada!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Monalisa,
visitei seu site e adorei tudo, deu vontade de encomendar muita coisa.
Sobre o dendê baiano, dê uma olhada nos links abaixo:
http://copedin.com.br/images/stories/falamestre/aagriculturafamiliar.pdf
.
http://revistabahiaenergia.com.br/noticias/biocombustiveis/diesel-de-dende-pode-ser-mais-poluente-que-o-de-petroleo-segundo-pesquisa/30886
.
http://sustentabilidade.allianz.com.br/clima/impactos/?665/Dez-causas-do-desmatamento
.
http://www.politicaspublicasbahia.org.br/spip.php?article226