quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A casa sustentável virou um ebook!




A série de postagens "A casa sustentável é mais barata", que já está na vigésima primeira postagem, e "Comendo a ração que vende", sobre o que implemento aqui em casa, virou um ebook pela plataforma Essia.

Essas postagens começaram a partir das dúvidas de leitores sobre construção, reforma e decoração sustentável. Eu adorava escrever sobre o assunto, divulgava iniciativas de reaproveitamento de edifícios pelo mundo e muito timidamente citava algumas coisinhas que colocava em prática aqui em casa, mas nada muito específico. A partir das dúvidas das pessoas, animei-me a escrever de forma organizada e sistemática, organizei as postagens sobre o que eu realmente fazia na vida real e com isso, ambas as séries foram ficando enormes.

Até o pessoal da Essia me procurar pela página do blog no Face e propor o ebook sobre o assunto que eu achasse ter mais apelo. Não tive dúvidas e a casa sustentável virou um ebook, que sempre vai poder ser reeditado conforme novas práticas forem sendo aprovadas pessoalmente por mim.

A casa sustentável e seus desdobramentos são infinitos e a ideia é essa mesmo, daí o ebook, que sempre vai poder ser reeditado e atualizado. A maioria das práticas bem sucedidas surgiu da necessidade e falta de recurso, o que comprova exatamente do que o título original da postagem trata, de que a sustentabilidade é para todos e sai muito mais barato a curto, médio e longo prazo.


A plataforma ainda está em caráter experimental e é importante que as pessoas entrem, acessem e nos deem esse feedback do que atende ou não. Conto com vocês, o acesso é gratuito.

Obrigada à toda equipe da Essia pela liberdade de criação, bom gosto do layout desenvolvido por eles e espaço de divulgação desse blog amador.



Para acessar e começar a viajar nesse mar de imagens e links sobre um assunto que todos amamos:

Plataforma Essia/CarolDaemon: A Casa Sustentável é mais barata e Comendo a ração que vende

Quem tiver problemas para abrir o link acima, basta atualizar a página do navegador depois de aberto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Como funciona uma feira de adoção de animais




Por dois sábados, tive o prazer de ser voluntária junto à feira de adoção de animais organizada pela  AU MIAU Protetores Independentes, que acontece todo sábado na Praça Afonso Pena, Tijuca.
As feiras de adoção de filhotes são eventos comuns e populares, a gente passa pelas pracinhas, vê uma enorme barraca aberta, mesas estendidas com suas gaiolas de animais, pessoas bem dispostas esclarecendo dúvidas, pranchetas de cadastro, sacos de ração, potes de água, pilhas de jornal, roupinhas (confeccionadas pessoalmente pelos voluntários) para o frio e claro, quem é de fora nem imagina a trabalheira que envolve aquela infraestrutura toda.

Os animais, se não pertencerem a um abrigo específico, provavelmente são abrigados na própria casa dos protetores, que arcam tudo com recursos próprios. Então, uma senhorinha que mantém digamos 23 gatos e outros tantos cães em dúzias, nos finais de semana, ainda arma e desarma um acampamento e transporta todos os animais que, pela experiência dela, podem ser adotados.

Aí, você que não castrou nem o cão que comprou num pet shop, encosta e pergunta na maior se elas não teriam um poodle. Não tem, nem é para ter. 
Essas pessoas recolhem esses animais da rua, quando um irresponsável não abandona uma caixa de papelão cheia de filhotinhos sem raça definida na porta da casa delas, afinal são conhecidos como pessoas que recolhem e dão um jeito num problema de saúde pública que é responsabilidade de todos, principalmente do governo, já que animais são vetores de transmissão de doenças. No Japão, é proibido manter cães não castrados microchipados. Caso, o dono seja pego, o animal é recolhido e sacrificado. A nação mais desenvolvida do mundo, sobrevive com recursos limitados dentro de uma ilha, tem obsessão por higiene e encara animais domésticos como uma questão sanitária rigorosamente controlada. A nossa cultura de criadouros e cruzamentos é uma ignorância de país subdesenvolvido.

