sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Parques Aquáticos Júlio De Lamare e Maria Lenk



Eu sou nadadora no Parque Aquático Júlio De Lamare. Não é novidade que nadei por 20 anos e também que moro na Tijuca, no Maracanã especificamente, e que a rua onde moro deságua justamente na estátua do Bellini, então é muito natural que eu pratique o esporte onde me destaco na piscina pública mais próxima de minha casa, a 5 minutos de caminhada para ser mais exata. Eu adoro morar nessa região, onde já morei basicamente no mesmo quarteirão em outras 2 ocasiões. Nadar no Parque Aquático Júlio De La Mare, localizado dentro do Complexo Esportivo do Maracanã, era um sonho antigo, dos tempos em que eu nem sabia que aquela piscina era pública e a creditava privilégio das competições e Mundialitos de Natação.

Já morando aqui de volta, acompanhei como todo mundo a briga pelo Maracanã, a desocupação da Aldeia Maracanã, as questões indígenas, a possível demolição da Escola Municipal Friedenreich (que não aconteceria), o sucateamento do Complexo de Atletismo Célio de Barros e a devolução do Parque Aquático contíguo.
Hoje, a Aldeia indígena não é mais realidade, mas o prédio, que é tombado e escapou por pouco de virar um estacionamento, continua de pé e cercado para evitar reocupação. Quando ainda era um espaço ocupado, estive lá em 2 ocasiões.
Nunca me senti exatamente à vontade para escrever sobre o assunto, porque acho que existem outros desdobramentos e, por isso, seria melhor esperar para depois da Copa. Tampouco me senti à vontade para participar dos muitos eventos no local, houve até casamento oficializado pelo Pajé e os estudantes da UERJ, Universidade Estadual vizinha, fizeram de lá um quartel general. Já havia gente demais mais qualificada do que eu cobrindo o que pareceu a mim um acampamento universitário, para perda dos reais moradores.
Longe desse blog criticar uma ocupação urbana, mas em muitos aspectos, a Aldeia Maracanã não era uma aldeia indígena em sua essência, e sim uma ocupação urbana relativamente recente, de cultura parcialmente indígena e com moradores de empregos convencionais, com e sem ascendência indígena.
E o país inteiro pode assistir pela televisão o Bope invadindo uma comunidade com características de aldeia indígena e encostando um fuzil na cabeça de um índio ajoelhado.

Entretanto, as vitórias em relação ao Parque Aquático e Escola Municipal foram sendo conquistadas e notificadas pela mídia, que dizia o mesmo sobre o Complexo de Atletismo, o que não procede.
Matéria do jornal O Globo, de 05/02/14, atesta que a pista encontra-se em local de abandono e que só a partir dessa data, a mesma seria reformada pelo consórcio Maracanã S.A.: O Globo, de 05/02/14: Governo recua e a Maracanã S/A fará reforma do Célio de Barros, e até agora essa reforma ainda não começou.

Porém, em novembro do ano passado, li no jornal que o Júlio De Lamare abria inscrições para a população depois de muita briga dos nadadores e funcionários com a FIFA pela manutenção do espaço, como foi notificado pelo próprio Governo do Estado: RJ.GOV.BR, 04/11/13: Parque Aquático Júlio De Lamare é reaberto
No dia seguinte, estava lá de maiô, touca, óculos, identidade, comprovante de residência e atestado médico em mãos e, ao contrário do que imaginava, não estava tão fora de forma assim e fui classificada como nível 3 num total de 4. A postagem começa com a imagem da minha carteirinha, ainda nadando no meio da manhã. Mudei de dia e horário no início desse ano, aproveito para preservar minha privacidade omitindo o atual.

