sábado, 7 de março de 2015

Quando a sustentabilidade me deixou na mão 02: filtro de barro

"O acesso à água não deveria ser um direito público", Peter Brabeck (CEO da Nestlé)




O filtro de barro brasileiro foi eleito o melhor do mundo há alguns anos, por ser um sistema mais lento de gotejamento. O processo lento seria o que o diferencia dos filtros de forte pressão, que recebem água da torneira ou da tubulação, os quais são prejudicados exatamente pela força da água, o que pode fazer com que micro-organismos, sedimentos ou mesmo elementos químicos, como ferro e chumbo, cheguem ao copo do consumidor. E, com isso, segundo pesquisas norte-americanas, os filtros tradicionais de barro com câmara de filtragem de cerâmica seriam muito eficientes na retenção de cloro, pesticidas, ferro, alumínio, chumbo (95% de retenção) e ainda reteriam 99% de Criptosporidiose (parasita causador de doenças).

Eu sempre tive filtros de barro e as fotos da cozinha da minha casa com seu filtro aparecem aqui em muitas postagens. Mas há mais ou menos uns 2 anos, tive problemas com meu filtro de barro e fui obrigada a partir para outra opção.

Uma noite, sem uma gota de água na geladeira, acordei com sede e bebi o restinho que estava no filtro de barro. Nunca havia aberto o filtro com água, afinal fazia a limpeza geralmente quando o mesmo estava vazio.
Encontrei alguns insetos dentro do filtro boiando na água já filtrada pela vela e lembrei dos antigos canais de televisão vendendo filtros modernos de ozônio como promessa de água pura e sem o riscos de problemas de isolamento dos filtros tradicionais (em barro).
Mas meus problemas não acabaram por aí, notei que a vela filtrante também já estava pedindo uma troca e quando fui trocar, a nova vela (revestida em prata coloidal da Stefani e considerada a melhor do país) não filtrava nada e mais parecia um funil.
Como tinha uma outra vela nova de reposição guardada, resolvi partir para nova tentativa e a mesma quebrou na minha mão.
Com uma terceira vela nova de reposição e muito boa vontade, fiz uma última tentativa de troca e essa terceira vela também não filtrava nada, a água passava como numa torneira para o recipiente de armazenagem.

Comecei a pesquisar novas opções e ver de onde havia saído esse conceito do filtro de barro, encontrei então a revista Meio Filtrante, especialista do setor. Depois de muito ler e comparar, parti então para um purificador de água e escolhi o da Cônsul, então eleito o melhor do país, atendendo a todas as normas técnicas do INMETRO e, para armazenagem em casa, mantenho a água previamente filtrada em moringas de barro supostamente revestidas de prata coloidal, que é um giardicida natural. A água está sempre fresca, com gosto do filtro de barro e, pelo menos em tese, recebendo um novo tratamento geoterápico.




Existem dezenas de tipos de filtros, os mais tradicionais no país são o filtro de barro doméstico e de alguns anos para cá, os filtros de torneira com um sistema de filtragem por vela muito similar ao do filtro de barro, mas perigosamente muito mais rápido, já que, como dito acima, funciona por pressão e não por gotejamento como o tradicional em barro. Em alguns casos, as velas de substituição são inclusive similares, o que mostra que o processo é basicamente o mesmo, mas no caso do filtro de torneira, feito às pressas por pressão, o que muito provavelmente leva à perda da qualidade.

No site dos próprios fabricantes de filtros e purificadores de água, encontra-se muita informação técnica explicando que purificadores mais baratos, como os de torneira, apesar de atenderem à todas as exigências do INMETRO, apresentam desvantagens em relação aos modelos mais caros, o que é bastante óbvio inclusive.

Eu imagino que essa questão de resgatar o filtro de barro seja mais social do que técnica, afinal muito poucas famílias podem pagar os mais de R$300,00 que um purificador decente custa. Com a popularização dos purificadores de torneira, as demandas sanitárias devem ter aumentado e com isso, quadros de contaminação piorado.




As questões sanitárias no Brasil realmente ainda engatinham. Segundo a própria OMS, ainda não foi possível remover as fezes da dieta do brasileiro. E mais uma vez, a falta de vontade política aparece nesse país continental.

