segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Boa ação de Natal: Papai Noel dos Correios

Sempre quis participar dessa iniciativa, esse ano, como estou morando próximo a uma agência dos Correios, fui informar-me acerca. É fácil, as cartinhas ficam disponíveis nas agências centrais das principais cidades do país, é preciso que cheguem em convênio com instituições de caridade, escolas públicas e/ou associações de moradores cadastrados. As cartas são lidas e registradas individualmente pelos correios, que fazem essa triagem e distribuição dos presentes a partir do número de registro da carta, que corresponde à cada entidade, que ainda vai receber a visita de um carteiro devidamente fantasiado de Papai Noel na data marcada. Enfim, é fácil para a gente, que não sabe nem o endereço das crianças, para os Correios deve ser uma trabalheira.

Como a agência central dos Correios no Rio também é em bairro próximo ao que moro, fui e voltei em minutos com vários protocolos de cartinhas infantis e longa lista de presentes a procurar. Logo eu, que não tenho a menor experiência com brinquedos e detesto lojas lotadas, tive que encarar a sessão infantil entupida de uma loja popular em bairro idem.

Agora, só no ano que vem, o prazo encerrou hoje, mas segue minha experiência.


A agência central carioca, na Cidade Nova, onde chega-se de metrô e trem facilmente, toda decorada e com um destacamento de funcionários alocados exclusivamente para a função.



As cartinhas ficam disponíveis nessa mesa central, onde os interessados podem escolher o que e a quem ajudar. É proibido contactar a criança e colocar um bilhete com sua identidade no presente.
Os pedidos são os mais variados, dos onipresentes tablets a singelos panetones e até o caso de uma senhora de 68 anos que pediu um rádio, entre centenas de famílias que pedem cestas básicas pela figura do filho. A faixa etária das crianças atendidas só vai até 10 anos, mas como algumas instituições de caridade, atendem também adolescentes, é possível encontrar jovens e até alguns idosos desassistidos.
Aproveitei que estava mais abonada e levei meia dúzia de cartinhas e, em segundos, me vi madrinha e responsável por muitos.






 



Você não leva as cartinhas para casa, só uma relação digitalizada pelos Correios e protocolos a preencher.




A moça da primeira foto, que dividiu as cartinhas remanescentes comigo, deu uma sugestão boa, adicionar mais um conjunto de roupinha às crianças. Como nunca comprei roupas infantis e fui uma criança louca por leitura, pensei logo em adicionar um livro ao presente pedido.
A carta abaixo, de uma mocinha que pediu um celular com tv digital foi adotada por outro senhor. Os próprios funcionários dos Correios orientam presentes alternativos aos pedidos excêntricos, como celulares, tablets e demais eletrônicos. A sugestão é sempre dar brinquedos apropriados, como jogos, bolas, skates, bonecas, bicicletas e até estojos de maquiagem infantil.
Comentário geral dos adultos presentes, contando comigo, "Nem eu tenho um celular com tv digital!"




Tudo que eu não faço, um monte de compras empilhadas em sacos plásticos. Empilhadas e apoiadas num skate no canto da minha sala.



Para cada criança, o presente escolhido e um livrinho de bônus, todos comprados de segunda mão na barraca de rua por R$3,00 ou R$5,00, uma ninharia e provavelmente o único livro que essas crianças vão ganhar. Eu fui uma criança que gostava de ler (e de cozinhar), quando tinha um livro, me atracava logo com ele e só largava ao terminar. Os adultos perguntavam o que eu queria de presente e eu respondia "Livro", quase ninguém dava e eu acabava com aquele monte de brinquedo plástico sem graça, que mais parecem enfeites de estante. E eu nem sabia o que fazer com eles.
Os presentes que marcaram minha infância foram os livros, as bicicletas, as bolas, os monoblocos e legos de construção, quebra-cabeças e pega-varetas intermináveis, muitos jogos de tabuleiros e estojos para desenho-pintura e claro, o que viraria a minha tara, uma maquininha fotográfica rudimentar e um laboratório de química (tive o infantil e o juvenil), com todas as suas pipetas, tubos de ensaio, compostos atóxicos, um cheiro de Iodo que apavorava todo mundo (menos a mim) e até um acendedor à fogo!
E eu morei num prédio, cheio de escorregadores e escaladores, com uma casinha de boneca em madeira em tamanho natural e espaço para correr e pedalar, isso também é inesquecível.
Mas, ler muito provavelmente foi a coisa mais importante da minha infância. Tive o privilégio de ser estimulada e a sorte de ter acesso à coleção completa da obra imortal de Monteiro Lobato, um autor que escreveu mais para crianças e acreditava antes de tudo que um país se faz com homens e livros. Graças à obra dele, que não me tornou nem mais nem menos racista do que todos nós somos um pouco (e vamos viver tentando nos livrar desse ranço), eu tive acesso a uma infância de terreno baldio, cheia de árvores, pássaros e liberdade, cada vez mais rara, e com isso, tomei o gosto pela leitura que me acompanharia pelo resto da minha vida.








Sempre fiz meus embrulhos de presente em papel jornal decorado e em ocasiões especiais, em tecidos pela técnica do furoshiki - veja uma foto na postagem Embalado para presente.
Mas, dessa vez, senti receio de embrulhar em jornal presenteando crianças carentes e ser mal interpretada, poderiam se ofender. Como os sacos e embrulhos de papel acetinado e plastificado para presente à venda não são recicláveis, tive a ideia de usar papel pardo e decorar desenhando, estava um pouco cansada da maratona correios-loja lotada-sebo-carregar-embrulhar, mas deu para fazer umas flores bonitas em pillot.
Ano que vem, me programo com mais antecedência e capricho nos desenhos, que são gostosos de fazer antes de dormir. E os livros até ajudaram a embalar, por serem firmes deram formato ao embrulho mais facilmente.





Fui à Central dos Correios entregar meus presentes a esses afilhados de quem nunca vi nem ouvi falar e fiquei me perguntando, como dar um presente sustentável sem decepcionar uma criança que já sofreu tantas perdas, afinal se eu não gostava de ganhar o que não pedi, eles também não vão achar a menor graça.
A resposta estava na agência central dos Correios: Bicicletas!
Ano que vem, chego no primeiro dia e só levo as cartinhas que pedirem uma bike (ou as cestas básicas), Barbie e Frozen nunca mais!




O país inteiro embrulha seus presentes em papel que não recicla, depois passam o verão reclamando das enchentes causadas pelas chuvas. Chuva não causa enchente, mas o lixo urbano ajuda muito.
E meu papel de presente caseiro e sustentável foi elogiado pela coordenadora dos Correios.






Mais informação:
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2 comentários:

Milena FS disse...

Olá Carol, desculpe escrever fora do post.
Eu tenho usado o leite de magnésia Phillips como desodorante, esses dias acabou er comprei uma marca qualquer, Leite de Magnésia Magmax e olhando na composição me assustou, veículo sorbitol, metilparabeno, propilparabeno, alcool etílico.
Será que todos os veículos de Leite de Magnésia contém parabenos ou essa marca específica?

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Oi Milena, não conheço essa marca, mas pelo que vc passou da composição, eu não usaria. Abs