Minha alegria (e a dos demais) duraria pouco, dia 15 de abril, a FIFA exigiu o Parque Aquático para a Copa. Não entendi os porquês desse abuso e fui conversar com os funcionários da casa, que são servidores concursados e nada ganham com essa politicagem. Soube de fonte mais do que confiável que a FIFA não sossegou enquanto não tomou esse complexo de piscinas públicas, único do Rio com especificações para as Equipes Olímpicas de Saltos Ornamentais e de Nado Sincronizado, que treinam e competem sem qualquer patrocínio obviamente. Afirmaram que não há a menor necessidade de desapropriar um Complexo de Natação para uma Copa do Mundo, que nem durante os Jogos Pan-americanos, o uso das piscinas foi solicitado, que o estacionamento exclusivo do Parque Aquático foi acoplado pelo Consórcio Maracanã S.A. e onde havia acesso, foi levantado um muro isolando e que o Complexo de Atletismo, que custou milhões, havia virado um canteiro de obras e isso impedia centenas de atletas de treinar.
Perguntei pelo Parque Aquático Maria Lenk, construído para o Pan ao custo de outros milhões, e obtive como resposta que o mesmo não atendia as especificações técnicas e ninguém podia treinar lá.
Ainda ouvi a mesma ladainha: "O brasileiro assiste Olimpíada e fica reclamando que nossos atletas não trazem medalha, que só tem vitória no futebol, esses meninos não tem nem onde treinar, quanto mais patrocínio."





Abaixo, 2 comunicados, ambos Ofícios pregados na parede de um prédio público de livre circulação, podem ser fotografados por qualquer um. O primeiro, da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos solicitando o uso dos trampolins e piscinas de profundidade às equipes de Nado Sincronizado para a Copa do Mundo de Nado Sincronizado, a ocorrer em Outubro deste ano em Quebec, Canadá.
O segundo documento é uma solicitação do Governo do Estado solicitando o Complexo, que será então administrado pela FIFA. Observe que não é citada uma data de devolução por parte da FIFA e que ambos os documentos têm uma diferença inferior a uma semana.
Eu não conheço o Presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Sr. Coaracy Nunes Filho, mas no lugar dele, estaria me sentindo feita de idiota - como por sinal estão os nadadores e funcionários do Parque Aquático Júlio De La Mare.












Abaixo, fotos do Complexo Júlio De La Mare assim que o mesmo foi devolvido à população, em novembro do ano passado, quando comecei a nadar nessa piscina.














O tal acesso ao antigo estacionamento do Complexo Aquático lacrado e separado do Consórcio Maracanã S.A.





