domingo, 25 de janeiro de 2015

A mineração de ouro a céu aberto é a mineração dos ossos no maior envenenamento em massa do Brasil

80% do ouro extraído é para o mercado de jóias. Não existe mineração sustentável, seja em petróleo, ouro, diamantes ou mesmo areia. O próprio processo de perfuração, além de invasivo e erosivo, polui quimicamente todas as fontes de água, lençóis freáticos, rios e mananciais do entorno.
A mineração, junto com a pecuária, é notória em deixar outro rastro destrutivo: a devastação social das áreas onde instala-se. Os trabalhadores são sempre subempregados, a economia local acaba sucateada e não raro há registros de trabalho escravo e prostituição infantil nos incontáveis estabelecimentos clandestinos que instalam-se nessas regiões. 
O mundo é o que você compra sempre. Não compre, não financie essa covardia.





Paracatu – o maior envenenamento em massa do Brasil


Algo estranho está acontecendo em Paracatu, cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Cresce anormalmente o número de casos de câncer. Médicos e cientistas já detectaram a causa do problema: o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto


Paracatu é uma cidade mineira de pessoas humildes e hospitaleiras. Nos últimos anos, algo estranho está acontecendo com a saúde dessa população. Cresce anormalmente o número de casos de câncer no município, especialmente entre a população mais jovem. Em Paracatu, o número de pacientes com câncer, em relação à população em geral é muito maior que em outras regiões do estado, do país ou do mundo. Como as condições de atendimento à saúde na cidade são precárias e a maioria da população é pobre, os pacientes buscam tratamento em hospitais filantrópicos em outras cidades de Minas Gerais, Distrito Federal e São Paulo, como o Hospital de Câncer de Barretos.
Para médicos e cientistas, a causa do problema é o arsênio liberado pela mineração de ouro a céu aberto na cidade. A solução do problema é paralisar a liberação deste veneno para o ambiente e diagnosticar e tratar as pessoas expostas ao arsênio. A EPA, agência de proteção ambiental do governo norte-americano calculou que as perdas e danos causados pelo arsênio variam entre US$1.5 milhão e US$6 milhões por cada vida humana. Desde 1987, os mais de 80 mil habitantes de Paracatu estão diariamente expostos à intoxicação crônica pelo arsênio liberado pela mineradora canadenseKinross Gold Corporation. Este é o maior envenenamento em massa de que se tem notícia na história do Brasil.
Os custos estimados com diagnóstico, tratamento e indenização das vítimas alcançam bilhões de dólares. Os impactos para a saúde das pessoas e a economia são desastrosos. Desde 2009, uma Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução pede que o poder público ofereça exames clínicos e laboratoriais a toda a população de Paracatu e obriga a mineradora a pagar todos os custos com diagnóstico e tratamento de todos os habitantes da cidade. Esta Ação Civil Pública encontra-se paralisada no fórum de Paracatu.
Pedimos aos nossos Promotores Públicos que desengavetem a Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução e ao Prefeito da cidade de Paracatu e seus auxiliares que tomem as medidas de proteção às milhares de vidas humanas de Paracatu. Como o arsênio de Paracatu está se dispersando pelo ambiente através da atmosfera e da água, pode-se afirmar que a contaminação de Paracatu é um problema de saúde pública local, regional, nacional e internacional.
SAIBA MAIS SOBRE O ENVENENAMENTO EM MASSA DE PARACATU:
Ação Civil Pública de Prevenção e Precaução por Dano Ambiental e à Saúde Pública Decorrente de Carga Contínua sobre o Meio Ambiente com Pedido de Cautela Liminar, proposta pela Fundação Acangau contra a Kinross Gold Corporation e Prefeitura Municipal de Paracatu 
Arsênio liberado pela Kinross em Paracatu já está bioaccessível, revela estudo. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/arsenio-liberado-pela-k…s\ )
Professor da USP diz que incidência de câncer em Paracatu está acima da média. (http://paracatu.net/…/4148-professor-da-usp-diz-que-inciden… )
Incidência de câncer em Paracatu é altíssima, afirma médico especialista. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/incidencia-de-cancer-em… )
Le taux de cancer à Paracatu est très élevé. (http://www.brasileirosparaomundo.blogspot.de/…/le-taux-de-c… )
Envenenamento lento pelo ‘pó da herança’ descoberto em Heidelberg. (http://alertaparacatu.blogspot.de/…/envenamento-lento-pelo-… )
______________________________________________________
Promotor de Justiça de Paracatu: Paulo Campos Chaves
Promotora de Justiça de Paracatu: Mariana Duarte Leão
Promotorias de Justiça de Paracatu
Av. Olegário Maciel 193, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tels.: (038) 3671-5719 / -6170 / -5313/ -6584/ -5543
Fax: (038) 3671-1761 / -4033 / (038) 3672-1599
Procurador-Geral de Justiça de Minas Gerais: Carlos André Mariani Bittencourt
Ministério Público do Estado de Minas Gerais
Av. Álvares Cabral, 1690, CEP 30.170-001 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 3330-8100/-8263. Fax: (031) 3330-6362
Secretárias:
Rosângela Borges, Tel. (031) 3330-8001, rborges@mp.mg.gov.br
Cynthia Lopes, Tel. (031) 3330-8007, gabpgj@mp.mg.gov.br
Chefe de Gabinete : Roberto Heleno de Castro Júnior (Promotor de Justiça)
Secretária: Renata Villela, Tel. (031) 3330-8220, renata@mp.mg.gov.br
Secretário-Geral : Élida de Freitas Rezende (Promotora de Justiça)
Assessora: Christiane Puliti, Tel. (031) 3330-8319, puliti@mp.mg.gov.br
Secretária: Maristela, Tel. (031) 3330-8319
Procurador Onésio Soares Amaral
Procuradoria da República em Minas Gerais
Av. Brasil, 1877, CEP 30140-002 Belo Horizonte MG
Tel.: (031) 2123-9000
PRM Uberaba
Av. Gabriela Castro Cunha nº 340, CEP 38.066-000 Uberaba MG
Tel.: (034) 3319-7900
prmura@prmg.mpf.gov.br
Prefeito de Paracatu: Olavo Remígio Condé
Vice-prefeito de Paracatu: José Altino Silva
Av. Olegário Maciel, 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905
gabinete@paracatu.mg.gov.br
Secretário de Saúde de Paracatu: Agostinho Martins de Oliveira
Av. Romualdo Ulhoa Tomba 157, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3671-3555
Defensor Público do Município de Paracatu: Rodolfo Ramos Caldeira
Av. Olegário Maciel 166, CEP 38600-000 Paracatu MG
Tel.: (038) 3679-0905

