segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mais restaurantes slow para a correria do Centro do Rio

Tendo que encarar o Centro, que seja da melhor maneira possível.
Eu não gosto de sair para almoçar, é tudo muito cheio, muito caro e muito ruim, mas alguns lugares são bons, justamente os menos badalados. Nesses, eu vou sorrindo e sem pressa. Tiro uma hora de almoço maior e aproveito para comer bem, é quase um programa.

Numa época em que nossos estabelecimentos mais tradicionais estão fechando em dúzias, frequentar as pratas da casa, é uma questão de honra.

Em algumas postagens antigas daqui, encontram-se as minhas andanças pelo Centro, meu almoço com meu querido amigo Tom no Restaurante da Associação Macrobiótica, os almoços com Denise na Confeitaria Colombo, Bistrô Cocinelle e no também macrobiótico Metamorfose e a exposição de Cora Coralina no CCBB em meio de semana, delícia total.


Hoje, trago outras dicas, tão boas quanto.

A sopa mais cara do Rio de Janeiro, a Sopa Leão Veloso do Rio Minho, toda em frutos do mar. Pode ser consumida no restaurante centenário ou mesmo no balcão ao lado de fora. Eu vou nesse balcão com pinta de galeto e asseguro que vale cada centavo, vou em jejum inclusive. Raspo até a última gota dessa cumbuca e ainda passo um pãozinho. É caro, mas rende dois pratos cheios, é divino e uma vez na vida, não mata ninguém. Estando meio duro, peça uns bolinhos de bacalhau de entrada e divida a sopa com alguém.
Estando inspirado, emende um toucinho do céu de sobremesa e vá desgastar a comilança no Museu Naval ou no Paço Imperial do outro lado da Praça XV. Programão.









Para ir em jejum sem nada na geladeira para o jantar, Casa Urich, na São José, entre a Primeiro de Março e a Nilo Peçanha. Desde 1913, servindo comida alemã de qualidade. Eu adoro e sempre derrapo no couvert cheio de patês caseiros. Minha sorte é não ligar para strudel, o deles vem com chantilly caseiro... Vá de barriga vazia colando nas costas, é à moda antiga, a la carte com porções fartas "individuais". Não deixe de provar a salada de batata, sem maionese como a do Bar Luiz. Eu trago a receita no final da postagem em "Mais informação" numa postagem só com receitas tradicionais em batata.
As fotos falam por si, repare que a parede é parcialmente azulejada em 3 cores diferentes e as portas e janelas em madeira no estilo colonial alemão.









Meu lado tosco, Café Gaúcho, adoro um pé sujo e o Gaúcho mora no meu coração. Desde 1935, na esquina de Rodrigo Silva com Nilo Peçanha, do outro lado da estação de metrô Carioca. O Gaúcho reúne o melhor de dois mundos, tem tudo que cabe numa padaria e num botequim, dos bolos de fubá com cafezinho aos sandubas imensos de frios com cachaças as mais variadas. São famosos pelas empadas, muito parecidas com as do Salete, daqui da Tijuca. Parede azulejada, preços justos, vive lotado. Para comer em pé com a barriga no balcão gelado. Adoro tanto que já aconteceu de eu tomar meu café no Gaúcho, pular o almoço e voltar à noitinha para a empadinha com cerveja. Um descaramento. 






Restaurante Escondidinho, desde 1947 numa travessa minúscula na Primeiro de Março cujo calçamento é ainda em pedra, ao lado da Igreja da Sé de Nossa Senhora do Carmo, que também vale a visita, é deslumbrante por dentro, refrigerada e sempre vazia.
Fui com Tom, um amigo adorado que me desencaminha nesses assuntos, as vezes eu acho que a gente se desafia para ver quem aparece com o lugar mais interessante. É uma competição sadia que eu pretendo levar ao longo da vida.





3 pontos dignos de nota: o tamanho da porção de frango ao molho pardo que dividimos, a cara de felicidade do Tom (imagino que pela fartura dessa porção ou por saber-se magro de ruim - ou ambos, o que procede) e a quantidade de artigos elogiosos ao estabelecimento nas paredes.





O melhor lanche de fim de tarde, Leiteria Mineira, em frente à estação de metrô Carioca e ao Edifício Av. Central. Servem comida convencional na hora do almoço, ambiente tradicional, preços justos e porções fartas à moda antiga, tudo a la carte. Quando não almoço, vou na coalhada fresca com ameixa, torrada Petrópolis com mel e manteiga, chocolate quente e, às vezes, um suco de laranja.
São do tempo em que o carioca tomava o bonde e ia lanchar mingau e arroz doce em leiteria, um charme. Encontra-se dessas coisas no cardápio deles, eu adoro tudo. Não se sabe o ano de fundação, o registro mais antigo encontrado é de um funcionário contratado em 1916, reza a lenda que foi criada por uma família de fazendeiros que precisava escoar a produção de leite no interior do estado.
Se tiver o hábito de andar, aproveite a caminhada pelo Teatro Municipal, Museu Nacional de Belas Artes, Centro Cultural do Palácio da Justiça e Biblioteca Nacional. São todos próximos e lindos de viver.






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