terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A seca do Mar de Aral, quando um dos berços da civilização virou um deserto

Com medo que algum dia o mar também virasse sertão já foi trecho de música, hoje é realidade.
Há alguns anos, divulguei algumas imagens da seca do Amazonas e hoje a perda de volume em rios como o São Francisco, já é um problema real.
Contudo, as imagens do Mar de Aral desertificado em tão pouco tempo são chocantes pelo volume e extensão de uma fonte de água perene desde a Antiguidade.
Vou deixar que os artigos e imagens abaixo falem por si. Mas o que você pode começar a fazer é economizar a maior quantidade possível de água, reduzir o consumo de carne, apoiar áreas reflorestadas, não consumir de forma alguma madeira não certificada e, se for o caso, adotar as formas de irrigação por gotejamento no lugar da aspersão tradicional. 






Imagens mostram desaparecimento do Mar de Aral e outros desastres

Imagens registradas entre 1973 e 2009, por exemplo, registram o desaparecimento quase total do mar de Aral - que na verdade era um gigantesco lago de água salgada -, na Ásia Central, que tinha o tamanho da Irlanda e virou um grupo de lagos. Em abril, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, disse que o Aral passava por "um dos maiores desastres ambientais do planeta". 

O Aral, que fica entre o Uzbequistão e o Cazaquistão, já foi o quarto maior lago do planeta. Contudo, desde os anos 60, ele perdeu mais da metade de seu volume. Os rios que alimenta o mar foram sobrecarregados por irrigações nas plantações de campos de algodão, ainda na época da União Soviética. 


Além da falta de água, Aral sofre com poluição, que chegou a níveis perigosos. A destruição do lago também dizimou a indústria pesqueira local, causando desemprego e problemas econômicos para os moradores da região. 

O berço da civilização vira um deserto 
No Iraque, a histórica região entre os rios Tigre e Eufrates também sofre com a exploração do homem. Na metade do século XX os pântanos da Mesopotâmia começaram a ser drenados para a agricultura e para atingir a região onde viviam contrários ao partido que dominava o país. Imagens registradas da região em 1990 e 2000 mostram em um pequeno espaço de tempo drásticas mudanças na região (confira mais detalhes na aba "fotos" acima. 


"Ultimamente, os desastres vistos no mar de Aral e nos pântanos são uma combinação dos efeitos do homem e do aumento da temperatura nessas regiões. (...) Não há uma grande mudança no volume de chuva nessas áreas, mas desde os anos 70 a temperatura subiu 1°C, o que aumenta as perdas devido à evaporação. (...) A poluição na área está ficando pior porque, enquanto a água evapora, poluentes na água ficam mais concentrados e menos diluídos", diz Benjamin Lloyd-Hughes, do Instituto Walker - instituição que pesquisa o sistema climático - e da Universidade de Reading, no Reino Unido, à reportagem. 


Imagens de satélite mostram bacia do Mar de Aral drasticamente seca

Acredita-se que os atuais níveis de  água representam menos de 10% do que existia há cinco décadas.  
Imagens feitas por satélites da Nasa mostram que o Mar de Aral teve sua extensão drasticamente reduzida nos últimos anos. O lago de água salgada que se estendia entre o Cazaquistão e o Uzbequistão já foi o quarto maior do mundo. Atualmente, acredita-se que os atuais níveis de água representam menos de 10% do que existia há cinco décadas.
"Esta é a primeira vez que a bacia oriental esta completamente seca nos tempos modernos", disse o geógrafo da Western Michigan University, Philip Micklin, à Nasa. "E é provável que esta seja a primeira vez que esteja completamente seca em 600 anos."
 Na década de 1950, dois dos principais rios da região - o Amu Darya e O Syr Darya - foram desviados pelo governo soviético para fornecer irrigação para a produção de algodão no Uzbequistão e no Turcomenistão, privando o Aral. Ele vem diminuindo desde então, com a queda do nível do mar de 16 metros entre 1960 e 1996, segundo o Banco Mundial.
A falta de chuva e neve na Cordilheira Pamir também tem contribuído para os níveis particularmente baixos de água neste verão, disse Micklin.


Um dos maiores lagos do mundo desapareceu deixando uma paisagem assustadora







Um comentário:

Blog do Allan disse...

Prezada Carol,
é relevante a preocupação e, sensibilizo-me com a seca do Mar de Aral, com a seca do Amazonas e a perda de volume do São Francisco. Além de compartilhar as sugestões sobre economia de água, redução no consumo de carne, etc.
Entretanto, o que até agora não consigo entender é como se pode instalar (desde 2011) um Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) em Seropédica, sobre o local onde está o Aquífero Piranema. Reservatório com capacidade para abastecer a população da cidade do Rio de Janeiro.
Isto não representa um contrassenso?

Allan Lemos