Por Sergio U. Dani, de Bremen, junho de 2014
Há muitos anos sabemos que o arsênio é uma substância causadora de câncer e outras doenças. Aliás, o arsênio é um dos agentes cancerígenos mais potentes e persistentes. O arsênio é absorvido via
oral ou respiratória e literalmente gruda nos ossos e mata de câncer e uma série de outras doenças.
Há anos estamos divulgando essa informação em Paracatu, na esperança que o povo e as autoridades tomem providências contra o genocídio de que são vítimas, cometido pela corporação transnacional canadense Kinross Gold Corporation.
Muitos dos que “não acreditavam” que poderiam ser afetados pelo arsênio agora dão-se conta de que talvez, quem sabe? Você não precisa “acreditar” quando eu digo que o arsênio é tóxico. Eu não sou pajé ou sacerdote de uma religião qualquer. Eu sou médico e cientista, e se digo que o arsênio é tóxico, é porque estou baseado em estudos realizados por mim em minha clínica e meu laboratório, e por centenas de outros colegas médicos, cientistas e pesquisadores. Da mesma forma, você não precisa “acreditar” que não será mais uma vítima do arsênio. O arsênio não escolhe vítimas.
Suspeita-se que diversas pessoas que trabalharam na mina de ouro da Kinross em Paracatu já sejam vítimas do envenenamento pelo arsênio. Comenta-se que desde trabalhadores braçais até gerentes e diretores sejam vítimas. O arsênio não escolhe vítima.
Evidências indicam que toda a população de Paracatu seja vítima, desde a criança ao adulto e ao mais idoso, do mais pobre ao mais rico, do mendigo ao empresário, do analfabeto ao mais titulado, do pedreiro ao doutor, do mais ignorante ao mais qualificado, do vereador ao locutor de rádio, do bancário ao professor, do presidiário ao juiz que o condenou, do sacerdote crédulo ao promotor de justiça incrédulo. Acredite se quiser: o arsênio não escolhe vítima.
As águas de Paracatu – especialmente o Córrego Rico, o Córrego Santo Antônio, o Ribeirão Santa Rita, o Ribeirão São Pedro a jusante da barra do Ribeirão Santa Rita e o Rio Paracatu a jusante desses cursos d’água – estão gravemente contaminadas com o arsênio liberado pela mina de ouro da Kinross. A contaminação das águas por arsênio está muito acima dos valores permitidos pela legislação brasileira.
Em um ponto no Córrego Rico, o arsênio no sedimento do leito do córrego atingiu a concentração de 1.116 ppm, o que corresponde a uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pela Resolução 344/2004 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e 744 vezes maior que a concentração média natural verificada nos rios e córregos da região.
O arsênio viaja longas distâncias de carona na água. Quando a água seca ou evapora, o arsênio vira pó de novo, e também pode virar gás. Estudos científicos mostram que concentrações de arsênio acima de 7 ppm no solo (como se fossem 7 graozinhos de arsênio no meio de um milhão de grãos de poeira, ou 7 graozinhos de arroz em um saco de 15 kg de arroz) já afetam a saúde humana. Quanto maior é a concentração, maior é o número de pessoas afetadas.
A poeira que se respira em Paracatu tem concentrações de arsênio até 140 vezes mais altas que a concentração acima da qual o veneno começa a causar danos à saúde humana quando é respirado.
Uma pessoa exposta ao arsênio sem querer ou sem saber, dificilmente percebe os efeitos do envenenamento crônico. A população de 80 mil pessoas da cidade de Paracatu está exposta diretamente ao risco de intoxicação, principalmente via inalação da poeira e gases emanados da mina e depósitos de rejeitos.
Outras populações estão expostas indiretamente e à distância, na medida em que o arsênio de Paracatu, dissolvido na água, está sendo persistentemente transportado pela bacia do Rio São Francisco onde entra na cadeia alimentar e, liberado para a atmosfera na forma de poeira e gás, está sendo transportado pelos ventos para outras regiões do país e do mundo.
A gravidade do cenário é de tal monta que supera a arguição de legalidade da atividade de mineração autorizada, visto que os índices oficiais de exposição tolerável não foram calculados para períodos de longa exposição diária e várias vias de ingestão, inalação, absorção e resorção concentradas num mesmo ambiente: solo, atmosfera, água, alimentos, e o próprio compartimento humano.
Hoje já existem testes laboratoriais e clínicos capazes de indicar o seu envenenamento pelo arsênio da genocida Kinross. O genocídio culposo não gera processo criminal, mas gera a obrigação de indenizar as perdas e os danos. Em caso de dúvida, nossa equipe de médicos e advogados coloca-se à disposição para esclarecimentos.