Caros Amigos: Vai ter Copa. Não vai ter Copa

Com aprovação recorde à época da escolha do Brasil, críticas ao evento crescem cada vez mais. Remoções, altos custos, prazos estourados são problemas graves, mas há também muitos interesses e distorções nessa discussão
Os telões espalhados pelas capitais do País e as torcidas comemorando a escolha do Brasil para sede da Copa em outubro de 2007 contrastam-se com os cartazes cobrando educação padrão Fifa, saúde padrão Fifa nas manifestações recentes. É comum também o embate dos grupos Vai ter Copa com o movimento Não Vai ter Copa. Até por conta de toda essa polêmica, a aprovação ao evento vem declinando. Segundo o instituto Datafolha, em 2008, 79% da população apoiava o mundial no Brasil. Em fevereiro deste ano, a maioria ainda é favorável, com 52% de aprovação, mas num patamar bem menor. Boa parte desse decréscimo pode ser atribuída a remoções de populações mais pobres nos locais das sedes, como os exemplos que serão relatados nesta matéria, a estouro do orçamento dos estádios e das obras no entorno e de mobilidade, além dos privilégios à Fifa e seus parceiros. Mas há também muita torcida, de um lado e outro, pelo sucesso ou fracasso do evento, e a influência que isso terá no processo eleitoral deste ano. E milhões de pessoas na fila na espera de um ingresso.
Para esta matéria Caros Amigos mobilizou repórteres em diversas cidades e entrevistou pessoas de todas as regiões para fazer um retrato acurado do que vem ocorrendo nas sedes da Copa e contribuir para aprofundar o debate. Porque a discussão enviesada e com dados errados não ajuda em nada. Por exemplo, as palavras de ordem de educação e saúde de padrão Fifa não são mais que isso, palavras de ordem. É só comparar, por exemplo, os valores de cada coisa. Segundo a última matriz de responsabilidade, documento oficial que lista todos os recursos para a Copa, de estádios a obras de locomoção, a conta estava em R$ 25,6 bilhões nos sete anos desde o anúncio da escolha do Brasil. Nas três instâncias de governo, o Brasil investe mais de R$ 200 bilhões em educação e outros R$ 200 bilhões em saúde a cada ano. Para ter ideia, gastamos menos de 500 dólares per capita ano. Os Estados Unidos investem 3,7 mil dólares por pessoa. Para elevar a pelo menos mil dólares por pessoa/ano, o que precisamos fazer, teríamos de dobrar os gastos atuais. Coisa de mais de R$ 200 bilhões. Copa ou não Copa, nesse caso, representa pouco. O debate sobre o “legado da Copa” é discutível. Vendido pelos defensores dos grandes eventos como uma possibilidade de mudar o País, esse discurso caiu em desuso e nem poderia ser diferente. Quem muda um País é sua sociedade, seus cidadãos, não um megaevento, seja Copa, seja Olimpíada. E há críticas sérias. Os estádios eram para custar pouco mais de R$ 2 bilhões em valores atualizados das projeções de 2007. Hoje, os custos já estão na casa de R$ 8 bilhões e muitos terão pouca utilidade depois do evento. Outra crítica pesada é em relação ao papel da Fifa, uma empresa privada e milionária, ligada a diversos escândalos que vende pacotes fechados da Copa do Mundo. O País aceita todas as imposições ou fica sem o evento.



Suécia desiste de Olímpicos de 2022 para não gastar dinheiro dos contribuintes

O governo apresentou três argumentos para justificar a decisão: a cidade de Estocolmo tem outras prioridades, seria gasto demasiado dinheiro e um eventual prejuízo com a organização dos Jogos teria que ser coberto com o dinheiro dos contribuintes.












Ocupe o mundo, tudo é uma Zona Autônoma Temporária
Ei reaça, vaza dessa marcha! (E vai dar teu Golpe de Estado em outro lugar)
Venderam em bloco a rua mais carioca da cidade para que os inquilinos não tivessem direito de preferência
Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi Carolina. Sou Rosangela tambem residente do maracanã e usuária do parque Aquatico há 15 anos. Na 2ª feira 30/06/2014 teremos mais uma reuniuão na Alerj sobre o Parque e gostaria de contar com sua presença. E pelo alcance dos eu Blog pode ser que tenhamos mais atenção da mídia.

Anônimo disse...

IMPORTANTE PARA O ATLETISMO E PARA O ESPORTE AQUATICO NO RIO DE JANEIRO
Hoje dia 24/06/2014, nos reunimos na Sala 316 da Alerj , junto com o Deputado Chiquinho da Mangueira, e contando com a presença do Deputado Roberto Dinamite representando a Comissão de Esportes e Lazer, e cerca de 25 usuários do Parque Aquatico Julio de Lamare
A provável audiencia Publica para o qual fomos convidados, mais uma vez não aconteceu a contento.
O Exmo. Deputado Chiquinho da Mangueira informou-nos que os representantes da Casa Civil e do Consorcio Maracanã se enganaram com o horário e estiveram na ALERJ mais cedo.
Uma reunião agendada há 15 dias atrás, e eles errarem o horário, faz com que reflitamos, o quão responsáveis, como os compromissos com o povo, são as pessoas que estão no poder.
Como não havia muito o que fazer visto que a sala foi provida de projetor, onde deveriam ser apresentados pelos representantes da Casa Civil e do Consorcio Maracanã, o projeto para o futuro do Parque Aquatico Julio de Lamare e o também do Estádio Célio de Barros, o Deputado Chiquinho da Mangueira começou a apresentar o que ele sabia do Projeto.