Eu adotei 3 cães, 3 viralatas que castrei e microchipei. Nesses 7 anos de vida canina com viralatas conhecidos por aguentar qualquer tranco, só precisei comprar medicamento em 2 ocasiões distintas para problemas muito esporádicos e de cura rápida. Meus cães de rua só dão despesa de ração, vermífugo e vacina. Uma delas foi inclusive "comprada" de um morador de rua, pois a antiga tutora havia abandonado uma caixa cheia de filhotinhos junto a um bando de mendigos, dando a eles a responsabilidade que era dela por não ter castrado seu animal. O que essa tutora esqueceu é que não existem animais de rua, nenhum animal nasce e sobrevive na rua por muito tempo. O viralata que dorme debaixo de uma marquise é um cão abandonado ou que fugiu e se perdeu.

Não existe animal comprado sustentável, na verdade já existem mais cães e gatos do que pessoas no mundo. Cada cão-gato adotado, é mais uma vaga que se abre no abrigo e assim, a chance de tirar mais um animal da rua.
O animal que você compra num pet shop é mais um de uma ninhada que é encarada como um produto. As fêmeas são fecundadas em todos os cios e vão parir até morrer, normalmente de hemorragia. Os filhotes machos que não forem adotados, serão provavelmente sacrificados, por não terem nenhuma serventia a um criador. Independente de quaisquer questões de pedigree, toda raça de cão moderno é uma deturpação resultante de milhares de cruzamentos não aleatórios em busca de um produto comercialmente aceitável, como o tal poodle, que inacreditavelmente descende dos primeiros lobos domesticados.

Não compre, adote. Castre sempre, em quaisquer circunstâncias. Castrar é um ato de amor chancelado por 100% dos veterinários, afinal um único casal de cães pode gerar até 80.000.000 de descendentes em uma década de vida fértil. Um casal de gatos pode gerar até 60.000.
Muitas pessoas têm pena de castrar, mas não querem que o animal cruze por causa dos filhotes. É pior para o animal, que continua com o instinto. O cão castrado, seja macho ou fêmea, tem o processo reprodutivo interrompido e com isso, todas as doenças resultantes do sistema hormonal, não chegam a ocorrer.
Você pode até saber para onde vão os filhotinhos do cão que permitiu cruzar, mas é impossível rastrear para onde vão os filhotinhos dos filhotinhos, é uma progressão geométrica incontrolável, que acaba em bandos de animais famintos sendo atropelados pelas estradas ou morrendo de frio e fome nas ruas. E estamos falando dos que sobreviverem, os filhotinhos largados em caixa de papelão numa praça, provavelmente acabarão sendo predados pelas ratazanas de esgoto.




Flávia, que monta e desmonta toda essa estrutura semanalmente, coloca tudo no seu carro e dirige ida e volta de Maricá, com a gata Gabi, que depois de 1 ano de espera, encontrou uma família.
Flávia é vegana, mas todo sábado, compra com recursos próprios para os outros voluntários pizza e refrigerante, que ela não come. 





Michele, entrevistando um casal de candidatos à adoção




Os animais são tratados com todo carinho, paparicados com lacinhos e abrigados em panos quentinhos.




Ninhada resgatada em São Gonçalo, fofíssimos.







Dupla encontrada num saco de cimento em Vila Isabel. Lindos




Único animal adotado no sábado de primeiro de agosto. É o tipo de coisa que pode acontecer, depois de passar o sábado inteirinho debaixo de sol e chuva, apenas um animal é adotado. Ou mesmo nenhum.






Na próxima vez que passar por uma feira de adoção, não pergunte se tem um dálmata nem faça um discurso "peninha" de castração, não seja maluco nem mal educado. Já que não vai ajudar em nada, pelo menos não atrapalhe. E, como nunca é demais, esses grupos aceitam doações de toda natureza.