Barragem de rejeito da Rio Paracatu Mineração

Por Sergio Ulhoa Dani, de Heidelberg, Alemanha, em 26 de março de 2011
A radiação do reator nuclear avariado de Fukushima, Japão, chegou à Europa ontem viajando milhares de quilômetros com o vento. Foi um acidente limitado no tempo e a quantidade de radiação não afeta a saúde dos europeus, informam os cientistas daqui. O arsênio liberado diariamente pela transnacional canadense genocida Kinross Gold na cidade de Paracatu, noroeste de Minas Gerais pode ser carregado pelo vento para as regiões mais ricas do Brasil, onde continuará sua saga genocida durante séculos ou milênios. Ao contrário da radiação acidental e passageira de Fukushima, a poluição de Paracatu é diária, persistente, autorizada e legalizada por governantes corruptos e técnicos ignorantes.
O arsênio é liberado da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e também a mais venenosa do mundo. Para cada grama de ouro retirado das rochas da mina de Paracatu, a mineradora genocida solta mais de um kilograma de arsênio para a atmosfera, os solos e as águas. Isso mesmo: para cada parte de ouro, são duas mil e quinhentas partes de arsênio puro que, traduzido em letalidade significa que cada grama de ouro extraído desagrega arsênio suficiente para matar 17.500 pessoas.
Como a Kinross promote liberar um milhão de toneladas de arsênio nos próximos 30 anos de mineração de ouro autorizada e legalizada em Paracatu, a massa total e letal de arsênio liberado terá potencial para matar ou adoecer cronicamente sete trilhões (7.000.000.000.000) de seres humanos. As autoridades corruptas de Minas Gerais e do Brasil que receberam “pagamentos facilitadores” da mineradora canadense para autorizar o genocídio com “emprego e renda” batem palmas. Na cidade de Paracatu, crianças já estão morrendo antes de nascer e jovens e adultos estão adoecendo e morrendo antes da hora [1].
Como o arsênio se dispersa tanto pela água quanto na forma de poeira e gás, está sendo levado pelo vento para centenas ou milhares de quilômetros de distância da mina de Paracatu. A figura deste artigo, retirada do site do CPTEC-INPE [2] ilustra essa possibilidade: os ventos que passaram por Paracatu ontem dirijiram-se para o triângulo mineiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.
Mesmo depois de encerrada a mineração de ouro, o arsênio liberado pela genocida canadense garantirá uma poluição persistente durante séculos ou milênios, soprando todo dia em cima das regiões mais ricas e produtivas do Brasil e América do Sul.
Referências:
[1] Resultados de levantamento preliminar que a mineradora e seus consultores de aluguel conduziram apontam para aumentou do número de abortos espontâneos e câncer após o início da mineração a céu aberto em Paracatu:
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/abortos-espontaneos-em-paracatu.html
e
http://alertaparacatu.blogspot.com/2011/01/cresce-o-numero-de-casos-de-cancer-em.html.
http://almacks.blogspot.com/2011/03/vento-pode-levar-o-arsenio-de-paracatu.html. Enviada por Zuleica Nycz.