Talvez o grande legado que a atual crise hídrica nos traga seja justamente iniciar discussões que antes ficavam restritas às esferas dos ambientalistas, como os crimes de hidropirataria praticados pelas empresas que comercializam água supostamente mineral e pura.
É preciso entender algumas questões básicas:
1. Não existe água mineral engarrada sustentável, além do excesso de embalagens (geralmente plasticas), que geram lixo, um dos seus componentes, o BPA (Bisfenol-A) é cancerígeno;
2. A água mineral comercializada é uma fraude por não ser naturalmente mineral, as fontes originais secaram há anos e com isso, os minerais são adicionados quimicamente, o que vem escrito nos rótulos inclusive;
3. A partir do momento em que uma empresa instala-se em área de reservatório de água e, apropriando-se dessa concessão pública, comercializa à população a mesma água (alterada quimicamente e embalada em plástico), nós pagamos no curto e longo prazo muitas vezes à tal empresa (geralmente estrangeira e de capital aberto), afinal compramos a água meramente engarrafada por eles, abrimos mão do direito de prospecção e distribuição gratuita de um bem natural indispensável à vida, somos obrigados a fazer a gestão do lixo produzido pelas garrafinhas famigeradas, arcamos com os custos ambientais da poluição inerente a todo processo industrial (na área de entorno da tal nascente explorada pela tal empresa estrangeira de capital aberto) e a longo prazo, somos obrigados a administrar a devastação deixada por essa mesma empresa quando as tais fontes de água (que inicialmente eram apenas uma concessão pública) secarem. E as empresas exploradoras (que contaram com isenção fiscal por serem cogeradoras de empregos) apenas retiram-se do local devastado, instalando-se em outro, deixando para trás economia local sucateada, instalações industriais abandonadas, fontes de água esgotadas, solos desertificados e prejuízos diretos e indiretos incalculáveis.








Mais informação:

9 comentários:

Sâmara S. Schaper disse...

Boa Tarde Carol!
Como faço para conseguir uma moringa como essa? Moro em Petrópolis-RJ e procuro há tempos, sem sucesso. Obrigada!

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Sâmara, eu consegui as minhas no supermercado Extra daqui da Tijuca, estavam liquidando por não ter saída...
Mas qualquer dessas lojas que vendem artigos de cozinha à moda antiga (filtro de barro, panela de ferro, tacho de cobre) deve ter.
Boa sorte na tua procura.

ricnaris disse...

Olá Sâmara, no caso citado, das velas novas para o filtro de barro, é necessário deixá-las condicionando por alguma horas, (de 24 a 48 horas) imersas em água limpa, para que possam sofrer a umidificação necessária à filtração, velas novas apresentam vários espaços ocos, ou poros, que permitem a passagem livre de água, mas esses poros fecham-se com água e com o uso constante do filtro. Uma vela mais antiga apresenta uma maior capacidade de filtração do que uma vela nova, o fato de que partículas minúsculas irem aos poucos fechando os poros da vela, torna o elemento filtrante cada vez mais seletivo com relação ao tamanho das partículas a serem filtradas (sedimentos, algas, micro-organismos).
Existem filtros muito superiores aos filtros de barro, em relação à especificidade de substâncias e tamanho de partículas a serem removidas da água, há filtros que nos fornecem água deionizada a partir de água da concessionária de abastecimento, o que é uma purificação total da água, inclusive dos sais nela dissolvidos.
Embora haja todo esse avanço nas novas técnicas de filtração, não abro mão de um bom filtro de barro, do sabor, da temperatura de sua água e da qualidade, atestada pelos laboratórios de controle de qualidade da água potável.
Felicidades e sucesso em suas pesquisas.

Diogo Fernandes da Costa Luz disse...

Eu não entendi bem a conclusão: o filtro de barro (à parte a questão do isolamento) não filtra? Você está satisfeita com esse da Cônsul?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

A vela do filtro de barro filtra, quando não dá problemas. Mas o filtro de barro tem problemas de isolamento sim, eu encontrei insetos boiando justamente no recipiente já filtrado.

Érica Santos disse...

Olá Carol, estou pensando em comprar um filtro da Consul igual ao seu. Desde que comprou até hoje ele tem cumprido o que promete? Gratidão pelas dicas.
Érica

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi, estou super satisfeita. Bsorte

Renato disse...

Comprei um filtro igual a esse da Consul e a água simplesmente levava quase um dia para encher um copo

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Troca o filtro. Tá na garantia?