As fotos foram todas retiradas da página do AU MIAU do Facebook




Mais informação:
Fábricas de filhotes
Microchipei meus cães
Castre seu gato de estimação
Onde castrar seu animal gratuitamente
Porque castrar seu animal de estimação
Boa ação de verão para o ano todo: deixe água para os animais de rua

sábado, 1 de agosto de 2015

Caça não é esporte




A imagem acima, do Schwarzenegger, foi retirada da página do próprio Arnoldão no Facebook, repare no link que ele deixa indicação para a campanha prevencionista da NatGeo #5ForBigCats que pede doações simbólicas a partir de US$5.00 para preservação de felinos ameaçados.
Detalhe ainda mais testosterona: Shaquille O´Neil curtiu de seu perfil oficial.
Ainda mais bacana, sabe quem faz um trabalhinho de personal trainer pro Arnaldão? A romena Nádia Comaneci, uma mulher pequena, mas o único ginasta na história a ganhar nota máxima de todos os jurados.


A antiga postagem sobre Rodeios daqui do blog começa com um texto da Rita Lee que termina dizendo:
"Uma arena como esta (de rodeios e vaquejadas) poderia apresentar atrações esportivas de verdade, vários grandes atletas do Brasil estão sem patrocínio ou incentivo algum. A festa não perderia seu brilho, não deixaria de gerar empregos e as crianças presentes aprenderiam algo mais dignificante."


Caçar não é esporte. Esportes são uma competição justa que exige perícia e técnica entre membros em situação de igualdade. No esporte, ambos concordam com as regras previamente estipuladas. Atletas paraolímpicos competem entre si, faixas pretas desafiam outros faixas pretas e assim por diante. Colocar o cinturão peso-pesado para competir com um iniciante peso galo não é competição, é covardia e, mesmo que desafiado, provavelmente o peso-pesado vai declinar por uma questão de decência. Encarar esse tipo de desafio deporia contra a reputação que um homem de verdade leva anos de esforços para construir.

Nossa Copa superfaturada foi um vexame, as Olimpíadas igualmente superfaturadas estão aí e muitos dos nossos atletas voltaram do PAN reclamando de falta de patrocínio, corte de verbas e ausência de quaisquer incentivos, para variar. E todo mundo já sabe que da cúpula da FIFA e da CBF, ninguém vai preso - como a CPI da Nike não deu em nada.
Não é uma questão de transformar o mundo num espetáculo de ballet ou num sítio hiponga, não é por aí. Mas o modelo atual não funciona, você - amigo macho alfa, também saiu perdendo. E, acredite, eu nem gosto de ballet, assisti ao Shaquille jogando em LA há muitos anos inclusive. Inesquecível.

Caçar não é um privilégio masculino, mas a maioria de seus praticantes é homem por uma questão cultural, associa-se à virilidade e muitas culturas ainda fazem da caça e de outras formas de subjugar animais, um rito de passagem para a vida adulta dos rapazes daquela comunidade, o que faria inclusive muito sentido caso essas mesmas culturas ainda dependessem que seus membros caçassem aqueles animais para sobrevivência - o rapaz só seria aceito como membro adulto quando fosse capaz de garantir o sustento alimentar de sua prole, até lá, depende de homens mais velhos e continua sendo subordinado.
O exemplo mais emblemático de tradição que se mantém por razões equivocadas é a caça aos cetáceos nas Ilhas Faroe, Dinamarca. Anualmente, é realizado um massacre sangrento de golfinhos e belugas como rito de passagem dos jovens locais, que obviamente participam de tudo com seus smartphones e tênis all star, para comemorar depois em algum restaurante local com comida comprada do supermercado, já que as próprias autoridades dinamarquesas alertam que o consumo desse tipo de carne não é sequer saudável. Enfim, algo completamente sem sentido ritualístico algum no mundo atual. Some ao ridículo de que quem vai lavar a roupa imunda de sal com vísceras é a pobre coitada da mãe do machão. 
A reportagem abaixo explica em detalhes a prática desse tipo de caça com muitas imagens e filmes produzidos no local: 