A mineração dos ossos

Um dos venenos mais antigos, potentes e persistentes, o arsênio – associado ao ouro e liberado na extração desse metal precioso em rocha dura – acumula-se nos ossos e causa grave intoxicação. Danos não são instantâneos, nem evidentes.
A maior mina de ouro do Brasil está situada em Paracatu, na região noroeste de Minas Gerais, assentada sobre os escombros de um asteroide que colidiu com a Terra há bilhões de anos, trazendo do espaço um tesouro venenoso: grãozinhos de ouro incrustados em arsenopirita, o principal minério de arsênio. Este artigo aponta os efeitos retardados dessa colisão ‘lucrativa’ e relata o descaso, no Brasil e no mundo, em relação ao problema.
O arsênio é um elemento químico do grupo dos ‘metaloides’ ou ‘semimetais’ – os que apresentam algumas das propriedades físicas de um metal. O arsênio também é considerado um elemento ferrofílico, por ter a propriedade de se associar ao ferro e às rochas. Além dos asteroides, as erupções vulcânicas são importantes fontes naturais de emissão desse elemento para a biosfera.
Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, impedindo o funcionamento normal do organismo e causando danos à saúde

Para os seres vivos, o arsênio é um veneno. Ele atua como substituto instável do fósforo em ampla gama de processos bioquímicos e nutricionais, provocando os chamados ‘ciclos metabólicos fúteis’, ou ineficazes, que impedem o funcionamento normal do organismo e causam danos à saúde. A existência de genes de resistência ao arsênio nos genomas de quase todos os organismos é um indício forte da toxicidade desse veneno e de sua presença nos ambientes terrestres nas épocas das extinções em massa, causadas por colisões de asteroides e/ou por intensa atividade vulcânica: os organismos que sobreviveram foram os que tinham genes de resistência ao arsênio. 
Não há dose segura para o arsênio, e não existe diferença de toxicidade entre sua ingestão e sua inalação. Há, entretanto, diferenças entre suas formas orgânicas e inorgânicas e entre os efeitos agudos e crônicos. As formas inorgânicas são em geral mais tóxicas que as orgânicas, embora umas possam se transformar nas outras.
Um dos compostos inorgânicos comuns do elemento, o trióxido de arsênio, é um veneno inodoro e insípido, conhecido desde a Antiguidade e usado como o ‘pó da herança’ por alguns herdeiros impacientes. Apenas um grama desse veneno é suficiente para matar, em poucas horas, até sete pessoas adultas. Estudos científicos revelam que a exposição, ao longo de anos, a quantidades bem menores – poucas partes por bilhão (ppb), ou seja, poucos microgramas por quilo (μg/kg) – causa um catálogo de doenças e debilidades crônicas, de lesões de pele a doenças hematológicas, imunológicas, metabólicas, respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais, hepáticas, renais e neurológicas. Isso inclui várias formas de câncer: o arsênio está no topo da lista dos agentes carcinogênicos.