- Primeiramente o Parque Aquático será fechado de agosto /2014 até Maio/2015
- O Governo promete alugar espaços em 4 Clubes próximos ao Maracanã para atender aos usuários do Parque Aquático.
Especula-se o uso do América, Maxwell, Riachuelo e Mangueira, dois desses não atendem imediatamente as necessidades por não terem piscina aquecida, mas o governo se propõe a investir nesse aquecimento. A presença dos moradores dos arredores do Maracanã, foi importante para fornecer outras proposições , como AABB, Clube Municipal entre outros que o Governo se propõe a buscar.
- Outra informação é que todos os professores do Parque Aquatico serão readmitidos e alocados nesses locais. Foi questionado como ficaria a situação dos funcionários do quadro administrativo, e Chiquinho informou que provavelmente seriam alocados em um local para funcionar como secretaria.
Da obra, de reformulação o que ele soube dizer é que o Estádio Celio de Barros terá uma pista com 9 raias, mas não tem espaço para a pista de aquecimento, portanto o Célio de Barros será reconstruído fora dos padrões Internacionais . E o projeto de lojas e estacionamento sob a pista será apresentado.
Já o Parque Aquatico que seria demolido porque não seria usado nas Olímpiadas, agora terá que ser reformulado para a Competição de Polo Aquático, por esse motivo o COI (Comitê Olimpico Internacional)exige que a piscina coberta que hoje tem 25 metros seja substituida por uma de 28 metros para servir de piscina de aquecimento para os atletas.
Foi citado que esta piscina será construída no local onde funcionava o Ginásio Seco e que foi demolido pelo Estado em 2013, para não comprometer a mobilidade durante os Jogos da Copa e das Olimpiadas. E nós como Usuários mas também preocupados com os Atletas que utilizam o Parque , ainda preocupados com o fator sustentabilidade , questionamos como pode um parque aquático funcionar sem o Ginásio Seco. Outrossim, nos foi dito, que a arquibancada fixa será diminuída mas o motivo não ficou explicito), e que será realizado no local onde hoje é a piscina coberta a construção de arquibancada móvel.

Anônimo disse...

Este projeto na verdade só foi uma demonstração oral do que deverá ser apresentado na próxima reunião já agendada para o dia 30/06/2014 na mesma Sala 316 da Alerj. Onde desta vez esperamos contar com a presença dos representantes do Governo, do Consorcio e também com outros representantes da sociedade para sim podermos opinar e exigir sim que o Complexo Maracanã tenha a cara do povo ao qual ele pertence, e não a cara de uma empreiteira que só está interessada, em promover lucro para os próprios bolsos.
O Sr. Deputado Chiquinho da mangueira , assim como Sr. Deputado Roberto Dinamite, insistem que devemos nos ater apenas a promover a nossa saciedade , que devemos apenas nos preocupar em manter nosso projeto, que devemos direcionar nossos esforços para satisfazer as necessidades que são atendidas pelos projetos sociais do Parque Aquático Julio Delamare.
Acreditamos que é primordial, termos sim a garantia de espaços em Clubes com piscina aquecidas para atender a demanda dos nossos usuários especiais, dos nosso publico da terceira idade, dos programas de iniciação desportiva, como PID e PCD, enquanto as obras de reformulação forem realizadas.
Mas como cidadãos cariocas, pretendemos também ter o direito de opinar no uso destes equipamentos como símbolo dos esportes no Rio de Janeiro. Sim temos o direito e dever de questionar sim, esta obra, que será feita nos moldes do COI para em seguida , por motivos quaisquer num futuro próximo, ter que ser desativado como estão o Célio de Barros e o Parque Aquatico par atender a outras demandas que não são os atletas que ali existem em plena formação.

Por isso convocamos Atletas, usuários e cidadãos para a reunião a acontecer dia 30/06/2014 na Alerj as 14:00hs.