Mais uma vez, na semana passada, o Japão provocou indignação e protestos em todo o mundo por causa de uma horrível matança de golfinhos. O Japão e a Dinamarca são os dois principais países nos quais, com requintes de crueldade, o morticínio de cetáceos ainda é praticado com autorização dos respectivos governos

A cena se repete anualmente, de setembro a março, sempre com os mesmos protagonistas: centenas de golfinhos são encurralados pelos pescadores na baía de Taiji, na costa oeste do Japão, apesar do protesto de várias organizações ambientalistas. Além dos poucos que conseguem escapar, os golfinhos aprisionados têm dois destinos possíveis: ou são enviados para cativeiro, ou acabam esquartejados para consumo. Só na terça-feira, 21 de janeiro, foi trucidada quase uma centena desses animais. A lembrar que, com os chimpanzés, os golfinhos estão entre os mais inteligentes e sensíveis animais que vivem na face da Terra.

Segundo a agência Reuters, pelo menos 200 golfinhos – incluindo adultos, crias e um golfinho albino, raro, que será mais valioso – estavam presos desde a sexta-feira, 17 de janeiro, na baía de Taiji. A CNN afirma que este ano eles serão cerca de 500 indivíduos, mais do que é habitual. Com a ajuda de barcos a motor e de redes de pesca, os animais foram levados para uma zona de águas pouco profundas, onde eram esperados por pescadores com roupas de mergulho e máscaras de snorkelling. Eles perseguiram os golfinhos aprisionados até à exaustão e prenderam-lhes as barbatanas com cordas, para impedir a fuga.
Antes, os pescadores japoneses taparam o acesso à baía com uma lona para fugir dos olhares de ativistas ambientais e jornalistas, que tentavam filmar e fotografar o massacre. Mas o sangue dos animais espalhou-se pela água da baía, para lá dos limites da lona. "Foi usada uma barra de metal para lhes esfaquear a medula espinhal e os golfinhos foram deixados a sangrar, sufocar e morrer. Depois dos quatro dias traumáticos que passaram presos na enseada da matança, foram alvo de uma seleção violenta, separados da família, e finalmente foram mortos na terça-feira", disse à Reuters Melissa Sehgal, da organização ambientalista Sea Shepherd, que publicou online vídeos da matança.

A desculpa das autoridades japonesas é sempre a mesma: Trata-se de uma antiga "tradição cultural" do país. Mas que tradição é essa?, pergunta-se. A tradição de infligir sofrimento até a morte? Na região dos Balcãs, no século 15, e apenas para citar um exemplo, existia a tradição cultural do empalamento, pela qual criminosos condenados e soldados inimigos eram desvestidos e amarrados sentados nas pontas de longas estacas e lá permaneciam, sangrando, até morrer. Deveriam então, os romenos e búlgaros, em nome da tradição cultural, continuar empalando seus inimigos até hoje? Baleias e golfinhos, como todos os demais animais altamente inteligentes ou em risco de extinção não são mais propriedade deste ou daquele país: São, todos eles, patrimônio da humanidade. Assim, com que direito o Japão (e também a Dinamarca, como veremos mais abaixo) massacram golfinhos que pertencem ao patrimônio mundial? Precisarão por acaso os japoneses e os dinamarqueses – duas das nações mais ricas do mundo - de mais alguns sushis ou filés de cetáceos para sobreviverem?

A matança foi fortemente criticada pela comunidade internacional. O embaixador do Reino Unido no Japão, Timothy Hitchens, e a embaixadora dos EUA, Caroline Kennedy, declararam-se contra essa prática. "O Reino Unido opõe-se a todas as atividades com golfinhos e botos, que causam sofrimentos terríveis. Levantamos esta questão regularmente com o Japão", declarou Hitchens, num comentário na sua conta do Twitter. Por seu lado, Caroline Kennedy mostrou-se "profundamente preocupada" com a matança.