A arsenopirita é geralmente associada ao ouro (pontos dourados). Na mina de Paracatu, a concentração média de ouro é de 0,4 g por tonelada; já a de arsênio é de mais de 1 kg por tonelada. (foto: cedida por Ross Large/ Universidade da Tasmânia)
Os envenenamentos agudos por arsênio são casos isolados, caracterizados pela inibição da respiração celular, seguida de morte. O uso desse elemento para cometer assassinatos é uma prática popularizada em romances e filmes, como a comédia macabra Este mundo é um hospício (Arsenic and old lace, no título original, de 1944), de Frank Capra. A intoxicação crônica é menos conhecida, embora comum; ela afeta, no mundo, centenas de milhões de pessoas, expostas às quantidades crescentes de arsênio liberadas continuamente no ambiente por certas atividades humanas, entre elas a mineração de ouro e a queima de combustíveis fósseis e o uso de águas subterrâneas contaminadas.
O arsênio liberado em atividades humanas é chamado de ‘antropogênico’. Quantidades anormalmente altas de arsênio na água, em alimentos e em material disperso na atmosfera (poeira e gás) quase sempre indicam contaminação antropogênica. Em várias partes do mundo têm sido constatadas intoxicações crônicas de populações humanas, mas em geral os casos são negligenciados, em razão do longo período de latência (tempo entre a exposição ao veneno e a manifestação das doenças) e por conta de conveniências políticas e econômico-financeiras.

Questão mundial 

Há séculos, o arsênio tem sido usado como veneno e como droga. Há mais de 2,4 mil anos, esse elemento faz parte da farmacopeia tradicional chinesa. O conhecimento científico dos seus efeitos sobre a saúde humana foi impulsionado, a partir do século 18, pelos casos de intoxicação de operários da indústria extrativa. Entre os estudos sobre os efeitos do arsenato sobre as enzimas, destacam-se os trabalhos pioneiros dos enzimologistas mais notáveis do século 20, entre os quais o alemão Otto Warburg (1883-1970), o norte-americano Frank Weistheimer (1912-2007) e o irlandês Henry B. F. Dixon (1928-2008).
Na Alemanha, entre 1920 e 1942, os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou
Na Alemanha, a intoxicação crônica de milhares de pessoas por arsênio, entre 1920 e 1942, nas regiões do Kaiserstuhl e vale do rio Moselle, foi descrita detalhadamente em estudos científicos e relatórios oficiais. A intoxicação foi causada pelo uso de inseticidas à base de arsênio em plantações de uva dessas áreas vinícolas tradicionais do sudoeste do país. Os chamados danos tardios do arsênio foram notados após muitos anos de exposição ao veneno e mesmo anos depois que esta terminou.
O período de latência variou de três a 50 anos (média: 26 anos), dependendo principalmente da quantidade de arsênio absorvida. Em 2013, atuando como médico na Alemanha, examinei dois pacientes idosos sobreviventes dessa intoxicação em massa. O uso de inseticidas contendo arsênio só foi proibido na Alemanha após o surgimento de inseticidas sem esse elemento. Hoje, os sindicatos de viticultores alemães reconhecem a intoxicação crônica e as vítimas têm direito a indenizações.
O arsênio também é a causa do maior envenenamento em massa da história da humanidade: a atual epidemia de arsenicose em Bangladesh e na região de Bengala Ocidental (Índia) afeta milhões de pessoas e mata centenas de milhares por ano de diversos tipos de câncer e outras doenças. Essa tragédia tem sido documentada em numerosos estudos científicos e relatórios oficiais, publicados a partir da década de 1990. O gatilho foi a perfuração indiscriminada de cerca de 12 milhões de poços tubulares de água em subsolo contendo depósitos minerais de arsênio.

Um comentário:

Anônimo disse...

Dr. John O'Connor diagnosticou vários casos de câncer do ducto biliar em canadenses na pequena aldeia do norte de Fort Chipewyan, Alberta, próximo dasareias petrolíferas.

Mas dados do Dr. John O'Connor foram contestados pela Health Canada e autoridades de saúde pública em Alberta, e fora ameaçado com a perda de sua licença por ter levantado "alarme desnecessário".

http://thetyee.ca/News/2015/05/11/John-OConnor-Fired/
http://www.thebigcancerlie.com/
http://www.nationalobserver.com/2015/05/11/opinion/whistleblowing-alberta-oil-sands-doctor-fired-abruptly