Também a artista japonesa Yoko Ono, viúva do cantor John Lennon, e o ator Matt Damon apelaram aos pescadores que abandonem essa caça anual. Numa carta publicada na sua página de Internet, dirigida aos pescadores daquela localidade da província de Wakayama e ao primeiro-ministro japonês, Ono escreve: "A forma como insistem numa grande celebração da matança de tantos golfinhos e no rapto de alguns deles para vender aos zoos e restaurantes, neste tempo tão sensível politicamente, fará com que as crianças do mundo odeiem os japoneses."

A captura e matança de golfinhos é uma prática centenária naquela região e é fortemente defendida pelos moradores e pelas autoridades, que alegam que ela não está banida em nenhum tratado internacional e que a espécie não está em perigo de extinção. Em 2009, Taiji ficou célebre em todo o mundo quando o documentário The Cove (A Enseada), premiado com um Oscar em 2010, denunciou a captura de golfinhos para parques aquáticos e o massacre de milhares para consumo. Em outubro, o município revelou um plano que promete nova polêmica: será criado um parque marinho, onde os turistas poderão nadar e fazer canoagem ao lado de golfinhos e baleias. Mais tarde, poderão comê-los na forma de delicados sushis e sashimis...

Nas Ilhas Faroe - Mais matanças de baleias e golfinhos
Uma média de 700 baleias-piloto e golfinhos são esquartejados brutalmente, quase sempre estando ainda vivos, todos os anos, nas Ilhas Faroe, um arquipélago situado no Atlântico Norte e pertencente à Dinamarca. Inteiros grupos familiares de baleias, conhecidas como "pods", são conduzidos para as praias onde os animais são mortos a golpes de facas e facões desferidos pelos moradores dessas ilhas. Essa modalidade de caça aos cetáceos tem sido praticada nas Faroe há séculos. No passado, ela era importante fonte de alimento para os habitantes daquele remoto e frio território, mas hoje a prática não passa de um hábito nefasto transformado muito provavelmente em simples válvula de escape da violência e da agressividade acumulada pelas pessoas que o praticam. As próprias autoridades dinamarquesas são as primeiras a advertir que a carne desses cetáceos já não é mais sadia e seu consumo tornou-se perigoso devido à grande quantidade de poluidores tóxicos (sobretudo mercúrio) que se concentram na carne e na gordura das baleias.

Em 2013, no entanto, mais de 700 baleias-piloto aterrorizadas foram levadas para as praias, perfuradas com ganchos de aço e arrastadas para a areia. Seus pescoços foram cortados com facas e facões, de maneira que os animais sangraram até morrer. Famílias inteiras de baleias foram trucidadas dessa forma: mães grávidas, mães com seus filhotes, todas passaram pela terrível agonia da morte violenta. Embora o arquipélago das Faroe pertença à Dinamarca, as ilhas possuem suas próprias leis para regulamentar a caça às baleias.






Só que você viu a foto do vocalista do Metallica, James Hetfield, caçando um urso e ficou pensando, se ele que é um dos caras mais cool do mundo, pode, eu também posso, certo? Errado.
O episódio gerou uma onda de protestos tão violenta, que os próprios fãs da banda chegaram a pedir o banimento do Metallica de festivais. Não dá para amar alguém que atira em ursos, não dá para respeitar alguém que assassina um animal indefeso de maneira tão covarde por um motivo banal. A caça nos moldes atuais é uma deturpação da caça nos primórdios da civilização. Estamos falando de homens armados em veículos com proteção e guias treinados, que farão o trabalho pesado, como atrair, cercar e até limpar o animal abatido. A única coisa que o caçador moderno faz, é acertar um disparo, na maioria das vezes num animal já inerte ou acuado.
E ele nem é enrustido, assume sua covardia arrogantemente e declara preferência por ursos pardos e polares. Veja o desenrolar da coisa:
RollingStone: Metallica Dress Up as Murderous Bears in Short Film
IndependentUK: Glastonbury 2014: Petition launched to ban Metallica from festival over James Hetfield's bear-hunting



E a caça à raposa, tão tradicional na Inglaterra? 
É proibida por lei segundo decreto da Rainha. A caça na Inglaterra e País de Gales é proibida a qualquer mamífero selvagem, na Irlanda ainda é liberado.
E nas ilhas do Reino Unido não caçam tradicionalmente raposas, mas geralmente animais comestíveis em áreas rurais, como faisões, perdizes, codornas, javalis e variações de galos, lebres, patos e até pombos selvagens. A caça à raposa era um hábito elitista, organizado em estações como um festival, sem a finalidade de sobrevivência alimentar nos meses de frio e por isso, foi proibido. Algumas raposas ainda são caçadas informalmente, sem cavalos e qualquer organização, por serem consideradas pragas em fazendas, como ocorre em qualquer lugar do mundo, muitas vezes com armadilhas próximas aos galinheiros e coelheiras.
A imagem de cavalgadas glamourosas acompanhadas de cães perdigueiros para caça de raposas e javalis só é esteticamente bonita nos filmes e obras de arte. Na vida real, há lama, mau cheiro, quedas eventuais dos cavaleiros, animais enfurecidos e claro, muito sangue e uivos de dor. O próprio hábito aristocrático da caçada é um resquício desses rituais de passagem para vida adulta, o homem por mais nobre que fosse, também precisava mostrar-se apto à caça alimentar e ser exímio cavaleiro. E claro, perdeu completamente o sentido no mundo moderno. Observe ainda que a Inglaterra hoje é o país com o maior percentual de vegetarianos na população adulta, a começar pelos próprios membros da família real.



A notícia da semana, que deu origem a essa postagem: Dentista americano é acusado de matar leão mais famoso do Zimbábue

Ambientalistas do Zimbábue afirmam que o homem que pagou US$ 50 mil (cerca de R$ 170 mil) para matar o leão mais famoso do país é um dentista norte-americano.
A Força de Preservação do Zimbábue (ZCTF, na sigla em inglês) identificou o turista como sendo Walter Palmer, do Estado de Minnesota, e afirmou que ele alvejou o animal com arco e flecha e um rifle. Em declaração divulgada nesta terça, Palmer admitiu participação na caçada, mas disse que pensava que tudo estava legalizado.
O leão, chamado Cecil, foi depois degolado e teve a pele arrancada, segundo a ZCTF. Dois cidadãos do Zimbábue que se envolveram no episódio foram acusados de caça ilegal, porque o grupo não tinha permissão para a atividade. Os homens - um caçador profissional e um fazendeiro - podem pegar até 15 anos de prisão no Zimbábue caso sejam condenados. Eles deverão se apresentar a um tribunal nesta quarta-feira. A polícia do Zimbábue confirmou que Palmer também poderá responder por caça ilegal. "Prendemos duas pessoas e agora estamos procurando por Palmer por envolvimento no mesmo caso", afirmou a porta-voz da polícia Charity Charamba.
O jornal Star Tribune, de Minnesota, divulgou uma declaração do dentista em que ele reconhece ter abatido o leão, mas afirma que desconhecia o caráter ilegal da empreitada. Palmer afirma ter pensado que "tudo estava legal e devidamente gerenciado" e disse que confiou na experiência de guias profissionais para "garantir uma caça legal". "Eu não tinha ideia até o final da caçada que o leão que abati era conhecido e estimado localmente e que usava um colar como parte de um estudo", afirma. "Eu me arrependo profundamente que minha busca por uma atividade que amo e pratico de forma responsável e legal tenha resultado no abate desse leão." As autoridades locais inicialmente haviam dito que um turista espanhol era o provável responsável pelo crime.

Reação furiosa. O consultório de Palmer estava fechado nesta terça, e um aviso na porta direcionava os visitantes a uma empresa de relações públicas, segundo a imprensa local. A página do dentista no Facebook foi apagada após ser alvo de comentários raivosos, e o site do consultório também saiu do ar.

O Zimbábue, como muitos países africanos, luta para coibir a caça ilegal que ameaça a vida selvagem da região. O leão Cecil, de 13 anos, era uma grande atração turística do parque nacional Hwange, o principal do país. Estima-se que ele tenha sido morto no último dia 1º, mas a carcaça só foi descoberta dias depois. A ZCTF afirmou que o grupo usou iscas para atrair o leão para fora do parque, durante uma perseguição noturna. Palmer teria atingido Cecil com flechas, ferindo o animal. O grupo só teria encontrado o animal 40 horas depois, quando Cecil foi morto com disparo de arma de fogo.
O felino tinha um colar GPS como parte de um projeto de pesquisa da Universidade de Oxford, que permitia mapear sua movimentação. Os caçadores tentaram destruir o aparelho, mas sem sucesso, segundo a ZCTF.  Na última segunda-feira, o chefe da ZCTF afirmou à BBC que Cecil "nunca incomodou ninguém". "Ele era um dos animais mais belos de se observar", disse Johnny Rodrigues. Os seis filhotes de Cecil agora deverão ser mortos pelo novo macho do grupo, disse Rodrigues, para estimular as fêmeas a cruzar com ele. "Isso é como a coisa funciona na natureza selvagem. É a natureza seguindo seu curso", afirmou.


Caçadas começam mal e acabam pior: Dentista americano que matou leão, queria também matar um elefante, diz guia
O guia que conduziu a caçada diz que o dentista só desistiu ao saber que só poderia matar um elefante bem pequeno. dentista americano Walter Palmer, de 55 anos, responsável pela morte do leão Cecil, pretendia ainda matar um “elefante bem grande” durante uma caçada no Zimbábue, contou seu guia a um jornal inglês. "Eu disse que só encontraríamos um elefante bem pequeno, então ele desistiu e foi embora no dia seguinte", afirmou Theo Bronkhorst ao jornal inglês The Telegraph.



A posição formal da maior organização de proteção animal do mundo: PETA defende que caçador do leão Cecil, símbolo do Zimbábue, deveria ser enforcado


Os defensores dos animais estão furiosos com o dentista norte-americano Walter Palmer que teria caçado o leão Cecil, símbolo do Zimbábue. A presidente da People for Equal Treatment of Animals (PETA) - a maior organização de proteção animal do mundo -, Ingrid Newkirk, divulgou um comunicado pedindo que ele seja “enforcado” caso as denúncias se comprovem.
“A caça é o passatempo de covardes. Se, como foi relatado, esse dentista e seus guias atraíram Cecil para fora do parque com alimentos, de modo a matá-lo na propriedade privada, já que atirar nele no parque seria ilegal, ele precisa ser extraditado, acusado, e, de preferência, enforcado”, disse Ingrid Newkirk num comunicado, segundo o “The Huffington Post”. Ingrid também disse que “a fotografia do dentista sorrindo sobre o cadáver de outro animal, que, como Cecil só queria ser deixado em paz, enoja cada alma de inquietação no mundo”.





Enquanto isso, no Quênia: Caçadores matam cinco elefantes em Parque Nacional do Quênia

Segundo guardas do Parque Nacional Tsavo, os animais - uma mãe e quatro filhotes - foram encontrados sem as presas na manhã de terça-feira, 28 de julho. Atualmente, os elefantes correm mais perigo na África do que os leões já que suas presas de marfim os tornam alvos preferenciais de caçadores. Na Ásia, compradores pagam mais de US$ 1000 por cerca de 500g do marfim extraído ilegalmente da presa dos elefantes. "É completamente devastador" afirmou Paul Gathitu, porta-voz do Serviço de Vida Selvagem do Quênia. "Fomos pegos completamente de surpresa."











Para homens de verdade encherem de orgulho parceira(os) que não fazem questão de flores, joias e nada em marfim, couro e afins: SOS Solteiros: Aprenda a fazer seu troféu de caça em papelão









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